Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo segue o capítulo 8 (Arthroplasty of the Knee) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), escrito por FORD, HOLLAND e MIHALKO, com três complementos curtos do mesmo livro: os acessos ao joelho (cap. 1), as medicações antirreumáticas no perioperatório (cap. 2) e as contraindicações da osteotomia tibial (cap. 10). As páginas citadas são as impressas.
A artroplastia total do joelho (ATJ) é uma cirurgia de geometria e de tensão. O cirurgião faz cinco cortes ósseos e depois ajusta as partes moles para que dois espaços, o de extensão e o de flexão, fiquem retangulares e do mesmo tamanho. Quase toda questão de prova sai desse raciocínio: por que o corte femoral distal tem 5 a 7° de valgo, por que o componente femoral gira 3° para fora, por que o valgo com côndilo lateral hipoplásico engana a referência condilar posterior, que estrutura soltar quando o lado lateral está apertado em extensão, o que fazer quando o espaço de flexão sobra.
A banca cobra quatro blocos: indicações e contraindicações, técnica (alinhamento, rotação, balanço, acessos, defeitos ósseos), complicações (infecção, patela, nervo fibular, fraturas) e revisão, quase sempre com um número ou um nome.
Indicações e contraindicações
Cobrança confirmada · 3 questões
Quem deve operar
A indicação principal da ATJ é aliviar a dor causada por artrite grave, com ou sem deformidade (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 8, p. 417). Antes de culpar o joelho, o livro manda excluir outras fontes de dor: radiculopatia da coluna, dor referida do quadril, neuropatia periférica, doença vascular, lesão meniscal e bursite. A radiografia precisa casar com a clínica, e o tratamento conservador (fisioterapia, anti-inflamatório, infiltração, mudança de atividade e apoio para marcha) deve estar esgotado. Um detalhe que explica muita insatisfação: quem não tem perda completa do espaço articular antes da cirurgia tende a ficar menos satisfeito (p. 417).
Como a prótese tem vida finita, a indicação é sobretudo no idoso sedentário, mas também no jovem com artrite sistêmica ou osteonecrose com colapso do côndilo (p. 417).
A deformidade pode virar a indicação principal. Quando uma contratura em flexão passa de 20°, a marcha fica muito prejudicada e recuperar a extensão fica difícil. Do mesmo modo, quando a frouxidão em varo ou valgo se torna grave, passa a ser necessária uma prótese com restrição condilar. Operar antes desse ponto permite usar um implante sem restrição coronal, que dura mais (p. 417).
As contraindicações absolutas
O Campbell lista cinco contraindicações absolutas à ATJ primária (p. 418):
| Absolutas | Relativas (lista aberta) |
|---|---|
| sepse recente ou atual no joelho | condição clínica que compromete anestesia, cicatrização e reabilitação |
| foco infeccioso remoto ativo | imunodeficiência |
| descontinuidade ou disfunção grave do mecanismo extensor | quadril ipsilateral artrósico grave (operar o quadril antes) |
| recurvato por fraqueza neuromuscular | aterosclerose importante do membro |
| artrodese indolor e funcionante | psoríase no campo cirúrgico; estase venosa com celulite de repetição |
| artropatia neuropática; obesidade; ITU de repetição; osteomielite prévia perto do joelho |
O raciocínio é mecânico ou infeccioso. Sem mecanismo extensor, a prótese não tem motor. No recurvato por fraqueza do quadríceps, o paciente trava o joelho em hiperextensão; uma prótese comum, que não bloqueia a hiperextensão, é forçada para trás até falhar, e o próprio capítulo reserva a esses casos a dobradiça com bloqueio de extensão (p. 440).
Repare no que não é contraindicação absoluta e cai como distrator: a patelectomia prévia (o joelho é operável, de preferência com prótese PS; ver adiante), a osteotomia prévia, a artropatia neuropática (relativa), a doença arterial aterosclerótica (relativa), a psoríase com pele ruim (relativa), a osteomielite prévia perto do joelho (relativa), a obesidade mórbida (relativa, com cortes variáveis) e a falta de condição clínica para anestesia (relativa). A patela baixa também não é contraindicação; é um problema técnico de exposição.
O livro reforça a otimização: vitamina D, síndrome metabólica, albumina, neutropenia, superobesidade e IMC abaixo de 20 são fatores modificáveis, e adiar a ATJ por até 8 meses para corrigi-los não piora o resultado (AAOS) (p. 418).
Pré-operatório e medicações
Cobrança confirmada · 1 questão
As radiografias mínimas são o AP com carga, o perfil e a axial da patela; a panorâmica com carga mede o eixo mecânico e mostra arqueamento tibial que impede o guia intramedular (p. 426). Calcule perda de 1000 a 1500 mL (p. 426).
| Marcador | Valor de alerta | Significado |
|---|---|---|
| albumina | abaixo de 3,5 | desnutrição |
| linfócitos totais | abaixo de 1200 | mais internação e tempo cirúrgico |
| HbA1c | meta abaixo de 7,5 | controle glicêmico |
| frutosamina | acima de 293 | 11,2 vezes mais infecção periprotética |
| glicemia pós-operatória | acima de 200 mg/dL | dobra o risco de infecção |
| IMC | 50 ou mais | mais de 50% de complicações |
A síndrome metabólica (obesidade com duas de hipertensão, hipercolesterolemia ou intolerância à glicose) multiplica as complicações (p. 427 e 450).
Medicações antirreumáticas
O capítulo 2 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 136 e 137), reproduz a diretriz de 2022 do American College of Rheumatology com a AAHKS para ATJ e ATQ eletivas. A lógica é simples: as drogas modificadoras sintéticas convencionais continuam; os biológicos param, e a cirurgia é marcada no fim do intervalo de dose.
| Conduta | Medicações |
|---|---|
| manter durante a cirurgia | metotrexato, sulfassalazina, hidroxicloroquina, leflunomida, doxiciclina, apremilaste |
| suspender (operar no fim do ciclo) | infliximabe, adalimumabe, etanercepte, golimumabe, abatacepte, certolizumabe, rituximabe, tocilizumabe, anakinra, secuquinumabe, ustequinumabe, ixequizumabe, guselcumabe |
| suspender 3 dias antes | inibidores de JAK (tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe) |
| reiniciar | ferida cicatrizada, pontos retirados, sem secreção nem infecção, em geral por volta de 14 dias |
Desenho dos implantes: CR, PS, CCK e dobradiça
Cobrança confirmada · 1 questão
De onde vieram os desenhos atuais
A total condilar de INSALL (1973) sacrificava os dois cruzados, subluxava para trás em flexão e não fazia rollback (impacto posterior a cerca de 95°). A INSALL-BURSTEIN posteroestabilizada (1978) acrescentou o came femoral que encosta no poste tibial a cerca de 70°, produzindo o rollback (p. 402.e1).
CR contra PS
As duas filosofias convivem e têm sobrevida comparável de 10 a 20 anos; estudos com uma prótese de cada tipo no mesmo paciente não mostraram diferença de satisfação (p. 408).
| Aspecto | CR (retém o LCP) | PS (substitui o LCP) |
|---|---|---|
| como faz o rollback | tensão do LCP em flexão | came femoral contra poste tibial |
| restrição e força na interface | menor | maior (estresse vai ao cimento) |
| osso femoral | preservado | corte da caixa intercondilar |
| problema típico | roll forward medial, LCP tenso desgasta o polietileno posterior, ruptura tardia do LCP | clunk patelar, desgaste e quebra do poste |
| linha articular | tolera pouca alteração | equilibra com leve elevação |
| deformidade fixa grave | LCP contraído funciona como amarra | corrige com mais previsibilidade |
| Mayo, 15 anos | 90% | 77% |
O LCP é uma estrutura medial e entra na deformidade em varo; com ele retido, muitas vezes é preciso liberá-lo ou recuá-lo para ganhar flexão (p. 408). Liberar o LCP abre mais o espaço de flexão (4 a 6 mm em cadáver) que o de extensão (menos de 2 mm), e por isso a PS costuma equilibrar com um pouco de elevação da linha articular (p. 408). Equilibrar o LCP exige precisão de 1 a 2 mm, e alguns autores sugerem que quem faz menos de 20 ATJ por ano use a PS (p. 409).
O inserto deep-dish, com lábio anterior alto, estabiliza o CR com LCP insuficiente sem cortar a caixa femoral (p. 403). O poste da PS desgasta ou quebra com componente femoral fletido, slope excessivo e hiperextensão (p. 409).
A escada de restrição
| Implante | Mecanismo | Indicação típica |
|---|---|---|
| UKA | um compartimento | doença unicompartimental, deformidade mínima |
| CR | LCP natural | deformidade leve |
| PS | came e poste | deformidade maior, LCP incompetente, instabilidade AP |
| CCK | poste central alargado numa caixa femoral funda | instabilidade varo-valgo, valgo extremo com LCM insuficiente, revisão |
| dobradiça rotatória | ligação mecânica com rotação livre | perda ligamentar grave, desproporção flexão-extensão, recurvato, neuromuscular, salvamento |
O CCK nasceu da PS: o poste central do polietileno foi alargado e trabalha contra as paredes medial e lateral de uma caixa femoral mais funda; assim controla o varo-valgo com pequena folga (p. 404). Ele não serve para recurvato, porque não bloqueia a hiperextensão. Na primária difícil, a sobrevida foi de 97,6% em 10 anos (p. 404). Repare: o que aumenta a restrição é a geometria do poste, não a altura do polietileno nem o tamanho dos componentes. Polietileno mais alto só preenche o espaço.
A dobradiça rotatória (Kinematic Rotating Hinge, S-ROM) restringe nos planos sagital e coronal e deixa a rotação livre para poupar a interface; ela bloqueia a extensão e por isso resolve o recurvato. Na primária deve ser reservada, porque tem resultados piores e mais complicações (p. 406).
Plataforma móvel, polietileno e fixação
O inserto móvel promete menos tensão de contato, mas arrisca o spinout quando os espaços não estão iguais (p. 404 e 405). No polietileno: espessura mínima de 8 mm; gama em ar cria banda branca subsuperficial de oxidação; hoje se usa gás inerte, alta reticulação ou vitamina E (p. 415 e 416). A fixação cimentada é a mais confiável; no registro sueco o não cimentado revisou 1,4 vez mais (p. 417).
Unicompartimental, osteotomia e patelofemoral
Cobrança confirmada · 1 questão
Quando a UKA entra
A artroplastia unicompartimental troca só um côndilo e o platô correspondente. A UKA Oxford medial teve sobrevida de 94% em 10 anos e 91% em 20 anos (p. 418 e 419). Ela é defendida em dois grupos: o idoso magro com doença de um compartimento (reabilitação mais rápida, mais arco, joelho mais "natural" por preservar os cruzados) e o jovem, como "primeira artroplastia" em lugar da osteotomia tibial alta (p. 419). Apenas 6% dos pacientes que precisam de artroplastia não têm nenhuma contraindicação à UKA (p. 419).
As contraindicações são bem definidas e caem muito:
| UKA | Osteotomia tibial alta | Artroplastia patelofemoral |
|---|---|---|
| artrite inflamatória | artrite inflamatória | artrite inflamatória (inclui condrocalcinose) |
| contratura em flexão de 15° ou mais | contratura em flexão acima de 15° | contratura de 10° ou mais |
| arco abaixo de 90° | flexão abaixo de 90° | flexão abaixo de 120° |
| varo acima de 10° ou valgo acima de 5° do eixo mecânico | correção necessária acima de 20° | valgo acima de 8° ou varo acima de 5° |
| erosão no compartimento oposto | estreitamento do compartimento lateral | artrose tibiofemoral |
| LCA deficiente | subluxação tibial lateral acima de 1 cm; perda óssea medial acima de 2 a 3 mm; doença vascular | obesidade; patela baixa |
Com isso, um paciente de 50 anos com artrose medial e 25° de varo não serve para UKA (passa dos 10°) nem para osteotomia (a correção passaria dos 20° que o capítulo 10 aceita); sobra a ATJ. A seleção clássica da UKA é a de KOZINN e SCOTT (1989): LCA íntegro, artrose de um compartimento, deformidade passivamente corrigível e peso razoável (p. 446). Se o joelho exige liberação extensa de partes moles para corrigir, a deformidade é grande demais para a UKA (p. 446).
Patelofemoral
O candidato ideal tem menos de 65 anos, artrose patelofemoral isolada com pouca deformidade coronal e dor localizada na patela (p. 419). A causa mais comum de falha é a progressão da artrose tibiofemoral. O ângulo Q anormal é acima de 15° no homem e 20° na mulher; a prótese sozinha não corrige mau alinhamento, que deve ser tratado antes ou durante (p. 419 e 420).
Acessos
Cobrança confirmada · 4 questões
Pele: a incisão mais lateral
A incisão mais usada é a mediana anterior. Quase todas comprometem o ramo infrapatelar do nervo safeno e deixam uma área de dormência na face lateral do joelho, o que deve ser conversado antes (p. 428). O capítulo 1 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 31 e 32), lembra que o ramo infrapatelar tem trajeto variável e que nenhuma incisão anteromedial o evita com certeza.
Com cicatriz prévia utilizável, ela é incorporada. Com várias incisões prévias, escolhe-se a mais lateral utilizável, porque a irrigação da pele anterior do joelho vem predominantemente do lado medial; um retalho lateral estreito fica sem sangue se a nova incisão for medial (p. 428). Incisões transversas e as diretamente mediais ou laterais podem ser ignoradas. Na revisão, a regra é a mesma: incisões longitudinais paralelas ameaçam a ponte de pele, e de duas incisões escolhe-se a mais lateral (p. 463). Depois de osteotomia tibial com incisão lateral longitudinal, deixa-se uma ponte de pele de pelo menos 8 cm (p. 448).
Artrotomia: parapatelar medial, subvasto e midvasto
| Acesso | Como faz | O que preserva | Limitação |
|---|---|---|---|
| parapatelar medial | pelo tendão quadricipital deixando 3 a 4 mm de manguito, contorna a patela, 3 a 4 cm na tíbia | é o padrão, maior exposição | divide o tendão |
| subvasto (Southern) | descola o vasto medial do septo até cerca de 10 cm do tubérculo adutor e luxa todo o extensor | ramo articular da artéria genicular descendente, tendão quadricipital | obeso (coxa acima de 55 cm, peso acima de 200 lb), artroplastia prévia |
| midvasto | divide o vasto medial em linha com as fibras, zona segura de 4,5 cm | artéria genicular suprema e tendão quadricipital | obesidade, OTA prévia, flexão abaixo de 80° |
| KEBLISH modificado (lateral) | artrotomia parapatelar lateral 3 a 7 cm lateral à patela, snip do quadríceps e Z-plastia coronal do retináculo | fecha o lado lateral alongado | valgo fixo |
O subvasto foi retomado por causa de luxação e necrose da patela após o parapatelar medial; segundo o capítulo 1, ele preserva a vascularização da patela poupando o ramo articular intramuscular da artéria genicular descendente (p. 32). O capítulo 8 credita ao midvasto a preservação da artéria genicular suprema e não vê diferença de resultado entre os três acessos (p. 429).
Na técnica padrão, o LCM profundo é elevado até o canto posteromedial e a tíbia é luxada em rotação externa, que relaxa o extensor e protege a inserção do tendão patelar (p. 428 e 429).
Para o valgo fixo, o capítulo 1 descreve o KEBLISH modificado, lateral, com camadas retinaculares fechadas "expandidas" (p. 32); o capítulo 8 faz o valgo pelo parapatelar medial com liberações laterais (p. 438).
Alinhamento: eixos e cortes
Cobrança confirmada · 1 questão
Os números do eixo
Restaurar um alinhamento quase normal correlaciona-se com sucesso duradouro; o mau alinhamento causa instabilidade tibiofemoral e patelofemoral, fratura de patela, rigidez, desgaste e soltura (p. 410).
| Medida | Valor |
|---|---|
| ângulo anatômico femorotibial | valgo de 6 ± 2° |
| eixo mecânico em relação à vertical | 3° de valgo |
| eixo anatômico do fêmur em relação ao mecânico | 6° de valgo |
| eixo anatômico do fêmur em relação à vertical | 9° de valgo |
| eixo anatômico da tíbia em relação à vertical | 2 a 3° de varo |
| superfície articular tibial normal | 3° de varo em relação ao eixo mecânico |
| superfície articular femoral normal | 9° de valgo |
| corte femoral distal | 5 a 7° de valgo em relação ao eixo anatômico, perpendicular ao mecânico |
| corte tibial | perpendicular ao eixo mecânico da tíbia |
O eixo mecânico vai do centro da cabeça femoral ao centro do tálus e deve passar no centro do joelho; lateral a ele é valgo, medial é varo (p. 410). A tíbia é cortada perpendicular ao eixo mecânico porque componentes tibiais em mais de 5° de varo afundam em varo (p. 410). O fêmur é cortado em 5 a 7° de valgo em relação ao eixo anatômico, que é justamente o ângulo entre o eixo anatômico e o mecânico; assim o corte fica perpendicular ao eixo mecânico do fêmur (p. 410, 411 e 432). O valor exato pode ser medido na panorâmica.
O alinhamento cinemático (tíbia em 3° de varo e corte femoral mais valgo) tem defensores; os opositores mostram que tíbias com 4° ou mais de varo falham mais, e os autores mantêm o eixo mecânico neutro com a linha articular paralela ao chão (p. 411).
Guias
O guia intramedular é essencial no fêmur, com entrada alguns milímetros medial à linha média, anterior à origem do LCP; erro de entrada muda o corte em até 5° no plano sagital (p. 431). O guia extramedular no fêmur fica para arqueamento, consolidação viciosa ou implante no canal; a EIAS não serve para achar o centro da cabeça. Na tíbia, o intramedular acertou o neutro em 83% dos varos e só em 37% dos valgos, porque a tíbia em valgo é arqueada; a maioria usa intramedular no fêmur e extramedular na tíbia, mirando cerca de 2 mm medial ao centro dos maléolos (p. 431). O furo femoral de 12,7 mm com haste canelada de 8 mm evita os efeitos da embolia gordurosa (p. 431).
Ressecção medida
Na técnica 8.2 (p. 432 e 433): o corte distal remove a mesma espessura do componente; se houver contratura em flexão, pode-se ressecar mais, sem elevar a linha mais de 4 mm; na PS, ressecam-se 2 mm a mais distalmente para compensar o espaço de flexão que cresce com a retirada do LCP. Os cortes anterior e posterior definem a rotação femoral e a forma do espaço de flexão. A tíbia é cortada perpendicular ao eixo mecânico, com o slope do sistema (muitos já trazem 3° no inserto); a ressecção mede 8 a 10 mm do lado preservado ou 2 mm ou menos do lado artrósico.
A instrumentação com referência posterior recria melhor os côndilos posteriores; a com referência anterior evita entalhar a cortical anterior; o componente deve ser igual ou levemente menor que a medida AP para não apertar a flexão (p. 432 e 433).
A rotação do componente femoral
Cobrança confirmada · 5 questões
Por que 3° para fora
Esta é a seção que mais rende questões. A tíbia normal tem 3° de varo; como a ATJ a corta perpendicular, o fêmur não pode ficar na posição anatômica: para que o espaço de flexão fique retangular, com tensão igual nos colaterais, o componente femoral é rodado externamente em média 3° em relação ao eixo condilar posterior, ou perpendicular ao eixo AP. No fêmur masculino médio, isso deixa os côndilos cortados paralelos ao eixo epicondilar (p. 411, Fig. 8.17).
A rotação femoral, portanto, mexe em duas coisas: o equilíbrio do espaço de flexão e o trilhamento patelar (p. 411). Na técnica (p. 432): rotação externa excessiva abre o espaço de flexão medial e pode dar instabilidade em flexão; rotação interna causa inclinação lateral da patela ou instabilidade patelofemoral.
| Referência | Como cortar | Onde falha |
|---|---|---|
| eixo transepicondilar | posterior paralelo à linha entre os epicôndilos | difícil de achar de forma reprodutível; na revisão é muitas vezes o único marco |
| eixo AP de WHITESIDE | perpendicular à linha do fundo do sulco troclear ao topo do intercôndilo | displasia troclear |
| côndilos posteriores | 3° de rotação externa em relação à linha entre eles | côndilo posterior gasto; côndilo lateral hipoplásico do valgo |
| corte tibial (gap) | paralelo à tíbia com os colaterais tensos | ligamentos de comprimento não anatômico |
Conhecer todas é obrigatório, porque deformidade ou cirurgia prévia apagam marcos; o gap é o preferido na plataforma móvel (p. 432).
O valgo engana a referência condilar posterior
O joelho valgo tem com frequência côndilo lateral hipoplásico. Se o cirurgião usar só os côndilos posteriores, a linha de referência já está "inclinada" pela falta de osso lateral; ao somar os 3° de rotação externa a essa linha, o resultado é um componente rodado internamente em relação ao correto (Fig. 8.37, p. 432). Daí a regra: no valgo, usar o eixo epicondilar ou o eixo AP de WHITESIDE (p. 411). O mesmo vale quando há desgaste posterior do côndilo.
Rotação da tíbia
Alinha-se o centro da bandeja na junção do terço medial com os dois terços laterais da tuberosidade, ou deixa-se a tíbia acompanhar o fêmur com os provisórios; a rotação interna combinada causa mau trilhamento e dor (p. 412).
Espaços e balanço de partes moles
Cobrança confirmada · 2 questões
As regras dos espaços
| Situação | Correção |
|---|---|
| extensão apertada, flexão boa | ressecar mais fêmur distal ou liberar a cápsula posterior (antes, retirar osteófitos posteriores) |
| flexão apertada, extensão boa | componente femoral menor com referência anterior (mais corte posterior); conferir slope; recuar o LCP no CR |
| ambos apertados por igual | ressecar mais tíbia (mexe nos dois espaços) |
| ambos frouxos por igual | polietileno mais espesso |
| flexão frouxa (revisão) | componente femoral maior, offset posterior |
| extensão frouxa (revisão) | calço femoral distal |
A meta é 1 a 2 mm de abertura em varo e valgo, simétrica. Antes de soltar qualquer estrutura, retiram-se todos os osteófitos, que tensionam as partes moles como uma barraca; a estabilidade é testada após cada etapa para não soltar demais (p. 435).
O que soltar
O princípio: no varo, o lado contraído (medial) é solto da tíbia, subperiostalmente; no valgo, o lado contraído (lateral) é solto do fêmur, com dissecção cortante (p. 435 e 436). Cada estrutura age mais num espaço:
| Lado | Estrutura | Espaço que mais abre |
|---|---|---|
| medial (varo) | metade anterior do LCM superficial, pata de ganso | flexão |
| medial (varo) | metade posterior do LCM, ligamento oblíquo posterior, semimembranoso, cápsula posteromedial | extensão |
| medial (varo) | LCP (estrutura medial, estabilizador secundário) | flexão |
| lateral (valgo) | trato iliotibial | extensão |
| lateral (valgo) | canto posterolateral | extensão |
| lateral (valgo) | ligamento colateral lateral | os dois |
| lateral (valgo) | tendão do poplíteo | flexão |
| lateral (valgo) | cápsula posterior e cabeça lateral do gastrocnêmio | extensão (graves) |
O pie-crusting são múltiplas incisões pequenas com lâmina ou agulha paralelas à linha articular nas faixas tensas, alongando o envelope sem desinseri-lo; deixa uma amarra que impede abertura lateral exagerada em flexão (p. 436). Cuidado no canto posterolateral: o nervo fibular está a 1,5 cm, mais longe com o joelho fletido (p. 436).
Varo
Técnicas 8.4 e 8.5 (p. 437): liberar o LCM profundo até o canto posteromedial na exposição, retirar osteófitos, e na PS ressecar o LCP antes de equilibrar, porque ele é estabilizador medial secundário e, sem ele, menos liberação é necessária. Se o lado medial ainda aperta depois de todo o envelope solto (varo grave), avança-se o LCL ou usa-se implante mais restrito. No CR, a liberação tende a ser maior, e o LCP pode precisar de recuo; se ele deixar de funcionar, troca-se para inserto deep-dish ou PS.
Valgo
O valgo é comum na artrite reumatoide e no côndilo lateral hipoplásico (p. 438). Na técnica 8.6: poupar o envelope medial, já frouxo; se só a extensão aperta, soltar o trato iliotibial (o livro prefere pie-crusting); o canto posterolateral antes do LCL; o poplíteo abre a flexão e deve ser mantido se não estiver tenso; depois cápsula posterior e gastrocnêmio lateral. Sem equilíbrio, avançar o LCM no epicôndilo medial ou, se a flexão lateral passar da altura de salto do poste, usar CCK (p. 438 e 439).
Contratura em flexão e recurvato
A maior parte do flexo melhora com o equilíbrio coronal. Se persistir: descolar a cápsula posterior (cuidado com a artéria genicular superior), retirar osteófitos posteriores e só então aumentar o corte distal 2 mm e mais 2 mm (máximo de 4 mm). Elevar mais cria instabilidade em médio arco, que pede CCK ou dobradiça. O LCP não causa o flexo; soltá-lo só piora a desproporção (p. 439).
O recurvato (menos de 1%) com fraqueza neuromuscular pede dobradiça com bloqueio de extensão; sem fraqueza, corta-se menos fêmur distal (2 a 3 mm) e usa-se componente menor com referência anterior, que abre a flexão e permite polietileno mais alto (p. 439 e 440).
LCP no CR
O sinal de LCP tenso é o lift-off anterior da bandeja tibial provisória sem haste na flexão; a patela deve estar reduzida no teste, porque a eversão roda a tíbia e dá falso positivo (p. 441). Com o joelho a 90°, a pressão digital deve defletir o LCP 1 a 2 mm. O recuo é feito em etapas de 1 a 2 mm na face posterior da tíbia; se mais de 75% for liberado, escolher prótese com mais restrição posterior. O slope tibial tem mais efeito que a liberação parcial do LCP (p. 440 e 441).
Defeitos ósseos
Cobrança confirmada · 1 questão
Os defeitos vêm de deformidade angular, hipoplasia condilar, osteonecrose, trauma e cirurgias prévias. O primeiro passo é saber se o defeito é contido (cavitário, com borda cortical íntegra) ou não contido (segmentar, periférico, sem borda) (p. 441).
| Classificação | Tipo | Definição |
|---|---|---|
| RAND | I | defeito metafisário focal, borda cortical íntegra |
| RAND | II | defeito metafisário extenso, borda cortical íntegra |
| RAND | III | defeito metafisário e cortical combinados |
| AORI (ENGH) | F1, F2, F3 e T1, T2, T3 | perda óssea femoral e tibial em graus |
| AORI (ENGH) | tipo 2A | perda em um côndilo ou platô |
| AORI (ENGH) | tipo 2B | perda nos dois côndilos ou platôs |
O tratamento segue o tamanho e a contenção (p. 441 a 443): menos de 5 mm, cimento; contido, enxerto esponjoso impactado; não contido maior, enxerto estrutural, cunhas metálicas modulares ou parafusos dentro do cimento. O enxerto periférico da tíbia (WINDSOR, INSALL e SCULCO) aplaina o defeito, fixa um bloco do osso ressecado com pinos ou parafusos e recorta a superfície (p. 441 e 442). Hastes protegem enxertos periféricos. Cones porosos e luvas metafisárias criam um apoio onde o implante é cimentado, e são usados sobretudo em revisão, inclusive nos defeitos AORI IIB e III (p. 443 e 469).
Patela: recapear ou não, e o trilhamento
Cobrança confirmada · 1 questão
Recapeamento
O tema é controverso (p. 422 e 423). Num estudo grande, as complicações patelofemorais foram de 4% com recapeamento contra 12% sem; num randomizado, a dor anterior foi de 5% contra 25%. O recapeamento secundário por dor alivia menos que o primário e tem mais fratura e rigidez. Por outro lado, com tróclea anatômica, ensaios não mostram diferença. O livro sugere deixar a patela sem recapear quando há artrose primária, cartilagem patelar satisfatória sem osso eburneado, trilhamento congruente, patela de forma normal e nenhuma artropatia cristalina ou inflamatória, sobretudo em pacientes leves (p. 423). No registro australiano, a PS sem recapeamento revisou mais, e o botão onlay foi melhor que o inlay (p. 423).
Trilhamento
Tudo o que aumenta o ângulo Q puxa a patela para fora (p. 443):
| Componente | Erro | Mecanismo |
|---|---|---|
| tibial | rotação interna | leva a tuberosidade para lateral, aumenta o Q |
| femoral | rotação interna | traz a tróclea para medial |
| femoral | translação medial | traz a tróclea para medial |
| patelar | botão centrado ou lateral | não recria a eminência medial da patela |
| patelar | ressecção insuficiente ou faceta lateral cortada demais | patela espessa ou inclinada |
| femoral | componente grande ou anteriorizado | tróclea muito anterior, patela tensa |
As correções são o espelho: componente tibial em leve rotação externa (centrado na borda medial da tuberosidade), componente femoral em rotação externa e lateralizado, botão patelar medializado (p. 443 e 457). O teste "no thumb": a patela reduzida deve acompanhar a tróclea em todo o arco sem pressão do polegar (p. 443 e 444). Antes de fazer liberação lateral, solte o garrote: 48% e 31% dos maus trilhamentos se corrigiram só com isso (p. 444). A liberação vai do tubérculo de Gerdy ao vasto lateral; seu maior risco é desvascularizar a patela pela artéria genicular superolateral, que pode ser preservada na técnica de fora para dentro, e ela se associa a mais fratura patelar (p. 444).
Situações especiais
Cobrança confirmada · 3 questões
Osteotomia tibial prévia
Após OTA, a ATJ tende a resultados piores por patela baixa, exposição difícil e retalho lateral mal vascularizado (p. 448). Os cuidados: respeitar incisões longitudinais laterais com ponte de pelo menos 8 cm; considerar PS de rotina; depois de cunha de fechamento lateral, fazer ressecção mínima do platô lateral, referenciada no medial intacto, e enxertar ou calçar o defeito lateral; o canal tibial fica medializado (guia extramedular, haste com offset); não rodar a bandeja para dentro (p. 448).
Patelectomia prévia
Não é contraindicação. Os escores foram maiores com PS, e o CR teve instabilidade AP: sem patela, o sistema de quatro barras (tendões quadricipital e patelar e os cruzados) perde o braço de momento e o tendão patelar puxa a tíbia para trás. O alívio é bom, embora inferior ao do joelho com patela (p. 448 e 449).
Neuropática, hemofilia, HIV, diabetes e psoríase
A artropatia neuropática é contraindicação relativa, com preferência por dobradiça rotatória e órtese (p. 449). Na hemofilia, mantém-se o fator VIII em 100% (abaixo de 80% há mais complicações). Nos hemofílicos com HIV adquirido por transfusão, a complicação mais comum é a infecção, até 30%; com HIV, 7,7% contra 3,3% sem (p. 449 e 450). Cerca de 7% dos pacientes com psoríase têm artrite, e as placas devem estar controladas antes (p. 450).
Infecção periprotética: diagnóstico
Cobrança confirmada · 2 questões
Frequência, fatores e germes
A infecção ocorre em 2% a 3%. Fatores: artrite reumatoide (homem soropositivo), úlcera, cirurgia prévia, dobradiça, obesidade, ITU, corticoide, insuficiência renal, diabetes, desnutrição, câncer e psoríase (p. 451).
Os germes mais comuns são Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e espécies de Streptococcus; por isso a profilaxia usual é uma cefalosporina de primeira geração (cefazolina), com vancomicina ou clindamicina na alergia grave à penicilina (p. 451). O fluxo laminar horizontal aumentou a infecção na ATJ (p. 451).
Como diagnosticar
Pense em infecção em toda ATJ persistentemente dolorosa. A PCR é a melhor triagem; a punção é o padrão, e leucócitos acima de 3000 com 70% ou mais de polimorfonucleares sugerem infecção crônica (p. 451).
Critérios do MSIS
A nova versão dos critérios da Musculoskeletal Infection Society é a mais adotada (Tabela 8.2, p. 453):
| Critério | Agudo | Crônico | Pontos |
|---|---|---|---|
| maior: duas culturas com o mesmo germe | infectado | ||
| maior: fístula comunicando com a articulação ou expondo a prótese | infectado | ||
| PCR sérica (mg/L) ou D-dímero | 100 ou desconhecido | 10 ou 860 | 2 |
| VHS (mm/h) | sem papel | 30 | 1 |
| leucócitos sinoviais, ou esterase leucocitária ++, ou alfa-defensina positiva | 10.000 | 3000 | 3 |
| polimorfonucleares sinoviais (%) | 90 | 70 | 2 |
| cultura única positiva | 2 | ||
| histologia positiva | 3 | ||
| purulência intraoperatória | 3 | ||
| decisão | 6 ou mais infectado; 3 a 5 inconclusivo; abaixo de 3 não infectado |
Basta um critério maior. Alfa-defensina, purulência e cultura única são menores. Atenção: o texto da p. 452 inverte os polimorfonucleares (70% agudo, 90% crônico); a tabela traz 90% no agudo e 70% no crônico.
Infecção periprotética: tratamento
Cobrança confirmada · 2 questões
O tempo decide
A escolha depende do estado clínico, do germe, do tempo e da extensão da infecção, do estoque ósseo, das partes moles e do mecanismo extensor (p. 452).
| Opção | Quando | Números |
|---|---|---|
| supressão antibiótica | prótese não removível, germe pouco virulento sensível a droga oral; nunca com várias próteses | vitalícia |
| desbridamento com retenção | pós-operatória precoce (menos de 4 semanas) ou hematogênica aguda, prótese fixa | crônica tardia: sem sucesso |
| artroplastia de ressecção | AR poliarticular de baixa demanda | gesso por 6 meses |
| artrodese | alta demanda, monoarticular, jovem, extensor deficiente, partes moles ruins, imunodeprimido, germe virulento | haste 95% contra fixador 64%; gram-positivo 100% |
| revisão em um tempo | ferida tornada quase estéril | cerca de 89% |
| revisão em dois tempos | o mais comum | 6 semanas de IV; 89% a 100% |
| amputação acima do joelho | infecção ameaçadora ou perda óssea maciça | última opção |
A retenção serve só à infecção precoce, com menos de 4 semanas, ou hematogênica aguda, com prótese fixa; na crônica tardia foi universalmente malsucedida (p. 452), porque o biofilme já se organizou no implante. S. aureus é contraindicação relativa à retenção. Para aumentar o sucesso: infectologista, 6 semanas de IV, culturas em 2 semanas e troca do polietileno (p. 454).
Os dois tempos e os espaçadores
O protocolo é retirar a prótese, desbridar, 6 semanas de IV e reimplantar (89% a 100%); espaçador com 3,6 g de tobramicina e 3 g de vancomicina por 40 g de cimento (p. 455). Na série de PARVIZI, a mortalidade foi de 13,9% (p. 456). Na artrodese com haste, a posição é neutra a 5° de valgo com cerca de 10° de flexão (p. 454 e 455).
Complicações patelofemorais e do mecanismo extensor
Cobrança confirmada · 2 questões
Instabilidade
As causas são desequilíbrio do extensor (retináculo lateral tenso ou medial frouxo, inclusive ruptura da sutura medial) e componentes mal posicionados (p. 456 e 457). O tratamento segue a causa: revisar componentes mal rodados; se bem posicionados, liberação lateral primeiro (raramente basta sozinha), depois realinhamento proximal; o realinhamento distal (osteotomia da tuberosidade) só com muita cautela, porque a pseudartrose da tuberosidade é grave (p. 457).
Fratura de patela
A fratura de patela ocorre em menos de 1%; fatores: ressecção excessiva, liberação lateral, mau trilhamento, elevação da linha, flexão acima de 115°, necrose térmica e revisão (p. 457). A classificação usada (a de ORTIGUERA e BERRY, nome que o livro não cita) separa os casos pelo extensor e pela estabilidade do implante (p. 457):
| Tipo | Situação | Conduta |
|---|---|---|
| I | extensor íntegro, implante estável | imobilizador ou gesso cilíndrico em extensão por 6 semanas |
| II | extensor descontínuo (fratura desviada) | cirurgia: banda de tensão e reparo do retináculo no terço médio transverso; polo: patelectomia parcial |
| III | componente patelar solto | retirar o componente e não recolocar, fixar a fratura |
| cominuta ou osso ruim | sem fixação estável | patelectomia e reparo do extensor |
A cirurgia nos tipos II e III tem até 50% de complicações (p. 457).
Componente metálico, soltura e clunk
O clunk patelar é típico da PS: nódulo fibroso no tendão quadricipital prende-se na caixa e estala entre 30 e 45° na extensão ativa; trata-se com desbridamento artroscópico (p. 458 e 459). Botões com dorso metálico falham com metalose. A ruptura do quadríceps ou do tendão patelar (0,1% a 0,55%) tem reparos de resultado ruim (p. 459).
Complicações neurovasculares
Cobrança confirmada · 2 questões
A lesão arterial é rara (0,03% a 0,2%), mas 25% terminam em amputação (p. 459). A paralisia fibular (menos de 1% a quase 2%) ocorre sobretudo na correção de deformidades fixas combinadas de valgo e flexão, comuns na artrite reumatoide: o nervo, lateral e posterior, é estirado nas duas direções. Outros fatores: epidural, laminectomia prévia, garrote acima de 90 minutos, IMC alto (p. 459). Conduta: afrouxar o curativo e fletir o joelho; na prevenção, imobilizar em alguma flexão (p. 439 e 459).
Fraturas periprotéticas
Cobrança confirmada · 1 questão
As supracondilianas (0,3% a 2%) têm como fatores entalhe anterior, osteoporose, AR, corticoide, mulher e revisão (p. 459 e 460). O tratamento é cirúrgico: haste retrógrada (85% consolidaram), que não passa em caixa fechada, ou placa bloqueada; no idoso cominuto, endoprótese distal (p. 460 e 461).
| Tipo | Fratura | Prótese | Conduta geral |
|---|---|---|---|
| I | sem desvio | estável | conservador ou fixação |
| II | desviada | estável | fixação (haste retrógrada, placa) |
| III | com ou sem desvio | instável (solta) | revisão com haste longa diafisária, enxerto estrutural ou composto |
As fraturas da tíbia abaixo da ATJ são incomuns (classificação de FELIX, por local, estabilidade e momento); com implante solto, revisão com haste; estáveis sem desvio, conservador; desviadas com implante fixo, fixação interna (p. 461).
Revisão da ATJ
Cobrança confirmada · 1 questão
Por que revisar
Sobrevida de cerca de 95% em 10 anos. Causas (781 revisões): soltura 39,9%, infecção 27,4%, instabilidade 7,5%; infecção lidera na revisão precoce e soltura na tardia (p. 425 e 426). Soltura cimentada = linha radiolúcida completa de 2 mm ou mais (p. 462).
A instabilidade é tratada com o menor grau de restrição que resolva (p. 463): instabilidade AP (de flexão), conversão para PS; varo-valgo (de extensão) corrigível com partes moles, CCK; partes moles inadequadas ou instabilidade global, implante ligado (dobradiça).
Exposição e retirada
Usar a incisão prévia; de duas, a mais lateral (p. 463). Se a patela não everte, recriar goteiras, soltar subperiostalmente o lado medial da tíbia, rodar a tíbia para fora e liberar o lateral; se as fibras do tendão patelar começarem a soltar da tuberosidade, partir para exposição extensa: o snip do reto de INSALL (resultados iguais aos da artrotomia padrão), o turndown em V-Y (déficit de extensão transitório) ou a osteotomia da tuberosidade de WHITESIDE e OHL, um segmento de 8 a 10 cm com a musculatura presa lateralmente, que consolida osso com osso (p. 463 e 464).
O componente femoral é retirado primeiro, com o osteótomo na interface prótese-cimento (e não cimento-osso) para poupar osso, e extrator que dá só força longitudinal (p. 465). O botão patelar fixo e pouco gasto pode ficar (p. 466).
Reconstrução
Os princípios (p. 466 e 467): recriar a linha articular o mais anatômica possível, cerca de um dedo (10 mm) acima da ponta da fíbula e um dedo abaixo do polo inferior da patela (a figura dá 14 mm da cabeça da fíbula e 23 e 28 mm dos epicôndilos lateral e medial); tratar defeitos com calços, cones e luvas; restaurar estabilidade com a restrição necessária; hastes para fixação; rotação femoral pelo epicondilar. Como o LCP está quase sempre incompetente, prefere-se PS ou CCK.
A lógica dos espaços na revisão: aumentar a tíbia (calço ou polietileno) enche flexão e extensão; o calço femoral distal enche só a extensão; aumentar o tamanho do componente femoral (ou haste com offset posterior) enche só a flexão (p. 466 e 467). Frouxidão em flexão e extensão costuma ser fêmur pequeno colocado alto: melhor componente femoral maior com calços distais e posteriores do que polietileno grosso que sobe a linha (p. 467). Cimento com antibiótico é rotina na revisão (p. 468).
Os resultados são inferiores aos da primária (46% a 74% bons) (p. 468).
Tromboembolismo, sangue e dor
Relevância clínica
TEV
A TVP sem profilaxia varia de 1% a 84%, e o TEP fatal de 0% a 1,5%; o exame clínico é pouco confiável, a venografia é o padrão-ouro e o duplex é a triagem prática (p. 450 e 451). HBPM, fondaparinux e varfarina por no mínimo 10 dias (ACCP 2008); a rivaroxabana teve menos TVP que a enoxaparina, mas cerca de duas vezes mais reoperação por ferida; a HBPM com cateter epidural exige cautela (hematoma epidural, sobretudo na retirada no dia 3); a aspirina é alternativa razoável no paciente de baixo risco segundo a AAOS (p. 450 e 451).
Sangue, anestesia e dor
O ácido tranexâmico reduz a queda de hemoglobina e as transfusões, sem aumentar o TEV: IV 10 a 15 mg/kg ou 1 g antes do garrote e repetido antes de soltá-lo; tópico 1,5 a 3 g por 5 minutos; oral 2000 mg 2 horas antes e duas doses depois. Contraindicações do IV: alergia e discromatopsia adquirida; cautela com infarto recente, TEV e stent (p. 428). O plug intramedular femoral reduz a perda em 20% a 25%; drenos não reduzem complicações e aumentam transfusão (p. 446).
A raquianestesia é preferida (melhor analgesia e menos complicações) (p. 427). A analgesia é multimodal (COX-2 e gabapentina pré-operatórios, infiltração periarticular, bloqueio do canal adutor); o cateter femoral caiu em desuso por atrasar a mobilização; até 40% continuam usando opioide. A crioneurólise do cutâneo femoral anterior e do ramo infrapatelar do safeno antes da cirurgia reduz o consumo de morfina (p. 427).
Na bilateral simultânea, a síndrome de embolia gordurosa chegou a 12%; mais complicações cardiovasculares e neurológicas acima de 70 anos (p. 423).
Fechamento
Fundamento
A ATJ cobrada na prova se resume a um joelho com dois espaços retangulares e iguais. A tíbia é cortada perpendicular ao eixo mecânico; o fêmur distal em 5 a 7° de valgo; o fêmur gira 3° para fora dos côndilos posteriores, ficando paralelo ao epicondilar, e no valgo de côndilo lateral pequeno a referência condilar posterior engana para dentro. O lado curto é solto (tíbia no varo, fêmur no valgo), a abertura final é de 1 a 2 mm, e quando as partes moles não bastam sobe-se a escada de restrição até o CCK ou a dobradiça. Nas complicações, a infecção aguda com prótese fixa admite desbridamento com troca do polietileno, a crônica pede dois tempos, a patela fraturada com extensor íntegro fica no gesso e a paralisia fibular nasce do valgo com flexo.