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Artroplastia total do joelho

JoelhoResumo do capítulo34 min de leitura

Contraindicações absolutas (sepse, foco remoto, mecanismo extensor deficiente, recurvato por fraqueza, artrodese indolor); fêmur distal em 5 a 7° de valgo e tíbia perpendicular ao eixo mecânico; rotação femoral externa de 3° em relação aos côndilos posteriores, paralela ao epicondilar e perpendicular ao eixo AP de WHITESIDE, com erro em rotação interna no valgo de côndilo lateral hipoplásico; abertura de 1 a 2 mm; liberações do valgo (trato iliotibial, canto posterolateral, poplíteo, LCL); valgo com flexo e paralisia fibular; incisão mais lateral; ramo infrapatelar do safeno; CCK com poste maior; RAND e AORI; MSIS (fístula e duas culturas); retenção com troca do polietileno só na infecção aguda, S. aureus contraindicação relativa; fratura de patela tipo I conservadora e tipo III com retirada do componente; RORABECK.

Atualizado em 03/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 8 · Arthroplasty of the Knee, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026). Autores do capítulo: Marcus C. Ford, Christopher T. Holland, and William M. Mihalko.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de joelho do Campbell, capítulo 8, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo segue o capítulo 8 (Arthroplasty of the Knee) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), escrito por FORD, HOLLAND e MIHALKO, com três complementos curtos do mesmo livro: os acessos ao joelho (cap. 1), as medicações antirreumáticas no perioperatório (cap. 2) e as contraindicações da osteotomia tibial (cap. 10). As páginas citadas são as impressas.

A artroplastia total do joelho (ATJ) é uma cirurgia de geometria e de tensão. O cirurgião faz cinco cortes ósseos e depois ajusta as partes moles para que dois espaços, o de extensão e o de flexão, fiquem retangulares e do mesmo tamanho. Quase toda questão de prova sai desse raciocínio: por que o corte femoral distal tem 5 a 7° de valgo, por que o componente femoral gira 3° para fora, por que o valgo com côndilo lateral hipoplásico engana a referência condilar posterior, que estrutura soltar quando o lado lateral está apertado em extensão, o que fazer quando o espaço de flexão sobra.

A banca cobra quatro blocos: indicações e contraindicações, técnica (alinhamento, rotação, balanço, acessos, defeitos ósseos), complicações (infecção, patela, nervo fibular, fraturas) e revisão, quase sempre com um número ou um nome.

Indicações e contraindicações

Cobrança confirmada · 3 questões

Quem deve operar

A indicação principal da ATJ é aliviar a dor causada por artrite grave, com ou sem deformidade (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 8, p. 417). Antes de culpar o joelho, o livro manda excluir outras fontes de dor: radiculopatia da coluna, dor referida do quadril, neuropatia periférica, doença vascular, lesão meniscal e bursite. A radiografia precisa casar com a clínica, e o tratamento conservador (fisioterapia, anti-inflamatório, infiltração, mudança de atividade e apoio para marcha) deve estar esgotado. Um detalhe que explica muita insatisfação: quem não tem perda completa do espaço articular antes da cirurgia tende a ficar menos satisfeito (p. 417).

Como a prótese tem vida finita, a indicação é sobretudo no idoso sedentário, mas também no jovem com artrite sistêmica ou osteonecrose com colapso do côndilo (p. 417).

A deformidade pode virar a indicação principal. Quando uma contratura em flexão passa de 20°, a marcha fica muito prejudicada e recuperar a extensão fica difícil. Do mesmo modo, quando a frouxidão em varo ou valgo se torna grave, passa a ser necessária uma prótese com restrição condilar. Operar antes desse ponto permite usar um implante sem restrição coronal, que dura mais (p. 417).

As contraindicações absolutas

O Campbell lista cinco contraindicações absolutas à ATJ primária (p. 418):

Contraindicações da ATJ primária (Campbell 15, cap. 8, p. 418)
AbsolutasRelativas (lista aberta)
sepse recente ou atual no joelhocondição clínica que compromete anestesia, cicatrização e reabilitação
foco infeccioso remoto ativoimunodeficiência
descontinuidade ou disfunção grave do mecanismo extensorquadril ipsilateral artrósico grave (operar o quadril antes)
recurvato por fraqueza neuromuscularaterosclerose importante do membro
artrodese indolor e funcionantepsoríase no campo cirúrgico; estase venosa com celulite de repetição
artropatia neuropática; obesidade; ITU de repetição; osteomielite prévia perto do joelho

O raciocínio é mecânico ou infeccioso. Sem mecanismo extensor, a prótese não tem motor. No recurvato por fraqueza do quadríceps, o paciente trava o joelho em hiperextensão; uma prótese comum, que não bloqueia a hiperextensão, é forçada para trás até falhar, e o próprio capítulo reserva a esses casos a dobradiça com bloqueio de extensão (p. 440).

Repare no que não é contraindicação absoluta e cai como distrator: a patelectomia prévia (o joelho é operável, de preferência com prótese PS; ver adiante), a osteotomia prévia, a artropatia neuropática (relativa), a doença arterial aterosclerótica (relativa), a psoríase com pele ruim (relativa), a osteomielite prévia perto do joelho (relativa), a obesidade mórbida (relativa, com cortes variáveis) e a falta de condição clínica para anestesia (relativa). A patela baixa também não é contraindicação; é um problema técnico de exposição.

O livro reforça a otimização: vitamina D, síndrome metabólica, albumina, neutropenia, superobesidade e IMC abaixo de 20 são fatores modificáveis, e adiar a ATJ por até 8 meses para corrigi-los não piora o resultado (AAOS) (p. 418).

Pré-operatório e medicações

Cobrança confirmada · 1 questão

As radiografias mínimas são o AP com carga, o perfil e a axial da patela; a panorâmica com carga mede o eixo mecânico e mostra arqueamento tibial que impede o guia intramedular (p. 426). Calcule perda de 1000 a 1500 mL (p. 426).

Marcadores de risco no pré-operatório (Campbell 15, cap. 8, p. 426 e 427)
MarcadorValor de alertaSignificado
albuminaabaixo de 3,5desnutrição
linfócitos totaisabaixo de 1200mais internação e tempo cirúrgico
HbA1cmeta abaixo de 7,5controle glicêmico
frutosaminaacima de 29311,2 vezes mais infecção periprotética
glicemia pós-operatóriaacima de 200 mg/dLdobra o risco de infecção
IMC50 ou maismais de 50% de complicações

A síndrome metabólica (obesidade com duas de hipertensão, hipercolesterolemia ou intolerância à glicose) multiplica as complicações (p. 427 e 450).

Medicações antirreumáticas

O capítulo 2 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 136 e 137), reproduz a diretriz de 2022 do American College of Rheumatology com a AAHKS para ATJ e ATQ eletivas. A lógica é simples: as drogas modificadoras sintéticas convencionais continuam; os biológicos param, e a cirurgia é marcada no fim do intervalo de dose.

Antirreumáticos na artroplastia eletiva (Campbell 15, cap. 2, Tabelas 2.3 e 2.4, p. 136 e 137)
CondutaMedicações
manter durante a cirurgiametotrexato, sulfassalazina, hidroxicloroquina, leflunomida, doxiciclina, apremilaste
suspender (operar no fim do ciclo)infliximabe, adalimumabe, etanercepte, golimumabe, abatacepte, certolizumabe, rituximabe, tocilizumabe, anakinra, secuquinumabe, ustequinumabe, ixequizumabe, guselcumabe
suspender 3 dias antesinibidores de JAK (tofacitinibe, baricitinibe, upadacitinibe)
reiniciarferida cicatrizada, pontos retirados, sem secreção nem infecção, em geral por volta de 14 dias

Desenho dos implantes: CR, PS, CCK e dobradiça

Cobrança confirmada · 1 questão

De onde vieram os desenhos atuais

A total condilar de INSALL (1973) sacrificava os dois cruzados, subluxava para trás em flexão e não fazia rollback (impacto posterior a cerca de 95°). A INSALL-BURSTEIN posteroestabilizada (1978) acrescentou o came femoral que encosta no poste tibial a cerca de 70°, produzindo o rollback (p. 402.e1).

CR contra PS

As duas filosofias convivem e têm sobrevida comparável de 10 a 20 anos; estudos com uma prótese de cada tipo no mesmo paciente não mostraram diferença de satisfação (p. 408).

CR contra PS (Campbell 15, cap. 8, p. 402 a 409)
AspectoCR (retém o LCP)PS (substitui o LCP)
como faz o rollbacktensão do LCP em flexãocame femoral contra poste tibial
restrição e força na interfacemenormaior (estresse vai ao cimento)
osso femoralpreservadocorte da caixa intercondilar
problema típicoroll forward medial, LCP tenso desgasta o polietileno posterior, ruptura tardia do LCPclunk patelar, desgaste e quebra do poste
linha articulartolera pouca alteraçãoequilibra com leve elevação
deformidade fixa graveLCP contraído funciona como amarracorrige com mais previsibilidade
Mayo, 15 anos90%77%

O LCP é uma estrutura medial e entra na deformidade em varo; com ele retido, muitas vezes é preciso liberá-lo ou recuá-lo para ganhar flexão (p. 408). Liberar o LCP abre mais o espaço de flexão (4 a 6 mm em cadáver) que o de extensão (menos de 2 mm), e por isso a PS costuma equilibrar com um pouco de elevação da linha articular (p. 408). Equilibrar o LCP exige precisão de 1 a 2 mm, e alguns autores sugerem que quem faz menos de 20 ATJ por ano use a PS (p. 409).

O inserto deep-dish, com lábio anterior alto, estabiliza o CR com LCP insuficiente sem cortar a caixa femoral (p. 403). O poste da PS desgasta ou quebra com componente femoral fletido, slope excessivo e hiperextensão (p. 409).

A escada de restrição

Escada de restrição dos implantes (Campbell 15, cap. 8, p. 404 a 406 e 463)
ImplanteMecanismoIndicação típica
UKAum compartimentodoença unicompartimental, deformidade mínima
CRLCP naturaldeformidade leve
PScame e postedeformidade maior, LCP incompetente, instabilidade AP
CCKposte central alargado numa caixa femoral fundainstabilidade varo-valgo, valgo extremo com LCM insuficiente, revisão
dobradiça rotatórialigação mecânica com rotação livreperda ligamentar grave, desproporção flexão-extensão, recurvato, neuromuscular, salvamento

O CCK nasceu da PS: o poste central do polietileno foi alargado e trabalha contra as paredes medial e lateral de uma caixa femoral mais funda; assim controla o varo-valgo com pequena folga (p. 404). Ele não serve para recurvato, porque não bloqueia a hiperextensão. Na primária difícil, a sobrevida foi de 97,6% em 10 anos (p. 404). Repare: o que aumenta a restrição é a geometria do poste, não a altura do polietileno nem o tamanho dos componentes. Polietileno mais alto só preenche o espaço.

A dobradiça rotatória (Kinematic Rotating Hinge, S-ROM) restringe nos planos sagital e coronal e deixa a rotação livre para poupar a interface; ela bloqueia a extensão e por isso resolve o recurvato. Na primária deve ser reservada, porque tem resultados piores e mais complicações (p. 406).

Plataforma móvel, polietileno e fixação

O inserto móvel promete menos tensão de contato, mas arrisca o spinout quando os espaços não estão iguais (p. 404 e 405). No polietileno: espessura mínima de 8 mm; gama em ar cria banda branca subsuperficial de oxidação; hoje se usa gás inerte, alta reticulação ou vitamina E (p. 415 e 416). A fixação cimentada é a mais confiável; no registro sueco o não cimentado revisou 1,4 vez mais (p. 417).

Unicompartimental, osteotomia e patelofemoral

Cobrança confirmada · 1 questão

Quando a UKA entra

A artroplastia unicompartimental troca só um côndilo e o platô correspondente. A UKA Oxford medial teve sobrevida de 94% em 10 anos e 91% em 20 anos (p. 418 e 419). Ela é defendida em dois grupos: o idoso magro com doença de um compartimento (reabilitação mais rápida, mais arco, joelho mais "natural" por preservar os cruzados) e o jovem, como "primeira artroplastia" em lugar da osteotomia tibial alta (p. 419). Apenas 6% dos pacientes que precisam de artroplastia não têm nenhuma contraindicação à UKA (p. 419).

As contraindicações são bem definidas e caem muito:

Contraindicações: UKA, osteotomia tibial e patelofemoral (Campbell 15, cap. 8, p. 419 e 420; cap. 10, p. 499)
UKAOsteotomia tibial altaArtroplastia patelofemoral
artrite inflamatóriaartrite inflamatóriaartrite inflamatória (inclui condrocalcinose)
contratura em flexão de 15° ou maiscontratura em flexão acima de 15°contratura de 10° ou mais
arco abaixo de 90°flexão abaixo de 90°flexão abaixo de 120°
varo acima de 10° ou valgo acima de 5° do eixo mecânicocorreção necessária acima de 20°valgo acima de 8° ou varo acima de 5°
erosão no compartimento opostoestreitamento do compartimento lateralartrose tibiofemoral
LCA deficientesubluxação tibial lateral acima de 1 cm; perda óssea medial acima de 2 a 3 mm; doença vascularobesidade; patela baixa

Com isso, um paciente de 50 anos com artrose medial e 25° de varo não serve para UKA (passa dos 10°) nem para osteotomia (a correção passaria dos 20° que o capítulo 10 aceita); sobra a ATJ. A seleção clássica da UKA é a de KOZINN e SCOTT (1989): LCA íntegro, artrose de um compartimento, deformidade passivamente corrigível e peso razoável (p. 446). Se o joelho exige liberação extensa de partes moles para corrigir, a deformidade é grande demais para a UKA (p. 446).

Patelofemoral

O candidato ideal tem menos de 65 anos, artrose patelofemoral isolada com pouca deformidade coronal e dor localizada na patela (p. 419). A causa mais comum de falha é a progressão da artrose tibiofemoral. O ângulo Q anormal é acima de 15° no homem e 20° na mulher; a prótese sozinha não corrige mau alinhamento, que deve ser tratado antes ou durante (p. 419 e 420).

Acessos

Cobrança confirmada · 4 questões

Pele: a incisão mais lateral

A incisão mais usada é a mediana anterior. Quase todas comprometem o ramo infrapatelar do nervo safeno e deixam uma área de dormência na face lateral do joelho, o que deve ser conversado antes (p. 428). O capítulo 1 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 31 e 32), lembra que o ramo infrapatelar tem trajeto variável e que nenhuma incisão anteromedial o evita com certeza.

Com cicatriz prévia utilizável, ela é incorporada. Com várias incisões prévias, escolhe-se a mais lateral utilizável, porque a irrigação da pele anterior do joelho vem predominantemente do lado medial; um retalho lateral estreito fica sem sangue se a nova incisão for medial (p. 428). Incisões transversas e as diretamente mediais ou laterais podem ser ignoradas. Na revisão, a regra é a mesma: incisões longitudinais paralelas ameaçam a ponte de pele, e de duas incisões escolhe-se a mais lateral (p. 463). Depois de osteotomia tibial com incisão lateral longitudinal, deixa-se uma ponte de pele de pelo menos 8 cm (p. 448).

Artrotomia: parapatelar medial, subvasto e midvasto

Acessos profundos para ATJ (Campbell 15, cap. 8, p. 428 e 429; cap. 1, p. 32)
AcessoComo fazO que preservaLimitação
parapatelar medialpelo tendão quadricipital deixando 3 a 4 mm de manguito, contorna a patela, 3 a 4 cm na tíbiaé o padrão, maior exposiçãodivide o tendão
subvasto (Southern)descola o vasto medial do septo até cerca de 10 cm do tubérculo adutor e luxa todo o extensorramo articular da artéria genicular descendente, tendão quadricipitalobeso (coxa acima de 55 cm, peso acima de 200 lb), artroplastia prévia
midvastodivide o vasto medial em linha com as fibras, zona segura de 4,5 cmartéria genicular suprema e tendão quadricipitalobesidade, OTA prévia, flexão abaixo de 80°
KEBLISH modificado (lateral)artrotomia parapatelar lateral 3 a 7 cm lateral à patela, snip do quadríceps e Z-plastia coronal do retináculofecha o lado lateral alongadovalgo fixo

O subvasto foi retomado por causa de luxação e necrose da patela após o parapatelar medial; segundo o capítulo 1, ele preserva a vascularização da patela poupando o ramo articular intramuscular da artéria genicular descendente (p. 32). O capítulo 8 credita ao midvasto a preservação da artéria genicular suprema e não vê diferença de resultado entre os três acessos (p. 429).

Na técnica padrão, o LCM profundo é elevado até o canto posteromedial e a tíbia é luxada em rotação externa, que relaxa o extensor e protege a inserção do tendão patelar (p. 428 e 429).

Para o valgo fixo, o capítulo 1 descreve o KEBLISH modificado, lateral, com camadas retinaculares fechadas "expandidas" (p. 32); o capítulo 8 faz o valgo pelo parapatelar medial com liberações laterais (p. 438).

Alinhamento: eixos e cortes

Cobrança confirmada · 1 questão

Os números do eixo

Restaurar um alinhamento quase normal correlaciona-se com sucesso duradouro; o mau alinhamento causa instabilidade tibiofemoral e patelofemoral, fratura de patela, rigidez, desgaste e soltura (p. 410).

Eixos do membro inferior (Campbell 15, cap. 8, p. 410, Fig. 8.14)
MedidaValor
ângulo anatômico femorotibialvalgo de 6 ± 2°
eixo mecânico em relação à vertical3° de valgo
eixo anatômico do fêmur em relação ao mecânico6° de valgo
eixo anatômico do fêmur em relação à vertical9° de valgo
eixo anatômico da tíbia em relação à vertical2 a 3° de varo
superfície articular tibial normal3° de varo em relação ao eixo mecânico
superfície articular femoral normal9° de valgo
corte femoral distal5 a 7° de valgo em relação ao eixo anatômico, perpendicular ao mecânico
corte tibialperpendicular ao eixo mecânico da tíbia

O eixo mecânico vai do centro da cabeça femoral ao centro do tálus e deve passar no centro do joelho; lateral a ele é valgo, medial é varo (p. 410). A tíbia é cortada perpendicular ao eixo mecânico porque componentes tibiais em mais de 5° de varo afundam em varo (p. 410). O fêmur é cortado em 5 a 7° de valgo em relação ao eixo anatômico, que é justamente o ângulo entre o eixo anatômico e o mecânico; assim o corte fica perpendicular ao eixo mecânico do fêmur (p. 410, 411 e 432). O valor exato pode ser medido na panorâmica.

O alinhamento cinemático (tíbia em 3° de varo e corte femoral mais valgo) tem defensores; os opositores mostram que tíbias com 4° ou mais de varo falham mais, e os autores mantêm o eixo mecânico neutro com a linha articular paralela ao chão (p. 411).

Guias

O guia intramedular é essencial no fêmur, com entrada alguns milímetros medial à linha média, anterior à origem do LCP; erro de entrada muda o corte em até 5° no plano sagital (p. 431). O guia extramedular no fêmur fica para arqueamento, consolidação viciosa ou implante no canal; a EIAS não serve para achar o centro da cabeça. Na tíbia, o intramedular acertou o neutro em 83% dos varos e só em 37% dos valgos, porque a tíbia em valgo é arqueada; a maioria usa intramedular no fêmur e extramedular na tíbia, mirando cerca de 2 mm medial ao centro dos maléolos (p. 431). O furo femoral de 12,7 mm com haste canelada de 8 mm evita os efeitos da embolia gordurosa (p. 431).

Ressecção medida

Na técnica 8.2 (p. 432 e 433): o corte distal remove a mesma espessura do componente; se houver contratura em flexão, pode-se ressecar mais, sem elevar a linha mais de 4 mm; na PS, ressecam-se 2 mm a mais distalmente para compensar o espaço de flexão que cresce com a retirada do LCP. Os cortes anterior e posterior definem a rotação femoral e a forma do espaço de flexão. A tíbia é cortada perpendicular ao eixo mecânico, com o slope do sistema (muitos já trazem 3° no inserto); a ressecção mede 8 a 10 mm do lado preservado ou 2 mm ou menos do lado artrósico.

A instrumentação com referência posterior recria melhor os côndilos posteriores; a com referência anterior evita entalhar a cortical anterior; o componente deve ser igual ou levemente menor que a medida AP para não apertar a flexão (p. 432 e 433).

A rotação do componente femoral

Cobrança confirmada · 5 questões

Por que 3° para fora

Esta é a seção que mais rende questões. A tíbia normal tem 3° de varo; como a ATJ a corta perpendicular, o fêmur não pode ficar na posição anatômica: para que o espaço de flexão fique retangular, com tensão igual nos colaterais, o componente femoral é rodado externamente em média 3° em relação ao eixo condilar posterior, ou perpendicular ao eixo AP. No fêmur masculino médio, isso deixa os côndilos cortados paralelos ao eixo epicondilar (p. 411, Fig. 8.17).

A rotação femoral, portanto, mexe em duas coisas: o equilíbrio do espaço de flexão e o trilhamento patelar (p. 411). Na técnica (p. 432): rotação externa excessiva abre o espaço de flexão medial e pode dar instabilidade em flexão; rotação interna causa inclinação lateral da patela ou instabilidade patelofemoral.

Referências para a rotação femoral (Campbell 15, cap. 8, p. 411, 412 e 432)
ReferênciaComo cortarOnde falha
eixo transepicondilarposterior paralelo à linha entre os epicôndilosdifícil de achar de forma reprodutível; na revisão é muitas vezes o único marco
eixo AP de WHITESIDEperpendicular à linha do fundo do sulco troclear ao topo do intercôndilodisplasia troclear
côndilos posteriores3° de rotação externa em relação à linha entre elescôndilo posterior gasto; côndilo lateral hipoplásico do valgo
corte tibial (gap)paralelo à tíbia com os colaterais tensosligamentos de comprimento não anatômico

Conhecer todas é obrigatório, porque deformidade ou cirurgia prévia apagam marcos; o gap é o preferido na plataforma móvel (p. 432).

O valgo engana a referência condilar posterior

O joelho valgo tem com frequência côndilo lateral hipoplásico. Se o cirurgião usar só os côndilos posteriores, a linha de referência já está "inclinada" pela falta de osso lateral; ao somar os 3° de rotação externa a essa linha, o resultado é um componente rodado internamente em relação ao correto (Fig. 8.37, p. 432). Daí a regra: no valgo, usar o eixo epicondilar ou o eixo AP de WHITESIDE (p. 411). O mesmo vale quando há desgaste posterior do côndilo.

Rotação da tíbia

Alinha-se o centro da bandeja na junção do terço medial com os dois terços laterais da tuberosidade, ou deixa-se a tíbia acompanhar o fêmur com os provisórios; a rotação interna combinada causa mau trilhamento e dor (p. 412).

Espaços e balanço de partes moles

Cobrança confirmada · 2 questões

As regras dos espaços

Desequilíbrios de espaço e correção (Campbell 15, cap. 8, p. 434, 439 e 466)
SituaçãoCorreção
extensão apertada, flexão boaressecar mais fêmur distal ou liberar a cápsula posterior (antes, retirar osteófitos posteriores)
flexão apertada, extensão boacomponente femoral menor com referência anterior (mais corte posterior); conferir slope; recuar o LCP no CR
ambos apertados por igualressecar mais tíbia (mexe nos dois espaços)
ambos frouxos por igualpolietileno mais espesso
flexão frouxa (revisão)componente femoral maior, offset posterior
extensão frouxa (revisão)calço femoral distal

A meta é 1 a 2 mm de abertura em varo e valgo, simétrica. Antes de soltar qualquer estrutura, retiram-se todos os osteófitos, que tensionam as partes moles como uma barraca; a estabilidade é testada após cada etapa para não soltar demais (p. 435).

O que soltar

O princípio: no varo, o lado contraído (medial) é solto da tíbia, subperiostalmente; no valgo, o lado contraído (lateral) é solto do fêmur, com dissecção cortante (p. 435 e 436). Cada estrutura age mais num espaço:

Estruturas e o espaço que cada uma afeta (Campbell 15, cap. 8, p. 436 a 438)
LadoEstruturaEspaço que mais abre
medial (varo)metade anterior do LCM superficial, pata de gansoflexão
medial (varo)metade posterior do LCM, ligamento oblíquo posterior, semimembranoso, cápsula posteromedialextensão
medial (varo)LCP (estrutura medial, estabilizador secundário)flexão
lateral (valgo)trato iliotibialextensão
lateral (valgo)canto posterolateralextensão
lateral (valgo)ligamento colateral lateralos dois
lateral (valgo)tendão do poplíteoflexão
lateral (valgo)cápsula posterior e cabeça lateral do gastrocnêmioextensão (graves)

O pie-crusting são múltiplas incisões pequenas com lâmina ou agulha paralelas à linha articular nas faixas tensas, alongando o envelope sem desinseri-lo; deixa uma amarra que impede abertura lateral exagerada em flexão (p. 436). Cuidado no canto posterolateral: o nervo fibular está a 1,5 cm, mais longe com o joelho fletido (p. 436).

Varo

Técnicas 8.4 e 8.5 (p. 437): liberar o LCM profundo até o canto posteromedial na exposição, retirar osteófitos, e na PS ressecar o LCP antes de equilibrar, porque ele é estabilizador medial secundário e, sem ele, menos liberação é necessária. Se o lado medial ainda aperta depois de todo o envelope solto (varo grave), avança-se o LCL ou usa-se implante mais restrito. No CR, a liberação tende a ser maior, e o LCP pode precisar de recuo; se ele deixar de funcionar, troca-se para inserto deep-dish ou PS.

Valgo

O valgo é comum na artrite reumatoide e no côndilo lateral hipoplásico (p. 438). Na técnica 8.6: poupar o envelope medial, já frouxo; se só a extensão aperta, soltar o trato iliotibial (o livro prefere pie-crusting); o canto posterolateral antes do LCL; o poplíteo abre a flexão e deve ser mantido se não estiver tenso; depois cápsula posterior e gastrocnêmio lateral. Sem equilíbrio, avançar o LCM no epicôndilo medial ou, se a flexão lateral passar da altura de salto do poste, usar CCK (p. 438 e 439).

Contratura em flexão e recurvato

A maior parte do flexo melhora com o equilíbrio coronal. Se persistir: descolar a cápsula posterior (cuidado com a artéria genicular superior), retirar osteófitos posteriores e só então aumentar o corte distal 2 mm e mais 2 mm (máximo de 4 mm). Elevar mais cria instabilidade em médio arco, que pede CCK ou dobradiça. O LCP não causa o flexo; soltá-lo só piora a desproporção (p. 439).

O recurvato (menos de 1%) com fraqueza neuromuscular pede dobradiça com bloqueio de extensão; sem fraqueza, corta-se menos fêmur distal (2 a 3 mm) e usa-se componente menor com referência anterior, que abre a flexão e permite polietileno mais alto (p. 439 e 440).

LCP no CR

O sinal de LCP tenso é o lift-off anterior da bandeja tibial provisória sem haste na flexão; a patela deve estar reduzida no teste, porque a eversão roda a tíbia e dá falso positivo (p. 441). Com o joelho a 90°, a pressão digital deve defletir o LCP 1 a 2 mm. O recuo é feito em etapas de 1 a 2 mm na face posterior da tíbia; se mais de 75% for liberado, escolher prótese com mais restrição posterior. O slope tibial tem mais efeito que a liberação parcial do LCP (p. 440 e 441).

Defeitos ósseos

Cobrança confirmada · 1 questão

Os defeitos vêm de deformidade angular, hipoplasia condilar, osteonecrose, trauma e cirurgias prévias. O primeiro passo é saber se o defeito é contido (cavitário, com borda cortical íntegra) ou não contido (segmentar, periférico, sem borda) (p. 441).

Classificações de defeito ósseo (Campbell 15, cap. 8, p. 441)
ClassificaçãoTipoDefinição
RANDIdefeito metafisário focal, borda cortical íntegra
RANDIIdefeito metafisário extenso, borda cortical íntegra
RANDIIIdefeito metafisário e cortical combinados
AORI (ENGH)F1, F2, F3 e T1, T2, T3perda óssea femoral e tibial em graus
AORI (ENGH)tipo 2Aperda em um côndilo ou platô
AORI (ENGH)tipo 2Bperda nos dois côndilos ou platôs

O tratamento segue o tamanho e a contenção (p. 441 a 443): menos de 5 mm, cimento; contido, enxerto esponjoso impactado; não contido maior, enxerto estrutural, cunhas metálicas modulares ou parafusos dentro do cimento. O enxerto periférico da tíbia (WINDSOR, INSALL e SCULCO) aplaina o defeito, fixa um bloco do osso ressecado com pinos ou parafusos e recorta a superfície (p. 441 e 442). Hastes protegem enxertos periféricos. Cones porosos e luvas metafisárias criam um apoio onde o implante é cimentado, e são usados sobretudo em revisão, inclusive nos defeitos AORI IIB e III (p. 443 e 469).

Patela: recapear ou não, e o trilhamento

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Recapeamento

O tema é controverso (p. 422 e 423). Num estudo grande, as complicações patelofemorais foram de 4% com recapeamento contra 12% sem; num randomizado, a dor anterior foi de 5% contra 25%. O recapeamento secundário por dor alivia menos que o primário e tem mais fratura e rigidez. Por outro lado, com tróclea anatômica, ensaios não mostram diferença. O livro sugere deixar a patela sem recapear quando há artrose primária, cartilagem patelar satisfatória sem osso eburneado, trilhamento congruente, patela de forma normal e nenhuma artropatia cristalina ou inflamatória, sobretudo em pacientes leves (p. 423). No registro australiano, a PS sem recapeamento revisou mais, e o botão onlay foi melhor que o inlay (p. 423).

Trilhamento

Tudo o que aumenta o ângulo Q puxa a patela para fora (p. 443):

Erros que luxam a patela lateralmente (Campbell 15, cap. 8, p. 443, 456 e 457)
ComponenteErroMecanismo
tibialrotação internaleva a tuberosidade para lateral, aumenta o Q
femoralrotação internatraz a tróclea para medial
femoraltranslação medialtraz a tróclea para medial
patelarbotão centrado ou lateralnão recria a eminência medial da patela
patelarressecção insuficiente ou faceta lateral cortada demaispatela espessa ou inclinada
femoralcomponente grande ou anteriorizadotróclea muito anterior, patela tensa

As correções são o espelho: componente tibial em leve rotação externa (centrado na borda medial da tuberosidade), componente femoral em rotação externa e lateralizado, botão patelar medializado (p. 443 e 457). O teste "no thumb": a patela reduzida deve acompanhar a tróclea em todo o arco sem pressão do polegar (p. 443 e 444). Antes de fazer liberação lateral, solte o garrote: 48% e 31% dos maus trilhamentos se corrigiram só com isso (p. 444). A liberação vai do tubérculo de Gerdy ao vasto lateral; seu maior risco é desvascularizar a patela pela artéria genicular superolateral, que pode ser preservada na técnica de fora para dentro, e ela se associa a mais fratura patelar (p. 444).

Situações especiais

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Osteotomia tibial prévia

Após OTA, a ATJ tende a resultados piores por patela baixa, exposição difícil e retalho lateral mal vascularizado (p. 448). Os cuidados: respeitar incisões longitudinais laterais com ponte de pelo menos 8 cm; considerar PS de rotina; depois de cunha de fechamento lateral, fazer ressecção mínima do platô lateral, referenciada no medial intacto, e enxertar ou calçar o defeito lateral; o canal tibial fica medializado (guia extramedular, haste com offset); não rodar a bandeja para dentro (p. 448).

Patelectomia prévia

Não é contraindicação. Os escores foram maiores com PS, e o CR teve instabilidade AP: sem patela, o sistema de quatro barras (tendões quadricipital e patelar e os cruzados) perde o braço de momento e o tendão patelar puxa a tíbia para trás. O alívio é bom, embora inferior ao do joelho com patela (p. 448 e 449).

Neuropática, hemofilia, HIV, diabetes e psoríase

A artropatia neuropática é contraindicação relativa, com preferência por dobradiça rotatória e órtese (p. 449). Na hemofilia, mantém-se o fator VIII em 100% (abaixo de 80% há mais complicações). Nos hemofílicos com HIV adquirido por transfusão, a complicação mais comum é a infecção, até 30%; com HIV, 7,7% contra 3,3% sem (p. 449 e 450). Cerca de 7% dos pacientes com psoríase têm artrite, e as placas devem estar controladas antes (p. 450).

Infecção periprotética: diagnóstico

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Frequência, fatores e germes

A infecção ocorre em 2% a 3%. Fatores: artrite reumatoide (homem soropositivo), úlcera, cirurgia prévia, dobradiça, obesidade, ITU, corticoide, insuficiência renal, diabetes, desnutrição, câncer e psoríase (p. 451).

Os germes mais comuns são Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e espécies de Streptococcus; por isso a profilaxia usual é uma cefalosporina de primeira geração (cefazolina), com vancomicina ou clindamicina na alergia grave à penicilina (p. 451). O fluxo laminar horizontal aumentou a infecção na ATJ (p. 451).

Como diagnosticar

Pense em infecção em toda ATJ persistentemente dolorosa. A PCR é a melhor triagem; a punção é o padrão, e leucócitos acima de 3000 com 70% ou mais de polimorfonucleares sugerem infecção crônica (p. 451).

Critérios do MSIS

A nova versão dos critérios da Musculoskeletal Infection Society é a mais adotada (Tabela 8.2, p. 453):

Critérios MSIS para infecção periprotética (Campbell 15, cap. 8, Tabela 8.2, p. 453)
CritérioAgudoCrônicoPontos
maior: duas culturas com o mesmo germeinfectado
maior: fístula comunicando com a articulação ou expondo a próteseinfectado
PCR sérica (mg/L) ou D-dímero100 ou desconhecido10 ou 8602
VHS (mm/h)sem papel301
leucócitos sinoviais, ou esterase leucocitária ++, ou alfa-defensina positiva10.00030003
polimorfonucleares sinoviais (%)90702
cultura única positiva2
histologia positiva3
purulência intraoperatória3
decisão6 ou mais infectado; 3 a 5 inconclusivo; abaixo de 3 não infectado

Basta um critério maior. Alfa-defensina, purulência e cultura única são menores. Atenção: o texto da p. 452 inverte os polimorfonucleares (70% agudo, 90% crônico); a tabela traz 90% no agudo e 70% no crônico.

Infecção periprotética: tratamento

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O tempo decide

A escolha depende do estado clínico, do germe, do tempo e da extensão da infecção, do estoque ósseo, das partes moles e do mecanismo extensor (p. 452).

Opções no joelho infectado (Campbell 15, cap. 8, p. 452 a 456)
OpçãoQuandoNúmeros
supressão antibióticaprótese não removível, germe pouco virulento sensível a droga oral; nunca com várias prótesesvitalícia
desbridamento com retençãopós-operatória precoce (menos de 4 semanas) ou hematogênica aguda, prótese fixacrônica tardia: sem sucesso
artroplastia de ressecçãoAR poliarticular de baixa demandagesso por 6 meses
artrodesealta demanda, monoarticular, jovem, extensor deficiente, partes moles ruins, imunodeprimido, germe virulentohaste 95% contra fixador 64%; gram-positivo 100%
revisão em um tempoferida tornada quase estérilcerca de 89%
revisão em dois temposo mais comum6 semanas de IV; 89% a 100%
amputação acima do joelhoinfecção ameaçadora ou perda óssea maciçaúltima opção

A retenção serve só à infecção precoce, com menos de 4 semanas, ou hematogênica aguda, com prótese fixa; na crônica tardia foi universalmente malsucedida (p. 452), porque o biofilme já se organizou no implante. S. aureus é contraindicação relativa à retenção. Para aumentar o sucesso: infectologista, 6 semanas de IV, culturas em 2 semanas e troca do polietileno (p. 454).

Os dois tempos e os espaçadores

O protocolo é retirar a prótese, desbridar, 6 semanas de IV e reimplantar (89% a 100%); espaçador com 3,6 g de tobramicina e 3 g de vancomicina por 40 g de cimento (p. 455). Na série de PARVIZI, a mortalidade foi de 13,9% (p. 456). Na artrodese com haste, a posição é neutra a 5° de valgo com cerca de 10° de flexão (p. 454 e 455).

Complicações patelofemorais e do mecanismo extensor

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Instabilidade

As causas são desequilíbrio do extensor (retináculo lateral tenso ou medial frouxo, inclusive ruptura da sutura medial) e componentes mal posicionados (p. 456 e 457). O tratamento segue a causa: revisar componentes mal rodados; se bem posicionados, liberação lateral primeiro (raramente basta sozinha), depois realinhamento proximal; o realinhamento distal (osteotomia da tuberosidade) só com muita cautela, porque a pseudartrose da tuberosidade é grave (p. 457).

Fratura de patela

A fratura de patela ocorre em menos de 1%; fatores: ressecção excessiva, liberação lateral, mau trilhamento, elevação da linha, flexão acima de 115°, necrose térmica e revisão (p. 457). A classificação usada (a de ORTIGUERA e BERRY, nome que o livro não cita) separa os casos pelo extensor e pela estabilidade do implante (p. 457):

Fratura periprotética da patela (Campbell 15, cap. 8, p. 457)
TipoSituaçãoConduta
Iextensor íntegro, implante estávelimobilizador ou gesso cilíndrico em extensão por 6 semanas
IIextensor descontínuo (fratura desviada)cirurgia: banda de tensão e reparo do retináculo no terço médio transverso; polo: patelectomia parcial
IIIcomponente patelar soltoretirar o componente e não recolocar, fixar a fratura
cominuta ou osso ruimsem fixação estávelpatelectomia e reparo do extensor

A cirurgia nos tipos II e III tem até 50% de complicações (p. 457).

Componente metálico, soltura e clunk

O clunk patelar é típico da PS: nódulo fibroso no tendão quadricipital prende-se na caixa e estala entre 30 e 45° na extensão ativa; trata-se com desbridamento artroscópico (p. 458 e 459). Botões com dorso metálico falham com metalose. A ruptura do quadríceps ou do tendão patelar (0,1% a 0,55%) tem reparos de resultado ruim (p. 459).

Complicações neurovasculares

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A lesão arterial é rara (0,03% a 0,2%), mas 25% terminam em amputação (p. 459). A paralisia fibular (menos de 1% a quase 2%) ocorre sobretudo na correção de deformidades fixas combinadas de valgo e flexão, comuns na artrite reumatoide: o nervo, lateral e posterior, é estirado nas duas direções. Outros fatores: epidural, laminectomia prévia, garrote acima de 90 minutos, IMC alto (p. 459). Conduta: afrouxar o curativo e fletir o joelho; na prevenção, imobilizar em alguma flexão (p. 439 e 459).

Fraturas periprotéticas

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As supracondilianas (0,3% a 2%) têm como fatores entalhe anterior, osteoporose, AR, corticoide, mulher e revisão (p. 459 e 460). O tratamento é cirúrgico: haste retrógrada (85% consolidaram), que não passa em caixa fechada, ou placa bloqueada; no idoso cominuto, endoprótese distal (p. 460 e 461).

RORABECK para fratura supracondiliana periprotética (Campbell 15, cap. 8, p. 461)
TipoFraturaPróteseConduta geral
Isem desvioestávelconservador ou fixação
IIdesviadaestávelfixação (haste retrógrada, placa)
IIIcom ou sem desvioinstável (solta)revisão com haste longa diafisária, enxerto estrutural ou composto

As fraturas da tíbia abaixo da ATJ são incomuns (classificação de FELIX, por local, estabilidade e momento); com implante solto, revisão com haste; estáveis sem desvio, conservador; desviadas com implante fixo, fixação interna (p. 461).

Revisão da ATJ

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Por que revisar

Sobrevida de cerca de 95% em 10 anos. Causas (781 revisões): soltura 39,9%, infecção 27,4%, instabilidade 7,5%; infecção lidera na revisão precoce e soltura na tardia (p. 425 e 426). Soltura cimentada = linha radiolúcida completa de 2 mm ou mais (p. 462).

A instabilidade é tratada com o menor grau de restrição que resolva (p. 463): instabilidade AP (de flexão), conversão para PS; varo-valgo (de extensão) corrigível com partes moles, CCK; partes moles inadequadas ou instabilidade global, implante ligado (dobradiça).

Exposição e retirada

Usar a incisão prévia; de duas, a mais lateral (p. 463). Se a patela não everte, recriar goteiras, soltar subperiostalmente o lado medial da tíbia, rodar a tíbia para fora e liberar o lateral; se as fibras do tendão patelar começarem a soltar da tuberosidade, partir para exposição extensa: o snip do reto de INSALL (resultados iguais aos da artrotomia padrão), o turndown em V-Y (déficit de extensão transitório) ou a osteotomia da tuberosidade de WHITESIDE e OHL, um segmento de 8 a 10 cm com a musculatura presa lateralmente, que consolida osso com osso (p. 463 e 464).

O componente femoral é retirado primeiro, com o osteótomo na interface prótese-cimento (e não cimento-osso) para poupar osso, e extrator que dá só força longitudinal (p. 465). O botão patelar fixo e pouco gasto pode ficar (p. 466).

Reconstrução

Os princípios (p. 466 e 467): recriar a linha articular o mais anatômica possível, cerca de um dedo (10 mm) acima da ponta da fíbula e um dedo abaixo do polo inferior da patela (a figura dá 14 mm da cabeça da fíbula e 23 e 28 mm dos epicôndilos lateral e medial); tratar defeitos com calços, cones e luvas; restaurar estabilidade com a restrição necessária; hastes para fixação; rotação femoral pelo epicondilar. Como o LCP está quase sempre incompetente, prefere-se PS ou CCK.

A lógica dos espaços na revisão: aumentar a tíbia (calço ou polietileno) enche flexão e extensão; o calço femoral distal enche só a extensão; aumentar o tamanho do componente femoral (ou haste com offset posterior) enche só a flexão (p. 466 e 467). Frouxidão em flexão e extensão costuma ser fêmur pequeno colocado alto: melhor componente femoral maior com calços distais e posteriores do que polietileno grosso que sobe a linha (p. 467). Cimento com antibiótico é rotina na revisão (p. 468).

Os resultados são inferiores aos da primária (46% a 74% bons) (p. 468).

Tromboembolismo, sangue e dor

Relevância clínica

TEV

A TVP sem profilaxia varia de 1% a 84%, e o TEP fatal de 0% a 1,5%; o exame clínico é pouco confiável, a venografia é o padrão-ouro e o duplex é a triagem prática (p. 450 e 451). HBPM, fondaparinux e varfarina por no mínimo 10 dias (ACCP 2008); a rivaroxabana teve menos TVP que a enoxaparina, mas cerca de duas vezes mais reoperação por ferida; a HBPM com cateter epidural exige cautela (hematoma epidural, sobretudo na retirada no dia 3); a aspirina é alternativa razoável no paciente de baixo risco segundo a AAOS (p. 450 e 451).

Sangue, anestesia e dor

O ácido tranexâmico reduz a queda de hemoglobina e as transfusões, sem aumentar o TEV: IV 10 a 15 mg/kg ou 1 g antes do garrote e repetido antes de soltá-lo; tópico 1,5 a 3 g por 5 minutos; oral 2000 mg 2 horas antes e duas doses depois. Contraindicações do IV: alergia e discromatopsia adquirida; cautela com infarto recente, TEV e stent (p. 428). O plug intramedular femoral reduz a perda em 20% a 25%; drenos não reduzem complicações e aumentam transfusão (p. 446).

A raquianestesia é preferida (melhor analgesia e menos complicações) (p. 427). A analgesia é multimodal (COX-2 e gabapentina pré-operatórios, infiltração periarticular, bloqueio do canal adutor); o cateter femoral caiu em desuso por atrasar a mobilização; até 40% continuam usando opioide. A crioneurólise do cutâneo femoral anterior e do ramo infrapatelar do safeno antes da cirurgia reduz o consumo de morfina (p. 427).

Na bilateral simultânea, a síndrome de embolia gordurosa chegou a 12%; mais complicações cardiovasculares e neurológicas acima de 70 anos (p. 423).

Fechamento

Fundamento

A ATJ cobrada na prova se resume a um joelho com dois espaços retangulares e iguais. A tíbia é cortada perpendicular ao eixo mecânico; o fêmur distal em 5 a 7° de valgo; o fêmur gira 3° para fora dos côndilos posteriores, ficando paralelo ao epicondilar, e no valgo de côndilo lateral pequeno a referência condilar posterior engana para dentro. O lado curto é solto (tíbia no varo, fêmur no valgo), a abertura final é de 1 a 2 mm, e quando as partes moles não bastam sobe-se a escada de restrição até o CCK ou a dobradiça. Nas complicações, a infecção aguda com prótese fixa admite desbridamento com troca do polietileno, a crônica pede dois tempos, a patela fraturada com extensor íntegro fica no gesso e a paralisia fibular nasce do valgo com flexo.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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