Orto Questões

Anatomia do joelho

JoelhoResumo do capítulo34 min de leitura

Semimembranáceo e suas cinco expansões (a primeira é o ligamento poplíteo oblíquo) e o oblíquo posterior de HUGHSTON (espessamento do ligamento capsular medial); canto posterolateral com LCF, tendão poplíteo e popliteofibular (rotação externa); poplíteo roda medialmente a tíbia e destrava o joelho; ligamento anterolateral extra-articular, entre GERDY e a fíbula, atuando a 30 e 90 graus; LCA irrigado pela genicular média, feixes AM e PL; LCP e meniscofemorais de HUMPHREY e WRISBERG; platô lateral convexo; trato iliotibial em GERDY; fabela no gastrocnêmio lateral; via de GALLA e LOBENHOFFER entre semimembranáceo e gastrocnêmio medial; ângulo Q; COVENTRY com hipercorreção a 8 a 10 graus de valgo; nervos fibulares e safeno; testes do exame físico.

Atualizado em 03/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 9 · Perna/Joelho, em Netter Atlas de Anatomia Ortopédica (Netter's Concise Orthopaedic Anatomy), 2ª edição, com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026). Autores do capítulo: Jon C. Thompson (ilustrações de Frank H. Netter).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de joelho do Netter, capítulo 9, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 9 (Perna/Joelho) do Netter's Concise Orthopaedic Anatomy, 2ª edição, de Jon C. THOMPSON, com ilustrações de Frank H. NETTER, publicado no Brasil como Netter Atlas de Anatomia Ortopédica: um atlas de tabelas com fixação, função e comentário clínico de cada estrutura. Onde ele é econômico (canto posteromedial, semimembranáceo, ligamento anterolateral, via de LOBENHOFFER, irrigação do LCA), a fonte complementar é o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição, capítulos 50 (Knee Injuries, de BERNHOLT e AZAR) e 1 (vias de acesso).

A prova cobra de dois modos: a figura com seta (um músculo, uma inserção pintada na tíbia, um nervo junto à fíbula, uma artéria genicular) e a anatomia funcional (quem segura a rotação externa, onde fica o ligamento anterolateral, qual é a primeira expansão do semimembranáceo). As duas se resolvem com quatro mapas: as camadas medial e lateral, as origens e inserções em torno do joelho, os compartimentos da perna com os seus nervos e as artérias geniculares.

Ossos: fêmur distal, tíbia proximal e patela

Cobrança confirmada · 1 questão

O fêmur distal

O fêmur distal tem dois côndilos que não são simétricos, e é dessa assimetria que nasce quase toda a mecânica do joelho. O Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 9, aprox. p. 269), descreve o côndilo medial como maior e mais posterior e o lateral como mais anterior e proximal. Os côndilos são arredondados atrás, para permitir a flexão, e planos na frente, para o apoio em extensão. Os epicôndilos recebem os ligamentos colaterais, e o eixo epicondilar e o eixo condilar posterior são as referências usadas para definir a rotação do componente femoral na artroplastia. No côndilo lateral há o sulco terminal; a área logo abaixo dele é a porção de carga do côndilo. O tubérculo do adutor, no alto do epicôndilo medial, recebe o adutor magno e é a âncora de origem do ligamento oblíquo posterior. A fise distal do fêmur aparece ao nascimento, funde por volta dos 19 anos e cresce cerca de 7 mm por ano.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1983), acrescenta a geometria fina: a superfície articular do côndilo medial é mais longa, a do lateral é mais larga; o eixo longo do côndilo lateral é praticamente sagital, enquanto o medial é angulado em média 22 graus. Entre os côndilos, na frente, fica a tróclea; atrás, a fossa intercondilar, onde se fixam os cruzados.

A tíbia proximal: o platô lateral é convexo

O ponto mais cobrado dos ossos é a forma dos platôs. O Netter (cap. 9, aprox. p. 271) diz em uma linha: faceta medial côncava, faceta lateral convexa, com 7 a 10 graus de inclinação posterior. O Campbell (cap. 50, p. 1983 e 1984) chama de "sutil concavidade" medial e "sutil convexidade" lateral e resume com uma imagem que ajuda a lembrar: no lado medial, o fêmur é uma roda sobre superfície plana; no lateral, uma roda sobre uma cúpula. Como as superfícies não são congruentes, quem dá estabilidade são os ligamentos e os meniscos. O mesmo raciocínio explica por que a meniscectomia lateral é tão mais danosa que a medial (ver a seção dos meniscos): tirar o calço de um platô convexo concentra a carga num ponto.

Os outros marcos da tíbia proximal estão na tabela abaixo. O Netter lembra ainda que as fraturas do platô lateral são as mais comuns e que a avulsão dos tubérculos intercondilares na criança envolve o LCA.

A patela e a fíbula proximal

A patela é o maior sesamoide, com faceta lateral maior e medial menor e uma faceta acessória medial que só articula em flexão profunda; a patela bipartida é falha de fusão superolateral, confundida com fratura; a cartilagem passa de 5 mm (Netter, aprox. p. 268 e 269). Na fíbula, a cabeça recebe o LCF e o bíceps, e o colo tem o sulco do nervo fibular (aprox. p. 271).

Marcos ósseos do joelho e o que se prende neles (Netter cap. 9; Campbell cap. 50)
MarcoO que se fixa aliDetalhe que cai
tubérculo do adutoradutor magno; origem do oblíquo posteriorposterior e proximal ao epicôndilo medial
epicôndilo medialLCT (colateral medial) superficialorigem; inserção 5 a 7 cm abaixo da linha (Netter)
epicôndilo lateralLCFpoplíteo nasce anterior e distal a ele
área intercondilar anteriorLCAà frente da eminência
área intercondilar posteriorLCPabaixo da linha articular
tuberosidade da tíbialigamento da patela3 cm abaixo da linha; OSGOOD-SCHLATTER
tubérculo de GERDYtrato iliotibialanterolateral, epífise proximal
face posteromedial do côndilo medialsemimembranáceo (cabeça direta)sulco próprio
face posterior da tíbia proximalpoplíteoinserção triangular, acima da linha do sóleo
cabeça da fíbulabíceps, LCF, popliteofibular, arqueado, fabelofibularcolo com o nervo fibular

Eixos, alinhamento e o ângulo Q

Cobrança confirmada · 2 questões

Os eixos do membro inferior

O Netter (cap. 9, aprox. p. 272 e 273) define cada linha com precisão, e a prova costuma trocar uma pela outra:

  • Eixo anatômico do fêmur e da tíbia: a linha ao longo do corpo de cada osso.
  • Eixo mecânico do fêmur: do centro da cabeça femoral à fossa intercondilar.
  • Eixo mecânico da tíbia: do centro do joelho ao centro da mortalha do tornozelo; normalmente coincide com o eixo anatômico da tíbia, salvo deformidade.
  • Eixo do joelho: linha pela face inferior dos dois côndilos, paralela ao solo.

As relações estão na tabela. O Netter completa (aprox. p. 283) que o eixo mecânico do fêmur fica em 3 graus de valgo em relação ao vertical e o da tíbia em 3 graus de varo. O Campbell (cap. 50, p. 1983) dá 5 a 7 graus entre mecânico e anatômico, diferença compensada pela projeção distal do côndilo medial. O alinhamento radiográfico normal é de 6 graus de valgo, com carga (Netter, aprox. p. 303).

Eixos e ângulos do joelho (Netter cap. 9, aprox. p. 272, 273 e 283)
MedidaValor
eixo mecânico do fêmur x anatômico6 graus em média (Campbell: 5 a 7)
eixo mecânico do fêmur x verticalcerca de 3 graus (valgo)
eixo mecânico da tíbia x verticalcerca de 3 graus (varo)
ângulo lateral distal do fêmur81 graus (anatômico) e 87 (mecânico)
ângulo medial proximal da tíbia87 graus (mecânico)
alinhamento radiográfico normal6 graus de valgo, com carga
inclinação posterior do platô7 a 10 graus

O ângulo Q

O ângulo Q é a pergunta clássica de figura: duas linhas que se cruzam no centro da patela. O Netter (aprox. p. 303 e 304) o define pela espinha ilíaca anterossuperior ao ponto central da patela e do centro da patela à tuberosidade da tíbia, com normal de até 10 graus no homem e até 15 na mulher; o aumento predispõe à subluxação da patela e aos sintomas patelofemorais. O Campbell (cap. 8, p. 413), citando HVID, define-o como o ângulo entre o eixo anatômico estendido do fêmur e a linha centro da patela e tubérculo tibial, desenhando as mesmas duas linhas (EIAS ao centro da patela e tubérculo ao centro da patela). Os limites divergem: no Campbell (p. 421), é anormal acima de 15 graus no homem e 20 na mulher. A ideia que não muda: quanto maior o ângulo Q, maior o vetor que puxa a patela para fora.

A osteotomia tibial alta segundo COVENTRY

Os eixos explicam a osteotomia. No joelho varo com artrose medial, a osteotomia tibial proximal valgizante transfere a carga para o compartimento lateral (Netter, aprox. p. 337). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 10, p. 501), descreve a osteotomia em cunha de fechamento de COVENTRY, proximal à tuberosidade, e registra que a falha aumenta se o alinhamento não for hipercorrigido a pelo menos 8 graus de valgo e se o paciente tiver obesidade importante; o planejamento soma 3 a 5 graus de hipercorreção à correção para o normal, chegando a cerca de 10 graus de valgo. Daí a resposta "8 a 10 graus".

Cinemática: rolar, deslizar e o "screw home"

Fundamento

O Netter (aprox. p. 283 e 284) lembra que o joelho tem três articulações (duas femorotibiais condilares e a patelofemoral, selar) e seis graus de movimento. A forma óssea dá pouca estabilidade; quem estabiliza são os estáticos (ligamentos, cápsula, meniscos) e os dinâmicos (músculos), que compensam quando um estático falha. A flexão combina rolamento, que predomina no início (os primeiros 20 graus, pelo Campbell, cap. 50, p. 1983), e deslizamento, que cresce na flexão profunda. Os cruzados controlam essa relação, e o LCP sozinho consegue mantê-la, base da prótese com retenção do LCP.

O "screw home" trava o joelho em extensão. O Netter descreve pela tíbia, que roda lateralmente na extensão final, tensionando os cruzados; o Campbell descreve pelo fêmur, que roda internamente sobre a tíbia até usar toda a superfície do côndilo medial, com eixo perto do côndilo medial e guiado pelo LCP. É o mesmo movimento em referenciais diferentes. Para destravar, o poplíteo roda a tíbia medialmente (Netter).

Amplitudes e números da cinemática (Netter cap. 9; Campbell cap. 50)
ParâmetroValor
extensão e flexão-5 a 140 graus (Netter); 0 a 140, com 5 a 10 de hiperextensão (Campbell)
levantar da cadeira115 graus
correr rápido130 graus
rotação passiva com o joelho a 90 grausaté 25 a 30 graus; interna maior que externa (Campbell)
rotação em extensão totalnenhuma (Campbell)
translação anteroposterior normalaté 2 mm de diferença para o outro lado (Netter); até 3 a 5 mm (Campbell)
abertura em varo e valgocerca de 5 mm (Netter); até 6 a 8 graus em extensão e 15 em flexão (Campbell)

O poplíteo (lateral) e o semimembranáceo (medial) retraem os meniscos para trás na flexão. Na rotação interna os cruzados se enrolam e ficam tensos; na rotação externa são os colaterais que se cruzam e se tensionam (Campbell, cap. 50, p. 1994).

Ligamentos cruzados e meniscofemorais

Cobrança confirmada · 2 questões

O ligamento cruzado anterior

Pelo Netter (aprox. p. 285), o LCA vai da face posteromedial do côndilo lateral do fêmur à região anterior da eminência intercondilar da tíbia. É o restritor primário da translação anterior da tíbia e secundário do varo em extensão e da rotação medial. Os cruzados são intra-articulares, mas extrassinoviais, porque a sinóvia os envolve (Netter, aprox. p. 283); o Campbell (cap. 50, p. 2065) chama o LCA de extrassinovial pelo mesmo motivo.

Os dois feixes recebem o nome da inserção tibial: o anteromedial (AM) e o posterolateral (PL). A inserção tibial mede cerca de 10 por 14 mm; na femoral, a crista intercondilar lateral ("do residente") é o limite anterior e a crista bifurcada separa os feixes (Campbell). O AM fica tenso em flexão e o PL tenso em extensão (Netter e Campbell concordam). O Campbell completa: o LCA responde por cerca de 85% da resistência à gaveta anterior a 90 graus; o PL é a principal resistência à hiperextensão; a tensão é mínima entre 30 e 40 graus.

Quem irriga o LCA

A artéria genicular média. O Netter (aprox. p. 324) diz que ela irriga o LCA, o LCP e a membrana sinovial. O Campbell (cap. 50, p. 2065 e 2066) detalha: é o suprimento primário, perfura a cápsula posterior e entra na fossa intercondilar perto da inserção femoral; há suprimento adicional do coxim gorduroso retropatelar pelas geniculares inferiores medial e lateral, importante quando o ligamento se lesa; as inserções ósseas contribuem pouco. O capítulo 1 do Campbell (p. 35 e 37) lembra que a genicular média corre no septo mediano posterior, junto ao LCP extrassinovial, e nutre a fossa intercondilar.

O túnel tibial na reconstrução

O Campbell (cap. 50, p. 2078) discute a posição dos túneis. Um túnel femoral muito anterior "captura" o joelho e perde flexão; um posterior dá um enxerto tenso em extensão. Na tíbia, o túnel no centro da inserção é mais anatômico, mas não isométrico; colocar o enxerto na porção posterior da inserção tibial, perto da posição do feixe posterolateral, reproduz melhor a função do LCA intacto e diminui o impacto do enxerto no teto da fossa em extensão, que acontece com o túnel anterior. Essa é a base da afirmação "o túnel tibial deve ficar no sítio do feixe posterolateral".

O ligamento cruzado posterior

O LCP, pelo Netter (aprox. p. 286 e 287), vai da face lateral do côndilo medial (dentro da fossa) à região posterior e proximal da tíbia, abaixo da linha articular. É o restritor primário da translação posterior e secundário do varo, do valgo e da rotação lateral. O feixe anterolateral fica tenso na flexão; o posteromedial, na extensão. O Campbell (cap. 50, p. 2098 e 2099) concorda e quantifica: o anterolateral é o maior e mais forte; o LCP responde por 89% da resistência à translação posterior; é mais vertical que oblíquo e funciona como o eixo da rotação do joelho, guiando o "screw home". O Campbell descreve o LCP como intrassinovial mas extra-articular, enquanto o Netter agrupa os dois cruzados como intra-articulares e extrassinoviais; a prova costuma usar a fórmula do Netter.

O mecanismo clássico de lesão isolada é o trauma do painel com o joelho fletido (Campbell). No exame, a tíbia normal fica 5 a 10 mm à frente do côndilo medial; no LCP roto esse degrau some.

Os meniscofemorais de HUMPHREY e WRISBERG

Vão do corno posterior do menisco lateral ao côndilo medial do fêmur, acompanhando o LCP. O de HUMPHREY passa anterior ao LCP; o de WRISBERG, posterior. São inconstantes e raramente estão os dois presentes; contribuem para a função do LCP e estabilizam o menisco lateral (Netter, aprox. p. 287). O Campbell acrescenta que somam cerca de 22% da área do LCP e funcionam como restritores secundários da translação posterior. A pegadinha recorrente: eles se ligam ao menisco lateral, nunca ao medial.

Cruzados e meniscofemorais (Netter cap. 9, aprox. p. 285 a 287; Campbell cap. 50)
EstruturaFêmurTíbia ou meniscoFunção
LCAface posteromedial do côndilo lateralárea anterior da eminênciaprimário da translação anterior; secundário de varo em extensão e rotação medial
feixe AM do LCAmais proximal e anterioranteromedialtenso em flexão
feixe PL do LCAmais distal e posteriorposterolateraltenso em extensão; resiste à hiperextensão
LCPface lateral do côndilo medialposterior, abaixo da linha articularprimário da translação posterior (89%)
feixe anterolateral do LCPanterior no côndilolateraltenso em flexão; o maior
feixe posteromedial do LCPposterior no côndilomedialtenso em extensão
HUMPHREYcôndilo medialcorno posterior do menisco lateralanterior ao LCP
WRISBERGcôndilo medialcorno posterior do menisco lateralposterior ao LCP

Meniscos

Cobrança confirmada · 1 questão

Estrutura e irrigação

Os meniscos são discos de fibrocartilagem triangulares em corte, mais espessos na periferia. O colágeno é principalmente do tipo 1. A camada profunda tem fibras circunferenciais, que dissipam as forças em "aro", e fibras radiais, que amarram as circunferenciais (Netter, aprox. p. 292). Pelo Campbell (cap. 50, p. 1995), a tensão circunferencial ("aros de barril") segura o menisco entre os ossos; um corte radial até a cápsula ou uma lesão da raiz equivale a uma meniscectomia.

A irrigação vem das quatro geniculares (superiores e inferiores, medial e lateral), que formam o plexo perimeniscal na sinóvia e na cápsula. Só a periferia é vascular: 10 a 30% da largura no medial e 10 a 25% no lateral. Daí as três zonas, que o Netter dá em milímetros: vermelha até 3 mm da junção capsular (a maioria cicatriza), vermelha-branca de 3 a 5 mm (algumas cicatrizam) e branca além de 5 mm (a maioria não cicatriza); os dois terços centrais se nutrem do líquido sinovial. O Campbell mostra que, no canto posterolateral do menisco lateral, a periferia não tem vasos justamente onde passa o tendão poplíteo.

Medial em C, lateral circular

Menisco medial e menisco lateral (Netter cap. 9, aprox. p. 290 e 292; Campbell cap. 50, p. 1996 e 1997)
CaracterísticaMedialLateral
formaC, raio maior, corno posterior mais largoquase circular, cobre até 2/3 do platô
mobilidademenos móvelmais móvel
fixação periféricafirme: coronários e LCT profundofrouxa; sem fixação no hiato poplíteo
raiz anteriorà frente da eminência e do LCAjunto ao LCA, à frente da eminência
raiz posteriorimediatamente à frente do LCPatrás da eminência, à frente da raiz posterior medial
ligações especiaissemimembranáceo, cápsula posteromedialpoplíteo e meniscofemorais (HUMPHREY, WRISBERG)
papel extracorno posterior: restritor secundário da translação anterior, primário sem LCAcarrega cerca de 70% da carga do lado lateral
meniscectomiaárea -50 a 70%; estresse +100%área -40 a 50%; estresse +200 a 300%

O medial, preso à cápsula e ao LCT profundo, não foge do côndilo na rotação e rompe mais, sobretudo no corno posterior; o lateral, ligado ao poplíteo e aos meniscofemorais, acompanha o côndilo (Campbell, p. 1996). O corno posterior do menisco medial é o "calço" da tíbia: secundário na translação anterior, principal quando o LCA falta (Netter, aprox. p. 290). Os meniscos recebem 50% da carga em extensão e 85% em flexão e servem também à congruência, à lubrificação, à nutrição e à propriocepção (Netter, aprox. p. 293).

As inserções na vista superior da tíbia

A figura do platô visto de cima, com as áreas de fixação pintadas, é uma pergunta clássica. Da frente para trás, na linha média: raiz anterior do menisco medial, bem à frente; LCA e raiz anterior do menisco lateral, lado a lado à frente da eminência; a eminência; raiz posterior do menisco lateral; raiz posterior do menisco medial; e, mais atrás e mais baixo, na borda posterior, o LCP (Campbell, p. 1996; Netter, aprox. p. 270). Quem orienta é o LCP: ele é a fixação mais posterior e desce abaixo da linha articular.

Lado medial e canto posteromedial

Cobrança confirmada · 8 questões

As três camadas mediais

O Netter (aprox. p. 289 e 290) organiza o lado medial em três camadas, a divisão de WARREN e MARSHALL que o Campbell (cap. 50, p. 1987) também usa:

Camadas do lado medial do joelho (Netter cap. 9, aprox. p. 289 e 290; Campbell cap. 50, p. 1987 a 1989)
CamadaEstruturasFunção ou detalhe
1, superficialfáscia do sartório, fáscia latao sartório vira lâmina que reveste a pata de ganso
entre 1 e 2tendões do grácil e do semitendíneoestabilizadores dinâmicos secundários
2, médiaLCT superficialdo epicôndilo medial à tíbia, profundo à pata; primário contra valgo, sobretudo a 30 graus
2, médiafibras oblíquas do LCT (oblíquo posterior)do tubérculo do adutor à tíbia posterior, corno posterior do menisco e cápsula
2, médialigamento patelofemoral medial, retináculo medialprimário contra a lateralização da patela
2, médiasemimembranáceoinsere-se posteromedialmente; suporte posteromedial
3, profundaLCT profundo (meniscofemoral e meniscotibial), cápsula"ligamento capsular medial" ou "do terço médio"; estabiliza o menisco
2 e 3 juntasoblíquo posteriorconfluência das camadas, indistintas atrás

O LCT superficial é o principal estabilizador contra o valgo, sobretudo a 30 graus (Netter), e resiste também à rotação externa (Campbell, p. 1987). A distância da inserção tibial varia: 5 a 7 cm abaixo da linha no Netter, 7 a 10 cm no texto do Campbell e 6 a 7 cm na via medial de HOPPENFELD do cap. 1; em todas, a inserção é larga e distal, por baixo da pata de ganso. O LCT profundo é o espessamento da cápsula média, com partes meniscofemoral e meniscotibial (o ligamento coronário), e é ele que prende o menisco medial.

O ligamento oblíquo posterior

O oblíquo posterior (LOP) é a estrutura mais importante do canto posteromedial (Campbell, p. 1988). O Campbell registra a descrição original de HUGHSTON: o LOP é um espessamento do ligamento capsular medial, fixo em cima no tubérculo do adutor e embaixo na tíbia e na face posterior da cápsula. Tem três braços: o central (tibial), o mais espesso, que se fixa na borda posterior da tíbia junto à inserção do semimembranáceo e é o que se reconstrói; o superior (capsular), contínuo com a cápsula posterior e com o ligamento poplíteo oblíquo; e o inferior, mal definido, para a bainha do semimembranáceo. O Netter (aprox. p. 290) chama o LOP de fibras oblíquas do LCT e diz que ele é frouxo na flexão, mas fica tenso dinamicamente pela contração do semimembranáceo, e que é a confluência das camadas 2 e 3.

Por isso o canto dá estabilidade estática e dinâmica mesmo com o joelho fletido. O último componente do canto posteromedial é o corno posterior do menisco medial (Campbell, p. 1989).

O semimembranáceo e as suas cinco expansões

O semimembranáceo é o grande estabilizador dinâmico posteromedial. O Campbell (cap. 50, p. 1984 e 1985) descreve cinco expansões distais, e é exatamente essa lista que as provas cobram com uma seta na figura posterior do joelho:

As cinco expansões distais do semimembranáceo (Campbell cap. 50, p. 1984 e 1985)
OrdemExpansãoPapel
1ªligamento poplíteo oblíquoda inserção posteromedial, obliquamente para cima e para fora até a cabeça lateral do gastrocnêmio; reforça a cápsula posterior
2ªcápsula posterior e corno posterior do menisco medialtensiona a cápsula e puxa o menisco para trás na flexão
3ªcabeça anterior (profunda)corre na borda do côndilo e insere-se sob o LCM superficial, logo abaixo da linha
4ªcabeça diretano tubérculo posterior do côndilo medial da tíbia; âncora para suturas no reparo posteromedial
5ªporção distallâmina sobre o poplíteo que se funde ao periósteo medial da tíbia

A primeira expansão é o ligamento poplíteo oblíquo (LPO): sobe da inserção do semimembranáceo, cruza a face posterior do joelho em direção ao lado lateral e se prende à cápsula e à fabela. A contração do semimembranáceo o tensiona e, com ele, a cápsula posterior; no reparo, puxá-lo para a frente e para dentro retensiona o canto (Campbell). O Netter (aprox. p. 286 e 287) rotula o LPO na figura como expansão tendínea do semimembranáceo, parte do canto posteromedial.

A inserção do semimembranáceo na tíbia é posteromedial, no sulco da face posterior do côndilo medial, e é o que a figura com a área pintada pergunta. Semitendíneo e semimembranáceo nascem do túber isquiático e são inervados pela porção tibial do isquiático; o semitendíneo vai à pata de ganso e é usado nas reconstruções do LCA (Netter, cap. 8, aprox. p. 240).

A via posteromedial de GALLA e LOBENHOFFER

O mesmo canto é a porta de entrada das fraturas posteromediais do platô. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 1, p. 25 e 26), descreve a via de GALLA e LOBENHOFFER, na técnica publicada por FAKLER: incisão longitudinal reta de 6 a 8 cm na borda medial da cabeça medial do gastrocnêmio, a partir da linha articular; abre-se a fáscia poplítea; a cabeça medial do gastrocnêmio é liberada e afastada lateralmente, e o complexo do semimembranáceo é afastado medialmente; acha-se a borda superior do poplíteo e descola-se subperiostealmente, expondo o platô posteromedial. A vantagem anatômica é que o intervalo entre o semimembranáceo e o gastrocnêmio medial não exige dissecar o feixe neurovascular poplíteo, que fica protegido atrás da cabeça medial do gastrocnêmio.

Não confundir com a via de BANKS e LAUFMAN, em prono, que usa o intervalo entre o semitendíneo e a cabeça medial do gastrocnêmio.

Lado lateral, canto posterolateral e ligamento anterolateral

Cobrança confirmada · 12 questões

As camadas laterais

O Netter (aprox. p. 287 a 289) também divide o lado lateral em três camadas, a classificação de SEEBACHER que o Campbell (cap. 50, p. 1989) reproduz. A diferença é que a terceira camada se subdivide em lâmina superficial e lâmina profunda, separadas pela artéria genicular inferior lateral, um marco que cai.

Camadas do lado lateral do joelho (Netter cap. 9, aprox. p. 287 a 289; Campbell cap. 50, p. 1989 a 1994)
CamadaEstruturasFunção ou detalhe
1trato iliotibialGERDY, patela e tubérculo supracondilar; posterior na flexão, anterior na extensão
1bíceps femoral (porção superficial)na cabeça da fíbula, lateral ao LCF; roda a tíbia lateralmente; nervo fibular na face profunda, atrás do tendão
2retináculo lateral, ligamento patelofemoral lateralliberação quando encurtado inclina a patela
3, lâmina superficialLCF; ligamento fabelofibularLCF primário contra varo; fabelofibular inconstante ("colateral curto")
entre as lâminasartéria genicular inferior lateralsepara superficial e profunda
3, lâmina profundatendão poplíteo; popliteofibular; ligamento arqueado; cápsularotação externa, varo e translação posterior

O trato iliotibial e o bíceps

O trato iliotibial insere-se no tubérculo de GERDY, na face anterolateral do côndilo lateral da tíbia; o Netter (aprox. p. 271 e 288) o chama de "ligamento anterolateral acessório". O Campbell (cap. 50, p. 1986) descreve as fibras de KAPLAN, que restringem a rotação interna da tíbia; o trato vai para a frente na extensão e para trás na flexão.

O bíceps femoral é o único isquiotibial lateral, flexor do joelho que roda a tíbia externamente. A cabeça longa nasce do túber isquiático (porção tibial do isquiático); a cabeça curta nasce da linha áspera e da linha supracondilar lateral e é inervada pela porção fibular (Netter, cap. 8, aprox. p. 240). As duas terminam na cabeça da fíbula, lateral ao LCF, e a borda distal do braço capsular da cabeça curta é o ligamento fabelofibular (Campbell).

O canto posterolateral e o poplíteo

O Netter (aprox. p. 289) dá a frase que resolve a pergunta do canto: o ligamento colateral fibular, o músculo poplíteo e o ligamento popliteofibular são as estruturas mais consistentes e o foco da reconstrução. A maioria das estruturas posterolaterais estabiliza contra o varo e a rotação lateral e é secundária na translação posterior. O complexo arqueado reúne LCF, ligamento poplíteo arqueado, músculo poplíteo e cabeça lateral do gastrocnêmio.

O LCF, do epicôndilo lateral à cabeça da fíbula, com cerca de 70 mm, é o estabilizador estático primário contra o varo entre 0 e 30 graus e resiste à rotação externa perto da extensão (Campbell, p. 1990).

O poplíteo tem três origens (Campbell, p. 1986): a principal no côndilo lateral do fêmur, anterior e distal à inserção do LCF; a fíbula, pelo popliteofibular; e o corno posterior do menisco lateral. Insere-se na face posterior da tíbia proximal, acima da linha do sóleo. O tendão passa pelo hiato poplíteo e se torna intra-articular. O ligamento arqueado é a condensação das fibras da origem do poplíteo em Y.

A função tem duas faces que a prova opõe. Como músculo, é o rotador medial da tíbia no início da flexão, quem destrava o joelho. Como estabilizador, segura a rotação externa da tíbia: o Netter (aprox. p. 288 e 319) o chama de restritor primário da rotação lateral do joelho, que resiste também ao varo e à translação posterior. Quem roda para dentro é quem impede de rodar para fora. O popliteofibular, da junção musculotendínea à cabeça da fíbula, é o restritor estático primário da rotação lateral (Netter); a sua divisão posterior é a reconstruída.

Nas figuras, o poplíteo é o músculo curto e oblíquo que cruza a parte alta da face posterior da tíbia, acima do sóleo, na vista profunda com o gastrocnêmio rebatido; é inervado pelo nervo tibial, pelo ramo para o poplíteo (Netter, aprox. p. 320 e 321). Na vista do esqueleto, a área pintada na parte proximal posterior da tíbia, acima da linha do sóleo, é a sua inserção.

O ligamento anterolateral

O Campbell (cap. 50, p. 1989 a 1992) descreve o ligamento anterolateral (LAL) como ligamento distinto, presente em 97% dos cadáveres. É extra-articular; nasce na região do epicôndilo lateral (com variantes posterior e proximal, ou anterior e distal, ao LCF) e corre anteroinferiormente até a tíbia proximal, a meio caminho entre o tubérculo de GERDY e a cabeça da fíbula. Dá estabilidade anterolateral, impedindo a subluxação anterior do platô lateral, com efeito mais significativo a 30 e 90 graus de flexão, e é implicado nas fraturas de SEGOND, patognomônicas de lesão do LCA. Na figura lateral, é a faixa fina que desce para a frente, superficial ao tendão poplíteo, enquanto o LCF desce vertical até a fíbula.

O recesso poplíteo e as pregas no corte axial

A figura do fêmur distal visto de baixo, com a cápsula cortada, é do Netter (aprox. p. 294). Do lado lateral, dentro de uma bolsa sinovial que forma o recesso poplíteo, está o tendão do músculo poplíteo, intra-articular, entre o côndilo lateral e o LCF. Na fossa intercondilar, à frente dos cruzados, está a prega sinovial infrapatelar (o ligamento mucoso), resíduo sinovial que cobre o LCA e às vezes precisa ser desbridado para vê-lo (Netter, aprox. p. 285).

Músculos da coxa e da perna em torno do joelho

Cobrança confirmada · 8 questões

A coxa: quadríceps, sartório, grácil e isquiotibiais

O Netter (cap. 8, aprox. p. 238 a 240) dá as tabelas de músculos da coxa que a prova usa nas figuras do joelho. O raciocínio é o dos compartimentos: o anterior é do femoral, o medial do obturatório, o posterior do isquiático.

Músculos da coxa que cruzam o joelho (Netter cap. 8, aprox. p. 238 a 240)
MúsculoOrigemInserçãoNervoAção
sartórioespinha ilíaca anterossuperiorpata de gansofemoralflexão e rotação lateral do quadril
reto femoralespinha ilíaca anteroinferior e margem do acetábulopatela e tuberosidadefemoralflexão da coxa e extensão da perna
vasto lateraltrocanter maior, linha ásperapatela e tuberosidadefemoralextensão
vasto mediallinha intertrocantérica, linha ásperapatela e tuberosidadefemoralextensão; fraco nas desordens patelofemorais
grácilcorpo e ramo inferior do púbispata de gansoobturatórioadução da coxa, flexão e rotação medial da perna
semitendíneotúber isquiáticopata de gansoisquiático (tibial)extensão do quadril e flexão do joelho
semimembranáceotúber isquiáticoposteromedial do côndilo medial da tíbiaisquiático (tibial)idem
bíceps, cabeça longatúber isquiáticocabeça da fíbulaisquiático (tibial)idem
bíceps, cabeça curtalinha áspera e supracondilarfíbula e lateral da tíbiaisquiático (fibular)idem

O reto femoral é o único do quadríceps que cruza o quadril: nasce na espinha ilíaca anteroinferior, de onde pode ser arrancado, e na figura anterior é o ventre central da coxa. O sartório nasce na anterossuperior e cruza em diagonal até a pata de ganso, que é a inserção conjunta de sartório, grácil e semitendíneo na face medial proximal da tíbia; são flexores do joelho com efeito rotatório interno secundário e protegem contra o valgo (Campbell, cap. 50, p. 1984).

A perna: os quatro compartimentos

Compartimentos da perna, músculos e nervos (Netter cap. 9, aprox. p. 314 e 316 a 319)
CompartimentoMúsculosNervoVasos
anteriortibial anterior, extensor longo do hálux, extensor longo dos dedos, fibular terceirofibular profundotibiais anteriores
lateralfibular longo, fibular curtofibular superficial(irrigação pela fibular)
posterior superficialgastrocnêmio, sóleo, plantarnenhum listado no compartimento; músculos inervados pelo tibialnenhum
posterior profundopoplíteo, tibial posterior, flexor longo dos dedos, flexor longo do háluxtibialtibiais posteriores e fibulares

Os músculos que a prova aponta ao redor do joelho (Netter, aprox. p. 316 a 319):

  • Tibial anterior: face lateral da tíbia e GERDY; flexão dorsal e inversão; fibular profundo; testa L4.
  • Gastrocnêmio: côndilos femorais; flexão plantar; a fabela fica no tendão da cabeça lateral, o pequeno sesamoide atrás do côndilo lateral no perfil.
  • Plantar (plantar delgado): linha supracondilar lateral; ventre pequeno e tendão longo, usado como enxerto; tibial. Na vista posterior, é o fuso curto no lado lateral da fossa poplítea.
  • Sóleo: cabeça da fíbula e linha do sóleo.
  • Tibial posterior: tíbia, fíbula e membrana interóssea, no compartimento profundo; flexão plantar e inversão; ruptura leva ao pé plano adquirido.

Nervos em torno do joelho

Cobrança confirmada · 4 questões

Femoral e safeno

O safeno (L2 a L4), ramo sensitivo do femoral, desce superficial à fáscia do sartório e corre risco no acesso medial ao menisco; o seu ramo infrapatelar corre risco no acesso anteromedial e mediano, como na reconstrução do LCA (Netter, aprox. p. 320 e 321). O Campbell (cap. 1, p. 31 e 32) reforça que a posição do ramo varia e nenhuma incisão anteromedial o evita com certeza. O portal posteromedial também ameaça o safeno.

Tibial e fibular comum

O tibial (L4 a S3) desce entre as cabeças do gastrocnêmio até o compartimento posterior profundo e inerva os músculos posteriores, inclusive o poplíteo. O fibular comum (L4 a S2) corre atrás do bíceps e contorna o colo da fíbula, onde é lesado; o Campbell (cap. 50, p. 1985) o coloca 1,5 a 2 cm distal à estiloide da fíbula, profundo e posterior ao tendão do bíceps. Antes de se dividir, só dá o cutâneo sural lateral, sensitivo da face lateral proximal da perna (Netter, aprox. p. 322). Depois:

  • Fibular profundo: no compartimento anterior, junto da artéria tibial anterior, sobre a membrana interóssea; inerva tibial anterior, extensores e fibular terceiro (Netter, aprox. p. 323).
  • Fibular superficial: no compartimento lateral, entre os fibulares e o extensor longo dos dedos; inerva os fibulares e cruza para a frente cerca de 12 cm acima do maléolo lateral.
  • Sural: une o cutâneo sural medial (do tibial) e o lateral (do fibular), corre subcutâneo na face posterolateral e cruza o tendão do calcâneo cerca de 10 cm acima da inserção.

A figura 50.3 do Campbell (p. 1986) mostra a face lateral do joelho com o fibular comum, o cutâneo sural lateral (superficial e posterior), o fibular superficial e o fibular profundo, que mergulha para o compartimento anterior: é a figura que a prova copia quando numera dois nervos ali.

Nervos do joelho e da perna (Netter cap. 9, aprox. p. 307 e 320 a 323)
NervoRaízesTrajetoMotorSensitivo
safenoL2 a L4superficial à fáscia do sartório; ramo infrapatelarnenhum na pernainfrapatelar e face medial da perna
tibialL4 a S3entre as cabeças do gastrocnêmio; posterior profundoposteriores superficial e profundo, poplíteovia cutâneo sural medial
fibular comumL4 a S2atrás do bíceps, em volta do colo da fíbulanenhum antes de dividirvia cutâneo sural lateral
fibular profundoramo do comumcompartimento anterior, com a tibial anterior, sobre a membranatibial anterior, extensores, fibular terceironenhum na perna
fibular superficialramo do comumcompartimento lateral; cruza para a frente 12 cm acima do maléolofibulares longo e curtoanterolateral da perna
suralmedial + lateralsubcutâneo posterolateralnenhumposterolateral distal e região lateral do calcanhar

Artérias

Cobrança confirmada · 1 questão

A artéria poplítea começa no hiato dos adutores, segue pela fossa poplítea posterior ao LCP, onde pode ser lesada, e termina perto do poplíteo dividindo-se em tibial anterior e tibial posterior (Netter, aprox. p. 324). Ao redor do joelho dá cinco geniculares:

Artérias do joelho (Netter cap. 9, aprox. p. 324 e 325; Campbell caps. 1 e 50)
ArtériaOrigemComentário
descendente do joelho (genicular descendente)femoral, no canal dos adutoresramos articular e safeno; o subvasto preserva o seu ramo articular
superior medial do joelhopoplíteacontorna o côndilo medial acima da linha, por baixo dos isquiotibiais
superior lateral do joelhopoplíteaem risco na liberação lateral; cauterizada na artroplastia
média do joelhopoplíteaperfura a cápsula posterior; irriga LCA, LCP e sinóvia
inferior medial do joelhopoplíteacontribui para o coxim gorduroso (LCA) e para os meniscos
inferior lateral do joelhopoplíteaentre as lâminas superficial e profunda da 3ª camada lateral; entre o LCF e o menisco
recorrente tibial anterior e posteriortibiaisanastomose em volta do joelho

As quatro geniculares, superiores e inferiores, anastomosam-se em volta do joelho e da patela e alimentam o plexo perimeniscal (Netter). Na figura medial do joelho, a artéria que contorna o fêmur logo acima do côndilo medial, saindo da poplítea por baixo dos isquiotibiais, é a genicular superior medial; a descendente do joelho vem de cima, da femoral, mais anterior, junto ao safeno; a femoral profunda e a circunflexa femoral medial ficam no alto da coxa. O Campbell (cap. 1, p. 31 e 46) lembra que o acesso subvasto preserva o ramo articular da descendente do joelho e que, na via posterior direta, as geniculares superolateral e superomedial passam por baixo dos isquiotibiais logo acima das cabeças do gastrocnêmio.

A articulação patelofemoral e a tibiofibular proximal

Fundamento

A patela aumenta o braço de momento do mecanismo extensor (Netter, aprox. p. 295); o braço é máximo entre 20 e 30 graus (Campbell, cap. 8, p. 413). Ela se encaixa na tróclea aos 20 graus e está totalmente encaixada aos 40, com o contato subindo na flexão. As forças chegam a 3 vezes o peso ao subir escadas e 7 vezes em flexão máxima. Tróclea plana, côndilo lateral hipoplásico e ângulo Q aumentado predispõem à luxação, e o ligamento patelofemoral medial, da patela ao epicôndilo medial, é o estabilizador primário contra a luxação lateral. Na tibiofibular proximal, o ligamento anterior é mais forte, e a luxação indica trauma de alta energia (Netter, aprox. p. 297).

Exame físico que depende da anatomia

Relevância clínica

Cada teste do joelho é uma pergunta à anatomia: qual estrutura impede aquele movimento naquela posição. O Netter (aprox. p. 306 a 312) traz as tabelas; o Campbell (cap. 50, p. 2015 a 2023) explica os mecanismos.

Palpação e meniscos

Dor na linha articular medial sugere lesão do menisco medial ou do LCT; na lateral, do menisco lateral ou do LCF. A palpação da linha articular é o exame de maior sensibilidade para lesão meniscal quando dolorosa. O MCMURRAY combina flexão, rotação e extensão para pinçar o menisco; o APLEY comprime e roda em prono a 90 graus. A dor posterior com lesão do corno posterior é o reflexo do local mais comum da ruptura.

LCA

Testes ligamentares e o que cada um isola (Netter cap. 9, aprox. p. 309 a 312; Campbell cap. 50)
TestePosiçãoPositivo indica
LACHMAN20 a 30 graus, tíbia puxada à frenteLCA; o mais sensível (95%); graus 1 (0 a 5 mm), 2 (6 a 10), 3 (mais de 10)
gaveta anterior90 grausLCA
pivot shiftextensão, rotação medial, valgo, flexionarLCA: tíbia subluxada reduz com estalo na flexão
gaveta posterior90 graus, empurrar a tíbiaLCP
sag posteriorquadril 45, joelho 90LCP: tíbia cai pela gravidade
contração do quadríceps90 grausLCP: tíbia subluxada vem à frente
pivot shift reverso45 graus, rotação lateral, valgo, estenderLCP (e canto posterolateral)
estresse em valgo30 graus e 0 graufrouxo a 30: LCT; frouxo a 0: LCT e cruzado
estresse em varo30 graus e 0 graufrouxo a 30: LCF; frouxo a 0: LCF e cruzado
dial (rotação lateral em prono)30 e 90 graussó a 30: canto posterolateral; a 30 e 90: canto e LCP
recurvato em rotação lateralsuspender pelos dedoscanto posterolateral, com ou sem LCP
SLOCUM90 graus, tíbia em RM 30 ou RL 30, força anteriorRM: LCA e canto lateral; RL: LCA, LCT e oblíquo posterior
gaveta posterolateral90 graus, RL 15canto posterolateral e/ou LCP
gaveta posteromedial90 graus, RM 30LCP e estruturas mediais

O Campbell (cap. 50, p. 2066) dá 95% de sensibilidade ao LACHMAN e lembra que o pivot shift é mais fácil de provocar na lesão crônica ou sob anestesia. O pivot shift reproduz a falha: sem LCA, a tíbia começa subluxada para a frente em extensão e reduz com estalo ao flexionar. O pivot shift reverso é o espelho: a tíbia está subluxada para trás em flexão e rotação externa e reduz ao estender; francamente positivo, sugere ruptura do LCP, do complexo arqueado e do LCF (Campbell, p. 2022).

Colaterais e canto posterolateral

A regra dos 30 graus é anatômica: a 30 graus a cápsula posterior e os cruzados estão frouxos e o colateral é testado isoladamente; se o joelho abre também em extensão total, a lesão inclui a cápsula posterior e um cruzado.

O teste do dial compara a rotação externa dos dois pés a 30 e a 90 graus. O Campbell (p. 2023) considera patológica uma diferença de 10 graus. Mais rotação só a 30 graus indica lesão isolada do canto posterolateral; mais rotação a 30 e a 90 indica canto posterolateral e LCP, porque a 90 graus o LCP intacto ainda segura a rotação. O teste é pouco confiável com instabilidade medial, porque a rotação externa aumentada pode vir do platô medial indo para a frente.

Portais e vias de acesso

Fundamento

Os portais artroscópicos são anatomia aplicada direta (Netter, aprox. p. 347):

Portais artroscópicos do joelho (Netter cap. 9, aprox. p. 346 e 347)
PortalPosiçãoRiscoUso
anterolaterallogo acima da linha, 1 cm abaixo da patela e 1 cm lateral ao ligamento da patelacorno anterior do menisco lateralo mais usado para o artroscópio
anteromedialidem, 1 cm medialcorno anterior do menisco medialo mais usado para instrumentos; vê o compartimento lateral
superolateral e superomedial2,5 cm acima da linha, ao lado do tendão do quadrícepspatelofemoral, alinhamento, influxo e efluxo
posteromedialjoelho a 90 graus, 1 cm acima da linha, atrás do LCTnervo safenoLCP, cornos posteriores, corpos livres
posterolateraljoelho fletido, 1 cm acima da linha, atrás do LCFnervo fibularidem
transpatelar1 cm abaixo do ápice da patela, na linha médialigamento da patelaarticulação central e fossa

O acesso parapatelar medial é o mais usado; não tem plano internervoso e o risco é o ramo infrapatelar do safeno, que pode formar neuroma (Netter, aprox. p. 346). Na artroplastia, libera-se o lado côncavo: no varo, LCT profundo, cápsula posteromedial com o semimembranáceo e LCT superficial; no valgo, cápsula lateral, trato iliotibial (tenso em extensão), poplíteo (tenso em flexão) e LCF (Netter, aprox. p. 338).

Fechamento

Fundamento

O joelho é instável por forma e estável por partes moles, e quase tudo o que cai se organiza em camadas. No canto posteromedial: o oblíquo posterior (espessamento capsular de HUGHSTON), o semimembranáceo com cinco expansões, a primeira o poplíteo oblíquo, e o corno posterior do menisco medial. No canto posterolateral: LCF, tendão poplíteo e popliteofibular, contra o varo e a rotação externa; à frente deles, o ligamento anterolateral, extra-articular, a 30 e 90 graus.

No centro, o LCA (AM em flexão, PL em extensão) vive da genicular média; o LCP é o eixo da rotação e tem a companhia inconstante de HUMPHREY (à frente) e WRISBERG (atrás), ligados ao menisco lateral. O platô lateral é convexo, e o menisco lateral, circular e móvel, é o que dá concavidade a ele. Em volta, os compartimentos da perna têm cada um o seu nervo: anterior com o fibular profundo e a tibial anterior, lateral com o fibular superficial, posteriores com o tibial; a fabela está no gastrocnêmio lateral; o plantar nasce na linha supracondilar lateral; o poplíteo destrava o joelho rodando a tíbia para dentro.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando