Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo é inspirado no capítulo 9 (Perna/Joelho) do Netter's Concise Orthopaedic Anatomy, 2ª edição, de Jon C. THOMPSON, com ilustrações de Frank H. NETTER, publicado no Brasil como Netter Atlas de Anatomia Ortopédica: um atlas de tabelas com fixação, função e comentário clínico de cada estrutura. Onde ele é econômico (canto posteromedial, semimembranáceo, ligamento anterolateral, via de LOBENHOFFER, irrigação do LCA), a fonte complementar é o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição, capítulos 50 (Knee Injuries, de BERNHOLT e AZAR) e 1 (vias de acesso).
A prova cobra de dois modos: a figura com seta (um músculo, uma inserção pintada na tíbia, um nervo junto à fíbula, uma artéria genicular) e a anatomia funcional (quem segura a rotação externa, onde fica o ligamento anterolateral, qual é a primeira expansão do semimembranáceo). As duas se resolvem com quatro mapas: as camadas medial e lateral, as origens e inserções em torno do joelho, os compartimentos da perna com os seus nervos e as artérias geniculares.
Ossos: fêmur distal, tíbia proximal e patela
Cobrança confirmada · 1 questão
O fêmur distal
O fêmur distal tem dois côndilos que não são simétricos, e é dessa assimetria que nasce quase toda a mecânica do joelho. O Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 9, aprox. p. 269), descreve o côndilo medial como maior e mais posterior e o lateral como mais anterior e proximal. Os côndilos são arredondados atrás, para permitir a flexão, e planos na frente, para o apoio em extensão. Os epicôndilos recebem os ligamentos colaterais, e o eixo epicondilar e o eixo condilar posterior são as referências usadas para definir a rotação do componente femoral na artroplastia. No côndilo lateral há o sulco terminal; a área logo abaixo dele é a porção de carga do côndilo. O tubérculo do adutor, no alto do epicôndilo medial, recebe o adutor magno e é a âncora de origem do ligamento oblíquo posterior. A fise distal do fêmur aparece ao nascimento, funde por volta dos 19 anos e cresce cerca de 7 mm por ano.
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1983), acrescenta a geometria fina: a superfície articular do côndilo medial é mais longa, a do lateral é mais larga; o eixo longo do côndilo lateral é praticamente sagital, enquanto o medial é angulado em média 22 graus. Entre os côndilos, na frente, fica a tróclea; atrás, a fossa intercondilar, onde se fixam os cruzados.
A tíbia proximal: o platô lateral é convexo
O ponto mais cobrado dos ossos é a forma dos platôs. O Netter (cap. 9, aprox. p. 271) diz em uma linha: faceta medial côncava, faceta lateral convexa, com 7 a 10 graus de inclinação posterior. O Campbell (cap. 50, p. 1983 e 1984) chama de "sutil concavidade" medial e "sutil convexidade" lateral e resume com uma imagem que ajuda a lembrar: no lado medial, o fêmur é uma roda sobre superfície plana; no lateral, uma roda sobre uma cúpula. Como as superfícies não são congruentes, quem dá estabilidade são os ligamentos e os meniscos. O mesmo raciocínio explica por que a meniscectomia lateral é tão mais danosa que a medial (ver a seção dos meniscos): tirar o calço de um platô convexo concentra a carga num ponto.
Os outros marcos da tíbia proximal estão na tabela abaixo. O Netter lembra ainda que as fraturas do platô lateral são as mais comuns e que a avulsão dos tubérculos intercondilares na criança envolve o LCA.
A patela e a fíbula proximal
A patela é o maior sesamoide, com faceta lateral maior e medial menor e uma faceta acessória medial que só articula em flexão profunda; a patela bipartida é falha de fusão superolateral, confundida com fratura; a cartilagem passa de 5 mm (Netter, aprox. p. 268 e 269). Na fíbula, a cabeça recebe o LCF e o bíceps, e o colo tem o sulco do nervo fibular (aprox. p. 271).
| Marco | O que se fixa ali | Detalhe que cai |
|---|---|---|
| tubérculo do adutor | adutor magno; origem do oblíquo posterior | posterior e proximal ao epicôndilo medial |
| epicôndilo medial | LCT (colateral medial) superficial | origem; inserção 5 a 7 cm abaixo da linha (Netter) |
| epicôndilo lateral | LCF | poplíteo nasce anterior e distal a ele |
| área intercondilar anterior | LCA | à frente da eminência |
| área intercondilar posterior | LCP | abaixo da linha articular |
| tuberosidade da tíbia | ligamento da patela | 3 cm abaixo da linha; OSGOOD-SCHLATTER |
| tubérculo de GERDY | trato iliotibial | anterolateral, epífise proximal |
| face posteromedial do côndilo medial | semimembranáceo (cabeça direta) | sulco próprio |
| face posterior da tíbia proximal | poplíteo | inserção triangular, acima da linha do sóleo |
| cabeça da fíbula | bíceps, LCF, popliteofibular, arqueado, fabelofibular | colo com o nervo fibular |
Eixos, alinhamento e o ângulo Q
Cobrança confirmada · 2 questões
Os eixos do membro inferior
O Netter (cap. 9, aprox. p. 272 e 273) define cada linha com precisão, e a prova costuma trocar uma pela outra:
- Eixo anatômico do fêmur e da tíbia: a linha ao longo do corpo de cada osso.
- Eixo mecânico do fêmur: do centro da cabeça femoral à fossa intercondilar.
- Eixo mecânico da tíbia: do centro do joelho ao centro da mortalha do tornozelo; normalmente coincide com o eixo anatômico da tíbia, salvo deformidade.
- Eixo do joelho: linha pela face inferior dos dois côndilos, paralela ao solo.
As relações estão na tabela. O Netter completa (aprox. p. 283) que o eixo mecânico do fêmur fica em 3 graus de valgo em relação ao vertical e o da tíbia em 3 graus de varo. O Campbell (cap. 50, p. 1983) dá 5 a 7 graus entre mecânico e anatômico, diferença compensada pela projeção distal do côndilo medial. O alinhamento radiográfico normal é de 6 graus de valgo, com carga (Netter, aprox. p. 303).
| Medida | Valor |
|---|---|
| eixo mecânico do fêmur x anatômico | 6 graus em média (Campbell: 5 a 7) |
| eixo mecânico do fêmur x vertical | cerca de 3 graus (valgo) |
| eixo mecânico da tíbia x vertical | cerca de 3 graus (varo) |
| ângulo lateral distal do fêmur | 81 graus (anatômico) e 87 (mecânico) |
| ângulo medial proximal da tíbia | 87 graus (mecânico) |
| alinhamento radiográfico normal | 6 graus de valgo, com carga |
| inclinação posterior do platô | 7 a 10 graus |
O ângulo Q
O ângulo Q é a pergunta clássica de figura: duas linhas que se cruzam no centro da patela. O Netter (aprox. p. 303 e 304) o define pela espinha ilíaca anterossuperior ao ponto central da patela e do centro da patela à tuberosidade da tíbia, com normal de até 10 graus no homem e até 15 na mulher; o aumento predispõe à subluxação da patela e aos sintomas patelofemorais. O Campbell (cap. 8, p. 413), citando HVID, define-o como o ângulo entre o eixo anatômico estendido do fêmur e a linha centro da patela e tubérculo tibial, desenhando as mesmas duas linhas (EIAS ao centro da patela e tubérculo ao centro da patela). Os limites divergem: no Campbell (p. 421), é anormal acima de 15 graus no homem e 20 na mulher. A ideia que não muda: quanto maior o ângulo Q, maior o vetor que puxa a patela para fora.
A osteotomia tibial alta segundo COVENTRY
Os eixos explicam a osteotomia. No joelho varo com artrose medial, a osteotomia tibial proximal valgizante transfere a carga para o compartimento lateral (Netter, aprox. p. 337). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 10, p. 501), descreve a osteotomia em cunha de fechamento de COVENTRY, proximal à tuberosidade, e registra que a falha aumenta se o alinhamento não for hipercorrigido a pelo menos 8 graus de valgo e se o paciente tiver obesidade importante; o planejamento soma 3 a 5 graus de hipercorreção à correção para o normal, chegando a cerca de 10 graus de valgo. Daí a resposta "8 a 10 graus".
Cinemática: rolar, deslizar e o "screw home"
Fundamento
O Netter (aprox. p. 283 e 284) lembra que o joelho tem três articulações (duas femorotibiais condilares e a patelofemoral, selar) e seis graus de movimento. A forma óssea dá pouca estabilidade; quem estabiliza são os estáticos (ligamentos, cápsula, meniscos) e os dinâmicos (músculos), que compensam quando um estático falha. A flexão combina rolamento, que predomina no início (os primeiros 20 graus, pelo Campbell, cap. 50, p. 1983), e deslizamento, que cresce na flexão profunda. Os cruzados controlam essa relação, e o LCP sozinho consegue mantê-la, base da prótese com retenção do LCP.
O "screw home" trava o joelho em extensão. O Netter descreve pela tíbia, que roda lateralmente na extensão final, tensionando os cruzados; o Campbell descreve pelo fêmur, que roda internamente sobre a tíbia até usar toda a superfície do côndilo medial, com eixo perto do côndilo medial e guiado pelo LCP. É o mesmo movimento em referenciais diferentes. Para destravar, o poplíteo roda a tíbia medialmente (Netter).
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| extensão e flexão | -5 a 140 graus (Netter); 0 a 140, com 5 a 10 de hiperextensão (Campbell) |
| levantar da cadeira | 115 graus |
| correr rápido | 130 graus |
| rotação passiva com o joelho a 90 graus | até 25 a 30 graus; interna maior que externa (Campbell) |
| rotação em extensão total | nenhuma (Campbell) |
| translação anteroposterior normal | até 2 mm de diferença para o outro lado (Netter); até 3 a 5 mm (Campbell) |
| abertura em varo e valgo | cerca de 5 mm (Netter); até 6 a 8 graus em extensão e 15 em flexão (Campbell) |
O poplíteo (lateral) e o semimembranáceo (medial) retraem os meniscos para trás na flexão. Na rotação interna os cruzados se enrolam e ficam tensos; na rotação externa são os colaterais que se cruzam e se tensionam (Campbell, cap. 50, p. 1994).
Ligamentos cruzados e meniscofemorais
Cobrança confirmada · 2 questões
O ligamento cruzado anterior
Pelo Netter (aprox. p. 285), o LCA vai da face posteromedial do côndilo lateral do fêmur à região anterior da eminência intercondilar da tíbia. É o restritor primário da translação anterior da tíbia e secundário do varo em extensão e da rotação medial. Os cruzados são intra-articulares, mas extrassinoviais, porque a sinóvia os envolve (Netter, aprox. p. 283); o Campbell (cap. 50, p. 2065) chama o LCA de extrassinovial pelo mesmo motivo.
Os dois feixes recebem o nome da inserção tibial: o anteromedial (AM) e o posterolateral (PL). A inserção tibial mede cerca de 10 por 14 mm; na femoral, a crista intercondilar lateral ("do residente") é o limite anterior e a crista bifurcada separa os feixes (Campbell). O AM fica tenso em flexão e o PL tenso em extensão (Netter e Campbell concordam). O Campbell completa: o LCA responde por cerca de 85% da resistência à gaveta anterior a 90 graus; o PL é a principal resistência à hiperextensão; a tensão é mínima entre 30 e 40 graus.
Quem irriga o LCA
A artéria genicular média. O Netter (aprox. p. 324) diz que ela irriga o LCA, o LCP e a membrana sinovial. O Campbell (cap. 50, p. 2065 e 2066) detalha: é o suprimento primário, perfura a cápsula posterior e entra na fossa intercondilar perto da inserção femoral; há suprimento adicional do coxim gorduroso retropatelar pelas geniculares inferiores medial e lateral, importante quando o ligamento se lesa; as inserções ósseas contribuem pouco. O capítulo 1 do Campbell (p. 35 e 37) lembra que a genicular média corre no septo mediano posterior, junto ao LCP extrassinovial, e nutre a fossa intercondilar.
O túnel tibial na reconstrução
O Campbell (cap. 50, p. 2078) discute a posição dos túneis. Um túnel femoral muito anterior "captura" o joelho e perde flexão; um posterior dá um enxerto tenso em extensão. Na tíbia, o túnel no centro da inserção é mais anatômico, mas não isométrico; colocar o enxerto na porção posterior da inserção tibial, perto da posição do feixe posterolateral, reproduz melhor a função do LCA intacto e diminui o impacto do enxerto no teto da fossa em extensão, que acontece com o túnel anterior. Essa é a base da afirmação "o túnel tibial deve ficar no sítio do feixe posterolateral".
O ligamento cruzado posterior
O LCP, pelo Netter (aprox. p. 286 e 287), vai da face lateral do côndilo medial (dentro da fossa) à região posterior e proximal da tíbia, abaixo da linha articular. É o restritor primário da translação posterior e secundário do varo, do valgo e da rotação lateral. O feixe anterolateral fica tenso na flexão; o posteromedial, na extensão. O Campbell (cap. 50, p. 2098 e 2099) concorda e quantifica: o anterolateral é o maior e mais forte; o LCP responde por 89% da resistência à translação posterior; é mais vertical que oblíquo e funciona como o eixo da rotação do joelho, guiando o "screw home". O Campbell descreve o LCP como intrassinovial mas extra-articular, enquanto o Netter agrupa os dois cruzados como intra-articulares e extrassinoviais; a prova costuma usar a fórmula do Netter.
O mecanismo clássico de lesão isolada é o trauma do painel com o joelho fletido (Campbell). No exame, a tíbia normal fica 5 a 10 mm à frente do côndilo medial; no LCP roto esse degrau some.
Os meniscofemorais de HUMPHREY e WRISBERG
Vão do corno posterior do menisco lateral ao côndilo medial do fêmur, acompanhando o LCP. O de HUMPHREY passa anterior ao LCP; o de WRISBERG, posterior. São inconstantes e raramente estão os dois presentes; contribuem para a função do LCP e estabilizam o menisco lateral (Netter, aprox. p. 287). O Campbell acrescenta que somam cerca de 22% da área do LCP e funcionam como restritores secundários da translação posterior. A pegadinha recorrente: eles se ligam ao menisco lateral, nunca ao medial.
| Estrutura | Fêmur | Tíbia ou menisco | Função |
|---|---|---|---|
| LCA | face posteromedial do côndilo lateral | área anterior da eminência | primário da translação anterior; secundário de varo em extensão e rotação medial |
| feixe AM do LCA | mais proximal e anterior | anteromedial | tenso em flexão |
| feixe PL do LCA | mais distal e posterior | posterolateral | tenso em extensão; resiste à hiperextensão |
| LCP | face lateral do côndilo medial | posterior, abaixo da linha articular | primário da translação posterior (89%) |
| feixe anterolateral do LCP | anterior no côndilo | lateral | tenso em flexão; o maior |
| feixe posteromedial do LCP | posterior no côndilo | medial | tenso em extensão |
| HUMPHREY | côndilo medial | corno posterior do menisco lateral | anterior ao LCP |
| WRISBERG | côndilo medial | corno posterior do menisco lateral | posterior ao LCP |
Meniscos
Cobrança confirmada · 1 questão
Estrutura e irrigação
Os meniscos são discos de fibrocartilagem triangulares em corte, mais espessos na periferia. O colágeno é principalmente do tipo 1. A camada profunda tem fibras circunferenciais, que dissipam as forças em "aro", e fibras radiais, que amarram as circunferenciais (Netter, aprox. p. 292). Pelo Campbell (cap. 50, p. 1995), a tensão circunferencial ("aros de barril") segura o menisco entre os ossos; um corte radial até a cápsula ou uma lesão da raiz equivale a uma meniscectomia.
A irrigação vem das quatro geniculares (superiores e inferiores, medial e lateral), que formam o plexo perimeniscal na sinóvia e na cápsula. Só a periferia é vascular: 10 a 30% da largura no medial e 10 a 25% no lateral. Daí as três zonas, que o Netter dá em milímetros: vermelha até 3 mm da junção capsular (a maioria cicatriza), vermelha-branca de 3 a 5 mm (algumas cicatrizam) e branca além de 5 mm (a maioria não cicatriza); os dois terços centrais se nutrem do líquido sinovial. O Campbell mostra que, no canto posterolateral do menisco lateral, a periferia não tem vasos justamente onde passa o tendão poplíteo.
Medial em C, lateral circular
| Característica | Medial | Lateral |
|---|---|---|
| forma | C, raio maior, corno posterior mais largo | quase circular, cobre até 2/3 do platô |
| mobilidade | menos móvel | mais móvel |
| fixação periférica | firme: coronários e LCT profundo | frouxa; sem fixação no hiato poplíteo |
| raiz anterior | à frente da eminência e do LCA | junto ao LCA, à frente da eminência |
| raiz posterior | imediatamente à frente do LCP | atrás da eminência, à frente da raiz posterior medial |
| ligações especiais | semimembranáceo, cápsula posteromedial | poplíteo e meniscofemorais (HUMPHREY, WRISBERG) |
| papel extra | corno posterior: restritor secundário da translação anterior, primário sem LCA | carrega cerca de 70% da carga do lado lateral |
| meniscectomia | área -50 a 70%; estresse +100% | área -40 a 50%; estresse +200 a 300% |
O medial, preso à cápsula e ao LCT profundo, não foge do côndilo na rotação e rompe mais, sobretudo no corno posterior; o lateral, ligado ao poplíteo e aos meniscofemorais, acompanha o côndilo (Campbell, p. 1996). O corno posterior do menisco medial é o "calço" da tíbia: secundário na translação anterior, principal quando o LCA falta (Netter, aprox. p. 290). Os meniscos recebem 50% da carga em extensão e 85% em flexão e servem também à congruência, à lubrificação, à nutrição e à propriocepção (Netter, aprox. p. 293).
As inserções na vista superior da tíbia
A figura do platô visto de cima, com as áreas de fixação pintadas, é uma pergunta clássica. Da frente para trás, na linha média: raiz anterior do menisco medial, bem à frente; LCA e raiz anterior do menisco lateral, lado a lado à frente da eminência; a eminência; raiz posterior do menisco lateral; raiz posterior do menisco medial; e, mais atrás e mais baixo, na borda posterior, o LCP (Campbell, p. 1996; Netter, aprox. p. 270). Quem orienta é o LCP: ele é a fixação mais posterior e desce abaixo da linha articular.
Lado medial e canto posteromedial
Cobrança confirmada · 8 questões
As três camadas mediais
O Netter (aprox. p. 289 e 290) organiza o lado medial em três camadas, a divisão de WARREN e MARSHALL que o Campbell (cap. 50, p. 1987) também usa:
| Camada | Estruturas | Função ou detalhe |
|---|---|---|
| 1, superficial | fáscia do sartório, fáscia lata | o sartório vira lâmina que reveste a pata de ganso |
| entre 1 e 2 | tendões do grácil e do semitendíneo | estabilizadores dinâmicos secundários |
| 2, média | LCT superficial | do epicôndilo medial à tíbia, profundo à pata; primário contra valgo, sobretudo a 30 graus |
| 2, média | fibras oblíquas do LCT (oblíquo posterior) | do tubérculo do adutor à tíbia posterior, corno posterior do menisco e cápsula |
| 2, média | ligamento patelofemoral medial, retináculo medial | primário contra a lateralização da patela |
| 2, média | semimembranáceo | insere-se posteromedialmente; suporte posteromedial |
| 3, profunda | LCT profundo (meniscofemoral e meniscotibial), cápsula | "ligamento capsular medial" ou "do terço médio"; estabiliza o menisco |
| 2 e 3 juntas | oblíquo posterior | confluência das camadas, indistintas atrás |
O LCT superficial é o principal estabilizador contra o valgo, sobretudo a 30 graus (Netter), e resiste também à rotação externa (Campbell, p. 1987). A distância da inserção tibial varia: 5 a 7 cm abaixo da linha no Netter, 7 a 10 cm no texto do Campbell e 6 a 7 cm na via medial de HOPPENFELD do cap. 1; em todas, a inserção é larga e distal, por baixo da pata de ganso. O LCT profundo é o espessamento da cápsula média, com partes meniscofemoral e meniscotibial (o ligamento coronário), e é ele que prende o menisco medial.
O ligamento oblíquo posterior
O oblíquo posterior (LOP) é a estrutura mais importante do canto posteromedial (Campbell, p. 1988). O Campbell registra a descrição original de HUGHSTON: o LOP é um espessamento do ligamento capsular medial, fixo em cima no tubérculo do adutor e embaixo na tíbia e na face posterior da cápsula. Tem três braços: o central (tibial), o mais espesso, que se fixa na borda posterior da tíbia junto à inserção do semimembranáceo e é o que se reconstrói; o superior (capsular), contínuo com a cápsula posterior e com o ligamento poplíteo oblíquo; e o inferior, mal definido, para a bainha do semimembranáceo. O Netter (aprox. p. 290) chama o LOP de fibras oblíquas do LCT e diz que ele é frouxo na flexão, mas fica tenso dinamicamente pela contração do semimembranáceo, e que é a confluência das camadas 2 e 3.
Por isso o canto dá estabilidade estática e dinâmica mesmo com o joelho fletido. O último componente do canto posteromedial é o corno posterior do menisco medial (Campbell, p. 1989).
O semimembranáceo e as suas cinco expansões
O semimembranáceo é o grande estabilizador dinâmico posteromedial. O Campbell (cap. 50, p. 1984 e 1985) descreve cinco expansões distais, e é exatamente essa lista que as provas cobram com uma seta na figura posterior do joelho:
| Ordem | Expansão | Papel |
|---|---|---|
| 1ª | ligamento poplíteo oblíquo | da inserção posteromedial, obliquamente para cima e para fora até a cabeça lateral do gastrocnêmio; reforça a cápsula posterior |
| 2ª | cápsula posterior e corno posterior do menisco medial | tensiona a cápsula e puxa o menisco para trás na flexão |
| 3ª | cabeça anterior (profunda) | corre na borda do côndilo e insere-se sob o LCM superficial, logo abaixo da linha |
| 4ª | cabeça direta | no tubérculo posterior do côndilo medial da tíbia; âncora para suturas no reparo posteromedial |
| 5ª | porção distal | lâmina sobre o poplíteo que se funde ao periósteo medial da tíbia |
A primeira expansão é o ligamento poplíteo oblíquo (LPO): sobe da inserção do semimembranáceo, cruza a face posterior do joelho em direção ao lado lateral e se prende à cápsula e à fabela. A contração do semimembranáceo o tensiona e, com ele, a cápsula posterior; no reparo, puxá-lo para a frente e para dentro retensiona o canto (Campbell). O Netter (aprox. p. 286 e 287) rotula o LPO na figura como expansão tendínea do semimembranáceo, parte do canto posteromedial.
A inserção do semimembranáceo na tíbia é posteromedial, no sulco da face posterior do côndilo medial, e é o que a figura com a área pintada pergunta. Semitendíneo e semimembranáceo nascem do túber isquiático e são inervados pela porção tibial do isquiático; o semitendíneo vai à pata de ganso e é usado nas reconstruções do LCA (Netter, cap. 8, aprox. p. 240).
A via posteromedial de GALLA e LOBENHOFFER
O mesmo canto é a porta de entrada das fraturas posteromediais do platô. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 1, p. 25 e 26), descreve a via de GALLA e LOBENHOFFER, na técnica publicada por FAKLER: incisão longitudinal reta de 6 a 8 cm na borda medial da cabeça medial do gastrocnêmio, a partir da linha articular; abre-se a fáscia poplítea; a cabeça medial do gastrocnêmio é liberada e afastada lateralmente, e o complexo do semimembranáceo é afastado medialmente; acha-se a borda superior do poplíteo e descola-se subperiostealmente, expondo o platô posteromedial. A vantagem anatômica é que o intervalo entre o semimembranáceo e o gastrocnêmio medial não exige dissecar o feixe neurovascular poplíteo, que fica protegido atrás da cabeça medial do gastrocnêmio.
Não confundir com a via de BANKS e LAUFMAN, em prono, que usa o intervalo entre o semitendíneo e a cabeça medial do gastrocnêmio.
Lado lateral, canto posterolateral e ligamento anterolateral
Cobrança confirmada · 12 questões
As camadas laterais
O Netter (aprox. p. 287 a 289) também divide o lado lateral em três camadas, a classificação de SEEBACHER que o Campbell (cap. 50, p. 1989) reproduz. A diferença é que a terceira camada se subdivide em lâmina superficial e lâmina profunda, separadas pela artéria genicular inferior lateral, um marco que cai.
| Camada | Estruturas | Função ou detalhe |
|---|---|---|
| 1 | trato iliotibial | GERDY, patela e tubérculo supracondilar; posterior na flexão, anterior na extensão |
| 1 | bíceps femoral (porção superficial) | na cabeça da fíbula, lateral ao LCF; roda a tíbia lateralmente; nervo fibular na face profunda, atrás do tendão |
| 2 | retináculo lateral, ligamento patelofemoral lateral | liberação quando encurtado inclina a patela |
| 3, lâmina superficial | LCF; ligamento fabelofibular | LCF primário contra varo; fabelofibular inconstante ("colateral curto") |
| entre as lâminas | artéria genicular inferior lateral | separa superficial e profunda |
| 3, lâmina profunda | tendão poplíteo; popliteofibular; ligamento arqueado; cápsula | rotação externa, varo e translação posterior |
O trato iliotibial e o bíceps
O trato iliotibial insere-se no tubérculo de GERDY, na face anterolateral do côndilo lateral da tíbia; o Netter (aprox. p. 271 e 288) o chama de "ligamento anterolateral acessório". O Campbell (cap. 50, p. 1986) descreve as fibras de KAPLAN, que restringem a rotação interna da tíbia; o trato vai para a frente na extensão e para trás na flexão.
O bíceps femoral é o único isquiotibial lateral, flexor do joelho que roda a tíbia externamente. A cabeça longa nasce do túber isquiático (porção tibial do isquiático); a cabeça curta nasce da linha áspera e da linha supracondilar lateral e é inervada pela porção fibular (Netter, cap. 8, aprox. p. 240). As duas terminam na cabeça da fíbula, lateral ao LCF, e a borda distal do braço capsular da cabeça curta é o ligamento fabelofibular (Campbell).
O canto posterolateral e o poplíteo
O Netter (aprox. p. 289) dá a frase que resolve a pergunta do canto: o ligamento colateral fibular, o músculo poplíteo e o ligamento popliteofibular são as estruturas mais consistentes e o foco da reconstrução. A maioria das estruturas posterolaterais estabiliza contra o varo e a rotação lateral e é secundária na translação posterior. O complexo arqueado reúne LCF, ligamento poplíteo arqueado, músculo poplíteo e cabeça lateral do gastrocnêmio.
O LCF, do epicôndilo lateral à cabeça da fíbula, com cerca de 70 mm, é o estabilizador estático primário contra o varo entre 0 e 30 graus e resiste à rotação externa perto da extensão (Campbell, p. 1990).
O poplíteo tem três origens (Campbell, p. 1986): a principal no côndilo lateral do fêmur, anterior e distal à inserção do LCF; a fíbula, pelo popliteofibular; e o corno posterior do menisco lateral. Insere-se na face posterior da tíbia proximal, acima da linha do sóleo. O tendão passa pelo hiato poplíteo e se torna intra-articular. O ligamento arqueado é a condensação das fibras da origem do poplíteo em Y.
A função tem duas faces que a prova opõe. Como músculo, é o rotador medial da tíbia no início da flexão, quem destrava o joelho. Como estabilizador, segura a rotação externa da tíbia: o Netter (aprox. p. 288 e 319) o chama de restritor primário da rotação lateral do joelho, que resiste também ao varo e à translação posterior. Quem roda para dentro é quem impede de rodar para fora. O popliteofibular, da junção musculotendínea à cabeça da fíbula, é o restritor estático primário da rotação lateral (Netter); a sua divisão posterior é a reconstruída.
Nas figuras, o poplíteo é o músculo curto e oblíquo que cruza a parte alta da face posterior da tíbia, acima do sóleo, na vista profunda com o gastrocnêmio rebatido; é inervado pelo nervo tibial, pelo ramo para o poplíteo (Netter, aprox. p. 320 e 321). Na vista do esqueleto, a área pintada na parte proximal posterior da tíbia, acima da linha do sóleo, é a sua inserção.
O ligamento anterolateral
O Campbell (cap. 50, p. 1989 a 1992) descreve o ligamento anterolateral (LAL) como ligamento distinto, presente em 97% dos cadáveres. É extra-articular; nasce na região do epicôndilo lateral (com variantes posterior e proximal, ou anterior e distal, ao LCF) e corre anteroinferiormente até a tíbia proximal, a meio caminho entre o tubérculo de GERDY e a cabeça da fíbula. Dá estabilidade anterolateral, impedindo a subluxação anterior do platô lateral, com efeito mais significativo a 30 e 90 graus de flexão, e é implicado nas fraturas de SEGOND, patognomônicas de lesão do LCA. Na figura lateral, é a faixa fina que desce para a frente, superficial ao tendão poplíteo, enquanto o LCF desce vertical até a fíbula.
O recesso poplíteo e as pregas no corte axial
A figura do fêmur distal visto de baixo, com a cápsula cortada, é do Netter (aprox. p. 294). Do lado lateral, dentro de uma bolsa sinovial que forma o recesso poplíteo, está o tendão do músculo poplíteo, intra-articular, entre o côndilo lateral e o LCF. Na fossa intercondilar, à frente dos cruzados, está a prega sinovial infrapatelar (o ligamento mucoso), resíduo sinovial que cobre o LCA e às vezes precisa ser desbridado para vê-lo (Netter, aprox. p. 285).
Músculos da coxa e da perna em torno do joelho
Cobrança confirmada · 8 questões
A coxa: quadríceps, sartório, grácil e isquiotibiais
O Netter (cap. 8, aprox. p. 238 a 240) dá as tabelas de músculos da coxa que a prova usa nas figuras do joelho. O raciocínio é o dos compartimentos: o anterior é do femoral, o medial do obturatório, o posterior do isquiático.
| Músculo | Origem | Inserção | Nervo | Ação |
|---|---|---|---|---|
| sartório | espinha ilíaca anterossuperior | pata de ganso | femoral | flexão e rotação lateral do quadril |
| reto femoral | espinha ilíaca anteroinferior e margem do acetábulo | patela e tuberosidade | femoral | flexão da coxa e extensão da perna |
| vasto lateral | trocanter maior, linha áspera | patela e tuberosidade | femoral | extensão |
| vasto medial | linha intertrocantérica, linha áspera | patela e tuberosidade | femoral | extensão; fraco nas desordens patelofemorais |
| grácil | corpo e ramo inferior do púbis | pata de ganso | obturatório | adução da coxa, flexão e rotação medial da perna |
| semitendíneo | túber isquiático | pata de ganso | isquiático (tibial) | extensão do quadril e flexão do joelho |
| semimembranáceo | túber isquiático | posteromedial do côndilo medial da tíbia | isquiático (tibial) | idem |
| bíceps, cabeça longa | túber isquiático | cabeça da fíbula | isquiático (tibial) | idem |
| bíceps, cabeça curta | linha áspera e supracondilar | fíbula e lateral da tíbia | isquiático (fibular) | idem |
O reto femoral é o único do quadríceps que cruza o quadril: nasce na espinha ilíaca anteroinferior, de onde pode ser arrancado, e na figura anterior é o ventre central da coxa. O sartório nasce na anterossuperior e cruza em diagonal até a pata de ganso, que é a inserção conjunta de sartório, grácil e semitendíneo na face medial proximal da tíbia; são flexores do joelho com efeito rotatório interno secundário e protegem contra o valgo (Campbell, cap. 50, p. 1984).
A perna: os quatro compartimentos
| Compartimento | Músculos | Nervo | Vasos |
|---|---|---|---|
| anterior | tibial anterior, extensor longo do hálux, extensor longo dos dedos, fibular terceiro | fibular profundo | tibiais anteriores |
| lateral | fibular longo, fibular curto | fibular superficial | (irrigação pela fibular) |
| posterior superficial | gastrocnêmio, sóleo, plantar | nenhum listado no compartimento; músculos inervados pelo tibial | nenhum |
| posterior profundo | poplíteo, tibial posterior, flexor longo dos dedos, flexor longo do hálux | tibial | tibiais posteriores e fibulares |
Os músculos que a prova aponta ao redor do joelho (Netter, aprox. p. 316 a 319):
- Tibial anterior: face lateral da tíbia e GERDY; flexão dorsal e inversão; fibular profundo; testa L4.
- Gastrocnêmio: côndilos femorais; flexão plantar; a fabela fica no tendão da cabeça lateral, o pequeno sesamoide atrás do côndilo lateral no perfil.
- Plantar (plantar delgado): linha supracondilar lateral; ventre pequeno e tendão longo, usado como enxerto; tibial. Na vista posterior, é o fuso curto no lado lateral da fossa poplítea.
- Sóleo: cabeça da fíbula e linha do sóleo.
- Tibial posterior: tíbia, fíbula e membrana interóssea, no compartimento profundo; flexão plantar e inversão; ruptura leva ao pé plano adquirido.
Nervos em torno do joelho
Cobrança confirmada · 4 questões
Femoral e safeno
O safeno (L2 a L4), ramo sensitivo do femoral, desce superficial à fáscia do sartório e corre risco no acesso medial ao menisco; o seu ramo infrapatelar corre risco no acesso anteromedial e mediano, como na reconstrução do LCA (Netter, aprox. p. 320 e 321). O Campbell (cap. 1, p. 31 e 32) reforça que a posição do ramo varia e nenhuma incisão anteromedial o evita com certeza. O portal posteromedial também ameaça o safeno.
Tibial e fibular comum
O tibial (L4 a S3) desce entre as cabeças do gastrocnêmio até o compartimento posterior profundo e inerva os músculos posteriores, inclusive o poplíteo. O fibular comum (L4 a S2) corre atrás do bíceps e contorna o colo da fíbula, onde é lesado; o Campbell (cap. 50, p. 1985) o coloca 1,5 a 2 cm distal à estiloide da fíbula, profundo e posterior ao tendão do bíceps. Antes de se dividir, só dá o cutâneo sural lateral, sensitivo da face lateral proximal da perna (Netter, aprox. p. 322). Depois:
- Fibular profundo: no compartimento anterior, junto da artéria tibial anterior, sobre a membrana interóssea; inerva tibial anterior, extensores e fibular terceiro (Netter, aprox. p. 323).
- Fibular superficial: no compartimento lateral, entre os fibulares e o extensor longo dos dedos; inerva os fibulares e cruza para a frente cerca de 12 cm acima do maléolo lateral.
- Sural: une o cutâneo sural medial (do tibial) e o lateral (do fibular), corre subcutâneo na face posterolateral e cruza o tendão do calcâneo cerca de 10 cm acima da inserção.
A figura 50.3 do Campbell (p. 1986) mostra a face lateral do joelho com o fibular comum, o cutâneo sural lateral (superficial e posterior), o fibular superficial e o fibular profundo, que mergulha para o compartimento anterior: é a figura que a prova copia quando numera dois nervos ali.
| Nervo | Raízes | Trajeto | Motor | Sensitivo |
|---|---|---|---|---|
| safeno | L2 a L4 | superficial à fáscia do sartório; ramo infrapatelar | nenhum na perna | infrapatelar e face medial da perna |
| tibial | L4 a S3 | entre as cabeças do gastrocnêmio; posterior profundo | posteriores superficial e profundo, poplíteo | via cutâneo sural medial |
| fibular comum | L4 a S2 | atrás do bíceps, em volta do colo da fíbula | nenhum antes de dividir | via cutâneo sural lateral |
| fibular profundo | ramo do comum | compartimento anterior, com a tibial anterior, sobre a membrana | tibial anterior, extensores, fibular terceiro | nenhum na perna |
| fibular superficial | ramo do comum | compartimento lateral; cruza para a frente 12 cm acima do maléolo | fibulares longo e curto | anterolateral da perna |
| sural | medial + lateral | subcutâneo posterolateral | nenhum | posterolateral distal e região lateral do calcanhar |
Artérias
Cobrança confirmada · 1 questão
A artéria poplítea começa no hiato dos adutores, segue pela fossa poplítea posterior ao LCP, onde pode ser lesada, e termina perto do poplíteo dividindo-se em tibial anterior e tibial posterior (Netter, aprox. p. 324). Ao redor do joelho dá cinco geniculares:
| Artéria | Origem | Comentário |
|---|---|---|
| descendente do joelho (genicular descendente) | femoral, no canal dos adutores | ramos articular e safeno; o subvasto preserva o seu ramo articular |
| superior medial do joelho | poplítea | contorna o côndilo medial acima da linha, por baixo dos isquiotibiais |
| superior lateral do joelho | poplítea | em risco na liberação lateral; cauterizada na artroplastia |
| média do joelho | poplítea | perfura a cápsula posterior; irriga LCA, LCP e sinóvia |
| inferior medial do joelho | poplítea | contribui para o coxim gorduroso (LCA) e para os meniscos |
| inferior lateral do joelho | poplítea | entre as lâminas superficial e profunda da 3ª camada lateral; entre o LCF e o menisco |
| recorrente tibial anterior e posterior | tibiais | anastomose em volta do joelho |
As quatro geniculares, superiores e inferiores, anastomosam-se em volta do joelho e da patela e alimentam o plexo perimeniscal (Netter). Na figura medial do joelho, a artéria que contorna o fêmur logo acima do côndilo medial, saindo da poplítea por baixo dos isquiotibiais, é a genicular superior medial; a descendente do joelho vem de cima, da femoral, mais anterior, junto ao safeno; a femoral profunda e a circunflexa femoral medial ficam no alto da coxa. O Campbell (cap. 1, p. 31 e 46) lembra que o acesso subvasto preserva o ramo articular da descendente do joelho e que, na via posterior direta, as geniculares superolateral e superomedial passam por baixo dos isquiotibiais logo acima das cabeças do gastrocnêmio.
A articulação patelofemoral e a tibiofibular proximal
Fundamento
A patela aumenta o braço de momento do mecanismo extensor (Netter, aprox. p. 295); o braço é máximo entre 20 e 30 graus (Campbell, cap. 8, p. 413). Ela se encaixa na tróclea aos 20 graus e está totalmente encaixada aos 40, com o contato subindo na flexão. As forças chegam a 3 vezes o peso ao subir escadas e 7 vezes em flexão máxima. Tróclea plana, côndilo lateral hipoplásico e ângulo Q aumentado predispõem à luxação, e o ligamento patelofemoral medial, da patela ao epicôndilo medial, é o estabilizador primário contra a luxação lateral. Na tibiofibular proximal, o ligamento anterior é mais forte, e a luxação indica trauma de alta energia (Netter, aprox. p. 297).
Exame físico que depende da anatomia
Relevância clínica
Cada teste do joelho é uma pergunta à anatomia: qual estrutura impede aquele movimento naquela posição. O Netter (aprox. p. 306 a 312) traz as tabelas; o Campbell (cap. 50, p. 2015 a 2023) explica os mecanismos.
Palpação e meniscos
Dor na linha articular medial sugere lesão do menisco medial ou do LCT; na lateral, do menisco lateral ou do LCF. A palpação da linha articular é o exame de maior sensibilidade para lesão meniscal quando dolorosa. O MCMURRAY combina flexão, rotação e extensão para pinçar o menisco; o APLEY comprime e roda em prono a 90 graus. A dor posterior com lesão do corno posterior é o reflexo do local mais comum da ruptura.
LCA
| Teste | Posição | Positivo indica |
|---|---|---|
| LACHMAN | 20 a 30 graus, tíbia puxada à frente | LCA; o mais sensível (95%); graus 1 (0 a 5 mm), 2 (6 a 10), 3 (mais de 10) |
| gaveta anterior | 90 graus | LCA |
| pivot shift | extensão, rotação medial, valgo, flexionar | LCA: tíbia subluxada reduz com estalo na flexão |
| gaveta posterior | 90 graus, empurrar a tíbia | LCP |
| sag posterior | quadril 45, joelho 90 | LCP: tíbia cai pela gravidade |
| contração do quadríceps | 90 graus | LCP: tíbia subluxada vem à frente |
| pivot shift reverso | 45 graus, rotação lateral, valgo, estender | LCP (e canto posterolateral) |
| estresse em valgo | 30 graus e 0 grau | frouxo a 30: LCT; frouxo a 0: LCT e cruzado |
| estresse em varo | 30 graus e 0 grau | frouxo a 30: LCF; frouxo a 0: LCF e cruzado |
| dial (rotação lateral em prono) | 30 e 90 graus | só a 30: canto posterolateral; a 30 e 90: canto e LCP |
| recurvato em rotação lateral | suspender pelos dedos | canto posterolateral, com ou sem LCP |
| SLOCUM | 90 graus, tíbia em RM 30 ou RL 30, força anterior | RM: LCA e canto lateral; RL: LCA, LCT e oblíquo posterior |
| gaveta posterolateral | 90 graus, RL 15 | canto posterolateral e/ou LCP |
| gaveta posteromedial | 90 graus, RM 30 | LCP e estruturas mediais |
O Campbell (cap. 50, p. 2066) dá 95% de sensibilidade ao LACHMAN e lembra que o pivot shift é mais fácil de provocar na lesão crônica ou sob anestesia. O pivot shift reproduz a falha: sem LCA, a tíbia começa subluxada para a frente em extensão e reduz com estalo ao flexionar. O pivot shift reverso é o espelho: a tíbia está subluxada para trás em flexão e rotação externa e reduz ao estender; francamente positivo, sugere ruptura do LCP, do complexo arqueado e do LCF (Campbell, p. 2022).
Colaterais e canto posterolateral
A regra dos 30 graus é anatômica: a 30 graus a cápsula posterior e os cruzados estão frouxos e o colateral é testado isoladamente; se o joelho abre também em extensão total, a lesão inclui a cápsula posterior e um cruzado.
O teste do dial compara a rotação externa dos dois pés a 30 e a 90 graus. O Campbell (p. 2023) considera patológica uma diferença de 10 graus. Mais rotação só a 30 graus indica lesão isolada do canto posterolateral; mais rotação a 30 e a 90 indica canto posterolateral e LCP, porque a 90 graus o LCP intacto ainda segura a rotação. O teste é pouco confiável com instabilidade medial, porque a rotação externa aumentada pode vir do platô medial indo para a frente.
Portais e vias de acesso
Fundamento
Os portais artroscópicos são anatomia aplicada direta (Netter, aprox. p. 347):
| Portal | Posição | Risco | Uso |
|---|---|---|---|
| anterolateral | logo acima da linha, 1 cm abaixo da patela e 1 cm lateral ao ligamento da patela | corno anterior do menisco lateral | o mais usado para o artroscópio |
| anteromedial | idem, 1 cm medial | corno anterior do menisco medial | o mais usado para instrumentos; vê o compartimento lateral |
| superolateral e superomedial | 2,5 cm acima da linha, ao lado do tendão do quadríceps | patelofemoral, alinhamento, influxo e efluxo | |
| posteromedial | joelho a 90 graus, 1 cm acima da linha, atrás do LCT | nervo safeno | LCP, cornos posteriores, corpos livres |
| posterolateral | joelho fletido, 1 cm acima da linha, atrás do LCF | nervo fibular | idem |
| transpatelar | 1 cm abaixo do ápice da patela, na linha média | ligamento da patela | articulação central e fossa |
O acesso parapatelar medial é o mais usado; não tem plano internervoso e o risco é o ramo infrapatelar do safeno, que pode formar neuroma (Netter, aprox. p. 346). Na artroplastia, libera-se o lado côncavo: no varo, LCT profundo, cápsula posteromedial com o semimembranáceo e LCT superficial; no valgo, cápsula lateral, trato iliotibial (tenso em extensão), poplíteo (tenso em flexão) e LCF (Netter, aprox. p. 338).
Fechamento
Fundamento
O joelho é instável por forma e estável por partes moles, e quase tudo o que cai se organiza em camadas. No canto posteromedial: o oblíquo posterior (espessamento capsular de HUGHSTON), o semimembranáceo com cinco expansões, a primeira o poplíteo oblíquo, e o corno posterior do menisco medial. No canto posterolateral: LCF, tendão poplíteo e popliteofibular, contra o varo e a rotação externa; à frente deles, o ligamento anterolateral, extra-articular, a 30 e 90 graus.
No centro, o LCA (AM em flexão, PL em extensão) vive da genicular média; o LCP é o eixo da rotação e tem a companhia inconstante de HUMPHREY (à frente) e WRISBERG (atrás), ligados ao menisco lateral. O platô lateral é convexo, e o menisco lateral, circular e móvel, é o que dá concavidade a ele. Em volta, os compartimentos da perna têm cada um o seu nervo: anterior com o fibular profundo e a tibial anterior, lateral com o fibular superficial, posteriores com o tibial; a fabela está no gastrocnêmio lateral; o plantar nasce na linha supracondilar lateral; o poplíteo destrava o joelho rodando a tíbia para dentro.