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Cifose e doença de SCHEUERMANN

ColunaResumo do capítulo33 min de leitura

Cifose torácica normal de 20 a 45 graus (até 50); postural é flexível, sem cunha, nunca cirúrgica e é o diferencial mais comum; SCHEUERMANN com ápice T7 a T9 (torácico) ou T10 a T12 (toracolombar), início aos 10 a 12 anos, critérios de SORENSEN (cunha maior que 5 graus em três vértebras adjacentes no ápice, irregularidade das placas, estreitamento discal, nódulos de SCHMORL); isquiotibiais tensos, hiperlordose cervical e lombar, dor no ápice que melhora com a maturidade; escoliose em um terço, de 10 a 20 graus e que não progride; espondilólise em 50%; MILWAUKEE no ápice torácico (três pontos), órtese com mais de 50 graus, alguma flexibilidade e pelo menos 1 ano de crescimento; cirurgia com mais de 70 a 75 graus progressivos e dor refratária, posterior com osteotomias de PONTE, de T2 à vértebra sagital estável, sem hipercorrigir (cifose juncional em até 30% a 40%); cifose congênita tipo I (falha de formação) é a mais comum, mais progressiva e a que mais paralisa, órtese não tem papel.

Atualizado em 03/11/2026 · 33 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 10 · Kyphosis, em Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição (2021), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 41). Autores do capítulo: Amy L. McINTOSH e Brandon A. RAMO.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de coluna do Tachdjian, capítulo 10, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 10 (Kyphosis) do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (2021), escrito por Amy L. McINTOSH e Brandon A. RAMO, completado pela seção de cifose congênita do capítulo 9 do mesmo livro e pelo capítulo 41 (Kyphosis) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., de Jeffrey R. SAWYER e William C. WARNER Jr. As páginas citadas são as impressas.

A coluna vista de lado tem uma corcunda normal no tórax. O tema inteiro gira em torno de uma pergunta: essa corcunda está grande demais, e por quê? A resposta separa três adolescentes que chegam ao consultório com o mesmo motivo (as costas redondas):

  • o que tem cifose postural, flexível, sem nenhuma vértebra deformada, que corrige quando ele se endireita;
  • o que tem doença de SCHEUERMANN, uma cifose rígida e angular, com vértebras em cunha no ápice;
  • o que tem uma causa estrutural de outra natureza: vértebra malformada desde o embrião (cifose congênita), infecção (tuberculose), fratura, laminectomia, radioterapia ou displasia.

A banca cobra o tema por portas muito previsíveis:

  • os critérios radiográficos de SORENSEN (de longe o assunto mais repetido);
  • o ápice do tipo torácico (T7 a T9);
  • o diferencial com a cifose postural;
  • a clínica: isquiotibiais tensos, hiperlordoses compensatórias, dor que melhora com o fim do crescimento;
  • a escoliose associada, pequena e que não progride;
  • a órtese de MILWAUKEE e suas indicações;
  • os números da cirurgia (70 a 75 graus, dor refratária).

A cifose congênita aparece menos nas questões desta lista, mas é o assunto em que o erro custa uma paraplegia, e por isso merece leitura com calma.

Como a coluna se dobra: valores normais e mecânica

Cobrança confirmada · 1 questão

O desenvolvimento das curvas

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 10, p. 253), começa pelo bebê, que tem a coluna inteira em flexão. De pé, os músculos antigravitacionais criam as curvas: a cabeça à frente do eixo gera a lordose cervical; os eretores puxando contra pelve e quadris fletidos geram a lordose lombar. O segmento torácico simplesmente fica como estava: a cifose torácica é a flexão do bebê que sobrou.

Quanto é normal

Aqui os dois livros quase concordam, mas não na mesma casa decimal, e isso importa para as questões que pedem um limite.

Valores sagitais normais nos dois livros (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 253; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1629)
ParâmetroTachdjianCampbell
Cifose torácica normal (COBB)20 a 45 graus20 a 50 graus, de T2 ou T3 a T12
Limite superior50 graus, conforme idade e etnia50 graus ou mais já é anormal
Hipercifoseacima do limite superior50 graus ou mais
Lordose lombarnão quantificada31 a 79 graus
Equilíbrio sagital normalnão definido no capítuloprumo do meio de C7 cai no canto posterossuperior de S1
Equilíbrio positivoprumo à frente do sacro
Equilíbrio negativoprumo atrás do sacro

Segundo o Tachdjian, o normal costuma ser ultrapassado na postural e no SCHEUERMANN: o número sozinho não faz diagnóstico; o que separa as duas é a forma das vértebras e a flexibilidade.

Por que a coluna entra em cifose

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 41, p. 1629), dá o raciocínio mecânico mais útil do tema. Na coluna torácica de pé, os corpos vertebrais anteriores ficam em compressão e os elementos posteriores ficam em tração (Fig. 41.2). A estabilidade depende do complexo discal (núcleo e ânulo), dos ligamentos (longitudinal anterior, longitudinal posterior, amarelo, capsulares e interespinhoso) e dos músculos (paravertebrais longos, curtos e abdominais).

Daí saem dois caminhos para a cifose:

  • a coluna anterior não aguenta a compressão e encurta (cunha de SCHEUERMANN, falha de formação congênita, fratura, tuberculose que destrói o corpo);
  • a coluna posterior não aguenta a tração e se alonga relativamente (laminectomia, frouxidão ligamentar, paralisia).

Esse par explica quase toda a cirurgia de cifose: ou se alonga a frente, ou se encurta a parte de trás, e a tendência moderna é encurtar a parte de trás.

As causas, numa lista só

O Tachdjian organiza todas as cifoses no Box 10.1 (p. 254). É a lista que a banca usa para montar alternativas de diagnóstico diferencial.

Classificação das causas de cifose (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, Box 10.1, p. 254)
GrupoExemplos
Posturalinfantil que regride; do adolescente
SCHEUERMANNdoença de SCHEUERMANN
Congênitafalha de formação; falha de segmentação; mista; fusão anterior não infecciosa progressiva
Traumáticafalência óssea ou ligamentar estrutural; secundária a paralisia
Neuromuscularmielomeningocele (do desenvolvimento por paralisia ou congênita)
Iatrogênicapós-laminectomia; pós-radioterapia
Metabólicaosteoporose; osteomalácia; osteogênese imperfeita
Displasia esqueléticaacondroplasia; mucopolissacaridose; neurofibromatose
Doença do colágenosíndrome de MARFAN
Neoplásicabenigna; maligna primária; metastática
Pós-infecciosabacteriana; fúngica; tuberculosa

A cifose postural: o principal diferencial

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O que é

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 10, p. 253), define o dorso curvo postural do adolescente como uma condição benigna, corrigível por forças passivas e ativas. A deformidade é flexível, muito diferente da de SCHEUERMANN. O paciente consegue reduzir a cifose contraindo os eretores da espinha e consegue aplanar a lordose lombar contraindo os abdominais. E, ponto decisivo, as vértebras não mostram as alterações radiográficas de SCHEUERMANN: não há cunha nem alteração apofisária (Fig. 10.1).

Como se trata

A cifose postural responde a orientação dos pais e do paciente e a tratamento não operatório. Exercícios de fortalecimento e alongamento para tronco, abdome, cintura escapular e membros inferiores podem ajudar. A órtese pode ser usada nas deformidades cosméticas extremas. E a frase que a banca adora: como a história natural e as sequelas a longo prazo são benignas, tratamento mais agressivo, inclusive cirurgia, nunca é indicado.

A diferença à beira do leito

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 41, p. 1632), descreve a postural como um aumento discreto da cifose torácica, flexível, que corrige facilmente com um comando verbal ou com a extensão em prono. A radiografia mostra contornos vertebrais normais, sem cunha. A cifose é mais gradual, enquanto a de SCHEUERMANN é angular. O Campbell cita a razão angular de deformidade sagital (cifose máxima dividida pelo número de segmentos): quanto maior, mais focal a curva e mais provável SCHEUERMANN.

Cifose postural contra SCHEUERMANN (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 253 a 255; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1630 a 1632)
AspectoPosturalSCHEUERMANN
Flexibilidadecorrige ativa e passivamenterígida; não corrige com postura nem manipulação
Teste de extensão em pronocorrigenão corrige
Forma da curvaarredondada, gradualangular, focal (razão angular alta)
ADAMS de perfilarredondamento suaveangulação posterior abrupta
Vértebrassem cunha, sem alteração apofisáriacunha maior que 5 graus em três adjacentes, placas irregulares
Tratamentoorientação, exercícios, órtese só se estética extremaexercícios, órtese no imaturo, cirurgia em casos selecionados
Cirurgianuncador, rigidez, mais de 70 a 75 graus

A cifose infantil que regride

No mesmo trecho (p. 253), o Tachdjian descreve uma cifose toracolombar do lactente associada a hipoplasia de L1 ou L2. A história natural é benigna: a "cunha" do corpo vertebral regride quando a criança que só sentava passa a andar e a postura muda para a ereta. Às vezes a condição persiste o bastante para exigir artrodese posterior, mas a regra é observar um período para não operar a forma que se resolve sozinha.

A doença de SCHEUERMANN: definição, tipos e ápice

Cobrança confirmada · 2 questões

A descrição original

Em 1920, SCHEUERMANN identificou as características radiográficas de uma cifose angular fixa, com cunha anterior dos corpos vertebrais e irregularidade das apófises vertebrais (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 253). A deformidade foi descrita primeiro na coluna torácica, que continua sendo a localização mais comum, mas também ocorre na toracolombar e na lombar.

Os tipos pelo ápice

O Tachdjian define os tipos torácico e toracolombar pela localização do ápice:

  • tipo torácico: ápice entre T7 e T9;
  • tipo toracolombar: ápice entre T10 e T12 (Fig. 10.2 mostra vértebras trapezoidais com ápice em T9, numa forma toracolombar com equilíbrio sagital deslocado para trás);
  • SCHEUERMANN lombar: as alterações radiográficas típicas estão lá, mas a clínica pode se resumir à perda da lordose lombar normal (Fig. 10.3).

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 41, Box 41.1, p. 1630), usa outra divisão, em típica e atípica, determinada pela localização e pela história natural.

SCHEUERMANN típica e atípica (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, Box 41.1 e Fig. 41.3, p. 1630 e 1631; Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 253 a 256)
AspectoTípica (torácica)Atípica (toracolombar ou lombar)
Ápicecoluna torácica, geralmente T7 a T9transição toracolombar ou mais caudal (Tachdjian: toracolombar T10 a T12)
Achado radiográfico3 ou mais vértebras consecutivas em cunha (clássica)alterações das placas terminais, nódulos de SCHMORL, estreitamento discal
Cunha vertebralpresentena lombar, ausente, sem cifose (Campbell)
Frequênciaa mais comummenos comum
Associaçãoescoliose pequenaespondilólise e espondilolistese
Clínicadorso curvo, dor no ápicedor lombar mecânica, perda da lordose

O jeito de guardar: o ápice torácico fica no meio do tórax, T7 a T9; T11 a L1 já é território do tipo toracolombar.

Epidemiologia e causa

Fundamento

Quem tem

O Tachdjian (p. 254) relata incidência entre 0,4% e 10% dos adolescentes de 10 a 14 anos. O início é no estirão pré-puberal, ficando aparente por volta dos 10 a 12 anos. Os autores viram mais meninos, mas reconhecem que há relatos de prevalência igual entre os sexos. O Campbell (p. 1629) dá 0,4% a 8,3% da população geral, discretamente mais em homens, com início entre 10 e 12 anos.

Uma consequência prática do Campbell (p. 1632): como as alterações radiográficas podem só aparecer entre 10 e 12 anos, uma radiografia normal numa criança menor não exclui SCHEUERMANN.

Por que acontece

A causa é desconhecida. O Tachdjian (p. 254) lista as teorias: necrose dos anéis apofisários, fraqueza intrínseca da placa cartilaginosa, osteocondrose, osteoporose transitória, má absorção, infecção e distúrbios endócrinos. A histopatologia não mostra osteoporose juvenil nem outra anomalia metabólica. O que se encontra de forma consistente é ossificação endocondral alterada nas placas terminais, que provavelmente é consequência, e não causa.

O Campbell (p. 1629 e 1630) vai mais longe e afirma que a necrose do anel apofisário e os nódulos de SCHMORL (muito comuns em adolescentes sem a doença) foram refutados como causa. Ele valoriza:

  • fatores mecânicos: postura ereta e ligamento longitudinal anterior tenso; a órtese, que tira pressão da coluna anterior, corrige parte da cifose, o que reforça esse papel;
  • o círculo vicioso: a cifose aumenta a pressão anterior nas placas, o crescimento fica desigual e as vértebras ficam em cunha;
  • uma anomalia bioquímica do colágeno e da matriz da placa cartilaginosa (fibras anormais e menor razão colágeno/proteoglicano);
  • genética: alta predileção familiar com herança autossômica dominante e relato em gêmeos idênticos.

O quadro clínico

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Por que o paciente procura

Segundo o Tachdjian (p. 255), o adolescente chega pelo aumento do arredondamento das costas e, às vezes, por dor. Os pais se preocupam com a estética e com a progressão. O Campbell (p. 1630) acrescenta que a família costuma achar que é postura, o que atrasa o diagnóstico.

A dor

A dor tem dois endereços e dois mecanismos:

  • interescapular, no ápice da deformidade;
  • lombar, provavelmente pela hiperlordose excessiva, que sobrecarrega as facetas.

O Campbell (p. 1630) acrescenta três detalhes que caem em prova: a dor piora com a atividade, pode melhorar na maturidade esquelética, e, se for lombar, o paciente deve ser investigado para espondilólise e espondilolistese. O Tachdjian (p. 255) lembra que a dor no ápice não se correlaciona com a magnitude da cifose.

O exame

O Tachdjian (p. 255) descreve o adolescente de pé com:

  • cifose torácica aumentada e ombros caídos;
  • cabeça e pescoço anteriorizados, pela lordose cervical aumentada;
  • lordose lombar aumentada, com abdominais fracos e abdome levemente protuso;
  • no teste de ADAMS, discreta assimetria do tronco por escoliose leve; visto de lado, uma angulação posterior abrupta da coluna torácica (Fig. 10.4);
  • deformidade que não corrige com mudança de postura nem com manipulação passiva;
  • lordose lombar geralmente reversível, mas a cervical pode ficar fixa;
  • exame neurológico normal;
  • isquiotibiais tensos ou contraturados.

O Campbell (p. 1630 e 1631) confirma: deformidade focal e angular com hiperlordose cervical e/ou lombar, que não corrige no teste de extensão em prono; isquiotibiais e peitorais tensos são comuns; na flexão anterior, escoliose estrutural pequena em até 30%.

As lordoses aumentam para compensar a cifose rígida; "retificação" da lordose no SCHEUERMANN torácico está errada (a exceção é o tipo lombar).

O neurológico

O Tachdjian diz que o exame neurológico é normal. O Campbell (p. 1631) é mais cauteloso: achados neurológicos anormais foram relatados em 9% a 15% dos pacientes, o que torna o exame neurológico detalhado obrigatório. Já foram descritas compressão medular pela cifose, hérnia de disco torácica, cistos epidurais e lipomatose epidural. Fraqueza nos membros inferiores, hiper-reflexia ou alteração sensitiva pedem RM da região cifótica.

O Tachdjian (p. 255 e 256) cita TRIBUS: paraparesia transitória na correção cirúrgica por estenose torácica grave não diagnosticada. Por isso, RM pré-operatória em cifose atípica, rapidamente progressiva ou com sinal neurológico.

O adulto

Sobre o adulto, a série de Iowa citada pelo Tachdjian (p. 256) mostra mais dor nas costas e fadiga do que nos controles, com escolha de trabalhos menos pesados. Daí a ideia, cobrada em prova, de que a dor é a queixa principal do adulto, enquanto o adolescente vem mais pela estética.

O tipo lombar

O SCHEUERMANN lombar tem clínica própria (Tachdjian, p. 255): dor lombar progressiva que impede o esporte e pode atrapalhar as atividades diárias, às vezes irradiada para nádegas e membros inferiores, às vezes acordando o paciente. O exame mostra perda importante da lordose lombar, com a região plana e rígida, quase com aspecto de espasmo, flexão limitada e dolorosa, sem escoliose e com neurológico normal. O Campbell (p. 1633) manda o atípico com dor e espondilólise evitar carga e fazer fisioterapia.

A radiografia e os critérios de SORENSEN

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Como pedir

O Tachdjian (p. 255) pede radiografias posteroanterior e de perfil em pé, de 36 polegadas (90 cm). A técnica dos autores: paciente ereto, quadris e joelhos estendidos e braços apoiados à altura dos ombros numa barra à frente.

O PA pode mostrar escoliose leve com rotação mínima e permite avaliar a maturidade pelo sinal de RISSER. O perfil mostra a cifose e os critérios.

Os critérios

O Tachdjian descreve: o perfil mostra cifose torácica acima de 40 graus e os critérios radiográficos definidos por SORENSEN em 1964:

1. mais de 5 graus de cunha anterior em três corpos vertebrais adjacentes consecutivos no ápice da cifose; 2. linhas apofisárias irregulares, junto com achatamento e cunha; 3. estreitamento dos espaços discais; 4. nódulos de SCHMORL, de presença variável.

O Campbell (p. 1631) resume os critérios clássicos da forma típica como mais de 5 graus de cunha em pelo menos três vértebras adjacentes no ápice, irregularidade das placas terminais e cifose torácica de mais de 50 graus (Fig. 41.5). E faz uma ressalva: alguns pacientes têm hipercifose rígida sem cunha.

Critérios radiográficos de SCHEUERMANN (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 255; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1631)
CritérioTachdjian (SORENSEN, 1964)Campbell (critérios clássicos)
Cunhamais de 5 graus em 3 vértebras adjacentes consecutivas no ápicemais de 5 graus em pelo menos 3 adjacentes no ápice
Placaslinhas apofisárias irregulares, achatamentoirregularidade das placas terminais
Discoestreitamento do espaço discalnão listado entre os clássicos
SCHMORLpresença variávelcitado na forma atípica
Magnitudecifose torácica acima de 40 grauscifose torácica acima de 50 graus

A divergência de magnitude (40 contra 50 graus) é real e deve ser lembrada: o Tachdjian usa 40, o Campbell usa 50. Nas questões de SORENSEN, porém, o que se cobra é a cunha de três vértebras e o resto da lista, não o número.

As armadilhas se repetem: "duas vértebras" em vez de três; "escoliose degenerativa" ou "hiperlordose lombar rígida" como critério; e trocar o autor (SCHEUERMANN descreveu a doença em 1920; SCHMORL dá nome ao nódulo; SORENSEN definiu os critérios).

A radiografia com coxim

Antes de órtese ou cirurgia, o Tachdjian (p. 255) pede o perfil com coxim (bolster): paciente em supino, coxim no ápice ou logo abaixo, quadris e joelhos fletidos; o peso da cabeça e do tórax solto estende a coluna; após 5 minutos, faz-se o perfil. O Campbell (p. 1631 e 1632, Fig. 41.6) mostra uma correção de 72 para 53 graus, interpretada como flexibilidade moderada. Quando o paciente não tolera, a diferença entre a imagem em pé e a imagem deitada da TC ou RM dá informação semelhante.

Equilíbrio sagital

O Campbell (p. 1631) lembra que a maioria dos pacientes está em equilíbrio sagital negativo (prumo de C7 atrás do sacro). Esse detalhe volta na cirurgia: hipercorrigir aumenta o desequilíbrio negativo e provoca cifose juncional.

A radiografia do tipo lombar

No SCHEUERMANN lombar, segundo o Tachdjian (p. 256), o PA não mostra escoliose, e as vértebras acometidas são maiores no sentido anteroposterior. O perfil mostra lordose lombar diminuída, possível cifose toracolombar, vértebras recortadas com defeitos lucentes nos cantos anterossuperiores, nódulos de SCHMORL e irregularidade das placas (Fig. 10.5). O Campbell (p. 1631) descreve a atípica lombar com irregularidade das placas, SCHMORL, espondilólise ocasional e estreitamento discal, sem cunha nem cifose. Osteófitos degenerativos podem existir, mas, como nota o Tachdjian (p. 255), a região costuma continuar móvel, e não anquilosada.

Condições associadas: escoliose e espondilólise

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A escoliose

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 41, p. 1631), traz os números que a prova cobra: escoliose leve a moderada em cerca de um terço dos pacientes, com curvas pequenas, de 10 a 20 graus (Fig. 41.9), que geralmente não progridem. O Tachdjian (p. 255) só diz que o PA pode mostrar escoliose leve, com rotação mínima.

A espondilólise

Ainda no Campbell (p. 1631, Fig. 41.8): a espondilólise lombar é frequente, com incidência de 50% citada. O mecanismo sugerido é o estresse na pars interarticularis pela hiperlordose lombar compensatória. É a razão para investigar espondilólise no paciente com SCHEUERMANN e dor lombar.

O resto

O Campbell lista ainda, como raras, alterações endócrinas, hipovitaminose, doenças inflamatórias e cistos durais.

O diagnóstico diferencial

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A regra

O Campbell (p. 1632) é direto: o diagnóstico mais comum a diferenciar de SCHEUERMANN é a cifose postural.

Os outros

Depois da postural, o Campbell (p. 1632 e 1633) percorre:

  • espondilite infecciosa, rara, a considerar quando há dor; afastada por febre, exames laboratoriais e RM;
  • fratura por compressão, que costuma acometer uma só vértebra, enquanto SCHEUERMANN acomete três ou mais; a RM identifica a fratura aguda;
  • condições raras como MORQUIO e HURLER (mucopolissacaridoses), tumores e deformidades congênitas, sobretudo a cifose congênita.
Diagnóstico diferencial da cifose do adolescente (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1632 e 1633; Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 253 e 254, e cap. 9, p. 185)
CondiçãoO que a separa de SCHEUERMANN
Cifose postural (a mais comum)flexível, corrige em prono, sem cunha, curva gradual
Espondilite infecciosador, febre, laboratório alterado, RM
Fratura por compressãocunha em uma vértebra, trauma, RM com fratura aguda
Cifose congênitamalformação de formação ou segmentação, angulação abrupta, risco de paraplegia
Fusão anterior progressivadisco fundido na parte anterior, rigidez precoce
MORQUIO, HURLERdisplasia sistêmica, cifose toracolombar
Tumoresdor noturna, imagem destrutiva
Tuberculose (POTT)sintomas constitucionais, destruição anterior e giba

A história natural

Fundamento

O Tachdjian (p. 256) é franco: faltam dados de história natural. A crença comum, de que os pacientes têm poucos sintomas e a deformidade continua esteticamente aceitável, é mal documentada.

  • Série de Iowa (32 anos de seguimento): mais dor nas costas e fadiga, escolha de empregos menos pesados e mais interferência nas atividades diárias que os controles, mas "não incapacitados".
  • Estudo finlandês (37 anos): achados parecidos em dor, incapacidade diária, qualidade de vida e saúde geral, mesmo com deformidades menores.
  • SRS-24 baixo em adolescentes com 75 graus sugere que a história natural sem tratamento é mais pessimista do que os dados longos indicam.

O Campbell (p. 1633) tem um tom mais otimista: a história natural da maioria, sobretudo com cifoses menores, é favorável, e muitos nunca procuram médico. Por isso recomenda, antes da cirurgia, uma tentativa de tratamento não operatório com fisioterapia e/ou órtese, reconhecendo que há incerteza sobre as indicações exatas.

O tratamento não operatório e a órtese

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Observação e exercício

O Campbell (p. 1633) observa adolescentes com cifose menor que 50 graus sem progressão, com radiografias de perfil em pé a cada 6 a 12 meses. Os exercícios não corrigem a cifose de SCHEUERMANN, mas mantêm flexibilidade, tratam a hiperlordose e os encurtamentos, fortalecem os extensores e diminuem a dor. O Tachdjian (p. 256) recomenda exercícios para a maioria, para compensar a fraqueza de extensores e abdominais.

Quando usar órtese

Os dois livros dão indicações diferentes, e a prova costuma usar as do Campbell.

  • Tachdjian (p. 256): imaturidade relativa (RISSER 2 ou menos) e deformidade já inaceitável estética ou funcionalmente (geralmente acima de 60 graus) e sabidamente progressiva. Alguns autores acham que praticamente qualquer SCHEUERMANN do imaturo pode ser tratado sem cirurgia.
  • Campbell (p. 1633): pelo menos 1 ano de crescimento restante, alguma flexibilidade da curva (40% a 50%) e cifose maior que 50 graus.

O objetivo, segundo o Tachdjian, é duplo: controlar a deformidade e tentar reconstituir a altura anterior dos corpos com forças de hiperextensão. Sem essa reconstituição, a perda de correção ao tirar a órtese é quase certa.

Qual órtese

O Tachdjian (p. 256) é preciso:

  • ápice torácico: MILWAUKEE, porque é a única órtese que aplica força corretiva de três pontos num ápice médio-torácico (Fig. 10.6); ela também diminui a lordose lombar e ajuda a corrigir o equilíbrio sagital negativo;
  • ápice toracolombar: pode-se tentar uma TLSO, geralmente com extensões esternais ou infraclaviculares, para criar um momento de extensão acima do ápice.

A vantagem exclusiva do MILWAUKEE é poder dobrar progressivamente mais correção nas almofadas posteriores ao longo do tempo. Com a lordose lombar reduzida, o paciente é estimulado a hiperestender ativamente a coluna para manter a cabeça ereta: a órtese funciona por correção dinâmica.

Na instituição dos autores (p. 257), quando se usa órtese no imaturo, é o MILWAUKEE para qualquer padrão, porque a TLSO se mostrou menos eficaz.

O Campbell (p. 1633) descreve o MILWAUKEE como o historicamente recomendado, hoje substituído por órteses de perfil baixo, e define a função: órtese dinâmica de três pontos que promove a extensão torácica. Cita a órtese de BOSTON (diminui a hiperextensão lombar e obriga o paciente a reduzir a cifose; séries pequenas) e o gesso em hiperextensão europeu, eficaz, mas com problemas de pele e trocas frequentes.

Como usar

A órtese nos dois livros (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 256 e 257; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1633)
AspectoTachdjianCampbell
IndicaçãoRISSER 2 ou menos, mais de 60 graus, progressivapelo menos 1 ano de crescimento, flexibilidade de 40% a 50%, mais de 50 graus
Ápice torácicoMILWAUKEE (único com três pontos no ápice médio-torácico)MILWAUKEE histórico, hoje órteses de perfil baixo
Ápice toracolombarTLSO com extensões esternais ou infraclavicularesBOSTON em séries pequenas
Mecanismotrês pontos; almofadas posteriores ajustáveis; extensão ativaórtese dinâmica de três pontos que promove extensão
Tempo de usointegral, tirando 1 a 2 horas por dia para exercíciosintegral nos primeiros 12 a 18 meses
Controleradiografia a cada 4 meses, ajustando as almofadas
Até quandomaturidade; meninos podem precisar até RISSER 5até sinais de maturidade, depois desmame se estável
Desmamesem esquema comprovadamente melhorse a cifose permanecer estável
Resultadomelhora em uso; perde ao pararperda de correção frequente a longo prazo

O limite da órtese

O Tachdjian (p. 256) cita SACHS: deformidades maiores que 74 graus no início perderam mais correção após a retirada, com pouco ganho final. Para curvas grandes, a órtese sozinha talvez não esteja indicada sem correção prévia (por exemplo, com gesso). Deformidades menores podem ser mantidas menores; as maiores exigem correção inicial maior.

O tratamento cirúrgico

Cobrança confirmada · 2 questões

Quando operar

Indicações cirúrgicas (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 257 e 261; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1633)
LivroIndicação
Tachdjian, p. 257dor, deformidade rígida, curva de mais de 70 a 75 graus ou progressiva, e aparência inaceitável
Tachdjian, p. 261 (resumo)fortemente indicada com curva acima de 75 graus e dor, limitação de atividade e prejuízo de autoimagem
Campbell, p. 1633cifose progressiva de mais de 70 graus e dor que não melhora com tratamento não operatório
Campbell, p. 1633déficit neurológico (raro) exige cirurgia urgente

As questões combinam os elementos: magnitude (70 a 75 graus), progressão e dor refratária; o déficit neurológico entra como indicação por si só. Uma curva estável e indolor de 70 graus não é indicação clássica.

Quanto corrigir

O alvo não é a maior correção possível, e sim o equilíbrio sagital. O Tachdjian (p. 257 e 261) traz duas regras:

  • LONNER: a cifose pós-operatória deve combinar com a incidência pélvica. Com IP alta (45 graus ou mais), o paciente aceita uma cifose maior e não precisa de correção agressiva; hipercorrigir pode gerar cifose juncional. Com IP baixa (menos de 45 graus), visa-se o normal (20 a 40 graus).
  • Em geral, corrigir a cifose torácica para a faixa de 50 graus, o limite superior do normal, atinge o equilíbrio; correção de mais de 50% foi identificada como causa de cifose juncional.

O Campbell (p. 1634) explica por quê: o paciente com SCHEUERMANN está tipicamente em equilíbrio sagital negativo; hipercorrigir com instrumentação rígida aumenta esse desequilíbrio e leva à cifose juncional proximal.

Como corrigir

Os princípios históricos eram alongar a coluna anterior, dar suporte anterior e encurtar a posterior, o que levava à cirurgia em dois tempos com liberação anterior. Hoje, segundo o Tachdjian (p. 257), a liberação anterior se mostrou essencialmente desnecessária com exposição posterior ampla, osteotomias de PONTE apicais múltiplas e instrumentação segmentar rígida.

O Campbell (p. 1634) concorda: com parafusos pediculares, a via posterior isolada com osteotomias posteriores é o padrão. Estudos mostram correção sagital semelhante entre a combinada e a posterior com PONTE. Uma artrodese posterior sem osteotomia é possível se a cifose for flexível e puder ser corrigida e mantida abaixo de 50 graus. Cada osteotomia de PONTE encurta a coluna posterior e ganha cerca de 5 a 10 graus. Osteotomias de três colunas ficam para casos raros com razão angular alta, pelo risco neurológico.

A osteotomia de PONTE resseca lâminas e facetas no ápice (Tachdjian, p. 259); a compressão fecha essas cunhas e desloca o ápice para a frente sem alongar a coluna anterior.

Técnicas de redução

  • Cantilever de três pontos (Tachdjian, p. 258, Fig. 10.8): âncoras torácicas altas (parafusos pediculares ou garras de ganchos em pelo menos três lâminas adjacentes), haste subcontornada fixada em cima e trazida para baixo até as âncoras distais. O Campbell (p. 1635) critica: a correção é abrupta e concentra força nas pontas; parafusos de redução tornam o gesto mais gradual.
  • Compressão apical com ganchos ou parafusos em vários níveis dos dois lados do ápice.
  • Haste rosqueada (Tachdjian, p. 259): compressão gradual que permite "discar" a correção; depois se troca por haste rígida. Uma haste sólida de 5,5 mm ou mais, com cantilever e compressão, chega ao mesmo resultado.
  • Fios sublaminares (LUQUE): 2% de lesão neurológica em cifose; âncoras dentro do canal podem ser empurradas para a medula durante a correção e não são recomendadas (p. 258).

A imobilização pós-operatória não é necessária com os sistemas segmentares modernos (p. 259).

Onde começar e onde terminar a artrodese

Níveis de artrodese no SCHEUERMANN (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 257 e 258; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1634 e 1635)
ExtremidadeTachdjianCampbell
Proximala vértebra mais proximal inclinada para a cifose, em geral T2, sobretudo abaixo de 15 anosinstrumentação vai em geral até T2 ou T3
Distalo primeiro disco lordótico (geralmente um nível abaixo da vértebra terminal medida)historicamente, do primeiro disco lordótico cranial ao primeiro caudal (mais de 5 graus de lordose)
Vértebra sagital estávela cortada pela linha sacral posterior vertical (da borda posterior de S1 para cima)CHO: a vértebra caudal mais proximal tocada pela linha sacral posterior
Se o disco acima for cifóticodescer mais um nível
Efeitonão incluir os segmentos não lordóticos gera cifose juncional distalincluir a vértebra sagital estável reduz a juncional distal, ao custo de mais segmentos lombares fundidos

O raciocínio do Tachdjian (p. 257): quando o ápice é empurrado para a frente pela correção, o eixo sagital de C7 vai para a frente e cria um momento cifótico em qualquer nível lombar que ainda não esteja em lordose. Se a artrodese parar antes de todos os segmentos não lordóticos, a juncional aparece embaixo.

A cifose juncional

É a complicação característica: até um terço dos pacientes no Tachdjian (p. 258), 30% a 40% no Campbell (p. 1634). A prevenção reúne tudo o que foi dito:

Prevenção da cifose juncional (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 258 e 261; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, Campbell's Concepts, p. 1635)
MedidaFonte
Instrumentar longo, incluindo a vértebra terminal proximal (geralmente T2)Tachdjian
Evitar âncoras sublaminares no topo, que obrigam a retirar o ligamento interespinhoso e desestabilizam o segmento acimaTachdjian
Preservar a banda de tensão (interespinhoso e ligamento amarelo) na ponta cranialCampbell
Dar à ponta cranial da haste uma curva cifótica que acompanhe a coluna livreCampbell
Incluir o segmento abaixo do primeiro disco lordótico e/ou a vértebra sagital estávelambos
Não hipercorrigir (mais de 50% de correção é fator de risco)ambos
Transição suave no topo com ganchos transversos, bandas ou hastes de transiçãoCampbell
Atenção à incidência pélvica alta, que aumenta o risco de juncional proximalCampbell

As complicações

O Tachdjian (p. 260) cita a SRS com 683 casos: 14% de complicações, 1,9% neurológicas, implantes 2,5%; mais complicações acima de 21 anos; a liberação anterior não aumentou complicações neurológicas nem pulmonares.

O Campbell (p. 1636 e 1638) diz que as complicações são mais frequentes do que na escoliose idiopática do adolescente, cerca de 15% sem contar as juncionais. No grupo de HARMS, as mais comuns fora do plano sagital foram infecção de ferida (10%), instrumentação (3%) e neurológicas (2%). O risco neurológico parece maior que na idiopática e cresce com osteotomias complexas (subtração pedicular, ressecção de coluna vertebral).

Se houver liberação anterior, o Tachdjian (p. 261) recomenda não ligar os vasos segmentares ou, se necessário, ligá-los com monitorização, para não causar isquemia na zona de vascularização crítica entre T4 e T10. E conclui: problemas juncionais e neurológicos são menos prováveis quando a coluna posterior é encurtada e comprimida em vez de a anterior ser alongada.

A cifose congênita

Possível cobrança

Por que é perigosa

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 9, p. 185), define a cifose congênita como uma angulação posterior abrupta da coluna por malformação localizada de uma ou mais vértebras. É menos comum que a escoliose congênita, mas o risco de paraplegia é muito maior. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 41, p. 1638), reforça: é incomum, mas os déficits neurológicos são frequentes; a coluna pode ser estável, instável ou ficar instável com o crescimento, e a progressão é proporcional ao número de vértebras, ao tipo e ao crescimento restante.

A classificação de WINTER

Classificação de WINTER da cifose congênita (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, Tabela 41.1, p. 1638; Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 9, p. 185 e 186)
TipoDefeitoComportamento
Ifalha de formação do corpo vertebralo mais comum; angular; progressão inexorável; maior risco de paraplegia
IIfalha de segmentação (porções anteriores de dois ou mais corpos fundidas, barra anterior)menos progressivo, curva arredondada, risco muito menor de paraplegia
IIImista (formação e segmentação)a menos comum; a mais rápida para progredir

O ponto que a banca adora inverter: na cifose congênita, a falha de formação é a mais comum e a mais grave, ao contrário do que muitos lembram da escoliose congênita (Tachdjian, p. 185).

Por que o tipo I paralisa

No tipo I, parte ou todo o corpo vertebral falta, mas os elementos posteriores (espinhosos, pedículos, transversos) estão presentes. O crescimento continua atrás e não na frente; a deformidade progride inexoravelmente. Vários níveis contíguos produzem deformidade maior. A junção cifótica pode ser instável, sobretudo com ápice entre T4 e T9. A paraplegia pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum no estirão do adolescente, e há relatos de paraplegia aguda após trauma mínimo em crianças pequenas (Tachdjian, p. 185).

O Campbell (Box 41.2, p. 1640, a partir de McMASTER) completa: o tipo I ocorre mais na torácica e na toracolombar, é extremamente raro na cervical, é o segundo mais progressivo depois do tipo III, tem déficit neurológico em cerca de 25%, e as deformidades da torácica alta se associam mais a problemas neurológicos. A falha de formação produz cifose aguda e angular, muito mais deformante e perigosa do que uma falha de segmentação de mesmo COBB, que se espalha por vários níveis e fica arredondada.

O tipo II

As porções anteriores de dois ou mais corpos se fundem; ausência de fises e discos anteriores cria uma barra anterior. A cifose é proporcional à diferença de crescimento entre a frente e a parte de trás. Progride em média 5 graus por ano, é menos grave que o tipo I, a paraplegia geralmente não é relatada, mas dor lombar e estética justificam cirurgia precoce (Campbell, Box 41.2). É mais comum na torácica baixa e toracolombar (Tachdjian, p. 186).

O tipo III

Misto, o menos comum, com a progressão mais rápida (5 graus por ano abaixo de 10 anos e 8 graus por ano acima de 10 anos) (Campbell, Box 41.2). Costuma gerar cifoescoliose.

As subdivisões

O Campbell (p. 1638 e 1639) acrescenta que o tipo I foi subdividido em quadrante posterolateral, hemivértebra posterior, borboleta e cunha anterior ou anterolateral (Fig. 41.16), com valor prognóstico, e cita uma classificação de cinco tipos orientada ao tratamento (YAO, 2022): I a III para falha de formação, IV e V para falha de segmentação.

História natural

O ápice mais comum fica entre T10 e L1; não há relação entre gravidade e localização; a progressão é mais rápida no estirão; os tipos I e III progridem sem parar; duas vértebras tipo I adjacentes progridem mais e pior que uma só (Tachdjian, p. 186 e 187).

Como aparece

A cifose congênita pode ser diagnosticada no pré-natal, mas pode não ser evidente no recém-nascido. A suspeita surge numa radiografia de tórax feita por outro motivo ou quando aparece uma proeminência ao andar. No adolescente, a queixa tende a ser dor lombar pela hiperlordose secundária (Tachdjian, p. 188). O Campbell (p. 1639 e 1640) acrescenta: deformidade clínica no neonato tem pior prognóstico que o achado incidental; há anomalias associadas geniturinárias, cardíacas, KLIPPEL-FEIL e intraespinhais, e avaliação cardíaca e renal deve ser feita.

Imagem

O perfil é a melhor incidência; o AP pode não mostrar nada. A RM deve ser pedida imediatamente na falha de formação: a compressão medular pode aparecer antes do déficit. A TC 3D é muito útil; RM e TC antes de operar (Tachdjian, p. 188). O Campbell (p. 1640 e 1641) usa radiografias em flexão e extensão para rigidez e instabilidade, RM na maioria (anomalias intraespinhais frequentes) e ultrassonografia renal.

Tratamento

A regra é dura nos dois livros: o tratamento não operatório não tem benefício e a órtese é inadequada (Tachdjian, p. 188); a órtese não corrige nem impede a progressão (Campbell, p. 1641).

Tratamento da cifose congênita (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 9, p. 188 a 190; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 41, p. 1641, 1642 e 1646)
SituaçãoConduta
Tipo I, menor de 5 anos, menos de 45 a 50 graus (Campbell: 50 a 55)artrodese posterior sem instrumentação, um nível acima e um abaixo; gesso em hiperextensão 4 a 6 meses e TLSO por 6 meses; o crescimento anterior pode melhorar a cifose (cerca de 15 graus; média 2,7 graus por ano)
Tipo I com mais de 60 graus (Campbell)anterior e posterior; para a progressão, sem correção pelo crescimento
Tipo I, criança maior ou adultoanterior e posterior com enxerto de costela (vascularizado se falha prévia), ou só posterior com ressecção de coluna vertebral (VCR) e parafusos pediculares
Déficit mínimo (reflexos, BABINSKI)sem descompressão formal; após artrodese ou VCR pode regredir
Paraparesia recente, ápice flexívelrepouso medular com halo, gesso ou tração mínima
Ápice rígidotração contraindicada (puxa a medula contra a giba)
Déficit que não regridedescompressão anterior; laminectomia não descomprime
Tipo IIoperar cedo; artrodese posterior dos níveis não segmentados mais um acima e um abaixo; não esperar correção; compressão posterior se leve (menos de 50 graus)
Tipo IIITachdjian: geralmente só artrodese posterior; Campbell: VCR com suporte anterior

No tipo I, a cirurgia é indicada mesmo no lactente, e o objetivo principal é prevenir a paraplegia; alinhamento e estética são secundários (Tachdjian, p. 188).

As complicações (Campbell, p. 1646) são pseudartrose, progressão e paralisia. A paralisia diminui quando não se busca correção máxima: a instrumentação serve para estabilizar deformidades rígidas, salvo se houve descompressão anterior, VCR ou encurtamento posterior. Cerca de 38% dos pacientes com cifose têm dor lombar a longo prazo pela hiperlordose compensatória.

A fusão anterior progressiva não infecciosa

Possível cobrança

O Tachdjian (cap. 10, p. 261) descreve o paciente com cifose que aumenta com o crescimento e uma radiografia com anquilose da porção mais anterior dos discos (Fig. 10.13). A histologia mostra cartilagem de crescimento distrófica sem disco, sugerindo ossificação geneticamente programada, e há ocorrência familiar. A parte posterior do disco e os elementos posteriores continuam crescendo, e a amarra anterior produz cifose progressiva. Até 2011, 96 casos relatados.

  • provavelmente é uma forma de cifose congênita (falha de segmentação anterior ainda não ossificada);
  • o diagnóstico pode ser feito muito antes do SCHEUERMANN, desde 1 ano de idade, por estreitamento anterior dos discos;
  • a cifose é mais rígida do que o esperado;
  • erosões podem imitar SCHEUERMANN, mas a parte posterior do disco fica preservada;
  • torácica ou toracolombar, um ou vários segmentos, paciente assintomático;
  • tratamento igual ao do SCHEUERMANN; órtese pode parar a progressão; a cirurgia exige discectomia ou osteotomia anterior seguida de instrumentação posterior.

O Campbell (p. 1646 e 1647) a distingue do tipo II congênito: discos e corpos são normais ao nascer e depois se fundem na frente. Descreve cinco estágios (Box 41.3): estreitamento discal maior na frente, esclerose das placas, fragmentação, fusão anterior e cifose. A torácica tem melhor prognóstico (a coluna já é cifótica ali); na lombar, artrodese posterior nos estágios 1 a 3, e nos estágios 4 e 5 é preciso osteotomia.

Cifose pós-laminectomia e pós-radioterapia

Possível cobrança

O mecanismo

O Tachdjian (p. 261 e 262) explica a cifose pós-laminectomia como um ciclo vicioso: retirar lâminas, facetas, interespinhoso e amarelo desestabiliza a coluna posterior; a flexão aumenta a compressão nas apófises anteriores; a compressão inibe o crescimento anterior; a vértebra fica em cunha e a cifose aumenta. A faceta é a estrutura mais crítica. A coluna cervical e a torácica são as suscetíveis; a lombar, normalmente em lordose, raramente desenvolve cifose. Fraqueza ou paralisia muscular agravam muito.

Cifose pós-laminectomia e pós-radioterapia (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 262 a 264)
DadoValor
Menores de 15 anos46% desenvolvem cifose
15 a 24 anos6%
Laminectomia cervical80% a 100% deformam
Laminectomia torácica36% a 50%
Laminectomia lombar0%
Padrõesangular (instabilidade imediata e cunha) ou arredondado (hipermobilidade crônica)
Radioterapia, início da lentificação60 cGy
Radioterapia, parada do crescimento1200 cGy
3000 cGyvértebra achatada em bico
Incidência após radioterapia10% a 100%
Artrodese só posteriorpseudartrose de 50%; preferir anterior e posterior

Quanto mais jovem o paciente e mais cefálica a laminectomia, maior a chance de deformidade (p. 262). Laminectomia, radioterapia e fraqueza muscular juntas produzem deformidade com certeza próxima de 100% (p. 263).

Prevenção e tratamento

A melhor arma é prevenir (p. 263): preservar as facetas, fazer laminectomia osteoplástica ou, no alto risco, artrodese profilática no mesmo ato. A órtese profilática não tem eficácia comprovada (p. 264). Para deformidade progressiva, artrodese anterior e posterior; no leito irradiado, fibrose e má vascularização tornam o enxerto de costela vascularizado valioso (p. 264 a 266). Com tecido neural frágil, fixação in situ ou tração halo-gravitacional lenta são mais seguras que a correção aguda (p. 267).

Outras cifoses: displasias, MARFAN e tuberculose

Cobrança confirmada · 1 questão

Displasias

Cifose nas displasias e síndromes (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 10, p. 267 e 268)
CondiçãoO que cai
Acondroplasiacerca de 30% com cifose toracolombar na infância; um terço progride (10% do total); laminectomia no imaturo faz progredir com certeza
Pseudoacondroplasiavárias vértebras em cunha (projeções anteriores em língua mal ossificadas); responde a órtese; sem estenose, instrumentação segura
Displasia espondiloepifisáriadeformidade leve e não progressiva
Mucopolissacaridosesmais graves; HURLER com cifose toracolombar em 80% dos que sobrevivem com transplante; MORQUIO leve; MAROTEAUX-LAMY significativa
MARFANescoliose em até 63%; inversão sagital (lordose torácica e cifose lombar); cifose pura toracolombar em 10%; mais rígida e dolorosa que a idiopática

No MARFAN (p. 268), a órtese costuma falhar; antes de operar, avaliação cardiopulmonar e RM para ectasia dural; a instrumentação vai até L4 para evitar juncional caudal, e as complicações são altas (falha de fixação 21%). Nas displasias e mucopolissacaridoses, avaliar sempre a cervical alta.

Tuberculose: o mal de POTT

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 49, p. 1949), lembra que POTT descreveu a tuberculose vertebral em 1779. A região toracolombar é a mais acometida, seguida da lombar e da cervical. A infecção chega por via hematogênica, em geral de foco pulmonar, e começa no corpo vertebral anterior; no adulto, poupa o disco e se espalha sob os ligamentos longitudinais. A destruição anterior progressiva produz a giba característica e pode paralisar. Destruição anterior, às vezes multifocal, com discos poupados é o que distingue a espondilodiscite tuberculosa da piogênica.

O quadro é o que a questão descreve: sintomas constitucionais de evolução lenta (fraqueza, mal-estar, sudorese noturna, febre, perda de peso), dor nas costas em 70% à apresentação, abscessos frios e fístulas, déficit neurológico em cerca de 30% nos países menos desenvolvidos. A cifose de cerca de 20 graus é comum na torácica e toracolombar, e a deformidade é pior na criança, que perde osso anterior e fise. O diferencial da tuberculose inclui, entre outros, a doença de SCHEUERMANN.

SCHEUERMANN não dá febre nem emagrecimento e tem cifose regular de três ou mais vértebras; a tuberculose dá giba aguda com doença sistêmica.

Fechamento

Fundamento

A cifose do adolescente se resolve com três perguntas. Corrige? Se corrige ativamente e em prono, sem cunha, é postural, e nunca se opera. Tem cunha? Cunha maior que 5 graus em três vértebras adjacentes no ápice, com placas irregulares, estreitamento discal e SCHMORL, é SCHEUERMANN (SORENSEN). É abrupta, de uma vértebra, ou vem com sintomas sistêmicos? Então pense em congênita, fratura ou tuberculose.

No SCHEUERMANN, o tratamento acompanha a magnitude e a maturidade: observar e exercitar abaixo de 50 graus; órtese (MILWAUKEE no ápice torácico, três pontos, dinâmica) com mais de 50 graus, alguma flexibilidade e crescimento restante; cirurgia posterior com PONTE quando a curva passa de 70 a 75 graus, progride e dói, mirando o equilíbrio sagital e não a correção máxima, de T2 até a vértebra sagital estável. Na cifose congênita, a lógica se inverte: órtese não tem papel, o tipo I se opera cedo, até no lactente, para evitar a paraplegia.

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