Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo segue a seção Menisci do capítulo 50 (Knee Injuries) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., de David L. Bernholt e Frederick M. Azar, completada pela parte de cirurgia artroscópica do menisco do capítulo 56 (Arthroscopy of the Lower Extremity) e, para a criança e o menisco discoide, pelo Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40). As páginas citadas são as impressas.
O fio condutor é um só: o menisco funciona como um aro sob tensão. As fibras correm em círculo e estão presas firmemente à tíbia nas raízes; quando o fêmur comprime, o menisco tenta escapar para fora, e a tensão circunferencial o segura. Tudo o que a prova cobra deriva daí. Um corte radial completo ou uma lesão de raiz rompe o aro e vale por uma meniscectomia; a meniscectomia lateral dói mais ao joelho porque o platô lateral é convexo; a periferia vascularizada cicatriza e o centro não; o medial, preso à cápsula, é o que rasga na rotação e o que segura a tíbia quando falta o LCA.
As bancas cobram cinco blocos: números da meniscectomia (área e estresse de contato), vascularização e zonas, mecanismo e tipos (com destaque recente para a rampa e a raiz), exame (McMURRAY, APLEY, THESSALY, efeito trava de porta) e tratamento (quando reparar, que técnica em que terço, cisto e discoide).
Anatomia: forma, inserções e as diferenças entre os dois meniscos
Cobrança confirmada · 1 questão
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1994), descreve meniscos em C, triangulares em corte, cobrindo metade a dois terços do platô. A borda periférica é convexa e fixa à cápsula, exceto onde o poplíteo se interpõe lateralmente, e presa ao rebordo tibial pelos ligamentos coronários (meniscotibiais); a borda interna é côncava, fina e livre. O tecido é relativamente acelular: células fibroblastoides na periferia vascular, condrocitoides na zona avascular.
O medial (p. 1996) tem raio maior e corno posterior mais largo; a raiz anterior fica à frente da eminência e do LCA, a posterior logo à frente do LCP, e a porção posterior carrega a maior parte do peso. Toda a periferia está firmemente presa à cápsula medial, o que o torna restritor secundário da translação anterior da tíbia, sobretudo sem LCA, e o expõe à ruptura na rotação.
O lateral é mais circular, menor em diâmetro, mais espesso na periferia, mais largo no corpo e mais móvel; sua raiz posterior fica à frente da raiz posterior do medial. Prende-se aos dois cruzados, ao côndilo femoral medial pelos ligamentos de HUMPHRY (anterior ao LCP) e/ou WRISBERG (posterior ao LCP), à fáscia do poplíteo e ao complexo arqueado. O tendão do poplíteo o separa da cápsula e do LCL: o lateral não tem ligação com o LCL.
| Característica | Medial | Lateral |
|---|---|---|
| forma | C aberto, raio maior | quase circular, raio menor |
| cobertura do platô | metade a dois terços | até dois terços |
| espessura e largura | corno posterior mais largo que o anterior | mais espesso na periferia, corpo mais largo |
| mobilidade | pouco móvel, preso à cápsula e ao coronário | mais móvel |
| ligações especiais | cápsula medial inteira | poplíteo, HUMPHRY/WRISBERG, arqueado; sem ligação com o LCL |
| carga do compartimento | cerca de metade (divide com a cartilagem) | cerca de 70% |
| papel na estabilidade | restritor secundário da translação anterior | pouco efeito na translação AP |
| lesões típicas | longitudinal, alça de balde, rampa | radial, transversa incompleta, cisto, discoide |
O movimento (p. 1996): na flexo-extensão os meniscos seguem a tíbia; na rotação, o fêmur. O medial se distorce (inserções seguem a tíbia, o corpo segue o fêmur) e rasga na rotação; o lateral, puxado pelo poplíteo e pelos meniscofemorais, acompanha o côndilo e se lesa menos.
Os meniscofemorais (p. 2098 aprox.) somam cerca de 22% da área do LCP, e a evidência biomecânica sugere que sejam restritores secundários da translação posterior da tíbia; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40, p. 2028), lembra que estabilizam o corno posterior do lateral.
Microestrutura: colágeno e tensão em aro
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O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1994 e 1995), descreve fibras colágenas densas e firmemente entrelaçadas num padrão que dá grande elasticidade e capacidade de resistir à compressão. A orientação principal é circunferencial; há também fibras radiais e fibras perfurantes. Esse arranjo determina, em parte, os padrões de ruptura: o corte longitudinal corre entre fibras circunferenciais; o radial as atravessa.
Por que a compressão é bem tolerada e o corte radial é catastrófico. O colágeno resiste à tração ao longo da fibra; com força perpendicular, a resistência cai para menos de 10%. Como os aros de um barril, a compressão empurra o menisco para fora e a tensão circunferencial o segura, ancorada nas raízes. Por isso um único corte radial até a cápsula equivale a uma meniscectomia, e a lesão da raiz tem o mesmo efeito.
Vascularização e zonas de cicatrização
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Segundo o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1995 e 1996), os meniscos são avasculares exceto na periferia, irrigada pelas geniculares lateral e medial, superiores e inferiores, via plexo capilar perimeniscal. Por microinjeção, os vasos penetram 10 a 30% da largura do medial e 10 a 25% do lateral. No canto posterolateral do lateral há falha vascular: a passagem do poplíteo.
O Tachdjian (cap. 40, p. 2028) cita as geniculares medial, lateral e média, chama de vermelho-vermelho os 30% periféricos e lembra que o menisco imaturo é mais vascularizado.
| Zona | Definição | Potencial de cicatrização |
|---|---|---|
| vermelho-vermelho (1, RR) | inteiramente dentro da área vascular | cicatriza se reparada; é a zona da rampa |
| vermelho-branco (2, RW) | na borda da área vascular | provável cicatrização; depende de tipo, cronicidade e tamanho |
| branco-branco (3, WW) | dentro da área avascular | ressecção em geral |
| COOPER 0 | junção meniscossinovial | periferia |
| COOPER I, II, III | terços externo, médio e interno | da periferia para a borda livre |
Como cicatriza (p. 1997 e 1998): coágulo de fibrina na lesão periférica, invadido por vasos do plexo e por células mesenquimais, vira cicatriz fibrovascular contínua com a fibrocartilagem. Fora da periferia o resultado é imprevisível, daí o interesse em aumento biológico (marrow venting, coágulo de fibrina, ortobiológicos). Após excisão, a regeneração é mínima e de pior qualidade; o sintomático após meniscectomia total ou subtotal vai para aloenxerto.
Função e o preço da meniscectomia
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O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1994 a 1997), lista distribuição do líquido e nutrição, absorção de choque (a função primária, pela tensão em aro), aprofundamento da articulação, estabilização (especialmente rotatória) e transmissão de carga. Em pé, os meniscos carregam 40 a 60% do peso; o lateral carrega cerca de 70% da carga do compartimento, e no medial a carga se divide quase igualmente com a cartilagem (cap. 56, p. 2345: lateral 70%, medial 50%).
Meniscectomia em números (p. 1997). A tabela abaixo é a mais cobrada do tema. O raciocínio que evita decorar: o medial perde mais área porque cobre um platô côncavo, mas a cartilagem medial congruente ainda distribui a carga; o platô lateral é convexo, sem congruência, e sem o menisco a carga se concentra num ponto, por isso o estresse dispara.
| Situação | Área de contato | Estresse de contato |
|---|---|---|
| meniscectomia medial | cai 50 a 70% | sobe 100% |
| meniscectomia lateral | cai 40 a 50% | sobe 200 a 300% (platô convexo) |
| retirada de um terço do menisco | não informado | forças de contato até 350% maiores |
| corte radial completo ou lesão de raiz | perda da tensão em aro | equivalente à meniscectomia total |
Note o cruzamento que as bancas exploram: o lateral perde menos área e ganha mais estresse. E o "100% e 200%" do enunciado do TARO é a forma arredondada do "100% medial, 200 a 300% lateral".
Da sobrecarga à artrose. As alterações de FAIRBANK são estreitamento do espaço (primeiro pela perda do espaçador de cerca de 1 mm), achatamento do côndilo e osteófitos. Nas lesões radiais e de raiz, a força de contato produz lesões de medula óssea no fêmur e na tíbia e alterações de osteonecrose espontânea do joelho; na RM da raiz, procura-se edema ósseo ou fratura por insuficiência (cap. 56, Box 56.5, p. 2353).
Estabilidade (p. 1997). Com ligamentos íntegros, retirar o menisco aumenta pouco a frouxidão; com insuficiência ligamentar, o aumento é muito exagerado. No joelho sem LCA, a meniscectomia medial aumenta a translação tibial em 58% a 90 graus, enquanto a lateral não altera a translação anteroposterior primária; o efeito cresce com o slope tibial.
Mecanismo de lesão e epidemiologia
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O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1998), resume o mecanismo traumático: rotação com o joelho fletido indo para a extensão. O medial, muito menos móvel, fica preso entre os côndilos. O local mais comum é o corno posterior, e o tipo mais comum é o longitudinal.
A sequência clássica no medial. Na rotação interna vigorosa do fêmur sobre a tíbia com o joelho fletido, o fêmur empurra o medial para trás e para o centro; se a fixação posterior cede, o corno fica preso entre fêmur e tíbia e rasga longitudinalmente na extensão súbita. Se a lesão passa à frente do LCM, o segmento interno cai no intercôndilo: alça de balde com bloqueio.
No lateral, o mesmo mecanismo dá lesão periférica posterior ou longitudinal, mas a mobilidade o protege da alça de balde; por ser mais curvo e sem ligação com o LCL, sofre mais rupturas transversas incompletas.
Com o LCA (p. 1998 e 2000.e1), no mecanismo de pivot shift: no medial, lesões verticais da junção meniscocapsular do corno posterior, perto da raiz, a lesão em rampa; no lateral, avulsão aguda da raiz posterior ou ruptura radial oblíqua do lateral (LMORT). A raiz lateral posterior apareceu em 6,6% dos LCA agudos numa grande coorte.
Na seção do LCA (p. 2066 aprox.), o livro dá a proporção que a prova cobra: lesões meniscais acompanham 50 a 70% das lesões agudas do LCA; no evento inicial, o lateral é mais lesado que o medial; as lesões tardias são sobretudo do medial, por sua fixação firme à cápsula e por ele passar a segurar a tíbia no joelho instável. O capítulo 50 (p. 2003) completa: tratar o LCA de forma não operatória ou tardia aumenta o risco de lesão do medial.
Fatores predisponentes (p. 1998): menisco com formação cística periférica ou já menos móvel por lesão ou doença; discoide lateral; degeneração com a idade; eixos mecânicos anormais e rupturas ligamentares; frouxidão congênita e musculatura deficiente, sobretudo do quadríceps.
Frequência. O medial já foi 5 a 7 vezes mais diagnosticado; com a artroscopia, os dois parecem quase iguais (p. 2000.e1).
Classificação e tipos de lesão
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O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1998), classifica pela orientação vista na cirurgia: longitudinais, radiais e oblíquas, clivagem horizontal e complexas, mais as entidades raiz, rampa e LMORT, que aumentam a instabilidade anterior e rotatória sem LCA.
| Tipo | Descrição | Onde e por quê |
|---|---|---|
| longitudinal | paralela ao eixo longo, entre as fibras; a mais comum | segmento posterior, medial e lateral com frequência igual; completa ou incompleta; maioria na face inferior |
| radial (transversa, oblíqua) | perpendicular ao eixo longo | mais no lateral (círculo de raio menor); junção dos terços anterior e médio; degeneração, trauma ou cisto |
| horizontal | paralela ao platô | degeneração ou cisalhamento |
| complexa | radial mais longitudinal | degeneração ou trauma repetido |
| raiz | radial na inserção ou até 1 cm dela | lateral posterior aguda com LCA; medial posterior degenerativa na meia-idade |
| LMORT | junto à raiz, sem envolvê-la | pivot shift; côndilo lateral subluxado para trás comprime o corno posterior lateral |
| rampa | longitudinal na junção meniscocapsular do corno posterior medial | LCA; valgo, rotação interna da tíbia e impacção |
Longitudinal (p. 2000.e1). Pequena e limitada ao corno posterior, não bloqueia, mas dá dor, derrame e instabilidade; extensa, bloqueia quando a porção central cai no intercôndilo. Alça de balde é a longitudinal de pelo menos dois terços da circunferência (cap. 56, p. 2339); soltando uma das inserções, vira fragmento pediculado.
Radial. Corre da borda livre para a periferia, quando forças separam os segmentos anterior e posterior; o lateral, círculo de raio menor, rasga assim com mais facilidade (o cap. 56 a chama de quase exclusiva do lateral). Horizontal: clivagem entre as faces, em idosos, base da maioria das flap e complexas e do cisto.
Degenerativa. Resulta de forças fisiológicas repetitivas que desgastam o menisco, gerando clivagem horizontal ou lesões complexas com artrose associada (cap. 50, p. 2001).
A classificação de O'CONNOR (cap. 56, p. 2336 e Box 56.1, p. 2338) aparece no livro em quatro grupos, sem numeração romana: longitudinais (alça de balde, periféricas, rampa), horizontais, oblíquas e radiais, e variações (flap, complexas e degenerativas).
| Grupo | Características |
|---|---|
| longitudinal | trauma em menisco normal; vertical, paralela à borda; alça de balde (fragmento sobre o intercôndilo); periférica (zonas I a III); rampa a até 3 mm da junção meniscocapsular posterior medial |
| horizontal | idosos; metade posterior do medial ou segmento médio do lateral; clivagem por cisalhamento; origem da maioria das flap e complexas |
| oblíqua ou radial | espessura total, da borda livre para o corpo; oblíqua posterior ou anterior conforme a base; radial completa ou incompleta; "bico de papagaio" |
| variações (complexa e degenerativa) | elementos de todos os tipos; mecânica alterada crônica; irregularidade marcada em idosos |
E na criança? O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40, p. 2028): complexa 25%, discoide 25%, longitudinal 13%, alça de balde 10%, horizontal 10%, radial 7% e oblíqua 3%; radial e oblíqua são menos comuns que no adulto.
Rampa, raiz e LMORT: as lesões escondidas do LCA
Cobrança confirmada · 3 questões
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2000.e1), trata essas três como entidades distintas, todas ligadas ao LCA e ao pivot shift.
Rampa. Lesão longitudinal na junção meniscocapsular do corno posterior do medial, com LCA, por valgo, rotação interna da tíbia e impacção do côndilo medial contra o platô. Ocorre em 3 a 13% dos LCA (até 24 a 42% em séries recentes); numa série de 301 reconstruções, 17%, com menos da metade vista na RM. Edema ósseo posteromedial da tíbia foi sinal secundário de rampa em 72%. Pacientes mais jovens (7,5 anos a menos). O capítulo 56 a situa a até 3 mm da junção meniscocapsular e a põe nos "3 Rs" (rips, ramps, roots).
Por que reparar a rampa (cap. 50, p. 2005): está na zona vermelho-vermelho e cicatriza bem, às vezes por portal posteromedial; reconstruir só o LCA não restaura a rotação nem o pivot shift quando a rampa e o meniscotibial estão rotos.
Raiz. Lesão radial na inserção ou a até 1 cm dela; a lateral posterior é aguda, com LCA; a medial posterior, degenerativa na meia-idade, com o estalo atrás do joelho ao subir degrau (p. 2000). LMORT: radial oblíqua do lateral junto à raiz, sem envolvê-la.
| Item | Dado |
|---|---|
| clínica | dor posterior no joelho; derrame; flexão dolorosa |
| extrusão meniscal | mais de 3 mm ao nível do LCM |
| sagital | sinal do menisco fantasma |
| coronal | defeito linear vertical |
| diferencial | separar raiz verdadeira de radial do corno posterior |
| osso | edema ósseo ou fratura por insuficiência no compartimento |
| LAPRADE | 1 parcial estável; 2 radial completa a até 9 mm; 3 alça de balde com raiz solta; 4 complexa com raiz solta; 5 avulsão óssea |
| indicação de reparo | jovem, lesão traumática, cartilagem excelente; em geral abaixo de 50 anos |
A RM detecta raiz e rampa, mas com sensibilidade menor que para as demais lesões (cap. 50, p. 2003); o capítulo 56 (p. 2352) diz que rips e rampas escapam à RM em até 50% e raízes em 70%. Daí a regra: procurá-las na artroscopia mesmo com RM negativa, e muitos defendem o portal posteromedial de rotina na artroscopia do LCA para não perder a rampa (p. 2335 aprox.).
Quadro clínico: bloqueio, falso bloqueio e os sinais
Relevância clínica
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2000 e 2001), mantém o erro diagnóstico abaixo de 5% com história cuidadosa, exame, radiografias e, quando preciso, imagem especial e artroscopia, sempre lembrando que menisco lesado raramente vem sozinho: cápsula, ligamentos e cartilagem também sofrem.
- Bloqueio pode passar despercebido se não se comparar com o outro joelho, que deve ter 5 a 10 graus de recurvato: o joelho bloqueado pode chegar a zero e ainda estar bloqueado. Isso ocorre na alça de balde crônica alongada, cujo fragmento já foi tão longe no intercôndilo que não impede mais a extensão. O bloqueio quase só ocorre com lesões longitudinais, muito mais com a alça de balde, em geral do medial.
- Uma lesão muito periférica do lateral pode bloquear com RM normal: o joelho trava em mais flexão (perto de 70 graus), com dor lateral, depois de sentar sobre o pé, de pernas cruzadas, ajoelhar ou agachar; destrava com estalo audível e um tranco visível. Aqui a história é o único indício.
- Bloqueio não é patognomônico: tumor intra-articular e corpo livre osteocartilaginoso também bloqueiam. Bloqueio que não cede após aspirar a hemartrose e um período conservador pode exigir cirurgia.
- Falso bloqueio é o erro grave: logo após o trauma, hemorragia na cápsula posterior ou num colateral, com espasmo dos isquiotibiais, impede a extensão completa. Aspiração e repouso curto separam um do outro.
Sem bloqueio (p. 2001), contam o falseio em movimentos rotatórios (na fraqueza do quadríceps ele surge ao descer escada), o derrame (hemartrose súbita quando rompe a periferia vascular; sua ausência não exclui lesão), a atrofia do vasto medial e o clique reproduzido por manobras.
O achado mais importante é a dor localizada na interlinha medial ou lateral ou sobre a periferia do menisco, em geral posteromedial ou posterolateral, porque a maioria das lesões está nos cornos posteriores. O menisco não tem fibras nervosas, exceto na periferia: a dor vem da sinovite da cápsula e da sinovial adjacentes.
Na criança, o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40, p. 2028), registra até 40% sem trauma lembrado e derrame de repetição em só 34%.
Testes meniscais: McMURRAY, APLEY, agachamento e THESSALY
Cobrança confirmada · 2 questões
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2001 e 2002), lembra que todos os testes de manipulação buscam localizar e reproduzir a crepitação produzida pela lesão. Ruídos localizados na interlinha sugerem menisco; os da patela, do mecanismo extensor, do sulco troclear e de superfícies artrósicas devem ser diferenciados.
McMURRAY (Fig. 50.28). Supino, flexão máxima forçada, palpando a margem posteromedial da interlinha; rotação externa máxima e extensão lenta: clique = medial. Para o lateral, palpa-se a margem posterolateral com rotação interna. Clique entre flexão completa e 90 graus indica lesão periférica posterior; com mais extensão, terços médio e anterior. Negativo não exclui.
THESSALY (acurácia na tabela). Apoio monopodal, rotação do joelho e do corpo três vezes a 5 e a 20 graus; dor na interlinha é positivo; faz-se antes no joelho normal. APLEY: prono, 90 graus, distração (ligamento) e compressão com rotação (menisco). Agachamento: o lado da dor localiza melhor que a rotação.
| Teste | Posição e manobra | Desempenho |
|---|---|---|
| McMURRAY | supino, flexão máxima, palpa a interlinha posterior; RE e extensão (medial), RI e extensão (lateral) | sensibilidade 70%, especificidade 71% |
| APLEY | prono, 90 graus; distração (ligamento) e compressão com rotação (menisco) | sensibilidade 60%, especificidade 70% |
| dor na interlinha | palpação posteromedial e posterolateral | sensibilidade 63%, especificidade 77% |
| agachamento | rotação interna (lateral) e externa (medial) | lado da dor mais confiável que a rotação |
| THESSALY | monopodal, 5 e 20 graus, rotação 3 vezes | acurácia 94% (medial) e 96% (lateral) a 20 graus |
Nenhum é diagnóstico isoladamente, mas todos são úteis o bastante para a rotina, e a combinação melhora a acurácia. O Tachdjian (p. 2028) acrescenta que McMURRAY e APLEY ajudam sobretudo nas lesões do corno posterior do medial, e que, pela alta associação com o LCA, LACHMAN e pivot shift fazem parte do exame.
Dor no compartimento oposto. O Campbell (p. 2002) registra um fenômeno curioso: lesão de um menisco pode doer no compartimento contrário, mais vezes nas lesões posteriores do menisco lateral. O mecanismo não é compreendido; a RM reduziu o risco de explorar o compartimento errado.
O menisco no exame do LCA: o efeito trava de porta
Cobrança confirmada · 2 questões
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2016), explica: na gaveta anterior a 90 graus, o menisco medial, preso à tíbia, encosta no côndilo medial convexo e age como calço de porta ("doorstop"), dificultando a translação anterior. Em extensão, a superfície femoral é plana e não barra o avanço: o efeito trava de porta do corno posterior dos meniscos é anulado.
Por isso, no joelho agudo, o LACHMAN (15 a 20 graus) é o teste preferido: grau 1 com 1 a 5 mm, grau 2 com 6 a 10 mm, grau 3 com mais de 10 mm (p. 2016). Na gaveta (p. 2014), a rotação interna de 30 graus pode tensionar o LCP e apagar uma gaveta positiva.
Imagem: radiografia e RM
Relevância clínica
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2002 e 2003), pede AP, perfil, túnel e axial: a radiografia não confirma a lesão, mas afasta corpos livres e osteocondrite; espaço lateral alargado sugere discoide; na degenerativa, AP com carga e ROSENBERG medem a artrose.
RM (p. 2002 e 2003): sensibilidade e especificidade de 92% e 90% no medial e 80% e 95% no lateral; raiz e rampa têm sensibilidade menor; a RM não prevê a reparabilidade. Na criança, acurácia de cerca de 80% (Tachdjian, p. 2028).
Tratamento não operatório
Relevância clínica
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2003), observa lesões incompletas ou periféricas pequenas e estáveis (desvio menor que 3 mm à sondagem): 98% das laterais e 94% das mediais não precisaram de cirurgia em 6 anos; o lateral vai melhor. Jovens e lesões maiores que 10 mm acabam operando. Lesão não tratada não é inofensiva: 63% de artrose contra 19% sem lesão.
| Situação | Conduta |
|---|---|
| incompleta ou periférica estável, desvio < 3 mm, cerca de 10 mm, sem LCA | não operatório; melhor no lateral |
| periférica de até 7 mm, desvio < 3 mm (cap. 56) | cicatriza sem sutura; raspar a lesão e a sinovial |
| < 5 a 7 mm, estável, desvio < 1 mm à sondagem (cap. 56) | raspar; falha de 21% nas parciais mediais e 4% nas laterais; o livro prefere reparar as mediais |
| criança: parcial estável ou vertical periférica < 10 mm | pode ser observada |
| joelho bloqueado por alça de balde | nunca não operatório; centro cirúrgico na janela aguda |
| lesão crônica, mesmo na zona vascular | não cicatriza sem cirurgia (cicatriza se avivada e suturada) |
| lesão com instabilidade ligamentar e paciente que adia a reconstrução | pode ser observada; retirar o medial piora a instabilidade |
| degenerativa acima de 40 anos | não operatório como primeira linha; desbridamento se sintomas mecânicos ou falha |
Bloqueio por alça de balde (p. 2003): pode-se tentar reduzir com manipulação suave após anestésico intra-articular, mas não se repetem manipulações forçadas; o paciente vai ao centro cirúrgico na fase aguda, para aumentar a chance de reparo. O capítulo 56 (p. 2339) manda pedir RM logo e manter o paciente sem carga, de muletas, para proteger o fragmento até o reparo.
Degenerativa acima de 40 anos: desbridamento e não operatório se equivalem como primeira linha; sintomas mecânicos ou falha justificam o desbridamento.
O essencial do tratamento conservador é recuperar a força muscular ao nível do lado oposto: quadríceps, isquiotibiais, flexores e abdutores do quadril, com o máximo de movimento.
Meniscectomia: quanto tirar
Cobrança confirmada · 1 questão
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2003 e 2004), separa duas entidades com objetivos diferentes: a lesão traumática aguda do jovem ativo e a lesão degenerativa do mais velho. Reparo e preservação são preferidos sempre que possível; nas degenerativas, em geral se faz meniscectomia parcial.
Retirar um terço do menisco aumenta o contato em até 350%, e a degeneração é proporcional ao que se retira, pior após a total.
As regras do livro (p. 2004):
- Se o desarranjo causa sintomas quase diários, bloqueios frequentes ou derrames repetidos ou crônicos, a porção doente, se irreparável, deve sair: o problema atual pesa mais que a artrose futura.
- Preservar uma porção significativa da borda periférica com excisão subtotal melhora o resultado de longo prazo.
- A remoção completa só se justifica quando o menisco está irreparavelmente lesado, e a borda deve ser preservada sempre que possível.
- Evitar a meniscectomia total em atletas jovens e em quem usa o joelho vigorosamente; nesses, priorizar o reparo.
Resultados. Após parcial medial, 88% tinham estreitamento menor que 2 mm em 12 anos e 88 a 95% relatam bons resultados, embora o reparo seja melhor. Preditores de mau resultado: total ou retirada da borda, meniscectomia lateral (cap. 56: parciais laterais vão pior), lesão degenerativa, lesão condral, artrose de mãos e IMC alto.
Reparo: quem cicatriza
Cobrança confirmada · 1 questão
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2004 e 2005): em 8,8 anos, 80,8% dos reparados não tiveram progressão artrósica, contra 40% com artrose após meniscectomia. O fator classicamente decisivo é a distância da periferia, somada a tipo, cronicidade e tamanho.
Instabilidade aumenta a tensão no reparo e o risco de nova ruptura: o LCA deve ser estabilizado junto. Pelo arranjo do colágeno, os pontos ficam verticais.
A indicação ideal (p. 2005): lesão aguda, longitudinal, periférica, reparada com a reconstrução do LCA, em jovem, com 90% de cicatrização; a alça de balde deve ser reparada na fase aguda com tecido bom (83% com inside-out, 81% com all-inside em reparos isolados). O LCA ajuda pelos fatores de crescimento e células liberados na perfuração dos túneis.
O capítulo 56 (p. 2345 e 2346) acrescenta: cicatrizam melhor a borda menor que 4 mm e o reparo até 8 semanas; lesões maiores que 4 cm falham em mais da metade. Reparáveis: vertical única vermelho-vermelho ou vermelho-branco a até 3 mm da junção, mais de 1 cm. Condicionais: 3 a 5 mm, em jovens com cartilagem preservada, de preferência com LCA e estímulo biológico. Ressecar: múltiplas lesões, corpo danificado, branco-branco.
| Critério | Favorece o reparo | Desfavorece |
|---|---|---|
| localização | menos de 2 a 3 mm da cápsula | 4 a 5 mm ou mais |
| comprimento | mais de 1 cm | mais de 4 cm |
| estabilidade | instável e deslocável | múltiplas lesões, corpo deformado |
| idade | abaixo de 20, 20 a 40 anos | acima de 40 anos |
| joelho | estável ou estabilizado no mesmo tempo | instável, desalinhado |
| cartilagem | preservada | condromalácia grau III |
| tipo | vertical longitudinal | radial |
| tempo | até 8 semanas | crônica com tecido ruim |
| adjuvante | reconstrução do LCA ou coágulo de fibrina | nenhum |
Biológicos (cap. 50, p. 2005 e 2006; cap. 56, p. 2354): o marrow venting é mais custo-efetivo que o PRP e é indicado no reparo isolado a 3 a 5 mm da periferia; com reconstrução do LCA, a hemartrose dispensa o estímulo.
Os "difíceis" (cap. 50, p. 2005). Horizontais, complexas e radiais cicatrizam menos porque entram na zona branco-branco, mas houve 85 a 93% de cicatrização completa ou parcial em dois estudos; as radiais se reparam com transtibial ou com pontos verticais como "ripstop" seguidos de horizontais. Horizontais e complexas são quase sempre degenerativas.
Raiz (cap. 50, p. 2006; cap. 56, p. 2352 e 2353). O reparo transósseo normaliza estabilidade e pressão de contato; indica-se no paciente ativo, sem artrose significativa (OUTERBRIDGE 3 ou 4), sem estreitamento nem desalinhamento, em geral abaixo de 50 anos; transtibial e âncora são equivalentes. A meniscectomia parcial não interrompe a artrose na raiz posterior degenerativa; obesidade, tabagismo e extrusão de 3 mm ou mais pioram o resultado.
Pós-operatório (p. 2007): órtese de 0 a 90 graus com toque; radiais e raízes sem carga por 6 semanas; esporte após 3 a 6 meses.
Técnicas de sutura: inside-out, outside-in, all-inside
Cobrança confirmada · 3 questões
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 56, p. 2345 e 2346), divide o reparo artroscópico em quatro categorias:
1. Inside-out (de dentro para fora): exige incisão para expor a cápsula e colocar retratores que recolhem as agulhas; usa cânulas específicas por zona e fios absorvíveis ou não. 2. Outside-in (de fora para dentro): para lesões dos terços médio e anterior; muito usada em reparo híbrido, sobretudo da alça de balde, para os pontos mais anteriores. 3. All-inside (tudo por dentro): para lesões a 2 a 4 mm da inserção periférica, com fixadores com fio e nós pré-amarrados; fixação segura, menos risco condral, muito menos morbidade, sem incisões acessórias. 4. Híbrida: combina as anteriores.
| Técnica | Indicações do Box 56.3 |
|---|---|
| outside-in | corno anterior, terço médio, radiais, complexas, redução da alça de balde |
| inside-out | corno posterior, terço médio, alça de balde deslocada, lesões capsulares periféricas, aloenxertos |
| fixadores (all-inside) | corno posterior, borda maior que 2 a 3 mm, verticais e longitudinais, terço médio, radiais |
| preferência dos autores (Box 56.4) | corpo: all-inside; capsulares: inside-out; raiz anterior (8%): âncoras; raiz posterior (10 a 20%): pontos simples, túnel transtibial e botão |
A regra prática (Campbell's Concepts, p. 2339): outside-in para as anteriores; all-inside ou inside-out para as posteriores, pelo portal contralateral. Na alça de balde grande (p. 2346), um ponto estabilizador no meio, perto do canto posteromedial; pontos posteriores por cânula ou dispositivo; a porção anterior vai melhor de fora para dentro.
Inside-out (p. 2347): incisão posteromedial, entre o gastrocnêmio medial e a cápsula, com retrator protegendo os vasos poplíteos; no lateral, agulhas acima do bíceps poupam o fibular.
All-inside em detalhe (p. 2354). Os autores o usam na maioria dos reparos, com resistência e cicatrização próximas às do inside-out e sem incisões acessórias; as desvantagens são dano pelo implante, dificuldade de ponto vertical e custo. Batente da agulha em 14 ou 16 mm; pontos posteriores primeiro.
O Tachdjian (cap. 40, p. 2028) afirma que as suturas verticais de dentro para fora continuam o padrão-ouro, com os all-inside de nova geração de resistência semelhante; na criança, a zona avascular, o tempo ou o tamanho não contraindicam necessariamente o reparo.
Aloenxerto e substitutos
Possível cobrança
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2007 e 2008), indica o transplante ao jovem ativo, esqueleticamente maduro, com deficiência meniscal sintomática. Os resultados são de curto e médio prazo; a extrusão é frequente e pode anular o efeito condroprotetor.
| Capítulo 50 | Capítulo 56 | |
|---|---|---|
| idade | menos de 40 anos (até 50 se muito ativo e com pouca artrose) | até 50 anos, motivado, disposto a reduzir impacto |
| maturidade | esqueleto maduro | não citado |
| quadro | deficiência (ausente ou não funcional) com dor nas atividades diárias; falha do conservador | meniscectomia prévia; sintomas no compartimento tibiofemoral |
| causa | mecânica, não degenerativa nem sinovial | não citado |
| joelho | alinhamento normal, estável, cartilagem OUTERBRIDGE I ou II | sem artrose avançada; espaço de 2 mm ou mais em pé |
| contraindicações | instabilidade, desalinhamento varo-valgo não corrigido (2 a 4 graus), artrose avançada | desalinhamento, instabilidade não corrigida, condromalácia acima de grau III, infecção prévia, uso profilático em assintomático |
Preservação (p. 2008): só a criopreservação mantém 10 a 40% de células viáveis, porém é mais imunogênica; a irradiação acima de 2,5 Mrad lesa o colágeno e eliminar o HIV exige mais de 3 Mrad, por isso não se recomenda esterilização secundária por irradiação.
Resultados. Cerca de 70% melhoram, mas a sobrevida cai de 85,8% (medial) e 89,2% (lateral) em 5 a 10 anos para 57,9% e 56,2% em 15 a 20 anos: é procedimento de salvação, com efeito condroprotetor moderado. No capítulo 56 (p. 2355), laterais vão melhor que mediais, e os melhores resultados vêm com tampões ou ponte óssea.
Arcabouços (cap. 56, p. 2354): colágeno e poliuretano, usados na Europa desde os anos 1990, para ressecções de mais de 25% com borda periférica e raízes estáveis, joelho estável e alinhado, cartilagem grau 1 a 3 e síndrome pós-meniscectomia; não liberados para uso geral nos Estados Unidos.
Cisto meniscal
Cobrança confirmada · 2 questões
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2008 e 2009), dá frequência de cerca de 1,5%, com cistos do lateral 3 a 10 vezes mais comuns que do medial (em outro ponto, p. 2000, nove vezes). Os cistos se associam frequentemente a rupturas: numa análise de 1571 meniscos, os 112 com cisto tinham todos ruptura horizontal ou alça de balde com componente horizontal.
Onde e como se apresenta. No lateral, palpável logo anterior e proximal à cabeça da fíbula e anterior ao LCL; firme, multiloculado, gelatinoso. Mais proeminente em extensão, menos em flexão; o pequeno some na flexão: sinal de PISANI. O grande pode erodir o platô; o que avança para a fossa poplítea imita o cisto de BAKER. Dor com atividade é o sintoma principal; a RM define o cisto e a lesão.
As teorias do Box 50.2 (p. 2009) são trauma com degeneração mucoide, degeneração com a idade, inclusão ou metaplasia de células sinoviais e influxo de células sinoviais por microrrupturas, esta última com correlação de 100% com lesão meniscal, sobretudo na periferia do terço médio do lateral. O capítulo 50 (p. 2000) completa o raciocínio: a causa mais comum é trauma que produz degeneração, com alterações mucinosas e císticas na periferia; com a inflamação, o menisco fica menos móvel e mais sujeito a novas rupturas longitudinais ou radiais.
Tratamento (p. 2009). Em geral cirúrgico, porque injeções e anti-inflamatórios dão alívio temporário: meniscectomia parcial artroscópica com descompressão do cisto, muitas vezes passando o shaver pela fenda da clivagem horizontal até o cisto; carga total imediata. A excisão aberta fica para o cisto com menisco quase normal; o capítulo 56 (p. 2345) lembra que o cisto que não descomprime pode ser aspirado por via percutânea.
Menisco discoide e a classificação de WATANABE
Cobrança confirmada · 1 questão
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2010), dá incidência abaixo de 1% (26% em japoneses e coreanos); o cap. 56 (p. 2344), 0,4 a 5%, bilateral em menos de 10% e medial em menos de 0,3%.
A classificação de WATANABE separa o discoide lateral em completo, incompleto e tipo WRISBERG, pela cobertura do platô lateral e pela presença ou ausência da inserção meniscotibial posterior normal.
| Tipo | Forma e inserções | Clínica | Tratamento |
|---|---|---|---|
| completo | disco que cobre todo o platô; inserções periféricas e posterior presentes; pouco móvel | geralmente assintomático; roto, sintomas de lesão comum | intacto: nada; roto: saucerização com borda de 6 a 8 mm |
| incompleto | concavidade central variável, não cobre todo o platô; inserção posterior presente | idem | idem |
| WRISBERG | pode ter forma quase normal; sem inserção tibial posterior, só o ligamento de WRISBERG | mais jovem, sem trauma; estalido na flexo-extensão ("snapping knee"); o menisco vai ao intercôndilo na extensão | Campbell 50: meniscectomia total; Campbell 56: reparo se o tecido é saudável; Tachdjian: estabilização periférica |
O tipo WRISBERG não tem inserção tibial posterior: na extensão, o ligamento de WRISBERG puxa o corno posterior para o intercôndilo e, na flexão, ele volta, gerando o estalido ("snapping knee syndrome"), em idade mais jovem e sem trauma. O Tachdjian (p. 2013) o descreve como tradicionalmente o menos comum. O discoide medial é muito raro, mais associado a trauma e a lesão (Campbell 50, p. 2010).
Embriologia (Tachdjian, p. 2013): o menisco normal nunca passa por fase discoide; nasce semilunar, e o discoide já foi visto aos 4 e 6 meses de vida.
Clínica na criança (Tachdjian, p. 2014): estalido indolor notado em geral depois dos 4 anos, com abaulamento na interlinha lateral que some quando o menisco salta para o intercôndilo; ou contratura em flexão e bloqueio, que indicam discoide roto ou instável na periferia. No adolescente, quadro de lesão meniscal comum.
Imagem (Campbell 50, p. 2010; Tachdjian, p. 2014): espaço lateral alargado (até 11 mm), côndilo lateral quadrado, platô em cálice, espinha tibial lateral hipoplásica e fíbula alta; a RM é diagnóstica, mas a instabilidade periférica às vezes só aparece na artroscopia.
Tratamento (Campbell 50, p. 2010 e 2011). O completo ou incompleto intacto, achado ao acaso, não precisa de tratamento. O roto recebe saucerização (meniscectomia subtotal do fragmento móvel), preservando 6 a 8 mm de borda; em 10 anos houve degeneração em 23% com saucerização, 39% com parcial e reparo e 88% com subtotal. Para o WRISBERG, o Campbell 50 indica meniscectomia total, porque a subtotal deixaria borda instável.
O capítulo 56 (p. 2344) repara o WRISBERG quando o tecido é saudável e deixa borda de cerca de 8 mm; bons resultados em 55 a 94%, piores com degeneração, sexo feminino e mais de 20 anos.
O Tachdjian (p. 2015 e 2016) faz meniscectomia parcial central preservando 5 a 7 mm e estabiliza a borda: KLINGELE achou instabilidade periférica em 28%, reparável em 31 de 36. Bons resultados em cerca de 85%; pioram sintomas por mais de 6 meses, valgo, lesão horizontal e meniscectomia total.
Divergência entre os livros. No tipo WRISBERG, o Campbell 50 mantém a meniscectomia total, enquanto o Campbell 56 e o Tachdjian preferem reparar ou estabilizar a periferia quando o tecido é bom; na borda, o Campbell fala em 6 a 8 mm e o Tachdjian em 5 a 7 mm.
Fechamento
Fundamento
Tudo cabe na imagem do aro: quebrá-lo vale por tirar o menisco; a periferia cicatriza; o medial, preso à cápsula, rasga na rotação e trava a gaveta; o lateral, móvel, faz radial, cisto e discoide.