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Fraturas do quadril e do acetábulo

QuadrilResumo do capítulo36 min de leitura

Ilioinguinal sem acesso à articulação (só com fratura), iliofemoral estendida de LETOURNEL (1975) internervosa com joelho fletido, combinadas para evitar ossificação e desvascularização; tenotomia posterior a 1,5 cm do trocanter (circunflexa medial); lágrima dissociada da ilioisquiática = superfície quadrilátera; JUDET oblíqua anterior = coluna anterior e rebordo posterior; duas colunas é a associada mais comum (23%); arcos de VRAHAS 45/25/70; GARDEN 160 no AP e 180 no perfil, LOWELL em S; PAUWELS compressão melhor que cisalhamento; JOHANSSON furou o prego de SMITH-PETERSEN; estresse em tensão (superior) opera, compressão (inferior) poupa carga; ASBMR transversa lateral sem cominuição; PIPKIN; tipo F do sistema unificado é fratura após hemiartroplastia; PARKINSON: pneumonia, haste cimentada, adutores; coxa com três compartimentos.

Atualizado em 04/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulos 9 (Ilioinguinal, Extended Iliofemoral, and Combined Approaches), 77 (Proximal Femoral Fractures Treated with Arthroplasty) e 87 (Periprosthetic Fractures of the Pelvis Associated with Hip Arthroplasty), com trechos dos capítulos 1, 2, 5, 7, 23, 24, 38, 72 e 74, em The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017. Autores do capítulo: William A. McGann e Aaron G. Rosenberg (cap. 9); Douglas E. Padgett e Joseph B. Assini (cap. 77); Mihai H. Vioreanu, Donald S. Garbuz, Bassam A. Masri e Clive P. Duncan (cap. 87).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de quadril do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), capítulo 9, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo nasce do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (CALLAGHAN), 3ª ed., o livro do cirurgião de quadril. Não repete os resumos do Rockwood (acetábulo, anel pélvico, luxação, colo, transtrocantérica, estresse) nem o de imagem do CALLAGHAN, aos quais remete: o ângulo é o do cirurgião que um dia vai pôr uma prótese nesse quadril. O eixo são os capítulos 9 (vias), 77 (artroplastia na fratura proximal) e 87 (fraturas periprotéticas da pelve), com trechos de história, imagem, doença metabólica, artrose pós-traumática e quadril neuromuscular.

A banca cobra anatomia das vias (o que expõem, o que arriscam, a que distância se corta um tendão), radiografia (linhas, JUDET, índices de redução) e classificações com decisão (LETOURNEL, PIPKIN, FULLERTON e SNOWDY, BOYD e GRIFFIN, ASBMR, sistema unificado). Os fellowships perguntam "segundo CALLAGHAN"; TARO, TEOT e ENARE vão ao número e ao nome.

Uma ideia atravessa o resumo: osso e partes moles desvascularizados não perdoam. Daí poupar os abdutores na ilioinguinal, preferir combinadas às extensíveis, cortar o obturador interno longe do trocanter e temer o desvio do colo.

O acetábulo visto por dentro: colunas, paredes e vasos

Cobrança confirmada · 1 questão

O Y invertido de LETOURNEL

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 51, seção de imagem) descreve o acetábulo apoiado entre os ramos de um Y invertido de osso, ligado à sacroilíaca por um contraforte espesso acima da incisura isquiática maior, o contraforte isquiático. LETOURNEL foi o primeiro a descrever a anatomia cirúrgica do osso inominado e chamou os dois ramos de coluna anterior (iliopectínea) e coluna posterior (ilioisquiática).

A coluna anterior, nessa descrição, é a metade anterior da asa ilíaca, contínua com a borda pélvica até o ramo púbico superior, mais a metade anterior da superfície articular. A coluna posterior começa no topo da incisura isquiática maior, segue as incisuras maior e menor e inclui a tuberosidade isquiática. As paredes anterior e posterior são partes das respectivas colunas. Repare na consequência: a coluna anterior é a longa, que sobe até a crista e desce até o púbis; a posterior é a curta e grossa, que termina em cima, na incisura.

Os vasos que sangram e os nervos que param de funcionar

No The Adult Hip (CALLAGHAN), cap. 2 (p. 47 e 48), os vasos e o nervo glúteos superiores saem pela parte superior da incisura isquiática, acima do piriforme, são relativamente fixos, ficam mais próximos da coluna posterior e chegam a 2 mm do osso no ponto da incisura. O Rockwood (cap. 51, seção de lesões associadas) completa: uma espícula da coluna posterior desviada na incisura pode lacerar a glútea superior e causar choque, tratável por embolização. Lesão nervosa aparece em até 30% das fraturas do acetábulo; o ciático é o mais comum, em geral parcial, e a divisão fibular tem o pior prognóstico.

A corona mortis é o outro vaso que a banca adora. O Rockwood (cap. 51, Fig. 51-52) separa duas coisas: as pequenas anastomoses comuns entre os sistemas obturatório e ilíaco externo e a corona mortis verdadeira, que é a origem anômala da artéria obturatória a partir do sistema ilíaco externo. Ela deve ser procurada na janela média da ilioinguinal antes de afastar os vasos. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 61, p. 2710), na via de STOPPA modificada, define a corona como anastomose da obturatória com a ilíaca externa ou com a epigástrica inferior e manda ligá-la. O CALLAGHAN (cap. 9, p. 137 aprox.) diz que a anastomose entre ilíaca externa e obturatória geralmente existe e corre sobre o ramo, e que, quando a obturatória nasce só da ilíaca externa, o ramo deve ser preservado. Nenhum dos três livros dá uma porcentagem.

Colunas do acetábulo e o que corre perto delas (Rockwood 10, cap. 51; CALLAGHAN, cap. 2, p. 47 e 48; cap. 9, p. 137)
EstruturaO que éPor que importa
coluna anteriormetade anterior da asa ilíaca, borda pélvica até o ramo superior, metade anterior da superfície articularlonga; exposta pela ilioinguinal
coluna posteriordo topo da incisura isquiática maior às incisuras e à tuberosidade isquiáticacurta e grossa; exposta pelo KOCHER-LANGENBECK
contraforte isquiáticoosso espesso acima da incisura maiorliga as colunas à sacroilíaca
glúteos superioressaem pela parte superior da incisura, acima do piriformea 2 mm do osso; espícula da coluna posterior lacera
corona mortisobturatória com origem anômala no sistema ilíaco externoprocurar e ligar antes de afastar os vasos
ciáticolesado em boa parte das fraturas (até 30% de lesão nervosa)divisão fibular com pior prognóstico

Linhas do acetábulo, a lágrima e as oblíquas de JUDET

Cobrança confirmada · 2 questões

As seis linhas e a lágrima de KÖHLER

O Rockwood (cap. 51, Fig. 51-9 e Tabela 51-2) lista seis marcos no AP da pelve: linha iliopectínea, linha ilioisquiática, U radiográfico (a lágrima), teto, rebordo anterior e rebordo posterior. Iliopectínea, rebordo anterior e lágrima são marcos da coluna anterior; ilioisquiática e rebordo posterior, da coluna posterior.

O raciocínio que a banca cobra está na lágrima. A linha ilioisquiática nasce da tangência do feixe à porção posterior da superfície quadrilátera. A lágrima não é estrutura anatômica: o ramo lateral corresponde à parte inferior da parede anterior e à fossa cotiloide, e o ramo medial ao canal obturatório e à porção anteroinferior da superfície quadrilátera. Como as duas imagens dependem em parte da superfície quadrilátera, no acetábulo normal elas estão sempre superpostas. Quando se separam, há só duas explicações: rotação da hemipelve ou fratura da superfície quadrilátera.

Na fratura isolada da coluna posterior, a ilioisquiática se desloca e a iliopectínea fica íntegra; a ilioisquiática também se afasta da lágrima. Na transversa infratectal, ao contrário, a ilioisquiática mantém a relação normal com a lágrima, porque o traço passa abaixo do teto e não separa o pedaço da quadrilátera que forma as duas linhas (Rockwood, cap. 51, Fig. 51-19 e 51-26).

No CALLAGHAN (cap. 72, p. 944 aprox.), a ruptura da linha de KÖHLER na pós-traumática avisa que uma cúpula hemisférica sozinha pode não fixar.

JUDET: qual oblíqua mostra o quê

As incidências de JUDET são oblíquas a 45 graus. No CALLAGHAN, cap. 23 (p. 342 e 343), a oblíqua anterior mostra a coluna anterior (iliopúbica) e o rebordo posterior; a oblíqua posterior mostra a coluna posterior (ilioisquiática) e o rebordo anterior. Cada oblíqua mostra regiões diferentes dos dois acetábulos ao mesmo tempo, e as duas são necessárias para avaliar os dois lados.

No Rockwood, a obturatriz mostra o forame, a coluna anterior e o rebordo posterior (onde se vê a subluxação discreta); a ilíaca mostra a asa, as incisuras, o rebordo anterior e a coluna posterior. Regra cruzada: cada oblíqua mostra a coluna de um lado e o rebordo do outro.

Marcos radiográficos do acetábulo (Rockwood 10, cap. 51, Tabela 51-2; CALLAGHAN, cap. 23, p. 342 e 343)
IncidênciaMarcoO que avalia
APiliopectíneacoluna anterior
APilioisquiáticacoluna posterior
APlágrimarelação entre as colunas; separada da ilioisquiática = quadrilátera ou rotação
APtetosuperfície articular superior
APrebordos anterior e posteriorparedes
obturatriz (oblíqua anterior)borda pélvica, rebordo posterior, anel obturatóriocoluna anterior e parede posterior
ilíaca (oblíqua posterior)borda posterior do inominado, incisuras, rebordo anteriorcoluna posterior e parede anterior

LETOURNEL, as frequências e os arcos do teto

Cobrança confirmada · 1 questão

Dez padrões, cinco e cinco

O Rockwood (cap. 51, Tabela 51-3) mantém a classificação de LETOURNEL: cinco elementares (parede posterior, coluna posterior, parede anterior, coluna anterior e transversa) e cinco associadas (coluna posterior com parede posterior, transversa com parede posterior, coluna ou parede anterior com hemitransversa posterior, em T e duas colunas). A transversa entra como elementar apesar de cruzar as duas colunas, porque o traço é um só.

A pergunta clássica é qual padrão é mais frequente. Entre todas, a parede posterior (cerca de 25%) e as duas colunas (23%) disputam o topo; entre as associadas, as duas colunas são as mais comuns e também o padrão mais frequente no idoso. A transversa com parede posterior vem logo atrás, com cerca de 20%.

O que define as duas colunas é que nenhuma parte da superfície articular fica presa ao ílio: o acetábulo inteiro está desconectado do esqueleto axial. Transversa, transversa com parede posterior, T e anterior com hemitransversa posterior também atravessam as duas colunas, mas em todas elas sobra um pedaço do teto preso ao ílio. Duas consequências são exclusivas das duas colunas: a congruência secundária (os fragmentos giram em torno da cabeça medializada e continuam congruentes a ela, porque o lábio fica íntegro) e o sinal do esporão, a cortical externa da parte mais caudal do ílio intacto, melhor vista na oblíqua obturatriz.

Frequência dos padrões de LETOURNEL (Rockwood 10, cap. 51, seção de classificação)
PadrãoTipoFrequência
parede posteriorelementarcerca de 25%
coluna posteriorelementar3% a 5%
parede anteriorelementar1% a 2%
coluna anteriorelementar3% a 5%
transversaelementar5% a 19%
coluna e parede posteriorassociada3% a 4%
transversa com parede posteriorassociadacerca de 20%
anterior com hemitransversa posteriorassociadacerca de 7%
em Tassociadacerca de 7%
duas colunasassociada23%, a associada mais comum

Arcos do teto: quando o acetábulo que sobrou basta

O Rockwood (cap. 51, seção de tratamento não operatório) explica a medida: com o membro fora de tração e a cabeça concêntrica, traça-se uma vertical pelo centro da cabeça e uma linha do centro até onde o traço encontra a superfície articular. O arco medial é medido no AP, o anterior na oblíqua obturatriz e o posterior na oblíqua ilíaca.

A recomendação antiga era mais de 45 graus nos três. O estudo biomecânico de VRAHAS mudou os números: medial maior que 45, anterior maior que 25 e posterior maior que 70 graus indicam acetábulo intacto suficiente para tratar sem cirurgia. Um trabalho com carga de levantar da cadeira propõe valores ainda maiores (cerca de 91, 67 e 101 graus). Os arcos não se aplicam às duas colunas (não há acetábulo intacto para medir; vale a congruência secundária) nem à parede posterior (vale a estabilidade). Pela TC, os 10 mm superiores da superfície articular equivalem à cúpula de carga; desvio maior que 2 mm na cúpula é indicação cirúrgica para a maioria.

O CALLAGHAN (cap. 72, p. 943 e 944): degrau maior que 2 mm piora o resultado, e a má redução é a complicação mais frequente da fixação.

Arcos do teto (Rockwood 10, cap. 51)
ArcoIncidênciaCritério antigoVRAHASO que vigia
medialAP> 45 graus> 45 grausteto medial
anterioroblíqua obturatriz> 45 graus> 25 grausparede e coluna anterior
posterioroblíqua ilíaca> 45 graus> 70 grausparede e coluna posterior
não se aplicaduas colunas e parede posteriorcongruência secundária e estabilidade

A via ilioinguinal: o acetábulo por dentro

Relevância clínica

O que ela é e o que ela alcança

No CALLAGHAN, cap. 9 (p. 135), McGANN e ROSENBERG descrevem a ilioinguinal como uma modificação da iliofemoral de SMITH-PETERSEN, refeita por JUDET e LETOURNEL para chegar à pelve anterior e ao acetábulo quando a exposição precisa ir distal à eminência iliopectínea. Proximal a essa eminência, a iliofemoral clássica basta.

A lista do que ela alcança é a que cai na prova, quase palavra por palavra:

  • face interna do ílio, superfície interna da pelve verdadeira e articulação sacroilíaca;
  • superfície quadrilátera até a espinha isquiática e forame obturado;
  • coluna anterior até o ramo púbico superior e sínfise púbica.

E a exceção mais cobrada: ela não dá acesso direto à articulação do quadril, a não ser que haja ruptura óssea do acetábulo, como numa fratura. É uma via de dentro da pelve; a cápsula fica do outro lado do osso.

Soltar os abdutores expõe a face externa à custa da circulação óssea; sem soltá-los, a ossificação heterotópica não é risco importante. Fraturas da parede ou da coluna anterior e fraturas em T podem ser expostas e fixadas por ela. Aqui há uma divergência: o Rockwood (cap. 51, seção de vias) reserva a ilioinguinal para T e transversas selecionadas, em que o desvio principal é anterior e o posterior é mínimo.

Como se faz: dois ramos e três janelas

Decúbito dorsal com o lado elevado 0 a 30 graus e sonda de FOLEY para descomprimir a bexiga. A incisão tem um ramo medial (2 a 3 cm acima da sínfise até a EIAS) e um lateral (da EIAS até além do tubérculo do glúteo médio). No canal inguinal, a epigástrica inferior é ligada na borda medial do anel profundo e o cutâneo femoral lateral, que penetra 1 a 3 cm medial à EIAS, é preservado ou seccionado.

A peça-chave é a fáscia iliopectínea, continuação da fáscia do iliopsoas junto ao nervo femoral: ela é a porta da pelve falsa para a verdadeira e separa o compartimento muscular do vascular. Depois dela, a pelve é trabalhada entre três envelopes móveis: iliopsoas com nervo femoral, bainha dos vasos ilíacos externos e cordão espermático. Flexão e rotação externa do quadril relaxam o iliopsoas. Afastar os vasos para lateral e o cordão para medial expõe o ramo superior; afastar o cordão para lateral expõe a sínfise (p. 136).

Na legenda da Fig. 9.6 (p. 141 aprox.), o capítulo avisa que a extensão anterior (soltar sartório, ligamento inguinal e cabeça direta do reto) desvasculariza o osso e pode não estar indicada em fratura. É o mesmo princípio que aparece nas combinadas.

Iliofemoral estendida, via posterior e abordagens combinadas

Cobrança confirmada · 2 questões

A iliofemoral estendida de LETOURNEL

O CALLAGHAN (cap. 9, p. 137) conta que a iliofemoral estendida foi criada por Emil LETOURNEL em 1975 para expor toda a face externa do ílio. Ela mostra as colunas anterior e posterior ao mesmo tempo, da crista ilíaca à tuberosidade isquiática, com acesso ao ísquio, à espinha e à coluna posterior, à face externa do ílio e, na frente, até a área iliopectínea. A fossa ilíaca interna, porém, só é alcançada indiretamente, por palpação digital, nunca vista. Uma capsulotomia abre a articulação.

É uma verdadeira via internervosa: separa o tensor da fáscia lata (glúteo superior) do grupo inervado pelo femoral. O paciente fica em decúbito lateral, em mesa de fratura ou radiotransparente, com o membro livre, quadril estendido e joelho fletido para tirar a tensão do ciático. A incisão vai da EIPS à EIAS e desce pela coxa anterior em direção à borda lateral da patela. A via entra na bainha do tensor, ao contrário da SMITH-PETERSEN clássica, justamente para fugir do cutâneo femoral lateral, 10 a 15 cm distal à EIAS. Ao soltar o tensor aparece a circunflexa ilíaca; mais fundo, sob o reto, o ramo ascendente da circunflexa femoral lateral é ligado (p. 139 e 140).

O capítulo é honesto sobre o custo: soltar glúteo mínimo e médio do trocanter pode deixar problema importante na função abdutora; se der para expor sem isso, melhor. Soltar o glúteo máximo e os rotadores curtos dá exposição quase circunferencial do quadril e de toda a coluna posterior (p. 140 e 141). O Rockwood (cap. 51, seção de vias) confirma o decúbito lateral com joelho fletido para relaxar o ciático e acrescenta que a via é hoje rara, usada sobretudo na cirurgia após 2 semanas, quando o calo impede a manipulação indireta.

Combinadas: a resposta ao preço das extensíveis

A última seção do cap. 9 (p. 141 e 142 aprox.) é curta e muito cobrada. As abordagens combinadas dão acesso ao quadril e ao acetábulo, às colunas anterior e posterior, quando a fratura é cominutiva; a indicação principal é o acesso simultâneo às duas colunas. As extensíveis também dão esse acesso, mas desnudam partes moles do osso, o que leva a ossificação heterotópica e desvascularização. Por isso as combinadas foram popularizadas como alternativa às extensíveis (iliofemoral estendida e trirradiada).

O cap. 72 (p. 944 e 945) repete o argumento na artroplastia pós-traumática.

Aqui mora uma divergência útil. O CALLAGHAN apresenta as combinadas como a solução moderna. O Rockwood (cap. 51, seção de vias) diz que a combinação simultânea das vias anterior e posterior caiu em desuso, e que o cirurgião hoje escolhe uma via esperando resolver tudo por ela e acrescenta a outra em sequência se a coluna oposta não reduzir; o STOPPA modificado, com a janela lateral, ganhou espaço. Os dois concordam no princípio: evitar a extensível sempre que possível.

A via posterior no acetábulo: a régua de 1,5 cm

O KOCHER-LANGENBECK é a via ideal para parede posterior, coluna posterior e a maioria das transversas e T com desvio posterior (Rockwood, cap. 51, Tabela 51-5). Ela mostra toda a face lateral da coluna posterior; as incisuras maior e menor aparecem depois de seccionar piriforme e obturador interno; a superfície quadrilátera só é sentida pelo dedo pela incisura maior; o feixe glúteo superior limita a subida.

A regra que a banca transformou em número: piriforme e obturador interno devem ser seccionados a pelo menos 1,5 cm do trocanter maior para não lesar o ramo ascendente (profundo) da circunflexa femoral medial. Não se disseca distal ao gêmeo inferior no fêmur e, se for preciso descer no ísquio, o quadrado femoral é solto da origem isquiática, não do fêmur (Rockwood, cap. 51, seção da via posterior e quadro de armadilhas). O Rockwood, cap. 53 (seção de irrigação), explica a anatomia: o ramo profundo da circunflexa medial aparece na borda proximal do quadrado femoral 1,5 cm medial à crista trocantérica e passa anterior ao tendão conjunto antes de perfurar a cápsula. O Campbell (cap. 60, p. 2689) usa a mesma régua na luxação irredutível: 15 mm da inserção.

Vias para o acetábulo (CALLAGHAN, cap. 9, p. 135 a 142; Rockwood 10, cap. 51, Tabela 51-5)
ViaPosiçãoExpõeNão expõe ou custaIndicação típica
ilioinguinaldorsal, lado elevado 0 a 30 grausílio interno, sacroilíaca, quadrilátera, coluna anterior, ramo, sínfisearticulação (sem fratura); face externa só soltando abdutoresparede e coluna anterior, T anterior, maioria das duas colunas
iliofemoraldorsalcrista e fossa ilíaca interna até a eminência iliopectíneamedial à eminênciacoluna anterior alta
iliofemoral estendidalateral, quadril estendido, joelho fletidoface externa toda, duas colunas, articulaçãofossa interna só pelo dedo; abdutores e ossificaçãoassociadas complexas e tardias
KOCHER-LANGENBECKposterior ao quadrilcoluna posterior, incisuras, parede posterioranterior; limitada pelo glúteo superiorparede e coluna posterior, transversa posterior
combinadasduasduas colunaslogísticacominutivas, evitar extensível

Luxação, cabeça femoral e PIPKIN

Cobrança confirmada · 2 questões

Mecanismo e imagem

O Rockwood (cap. 52, seção de mecanismo e Tabela 52-1) mostra que a posição do quadril no impacto decide a lesão. Com mais flexão, adução e rotação interna, a força longitudinal do painel produz luxação pura; com menos adução ou menos rotação interna, produz fratura-luxação, seja da parede posterior, seja um cisalhamento da porção anterior da cabeça contra a parede posterior, com o fragmento ficando no acetábulo e o resto da cabeça luxando para trás. As anteriores vêm de hiperabdução e extensão: extensão leva à luxação púbica superior; flexão, à obturatória inferior. As posteriores superam as anteriores em cerca de 9 para 1.

O CALLAGHAN, cap. 23 (p. 350 e 351), traduz isso para a radiografia. 90% das luxações são posteriores, e o quadril é mais vulnerável em flexão, porque a cápsula fica frouxa. Na posterior, a cabeça sobe e vai para trás, o fêmur fica em adução e rotação interna, e a cabeça, mais perto do detector, parece menor que a do outro lado. Na anterior obturatória a coxa fica em flexão; na ilíaca, em extensão e rotação externa, com o trocanter menor de perfil. E um aviso: numa única incidência a cabeça pode parecer igual nas duas direções, por isso no mínimo duas incidências. O Rockwood (cap. 52, seção de imagem) dá a mesma regra do tamanho: maior se anterior, menor se posterior.

A cabeça femoral na luxação

Para o Rockwood (cap. 52, seção de patoanatomia), a cabeça pode sofrer cisalhamento, impacção ou avulsão, e as avulsões são as mais comuns: ao luxar, um pequeno fragmento fica preso ao ligamento redondo; se for pequeno e dentro da fóvea, pouco importa. A impacção é mais comum após luxação anterior e pode ser grande, como uma lesão de HILL-SACHS; na classificação das anteriores, as lesões de impacção superam as de cisalhamento. BRUMBACK descreve no tipo 4A a indentação da superfície superolateral da cabeça na luxação anterior.

PIPKIN subdividiu a luxação posterior com fratura da cabeça em quatro tipos: I caudal à fóvea, II cefálica à fóvea (inclui a área de carga), III com fratura do colo e IV qualquer um deles com fratura do acetábulo (Rockwood, cap. 52). O tipo I costuma ser fragmento que se debrida; o III é o temido, porque soma a fratura do colo.

A complicação tardia

O CALLAGHAN, cap. 72 (p. 937), é taxativo: a artrose pós-traumática é a complicação de longo prazo mais comum da luxação simples, em cerca de 24%, e passa de 80% quando a luxação vem com fratura do acetábulo. A necrose da cabeça após luxação simples fica entre 1% e 17%, e a maioria dos autores reduz em até 24 horas. A artrose aparece mesmo sem necrose. Na fratura da cabeça, numa série de 20 pacientes, 95,2% tinham artrose radiográfica. No Rockwood (cap. 52), reduzir depois de 12 horas multiplica por 5,6 o risco de necrose.

Pelve: livro aberto, fratura exposta e clamp em C

Cobrança confirmada · 2 questões

Estabilidade parcial

A classificação de TILE (Rockwood, cap. 50) separa o anel pelo que ainda segura: A estável; B rotacionalmente instável e verticalmente estável, com B1 = livro aberto, B2 compressão lateral ipsilateral e B3 contralateral ou alça de balde; C instável nos dois planos. O livro aberto nasce de rotação externa de uma ou das duas hemipelves, com dobradiça posterior; a sínfise falha primeiro, e os ligamentos sacroilíacos anteriores em seguida. Em YOUNG e BURGESS, APC II é a abertura anterior da sacroilíaca com ligamentos posteriores íntegros, e APC III a ruptura completa.

Há uma nuance de nome. Pelo TILE, o livro aberto é o exemplo do parcialmente estável, porque o plano vertical está preservado. O mesmo capítulo do Rockwood, ao comparar classificações, coloca APC II e III no grupo instável de YOUNG e BURGESS. O que define o B é a estabilidade vertical.

Fratura exposta da pelve

O Rockwood (cap. 50) dá até 5% de fraturas expostas entre as lesões do anel; as feridas podem estar na crista ou no períneo e muitas vezes são contíguas à vagina ou ao reto, o que contamina e aumenta osteomielite, infecção pélvica profunda e mortalidade. A bexiga e a uretra ficam logo atrás da sínfise; o reto, à frente do sacro. O Campbell (cap. 61, p. 2737 e 2741) cita mortalidade de até 50%, sepse fecal como causa importante, colostomia nas feridas perineais pelas zonas de FARINGER (zona I quase sempre, zona III raramente) e exame vaginal e retal de rotina, porque fragmentos perfuram essas estruturas.

Anel pélvico: estabilidade e exposição (Rockwood 10, cap. 50; Campbell 15, cap. 61, p. 2737 e 2741)
ItemDado
TILE Aestável (A1 fora do anel, A2 pouco desviada)
TILE Binstável em rotação, estável na vertical (B1 livro aberto)
TILE Cinstável em rotação e na vertical
APC II e IIIabertura anterior da SI com posteriores íntegros; ruptura completa
fratura expostaaté 5% das lesões do anel; mortalidade até 50%
ferida perinealcontígua a reto ou vagina; colostomia seletiva (FARINGER)

O clamp em C

O clamp pélvico em C translada a hemipelve e controla melhor a lesão posterior que o fixador anterior, que só fecha um livro aberto quando a dobradiça posterior está íntegra (Rockwood, cap. 50, seção de fixação emergencial). Classicamente, as pontas eram colocadas na fossa ilíaca externa, sem fluoroscopia, o que causou lesões viscerais iatrogênicas; como alternativa eficaz em APC II, o Rockwood descreve a colocação mais anterior, na crista glútea. Com os pinos supra-acetabulares, que podem ir até a EIPS, o uso do clamp caiu. Ele nunca é definitivo, e o tamponamento pélvico só funciona com a pelve estabilizada por clamp ou fixador.

O Campbell (cap. 61, p. 2745) descreve o clamp de GANZ com pinos posteriores na região da sacroilíaca, contraindicado quando há fratura da asa perto da sacroilíaca, a retirar em até 5 dias. O Skeletal Trauma, 5ª ed. (cap. 40, p. 1049), indica o clamp nas lesões tipo C com sacroilíaca rompida ou sacro fraturado e o contraindica na fratura transilíaca, pelo risco de as pontas atravessarem o osso.

A fratura do colo na história

Relevância clínica

O CALLAGHAN abre o livro com a história da cirurgia do quadril (cap. 1, p. 10 e 11), e a banca de fellowship tirou dali uma questão inteira. Antes da fixação interna dos anos 1930 corria a frase de que entramos no mundo sob a borda da pelve e saímos pelo colo do fêmur.

Em 1822, Astley COOPER separou as fraturas em intra e extracapsulares com base no suprimento sanguíneo e disse nunca ter visto uma intracapsular consolidada. SMITH (1854) e BIGELOW (1869) notaram que a impactada consolidava e a não impactada fazia falsa articulação. Nicolas SENN, de Chicago, mostrou que intracapsulares às vezes consolidam e que a fixação em gatos funcionava; em 1883 propôs redução aberta e fixação dos dois tipos, mas abandonou a ideia diante da forte oposição dos colegas.

Em 1916, WHITMAN obteve consolidação com redução e gesso em abdução e rotação interna. Em 1917, SMITH-PETERSEN uniu as incisões anterior e lateral, abriu a cápsula, reduziu e criou o prego trifoliado, que impedia a rotação, junto com a radiografia intraoperatória e a mesa de fratura. Sven JOHANSSON acrescentou o orifício central, que permitiu passar o prego sobre um fio-guia por pequena incisão lateral; a redução fechada com fixação interna virou o padrão.

PAUWELS, aluno de SCHANZ, estudou a biomecânica da fratura intracapsular e criou uma classificação com valor prognóstico: as fraturas em modo compressivo têm prognóstico melhor que as dominadas por cisalhamento e tensão. Por isso defendia reduzir em compressão e, na falha ou na pseudartrose, fazer osteotomia femoral alta para criar compressão. Mesmo assim, pseudartrose e necrose asséptica seguiam frequentes, e SPEED (1934) e DICKSON (1953) chamaram a intracapsular de "fratura não resolvida".

Marcos históricos da fratura do colo (CALLAGHAN, cap. 1, p. 10 e 11)
AnoNomeContribuição
1822COOPERintra e extracapsular pelo suprimento sanguíneo; nunca viu intracapsular consolidar
1854 e 1869SMITH e BIGELOWimpactada consolida; não impactada faz falsa articulação
1883SENNpropôs redução aberta e fixação; abandonou pela oposição
1916WHITMANredução e gesso em abdução e rotação interna
1917SMITH-PETERSENvia anterolateral única e prego trifoliado
depoisJOHANSSONorifício central para fio-guia
depoisPAUWELScompressão prognóstico melhor que cisalhamento e tensão; osteotomia alta

Irrigação da cabeça, desvio e necrose

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood (cap. 53, seção de irrigação) lista três fontes: vasos retinaculares (os mais importantes), intramedulares e do ligamento redondo, cuja contribuição é pequena. As circunflexas nascem da femoral profunda em 79%. A circunflexa medial responde por cerca de 82% da perfusão e a lateral por 18% (DEWAR); seus ramos terminais correm nos retináculos de WEITBRECHT e entram no osso 2 a 4 mm da junção osteocartilaginosa. O HEBERT, 5ª ed. (anatomia do quadril), descreve o desenho em anéis: as circunflexas formam o anel arterial extracapsular; dele saem os ramos ascendentes cervicais (retinaculares), que cruzam o colo; e no sulco subcapital forma-se o anel intra-articular. O CALLAGHAN (cap. 2, p. 48) põe a artéria do ligamento redondo como ramo acetabular da obturatória.

O desvio rompe os retinaculares, e o hematoma sob a cápsula faz tamponamento (CALLAGHAN, cap. 77, p. 984). A necrose depende do desvio inicial; descomprimir a cápsula é opção no jovem (cap. 72, p. 938); nas peritrocantéricas ela é rara (0,5% a 1%).

Redução do colo: GARDEN e LOWELL

Cobrança confirmada · 3 questões

O Rockwood (cap. 53, seção de redução) prefere valgo a varo: varo de 20 graus tem 55% de falha, e ARNOLD recomenda menos de 20 graus de angulação posterior. Para medir a qualidade da redução, GARDEN descreveu o índice de alinhamento: no AP, o ângulo entre o eixo central do sistema trabecular medial da cabeça e a cortical medial do fêmur é normalmente 160 graus; no perfil, o eixo trabecular central está em linha com o colo, 180 graus. Fora da faixa aceitável sobem a falha da fixação e a necrose. O próprio capítulo traz duas faixas: o texto fala em bons resultados entre 155 e 180; a legenda da Fig. 53-13, em 160 a 180.

LOWELL usou outra pista: as corticais de cabeça e colo bem alinhados desenham curvas em S ou S invertido nas duas incidências; no mau alinhamento, uma curva achata e a do lado oposto faz um ápice agudo. O Rockwood observa que o S de LOWELL é mais fácil de ver na fluoroscopia que as trabéculas do índice de GARDEN (Fig. 53-12). Na prova de imagem, portanto, o desenho das curvas é LOWELL e o desenho dos ângulos trabeculares é GARDEN.

Índices de redução do colo (Rockwood 10, cap. 53, Fig. 53-12 e 53-13)
ÍndiceIncidênciaNormalLeitura
GARDENAP160 graustrabéculas mediais contra cortical medial
GARDENperfil180 grauseixo trabecular em linha com o colo
GARDEN aceitávelas duas155 a 180 (texto) ou 160 a 180 (legenda)fora disso, falha e necrose
LOWELLas duascurva em S ou S invertidoachatamento de um lado e ápice do outro = mau alinhamento

Fixar ou trocar: artroplastia, via lateral e PARKINSON

Cobrança confirmada · 2 questões

O cap. 77 do CALLAGHAN (p. 983 a 985) resume a decisão. A fixação já foi padrão para todos; as complicações do colo (pseudartrose, consolidação viciosa e osteonecrose) e bons ensaios mudaram o idoso. Fratura sem desvio ou impactada em valgo, em qualquer idade, se fixa in situ; no jovem desviado a maioria ainda fixa; no idoso desviado considera-se artroplastia primária. Dor prévia, artrose importante e doença óssea patológica (metabólica ou oncológica) pesam a favor da artroplastia total. Na análise de IORIO, a ATQ cimentada foi a opção mais custo-efetiva e a fixação interna a menos. A monopolar desgasta o acetábulo (55% convertidas em 2 anos numa série); a luxação da ATQ por fratura chegou a 10% a 20% em séries antigas. O AO Principles of Fracture Management, 3ª ed. (p. 780), codifica: 31B1.1 impactada em valgo, 31B1.2 sem desvio, 31B1.3 subcapital desviada, com prótese de preferência nas primeiras 24 horas.

Na via lateral direta (HARDINGE), o CALLAGHAN (cap. 5, p. 70) manda limitar a dissecção proximal do glúteo médio a menos de 5 cm para proteger o nervo glúteo superior, que inerva médio e mínimo; a lesão dá marcha de TRENDELENBURG.

PARKINSON

O CALLAGHAN (cap. 74, p. 959 a 962) dedica uma seção à doença de PARKINSON. A demência é três vezes mais frequente que nos controles e a levodopa causa hipotensão postural. Em EVENTOV, a pneumonia foi a complicação mais frequente, mas os operados tiveram melhor função que os não operados. STAEHELI, com 50 hemiartroplastias para GARDEN III e IV, teve 20% de mortalidade e 80% dos sobreviventes andando, graças à mobilização rápida e à liberação dos adutores contraídos. LONDOS defendeu a fixação (33% de complicações de consolidação); o autor prefere artroplastia no desviado.

As recomendações finais: haste femoral cimentada, acetábulo cimentado ou não; rastrear infecção urinária e pulmonar; testar a estabilidade; tratar contratura em adução com capsulectomia, liberação ou tenotomia dos adutores; cabeças maiores reduzem a luxação; o alívio da dor é ótimo, mas a função piora com a progressão da doença.

Fraturas por estresse e por insuficiência

Cobrança confirmada · 3 questões

O CALLAGHAN, cap. 23 (p. 349 e 350), separa os dois mecanismos. Fadiga é estresse anormal e repetido em osso normal; insuficiência é estresse normal em osso osteoporótico. O sítio mais comum da fadiga é o córtex medial do colo basicervical (o lado da compressão); o córtex lateral é menos comum. A insuficiência aparece no colo subcapital, no subcondral da cabeça, no córtex lateral do acetábulo superior e nos ramos. A radiografia inicial pode ser normal; a RM dá a melhor anatomia e especificidade. No idoso com osteófitos em anel, que simulam ou escondem o traço, a RM sem contraste, coronal T1 e coronal sensível a líquido, em 15 minutos, é o exame de escolha; a cintilografia leva 72 horas para mostrar a fratura aguda (p. 348 a 350).

O Rockwood (cap. 53) dá a epidemiologia: o colo responde por 5% das fraturas por estresse, em mulheres jovens ativas, corredoras e recrutas. Na face superior está a fratura por tensão, que tende a completar e desviar e pede fixação interna; na inferior, a por compressão, mais comum no jovem, estável, tratada com 6 a 8 semanas de carga protegida. No cap. 24, a fratura de compressão pede carga restrita por 6 semanas ou mais, com radiografia semanal até andar sem dor com bengala; a de tensão é fixada com parafusos paralelos ou DHS. O HEBERT nomeia a classificação de FULLERTON e SNOWDY: compressão, tensão e desviada, e lembra que a fratura por estresse ocorre na fase da remodelação em que a reabsorção osteoclástica supera a formação.

Duas divergências. O CALLAGHAN, cap. 24 (p. 374), chama o lado da tensão de "inferior", enquanto o próprio cap. 23 e o Rockwood põem a tensão em cima; e o Rockwood dá 6 a 8 semanas de carga protegida onde a questão fala em 4 a 6.

Estresse e insuficiência no colo (CALLAGHAN, cap. 23, p. 349 e 350; Rockwood 10, caps. 24 e 53; HEBERT)
TipoLadoQuemConduta
compressão (fadiga)inferior, córtex medial basicervicalatleta jovemcarga protegida 6 semanas ou mais
tensãosuperior (lateral)risco de completar e de necrosefixação interna precoce
desviadacolo completoqualquercirurgia
insuficiênciasubcapital, cabeça, acetábulo, ramosidoso osteoporóticoRM; tratar conforme o local

Fratura femoral atípica

Relevância clínica

O CALLAGHAN, cap. 38 (p. 532), liga a fratura ao bisfosfonato prolongado, descrita por ODVINA: remodelação baixa, microfraturas e osso quebradiço, com tenacidade reduzida (BURR viu queda de até 30% em 5 anos em cães). A incidência vai de 2 para 78 por 100.000 por ano entre 2 e 8 anos de uso. A imagem mostra espessamento cortical lateral, traço transverso, pouca ou nenhuma cominuição e espícula medial; bilateral em 9%, dor prodrômica em 76%; trata-se com haste.

O Rockwood (cap. 56, Tabela 56-1) traz os critérios da ASBMR de 2014: entre o trocanter menor e o alargamento supracondilar, com 4 de 5 maiores: trauma mínimo ou ausente; traço que nasce lateral e transverso; completa com espícula medial ou incompleta só na cortical lateral; sem cominuição; espessamento da cortical lateral. Fatores: mulheres (risco 4,31 vezes), asiáticos e arqueamento femoral, que aumenta a tensão lateral.

BOYD e GRIFFIN na transtrocantérica

Relevância clínica

O Campbell (cap. 60, p. 2665 e 2666): tipo 1 ao longo da linha intertrocantérica; 2 cominutiva com traço principal na linha; 3 traço que chega ao trocanter menor ou abaixo, onde está a obliquidade reversa; 4 trocantérica com diáfise proximal em dois planos. O CALLAGHAN (cap. 77, p. 987) chama de instáveis as com cortical posteromedial rompida, obliquidade reversa ou extensão subtrocantérica (AO 31A3).

Fraturas da pelve na artroplastia

Relevância clínica

O cap. 87 do CALLAGHAN (p. 1094 a 1104) trata da fratura periprotética da pelve. A maioria ocorre na inserção de cúpula não cimentada press-fit, quase sempre sem desvio: 0,4% com cúpula não cimentada e nenhuma nas cimentadas. Prevenção: não fresar além da parede medial e usar fresa final 1 a 2 mm menor que a cúpula (com 4 mm, KIM viu fratura em 14 de 30 acetábulos). Suspeita-se com micromovimento da cúpula, assentamento mais fundo que a última fresa ou som oco súbito.

O sistema unificado de DUNCAN e HADDAD, endossado pela AO/OTA, olha a pelve inteira: A apófise; B acetábulo (B1 cúpula estável, B2 solta com osso suficiente, B3 solta com perda grave); C ílio ou ramos; D entre duas artroplastias; E pelve e fêmur; F acetábulo após hemiartroplastia. O tipo B é o mais comum, com B1 no ato cirúrgico. B1 estável pode ficar com parafusos extras e carga protegida; a instável leva placa na coluna posterior e cúpula com múltiplos parafusos.

O cap. 7 (p. 109 e 110) traz a série de mais de 3.000 ATQ anteriores em mesa de fratura: fratura do trocanter maior (0,23%) foi a complicação mais frequente, à frente de luxação (0,13%) e fratura do tornozelo (0,1%), com a maioria nas primeiras 500.

Sistema unificado na pelve (CALLAGHAN, cap. 87, p. 1096 a 1099)
TipoLocal
Aapófise (EIAS, EIAI, tuberosidade isquiática)
B1, B2, B3acetábulo: cúpula estável; solta com osso; solta com perda grave
Cílio ou ramos
Dentre duas artroplastias
Epelve e fêmur
Facetábulo após hemiartroplastia

Compartimentos da coxa e tenacidade

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood (cap. 17, Tabela 17-6) divide a coxa em três compartimentos: anterior (quadríceps, sartório, nervo femoral), posterior (isquiotibiais, ciático) e adutor ou medial (adutores, obturatório).

O Skeletal Trauma, 5ª ed. (cap. 5, p. 96), define a tenacidade como a área sob a curva tensão-deformação, a energia gasta até romper; o material rígido costuma ter tenacidade menor. A tenacidade é a propriedade que o bisfosfonato tira do osso (CALLAGHAN, cap. 38).

Fechamento

Fundamento

Para o cirurgião de quadril, a fratura é a artroplastia de amanhã: degrau acima de 2 mm, coluna desvascularizada, cabeça sem irrigação ou cúpula forçada viram artrose, necrose ou revisão.

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