Orto Questões

Impacto femoroacetabular

QuadrilResumo do capítulo32 min de leitura

Came (fêmur, homem jovem atleta, flexão com rotação interna, junção condrolabral, delaminação anterossuperior) x pincer (acetábulo, mulher, coxa profunda, protrusão ou retroversão, lábio esmagado, contragolpe posteroinferior); FADIR e DIRI anterior, FABER posterior, McCARTHY dinâmico; cóccix 1 a 2 cm acima da sínfise; alfa acima de 55; cruzamento + parede posterior + espinha isquiática = retroversão verdadeira (periacetabular reversa); extra-articular posterior = anteversão aumentada e rotação externa diminuída; artro-RM padrão-ouro do lábio; GANZ preserva o ramo profundo da circunflexa medial; mau prognóstico: TÖNNIS 2, espaço menor que 2 mm, idade acima de 40.

Atualizado em 03/11/2026 · 32 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 35 · Sequelae of Pediatric Hip Disease, em The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017. Autores do capítulo: Stuart L. Weinstein, Ryan M. Ilgenfritz.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de quadril do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), capítulo 35, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

A âncora é o The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery, de CALLAGHAN, ROSENBERG e RUBASH (2017). Por ser um livro de artroplastia, ele não tem um capítulo inteiro de impacto: o tema aparece na cinemática (cap. 11), na mini-aberta anterior (cap. 8), nos testes de congruência (cap. 22), na radiografia (cap. 23), na RM (cap. 25), na origem pediátrica da deformidade (cap. 35, o do cabeçalho) e no came do candidato a recapeamento (cap. 68). O esqueleto clínico e cirúrgico vem do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., caps. 7 (preservação do quadril) e 56 (artroscopia), com o HEBERT e o Tachdjian.

A ideia que organiza tudo: impacto é uma doença de forma que vira doença de cartilagem. Um fêmur sem cintura (came) ou um acetábulo que cobre demais (pincer) faz o colo bater na borda no fim do movimento, centenas de vezes por dia. Quem apanha primeiro, o lábio ou a cartilagem, depende de qual osso está deformado, e é isso que a banca pergunta. O exame geral está em `callaghan-exame-quadril` e as incidências e ângulos em `callaghan-imagem-quadril`; aqui entra só o que serve ao impacto.

Duas maneiras de o colo bater na borda

Fundamento

Definição

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 7, p. 364) define o impacto como a variação anatômica que causa choque entre a junção cabeça-colo e o rebordo acetabular dentro do arco funcional: não precisa de trauma, basta sentar fundo ou agachar. O cap. 56 (p. 2408) acrescenta que esse contato lesa lábio e cartilagem e pode explicar o que antes se chamava artrose idiopática. O The Adult Hip (cap. 23, p. 356 aprox.) fala em morfologia que predispõe a impacção, ruptura labral, delaminação da cartilagem e degeneração, e o cap. 8 (HANSEN e HOZACK, p. 112), em causa de dor e artrose precoce no adulto jovem.

Came e pincer

  • Came: o problema é o fêmur. A junção cabeça-colo perdeu a concavidade; um "bump" deixa a cabeça menos esférica, como a peça excêntrica de um motor. O The Adult Hip (cap. 8) diz que o bump causa cisalhamento da superfície condrolabral nos extremos do movimento.
  • Pincer: o problema é o acetábulo, que cobre demais, de forma global (coxa profunda, protrusão) ou focal (retroversão). O colo encontra a borda e pinça o lábio.

O Campbell (cap. 7, p. 364 e 365) acrescenta o combinado e a retrotorção femoral, em que o colo bate com menos flexão que o normal.

Quanto é misto: divergência

  • The Adult Hip (cap. 8, p. 112), citando BECK: misto em até 30% a 40%.
  • HEBERT (cap. 13): três tipos, CAM, Pincer e misto, e o misto é o mais frequente, 70%.
  • Campbell (cap. 7, p. 365): "segundo alguns autores", a maioria é combinada; o cap. 56 diz que na maioria dos casos coexistem.

Alternativa que chame o misto de raro está errada em todos; se a banca pedir número, o HEBERT dá 70% e o The Adult Hip, 30% a 40%.

Came x pincer (Campbell, cap. 7, p. 364 e 365, e cap. 56, p. 2408; The Adult Hip, caps. 11, 23 e 25; HEBERT, cap. 13)
AspectoCamePincer
Osso deformadofêmur: junção anterossuperior proeminente, offset diminuídoacetábulo: sobrecobertura global ou focal
Formasbump anterolateral; "tilt" ou "pistol grip" no APcoxa profunda, protrusão, retroversão, sobrecobertura anterossuperior
Quem temhomem jovem atletamulher (cap. 56: meia-idade)
Movimentoflexão, sobretudo com rotação internaextremos do movimento
Quem apanha primeirocartilagem (lábio relativamente poupado)lábio (cartilagem relativamente poupada)
Lesão típicaruptura na base do lábio e delaminação a partir do rebordolábio esmagado e ossificado; contragolpe posteroinferior
Artroseligação mais forte (alfa acima de 65: razão de chances 3,5)ligação menos forte

Quem tem: o atleta, a mulher e a criança que cresceu

Relevância clínica

O homem jovem que pratica esporte

O came é mais comum em homens jovens atletas (Campbell, cap. 7, p. 364); o cap. 56 opõe o came do homem jovem ao pincer da mulher de meia-idade. A causa é desconhecida, mas o Campbell cita uma alteração do desenvolvimento da fise lateral, talvez ligada à atividade. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40) desenvolve a hipótese: SIEBENROCK (2004) descreveu o came como extensão da fise femoral proximal durante o pico de crescimento; ele se forma sobretudo em atletas e no estirão, e, segundo VIGDORCHIK, homens ativos têm duas a oito vezes mais chance de tê-lo. A fise aberta recebe carga repetida em flexão e rotação, e o osso que se forma ali é o bump.

A mulher e o impacto que não parece came

O The Adult Hip (cap. 25, p. 382) observa que a imagem difere entre os sexos: o homem tem o came clássico; a mulher, com frequência, esclerose sutil do colo ou neoformação periosteal, muitas vezes com coxa valga ou um elemento de displasia. Alfa normal na mulher não exclui impacto.

A criança que cresceu: epifisiólise e PERTHES

A ligação que a banca gosta: epifisiólise e PERTHES deixam um fêmur com came.

  • Epifisiólise. O escorregamento é posteromedial; fixa-se in situ, sem reduzir, pelo risco de necrose, e a deformidade residual frequentemente dá impacto secundário (The Adult Hip, cap. 25, p. 383). O Tachdjian (cap. 15, p. 595 aprox.) explica: o offset diminui e a metáfise proeminente entra na articulação na flexão, com lesão labral e artrose; se corrigir a deformidade melhora o prognóstico ainda é incerto. O HEBERT (capítulo da epifisiólise) fala em desvio posteroinferior e retroversão da cabeça, CAM mesmo nos desvios moderados, correção pela luxação cirúrgica com osteotomia do colo, valor do sinal de DREHMANN e parafuso proximal demais como causa de impacto.
  • Pistol grip. No cap. 35 do The Adult Hip (WEINSTEIN e ILGENFRITZ, p. 484 e 485 aprox.), MURRAY achou deformidade em "tilt" em 40% de 200 artroses ditas primárias e a atribuiu a epifisiólise antiga; STULBERG descreveu o pistol grip em 40% dos operados de prótese sem doença prévia; RESNICK contestou, atribuindo a deformidade à remodelação. O capítulo lembra a associação da epifisiólise com retroversão femoral proximal. O Campbell (cap. 7, p. 362) usa o nome no adulto: came no AP = "tilt" ou pistol grip.
  • PERTHES. O Tachdjian (cap. 14, p. 575 e 576 aprox.) lembra que GANZ apresentou o conceito em 2001; a coxa magna com a parte anterior descoberta bate em flexão perto de 90 graus, com cisalhamento, abrasão da cartilagem e depois lesão do lábio. Sexo masculino, trocânter alto e incongruência associaram-se a condromalácia grave; o pincer não é o tipo primário no PERTHES, mas pode somar-se, e a retroversão acetabular é comum (p. 568 aprox.). O The Adult Hip (cap. 23) põe displasia e LEGG-CALVÉ-PERTHES entre os predisponentes do came, e o cap. 11 (p. 163 aprox.) explica a demora: as deformidades da infância passam despercebidas até a vida adulta.

Displasia e recapeamento

O Campbell (cap. 7, p. 375) mostra came em 10% a 40% das displasias sintomáticas, e a reorientação acetabular pode torná-lo sintomático; o cap. 11 do The Adult Hip põe o pincer num contínuo da displasia, da cobertura anterior aumentada à protrusão. No cap. 68 (SU, p. 886 e 887), o candidato ideal ao recapeamento (homem com menos de 65 anos e artrose primária) frequentemente tem came: cabeça rodada posterior e medialmente sobre o colo, offset anterior e superior diminuído; o caso tinha alfa de cerca de 70 graus, dor havia 3 anos e rotação interna zero.

O came: a cabeça que entra onde não cabe

Cobrança confirmada · 1 questão

Mecânica

O Campbell (cap. 7, p. 364) descreve junção anterossuperior proeminente ou colo com offset diminuído; com flexão, sobretudo com rotação interna, a parte não esférica gira para dentro do acetábulo. O The Adult Hip (cap. 11, p. 162 e 163 aprox.) dá a versão cinemática: o contorno extra, na base superolateral da cabeça, reduz funcionalmente o offset e contrai o arco de abdução; nos extremos de flexão e abdução, a junção impacta o lábio e depois o rebordo, o lábio cicla e se desgasta, e o osso reage com cistos, esclerose e microfraturas.

Cartilagem primeiro, na junção condrolabral

É o ponto mais cobrado. O Campbell (cap. 7, p. 364) descreve a sequência: ruptura na base do lábio, na junção labrocondral; a cartilagem adjacente é comprimida pela cabeça de raio maior; a cartilagem se delamina do osso subcondral a partir do rebordo; o lábio é relativamente poupado. O The Adult Hip (cap. 25, p. 382) diz o mesmo pela RM: cisalhamento na junção condrolabral e delaminação basilar focal na margem lateral do teto anterossuperior. O HEBERT (cap. 13) dá o relógio, 11 a 2 horas, e o padrão labral: o lábio se descola da cartilagem hialina na zona de transição. O came entra como uma espátula por baixo de um azulejo.

O HEBERT gradua a cartilagem pela ICRS: bolha, separação condrolabral, bolso (delaminação ainda estável), flap (instável) e defeito (osso exposto).

Padrões de lesão condrolabral (Campbell, cap. 7, p. 364 e 365; The Adult Hip, cap. 25, p. 382; HEBERT, cap. 13)
MecanismoOndeLábioCartilagem
Cameacetábulo anterossuperior (11 a 2 h), margem lateral do tetoruptura na base, descolamento na junção; relativamente poupadocisalhamento, delaminação a partir do rebordo
Pincer, golperebordo anterossuperior (11 h a 2:30 no direito, arco de 105 graus)esmagado: clivagem intrassubstancial, cistos, ossificaçãorelativamente poupada no início
Pincer, contragolpecabeça posterior e acetábulo posteroinferiornão é o focolesão por alavanca contra a parede posterior

Came e artrose

O Campbell (cap. 7, p. 364) dá os números: alfa acima de 65 graus, razão de chances ajustada de 3,5 para artrose; 83 graus, perto de 10. Mas (p. 365) com incidência de artrose radiográfica de cerca de 8% na vida, o came nem sempre leva à artrose. Essa tensão justifica não operar o assintomático.

O pincer: o acetábulo que abraça demais

Cobrança confirmada · 2 questões

Global ou focal, total ou isolada

A sobrecobertura pode ser global (protrusão, coxa profunda) ou focal anterior (retroversão), e a retroversão tem duas formas que o Campbell (cap. 7, p. 365) chama de distinção crucial, porque o tratamento muda: global ou verdadeira, com todo o acetábulo rodado e cobertura posterior deficiente, e isolada, com só o rebordo anterossuperior avançado. O HEBERT (cap. 13) lista os subtipos: sobrecobertura anterossuperior, coxa profunda, protrusão e retroversão.

O golpe: o lábio no meio do martelo

O colo bate na borda e o lábio fica pinçado entre dois ossos: ele sofre mais que a cartilagem, relativamente poupada (Campbell, cap. 7, p. 365), o inverso do came. O HEBERT (cap. 13) descreve o lábio alargado, cístico, lacerado, ossificado ou ausente, uma endentação no colo, e clivagem dentro da substância do lábio; e faz o contraste: no pincer a lesão é dentro do lábio, no came o lábio se descola da cartilagem. O pincer piora com o tempo: osso reativo no rebordo e calcificação do lábio aumentam a sobrecobertura (Campbell), e a ossificação labral gera impacto ainda maior (HEBERT).

O contragolpe

Quando o colo encosta na borda anterior e o movimento continua, o colo vira fulcro e a cabeça é empurrada para trás. O Campbell (cap. 7, p. 365) descreve o "contre-coup" na cabeça femoral posterior e no acetábulo posteroinferior, pela alavanca do colo no rebordo; o cap. 56 (p. 2408), a cabeça alavancada para fora do soquete com lesão condral posteroinferior; o The Adult Hip (cap. 25, p. 382), o padrão "contre coup" associado ao pincer; o HEBERT, o choque do colo com o rebordo anterossuperior proeminente. Grave: contragolpe é do pincer, e é posteroinferior.

O pincer é mais comum na mulher e liga-se à artrose menos que o came: 20% dos quadris com prótese por artrose tinham retroversão, contra 5% dos assintomáticos, e o acetábulo fundo teve razão de risco de 2,4 no estudo de Copenhague (Campbell, cap. 7, p. 365).

O lábio: a gaxeta

Relevância clínica

O The Adult Hip (cap. 11, p. 155 aprox.) descreve o lábio circundando toda a borda, exceto a inferomedial, aprofundando o soquete e funcionando como gaxeta: veda a articulação e cria pressão negativa. Sob carga, a cartilagem expulsa líquido; com o lábio íntegro, a pressão sobe e distribui a força. Sem o selo (p. 163 aprox.), o líquido vaza, a pressão cai, aumentam a carga e o creep da cartilagem, e a tensão de contato sobe até 90%, com o pico deslocado para a borda lateral. O HEBERT (cap. 13) soma: mais 22% de área e 33% de volume, 10 a 15 vezes mais resistente que a cartilagem sob tensão, avascular nos dois terços profundos (leito de osso sangrante para fixar), reparo com âncoras a 6 a 8 mm, sem eversão, restaurando o selo. O Campbell (cap. 56, p. 2407 e 2408) descreve a reconstrução com aloenxerto ou autoenxerto (grácil, redondo, cápsula, cabeça indireta do reto, banda iliotibial), segmentar ou circunferencial, sem enxerto superior e sem diferença entre as duas formas.

O lábio em números (The Adult Hip, cap. 11, p. 155 e 163 aprox.; HEBERT, cap. 13)
FatoValor
Extensãotoda a borda, exceto a inferomedial
Funçãogaxeta, selo, pressão negativa, efeito hidráulico
Sem o selotensão de contato até 90% maior; pico na borda lateral
Área e volumemais 22% e mais 33%
Resistência10 a 15 vezes a cartilagem
Vascularizaçãoavascular nos dois terços profundos

Clínica e exame

Cobrança confirmada · 4 questões

A história

O Campbell (cap. 56, p. 2408) descreve dor na virilha de início insidioso, pior com exercício, às vezes posicional, ao sentar, dirigir, calçar meias e sapatos; a palpação não reproduz a dor e a rotação interna está diminuída. O HEBERT (cap. 13) acrescenta o sinal do C de BYRD e a dor ao levantar após muito tempo sentado, em torção e escadas. O The Adult Hip (cap. 22, p. 327 aprox.) lembra que a perda da rotação interna é um dos primeiros sinais de distúrbio intra-articular, medida sentado (detalhes em `callaghan-exame-quadril`).

Os testes: comprimir onde bate

Todo teste de impacto leva o quadril à posição em que o colo encontra a borda e espera a dor do paciente.

  • FADIR (flexão, adução, rotação interna). Quadril a 90 graus, adução além da linha média, rotação interna máxima: dor = impacto anterior; comparar com o lado oposto (Campbell, cap. 7, p. 358.e1; cap. 56). O The Adult Hip (cap. 22, p. 331 aprox.) credita a manobra a GANZ.
  • DIRI. Supino, membro sadio fletido além de 90 graus (zera a pelve), o examinado vai a 90 graus ou mais e percorre um arco amplo de adução e rotação interna, checando a congruência anterior: versão dinâmica do FADIR.
  • McCARTHY descreveu a avaliação dinâmica da congruência e do lábio.
  • DEXRIT. Mesmo posicionamento, arco de abdução e rotação externa: impacto superolateral e posterior, mas também instabilidade anteroinferior, hipoplasia anteroinferior, lesão do redondo e frouxidão.
  • Rebordo posterior. Na beira da mesa, perna pendente em extensão, abdução e rotação externa: impacto posterior ou instabilidade anterior.
  • FABER (PATRICK). Separa quadril de sacroilíaca; dor pode ser impacto posterior (The Adult Hip, cap. 22); no Campbell (cap. 7), FABER positivo = impacto lateral ou posterior (protrusão); no cap. 56, distância joelho-mesa aumentada.
  • Apreensão anterior: displasia com cobertura anterior deficiente.

Regra mental: flexão + adução + rotação interna = frente; abdução ou extensão + rotação externa = trás.

Testes de congruência (The Adult Hip, cap. 22, p. 331 a 333 aprox.; Campbell, cap. 7, p. 358.e1, e cap. 56, p. 2408)
TesteManobraSugere
FADIR (GANZ)flexão a 90, adução, rotação internaimpacto anterior, lesão labral anterior
DIRIarco de adução e rotação internaimpacto anterior
McCARTHYcongruência e lábio em movimentoimpacto e lesão labral
DEXRITarco de abdução e rotação externaimpacto superior e posterior; instabilidade anteroinferior
Rebordo posteriorextensão, abdução, rotação externaimpacto posterior, instabilidade anterior
FABER (PATRICK)flexão, abdução, rotação externaimpacto posterior ou lateral; sacroilíaca
Apreensão anteriorextensão e rotação externadisplasia

A infiltração com anestésico, segundo BYRD, prediz causa intra-articular com 90% de acurácia (Campbell, cap. 7, p. 358); resposta incompleta sugere impacto extra-articular.

O impacto extra-articular

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell (cap. 7, p. 372) descreve um subgrupo, por RICCIARDI, de mulheres jovens, 40% já operadas do quadril. Pistas: dor lateral ou posterior, rotação externa diminuída, rotação interna diminuída sem came, sinal de impacto posterior, resposta incompleta à infiltração e sintomas após artroscopia sem came residual. A chave é que a torção femoral muda qual parte do fêmur bate na pelve: o fêmur antevertido leva o trocânter maior para trás na rotação externa; o retrovertido leva a frente do fêmur contra a EIAI.

Impacto extra-articular (Campbell, cap. 7, Tabela 7.2, p. 373)
TipoAnatomiaExameImagemCirurgia
Subespinal (I)trocânter anterior ou linha intertrocantérica contra a EIAIrotação interna menor a 90 graus; externa maiorretrotorção (anteversão menor que 5 a 10 graus)descompressão da EIAI
Posterior (II)trocânter maior posterior e colo contra a pelve na rotação externaanteversão excessiva, rotação externa limitada; interna maior a 90 grausanteversão na TCosteotomia derrotativa
Complexo (III)anterior e posterior; offset pequeno, deformidade de PERTHES, trocânter granderotação limitada nas duas direçõesanteversão na TCtrocanteroplastia, alongamento relativo do colo
Isquiofemoraltrocânter menor perto do ísquiodor glútea baixa, virilha, coxa medial, pior na extensãoedema do quadrado femoralressecção parcial do trocânter menor

O subespinal (Campbell, cap. 56, p. 2412) dói em flexão profunda ou flexão com rotação interna e é mais comum com anteversão diminuída somada a pincer; o cap. 7 (p. 374) diz que não reconhecê-lo é causa comum de dor persistente e que ele pode ser criado na osteotomia periacetabular quando o fragmento leva a EIAI para baixo. O The Adult Hip (cap. 25, p. 383) conta que o isquiofemoral foi descrito em 1977 em três pacientes após artroplastia (alívio com excisão do trocânter menor), entidade ainda controversa, e que o impacto da EIAI segue a avulsão do reto femoral. No complexo, o alongamento relativo do colo com distalização do trocânter alivia o impacto e melhora o braço dos abdutores (Campbell, cap. 7, p. 374; Tachdjian, cap. 14).

A radiografia do acetábulo

Cobrança confirmada · 2 questões

O AP precisa ser verdadeiro

Inclinação e rotação fabricam ou apagam a retroversão. O Campbell (cap. 7, p. 359) pede asas e forames simétricos e cóccix 1 a 3 cm acima da sínfise; o cap. 56 (p. 2409 aprox.), cóccix apontando para a sínfise, a 1 a 2 cm. O The Adult Hip (cap. 23, p. 357 aprox.) diz que centragem e angulação craniocaudal evitam falsos positivos e negativos. Divergência dentro do mesmo livro: capítulo de artroscopia, 1 a 2 cm; de preservação, 1 a 3 cm. Tocar a sínfise ou ficar a 4 a 6 cm é erro de inclinação.

Cobertura e profundidade

  • WIBERG: menor que 20 displasia, 20 a 24 limítrofe, acima de 40 sobrecobertura (Campbell, cap. 7, p. 359 e 365); no HEBERT (cap. 13), menor que 25 deficiência e maior que 35 excesso.
  • TÖNNIS: 0 a 10 normal, acima de 10 displasia, abaixo de 0 sobrecobertura (Campbell, p. 361); o HEBERT (cap. 10) liga o TÖNNIS diminuído ao impacto tipo pinça.
  • Coxa profunda: fossa medial à ilioisquiática, pode ser normal na mulher (Campbell, cap. 7, p. 362); o cap. 56 usa a lágrima medial à linha.
  • Protrusão: cabeça medial à ilioisquiática; artropatia inflamatória, MARFAN ou idiopática.
  • Lábio calcificado piora o pincer.

Cruzamento, parede posterior e espinha isquiática

O Campbell (cap. 7, p. 360) ensina o raciocínio:

  • Cruzamento: a parede anterior cruza a posterior abaixo da margem superolateral = sobrecobertura anterior isolada ou retroversão total; sozinho não decide qual. Variações da EIAI podem simulá-lo. O The Adult Hip (cap. 23) o chama de relativamente específico num AP otimizado; o HEBERT (cap. 10), de figura de oito.
  • Parede posterior: parede posterior medial ao centro da cabeça = cobertura posterior deficiente; com o cruzamento, retroversão.
  • Espinha isquiática ipsilateral proeminente num AP bem posicionado = retroversão.

No algoritmo (Campbell, cap. 7, p. 366 e 366.e1), cruzamento + parede posterior + espinha isquiática = retroversão de todo o acetábulo, tratada com periacetabular; o cruzamento isolado pode ser o único achado do pincer por retroversão do rebordo anterossuperior, tratado com recorte. Recortar a frente de um acetábulo sem parede posterior criaria instabilidade. O Tachdjian (cap. 14, p. 576) usa a mesma dupla no PERTHES. O The Adult Hip (cap. 23, p. 357 aprox.) diz que o os acetabuli tem as mesmas implicações do acetábulo retrovertido: na fig. 23.31, um os acetabuli anterossuperior num homem de 47 anos causa retroversão adquirida com cruzamento e pincer.

Sinais acetabulares do pincer (Campbell, cap. 7, p. 359 a 362 e 365; cap. 56; The Adult Hip, cap. 23; HEBERT, caps. 10 e 13)
SinalComo se vêSignificado
Cruzamentoparede anterior cruza a posterior abaixo da margem superolateralsobrecobertura anterior ou retroversão total; EIAI pode simular
Parede posteriorparede posterior medial ao centro da cabeçadeficiência posterior; com cruzamento, retroversão
Espinha isquiáticaproeminente no AP bem posicionadoretroversão
Os acetabuliossículo anterossuperiorretroversão adquirida
Coxa profundafossa medial à ilioisquiáticasobrecobertura; pode ser normal na mulher
Protrusãocabeça medial à ilioisquiáticasobrecobertura global
WIBERGacima de 40 (Campbell) ou 35 (HEBERT)sobrecobertura lateral
TÖNNISmenor que 0risco de pinça

A radiografia do fêmur: alfa e offset

Cobrança confirmada · 1 questão

Onde procurar o came

O came é anterolateral e se esconde no AP. O Campbell (cap. 7, p. 361 e 362) diz que ele aparece no AP como achatamento lateral da junção (tilt ou pistol grip), mas é mais bem visto no cross-table e no DUNN modificado e quantificado pelo alfa e pela razão de offset. O DUNN de 45 graus: supino, 45 de flexão, 20 de abdução, rotação neutra. O The Adult Hip (cap. 23, p. 356 aprox.) avalia esfericidade e offset no perfil e no DUNN, que também mostra a fosseta de herniação. O HEBERT (cap. 10) usa o gabarito de MOSES (epífise mais de 2 mm fora do círculo = anesférica), a convexidade anterior da junção como came pronunciado e lembra que a cabeça pode ser esférica no AP e não no perfil. Sinais indiretos (Campbell, p. 362): esclerose e cistos na junção anterolateral (cerca de um terço dos sintomáticos) e estreitamento posterior no falso perfil.

O ângulo alfa e suas três versões

Uma linha do centro do colo ao centro da cabeça; outra do centro da cabeça ao ponto em que o contorno diverge do círculo (Campbell, cap. 7, p. 361). Quanto mais cedo a cabeça sai do círculo, maior o ângulo. O HEBERT (cap. 10) lembra que foi descrito na RM axial e extrapolado para os perfis. Os cortes divergem:

  • Campbell, cap. 56 (p. 2411 aprox.): acima de 50 graus.
  • HEBERT, cap. 10: acima de 55 graus.
  • Campbell, cap. 7 (p. 361): acima de 55 a 60 graus.

O corte das provas é 55 graus; o simulado que fala em cerca de 60 segue a parte alta do intervalo do cap. 7. Alfa alto = came; alfa não mede pincer.

Offset

No cross-table com 10 graus de rotação interna, mede-se a distância entre as tangentes anteriores do colo e da cabeça; dividida pelo diâmetro, dá a razão de offset (Campbell, cap. 7, p. 361).

Parâmetros femorais do came (Campbell, cap. 7, p. 361 e 362, e cap. 56, p. 2411; HEBERT, cap. 10; The Adult Hip, caps. 23 e 68)
ParâmetroOndeCritério
Alfaperfil, cross-table, DUNN, cortes radiaisacima de 50 (cap. 56), 55 (HEBERT), 55 a 60 (cap. 7)
Alfa e artroseradiografiaacima de 65: razão de chances 3,5; 83: perto de 10
Offsetcross-table em 10 graus de rotação internarazão = offset / diâmetro da cabeça
EsfericidadeAP e perfil, gabarito de MOSESmais de 2 mm fora = anesférica
Pistol gripAPachatamento lateral da junção
Exemploperfil do candidato a recapeamentocame anterossuperior com alfa de 70

TC, RM e artro-RM

Cobrança confirmada · 1 questão

A TC, pela radiação, fica no jovem para as deformidades ósseas que serão corrigidas; as reformatações 2D e reconstruções 3D mostram colo e rebordo e permitem medir para o planejamento (The Adult Hip, cap. 23, p. 357 aprox.). O Campbell (cap. 7, p. 363 e 365) usa a TC 3D para guiar a ressecção do came e do pincer e localizar a sobrecobertura, e aplica o alfa a cortes radiais de TC e artro-RM.

Na RM, o The Adult Hip (cap. 25, p. 378 aprox.) troca o axial reto pelo axial oblíquo, que mostra diretamente a junção cabeça-colo anterior, detecta o came e planeja o desbridamento; mapas T2 detectam degeneração precoce da matriz. E alerta (p. 382): sinais de impacto nem sempre se correlacionam com dor; interpretar sempre com a clínica.

A artro-RM é o padrão-ouro do lábio: eleva a sensibilidade de cerca de 60% para mais de 90% (Campbell, cap. 7, p. 363). Na delaminação do came, o contraste pode correr por baixo da cartilagem; veem-se edema, fossetas de herniação e esclerose; cartilagem fina e cistos subcondrais indicam doença avançada; a RM de 3 T pode, no futuro, dispensar o contraste. Lesão labral sem deformidade óssea é incomum (p. 364); o cap. 11 do The Adult Hip dá 87% a 90% de anormalidade óssea nos que têm impacto. Pior prognóstico na artro-RM (Campbell, p. 365): cisto do rebordo, 60 graus de cartilagem envolvida, osteófito central em dente de sabre.

Quando operar e por qual via

Relevância clínica

O assintomático não se opera

Há impacto em 37% ou mais dos atletas assintomáticos, e não há indicação cirúrgica sem sintomas (Campbell, cap. 56, p. 2411). O Tachdjian (cap. 40) diz o mesmo do adolescente: impacto é diagnóstico clínico, não radiográfico. O tratamento começa com modificação de atividade, anti-inflamatório e fisioterapia (Campbell, cap. 56); a indicação cirúrgica é a dor persistente com exame e imagem compatíveis (Tachdjian, cap. 14, p. 576). O HEBERT (cap. 13) observa que não há estudos de eficácia do conservador no retorno ao esporte e que a cirurgia precisa corrigir toda a deformidade, lembrando fatores como hiperfrouxidão e anteversão. Objetivo (Campbell, cap. 56): tratar lábio e cartilagem, remover o impacto ósseo e restabelecer o offset.

O algoritmo

Algoritmo do impacto (Campbell, cap. 7, Fig. 7.27, p. 366 e 366.e1)
DeformidadeTratamento
Came sintomáticoosteocondroplastia: artroscópica (rotina), anterior limitada ou luxação cirúrgica
Retroversão isolada do rebordo anterossuperiordesinserção do lábio, recorte do rebordo e reinserção (artroscopia, anterior limitada ou luxação)
Pincer grande posterossuperior e posteriorluxação cirúrgica com recorte e reinserção do lábio
Retroversão total (cruzamento + parede posterior + espinha isquiática)periacetabular para antevertê-lo; nas menores, alguns fazem artroscopia com recorte
Displasia limítrofe (LCE 20 a 25) com camedor posicional: artroscopia com reparo da cápsula; dor de instabilidade: periacetabular + osteocondroplastia + reparo labral

A lógica: onde está a deformidade decide a via. A frente se alcança por artroscopia ou via anterior; o que está atrás pede luxação cirúrgica; a orientação do acetábulo inteiro pede osteotomia, porque recortar borda não corrige direção.

Quando a artroscopia não basta

O Campbell (cap. 7, p. 372) lista as indicações relativas de cirurgia aberta: came na junção posterossuperior, atrás dos vasos retinaculares; pincer da parede posterossuperior e posterior; deformidade proximal grande (retrotorção, epifisiólise, PERTHES, redução aberta prévia de displasia). No came com acetábulo limítrofe, a capsulotomia com recorte pode causar instabilidade; alguns têm bons resultados a 2 anos com plicatura capsular. O The Adult Hip (cap. 8, p. 113) concorda: o came além dos vasos retinaculares posterossuperiores é mais fácil pela mini-aberta anterior, sem risco à vascularização, e a visão direta evita a hipercorreção do rebordo e a instabilidade relatadas na artroscopia; mas retroversão grave com parede posterior deficiente e protrusão são contraindicação a essa via.

A luxação cirúrgica de GANZ

Relevância clínica

O Campbell (cap. 7, p. 365) explica o princípio: acesso total ao acetábulo e à junção preservando a vascularização, porque a via protege o ramo profundo da circunflexa femoral medial, que supre os vasos retinaculares posterolaterais. É extensível, sem os limites da artroscopia, mas exige osteotomia do trocânter e recuperação mais lenta; serve também à epifisiólise, ao PERTHES residual e às fraturas de PIPKIN. O The Adult Hip (cap. 8, p. 113) cita os motivos para buscar alternativas: material sintomático, pseudartrose do trocânter e risco vascular. O Tachdjian (cap. 14, p. 577) destaca o intervalo glúteo mínimo-piriforme, ficando proximal ao piriforme.

Os passos da técnica 7.1 (Campbell, p. 366 a 369), com o motivo de cada um:

1. Decúbito lateral, via de KOCHER-LANGENBECK ou GIBSON. 2. Osteotomia do trocânter de até 1,5 cm, saindo à frente da inserção mais posterior do glúteo médio, para proteger o ramo profundo da circunflexa medial; o fragmento vai à frente com o vasto lateral. 3. Glúteo mínimo separado do piriforme e da cápsula, atento ao isquiático. 4. Capsulotomia em Z ao longo do eixo do colo, com o braço anteroinferior anterior ao trocânter menor, porque o ramo principal da circunflexa medial passa acima e atrás dele. 5. Luxação em flexão e rotação externa, perna numa bolsa estéril: 360 graus de acetábulo. 6. Pincer: desinserir o lábio, recortar o rebordo e reinseri-lo com âncoras, recriando o selo. 7. Came: cortar a cartilagem na borda proximal com bisturi e ressecar com osteótomo e broca; até 30% do diâmetro do colo no quadrante anterolateral não altera muito a resistência axial em cadáver, mas a ressecção típica é bem menor; o esferômetro mostra onde a cabeça deixa de ser esférica. 8. Teste do impacto, fechamento da cápsula, dois parafusos de 4,5 mm no trocânter; toque por 6 semanas, sem abdução ativa.

Resultados (Campbell, cap. 7, p. 366): bons a excelentes em 68% a 94% (2 a 10 anos), prótese em 0% a 30%; pioram com TÖNNIS 2, delaminação na cirurgia e idade. Refixar o lábio melhora o resultado a 10 anos, sem mudar a progressão da artrose nem a conversão; 80% sem progressão a 10 anos com reinserção. Complicações raras: ossificação heterotópica e parafusos dolorosos. No PERTHES, 40% de 35 quadris progrediram um grau de TÖNNIS, e TÖNNIS 2 ou mais foi contraindicação (Tachdjian, cap. 14, p. 577).

Osteocondroplastia por artroscopia e mini-aberta

Relevância clínica

A osteocondroplastia é o tratamento do came sintomático, rotineiramente artroscópica (Campbell, cap. 7, p. 366.e1), e busca recuperar o acinturamento (HEBERT, cap. 13). As regras do HEBERT:

  • O impacto começa na junção anterossuperior; a ressecção é gradual, de proximal para distal, ao longo do colo.
  • Evitar o degrau em "maçã mordida", que aumenta o risco de fratura.
  • Medial e lateral são zonas de hipocorreção; referência medial: prega sinovial medial (víncula), às 6 horas; lateral: vasos retinaculares superiores, que tornam as lesões laterais difíceis por artroscopia.
  • Lesões proximais e laterais com tração leve, 10 a 20 graus de flexão e rotação interna; anteromediais com flexão e rotação externa progressivas, sem tração.

O Campbell (cap. 56, técnica de MAURO, p. 2412) é coerente: flexão e rotação externa expõem as inferomediais, extensão e rotação interna as superolaterais, e é preciso cuidado com os vasos retinaculares no colo superolateral; pós-operatório com toque por 2 semanas, sem extensão e rotação externa extremas, esporte em 4 a 6 meses. Os vasos retinaculares levam o sangue do ramo profundo da circunflexa medial pela face posterossuperior do colo: lesá-los é necrose avascular.

A via anterior limitada de CLOHISY e McCLURE (Campbell, cap. 7, p. 370), por SMITH-PETERSEN ou HUETER, evita a luxação, mas só alcança a face anterior; falha de 11% a 58 meses, melhor abaixo de 40 anos e em TÖNNIS 0. Ensina o princípio: usar o offset anteromedial normal como referência, osteótomo distal e posterior em bisel para não delaminar a cartilagem remanescente, ganho de 5 a 15 graus de flexão e 5 a 20 de rotação interna, e toque com muletas para evitar fratura de estresse do colo. O The Adult Hip (cap. 8, p. 113) chama a mesma ideia de osteoplastia mini-aberta, pela porção distal do SMITH-PETERSEN, com avaliação dinâmica do impacto residual.

No pincer artroscópico (técnica de LARSON, Campbell, cap. 56, p. 2411), se a lesão é visível, preserva-se a junção condrolabral e resseca-se com broca; se não, desinsere-se o lábio, resseca-se até logo distal ao cruzamento (conferido na fluoroscopia) e refixa-se com âncoras. O HEBERT (cap. 13) avisa que o pincer entre 2 e 6 horas, medial à EIAI, exige seccionar parte do ligamento iliofemoral.

Três vias para o impacto (Campbell, cap. 7, p. 365 a 372, e cap. 56; The Adult Hip, cap. 8; HEBERT, cap. 13)
ViaAlcanceVantagemLimiteNúmeros
Luxação cirúrgica360 graustrata o que está atrásosteotomia trocantérica, recuperação lentabons 68% a 94%; prótese 0% a 30%
Anterior limitada ou mini-abertaface anteriorevita a luxação; came além dos retinaculares (The Adult Hip)contraindicada na retroversão grave e na protrusãofalha 11% a 58 meses
Artroscopiacompartimentos central e periféricorecuperação rápida; quase toda a cirurgia nos EUAcame posterossuperior, pincer posterior, displasia limítrofe85% sem prótese a 10 anos; 75% a 90% voltam ao esporte

Osteotomia periacetabular na retroversão

Relevância clínica

Quando todo o acetábulo está retrovertido, sobra parede anterior e falta posterior: recortar a frente tiraria cobertura de um quadril curto atrás. A solução é rodar. A periacetabular trata o pincer por retroversão global, com cruzamento e parede posterior, às vezes com centro-borda menor que 20 graus (Campbell, cap. 7, p. 370). Como aumenta a anteversão, o oposto da displasia comum, chama-se "periacetabular reversa". A cartilagem anterior deve estar íntegra na artro-RM, porque vai para a zona de carga, e não se deve anteverter demais, sob pena de impacto posterior. SIEBENROCK relatou 71% bons a excelentes sem artrose a 11 anos; mau resultado com falta de offset femoral e hipercorreção da versão (p. 371). No combinado, a osteocondroplastia sai pela mesma via de SMITH-PETERSEN.

O The Adult Hip (cap. 8, p. 113) dá números da periacetabular bernesa na displasia: 84% a 10 anos (MATHENEY), 81,6% a 9,2 anos (TROELSEN), ou 15% a 20% de prótese em 10 anos. O Campbell (cap. 7, p. 375) lembra que a coluna posterior fica íntegra (pouca necrose do fragmento) e que rodar o acetábulo pode criar came anterior, exigindo osteocondroplastia; e a rotação para a frente pode criar o subespinal iatrogênico (p. 374).

Depois da cirurgia

Relevância clínica

O The Adult Hip (cap. 25, p. 391 e 392 aprox.) descreve a RM após a osteoplastia: o normal é o desbridamento anterossuperior e, muitas vezes, um pequeno defeito no ligamento iliofemoral; as complicações vêm da deficiência óssea ou de partes moles: fratura de estresse do colo, instabilidade e deficiência do iliofemoral. Os outros livros explicam cada uma: o toque pós-operatório e a proibição do degrau previnem a fratura (Campbell, cap. 7, p. 370; HEBERT); a instabilidade vem da capsulotomia com recorte na displasia limítrofe, por isso a cápsula é reparada ou plicada (Campbell, p. 366.e1 e 372), e o The Adult Hip (cap. 8) lembra a hipercorreção do rebordo. O HEBERT acrescenta a capsulite adesiva com aderências entre a cápsula e o colo cruento quando a reabilitação atrasa, tratada por liberação artroscópica. E o subespinal não reconhecido segue como causa comum de dor persistente (Campbell, cap. 7, p. 374).

Resultados e mau prognóstico

Relevância clínica

A artroscopia tem 85% de sobrevida sem prótese a 10 anos; em 5 anos, artrose progrediu em 26,5% contra 35% do conservador e a prótese foi de 6,8% contra 10,5% (Campbell, cap. 56, p. 2411). 75% a 90% dos atletas voltam ao nível anterior (HEBERT, cap. 13). No adolescente, a osteocondroplastia até a fise tem pouco risco fisário ou de necrose, mas o bump recidiva em 30% dos imaturos (Tachdjian, cap. 40).

O que decide é a cartilagem que sobrou. Espaço acima de 2 mm associa-se a bom resultado; TÖNNIS 2 melhora a 2 anos, mas piora a longo prazo (Campbell, cap. 7, p. 365). O HEBERT usa o mesmo corte: menos de 2 mm ou menos de 50% da espessura, a artroscopia pode não beneficiar. Riscos de prótese após artroscopia: sexo masculino, mais de 40 anos, microfratura, espaço menor que 2 mm e TÖNNIS 2 e 3 (Campbell, p. 372). Quando a janela fecha, o HEBERT descreve lesão difusa, osteófitos no colo, no rebordo, na fossa e na fóvea, e sinovite; daí o seu "ATENÇÃO!": diagnosticar e tratar antes do dano condral irreversível. Os livros são honestos sobre o limite: reinserir o lábio não muda a progressão da artrose (Campbell, p. 366) e a osteotomia após epifisiólise tem efeito incerto sobre a artrose (Tachdjian, cap. 15).

Fatores de mau prognóstico (Campbell, cap. 7, p. 365, 366 e 370 a 372; HEBERT, cap. 13; Tachdjian, cap. 14)
FatorContexto
TÖNNIS 2 ou 3luxação cirúrgica e artroscopia
Espaço menor que 2 mm (ou menos de 50% da espessura)artroscopia
Idade acima de 40 anosartroscopia e via anterior; idade maior na luxação
Sexo masculino e microfraturaconversão após artroscopia
Delaminação vista na cirurgialuxação cirúrgica
Cisto do rebordo, 60 graus de cartilagem, osteófito em dente de sabreartro-RM
Falta de offset e hipercorreçãoperiacetabular reversa
Trocânter alto, incongruência, sexo masculinoPERTHES

Fechamento

Fundamento

O impacto é uma forma errada que bate repetidamente e rouba a cartilagem. No came, o fêmur sem cintura entra em flexão com rotação interna, cisalha a junção condrolabral anterossuperior e delamina a cartilagem, poupando o lábio; é do homem jovem atleta, nasce na fise no estirão e é herdado da epifisiólise e do PERTHES. No pincer, o acetábulo que cobre demais (coxa profunda, protrusão, retroversão, os acetabuli) esmaga e ossifica o lábio e alavanca a cabeça para trás: contragolpe posteroinferior, mais na mulher. O misto é frequente (30% a 40% para BECK, 70% para o HEBERT).

O exame reproduz o choque (FADIR e DIRI na frente, FABER, DEXRIT e rebordo posterior atrás, McCARTHY dinâmico). A imagem exige AP verdadeiro, separa sobrecobertura anterior de retroversão verdadeira, mede o came pelo alfa no perfil e no DUNN, planeja com a TC 3D e vê o lábio na artro-RM. O tratamento segue a deformidade: osteocondroplastia para o came respeitando os vasos retinaculares, recorte com reinserção para o pincer focal, GANZ para o que está atrás, periacetabular reversa para a retroversão total. A cartilagem dita o prognóstico, e o assintomático não se opera.

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