Orto Questões

História da cirurgia do quadril, biomecânica e cinemática da artroplastia

QuadrilResumo do capítulo31 min de leitura

Ressecção (ANTHONY WHITE em 1822, também primeiro a descrever a flegmasia alba dolens; SAYRE em 1854; SYME achava o quadril inviável), artrodese (HIBBS extracapsular em 1926, enxertos sob tração que falharam, prego triflangeado de WATSON-JONES, estabilização central de CHARNLEY), as indicações de BARTON (anquilose óssea, músculos sãos, doença extinta), a tabela de interposição (CARNOCHAN e o bloco de madeira em 1840, PÉAN e a platina, LOEWE e a pele), SMITH-PETERSEN (vidro, baquelite, Vitallium), BATEMAN e a bipolar de 1974 (custo maior, função igual), GLUCK e o cimento no joelho de marfim, WILES em 1938, CHARNLEY (22 mm pelo torque de atrito, Teflon e depois polietileno), BARRACK (44% de soltura das cúpulas cimentadas), revestimento em manchas e osteólise, registro sueco de joelho em 1976; forças de 2,4 vezes o peso na marcha, escada com força 10 a 16 graus mais anterior e torção 23% maior, tropeço; pressões de 3,6 a 6,8 MPa, elevação da perna estendida a menor e isométricos acima dos ativos; offset alto com mais força; cúpula superolateral sem correção pelo colo; marcha 20% mais lenta; luxação como segunda complicação (0,7% a 8%), posições de risco, KUNG e RIES; anteversão e arco; razão de aspecto e desgaste.

Atualizado em 31/10/2026 · 31 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulos 1 (A History of Hip Surgery), 10 (Biomechanics of Hip Reconstruction) e 11 (Kinematics of the Hip), em The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017. Autores do capítulo: Editores John J. Callaghan, Aaron G. Rosenberg e Harry E. Rubash; capítulo 10 de Maureen K. Dwyer.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de quadril do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), capítulo 1, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado em três capítulos do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery, editado por John J. Callaghan, Aaron G. Rosenberg e Harry E. Rubash: o 1 (A History of Hip Surgery), o 10 (Biomechanics of Hip Reconstruction) e o 11 (Kinematics of the Hip). São capítulos de natureza diferente, mas a prova os usa do mesmo jeito: nomes, datas e números que mudam de lugar entre as alternativas.

Por que estudar a história. Não é por erudição. Cada passo da cirurgia do quadril respondeu a um fracasso anterior: a ressecção substituiu a amputação nas infecções; a artrodese tirou a dor à custa do movimento; a interposição tentou manter o movimento sem prótese; a moldagem e as hemiartroplastias abriram caminho para a prótese total; e a artroplastia de baixo atrito de CHARNLEY venceu porque resolveu o atrito, o material e a fixação ao mesmo tempo. Quem entende o problema que cada cirurgião enfrentava não confunde os nomes.

Por que estudar a biomecânica e a cinemática. Porque explicam as decisões técnicas: por que restaurar o offset, por que evitar a cúpula alta e lateral, por que a bengala vai na mão oposta, por que a escada assusta a fixação e por que a luxação acontece nas mesmas duas posições.

O roteiro:

1. A ressecção do quadril. 2. A artrodese. 3. BARTON e as indicações que valem até hoje. 4. A interposição, a moldagem e as hemiartroplastias. 5. A prótese total: de GLUCK a CHARNLEY. 6. A evolução da fixação e os registros. 7. As forças sobre o quadril. 8. As pressões de contato e a reabilitação. 9. O modelo estático, a bengala, o offset e a posição da cúpula. 10. A marcha antes e depois da artroplastia. 11. A cinemática do desgaste. 12. A luxação e a orientação dos componentes. 13. Revisão rápida.

Infecção, fraturas e osteotomias: o contexto da história

Fundamento

A tuberculose moldou a cirurgia do quadril. Antes dos antibióticos, o tratamento da tuberculose do quadril era essencialmente conservador: em 1948, ainda se receitava repouso prolongado, imobilização da articulação, boa alimentação, ar puro e sol. A tuberculose ainda responde por cerca de 15% da tuberculose osteoarticular no mundo, tratada hoje com 12 a 18 meses de quimioterapia e mobilização sem carga, com cirurgia para quem não responde. A ressecção de GIRDLESTONE (exposição ampla, excisão da cápsula e da sinóvia, luxação dos restos da cabeça, limpeza do acetábulo e osteotomia transversa logo acima do trocânter menor) quase perdeu a indicação com os antibióticos e ficou como cirurgia de salvamento das próteses infectadas; GIRDLESTONE também a usou em artroses bilaterais graves para ganhar mobilidade (cap. 1 do Callaghan).

As fraturas do colo. ASTLEY COOPER, em 1822, separou as fraturas em intracapsulares e extracapsulares pela irrigação e disse nunca ter visto uma intracapsular consolidar. ROYAL WHITMAN reduzia por manipulação e imobilizava em abdução e rotação interna acentuada num gesso pelvipodálico. ALBEE, em 1915, fixava com enxerto da tíbia; HEY-GROVES usava pinos de marfim e de osso bovino. Com o aço inoxidável de SHERMAN, em 1912, os outros materiais foram abandonados. Em 1917, SMITH-PETERSEN juntou as incisões anterior e lateral, abriu a cápsula, reduziu a fratura e criou o prego triflangeado, que impedia a rotação dos fragmentos; com ele vieram a radiografia intraoperatória e a mesa de tração, e a redução fechada com fixação interna virou o padrão. PAUWELS, aluno de SCHANZ, estudou a biomecânica da fratura do colo: as fraturas em compressão têm prognóstico melhor que as dominadas por cisalhamento e tração. Nas extracapsulares, o prego não segurava, e PRESTON criou em 1914 um parafuso com placa lateral.

As primeiras próteses de cabeça. Depois das hemiartroplastias de marfim (HEY-GROVES, 1927), de metal (MOORE e BOHLMAN, 1940) e de acrílico (os irmãos JUDET, 1949), as próteses de cabeça com haste metálica de McBRIDE e THOMSON se mostraram pouco estáveis; as hastes de AUSTIN MOORE e FREDERICK THOMPSON viraram as próteses de escolha na fratura do colo e deram impulso à prótese total.

As osteotomias. Na artrose do adulto, HAAS, em Viena, aplicou a osteotomia de bifurcação; MALKIN e McMURRAY tiveram resultados semelhantes. McMURRAY, de Liverpool, popularizou a osteotomia femoral alta: em 1939 relatou 42 pacientes com uma osteotomia oblíqua intertrocantérica com medialização do fragmento distal, que, segundo ele, aliviava a carga e expunha nova superfície da cabeça ao acetábulo.

A ressecção do quadril

Fundamento

De onde veio a ideia. No século XVIII, a infecção crônica (sobretudo a tuberculose) era a grande causa de doença articular, e a amputação era a saída. Alguns cirurgiões começaram a pensar em operações que preservassem o membro: a ressecção da articulação.

Os nomes e as datas (cap. 1 do Callaghan):

Os nomes e as datas
CirurgiãoO que fez
CHARLES WHITEem 1769, na Royal Society, descreveu um menino de 14 anos com abscesso no ombro, tratado com drenagem e ressecção da parte necrótica do úmero proximal, com bom resultado. Nunca fez ressecção do quadril em paciente vivo; só a testou em cadáver e se convenceu de que era factível
JAMES SYMEdefensor ardoroso da ressecção articular, mas achava que ela não era factível no quadril
ANTHONY WHITEfez a primeira ressecção do quadril em 1822, no Westminster Hospital, em Londres, num menino de 9 anos com abscesso crônico e luxação da cabeça; também é creditado como o primeiro a descrever a flegmasia alba dolens, a trombose venosa profunda de um membro
LEWIS SAYREnos Estados Unidos, o grande divulgador da ressecção nas infecções crônicas; a primeira foi em 1854, numa menina de 9 anos com "morbus coxarius" (provável tuberculose); relatou 59 ressecções com 39 sobreviventes; em 1876, no Congresso Médico Internacional de Filadélfia, demonstrou a operação diante de cirurgiões, entre eles LISTER

A ressecção (que hoje lembra a operação de GIRDLESTONE) deixa um membro curto e instável, mas sem dor de infecção. Hoje é reservada à infecção ou como último recurso numa artroplastia falha.

A artrodese

Fundamento

Por que fundir. Na tuberculose, a articulação destruída doía, e fundi-la tirava a dor e controlava a doença. Como entrar numa articulação infectada era perigoso, surgiram os métodos extra-articulares (cap. 1 do Callaghan).

A sequência.

  • RUSSELL HIBBS, de Nova York, relatou em 1926 os resultados de uma fusão extracapsular do quadril por tuberculose, avançando o trocânter maior para cima até encostar na pelve. (Hibbs é conhecido pela artrodese da coluna; o conceito da fusão do quadril não nasceu num tornozelo de 1882.)
  • Muitos autores fizeram variações com um enxerto em ponte entre o trocânter maior e a asa do ilíaco. Biomecanicamente, todos esses enxertos ficavam sob tração, e falharam. Vieram então operações extra-articulares com enxertos sob compressão.
  • Sem sepse, a fusão pode ser intra-articular (artrose avançada, deformidades congênitas antigas). Um dos métodos mais simples foi o de WATSON-JONES (1956): introduzir um longo prego triflangeado pelo colo femoral, através da articulação, até o acetábulo, útil quando havia movimento e deformidade mínimos.
  • CHARNLEY aperfeiçoou a técnica: modelava a cabeça e a luxava centralmente para dentro de um orifício no acetábulo, a estabilização central do quadril; satisfatória para a maioria, mas com desconforto, fraturas do colo e falhas de consolidação.
  • A fixação interna moderna, com placas grandes como a placa Cobra, facilitou a artrodese.

BARTON e as indicações que valem até hoje

Fundamento

A operação. Em 1826, JOHN RHEA BARTON, de Filadélfia, operou um quadril anquilosado em flexão e adução graves: fez uma incisão curta e cortou o fêmur na base do colo, uma osteotomia para criar uma pseudartrose móvel, e não uma artroplastia.

As indicações. O capítulo 1 do Callaghan cita o texto de BARTON porque as suas condições se aplicam à artroplastia de hoje. A operação só seria justificável quando:

1. a saúde geral do paciente é boa e a constituição, suficientemente forte; 2. a rigidez não se limita às partes moles, mas é causada por consolidação da articulação (anquilose óssea); 3. os músculos e tendões essenciais aos movimentos estão sãos, sem aderências firmes às estruturas vizinhas; 4. a doença que causou a deformidade regrediu por completo; 5. a operação pode ser feita no ponto original de movimento ou muito perto dele, para não perder o uso da maioria dos músculos e tendões; 6. a deformidade ou o incômodo justificam a dor e os riscos da cirurgia.

A armadilha clássica é inverter o segundo item: BARTON queria anquilose óssea, e não rigidez só de partes moles (que se trata de outro modo).

A interposição, a moldagem e as hemiartroplastias

Fundamento

A interposição. Antes das próteses confiáveis, os cirurgiões interpunham materiais entre as superfícies ressecadas para manter o movimento e impedir que o osso se refizesse. A tabela 1.1 do Callaghan dá a cronologia:

A interposição
CirurgiãoAnoMaterial
J. M. CARNOCHAN1840bloco de madeira (na mandíbula: o primeiro registro de interposição)
A. S. VERNEUIL1860partes moles
L. OLLIER1885partes moles periarticulares
H. HELFERICH1893retalho pediculado de músculo
J. E. PÉAN1894placa fina de platina
FOEDRE1896bexiga de porco
J. B. MURPHY1902fáscia lata
HOFMAN1906periósteo
LEXER1908fáscia
R. JONES1912folha de ouro
LOEWE1913pele
BAER1919 (o texto cita a série de 1917)submucosa cromada de bexiga de porco (a "membrana de BAER")
PUTTI1920fáscia lata

As armadilhas misturam os pares: a folha de ouro é de R. JONES, a platina é de PÉAN, a bexiga de porco é de FOEDRE e de BAER, e não de HELFERICH (músculo).

Outras interposições. MURPHY, em Chicago, usava retalho de fáscia e gordura e criou fresas para moldar a cabeça e o acetábulo; COLONNA usava a cápsula na luxação congênita; KALLIO, a derme.

A moldagem de SMITH-PETERSEN. A partir de 1923, SMITH-PETERSEN, de Boston, testou cúpulas de vidro, que quebraram, e de baquelite, que também falharam. Só teve sucesso 15 anos depois, com cúpulas de Vitallium, a primeira liga metálica não reativa usada em ortopedia: a "artroplastia de molde".

As hemiartroplastias. HEY-GROVES substituiu a cabeça por uma de marfim em 1927; MOORE e BOHLMAN, por uma de metal depois de ressecar um tumor de células gigantes, em 1940; os irmãos JUDET, em 1949, relataram 76 próteses de acrílico.

A bipolar de BATEMAN. A interposição mais sofisticada foi a prótese bipolar, desenvolvida por BATEMAN e introduzida em 1974. Como a moldagem, tem duas superfícies de movimento: entre uma cúpula grande e o acetábulo, e entre a cabeça femoral e o polietileno dentro da cúpula. O acetábulo não é modificado. Em teoria, a segunda articulação aumentaria o arco e pouparia a cartilagem acetabular; mas o polietileno pode soltar partículas e causar osteólise. Nos estudos randomizados (tabela 1.2), o resultado funcional da bipolar e da unipolar foi equivalente, e a bipolar tem custo maior, sem diferença em sangramento, internação, luxação, revisão, mortalidade ou infecção.

A prótese total: de GLUCK a CHARNLEY

Fundamento

Os precursores (cap. 1 do Callaghan).

  • GLUCK, em Berlim, no fim do século XIX, mostrou que o corpo tolerava grandes corpos estranhos e desenhou joelhos de marfim. Em 1891, foi o primeiro a usar cimento (uma mistura de resina com pedra-pomes ou gesso) para fixar os dois componentes de uma prótese total de joelho de marfim. Não foi um quadril.
  • PHILIP WILES, de Londres, implantou em 1938 componentes acetabular e femoral pareados de aço inoxidável em seis pacientes com doença de STILL; o acetábulo era preso com parafusos e a cabeça com haste, placa lateral e parafusos. Veio a guerra, e ele não continuou.
  • Depois, McKEE e FARRAR e RING fizeram próteses todas de metal, com problemas de soltura e desgaste.

A artroplastia de baixo atrito de CHARNLEY. Foi CHARNLEY quem transformou a prótese total numa cirurgia que qualquer ortopedista bem treinado poderia fazer. As ideias centrais:

  • Baixo atrito. Todos copiavam o tamanho da cabeça normal. CHARNLEY reduziu o diâmetro da cabeça para 22 mm, para melhorar o torque de atrito: com um raio menor, a mesma força de atrito gera menos torque na interface da cúpula com o osso. MÜLLER veio depois com uma cabeça de 32 mm.
  • Cimento. A sugestão do metilmetacrilato veio de LEON WILTSIE, de Los Angeles, e CHARNLEY o adotou.
  • Material. Depois do fracasso do politetrafluoretileno (Teflon), que desgastou depressa e provocou reação intensa, CHARNLEY adotou o polietileno de alto peso molecular, que foi satisfatório.
  • Difusão. A operação se espalhou rapidamente por toda parte, exceto nos Estados Unidos, onde houve atraso à espera da aprovação do cimento acrílico pela FDA.
  • CHARNLEY também viu que as hastes da primeira geração fraturavam por flexão em cantiléver, com a parte distal bem fixa, e mudou a secção e as dimensões para hastes mais rígidas.

A evolução da fixação e os registros

Fundamento

O cimento. O capítulo 1 do Callaghan insiste: o cimento não é cola, é rejunte; a fixação é por travamento mecânico, e não por adesão química ao osso. As técnicas melhoraram (lavagem pulsátil, inserção retrógrada, pressurização sustentada, cimento de baixa viscosidade, a contribuição de ROBIN LING e de HARRIS), com ótimos resultados no registro sueco.

As cúpulas cimentadas. CHARNLEY viu linha radiotransparente contínua em volta de cúpulas cimentadas em 14% dos pacientes com 12 a 15 anos. A falha das cúpulas cimentadas de polietileno foi maior nos jovens: BARRACK relatou 44% de soltura das cúpulas cimentadas em 12 anos em pacientes com menos de 50 anos.

As cúpulas não cimentadas. São hemisféricas ou elípticas, quase sempre com revestimento poroso total; a estabilidade inicial vem do press-fit, com reforço por pinos, espículas, parafusos ou rosca. As de press-fit com parafusos tiveram 96% de sobrevida em 10 anos; as de desenho rosqueado tiveram falhas precoces.

As hastes não cimentadas e o revestimento em manchas. A ideia do revestimento proximal era carregar o fêmur de modo fisiológico e evitar o stress shielding. Mas as primeiras hastes tinham manchas de revestimento (anterior, posterior, medial, lateral), e esses desenhos falharam muito por osteólise: HARRIS, RUBASH e outros mostraram que as partículas de polietileno migravam pelo canal femoral entre as manchas, aumentando o espaço articular efetivo. Daí os revestimentos circunferenciais, que fecham o caminho das partículas. As manchas não reduziram a osteólise: aumentaram.

Os registros. O primeiro registro nacional foi o registro sueco de joelho, em 1976; o registro sueco de quadril veio em 1979. Hoje há registros na Austrália, Canadá, Dinamarca, Inglaterra e País de Gales, Finlândia, Nova Zelândia, Noruega e outros países. Um bom registro dá retorno rápido a cirurgiões e indústria, funciona como sentinela de complicações, avisa da falha precoce de implantes e monitora técnica e desenho.

A fixação não cimentada e a falsa "doença do cimento"

Fundamento

A reação ao cimento. As hastes cimentadas da primeira geração, com técnica rudimentar, falhavam cedo, com áreas localizadas de osteólise. Nos anos 1970, o exame histológico dos defeitos osteolíticos em próteses cimentadas mostrou partículas de polimetilmetacrilato, e vários autores atribuíram a soltura prematura a uma "doença do cimento". Isso empurrou o desenvolvimento das próteses não cimentadas (cap. 1 do Callaghan).

Os pioneiros. Os grupos de PILLIAR e de GALANTE estudaram a fixação biológica, com superfícies porosas que permitem o crescimento ósseo; os componentes femorais de titânio permitiram também a fixação sem cimento e sem revestimento poroso. A fixação não cimentada exige mais precisão técnica.

Mas a osteólise não acabou. O problema da osteólise não se resolveu com os implantes não cimentados: a causa principal eram as partículas de polietileno, e não o cimento. As primeiras hastes porosas eram cilíndricas, com revestimento extenso na diáfise: o osso cresceu bem na diáfise, mas houve muita atrofia cortical, stress shielding proximal e perda óssea, e os pacientes se queixavam de dor na coxa, provavelmente pela diferença de elasticidade entre a haste e o fêmur. Os desenhos passaram então ao revestimento metafisário, para carregar o fêmur proximal de modo fisiológico. As versões em manchas fracassaram por osteólise (as partículas desciam entre as manchas), e vieram os revestimentos circunferenciais.

A lição. A história da fixação mostra que um diagnóstico errado (culpar o cimento) leva a soluções que não resolvem o problema real (o desgaste). Por isso os capítulos de ciência básica do mesmo livro dedicam tanto espaço ao polietileno e à biologia das partículas.

As forças sobre o quadril

Fundamento

Como se medem. No quadril intacto não se mede a força diretamente. As próteses e endopróteses instrumentadas com extensômetros permitiram medir in vivo; as primeiras (RYDELL) mostraram picos de cerca de 300% do peso corporal na marcha (cap. 10 do Callaghan, p. 145).

As forças por atividade (tabela 10.1, BERGMANN e outros):

As forças por atividade
AtividadePico de força (% do peso)Momento torsional no implante
Marcha lenta, livre, rápida200 a 480 (maior com a velocidade)comparável entre elas
Apoio unipodal231 a 350menor
Levantar da cadeira190 a 200menor
Sentar156
Agachar (dobrar o joelho)143
Subir escada251 a 552o maior (cerca de 23% acima da marcha)
Descer escada260 a 509
Tropeço720 a 870 (o texto fala em até cerca de 900)

Os detalhes da marcha. A força de contato é sobretudo superior e tem dois picos: o primeiro no desprendimento do dedo contralateral (cerca de 240% do peso), o segundo pouco antes do contato do calcanhar contralateral (cerca de 237%). O glúteo médio é o maior contribuinte; glúteos e isquiotibiais pesam mais no primeiro pico, e o glúteo médio no segundo.

A escada e a fixação. No plano frontal, a direção da força muda pouco entre as atividades. No plano transverso, ela varia muito: na escada, a força fica 10 a 16 graus mais anterior que na marcha, e isso coincide com um momento torsional 23% maior em torno do eixo longo do implante. A escada pode, portanto, comprometer a fixação, sobretudo da haste não cimentada no início. E as forças na escada foram maiores aos 8 meses do que 1 a 3 anos depois da cirurgia, o que reflete a melhora muscular com o tempo (e não o contrário).

O tropeço. Nenhuma atividade diária chega perto do tropeço inesperado, que pode passar de 700% a 900% do peso. Orientar o paciente a evitar situações de risco no início ajuda a fixação.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 10.1. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, Figura 10.1. Força de contato no quadril durante a marcha e os seus componentes. The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

As pressões de contato e a reabilitação

Fundamento

As pressões no acetábulo (cap. 10 do Callaghan, p. 146 e 147, tabela 10.2). Na marcha, as pressões máximas vão de 3,6 a 6,8 MPa, nas faces superior e posterior do acetábulo, com pico entre o contato do calcanhar e o médio apoio, ligadas à força vertical do solo e à contração muscular (a ativação dos abdutores sobe junto com a pressão).

As pressões no acetábulo
AtividadePressão (MPa)
Marcha3,6 a 6,8
Subir escada4,5
Levantar da cadeira4,4 a 9,7 (a maior)
Isométrico de abdutores4,1
Isométrico de extensão do quadril2,8 a 4,7
Isotônico de abdução2,7 a 3,8
Isotônico de flexão4,8
Elevação da perna estendida1,9 (a menor)
Isocinéticos3,5 a 3,9

As lições para a reabilitação.

  • Nos exercícios, as pressões vão de 1,9 a 4,8 MPa.
  • Os exercícios ativos de fortalecimento geram menos pressão que os isométricos: contrair sem mover não protege a articulação.
  • A velocidade de execução e a carga externa aumentam a pressão, e as duas podem ser controladas pelo fisioterapeuta.
  • As maiores pressões são de levantar da cadeira e subir escada, que exigem coativação de muitos músculos: os exercícios funcionais de membro inferior devem ser adiados depois da cirurgia.

Cuidado com os números. As medidas in vivo vêm de poucos pacientes, mais velhos, alguns com limitações e no pós-operatório recente; os modelos analíticos superestimam as forças em 12% a 16%. Os números orientam, mas variam muito entre pessoas.

O modelo estático, a bengala, o offset e a posição da cúpula

Fundamento

O modelo clássico (cap. 10 do Callaghan, p. 147 e 148). No apoio unipodal, a força da gravidade (cerca de cinco sextos do peso, sem o membro de apoio) age longe do centro da cabeça, e os abdutores equilibram a pelve com um braço de alavanca de cerca de um terço do braço da gravidade. A gravidade tem uma vantagem de 2 para 1, e os abdutores precisam gerar cerca de duas vezes o peso. A força de reação da articulação depende da razão entre os dois braços: aumentar o braço abdutor reduz a força articular. Uma inserção abdutora mais lateral e superior aumenta o braço; mais medial e inferior o reduz. Na marcha real, porém, a marcha explica mais de 67% da variância da força articular, e o posicionamento dos componentes, só 33%.

A bengala na mão oposta. Empurrar a bengala para baixo com a mão contralateral gera uma força para cima longe do quadril, que trabalha junto com os abdutores contra o peso. A força de contato caiu 56%, as pressões acetabulares 28% a 40%, e a atividade do glúteo médio 26% a 31%; quanto mais peso na bengala, menos glúteo médio. O preço é mais trabalho do glúteo médio do outro lado. As muletas em marcha de três pontos reduzem mais as forças, mas a vantagem só existe no primeiro mês; depois, a marcha de dois pontos é segura.

O offset femoral (p. 149). Aumentar o offset (a distância do eixo do fêmur ao centro da cabeça) aumenta o braço abdutor e passa a vantagem mecânica para os abdutores. O offset baixo deixa o colo mais vertical, aumenta o braço da gravidade e exige mais força abdutora. Na clínica, os pacientes com offset alto tinham mais força de abdução, menos ativação do glúteo médio na eletromiografia e menos tempo em duplo apoio; os de offset baixo deslocavam o centro de massa para o lado operado ao passar por obstáculos.

A posição da cúpula (p. 149 e 150).

  • Deslocamentos superiores ou inferiores têm o maior efeito: a cúpula alta reduz as forças, os braços e os momentos de abdução e flexão; a cúpula baixa os aumenta.
  • Medial ou lateral mexe com os adutores: a medialização reduz o braço e o momento adutor.
  • Na combinação, a cúpula superior reduz a capacidade abdutora em até 49%; a superolateral, 38%; a superomedial, 65% (a mais danosa).
  • Alongar o colo protético restaura a capacidade abdutora só nas cúpulas superiores e superomediais, não na superolateral, que reduz o braço abdutor e não consegue estabilizar a pelve, gerando marcha compensatória.
  • A cúpula superolateral também aumenta a força articular: 25 mm acima e lateral, +29% no apoio unipodal e +19% na escada; 37 mm, +53% e +29%.

A marcha antes e depois da artroplastia

Fundamento

Antes da cirurgia (cap. 10 do Callaghan, p. 150 e 151). Os pacientes com doença avançada perdem até 30% da força isométrica de flexão, abdução e adução, e 80% têm marcha de Trendelenburg positiva, que se associa à inatividade dos glúteos médio e máximo na eletromiografia. Inclinar o tronco sobre o membro de apoio aproxima o peso do centro da cabeça e poupa os abdutores. A velocidade da marcha cai, o apoio unipodal no lado doente encurta, a escada demora mais, e há uma descontinuidade do movimento sagital no fim do apoio.

Depois da cirurgia (p. 151 e 152).

  • A força melhora até 2 anos, mas não iguala a dos controles.
  • A velocidade, a cadência, o passo e o apoio unipodal melhoram até 2 anos, mas a velocidade da marcha continua cerca de 20% menor que o normal.
  • Aos 10 anos, a velocidade do passo e o tempo em apoio unipodal continuam reduzidos, e o passo e a passada encurtam em relação ao normal; o paciente alcança simetria entre os lados, mas não a normalidade.
  • Não houve diferença entre os pacientes operados abaixo de 65 anos e os mais velhos: os jovens também não alcançam a velocidade normal, provavelmente pela fraqueza persistente dos abdutores.
  • No início, aparecem inclinação lateral do tronco, obliquidade da pelve e adução do quadril operado; na escada e ao levantar da cadeira, há déficits de momento e de potência no primeiro ano, e o paciente carrega mais o lado não operado.

A conclusão do capítulo. Se essas alterações não forem tratadas no pós-operatório inicial, a cura e o alívio da dor sozinhos não as corrigem: o fortalecimento e a mecânica correta precisam ser trabalhados cedo, para proteger a articulação e o implante.

Medidas diretas, modelos e a anatomia que a prótese imita

Fundamento

Os limites das medidas diretas (cap. 10 do Callaghan, p. 147). As próteses instrumentadas são a única medida direta da força no quadril, mas só puderam ser usadas em poucos pacientes. Todos os estudos mostraram grande variação entre as pessoas (padrão de marcha, tempo desde a cirurgia, função muscular), e os pacientes eram mais velhos e alguns tinham limitações funcionais. Medidas feitas no pós-operatório recente podem refletir dor e fraqueza da própria cirurgia, e nada garante que representem o quadril nativo. Por isso os números das tabelas são referências, não regras.

Os modelos analíticos (p. 148 e 149). As primeiras estimativas usaram diagramas de corpo livre em apoio unipodal estático, com os abdutores como únicos músculos. Os modelos dinâmicos modernos, com otimização, decompõem a força do solo nas contribuições dos músculos, da gravidade e das forças centrífugas, e mostram que os músculos são o maior componente da força de contato. O glúteo médio é o maior contribuinte para os componentes superior e medial da força; o glúteo máximo pesa no início do apoio; os glúteos e os isquiotibiais fazem o primeiro pico, e o glúteo médio, o segundo. Os modelos estimam picos de 200% a 430% do peso, parecidos com os medidos, mas simplificam demais: não consideram a cocontração, a tensão da cápsula e dos ligamentos nem a mudança do braço dos músculos com o movimento, e a ativação prevista não bate com a eletromiografia. Comparados às medidas in vivo, superestimam as forças em 12% a 16%.

A anatomia que orienta a cinemática (cap. 11 do Callaghan, p. 154 e 155). A cabeça femoral é quase uma esfera, unida ao fêmur pelo colo. A distância entre o centro da cabeça e o eixo anatômico do fêmur é o offset cabeça e colo, ligado diretamente ao braço de alavanca e à eficiência dos abdutores. O colo é antevertido cerca de 10 a 20 graus no adulto; junto com o acetábulo antevertido, isso amplia o arco de flexão, sobretudo com o membro em leve rotação externa, como na marcha normal. No plano coronal, o colo forma um ângulo de 125 a 140 graus com a diáfise, um valgo que transmite o peso de modo mais vertical sem perder o offset que os abdutores precisam. No quadril nativo, a estabilidade em flexão e extensão vem sobretudo das partes moles; depois da artroplastia, passa a depender mais da estabilidade do implante e do arco até o impacto. É por isso que o tamanho da cabeça, a razão cabeça e colo e a orientação dos componentes ganham tanta importância na luxação.

A aplicação prática. Restaurar o offset e o centro de rotação devolve aos abdutores o braço de alavanca; posicionar bem a cúpula evita o impacto precoce; e o fortalecimento dos abdutores no pós-operatório completa o que a cirurgia começou. Os três capítulos deste resumo, juntos, explicam por que a artroplastia bem feita depende tanto do cirurgião quanto do material.

A cinemática do desgaste

Fundamento

O movimento multidirecional. O capítulo 11 do Callaghan lembra que a produção de partículas, de polietileno ou de metal, depende da direção do movimento entre os componentes. Nos estudos de laboratório, o movimento unidirecional (num trajeto restrito) gera de 2 a 100 vezes menos partículas que o multidirecional. É o mesmo mecanismo do capítulo de polietileno: as cadeias se orientam na direção do movimento e ficam resistentes nesse sentido; quando o movimento cruza, as fibrilas orientadas se rompem.

A razão de aspecto do trajeto (figura 11.12). A razão de aspecto é o comprimento dividido pela largura do trajeto que a cabeça descreve sobre o polietileno durante a marcha. Um trajeto longo e estreito (razão de aspecto grande) é quase linear; um trajeto largo e circular (razão de aspecto pequena) cruza mais as direções. TURELL e DAVEY, em peças retiradas, viram mais desgaste linear nos pacientes com trajetos de menor razão de aspecto (mais circulares); trajetos mais uniformes e lineares deixam o polietileno mais resistente, e trajetos largos se associaram a mais cristalinidade e a mais falhas em testes de tensão. Isso reforça a importância de componentes bem posicionados e partes moles equilibradas.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 11.12. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, Figura 11.12. Trajetos da cabeça sobre o polietileno e a relação com o desgaste linear. The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

A luxação e a orientação dos componentes

Fundamento

A frequência. A luxação do quadril nativo é rara, ligada a trauma de alta energia. Depois da artroplastia, a perda de estabilizadores estáticos desestabiliza muito a articulação. O capítulo 11 do Callaghan diz que a luxação é a segunda complicação mais comum da artroplastia total, depois da soltura asséptica, com taxas de 0,7% a 8% nos registros atuais depois da primária.

As duas posições de risco. A maioria das luxações acontece em uma de duas posições: flexão com rotação interna (luxação posterior) ou extensão com rotação externa (luxação anterior). No fim do arco, o colo encosta na borda da cúpula; o contato vira um fulcro, e a alavanca levanta a cabeça para fora. O ponto em que isso acontece depende das partes moles e da razão entre os diâmetros da cabeça e do colo (figura 11.11). Em flexão com rotação interna, o trocânter maior também pode bater no periacetábulo ou na espinha ilíaca anteroinferior e servir de fulcro.

TANINO. Num modelo in vivo, os pacientes com risco de subluxação ou luxação engajavam o colo na borda mais cedo em extensão com rotação externa (o texto cita 42 contra 25 graus) e também mais cedo em flexão com rotação interna.

KUNG e RIES (figura 11.13). Em 230 artroplastias, compararam cabeças de 28 mm e de 36 mm e abdutores íntegros ou ausentes. A cabeça maior teve menos luxação, e a combinação de cabeça de 36 mm com abdutores íntegros não teve nenhuma luxação. O estudo é retrospectivo e teve taxas maiores que as dos registros, mas mostra que o tamanho da cabeça e as partes moles atuam juntos: nem a cabeça grande dispensa os abdutores, nem os abdutores são irrelevantes com a cabeça pequena.

A orientação da cúpula. D'LIMA mostrou que, com 45 graus de inclinação, a flexão aumenta muito e a faixa aceitável de anteversão fica larga; com 55 graus, a cúpula fica mais estável, mas à custa do arco, com faixa estreita de anteversão. A recomendação geral é de 45 a 55 graus de abdução. A anteversão está diretamente ligada ao arco estável em flexão e extensão: a cúpula mais antevertida abre espaço para a flexão antes do impacto, mas o colo bate mais cedo na borda em extensão, onde fica o risco anterior; a cúpula retrovertida faz o contrário, com o colo batendo cedo na flexão e risco de luxação posterior (figura do arco de movimento). HIGA mostrou que, a partir de 0 grau, o arco aumenta com a anteversão, o ganho diminui além de 10 a 20 graus, e acima de 20 graus o risco de luxação em flexão aumenta. A versão importa, mas o capítulo lembra que a estabilidade depende muito das partes moles.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 11.13. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, Figura 11.13. Luxação conforme o diâmetro da cabeça e os abdutores (KUNG e RIES). The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 11.11. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, Figura 11.11. Arco de movimento com a cúpula retrovertida e antevertida. The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

Revisão rápida

Fundamento

História.

1. CHARLES WHITE ressecou um úmero (1769); ANTHONY WHITE fez a primeira ressecção do quadril (1822) e descreveu a flegmasia alba dolens; SAYRE, a primeira dele em 1854; SYME achava o quadril inviável. 2. HIBBS (1926): fusão extracapsular; pontes sob tração falharam; WATSON-JONES: prego triflangeado; estabilização central é de CHARNLEY. 3. BARTON (1826): anquilose óssea, músculos sãos, doença extinta, boa saúde, no ponto original de movimento. 4. CARNOCHAN (1840): madeira; PÉAN: platina; R. JONES: ouro; LOEWE: pele; HELFERICH: músculo; BAER: bexiga de porco. 5. SMITH-PETERSEN: vidro, baquelite, Vitallium. BATEMAN (1974): bipolar, função igual, custo maior. 6. GLUCK (1891): cimento num joelho de marfim; WILES (1938): aço em seis pacientes com doença de STILL. 7. CHARNLEY: 22 mm pelo torque de atrito; Teflon falhou; polietileno; cimento; difusão exceto nos Estados Unidos. 8. BARRACK: 44% de soltura das cúpulas cimentadas em 12 anos abaixo de 50 anos; rosqueadas falharam; manchas aumentaram a osteólise; primeiro registro: sueco de joelho em 1976.

Biomecânica.

1. Marcha 200% a 480% do peso; escada acima de 500%, força 10 a 16 graus mais anterior e torção 23% maior; tropeço até cerca de 900%; escada pesa mais aos 8 meses que depois. 2. Pressão de 3,6 a 6,8 MPa na marcha; elevação da perna estendida a menor; levantar da cadeira até 9,7; isométrico acima do ativo. 3. Bengala na mão oposta: menos 56% de força. 4. Offset alto: mais força de abdução e menos glúteo médio. 5. Cúpula superolateral: perde 38% da abdução, não corrige com colo, e aumenta 29% a força com 25 mm. 6. Força até 2 anos sem normalizar; marcha 20% mais lenta; jovens iguais aos idosos.

Cinemática.

1. Multidirecional gera de 2 a 100 vezes mais partículas; trajeto circular desgasta mais. 2. Luxação: segunda complicação, 0,7% a 8%; flexão com rotação interna e extensão com rotação externa. 3. KUNG e RIES: 36 mm com abdutores, nenhuma luxação. 4. Anteversão amplia a flexão à custa da extensão.

As armadilhas que mais caem neste tema.

  • Trocar os dois WHITE: CHARLES operou um ombro em 1769; ANTHONY operou o primeiro quadril em 1822 e descreveu a trombose venosa profunda.
  • Atribuir a estabilização central a WATSON-JONES (ela é de CHARNLEY) ou dizer que os enxertos em ponte trocânter e ilíaco ficavam sob compressão (ficavam sob tração, e por isso falharam).
  • Inverter a segunda condição de BARTON: ele exigia anquilose óssea, não rigidez só de partes moles.
  • Misturar os materiais da tabela de interposição: madeira com CARNOCHAN, platina com PÉAN, ouro com R. JONES, pele com LOEWE.
  • Dar a bipolar aos JUDET (é de BATEMAN) ou dizer que ela luxa menos e custa menos (luxa igual e custa mais).
  • Dizer que GLUCK cimentou um quadril (foi um joelho de marfim) ou que SMITH-PETERSEN venceu com baquelite (venceu com Vitallium).
  • Dar a CHARNLEY a cabeça de 32 mm (é de MÜLLER) ou o sucesso com Teflon (o Teflon falhou).
  • Esquecer que a escada pesa mais aos 8 meses do que depois, que a elevação da perna estendida é o exercício de menor pressão e que os isométricos pressionam mais que os ativos.
  • Achar que alongar o colo corrige a cúpula superolateral (só corrige a superior e a superomedial).
  • Dizer que a luxação é a complicação mais comum (é a segunda, depois da soltura asséptica).
  • Confundir os registros: o primeiro foi o sueco de joelho (1976); o sueco de quadril veio em 1979.
  • Dizer que o revestimento poroso em manchas reduziu a osteólise: aumentou, porque as partículas desciam entre as manchas.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando