Orto Questões

Anatomia cirúrgica do quadril e acessos da artroplastia total

QuadrilResumo do capítulo31 min de leitura

Fresar um quarto do diâmetro preserva cerca de 75% das colunas; mais de um terço arrisca descontinuidade; a fóvea limita a medialização (protrusão inflamatória: só expandir e enxertar); o ligamento transverso marca o fundo e segura a fresa; varo com mais offset; canal em chaminé com a idade e índice de DORR perto de 1; quadrantes de WASIELEWSKI (ilíacos externos opostos ao ântero-superior, obturatórios ao ântero-inferior; posteriores com 25 mm de osso) e o centro alto (só a metade periférica dos posteriores); vasos femorais comuns lesados pelo afastador medial, veia ilíaca menos que a artéria, afastador proximal protege; ciático e fibular (0,5% a 2%), EDWARDS (fibular 2,7 cm, ciático 4,4 cm), cabeça curta do bíceps, estiramento pior que lesão direta; via posterior com pino às 5 horas no sulco cotiloide, teste de rotação interna de 15 graus; osteotomia trocantérica na revisão, pseudartrose como complicação mais comum, fios iguais aos cabos e mais baratos, cabo como serra de Gigli; via anterior em mesa de fratura (cóccix para a sínfise, cúpula a 40 a 45 e 20 a 25 graus, offset femoral, raspa sem rodar, 3.000 casos com fratura do trocânter mais comum); via anterior direta (anteversão e abdução demais, ferida, menos de 100 casos com o dobro de complicações, RESTREPO e SUGANO).

Atualizado em 31/10/2026 · 31 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulos 2 (Gross Anatomy of the Hip), 3 (Posterior Approach), 6 (Trochanteric Approaches), 7 (Anterior Approach, Fracture Table) e 8 (Anterior Approach, Traditional Table), em The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017. Autores do capítulo: Editores John J. Callaghan, Aaron G. Rosenberg e Harry E. Rubash; capítulo 2 de Ray C. Wasielewski, Sharat Kusuma e Aaron G. Rosenberg.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de quadril do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), capítulo 2, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado em cinco capítulos do The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery, editado por John J. Callaghan, Aaron G. Rosenberg e Harry E. Rubash: o 2 (anatomia cirúrgica, de Ray C. Wasielewski e colaboradores), o 3 (via posterior), o 6 (osteotomia trocantérica), o 7 (via anterior em mesa de fratura) e o 8 (via anterior direta em mesa comum).

São capítulos de técnica, e a prova os cobra de dois jeitos. O primeiro é a anatomia de risco: onde estão os vasos e nervos em relação ao acetábulo, qual quadrante aceita parafuso, quanto se pode fresar, qual nervo sofre com o alongamento. O segundo são os detalhes da técnica e os números das séries de cada autor: o alvo da cúpula, como se mede o comprimento, quando se libera a tração, qual foi a complicação mais comum, quantos casos dura a curva de aprendizado.

O fio condutor é a segurança: cada via tem os seus riscos próprios (a posterior, a luxação e o ciático; a transtrocantérica, a pseudartrose do trocânter; a anterior, a ferida, a fratura do fêmur e do tornozelo e a cúpula antevertida demais), e cada detalhe técnico do livro existe para evitar um deles.

O roteiro:

1. O acetábulo: colunas, fresagem e marcos. 2. O fêmur proximal: offset e índice de DORR. 3. Os quadrantes acetabulares e os parafusos. 4. Os vasos em risco. 5. Os nervos em risco. 6. A via posterior. 7. A osteotomia trocantérica. 8. A via anterior em mesa de fratura. 9. A via anterior direta em mesa comum. 10. Revisão rápida.

O acetábulo: colunas, fresagem e marcos

Fundamento

As colunas. O acetábulo cobre cerca de 170 graus da cabeça, ampliado pelo labrum, que se espessa embaixo, na base da fóvea, como ligamento transverso. Duas colunas ósseas fortes, anterior e posterior, transmitem a carga entre o tronco e o membro, com espessura variável à frente e atrás do acetábulo (cap. 2 do Callaghan).

Quanto fresar (cap. 2, p. 37 e 38). A regra é numérica:

Quanto fresar
FresagemConsequência
Expandir mais de um terço do diâmetro anatômico (um acetábulo de 54 além de 72)risco de descontinuidade pélvica, colunas incompetentes
Fresar um quarto do diâmetro (um 56 até 70)mais seguro: preserva cerca de 75% do osso das colunas anterior e posterior

Fresar demais também atrapalha o press-fit: a cúpula não consegue gerar o "hoop stress" (a tensão circunferencial do encaixe sob pressão) num acetábulo alargado demais, e sobra menos osso para os parafusos periféricos e transacetabulares.

Os marcos.

  • As bordas anterior e posterior ajudam a conferir a anteversão e a flexão da cúpula.
  • A base da fóvea guia até onde medializar. Um grande osteófito medial pode escondê-la; se não for removido com fresagem medial suficiente, a cúpula fica lateralizada.
  • Na artropatia inflamatória com protrusão, a fóvea muitas vezes está obliterada, e a medialização é contraindicada: o acetábulo já está medial demais. Nesse caso, só se expande o acetábulo e se enxerta o defeito medial com osso morselizado.
  • O ligamento transverso marca o ponto mais inferior do acetábulo, útil na displasia e mesmo no quadril com luxação congênita em que a cabeça nunca esteve no acetábulo. Ele também é uma barreira física que impede a fresa de derivar para baixo quando o osso superior é esclerótico (a fresa tende a escapar do osso duro para o mole). O ligamento segura a fresa; não a força para baixo.

O fêmur proximal: offset e índice de DORR

Fundamento

O offset e o ângulo cervicodiafisário (cap. 2). A distância entre o centro da cabeça e a face lateral do trocânter varia independentemente do ângulo colo e diáfise, mas há uma tendência: quadris com mais valgo tendem a ter menos offset, e os com mais varo, mais offset. Se a variação é anatômica, deve ser reproduzida com componentes de offset e ângulo semelhantes; se é patológica, é preciso restaurar a cinemática e o comprimento normais. A metáfise varia muito, e só a TC antes da cirurgia, ou o corte do colo durante ela, mostra a geometria real; isso complica as hastes não cimentadas de geometria proximal fixa.

Taça de champanhe e cano de chaminé. O fêmur proximal do jovem tende à forma de trombeta ou taça de champanhe. Com a idade, a expansão endosteal do istmo produz o cano de chaminé (stovepipe), um canal largo e reto. Essas formas mudam a capacidade de o revestimento poroso de uma haste encostar no osso.

O índice de DORR. É a razão entre o diâmetro do canal no nível do trocânter menor e o diâmetro do canal 10 cm abaixo (não 5 cm). Quando ele se aproxima de 1, o canal é quase cilíndrico (chaminé), e o preenchimento proximal e distal fica comprometido. Nesses fêmures, pode ser preciso mais superfície porosa para a haste encostar no endósteo, ou então cimentar. SPOTORNO tem um índice parecido, e SINGH classificou a perda trabecular da osteopenia (menos importante na artroplastia, porque o corte do colo remove essas trabéculas).

Os quadrantes acetabulares e os parafusos

Fundamento

O sistema de WASIELEWSKI (cap. 2, figura 2.3). Traça-se uma linha da espinha ilíaca anterossuperior pelo centro do acetábulo; ela separa as metades anterior e posterior. Uma perpendicular no ponto médio dessa linha cria quatro quadrantes. O sistema localiza as estruturas intrapélvicas a partir de pontos fixos do acetábulo e serve para parafusos transacetabulares, afastadores, furos de ancoragem e para estimar a profundidade do osso.

O sistema de WASIELEWSKI
QuadranteEstruturas opostasOssoParafuso
Ântero-superiorartéria e veia ilíacas externaspoucoinseguro
Ântero-inferiornervo, artéria e veia obturatóriospoucoinseguro
Póstero-superiornervo ciático, vasos e nervo glúteos superiores25 mm ou mais nas regiões centraisrelativamente seguro
Póstero-inferiorvasos glúteos inferiores e pudendos internos25 mm ou mais nas regiões centraisrelativamente seguro

Nos quadrantes anteriores, as estruturas ficam coladas ao osso, com pouca proteção de músculo, e o osso é fino: parafusos, cimento e afastadores ali são perigosos. A zona polar (o fundo do acetábulo), frequentemente violada pela fresagem excessiva, pelos furos de ancoragem ou por parafusos, fica oposta à veia ilíaca externa e aos vasos obturatórios. Nos posteriores, a palpação da incisura isquiática durante a perfuração é prudente; os parafusos não devem sair mais de 5 mm pela coluna posterior, onde passam os vasos glúteos.

O centro alto (HHC). Quando a cúpula é posta acima do centro anatômico, o sistema de quadrantes é transposto meio diâmetro acetabular para cima. Os quadrantes anteriores do centro alto passam a ocupar regiões que antes eram os quadrantes posteriores (seguros) do sistema anatômico: essas regiões deixam de ser seguras. A zona relativamente segura no centro alto é a metade periférica dos quadrantes posteriores do centro alto, onde parafusos de 25 a mais de 35 mm entram no ilíaco (figura 2.4B).

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 2.3. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, cap. 2, Figura 2.3. A: quadrantes no centro anatômico, com os posteriores como zona segura. B: no centro alto, o sistema sobe meio diâmetro, e os antigos quadrantes posteriores passam a ser os anteriores (inseguros). The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

Os vasos em risco

Fundamento

Fora da pelve: os femorais (cap. 2, figura 2.8). A artéria femoral comum continua a ilíaca externa sob o ligamento inguinal e passa logo à frente e medial à cápsula, separada dela só pelo tendão do iliopsoas. O trígono femoral é limitado pelo ligamento inguinal, pelo adutor longo e pelo sartório, com assoalho de ilíaco, psoas, pectíneo e adutor curto, e contém o nervo, a artéria e a veia femorais. No nível da cápsula inferomedial, a artéria fica lateral à veia e é mais suscetível.

  • Os vasos femorais comuns são as estruturas vasculares extrapélvicas mais lesadas na artroplastia.
  • O mecanismo mais citado é o afastador colocado medial demais sobre a borda anteroinferior do acetábulo, sobretudo na via anterolateral; também enxertos estruturais, ressecção de osteófitos e de cicatriz e cimento extravasado (pseudoaneurisma, trombose, embolia).
  • Paciente aterosclerótico: o posicionamento pode causar trombose ou embolia de placa; deve-se pedir avaliação vascular antes da artroplastia se a pressão no tornozelo ao Doppler for menor que 50 mmHg ou se houver isquemia clínica, e considerar monitorização pletismográfica nos de alto risco.
  • A circunflexa medial pode sofrer falso aneurisma com afastador medial demais no quadrante anteroinferior; o afastador de Hohmann sobre a cápsula anterior já lacerou a femoral profunda e a circunflexa lateral.

Dentro da pelve: os ilíacos externos. A artéria ilíaca externa corre na borda medial do psoas, anterior e lateral à veia; o músculo interposto diminui de cima para baixo e vira tendão diante do quadrante ântero-superior. A veia, mais distal, corre medial e inferior à artéria, colada ao rebordo pélvico, relativamente imóvel.

  • A lesão da veia é menos comum que a da artéria.
  • O risco vem do afastador medial demais sobre a coluna anterior; ele diminui com o afastador colocado mais proximalmente ao longo da coluna anterior, onde o psoas interposto protege os vasos.
  • O cimento (excesso, extrusão por um furo de ancoragem, calor da polimerização) e a fresagem medial excessiva também lesam; recomenda-se um restritor ou enxerto no fundo. Parafusos transacetabulares já laceraram a veia ilíaca externa.

Os nervos em risco

Fundamento

O ciático e o fibular (cap. 2). As paralisias do ciático e do fibular são as lesões nervosas periféricas mais comuns depois da artroplastia, com incidência de 0,5% a 2,0%. O nervo corre atrás do acetábulo, vulnerável aos afastadores posteriores e às fresas, ainda mais com incisões pequenas.

  • Fatores associados: revisão, tempo cirúrgico e sangramento maiores, luxação congênita, e alongamento ou lateralização do membro. Obesidade, idade, via de acesso e arco pré-operatório não foram estabelecidos como fatores.
  • EDWARDS: as paralisias do fibular se associaram a um alongamento médio de 2,7 cm (1,9 a 3,7), e as do ciático, a 4,4 cm (4,0 a 5,1). O fibular, mais tenso e mais preso, sofre com menos alongamento.
  • Há relatos de compressão por fio trocantérico, por esporão de cimento e por fios quebrados que migraram.

Ciático ou só o fibular? A divisão fibular do ciático pode ser lesada isoladamente. A eletromiografia diferencia: fibrilação na cabeça curta do bíceps femoral (inervada por dois ramos do fibular comum) com gastrocnêmio normal indica que a lesão está na divisão fibular. Se o gastrocnêmio (tibial) também estiver alterado, a lesão é do tronco ciático.

O prognóstico. A lesão do fibular evolui muito melhor que a do ciático. As lesões por estiramento evoluem pior que as lesões diretas (afastador, cautério, sutura, fratura intraoperatória do fêmur). O prognóstico também depende da extensão do dano: quem mantém ou recupera alguma função motora ainda no hospital tende a ir bem.

O femoral. A paralisia do femoral é menos estudada; SIMMONS relatou 2,3% em 440 artroplastias. O mecanismo mais comum é o afastador; também cimento, alongamento, hematoma e pseudoaneurisma. Uma leve flexão do quadril no pós-operatório pode proteger. O prognóstico é parecido com o do ciático e do fibular; na hemorragia progressiva no trígono femoral, a descompressão pode ser indicada.

A via posterior

Fundamento

A história e as indicações (cap. 3, de MEFTAH, A. S. RANAWAT e C. S. RANAWAT, p. 51 a 55). A via posterior é a mais usada no quadril. LANGENBECK a descreveu em 1874, para feridas de guerra e infecções; KOCHER a estendeu para baixo em 1907; GIBSON, em 1950, acrescentou a liberação dos glúteos médio e mínimo; a versão mais usada hoje é a de AUSTIN MOORE, da espinha ilíaca posterossuperior à borda posterior do trocânter e 10 a 13 cm ao longo do fêmur, extensível a todo o fêmur. A modificação de IYER, com osteotomia parcial do trocânter, expõe melhor o acetábulo, mas traz pseudartrose e claudicação abdutora. A via serve à primária, à revisão, à hemiartroplastia e a procedimentos não protéticos (drenagem, corpos livres, redução de luxação posterior), e não tem contraindicações.

As complicações próprias. A luxação sempre foi a preocupação: até 4% sem reparo da cápsula posterior e 1% a 2% com reparo; com reparo adequado da cápsula e dos rotadores curtos, cai para cerca de 1% (WEEDEN, 945 primárias: 0,85% em 6,4 anos). O risco é maior nas primeiras 6 semanas, enquanto o reparo cicatriza, o que a ressonância mostra pela cicatriz nos tendões. A paralisia do ciático vai de 0,09% a 3,7%; num estudo com ressonância, os autores mostraram que ela é uma compressão do nervo entre a tuberosidade isquiática e a inserção femoral do glúteo máximo durante o preparo do fêmur, e por isso liberam parcialmente o tendão do glúteo máximo.

O posicionamento. Decúbito lateral, pelve neutra presa por dois apoios (púbis e sacro), trocânter maior alinhado com o ombro, anestesia regional hipotensiva para reduzir o sangramento, e os marcos ósseos desenhados na pele (espinhas ilíacas, ponto mais alto da crista, ponta, meio e borda posterior do trocânter).

O comprimento do membro (cap. 3, p. 57 e 58, figura 3.6). Reproduzir o comprimento e o offset é parte da técnica. Antes de luxar o quadril, coloca-se um pino de Steinmann vertical às 5 horas no sulco cotiloide e faz-se uma marca no trocânter maior. Depois, com a mesa e o fêmur na posição neutra, o pino é recolocado durante as provas e a distância à marca é comparada. O quadril é luxado por flexão, adução e rotação interna; o centro da cabeça é marcado com uma cúpula de prova do mesmo diâmetro, e medem-se as distâncias do centro da cabeça ao ponto mais alto do trocânter menor (comprimento) e ao trocânter maior (offset). O colo é cortado conforme o planejamento, deixando alguns milímetros a mais.

Os detalhes técnicos. Incisão de 15 a 20 cm; liberação parcial da inserção do glúteo máximo para evitar a paralisia do ciático (atenção à primeira perfurante da femoral profunda); os rotadores curtos e a cápsula posterior saem como uma única bainha e são reparados à fossa trocantérica por dois furos, com fio inabsorvível.

A reabilitação (p. 59).

  • Fisioterapia no dia da cirurgia, com carga conforme tolerada (não depois de 6 semanas).
  • Precauções contra luxação: evitar flexão além de 90 graus e adução além do neutro, com almofada de abdução e assento elevado.
  • O teste de rotação interna avalia a cicatrização dos rotadores e da cápsula: com o paciente deitado, 15 graus ou menos de rotação interna a 90 graus de flexão, às 6 semanas. Com o teste positivo, o paciente volta a todas as atividades diárias.
  • Depois da recuperação completa: caminhada, bicicleta, boliche, natação, golfe, tênis e esqui. Corrida, jogging e saltos devem ser evitados.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 3.6. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, cap. 3, Figura 3.6, p. 57. Pino de Steinmann vertical às 5 horas no sulco cotiloide e marca no trocânter maior, antes da luxação, para conferir o comprimento. The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

A osteotomia trocantérica

Fundamento

Por que e quando (cap. 6, p. 75 e 76). CHARNLEY, que aprendeu a técnica com HARRY PLATT, dizia que, se o trocânter consolidasse em três semanas sem restringir a reabilitação, poucos deixariam de usar o acesso transtrocantérico, tão amplo e bonito. Hoje a indicação primária é a artroplastia de revisão, em que as vias comuns não expõem bem o acetábulo e o fêmur (e a exposição ruim arrisca o ciático, a fratura do fêmur, a avulsão dos abdutores e a perfuração femoral distal). Ela também ajuda em primárias difíceis: protrusão, displasia, artrodese prévia, consolidação viciosa.

A complicação mais comum é a pseudartrose (ou consolidação viciosa) do trocânter, duas a três vezes mais frequente nas mãos sem experiência.

As contraindicações.

  • Estoque ósseo e leito trocantérico insuficientes para reaproximar o fragmento.
  • Radioterapia prévia no local, ou alto risco de ossificação heterotópica que vá exigir radioterapia: contraindicação relativa (não absoluta).
  • Hastes não cimentadas de grande preenchimento metafisário, que deixam só uma casca fina de osso trocantérico depois da raspagem: podem ser contraindicadas (não são indicação clássica).

As técnicas de osteotomia (cap. 6, p. 76 a 87).

  • A clássica de CHARNLEY: um corte plano atravessando o trocânter, que era rebatido para cima e depois lateralizado e fixado distal ao leito original. Permitia uma prótese de colo curto, que diminuía a alavanca do colo e transmitia a carga à diáfise, e ajustava a tensão dos abdutores, o que poderia reduzir a luxação. O corte plano, porém, era instável.
  • A chevron (biplanar, "diedro autoestável"): usada desde 1954 por DEBEYRE e DULIVEUX e popularizada pelos suíços. O corte é planejado 4 a 5 cm abaixo da ponta do trocânter, com dois ramos iguais a cerca de 30 graus do plano parassagital, convexos para fora, feito com serra, osteótomo ou com uma serra de Gigli sobre um pino de Steinmann de 4 mm; o resultado parece o telhado de um chalé suíço e encaixa sozinho. Uma série teve pseudartrose de 11% na osteotomia convencional contra 1,5% na biplanar; BERRY e MÜLLER tiveram 98% e 97% de consolidação em primárias e revisões com um único fio; WROBLEWSKI, 98%. O texto diz que o efeito autoestável do diedro é a chave da boa fixação, e que ele se perde na revisão com leito ruim, quando é preciso fixação adicional.
  • A osteotomia deslizante (trochanteric slide): descrita por ENGLISH em 1975, a partir da ideia de McFARLAND e OSBORNE (1954) de manter em continuidade os tendões do glúteo médio e do vasto lateral. O fragmento sai com o glúteo médio em cima e o vasto lateral embaixo, numa bainha musculotendínea que transforma a tração sobre o fragmento em compressão, prevenindo a migração e favorecendo a consolidação. A variante de GANZ preserva a inserção do glúteo médio, recupera a abdução mais depressa e protege o nervo glúteo superior.
  • A osteotomia trocantérica estendida (ETO): CAMERON, em 1991, estendeu a osteotomia para baixo para retirar uma haste que tinha afundado; PAPROSKY descreveu a técnica atual, em que um segmento de comprimento variável da diáfise anterolateral sai junto com o trocânter, o glúteo médio e o vasto lateral, como uma janela articulada numa dobradiça de músculo e periósteo. Dá exposição ampla para retirar hastes bem fixas e cimento distal, corrige deformidades (como o fêmur remodelado em varo), consolida de modo previsível e permite tensionar os abdutores. Pode ser feita antes de luxar (quadril rígido, ossificação heterotópica, haste afundada), depois de luxar (haste bem fixa) ou depois de retirar a haste; as hastes cônicas longas e modulares (estilo WAGNER) são usadas depois dela.

Fios ou cabos (p. 92 a 95).

  • Depois das primeiras 6 semanas, os fios e os dispositivos têm papel menor na consolidação: num estudo, metade dos fios quebrou cedo, e os autores concluíram que a fixação pesa pouco depois desse período. A biologia do leito decide mais que a força do implante.
  • O cabo multifilamentar é muito mais forte em bancada, mas nenhum estudo prospectivo randomizado mostrou o fio inferior.
  • Numa revisão de 6.460 artroplastias com cerclagem (1986 a 2003), não houve diferença estatística nas falhas entre cabos (3,57%) e fios (5,12%), nem na função e na dor; e os fios custaram US$ 29,79, contra US$ 275,40 dos cabos: argumento econômico a favor dos fios.
  • JOHNSON e KELLEY: consolidação de 75% com fio e 79% com cabo; quebra de 43% dos fios e 12% dos cabos; mas detritos migraram para a incisura acetabular em 8% com fios e 16% com cabos, com mais soltura acetabular pelos detritos de cabo. SILVERTON viu cabos desfiados em 88% das pseudartroses.
  • O cabo pode agir como uma serra de Gigli e causar lise do trocânter menor (figura 6.26), e as pontas desfiadas soltam partículas de cobalto e cromo na articulação, com desgaste de terceiro corpo.
  • Implantes mais fortes não garantem mais consolidação.

A perda óssea trocantérica. Com perda do trocânter ou avulsão dos abdutores, a estabilidade fica comprometida, e pode ser preciso um componente constrito. Tentar reinserir um fragmento pequeno ou restos de abdutores no leito é fútil; tenta-se encurtar o fêmur, rodar o glúteo médio anterior, elevar os abdutores do ilíaco ou suturá-los à fáscia. Na elevação subperiosteal do ilíaco, cuidado com o nervo glúteo superior, que fica a menos de 5 cm acima da ponta do trocânter maior. Imobiliza-se por 6 a 8 semanas ou até 3 meses.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 6.26. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, cap. 6, Figura 6.26. Pseudartrose do trocânter com o dispositivo de cabos íntegro e lise do trocânter menor (seta) pelo efeito de serra de Gigli dos cabos. The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

A via anterior em mesa de fratura

Fundamento

Por que a via anterior em mesa (cap. 7, p. 97). A via usa o intervalo de HUETER, conhecido como intervalo de SMITH-PETERSEN, entre o tensor da fáscia lata e o sartório, sem cortar músculo. O autor sênior a adotou em 1996 para reduzir a luxação sem comprometer os abdutores: na época, quem usava a via posterior evitava a transglútea de HARDINGE pelo risco de claudicação, e quem usava a de HARDINGE evitava a posterior pelo risco de luxação. A via anterior prometia as vantagens das duas sem as desvantagens. As primeiras cirurgias foram difíceis e longas, mas a recuperação mais rápida, com menos dor, levou-o a persistir, e a técnica foi sendo modificada (instrumentos, mesa, fluoroscopia). As vantagens que o capítulo lista no fim: posição precisa da cúpula com reprodução do comprimento, preservação dos rotadores externos, menos dor e menos luxação, com a ressalva de uma curva de aprendizado íngreme.

O posicionamento e o corte do colo (cap. 7, p. 97 a 103). Paciente em decúbito dorsal na mesa ortopédica, poste perineal, pés em botas, membros com cerca de 15 graus de rotação interna e 5 a 10 graus de flexão. O colo é cortado com a serra dirigida posteromedialmente, para não lesar o trocânter maior; o autor prefere cortar mais longo e aplainar depois.

A pelve nivelada na fluoroscopia (figura 7.16). Antes de pôr a cúpula, a imagem deve mostrar a pelve nivelada:

1. o cóccix apontando para a sínfise púbica; 2. os forames obturatórios iguais em forma e altura; 3. a linha ilioisquiática cruzando a lágrima no mesmo ponto dos dois lados.

A mesa é inclinada até os marcos coincidirem, e o arco em C é rodado até a linha transversa ficar horizontal; depois, centra-se sobre o acetábulo para evitar a paralaxe.

O alvo da cúpula. O autor sênior prefere 40 a 45 graus de inclinação e 20 a 25 graus de anteversão. Os iniciantes tendem a pôr inclinação e anteversão demais: o cabo do impactor costuma ficar mais paralelo ao chão e ao eixo do paciente do que se imagina. No jovem com mais lordose, um pouco menos de anteversão, porque com a idade a pelve flexiona e aumenta a anteversão efetiva.

O preparo femoral (p. 104 a 108).

  • Gancho sob o fêmur, pé rodado externamente a 120 graus, e toda a tração, grossa e fina, liberada antes de estender e aduzir o membro, para evitar tração forte inadvertida.
  • Preservar o obturador externo, que mais resiste à luxação; não liberar o iliopsoas.
  • A raspa começa paralela à cortical posterior e é empurrada para o chão, para não perfurar a cortical lateral.
  • A raspa não deve ser rodada na introdução nem na retirada, para preservar um manto de osso esponjoso firme.
  • O calcar deve ficar visível quando a raspa se aproxima do tamanho planejado, para evitar fratura.

O offset global e o femoral. O offset global vai do eixo do canal femoral à lágrima; o femoral, do centro da cabeça ao eixo do canal. Se a cúpula foi medializada (fresando o osso artrósico), o offset global do lado operado parece menor; o livro diz que é mais importante reproduzir o offset femoral do que o global. O comprimento também deve ser igualado (perna curta: cabeça ou raspa maior; longa: impactar mais a raspa).

A reabilitação. Carga conforme tolerada e fisioterapia no dia zero; sem precauções contra luxação; evitar atividade excessiva nas duas primeiras semanas.

A série de mais de 3.000 casos (p. 108 e 109). Em mais de 3.000 artroplastias primárias consecutivas do autor sênior: 4 luxações (0,13%), 2 infecções profundas (0,06%), 1 neuropraxia femoral, 2 paralisias parciais do ciático, 7 fraturas do trocânter maior (0,23%, a mais frequente) e 3 fraturas de tornozelo (0,1%). A maioria das complicações ocorreu nos primeiros 500 casos (1996 a 2004). KEGGI, com 1.000 casos sem mesa nem fluoroscopia, teve 2,5% de luxação. RESTREPO, num estudo prospectivo de um cirurgião, viu função melhor com a via anterior que com a lateral direta até 1 ano.

Figura do original não reproduzida (sem licença de reprodução digital). Consulte a figura no livro.

Figura 7.16. Fonte: The Adult Hip (Callaghan), 2017, Figura 7.16. Pelve nivelada na fluoroscopia: cóccix para a sínfise e forames obturatórios iguais. The Adult Hip: Hip Arthroplasty Surgery (Callaghan, Rosenberg, Rubash e colaboradores), Edição de 2017.

A via anterior direta em mesa comum

Fundamento

A história e o intervalo (cap. 8). A via é atribuída a CARL HUETER, cirurgião alemão, e o intervalo é o de SMITH-PETERSEN.

Os erros mais comuns (cap. 8, p. 122 a 125).

  • No acetábulo, o erro mais comum é antevertir e abduzir demais as fresas e a cúpula, com risco de instabilidade anterior; também se pode alavancar a fresa contra o fêmur e fresar excentricamente a parede anterior. Fresas e impactores com offset ajudam a manter a posição anatômica (45 graus de abdução e 15 de anteversão).
  • No fêmur, quando é difícil elevá-lo, o erro comum é pôr a haste em varo e subdimensionada, com risco de falta de crescimento ósseo. A primeira raspa entra invariavelmente em varo; as seguintes devem ser feitas em posição anatômica, lateralizando a prova o máximo possível.
  • A haste mais adequada é a de só raspar, em cunha cônica, com ombro lateral reduzido, e não a de fresar e raspar com ombro proeminente.
  • Nos fêmures DORR C, forçar uma haste cônica em cunha arrisca fratura periprotética ou falha de integração (falta osso esponjoso); cimentar é uma opção razoável, fácil por essa via.
  • Para elevar o fêmur, MATSUURA mostrou, em cadáver e na clínica, que a liberação da cápsula superior foi a mais efetiva; outras liberações costumam ser desnecessárias.

A lesão muscular. MENEGHINI, em cadáveres, viu que a via posterior lesava o glúteo máximo e os rotadores curtos, e a anterior, o reto femoral e o tensor da fáscia lata; o glúteo mínimo sofreu mais na posterior (18%) que na anterior (8%). Em cerca de metade das vias anteriores, parte dos rotadores curtos foi liberada.

A curva de aprendizado (p. 129 e 130).

  • Os investigadores do ATHAC, com 1.152 pacientes, viram que cirurgiões com menos de 100 casos tiveram cerca do dobro de complicações (20,2% contra 9,8%).
  • BEREND, com mesa comum e fluoroscopia, estimou a curva em cerca de 40 casos e 6 meses, com o tempo caindo de 99 para 69 minutos.
  • Recomenda-se não adotar tudo ao mesmo tempo: usar primeiro os instrumentos com offset na via habitual, e só depois trocar a via, porque o tato desses instrumentos é diferente.

As complicações próprias (p. 130 e 131).

  • Fraturas de tornozelo com a mesa de tração, durante o preparo femoral, pela torção excessiva (MATTA 3, SIGUIER 1); o gancho já causou fraturas do fêmur proximal e do trocânter.
  • Ferida: a pele anterior é mais frágil, há menos subcutâneo, não há fáscia profunda espessa para fechar, e o pannus do obeso pode comprometer a pele. Na série de JEWETT e COLLIS (800 pacientes), a ferida foi a complicação mais frequente (4,6%), com 13 reoperações e nenhuma infecção profunda.
  • Nervo cutâneo femoral lateral: 0,5% (BEREND) a 0,12% (JEWETT e COLLIS), provavelmente subestimado.
  • Luxação de cerca de 1% nas grandes séries.

Os desfechos (p. 131 a 133). A maioria dos estudos são séries de cirurgiões inovadores, com limitações. Há um único ensaio randomizado: RESTREPO, com 100 pacientes, via anterior direta contra lateral direta; a via anterior teve melhor SF-36 e WOMAC de 6 semanas a 1 ano, mas aos 2 anos os resultados foram iguais. SUGANO, contra a mini-posterior, viu recuperação mais rápida (andar 20 m sozinho em 11 contra 18 dias), mas sem diferença nos escores da JOA e de Oxford aos 6 meses e 2 anos. ALECCI viu menos dor e menos náusea.

Os músculos, os nervos menores e o que cada via ameaça

Fundamento

Os abdutores (cap. 2). O glúteo médio nasce numa área extensa da asa do ilíaco e se insere no trocânter maior; a origem larga e a tensão transmitida pela fáscia lata e pelo trato iliotibial maximizam a abdução. Ele tem partes anterior, média e posterior, que trabalham em tempos diferentes: todas abduzem, mas as fibras anteriores também fletem e rodam medialmente, e as posteriores estendem e rodam lateralmente. Pela inserção anterior no trocânter, o glúteo médio é também um rotador interno, e reconstruções que aumentam a sua tensão podem rodar o membro internamente. As fibras oblíquas ajudam a distingui-lo do glúteo máximo e do mínimo nas dissecções difíceis. As fibras anteriores do médio e do mínimo e o tensor da fáscia lata são os principais rotadores internos.

O nervo e os vasos glúteos superiores. A artéria glútea superior, o maior ramo da ilíaca interna, sai pela incisura isquiática maior acima do piriforme; o ramo profundo corre sob o glúteo médio, ao longo da borda do mínimo, e se anastomosa na espinha ilíaca anterossuperior com a circunflexa lateral e a circunflexa ilíaca profunda. Pequenos ramos entre o glúteo máximo e o médio sangram na dissecção entre eles. O nervo glúteo superior acompanha os vasos e corre a menos de 5 cm acima da ponta do trocânter maior (cap. 6): é ele que limita a extensão proximal da divisão do glúteo médio nas vias laterais e que corre risco ao elevar os abdutores do ilíaco. A incisura isquiática é palpável, e os vasos e o nervo glúteos superiores podem ser protegidos na colocação de parafusos posteriores; parafusos transacetabulares longos demais, saindo mais de 5 mm pela coluna posterior, lesam os vasos glúteos.

O nervo cutâneo femoral lateral. Ramo direto do plexo lombar (L2 e L3), sai pela borda lateral do psoas, cruza o ilíaco, passa sob o ligamento inguinal perto da espinha ilíaca anterossuperior, superficial ou profundo ao sartório, e desce na borda lateral do sartório, junto ao intervalo entre o tensor da fáscia lata e o sartório. Por isso é vulnerável nas vias anteriores; dá a sensibilidade da face anterolateral da coxa. Na via anterior direta, as séries citam de 0,12% a 0,5%, provavelmente subestimados, quase sempre transitórios (cap. 8).

O nervo obturatório. Formado pelas divisões anteriores de L2, L3 e L4, cruza a face quadrilátera do acetábulo junto com a artéria e a veia (o nervo mais acima, a veia mais abaixo), separados do osso pelo músculo obturador interno, e sai pelo canal obturatório, na parte superolateral do forame, onde fica fixo. Está oposto ao quadrante ântero-inferior: cimento extravasado, parafusos e afastadores nessa região o ameaçam.

A irrigação da cabeça femoral. O ramo acetabular da artéria obturatória entra na fossa acetabular sob o ligamento transverso e segue pelo ligamento redondo: é uma das três fontes principais de sangue da cabeça.

O risco próprio de cada via
ViaO que ameaçaComo o livro previne
Posteriorluxação posterior; nervo ciático (afastadores posteriores, alongamento)reparo dos rotadores e da cápsula; precauções por 4 a 6 semanas; liberação parcial do glúteo máximo; pino de Steinmann para o comprimento
Transtrocantéricapseudartrose do trocânter; detritos de cabos; nervo glúteo superiorindicação certa (revisão); fixação adequada sem confiar só na força; leito trocantérico preservado
Anterior em mesa de fraturafratura do trocânter maior e do tornozelo; perfuração femoralserra posteromedial no colo; tração liberada antes de estender; raspa paralela à cortical posterior
Anterior diretacúpula antevertida e abduzida demais; ferida; nervo cutâneo femoral lateral; haste em varoinstrumentos com offset; fluoroscopia; fechamento cuidadoso no obeso; lateralizar as raspas

Revisão rápida

Fundamento

Anatomia.

1. Fresar um quarto do diâmetro preserva cerca de 75% das colunas; mais de um terço arrisca descontinuidade. 2. A fóvea limita a medialização; na protrusão inflamatória, não medializar; o ligamento transverso segura a fresa embaixo. 3. Mais varo, mais offset; o canal vira chaminé com a idade; índice de DORR = trocânter menor dividido por 10 cm abaixo. 4. Quadrantes: ilíacos externos no ântero-superior, obturatórios no ântero-inferior; posteriores seguros no centro; no centro alto, só a metade periférica dos posteriores. 5. Femorais comuns são os vasos mais lesados (afastador medial anteroinferior); veia ilíaca menos que a artéria; afastador proximal protege; Doppler abaixo de 50 mmHg pede avaliação vascular. 6. Ciático e fibular, 0,5% a 2%; fibular com 2,7 cm, ciático com 4,4 cm; cabeça curta do bíceps; estiramento evolui pior.

Vias.

1. Posterior: pino às 5 horas no sulco cotiloide antes de luxar; teste de rotação interna de 15 graus a 90 de flexão às 6 semanas; carga livre no dia da cirurgia. 2. Transtrocantérica: revisão; pseudartrose; fios iguais aos cabos e mais baratos; cabo como serra de Gigli; papel pequeno depois de 6 semanas. 3. Anterior em mesa de fratura: cóccix para a sínfise; 40 a 45 e 20 a 25 graus; offset femoral; tração liberada antes de estender; raspa sem rodar; fratura do trocânter a mais frequente. 4. Anterior direta: anteversão e abdução demais; ferida frágil; menos de 100 casos dobram as complicações; RESTREPO igual aos 2 anos.

As armadilhas que mais caem neste tema.

  • Dizer que fresar até metade do diâmetro é seguro (o seguro é um quarto; mais de um terço arrisca descontinuidade).
  • Medializar a fresagem na protrusão inflamatória (é contraindicado: só expandir e enxertar).
  • Medir o índice de DORR 5 cm abaixo do trocânter menor (são 10 cm) ou achar que o jovem tem canal em chaminé (é o idoso).
  • Trocar os quadrantes anteriores: ilíacos externos no ântero-superior, obturatórios no ântero-inferior.
  • Dizer que, no centro alto, a metade central dos quadrantes posteriores é a zona segura (é a periférica).
  • Dizer que a lesão da veia ilíaca externa é mais comum que a da artéria (é menos comum) ou que o afastador proximal aumenta o risco (diminui).
  • Pedir avaliação vascular só com Doppler abaixo de 80 mmHg (o limiar do livro é 50).
  • Trocar os números de EDWARDS (fibular 2,7 cm, ciático 4,4 cm) ou dizer que o estiramento evolui melhor que a lesão direta.
  • Pôr o pino de Steinmann às 12 horas ou depois de luxar (é às 5 horas, no sulco cotiloide, antes de luxar).
  • Dizer que cabos falham menos que fios (não houve diferença em 6.460 artroplastias, e os fios são muito mais baratos).
  • Dizer que a luxação foi a complicação mais comum da série de mais de 3.000 casos anteriores (foi a fratura do trocânter maior).
  • Rodar a raspa para "ampliar o manto" (não se deve rodar).
  • Dizer que vários ensaios randomizados provaram a superioridade da via anterior aos 2 anos (há um só, e a vantagem sumiu aos 2 anos).
  • Dizer que a via posterior tem contraindicações (o capítulo diz que não tem) ou que o reparo da cápsula não muda a luxação (cai de até 4% para 1% a 2%).
  • Atribuir a paralisia do ciático na via posterior só ao afastador: os autores mostraram compressão entre a tuberosidade isquiática e o tendão do glúteo máximo, e liberam parcialmente esse tendão.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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