Orto Questões

Imagem do joelho

JoelhoResumo do capítulo32 min de leitura

ROSENBERG (45 graus com carga, PA, 10 graus podal); MERCHANT e LAURIN; radiografia não confirma menisco, exclui o que imita; RM detecta mas não prevê o reparo; água escura em T1 e clara em T2; HUMPHRY anterior e WRISBERG posterior ao LCP; hiato do poplíteo; SEGOND = LCA, arqueado = canto posterolateral; contusões do LCA e da luxação patelar; varo 2,7 mm = LCL isolado; INSALL-SALVATI > 1,2; cruzamento = displasia troclear; TA-GT > 20 mm; AHLBACK III com platô posterior intacto.

Atualizado em 03/11/2026 · 32 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 10 · Knee Preservation Surgery (radiografia da artrose, eixo e calcificações para-articulares), lido com os capítulos de imagem avançada, lesões do joelho e luxações do mesmo livro, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição (2021), e o HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª edição. Autores do capítulo: Joseph D. Lamplot (capítulo 10).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de joelho do Campbell, capítulo 10, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo reúne o que os livros dizem sobre como se fotografa o joelho. O fio condutor é o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed.: o capítulo 10 (Knee Preservation Surgery, de Joseph D. LAMPLOT) dá a radiografia da artrose, do eixo e das calcificações; o capítulo 3 (Advanced Imaging in Orthopaedics, de Dexter H. WITTE III), a física e os achados da ressonância; o capítulo 50 (Knee Injuries), as radiografias, o estresse e a ressonância de meniscos e ligamentos; o capítulo 52, a instabilidade patelar. Onde o Campbell não descreve a técnica de uma incidência, quem descreve é o HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed.; o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., completa os sinais de avulsão; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cuida da criança.

A prova cobra imagem do joelho de quatro jeitos: a técnica da incidência (graus, carga, direção do feixe), o sinal radiográfico e a lesão que ele denuncia, os números (índices de altura patelar, TA-GT, milímetros no estresse) e a leitura de uma figura (a estrutura apontada por uma seta).

O segredo é perguntar o que cada exame consegue ver. A radiografia vê osso e calcificação: não confirma uma ruptura meniscal, mas acha o fragmento que o ligamento arrancou. A ressonância vê água e gordura: mostra menisco, ligamentos e o edema da medula que conta a história do trauma. A tomografia vê osso com precisão e serve para medir.

A física que a prova cobra: T1 e T2

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 3, p. 153 e 154), lembra que a ressonância não usa radiação ionizante. No campo magnético, os prótons de hidrogênio, abundantes na água e na gordura, se alinham; um pulso de radiofrequência os tira do equilíbrio, e o sinal que emitem ao relaxar forma a imagem. Alto campo é acima de 1,0 tesla; o livro diz que se faz imagem musculoesquelética de qualidade em 1,5 tesla, e que bobinas de superfície são obrigatórias para estruturas pequenas como os meniscos.

O spin-eco gera imagens ponderadas em T1, em densidade de prótons e em T2, escolhendo-se o tempo de repetição (TR) e o tempo de eco (TE). A regra que cai está no texto (p. 154): a gordura tem sinal alto em T1, e o líquido tem sinal alto em T2; osso cortical, tendões e ligamentos são escuros em todas as sequências. Daí sai a resposta sobre a água: baixo sinal em T1 e alto sinal em T2. O mesmo capítulo mostra isso na prática: na osteoporose transitória, o edema da medula é escuro em T1, contra a gordura clara, e claro em T2, ainda mais com supressão de gordura (p. 166).

A supressão de gordura (química, STIR ou DIXON) existe porque no spin-eco rápido a gordura continua clara em T2 e esconde o edema; essas sequências são chamadas de sensíveis a líquido e são as do trauma e dos tumores (p. 154). Quanto à segurança (p. 155 aprox.), implantes ortopédicos internos são seguros (titânio gera menos artefato que aço); clipes de aneurisma, corpos estranhos metálicos intraoculares e marca-passos antigos são contraindicações absolutas; o gadolínio não é nefrotóxico, mas na insuficiência renal grave associa-se à fibrose sistêmica nefrogênica.

O sinal dos tecidos na ressonância (Campbell 15, cap. 3, p. 154 e 166)
TecidoT1T2
Gordura (medula normal)claraclara no spin-eco rápido; some com supressão
Água, derrame, cistoescuraclara
Edema de medula (contusão)escuro contra a gorduraclaro, mais com supressão
Cortical, tendões, ligamentos, meniscoescurosescuros

As incidências radiográficas do joelho

Cobrança confirmada · 2 questões

A rotina e o que cada incidência mostra

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2022), define a rotina diante de lesão ligamentar: AP, perfil e tangencial da patela, esta obrigatória porque a instabilidade patelar aguda acompanha com frequência as lesões mediais; túnel e radiografias com carga são desejáveis se o paciente tolerar. Cada incidência põe de perfil uma parte do joelho: o AP com carga mostra o espaço e o varo ou valgo; o perfil (a 30 graus no HEBERT) mostra a altura patelar, a tróclea e os fragmentos posteriores; o túnel abre o intercôndilo e é, segundo o Campbell, o mais revelador na osteocondrite do côndilo medial; o axial mostra a femoropatelar; a panorâmica com carga, o eixo mecânico.

ROSENBERG: o PA com carga em flexão

O Campbell (cap. 50, p. 2002) exige AP com carga e ROSENBERG em toda investigação de lesão meniscal degenerativa, para medir artrose e estreitamento antes de decidir o tratamento. Ele cita a incidência sem descrevê-la. Quem descreve é o HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 16): joelho a 45 graus de flexão, com carga, face anterior apoiada no chassi; raios em sentido posteroanterior, com inclinação podal de 10 graus; ampola a um metro do chassi. Para toda artrose, o livro pede AP com apoio monopodal, perfil a 30 graus e ROSENBERG.

O mecanismo explica a utilidade. Em extensão, o fêmur apoia no planalto pela parte anterior dos côndilos, que costuma estar preservada; o desgaste tibiofemoral costuma estar mais atrás, onde o joelho carrega peso dobrado. Fletir 45 graus com carga traz essa região para o feixe, e o espaço que parecia normal no AP aparece estreitado. O Campbell usa a mesma lógica quando pede PA a 45 graus na lesão condral e antes de reconstruir o LCP. Guarde os três elementos: 45 graus (não 25), com carga, feixe PA com 10 graus podal (não cranial de 20).

As axiais: MERCHANT e LAURIN

O Campbell (cap. 52, p. 2195 e 2197) chama o axial da patela de a incidência de rotina mais importante da femoropatelar e dá as regras: os dois joelhos juntos, filme perpendicular ao feixe, pernas verticais, quadríceps relaxado e flexão entre 20 e 45 graus, porque mais flexão encaixa a patela e esconde as anormalidades. O HEBERT (cap. 16) dá a técnica: MERCHANT é craniocaudal de 30 graus com o joelho a 45 graus; LAURIN é caudocranial com o joelho a 20 graus e é mais sensível para a subluxação, porque o joelho está mais perto da extensão. No axial medem-se o ângulo femoropatelar lateral de LAURIN, o tilt, o ângulo do sulco (displasia acima de 145 graus no Campbell) e o ângulo de congruência de MERCHANT. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 60), descreve a axial do trauma com os joelhos a 45 graus e o feixe 30 graus abaixo da horizontal; é nela que aparecem as fraturas verticais e osteocondrais da patela.

Incidências radiográficas do joelho (Campbell 15, caps. 50 e 52; HEBERT 5ª, cap. 16; Rockwood and Green 10ª, cap. 60)
IncidênciaTécnicaPara que serve
AP com cargaem pé, monopodal no HEBERTespaço, varo ou valgo, avulsões da interlinha
Perfil30 graus, perfil verdadeiroaltura patelar, cruzamento, fragmento posterior
ROSENBERG45 graus com carga, face anterior no chassi, PA, 10 graus podalestreitamento posterior na artrose
Túnelfeixe pelo intercôndiloosteocondrite, corpos livres, largura do intercôndilo
MERCHANTjoelho a 45 graus, feixe craniocaudal de 30 graussulco, congruência
LAURINjoelho a 20 graus, caudocranialsubluxação (mais sensível)
Panorâmica com cargaquadril ao tornozeloeixo mecânico, osteotomia

A radiografia e a ressonância no menisco

Cobrança confirmada · 3 questões

O limite da radiografia

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2002), é direto: radiografias comuns não confirmam o menisco roto, mas são essenciais para excluir corpos livres osteocartilaginosos, osteocondrite dissecante e outros processos que imitam a ruptura. O menisco não aparece no filme; aparecem as doenças que dão o mesmo quadro de dor, derrame e bloqueio. O mesmo parágrafo acrescenta que um espaço lateral alargado pode sugerir menisco discoide. No caso do lutador com bloqueios, MCMURRAY, THESSALY e APLEY positivos e joelho estável, o exame já aponta o menisco medial, e a radiografia entra para afastar o corpo livre e a osteocondrite, que também travam o joelho.

O que a ressonância promete e o que não promete

Para o Campbell (cap. 50, p. 2002), a ressonância é o cavalo de batalha da imagem avançada no joelho: sensibilidade de 92% e especificidade de 90% para o menisco medial, 80% e 95% para o lateral; o capítulo 3 (p. 160) diz que ambas costumam passar de 90%. As lesões de raiz e de rampa têm sensibilidade menor e devem ser procuradas na artroscopia mesmo com ressonância negativa. E vem a frase que vira questão (p. 2003 aprox.): a ressonância parece eficiente em detectar rupturas meniscais, mas não demonstrou eficácia em prever a reparabilidade. Quem decide se a sutura vai cicatrizar é a zona vascular, o tipo, a cronicidade e o tamanho, avaliados na artroscopia. O mesmo trecho diz que a artrotomografia substitui a ressonância contraindicada e que a artrografia simples não tem mais utilidade clínica.

A semiologia do menisco na ressonância

O capítulo 3 do Campbell (p. 159 e 160) ensina a técnica e a leitura:

  • Os meniscos são avaliados sobretudo no sagital em densidade de prótons, prescrito paralelo ao LCA (cerca de 15 graus de rotação interna); o coronal avalia as estruturas medial e lateral; a femoropatelar, o axial.
  • O menisco normal é escuro em todas as sequências: triângulos no centro e gravata-borboleta na periferia.
  • Sinal que não comunica com a superfície é degeneração mucoide, invisível na artroscopia; sinal que chega à superfície é ruptura, desde que em mais de uma imagem ou com distorção.
  • Menisco no lugar pequeno ou truncado sugere fragmento deslocado (alça de balde), procurado no coronal.

As rupturas radiais da raiz posterior do menisco medial são comuns e incapacitantes no idoso e são mais bem vistas nos coronais posteriores (p. 160): na figura do livro, um defeito cheio de líquido no corno posterior junto à raiz. Elas permitem a extrusão do menisco e associam-se a fratura subcondral por insuficiência no compartimento medial. O capítulo 50 (p. 2000 aprox.) completa: a ruptura da raiz posterior lateral é aguda e acompanha o LCA; a da raiz medial é degenerativa, da meia-idade. A rampa é diferente: ruptura longitudinal na junção meniscocapsular do corno posterior medial, associada ao LCA, vista na ressonância em menos da metade dos casos, com contusão tibial posteromedial como sinal secundário em 72%.

A ressonância do menisco: achados e armadilhas (Campbell 15, cap. 3, p. 159 a 162; cap. 50, p. 2000 a 2003 aprox.)
AchadoSignificado
Sinal que não toca a superfíciedegeneração mucoide
Sinal que alcança a superfícieruptura
Menisco pequeno ou truncadofragmento deslocado (alça de balde)
Defeito com líquido na raiz, coronal posteriorruptura da raiz posterior medial, extrusão
Gravata-borboleta lateral em mais de 3 sagitais contíguasdiscoide
Meniscofemoral ou transverso junto ao meniscosimula ruptura vertical
Hiato do poplíteosimula ruptura do corno posterior lateral
Sinal difuso no idoso, menisco operadofalso-positivo; especificidade menor

Anatomia na ressonância: meniscofemorais, poplíteo e fabela

Cobrança confirmada · 3 questões

HUMPHRY e WRISBERG

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 1995 aprox.), descreve o menisco lateral preso posteriormente ao côndilo femoral medial pelo ligamento de HUMPHRY e/ou de WRISBERG, de presença variável, chamados na figura de meniscofemoral anterior e posterior. Quem diz qual é qual é o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 61): ao menos um existe em 93% dos joelhos; HUMPHRY passa à frente do LCP, WRISBERG passa atrás. Ambos ligam o corno posterior do menisco lateral ao intercôndilo e são restritores secundários da translação posterior.

No sagital, o raciocínio é topográfico: o LCP é a faixa escura, curva e grossa no intercôndilo posterior; uma faixa menor à frente dele, rumo ao corno posterior lateral, é HUMPHRY; atrás dele, WRISBERG. O intermeniscal fica na frente, entre os cornos anteriores, e o LCA corre paralelo ao teto do intercôndilo. Dois detalhes do Campbell mostram por que isso importa: na cirurgia do LCP isolado (p. 2104 aprox.), o HUMPHRY intacto pode ser confundido com um LCP intacto; e na ressonância (cap. 3, p. 161 aprox.), meniscofemorais e transverso podem simular ruptura vertical.

O tendão do poplíteo

O Campbell (cap. 50, p. 1995 aprox.) descreve o tendão do poplíteo separando a periferia posterolateral do menisco lateral da cápsula e do colateral fibular. O Rockwood and Green (cap. 61) completa: ele passa pelo hiato poplíteo, torna-se intra-articular e se insere no côndilo femoral lateral anterior e distal à origem do colateral fibular; das suas fibras nasce o popliteofibular. Na ressonância, isso vira a armadilha clássica (Campbell, cap. 3, p. 161 aprox.): reconhecer o hiato do poplíteo evita o diagnóstico falso de ruptura do corno posterior do menisco lateral. A faixa escura oblíqua atrás do corno posterior lateral, com líquido entre ela e o menisco, é o tendão; o colateral fibular fica mais lateral, indo à cabeça da fíbula.

A fabela

O Campbell (cap. 50, p. 1983 a 1987 aprox.) situa a fabela no canto posterolateral: o ligamento poplíteo oblíquo corre em direção à inserção da cabeça lateral do gastrocnêmio e prende-se lateralmente à fabela; o fabelofibular vai da fabela à cabeça da fíbula; a figura do livro desenha a fabela junto à cabeça lateral do gastrocnêmio. O Rockwood and Green (cap. 61) diz que ela é óssea em 10% a 20% dos joelhos. No perfil, o ossículo pequeno e corticado atrás do côndilo femoral lateral é a fabela, no tendão da cabeça lateral do gastrocnêmio; não confundir com corpo livre, SEGOND (planalto lateral, no AP) ou PELLEGRINI-STIEDA (côndilo medial, no AP).

Estruturas apontadas nas figuras (Campbell 15, caps. 3 e 50; Rockwood and Green 10ª, cap. 61)
EstruturaOndeComo reconhecer
LCPsagital, intercôndilo posteriorfaixa escura, curva, espessa
HUMPHRYsagital, à frente do LCPfaixa menor ao corno posterior lateral
WRISBERGsagital, atrás do LCPfaixa menor ao corno posterior lateral
Intermeniscalentre os cornos anterioressimula ruptura do corno anterior
Tendão do poplíteoatrás do corno posterior lateralfaixa oblíqua com líquido do hiato
Colateral fibularcoronal lateralepicôndilo lateral à cabeça da fíbula
Fabelaperfil, atrás do côndilo lateralossículo corticado, cabeça lateral do gastrocnêmio

Sinais radiográficos de avulsão: o osso que fala pelo ligamento

Cobrança confirmada · 2 questões

O princípio

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2022), parte de um fato: no adulto com joelho traumatizado, as radiografias costumam ser normais. Quando não são, aparece um fragmento pequeno arrancado onde se prende uma estrutura de partes moles: do côndilo femoral ou da ponta da fíbula (colaterais); da eminência intercondilar (inserção tibial do LCA, mais comum na criança); da parte posterior da tíbia (LCP); da interlinha medial ou lateral (avulsão capsular).

SEGOND, SEGOND reversa e arqueado

No lado lateral, um pequeno fragmento da borda do planalto tibial lateral é a fratura de SEGOND, o sinal capsular lateral, que o Campbell (p. 2022 e 2065) chama de patognomônica de lesão do LCA. A origem é discutida: o Campbell (p. 1984 aprox.) a atribui ao ligamento anterolateral (ALL) ou ao trato iliotibial, não ao bíceps; o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 61), ao componente meniscotibial da cápsula lateral, citando também o ALL. A cadeia para a prova: lasca lateral do planalto no AP = cápsula anterolateral arrancada pela rotação interna = LCA roto.

O Rockwood and Green (cap. 62) lista, entre as fraturas da borda do planalto virtualmente patognomônicas de lesão dos cruzados, a SEGOND, a SEGOND reversa (o espelho medial), as da borda anteromedial e as da inserção do semimembranoso. O livro não diz, no trecho lido, qual cruzado acompanha a reversa; a associação clássica que a prova cobra é com o LCP.

O sinal arqueado, segundo o Rockwood and Green (cap. 61), é uma linha lucente através da cabeça da fíbula, vista no AP, que indica avulsão da cabeça da fíbula e é patognomônica de lesão do canto posterolateral; o fragmento é arrancado pela divisão posterior do popliteofibular, e o colateral fibular e o bíceps podem estar envolvidos. A diferença com a SEGOND é de endereço: planalto tibial lateral (LCA) contra cabeça da fíbula (canto posterolateral).

Entalhe femoral lateral e PELLEGRINI-STIEDA

O Campbell (cap. 50, p. 2023 e 2065) descreve ainda a impactação deprimida do côndilo femoral lateral no sulco terminal, o sinal do entalhe femoral lateral, associado ao LCA: no pivô, o côndilo subluxa e bate na borda posterior do planalto lateral, no mesmo lugar onde a ressonância mostra a contusão.

No lado medial, o Campbell (cap. 10, p. 486) descreve a calcificação do ligamento colateral tibial, a doença de PELLEGRINI-STIEDA, relacionada a trauma (entorse ou ruptura do colateral tibial). O depósito pode regredir sozinho; a infiltração com anestésico e corticoide alivia e pode curar; a excisão fica para a falha. Bursas sob o colateral tibial podem calcificar e imitá-la (p. 488 aprox.). Na radiografia, ela fica junto ao côndilo femoral medial: lado oposto à SEGOND, e no fêmur.

Sinais radiográficos e a lesão que cada um denuncia (Campbell 15, caps. 10 e 50; Rockwood and Green 10ª, caps. 61 e 62)
SinalOndeLesão associada
SEGONDborda lateral do planalto tibialLCA (patognomônica)
SEGOND reversaborda medial do planaltocruzado (classicamente LCP)
Arqueadocabeça da fíbulacanto posterolateral (patognomônico)
Entalhe femoral lateralcôndilo femoral lateral, sulco terminalLCA
Fratura da eminênciaespinha tibialLCA, mais comum na criança
Fragmento posterior da tíbiaperfilLCP
PELLEGRINI-STIEDAcôndilo femoral mediallesão antiga do colateral tibial
Fabelaatrás do côndilo lateralvariante normal

A ressonância dos ligamentos e as contusões ósseas

Cobrança confirmada · 1 questão

LCA

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 3, p. 162), chama a ressonância de único meio não invasivo de ver os cruzados. O LCA normal é uma faixa de fibras escuras com sinal intermediário entre elas, paralela ao teto do intercôndilo no sagital. Como cruza o joelho obliquamente, raramente aparece inteiro num sagital verdadeiro; cortes com a tíbia em 15 graus de rotação externa mostram o ligamento inteiro (cap. 50, p. 2065).

Os sinais diretos de ruptura são o curso horizontal, o aspecto ondulado e as falhas com líquido; a ruptura crônica mostra espessamento sem edema ou, mais vezes, atrofia. Os secundários são as contusões ósseas no compartimento lateral, que resolvem em 6 a 12 semanas; a translação anterior da tíbia, equivalente da gaveta e muito específica; e o LCP encurvado, mais subjetivo. A acurácia é de 95% (cap. 3), e o ponto fraco é separar ruptura parcial de completa. No enxerto, redundante ou ausente sugere falha, e o sinal aumentado precoce pode ser revascularização.

O Campbell (cap. 50, p. 2065) dá o número que cai: contusões ósseas aparecem em 80% das rupturas do LCA, sobretudo no côndilo femoral lateral e no planalto tibial lateral. A lesão meniscal acompanha 50% a 70% das lesões agudas, mas no evento inicial é o menisco lateral o mais lesado; o medial é o das lesões tardias (p. 2066). O mesmo capítulo classifica as lesões osteocondrais na ressonância em geográfica, reticular (resolve entre 6 e 12 meses) e linear (possível precursora de artrose).

LCP, colaterais, mecanismo extensor e cisto poplíteo

O LCP normal é homogeneamente escuro, curvo e de espessura uniforme; descontinuidade ou líquido indicam ruptura (cap. 3, p. 162). Por ser mais vertical e central, é mais fácil de captar; a ressonância é mais confiável para o LCP que para o LCA, com acurácia perto de 100% (cap. 50, p. 2098). O LCM, no coronal, é uma banda fina colada ao menisco medial: edema ao redor nas lesões leves, espessamento ou descontinuidade nas graves, que a ressonância gradua com menos precisão (cap. 3, p. 162). No mecanismo extensor, a ruptura completa mostra falha com líquido; a parcial, espessamento com edema; a tendinite, espessamento com baixo sinal preservado (p. 163 aprox.). Na osteocondrite, líquido em T2 ao redor do fragmento indica instabilidade (p. 164).

O cisto de BAKER fica no lado medial da fossa poplítea; o que confirma é o colo comunicando com a articulação entre a cabeça medial do gastrocnêmio e o semimembranoso, o que evita confundi-lo com aneurisma ou tumor; roto, simula tromboflebite (cap. 3, p. 163 aprox.). O Campbell (cap. 10, p. 489 aprox.) explica que ele é, quase sempre, uma bursa distendida.

Sinais de ruptura do LCA (Campbell 15, cap. 3, p. 162; cap. 50, p. 2022 a 2066)
TipoSinal
Diretocurso horizontal; aspecto ondulado; falha com líquido
Crônicoespessamento sem edema ou atrofia
Secundáriocontusão do côndilo femoral lateral e do planalto lateral (80%)
Secundáriotranslação anterior da tíbia (muito específica)
SecundárioLCP encurvado
RadiográficoSEGOND, entalhe femoral lateral, avulsão da eminência

Radiografias de estresse

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2023), diz que o estresse raramente é necessário no agudo com bom exame físico, mas ajuda na instabilidade sutil crônica e na revisão do LCA, porque a frouxidão lateral contribui para a falha do enxerto. Os limiares em varo estão no texto: lesão isolada do LCL quando a abertura lateral aumenta cerca de 2,7 mm; lesão grau III do canto posterolateral quando aumenta cerca de 4 mm. Uma abertura de 3 mm fica na faixa do LCL isolado. O raciocínio é anatômico: o colateral fibular é o estabilizador estático primário contra o varo entre 0 e 30 graus (p. 1988 aprox.); o compartimento só abre mais quando poplíteo, popliteofibular e cápsula também se rompem.

Para o LCP (p. 2098), o estresse com 89 N posterior e perfil a 70 graus é superior ao artrômetro; 8 mm ou mais de translação posterior indicam ruptura completa; o estresse ajoelhado a 90 graus compara os dois lados. Com a ressonância disponível, os autores quase só usam o estresse no LCP crônico que parece cicatrizado na ressonância (p. 2066).

Na criança, o Campbell (p. 2023) pede, como regra, estresse em toda lesão ligamentar aparente com fises abertas, porque a instabilidade costuma ser separação fisária. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40, p. 2021), é mais cauteloso: estresse com cautela no imaturo quando se suspeita de fratura fisária. Um detalhe do Campbell: no estresse em abdução, a espinha tibial desviada lateralmente no intercôndilo sugere LCP, e medialmente, LCA.

Radiografias de estresse (Campbell 15, cap. 50, p. 2023 e 2098; Tachdjian 6, cap. 40, p. 2021)
ExameAchadoInterpretação
Varoabertura de cerca de 2,7 mm a maisLCL isolado
Varoabertura de cerca de 4 mm a maiscanto posterolateral grau III
Posterior, 89 N, 70 graus8 mm ou maisLCP rompido
Abduçãoespinha tibial lateral / medialLCP / LCA
Fises abertasinstabilidade aparentepensar em separação fisária

Altura patelar: BLUMENSAAT, INSALL-SALVATI, CATON-DESCHAMPS e BLACKBURNE-PEEL

Cobrança confirmada · 3 questões

Por que medir

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 52, p. 2194 aprox.), explica: até 20 graus de flexão, a patela é segura pelo LPFM e pelo vasto medial oblíquo; a partir de 30 graus, pela tróclea óssea. Na patela alta, ela demora a entrar na tróclea e fica mais tempo dependendo só das partes moles; por isso a alta predispõe à instabilidade.

BLUMENSAAT e os atalhos

Com o joelho a 30 graus, a linha pelo teto do intercôndilo (BLUMENSAAT) deve tocar o polo inferior da patela (Campbell, p. 2195). O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 16), chama o método de o mais fácil e rápido: polo inferior abaixo da linha, patela baixa; sem tocar a linha, alta. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 60), dá atalhos do trauma: no AP, o polo inferior a até 2 cm da linha dos côndilos; a 90 graus, o polo superior abaixo da cortical anterior do fêmur; a perda dessas relações sugere lesão do mecanismo extensor. Medir altura exige perfil verdadeiro.

INSALL-SALVATI

O Campbell (Tabela 52.2, p. 2196) define o índice como comprimento do tendão patelar sobre comprimento da patela, normal 1,0, alta acima de 1,2. O HEBERT (cap. 15) diz em palavras: patela e tendão têm o mesmo comprimento; tendão mais de 20% maior indica alta. No trauma, a figura do Rockwood and Green (cap. 60) diz que uma razão tendão/patela maior que 1,2 indica possível lesão do tendão patelar: o tendão roto deixa a patela subir. Na ruptura do quadríceps, o inverso: patela baixa e índice reduzido.

Os livros se desencontram num ponto. O HEBERT (cap. 16) dá como normal 0,8 a 1; o Rockwood and Green, 1,02 ± 0,13, mas o texto dele descreve a fração invertida (patela sobre tendão) e diz que menor que 1 sugere alta. Na prova, use tendão/patela, alta acima de 1,2. O índice engana quando a tuberosidade foi transferida ou o polo inferior é deformado; daí os índices que usam a superfície articular.

CATON-DESCHAMPS e BLACKBURNE-PEEL

O HEBERT (cap. 16) define o CATON-DESCHAMPS como a distância da borda anterior da superfície articular da tíbia ao polo inferior da superfície articular da patela dividida pelo comprimento da superfície articular da patela, normal 0,8 a 1,2; no cap. 15, acima de 1,2 é alta. O Campbell (Tabela 52.2) descreve a mesma medida a 30 graus, mas com outros limites: normal 0,6 a 1,3, infera abaixo de 0,6, alta acima de 1,3. O BLACKBURNE-PEEL (HEBERT, cap. 15) é a perpendicular da tangente ao planalto tibial ao polo inferior da superfície articular, dividida pela superfície articular; acima de 1 é alta; o HEBERT (cap. 16) dá 0,8 como normal, e o Campbell, a faixa 0,54 a 1,06.

A altura decide a osteotomia

O Campbell (Tabela 52.3, p. 2199) indica distalização para a patela alta (ali INSALL acima de 1,3), com risco de perder movimento ou fixação, e anteromedialização para o tubérculo mal alinhado (Q acima de 20 graus, TA-GT acima de 20 mm, ou 15 mm com displasia). A distalização é planejada para não deixar o polo inferior abaixo da linha de BLUMENSAAT, o que criaria patela baixa (p. 2203 aprox.). O ELMSLIE-TRILLAT é a osteotomia plana que medializa a tuberosidade. Daí o raciocínio: com INSALL abaixo de 1,2, a altura é normal e, se houver transferência, ela é somente medial (ELMSLIE-TRILLAT); acima disso, acrescenta-se a distalização.

Índices de altura patelar nos livros (Campbell 15, cap. 52, p. 2196 e 2199; HEBERT 5ª, caps. 15 e 16; Rockwood and Green 10ª, cap. 60)
ÍndiceMedidaCampbellHEBERTRockwood and Green
BLUMENSAATperfil a 30 graustoca o polo inferiorabaixo = baixa; sem tocar = altapolo inferior na linha
INSALL-SALVATItendão / patela1,0; alta > 1,2 (Tabela 52.3: > 1,3)iguais; tendão > 20% maior = alta; 0,8 a 11,02 ± 0,13; > 1,2 = lesão do tendão patelar
CATON-DESCHAMPStíbia ao polo articular / superfície articular0,6 a 1,3; infera < 0,6; alta > 1,30,8 a 1,2; alta > 1,2não descreve
BLACKBURNE-PEELtangente ao planalto ao polo articular / superfície articular0,54 a 1,06normal 0,8; alta > 1não descreve

Tróclea e tomografia: cruzamento, DEJOUR e TA-GT

Cobrança confirmada · 1 questão

O sinal do cruzamento

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 52, p. 2195), escreve que o sinal do cruzamento é o melhor indicador de displasia troclear: quanto mais cedo a linha cruza, mais displasia. A Tabela 52.2 define o cruzamento (o contorno do côndilo intercepta o da tróclea) e a saliência (bump: a linha troclear à frente da cortical femoral), ambos significando sulco displásico; o texto diz que profundidade menor que 3 mm ou saliência maior que 4 mm são displasia significativa. O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 16), explica a geometria no perfil absoluto: o cruzamento aparece quando a linha do fundo da tróclea se dirige para a frente na sua porção superior e cruza a linha dos côndilos. Na tróclea normal, o fundo fica sempre atrás das bordas; na displásica, sobe ao nível delas ou à frente: a tróclea é rasa ou plana.

O HEBERT traz a classificação de David DEJOUR, todos os tipos com cruzamento: A, tróclea rasa com côndilos preservados; B, esporão supratroclear e tróclea plana; C, duplo contorno e tróclea assimétrica (côndilo medial hipoplásico, lateral convexo); D, esporão, assimetria e queda abrupta na união dos côndilos. A forma da patela, no axial, segue WIBERG (crista central no tipo I, quase ausente no IV).

TA-GT e tilt

Na primeira luxação, sobretudo em atleta, o Campbell (p. 2197) indica ressonância ou tomografia 3D para dano condral, corpos livres, displasia e mau alinhamento. A distância entre a tuberosidade da tíbia e o sulco troclear (TA-GT) se mede com duas perpendiculares à linha dos côndilos posteriores, uma pelo fundo do sulco e outra pela tuberosidade; acima de 20 mm, na tomografia ou na ressonância, é mau alinhamento, e a medida é maior na tomografia que na ressonância. O HEBERT chama a medida de TAGT, o ângulo Q tomográfico, normal até 20 mm. O tilt na tomografia a 20 graus é normal abaixo de 20 graus (Tabela 52.2). Na decisão (p. 2199), TA-GT de 20 mm com tróclea normal ou acima de 15 mm com displasia pedem osteotomia da tuberosidade com LPFM; a anteromedialização descarrega lesões condrais distais e laterais e é contraindicada nas proximais e mediais.

Medidas da femoropatelar (Campbell 15, cap. 52, p. 2195 a 2199; HEBERT 5ª, cap. 16)
MedidaExamePatológico
Cruzamentoperfil absolutolinha troclear cruza a dos côndilos
Saliênciaperfillinha troclear à frente da cortical; > 4 mm
Profundidade troclearperfil< 3 mm (tabela pede 5 mm ou mais)
Ângulo do sulcoaxial de MERCHANT> 145 graus (média 137)
TiltTC a 20 graus> 20 graus
TA-GT (TAGT)TC ou RM> 20 mm (> 15 com displasia)

A luxação da patela na imagem

Cobrança confirmada · 2 questões

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 52, p. 2194 aprox.), descreve a lesão da luxação lateral: ruptura do LPFM e defeito condral na faceta medial da patela e/ou no côndilo femoral lateral. O capítulo 3 (p. 164) mostra o padrão no axial com supressão de gordura: edema sob a faceta medial da patela e na face lateral do côndilo femoral lateral, com nível hematócrito no derrame, que indica luxação lateral recente. O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 16), dá o nome: kissing bones, edema da parte medial da patela e da parte lateral do côndilo femoral lateral pela colisão durante a redução.

O mecanismo resolve sem decorar: a patela sai para fora e, ao voltar, a faceta medial bate na borda lateral do côndilo femoral lateral. Lados opostos de cada osso. No LCA, as contusões ficam no compartimento tibiofemoral lateral; os dois padrões dividem o côndilo femoral lateral, em lugares diferentes.

O Campbell (cap. 65, p. 2941) descreve as luxações intra-articulares da patela como raras e de dois tipos. A mais comum é horizontal, com desinserção do tendão do quadríceps, e a superfície articular da patela voltada para a superfície articular da tíbia. Na outra, o polo inferior se solta do tendão patelar e a superfície articular fica voltada para proximal. Ambas costumam exigir redução aberta. O mesmo capítulo dá a referência da origem femoral do LPFM no perfil: logo à frente da interseção da cortical posterior do fêmur com a linha de BLUMENSAAT.

A radiografia da artrose e do eixo

Cobrança confirmada · 5 questões

Incidências e classificações

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 16), diz que as radiografias simples são o principal exame da artrose: AP monopodal, perfil a 30 graus, ROSENBERG e panorâmica para os eixos. O varo aumenta o risco de artrose medial, e o valgo, da lateral. A correlação entre imagem e sintoma é fraca: 37,4% dos maiores de 60 anos tinham artrose radiográfica, e só 12,1% tinham artrose com sintomas.

A classificação de KELLGREN-LAWRENCE gradua de 0 (nenhuma) a 4 (grave). A de AHLBACK, modificada por KEYES, olha o desgaste no AP e no perfil: 1, redução do espaço; 2, obliteração; 3, desgaste do planalto menor que 5 mm, com a parte posterior do planalto intacta no perfil; 4, desgaste de 5 a 10 mm, com desgaste da margem posterior; 5, subluxação grave, com subluxação anterior da tíbia. O perfil do grau 3 é o da artrose anteromedial: o desgaste começa na frente do compartimento medial, e o joelho continua estável no sentido anteroposterior enquanto a parte de trás está preservada.

A deformidade e a frouxidão lateral

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 10, p. 499), afirma que a deformidade mais comum na artrose é o varo, que concentra carga no lado medial. Quando o medial perde altura, o eixo passa para dentro, as estruturas laterais são estiradas a cada passo e afrouxam: na fase de apoio, a fenda lateral abre. O Campbell (cap. 50, p. 2048 aprox.) descreve a forma completa, o triplo varo de NOYES: varo ósseo, instabilidade em varo de partes moles e impulso lateral (thrust) no apoio; nesses joelhos, reconstruções de partes moles isoladas falham, e a osteotomia valgizante vem antes ou junto. O duplo varo é o degrau anterior: ao varo ósseo soma-se a abertura lateral por afrouxamento.

A osteotomia lida na radiografia

O Campbell (cap. 10, Box 10.4, p. 499) indica a osteotomia tibial quando as radiografias com carga mostram artrose em um compartimento com a deformidade correspondente e sintomas concordantes; contraindica com estreitamento lateral, subluxação lateral acima de 1 cm, perda óssea medial acima de 2 a 3 mm, contratura acima de 15 graus, flexão abaixo de 90 graus, correção acima de 20 graus e artrite inflamatória. Os bons resultados se associam a menos de 60 anos, doença unicompartimental, estabilidade e arco de 90 graus (p. 501). O HEBERT reserva a osteotomia para jovens e ativos e a contraindica com espaço desaparecido, subluxação, femoropatelar acima de AHLBACK I ou osteófito posterior.

A correção vem da panorâmica. O Campbell (p. 501): o normal é valgo de 5 a 8 graus; corrige-se até o normal e acrescentam-se 3 a 5 graus, chegando a cerca de 10 graus de valgo; COVENTRY viu mais falhas sem hipercorreção a pelo menos 8 graus. O HEBERT leva o eixo mecânico a 62,5% da interlinha a partir da borda medial (ponto de NOYES). Manter o eixo em varo contraria as duas versões. O HEBERT acrescenta que a cunha de abertura medial aumenta a inclinação posterior da tíbia, indesejada na instabilidade anterior (faz-se abertura trapezoidal), e que a unicompartimental exige LCA íntegro, varo menor que 7 graus e valgo menor que 15 graus.

Na mulher de 50 anos com LCA lesado, artrose medial AHLBACK III e varo mecânico de 8 graus, a idade e o compartimento único favorecem a osteotomia; o LCA roto e os 8 graus afastam a unicompartimental; o platô posterior intacto ainda não é a destruição da artroplastia total. A resposta é a osteotomia proximal da tíbia.

Classificações radiográficas da artrose (HEBERT 5ª, cap. 16, Quadro 16.3)
GrauAHLBACK/KEYES no APAHLBACK/KEYES no perfilKELLGREN-LAWRENCE
0não se aplicanão se aplicanenhuma
1redução do espaçonão se aplicaduvidosa
2obliteração do espaçonão se aplicamínima
3desgaste < 5 mmplatô posterior intactomoderada
4desgaste de 5 a 10 mmdesgaste da margem posteriorgrave
5subluxação gravesubluxação anterior da tíbianão se aplica

A criança e o adolescente

Relevância clínica

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40, p. 2021), pede na suspeita de lesão ligamentar AP, perfil, túnel e axial, olhando primeiro as fises; procura avulsão da espinha tibial, fraturas fisárias e avulsões dos colaterais. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 50, p. 2022), lembra que na criança a avulsão das eminências é mais comum que a ruptura do cruzado. A ressonância (Campbell, cap. 3, p. 164 aprox.) mostra a fratura fisária oculta (SALTER-HARRIS II com edema em T2) e a barra fisária no gradiente-eco.

No menisco discoide, o Tachdjian (p. 2014) lista espaço lateral alargado (melhor com os dois joelhos no mesmo filme), côndilo lateral achatado, planalto lateral em taça e cabeça da fíbula alta; a ressonância é diagnóstica, mas nem sempre mostra a instabilidade. O Campbell (cap. 3, p. 162) dá o critério: gravata-borboleta lateral em mais de três sagitais contíguos. Na patela, o Tachdjian (p. 2012) descreve o SINDING-LARSEN-JOHANSSON (ossículo no polo inferior) e a bipartida, bilateral em 25%; o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 60), lembra que a bipartida é superolateral, de bordas lisas e corticadas, e que a radiografia do outro lado confirma.

Fechamento

Fundamento

O joelho se lê em camadas. A radiografia responde ao osso: a incidência certa para a pergunta certa (ROSENBERG para o espaço posterior, axial para a femoropatelar, perfil para a altura e a tróclea, panorâmica para o eixo), os fragmentos que falam pelos ligamentos (SEGOND para o LCA, arqueado para o canto posterolateral, entalhe femoral lateral) e as variantes que não são lesão (fabela, bipartida). O estresse transforma frouxidão em milímetros. A ressonância responde às partes moles e à medula: menisco (sinal que toca a superfície, raiz no coronal posterior, armadilhas do hiato e dos meniscofemorais), ligamentos e contusões que contam o mecanismo. A tomografia mede.

Três coisas separam o acerto do erro: conhecer o limite de cada exame (radiografia não confirma menisco; ressonância não prevê reparo), ler a topografia (anterior ou posterior ao LCP, planalto ou fíbula, faceta medial com côndilo lateral) e guardar poucos números com segurança.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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