Orto Questões

Pé plano flexível

Pé e tornozeloResumo do capítulo33 min de leitura

Retropé valgo com antepé supinado em relação ao retropé, que se corrigem sem carga, na ponta dos pés e no JACK; quase todo lactente é plano e o arco sobe sozinho na primeira década, sem efeito de palmilha; dói o tipo com tríceps sural curto (HARRIS e BEATH), separado pelo SILFVERSKIÖLD; MEARY é tálus com primeiro metatarsal; assintomático se orienta, palmilha só para sintoma; cirurgia rara e poupadora (EVANS e MOSCA, deslizamento medial, alongamento do gastrocnêmio ou do tendão calcâneo); artrorrise é bloqueio temporário da subtalar; GRICE com o pé em varo; diferencial com coalizão, tálus vertical e navicular acessório.

Atualizado em 04/11/2026 · 33 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 29 · The Foot (seção Flexible Flatfoot), com o Capítulo 19 · Disorders of the Foot do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., em Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª edição (2014), com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (caps. 19 e 31), o HEBERT, 5ª ed. (caps. 20.4 e 20.6), e o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (caps. 36 e 88). Autores do capítulo: Vincent S. MOSCA (Lovell and Winter, cap. 29); John A. HERRING (editor do Tachdjian); Paulo Daw Wen SU, CHANG Chia Po e Akel N. A. JUNIOR (HEBERT, cap. 20.4); Benjamin J. GREAR (Campbell, cap. 88).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de pé e tornozelo do Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, capítulo 29, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado na seção Flexible Flatfoot do capítulo 29 (The Foot) do Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª edição (2014), escrita por Vincent S. MOSCA, comparada com o capítulo 19 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., o capítulo 20.4 do HEBERT e o capítulo 88 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. As páginas citadas são as impressas.

Uma ideia organiza o tema: o pé plano flexível é uma forma normal de pé, não uma doença. Quase todo lactente é plano, o arco sobe sozinho na primeira década, e nenhuma palmilha, sapato ou exercício muda esse curso. O que transforma o pé plano normal em problema é quase sempre o tríceps sural curto, que trava a dorsiflexão do tornozelo e joga a carga sobre a cabeça do tálus. A banca cobra as consequências dessa ideia: a deformidade em três planos, os testes de flexibilidade, o SILFVERSKIÖLD, a linha de MEARY, a palmilha só para o sintomático e as poucas cirurgias que sobreviveram.

Os vizinhos têm resumo próprio e aqui entram só como diferencial: coalizão tarsal (campbell15-coalizoes-tarsais), pé plano adquirido do adulto (campbell15-pe-plano-adulto), ângulos do pé (campbell15-imagem-pe-tornozelo) e pé torto (tachdjian6-pe-torto-congenito).

O que é o pé plano flexível: uma deformidade em três planos

Cobrança confirmada · 2 questões

O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 29, p. 1462 e 1463), define o pé plano como um formato do pé com carga em que o retropé está em valgo, o mediopé cede para plantar com reversão do arco e o antepé está supinado em relação ao retropé. Flexível quer dizer mobilidade da subtalar e do arco: a capacidade de os dois reverterem o alinhamento. MOSCA insiste (p. 1464) que o pé plano não é uma deformidade, é uma combinação de deformidades: valgo do retropé, supinação do antepé e rotação lateral. Como o eixo da subtalar é oblíquo, a eversão nunca é pura: produz ao mesmo tempo valgo, rotação externa e dorsiflexão do conjunto navicular, ligamento mola e calcâneo anterior em torno da cabeça do tálus.

Supinado, não pronado

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 19, p. 696), descreve o calcanhar evertido, o antepé abduzido e a sag do mediopé, com a cabeça do tálus e a tuberosidade do navicular parecendo tocar o chão, e a coluna medial parecendo mais longa que a lateral. Chamar o pé de "pronado" é, nas palavras do livro, enganoso: o antepé está supinado em relação ao retropé, o que se percebe quando o retropé é corrigido na cirurgia ou estabilizado pela mão do examinador.

O raciocínio é geométrico. Com o retropé em valgo, se o antepé o acompanhasse, a borda lateral ficaria no ar; para apoiar inteiro, o antepé gira no sentido oposto. Em carga os dois giros se compensam e se vê um pé "achatado e pronado"; com o calcanhar em neutro, aparece o primeiro raio elevado. O Lovell and Winter confirma (p. 1464): a supinação é revelada quando o retropé é corrigido passivamente por inversão. O Tachdjian dá o espelho: no cavovaro, o antepé está pronado em relação ao retropé. O HEBERT (cap. 20.4) descreve retropé em excessivo valgo, arco medial colapsado e antepé com graus variáveis de abdução na mediotarsal. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 88, p. 3811), no adulto, fala em "pronação do antepé com carga" e, com o retropé em neutro, em varo ou supinação do antepé: "pronação" é o aspecto em carga; a relação verdadeira, que a prova pergunta, é a supinação.

Componentes da deformidade do pé plano flexível (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1462 a 1464; Tachdjian, cap. 19, p. 696; HEBERT, cap. 20.4)
SegmentoPosiçãoComo aparece no exame
retropévalgo (eversão da subtalar)calcanhar evertido; vira varo na ponta dos pés
mediopésag plantar, navicular dorsifletido sobre a cabeça do tálusarco apagado, cabeça do tálus proeminente
antepésupinado em relação ao retropéprimeiro raio elevado ao corrigir o calcanhar
plano transversoabdução do antepé, rotação externa"too many toes" visto por trás
conjunto em cargaaspecto "pronado"descrição enganosa (Tachdjian)
reversocavovaro: retropé varo, antepé pronadoarco alto

Quantos têm e por que o arco sobe sozinho

Fundamento

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1463) admite que a incidência verdadeira é desconhecida, porque não existe definição aceita de arco "normal" em contraste com arco "de altura média". Mesmo assim, a maioria das crianças e ao menos 20% dos adultos têm pé plano, quase todos flexíveis, fortes, estáveis e confortáveis. O Tachdjian (p. 696) cita STAHELI: pé plano é "habitual nos lactentes, comum nas crianças e dentro da faixa normal nos adultos".

STAHELI, com impressões plantares de 882 pés de 1 a 80 anos, mostrou que a maioria dos lactentes é plana e que o arco se desenvolve espontaneamente na primeira década; VANDERWILDE confirmou com radiografias de 6 meses a 10 anos que os valores normais da criança diferem dos do adulto e mudam sozinhos com a idade; KANATLI mostrou que o exame clínico basta para acompanhar o arco. REIMERS viu o arco baixo cair de 42% aos 3 a 5 anos para 6% nos adolescentes, com relação forte entre tendão calcâneo curto e persistência do plano no adolescente. O Tachdjian (p. 699) explica o lactente: o arco fica escondido pela gordura subcutânea, e a sag de MEARY melhora até os 8 anos, à medida que a frouxidão ligamentar se resolve. O HEBERT (cap. 20.4) situa o arco por volta dos 5 anos (alguns autores, 7 a 10 anos) e dá os números de PFEIFFER: 54% aos 3 anos e 24% aos 6, plano flexível em 44% e rígido em menos de 1%, meninos duas vezes e obesos três vezes mais.

SIM-FOOK e HODGSON, na China, e RAO e JOSEPH, na Índia, encontraram mais pé plano nas crianças que usavam sapato (Lovell and Winter, p. 1464); o Tachdjian (p. 699) chega a sugerir que o sapato pode prejudicar o arco. HARRIS e BEATH viram nos soldados canadenses que o plano flexível era o contorno normal de um pé forte, sem dor, a não ser com contratura do tendão calcâneo; GILADI viu recrutas planos com menos fratura de estresse, e KAUFMAN, mais lesão de sobrecarga quando a dorsiflexão do tornozelo era restrita (Lovell and Winter, p. 1466 e 1467). KILMARTIN e WALLACE viram o joanete surgir independentemente do arco (Tachdjian, p. 699).

Prevalência do pé plano por idade e estudo (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1463; HEBERT, cap. 20.4)
EstudoPopulaçãoAchado
STAHELI882 pés de 1 a 80 anoslactentes planos; arco sobe na primeira década
REIMERSescolares dinamarqueses42% aos 3 a 5 anos, 6% nos adolescentes
PFEIFFER835 escolares austríacos54% aos 3 anos, 24% aos 6; rígido menos de 1%
EVANS e ROMErevisão Cochranecerca de 45% dos pré-escolares, 15% aos 10 anos
HARRIS e BEATHrecrutas canadenses23% de 3619 adultos (Lovell and Winter); 14% dos pés (HEBERT)
adultosao menos 20%

Etiologia e mecânica: osso, ligamento e o pé que não trava

Fundamento

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1463) conta a disputa. DUCHENNE estimulou o fibular longo e produziu um arco, atribuindo o pé plano a fraqueza muscular. BASMAJIAN e STECKO refutaram de forma decisiva: pouca ou nenhuma atividade eletromiográfica com carga estática; o complexo osso-ligamento determina a altura do arco, e os músculos equilibram, acomodam o pé ao terreno e impulsionam. MANN e INMAN acrescentaram que o pé plano exige mais atividade intrínseca na propulsão. O Tachdjian (p. 698) concorda, com uma ressalva: a lesão do tibial posterior produz pé plano, então esse músculo contribui para a integridade estática do arco. Não se sabe se o tendão calcâneo curto é primário ou secundário; HARRIS e BEATH tratavam o plano flexível e o plano com tendão curto como entidades distintas. Consequência prática: exercício não constrói arco; o HEBERT diz que exercícios intrínsecos não mudaram a altura do arco, e o Tachdjian lembra que o próprio TACHDJIAN já os criticava, embora nenhum estudo os tenha avaliado.

MOSCA (p. 1467) usa a analogia de SCARPA: a cabeça do tálus é a cabeça femoral, e o acetabulum pedis (navicular, ligamento mola e calcâneo anterior com suas facetas) é o acetábulo. Inversão = flexão plantar, supinação e rotação interna do acetabulum pedis em torno do tálus (retropé varo); eversão = dorsiflexão, pronação e rotação externa (retropé valgo). No início do apoio a subtalar everte e o pé fica destravado, maleável; no fim, inverte, o acetabulum pedis volta a sustentar o tálus e o pé trava como alavanca. O pé plano começa destravado e não inverte por completo; em teoria isso cansaria os músculos, mas a dor só aparece em alguns. Com essa imagem, as cirurgias ficam lógicas: o alongamento da coluna lateral gira o acetabulum pedis de volta para baixo do tálus, como uma osteotomia redirecional; o deslizamento medial do calcâneo é a "osteotomia de CHIARI do acetabulum pedis", que compensa sem corrigir (p. 1470).

Os três tipos de HARRIS e BEATH: o pé plano que dói

Cobrança confirmada · 2 questões

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1463) relata que HARRIS e BEATH encontraram pé plano em 23% de 3619 adultos, enfatizando que a altura do arco importa menos que a mobilidade das articulações e dos tendões, e os dividiram em três tipos: flexível ou hipermóvel (dois terços, de pouca ou nenhuma importância clínica); flexível com contratura do tendão calcâneo (25% do total, causa de dor e incapacidade); e rígido (o menos comum, subtalar restrita, em geral coalizão tarsal, às vezes doloroso). O Tachdjian (p. 697 a 699) usa os mesmos números, chama a contratura de tríceps sural, diz que diferenciar flexível de rígido é o primeiro passo e afirma que a contratura do tendão calcâneo tende a tornar sintomático o pé plano hipermóvel. O HEBERT (cap. 20.4) cita o mesmo estudo com outra base: pé plano em 14% dos pés, dois terços flexíveis, cerca de 27% com encurtamento do tendão calcâneo e dores frequentes, e rígido em 9%. A diferença numérica provavelmente vem de contar pessoas ou pés; a mensagem é a mesma.

Por que o tendão curto dói

O Lovell and Winter (p. 1467 e 1468) explica: no apoio médio a tíbia avança e o tornozelo precisa dorsifletir; com o tendão calcâneo ou só o gastrocnêmio contraído, a tensão de dorsiflexão vai para a subtalar, que everte ainda mais; o tálus fica rigidamente em flexão plantar e as partes moles sob a cabeça do tálus sofrem carga axial e cisalhamento. Resultado: dor com carga e calos sob a cabeça do tálus. O HEBERT descreve o mesmo pé: calcanhar valgo, encurtamento da coluna lateral e dorsiflexão restrita, com dor e incapacidade. Por isso a contratura que torna doloroso o pé plano da criança é a do tríceps sural: não a do tibial posterior (insuficiência dele é o plano do adulto), nem a dos fibulares (espasmo da coalizão), nem a do tibial anterior.

Os tipos de HARRIS e BEATH em cada livro (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1463; Tachdjian, cap. 19, p. 697 e 698; HEBERT, cap. 20.4)
TipoLovell and WinterTachdjianHEBERTComportamento
flexível ou hipermóveldois terçoscerca de dois terçosdois terçosraramente dói
flexível com tendão calcâneo curto25% do totalcerca de um quarto (tríceps sural)cerca de 27%dor e incapacidade
rígidoo menos comumo restante9%coalizão; pode doer
base23% de 3619 adultos23% dos adultos14% dos pés

O exame: ponta dos pés, JACK e SILFVERSKIÖLD

Relevância clínica

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1464 e 1465) começa pelo corpo: frouxidão ligamentar, perfil torcional e angular, marcha, força de todos os músculos do membro, sensibilidade e coluna. O HEBERT (cap. 20.4) acrescenta o consultório: desgaste da porção medial do solado; com tendão curto, sem desgaste posterior, porque a criança inicia o passo sem o calcanhar; hiperfrouxidão generalizada e deformidades rotacionais são comuns. Olha-se o pé sentado e em pé: no hipermóvel o arco existe sentado e colapsa com carga.

Ponta dos pés e JACK

O Tachdjian (p. 698 e 699) é categórico: inversão dos calcanhares e reconstituição do arco na ponta dos pés são achados obrigatórios para diagnosticar pé plano flexível. O HEBERT explica que o teste avalia a integridade do tendão calcâneo e do tibial posterior e a mobilidade da subtalar: o retropé passa de valgo para varo; com bloqueio, como na coalizão, não variza. O teste de JACK é a extensão passiva da metatarsofalângica do hálux com o paciente em pé; o Lovell and Winter (p. 1464) explica que ele e a ponta dos pés usam o mesmo mecanismo, o molinete (windlass) da fáscia plantar, que eleva o arco e inverte a subtalar. O HEBERT define o JACK positivo: varização do retropé, surgimento ou acentuação do arco e rotação externa da perna; o teste examina a liberdade da subtalar, a integridade do flexor longo do hálux e a sincronia entre intrínsecos e extrínsecos. JACK negativo aponta para rigidez.

O tendão calcâneo e o SILFVERSKIÖLD

O Tachdjian (p. 699) pede que a criança ande nos calcanhares (difícil com contratura) e testa a dorsiflexão passiva com o calcanhar travado em varo. O Lovell and Winter (p. 1464 e 1465) explica o detalhe: parte da eversão é dorsiflexão do calcâneo sob o tálus, então a subtalar solta "dorsiflete" evertendo e esconde a contratura; por isso ela é mantida invertida até o neutro. Com o joelho fletido, menos de 10° de dorsiflexão (entre a borda lateral do pé e a tíbia) indica contratura do sóleo, ou seja, do tendão calcâneo inteiro; se havia mais de 10° com o joelho fletido e menos de 10° com ele estendido, só o gastrocnêmio está contraído. A distinção importa porque as duas contraturas justificam cirurgia com técnicas diferentes. O HEBERT descreve o mesmo SILFVERSKIÖLD em decúbito dorsal: limitação com o joelho estendido = encurtamento; ao fletir, os gastrocnêmios relaxam; se melhora, o sóleo está normal; se persiste, o sóleo também está contraído. Calosidades sob a cabeça do tálus indicam sintoma, plano mais grave e contratura (Lovell and Winter, p. 1465).

Quando o pé não corrige

Sem flexibilidade na ponta dos pés, o Tachdjian (p. 699) manda pensar em fraqueza (poliomielite, neuropatia), fraqueza com contratura (DUCHENNE), espasticidade com equino (paralisia cerebral), coalizão ou artrite (retropé doloroso ou rígido), tálus vertical (mata-borrão rígido com equino) e navicular acessório ou osteocondrite (dor no navicular). O HEBERT lembra que a coalizão é a causa mais frequente do pé plano fibular espástico e descreve o sinal de "too many toes": por trás, mais de um dedo aparece lateralmente quando o antepé está abduzido.

Testes do exame do pé plano (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1464 e 1465; Tachdjian, cap. 19, p. 698 e 699; HEBERT, cap. 20.4)
TesteComo se fazNo pé plano flexívelSe falhar
sentado contra em péarco sem e com cargapresente sentado, colapsa em péarco ausente sem carga: rigidez
ponta dos péssubir nas cabeças dos metatarsaisarco sobe, calcanhar vai de valgo a varosem varização: coalizão, artrite
JACKextensão passiva da MTF do hálux em péretropé variza, arco aparece, perna roda externamentenegativo: subtalar sem mobilidade
andar nos calcanharesmarcha nos calcanharespossíveldifícil com tendão curto
dorsiflexão com calcanhar invertidosubtalar travada em neutromais de 10°menos de 10°: contratura
too many toespé visto por trásmais dedos lateralmenteabdução do antepé
Leitura do SILFVERSKIÖLD (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1465; HEBERT, cap. 20.4)
Joelho fletidoJoelho estendidoEstrutura contraídaCirurgia correspondente
mais de 10°mais de 10°nenhumanenhuma
mais de 10°menos de 10°só o gastrocnêmiorecessão do gastrocnêmio
menos de 10°menos de 10°sóleo, o tendão calcâneo inteiroalongamento do tendão calcâneo

A imagem: MEARY, talocalcâneo e pitch

Cobrança confirmada · 2 questões

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1465) é claro: radiografia não é necessária para o diagnóstico; serve para dor, flexibilidade diminuída e planejamento. AP e perfil com carga bastam no flexível; oblíqua e axial de HARRIS entram no rígido. Ela mostra relações estáticas, não informa flexibilidade nem função e não deve indicar tratamento (STEEL; VANDERWILDE). O Tachdjian (p. 697) dá a melhor razão para radiografar: excluir causas não idiopáticas (coalizão, tálus vertical, calcaneovalgo persistente, navicular acessório, artrites). O HEBERT (cap. 20.4) diz que nenhum ângulo provou ser mais útil ou reprodutível, e reserva tomografia e ressonância para sinal radiográfico positivo ou planejamento.

MEARY

O ângulo de MEARY é o ângulo entre o eixo do tálus e o do primeiro metatarsal no perfil com carga: normal 0°, uma linha reta; no pé plano há um ângulo com ápice plantar (Tachdjian, p. 697). MOSCA lembra que há uma faixa de normalidade e que ela muda com a idade, com melhora da sag até os 8 anos. O ápice localiza a sag: na talonavicular, o eixo do tálus cruza só a ponta inferior do navicular subluxado dorsalmente, e a sag com tálus em flexão plantar sugere tendão calcâneo curto; na naviculocuneiforme, o navicular segue centrado no tálus. MOSCA chama esse ponto de CORA, em geral na cabeça do tálus ou na talonavicular. O HEBERT chama a referência de linha de MEARY-TOMENO ou de SHADE.

Perfil, AP e os ângulos do HEBERT

No perfil, o Lovell and Winter (p. 1465) mostra flexão plantar do calcâneo (pitch), flexão plantar maior do tálus (talo-horizontal) e dorsiflexão do navicular; pitch e talo-horizontal medem melhor o valgo do retropé. O Tachdjian dá o talo-horizontal normal (26,5 ± 5,3°); o HEBERT, o pitch de 15 a 25°, e diz que menos de 15° sugere tendão calcâneo curto. O AP é pouco útil na criança, porque o navicular ossifica excêntrico, começando pelo lado lateral (Lovell and Winter, p. 1466); o Tachdjian mostra eixos talocalcâneos divergentes e navicular lateralizado. O HEBERT chama o talocalcâneo de ângulo de KITE ou de GIANNESTRAS: normal 20 a 40° no AP e 35 a 50° no perfil, aumentado no pé plano. O talonavicular, entre o eixo do tálus e a superfície distal do navicular, é normal entre 60 e 80°, e menos de 60° no AP indica desvio medial do tálus; é esse corte que um gabarito do TARO associou ao nome GIANNESTRAS.

Ângulos radiográficos do pé plano (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1465 e 1466; Tachdjian, cap. 19, p. 697; HEBERT, cap. 20.4)
ÂnguloMedidaNormalNo pé plano
MEARY (perfil)eixo do tálus e do primeiro metatarsal, com carga0°, linha retaápice plantar
talo-horizontaleixo do tálus e o solo26,5 ± 5,3°aumenta
pitch do calcâneoborda plantar do calcâneo e o solo15 a 25°cai; menos de 15° sugere tendão curto
talocalcâneo (KITE ou GIANNESTRAS no HEBERT)eixos do tálus e do calcâneo20 a 40° AP; 35 a 50° perfilaumentado
talonavicular (HEBERT)eixo do tálus e superfície distal do navicular, AP60 a 80°menos de 60°: desvio medial do tálus

Tratamento conservador: educar, não prescrever

Cobrança confirmada · 2 questões

O assintomático

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1467) reconhece que não há estudo prospectivo longo, mas que a maioria considera o pé plano flexível uma variante anatômica, não uma deformidade incapacitante. Estudos antigos sem controle sugeriam efeito de órteses; os randomizados e controlados não mostraram nenhum benefício de sapato ou palmilha sobre o desenvolvimento espontâneo. GARCIA-RODRIGUEZ (4 a 13 anos) não viu efeito do tratamento e notou mais risco no sobrepeso; DRIANO descreveu efeitos psicológicos negativos em adultos que usaram calçados modificados na infância. Conclusão de MOSCA: o tratamento do assintomático é a educação da criança e da família. O Tachdjian (p. 699 e 700) diz o mesmo: no hipermóvel assintomático nenhum tratamento, educação e tranquilização; não há indicação médica para tratar o pé plano assintomático, e a tradição de sapatos especiais e palmilhas deve ser abandonada. O HEBERT (cap. 20.4) traz WENGER: 130 crianças de 1 a 6 anos em quatro grupos (sapato comum, calçado modificado, calcanheira de HELFT, palmilha UCBL), três anos de seguimento, nenhuma diferença clínica ou radiológica.

A questão-modelo junta exame e conduta: menino de 7 anos, sem dor, calcâneo que variza na ponta dos pés e arco que volta na flexão plantar. É, por definição, um pé plano flexível assintomático: expectante, com orientação e observação. Palmilha sob medida não muda o pé; fisioterapia não tem alvo sem contratura nem dor; e o calcâneo-stop, uma forma de artrorrise, é exatamente a indicação que MOSCA critica: operar um pé fisiológico assintomático numa criança pequena.

O sintomático

Algumas crianças têm dor difusa ligada à atividade, entendida como fadiga ou sobrecarga; para elas, palmilhas pré-fabricadas ou moldadas aliviam os sintomas e aumentam a vida do sapato, sem elevar o arco de forma permanente (Lovell and Winter, p. 1467). O Tachdjian (p. 699 e 700) diz que nos sintomáticos suportes e órteses podem beneficiar (dor medial, calos, fadiga, impacto lateral entre calcâneo e fíbula); prefere tênis de corrida para pé "pronado"; nos teimosos, a UCBL rígida, moldada para inverter o calcanhar, desconfortável como "pedra no sapato" e a ser abandonada se a primeira prescrição falhar, ou espuma macia (Plastazote). E repete: nenhuma mudança permanente do arco foi documentada com órtese. O HEBERT: sem tendão curto e com desconforto, a palmilha pode ser indicada para o desconforto, sem mudar o formato do pé.

O tendão curto

No pé com tendão curto e calo sob o tálus, suportes firmes ou rígidos exageram a pressão sob a cabeça do tálus; o que alivia é alongamento agressivo do tendão calcâneo com a subtalar invertida, e a falha prolongada desse tratamento é a indicação de cirurgia (Lovell and Winter, p. 1467 e 1468). O Tachdjian (p. 699) alonga com calcanhar invertido e joelho estendido, à mão pelos pais e com faixa elástica ou na parede pela criança maior. O HEBERT cita MOSCA: palmilha não está indicada aqui, pois pode aumentar a dor com calos mediais. Nenhum livro condiciona a palmilha ao sexo, à idade abaixo de 4 anos ou a um JACK negativo, que indicaria rigidez.

O que funciona e o que não funciona sem cirurgia (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1467 e 1468; Tachdjian, cap. 19, p. 699 e 700; HEBERT, cap. 20.4)
SituaçãoCondutaJustificativa
assintomáticoeducar, tranquilizar, observarrandomizados sem efeito (WENGER, GARCIA-RODRIGUEZ)
sapato corretivo profiláticoabandonarsem efeito; dano psicológico (DRIANO)
exercício de fortalecimentosem efeito no arcoarco é osso e ligamento
dor difusa de fadiga, sem contraturapalmilha, tênis de corridaalivia, não eleva o arco
refratárioUCBL ou espuma maciaabandonar a UCBL se falhar
tendão curto com calo sob o tálusalongamento com calcanhar invertido e joelho estendidosuporte rígido aumenta a pressão
falha prolongada no tendão curtocirurgiaindicação de MOSCA

Quando operar e por que quase nunca

Relevância clínica

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1468) resume: uma operação é raramente, se alguma vez, indicada para o pé plano flexível. Qualquer procedimento deve ser julgado pela capacidade de corrigir e manter a correção preservando a mobilidade da subtalar e de aliviar a dor de forma duradoura. O Tachdjian (p. 700) define os candidatos: sintomas intratáveis sem resposta a calçado ou órtese, em quem não consegue mudar as atividades; calos talonaviculares, "distensão" do arco medial ou impacto calcaneofibular que limitam a vida diária. O HEBERT (cap. 20.4): operar somente dor incapacitante refratária, o que é raro, e critica operar para "prevenir artrose" sem sintoma. A indicação estrita de MOSCA (p. 1470) para o alongamento do calcâneo é pé plano flexível ou rígido com contratura do tendão calcâneo ou do gastrocnêmio e dor intratável no mediopé medial ou no seio do tarso apesar de conservador prolongado.

O destino das famílias de cirurgia (Lovell and Winter, p. 1468): partes moles e transferências falham em curto prazo (partes moles esticam); excisões ósseas foram abandonadas; artrodese subtalar e tríplice saíram porque eliminam o amortecimento do complexo subtalar e levam artrose ao tornozelo e às mediotarsais; as artrodeses mediotarsais limitadas de HOKE, populares por 60 a 70 anos, dão 49% a 70% de maus resultados no longo prazo. O Tachdjian (p. 700) dá 49% a 77% e uma imagem forte: fundir ossos do tarso cria uma coalizão iatrogênica, com a mesma artrose vizinha da coalizão natural; por isso a cirurgia deve ser poupadora de articulação, em geral osteotomia extra-articular com imbricação.

O Tachdjian (p. 700 e 701) chega a dizer que a artrodese subtalar primária deveria ser condenada e deixa a tríplice como salvação, só depois de uma infiltração seletiva mostrar que a mobilidade do retropé e do mediopé causa a dor. O HEBERT é mais permissivo num grupo pequeno de adolescentes com rigidez progressiva: prefere a tríplice, com idade óssea de 12 anos ou mais; as artrodeses mediotarsais (HOKE, MILLER, DURHAM, GIANNESTRAS) corrigem mal e degeneram as vizinhas.

Procedimentos e o veredito dos livros (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1468 a 1470; Tachdjian, cap. 19, p. 700 a 706; HEBERT, cap. 20.4)
ProcedimentoO que fazVeredito
partes moles isoladasretensionafalham em curto prazo
artrodese mediotarsal (HOKE e outras)funde talonavicular ou naviculocuneiforme49% a 77% insatisfatórios; artrose vizinha
artrodese subtalar primáriaelimina a eversão"deveria ser condenada"
trípliceelimina o retropésalvação; idade óssea 12 anos ou mais (HEBERT)
artrorrisebloqueia a eversão no seio do tarsosem resultados longos; complicações
deslizamento medial do calcâneodesloca o calcanharcorrige o valgo, não o arco
alongamento da coluna lateralgira o acetabulum pediso mais atraente; mais de 90% satisfatórios
triplo Cdeslizamento, cuboide e cuneiformedeformidades acentuadas
gastrocnêmio ou tendão calcâneocorrige a contraturasempre considerar; SILFVERSKIÖLD

Artrorrise: o bloqueio temporário da subtalar

Cobrança confirmada · 1 questão

O HEBERT (cap. 20.4) dá a definição que responde à questão: estabilização da articulação subtalar com implante por tempo limitado, interferindo na mecânica ao nível do seio do tarso com material sintético. Bloqueio temporário (nada é fundido, o implante pode sair) da subtalar (não da talonavicular). É popular na Europa, pouco adotada na América do Norte, fácil, de recuperação rápida e com bons resultados de curto prazo; RICHARDSON e MOSCA relataram reação de corpo estranho, dor, correção incompleta, pé fibular espástico, rigidez e infecção. No pé paralítico, o HEBERT (cap. 20.6) cita a artrorrise de PISANI. O Tachdjian (p. 700) descreve um pino de interposição de metal, silicone ou Silastic que limita o valgo. O Campbell 15 (cap. 88, p. 3831) dá o mecanismo: limitar a rotação externa do calcâneo sob o tálus, com três tipos de implante (cunha autobloqueante, alteração de eixo, bloqueio de impacto).

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1468 e 1469) conta a história: entre 1946 e 1977, blocos ósseos no seio do tarso (pseudoartrodeses) que reabsorviam ou travavam a subtalar; desde o fim dos anos 1970, implantes sintéticos, mais de 10 tipos, quase todos com seguimento menor que 2 anos. Os mais usados são o MBA, parafuso cilíndrico de titânio, e o expansível de GIANNINI, que seguem o canal do tarso entre as facetas posterior e média. Chamados de extra-articulares, eles bloqueiam a eversão e reduzem o movimento total da subtalar, o que para MOSCA prova um efeito intra-articular, e reabsorvem as corticais vizinhas. As versões de ácido poli-L-láctico têm seguimento menor ainda; SAXENA e NGUYEN viram metade dos pacientes precisar ou ter indicação de retirada. As complicações vão de 3,5% a 30% (recentes, 3,5% a 11%): mau posicionamento, extrusão, quebra, sinovite, infecção, dor no seio do tarso, cisto e osteonecrose do tálus, espasmo fibular, fratura do calcâneo, além da indicação inadequada em pé fisiológico assintomático de criança pequena. BLACK e VERHEYDEN pediram o abandono.

Os livros divergem, e vale citar. O Lovell and Winter quer estudos longos antes de recomendar; o Tachdjian diz que, dada a história natural benigna, a técnica não se justifica na criança (sinovite com retirada é risco real). O Campbell 15 é o mais favorável: melhor associada a outros procedimentos, limitada ao planovalgo flexível ou ao estágio IIA do tibial posterior; na criança, 79% a 100% de satisfação, mas 5% a 18% de complicações; no adulto, retirada em 7% a 46%, com correção mantida após a retirada. O conceito de prova não muda: bloqueio temporário da subtalar no seio do tarso.

Artrorrise em cada livro (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1468 a 1470; Tachdjian, cap. 19, p. 700; HEBERT, cap. 20.4; Campbell 15, cap. 88, p. 3831)
AspectoLovell and WinterTachdjianHEBERTCampbell 15
definiçãorestringir a eversão no seio do tarsopino que limita o valgo da subtalarestabilização da subtalar por tempo limitadolimitar a rotação externa do calcâneo
implantesMBA, GIANNINI, PLLAmetal, silicone, Silasticsintético; PISANI no paralíticotrês tipos biomecânicos
complicações3,5% a 30%sinovite com retiradacorpo estranho, espasmo fibular, rigidez5% a 18%; retirada 7% a 46%
posiçãoefeito intra-articular; esperar estudosnão justificada na criançapopular na Europaassociada; flexível ou IIA

Osteotomias do calcâneo: deslizar ou alongar

Relevância clínica

O deslizamento medial

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1470) lembra que a osteotomia de DWYER (cunha de abertura lateral) teve problemas de ferida e colapso do enxerto; os mesmos objetivos são atingidos pelo deslocamento medial do calcâneo posterior, descrito por KOUTSOGIANNIS (1971, no HEBERT) e atribuído a PRIDIE. O HEBERT explica o conceito: alinhar a borda medial do fragmento com o sustentáculo do tálus. Mas a osteotomia não corrige a subtalar, só cria uma deformidade compensatória: KOUTSOGIANNIS corrigiu o valgo em 30 de 34 pés, mas o arco raramente foi restaurado, e a rotação externa e a dorsiflexão do acetabulum pedis ficam. O Tachdjian (cap. 19, p. 704) é mais simpático: o deslocamento ajuda a sustentar o tálus e diminui a eversão e a abdução, e combinado à imbricação da coluna medial dá bons resultados em adolescentes. Na técnica (Lovell and Winter, p. 1471 a 1473), protege-se o nervo sural, desloca-se pelo menos metade da largura do calcâneo com o pé em flexão plantar, fixa-se com parafuso ou pino liso (que não lesa a apófise) e mantêm-se 6 semanas sem carga e 2 de gesso de marcha.

RATHJEN e MUBARAK somaram ao deslizamento uma cunha de fechamento do cuneiforme medial, uma cunha de abertura do cuboide e plicatura talonavicular: o "triplo C" do HEBERT, que usa o enxerto do cuneiforme no cuboide e recria o arco com a cunha de base plantar. Comparado ao alongamento de MOSCA, ambos corrigem bem, mas o alongamento corrige melhor a talonavicular. Os autores do HEBERT preferem o alongamento do calcâneo para abdução com "too many toes" e o triplo C nas deformidades acentuadas.

O alongamento da coluna lateral de EVANS

EVANS acreditava que a coluna lateral do pé plano é mais curta que a medial, o oposto do cavovaro (Lovell and Winter, p. 1470). Inseria um enxerto corticoesponjoso numa osteotomia do calcâneo anterior 1,5 cm proximal e paralela à calcaneocuboide, e com isso corrigia ao mesmo tempo o valgo, a sag talonavicular e a subluxação lateral do navicular, sem artrodese e preservando movimento. PHILLIPS seguiu os pacientes de EVANS por média de 13 anos: 17 de 23 pés bons ou muito bons. ANDERSON e FOWLER aconselharam operar entre 6 e 10 anos, para o tarso remodelar. O HEBERT data EVANS em 1975 e resume: igualar as colunas, corrigindo o valgo no local do problema. O Campbell 15 (cap. 36) usa a osteotomia de DILLWYN EVANS no calcaneovalgo paralítico de 8 a 12 anos, como alternativa à tríplice.

O que MOSCA acrescentou

EVANS descreveu pouco e os resultados alheios foram inconsistentes. MOSCA, em 1995, publicou 31 pés de 20 crianças com correção, no local da deformidade, de todos os componentes da eversão, função subtalar restaurada e sintomas aliviados (Lovell and Winter, p. 1470). Suas contribuições são o que as provas de técnica cobram: incisão OLLIER modificada sobre o seio do tarso; osteotomia 1,5 a 2 cm proximal à calcaneocuboide, oblíqua, saindo entre as facetas anterior e média (nem perpendicular à borda lateral nem paralela à calcaneocuboide, p. 1477); enxerto trapezoidal tricortical do ilíaco, com o navicular e o fragmento anterior girando juntos em torno da cabeça do tálus; fibular curto alongado em Z e aponeurose do abdutor do quinto dividida, com plicatura plantomedial; pino de STEINMANN através da calcaneocuboide antes de abrir, para evitar subluxação; cunha de fechamento plantar do cuneiforme medial para supinação rígida; e alongar o tendão calcâneo ou o gastrocnêmio, o que é quase sempre necessário. O enxerto consolida em cerca de 8 semanas, sem carga (p. 1479). O HEBERT descreve enxerto de até 1,5 cm, trapezoidal, e gesso por 6 semanas com 8 sem marcha.

O Tachdjian (p. 701 e 703) chama o alongamento da coluna lateral de o procedimento mais atraente para corrigir o pé plano sem sacrificar movimento: mesma técnica, pinos rosqueados como alças (o espaçador esmaga as corticais), gesso por 8 a 10 semanas, mais de 90% de resultados satisfatórios em séries curtas (dor medial aliviada, calos resolvidos, MEARY e talocalcâneo lateral restaurados, subtalar móvel) e 75% sem artrose no longo prazo. A imbricação medial com encurtamento do tibial posterior se faz junto, nunca isolada, porque estica com a carga (p. 703 e 704). Complicações (p. 706): pseudartrose ou deslocamento do enxerto, subluxação calcaneocuboide, recidiva; a pseudartrose com artrose calcaneocuboide pode acabar em tríplice.

RAGAB achou facetas anterior e média conjuntas em 46% dos calcâneos e acusou a osteotomia de ser intra-articular. MOSCA responde (p. 1479 e 1480): não há dado clínico de artrose subtalar; a osteotomia original de EVANS, paralela à calcaneocuboide, é que caía na faceta média; a artrose vista por PHILLIPS foi calcaneocuboide, talvez por falta do fio protetor; e a faceta anterior não sustenta a cabeça do tálus.

EVANS contra MOSCA (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1470 e 1474 a 1480; Tachdjian, cap. 19, p. 701 a 703; HEBERT, cap. 20.4)
ItemEVANSMOSCA
ideiacoluna lateral curta; igualara mesma, com a biomecânica do acetabulum pedis
incisãotransversa sobre os fibularesOLLIER modificada, oblíqua
osteotomia1,5 cm proximal, paralela à calcaneocuboide1,5 a 2 cm, oblíqua, entre as facetas anterior e média
enxertocorticoesponjosotricortical do ilíaco, trapezoidal
calcaneocuboidesem proteção (artrose em PHILLIPS)pino de STEINMANN
antepé supinadonão citadocunha plantar do cuneiforme medial
tríceps suralnão citadoalongar quase sempre
resultado17 de 23 bons em 13 anosmais de 90% satisfatórios a curto prazo (Tachdjian)

A cirurgia não termina no calcâneo

MOSCA adverte (p. 1470): o alongamento do calcâneo não corrige o pé plano; corrige o valgo do retropé. O antepé sempre está supinado; na criança costuma pronar sozinho depois da correção, mas no adolescente mais velho precisa da cunha plantar do cuneiforme medial na mesma anestesia. O Tachdjian (p. 706) diz que a supinação é desmascarada ao corrigir o retropé e que, se o primeiro raio ficar elevado na carga simulada, faz-se a osteotomia do cuneiforme. E a deformidade que criou a dor, o tendão calcâneo contraído, é tratada por recessão do gastrocnêmio ou alongamento do tendão calcâneo conforme o SILFVERSKIÖLD intraoperatório (Lovell and Winter, p. 1479); o Tachdjian (p. 700) manda sempre considerar a contratura em qualquer cirurgia de pé plano e testar muitas vezes depois da correção provisória do valgo, porque o retropé valgo mascara a contratura. O HEBERT lembra que se pode alongar o tendão conjunto distalmente ou só os gastrocnêmios proximalmente, que o excesso enfraquece o tríceps, e que o alongamento isolado é raro (criança pequena, deformidade leve, sem abdução).

GRICE: o pé plano paralítico

Cobrança confirmada · 1 questão

O GRICE não trata o pé plano idiopático; trata o pé plano valgo paralítico. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 36, Subtalar Arthrodesis), explica: sem tibiais anterior e posterior, fibulares e tríceps everte e desloca o calcâneo, o sustentáculo deixa de apoiar a cabeça do tálus, que cai em medial e equino, e o equinovalgo se fixa com o crescimento. GRICE e GREEN criaram a artrodese subtalar extra-articular para restaurar o arco entre 3 e 8 anos, ideal quando o valgo é da subtalar e o calcâneo pode ser reposto sob o tálus; contraindicada se o antepé não fica plantígrado.

A posição do pé

A eTécnica 36.2 descreve o passo que a questão cobra: o pé vai em equino e depois em inversão, para pôr o calcâneo sob o tálus; os leitos são preparados no tálus e no calcâneo, e os enxertos (tíbia proximal, fíbula ou crista ilíaca) são colocados no seio do tarso com o pé levemente hipercorrigido; depois se everte o pé para travar os enxertos, e o gesso longo mantém o tornozelo em dorsiflexão máxima e o pé corrigido. Ou seja, o enxerto é posicionado com o pé em varo.

O Tachdjian (cap. 31, p. 1445 e 1446) define o GRICE como enxerto estrutural numa canaleta no seio do tarso que eleva o tálus e corrige o valgo, sem ressecar cartilagem e, por isso, sem prejudicar o crescimento do tarso. GRICE teve 79% de satisfatórios, mas os resultados são imprevisíveis: BLECK pediu o enxerto vertical (compressão, não rotação); há 30% a 70% de maus resultados por tendão calcâneo não corrigido, hipercorreção em varo, valgo do tornozelo e pseudartrose; LEIDINGER viu 78% bons em 22,6 anos, mas o varo excessivo é mal tolerado. O Campbell confirma: as complicações mais comuns são varo e valgo do tornozelo por hipercorreção; DENNYSON e FULFORD acrescentaram um parafuso para não depender do enxerto. A contradição é aparente: posiciona-se levemente hipercorrigido para manter a correção, mas o varo final excessivo é a complicação. O HEBERT (cap. 20.6) lista GRICE e PISANI para o valgo da subtalar e EVANS para o valgo com abdução.

GRICE e GREEN (Campbell 15, cap. 36 e eTécnica 36.2; Tachdjian, cap. 31, p. 1445 e 1446; HEBERT, cap. 20.6)
ItemDado
indicaçãoequinovalgo paralítico, valgo na subtalar, calcâneo redutível
idade3 a 8 anos
contraindicaçãoantepé que não fica plantígrado
posição ao colocar o enxertoequino e inversão; levemente hipercorrigido (varo); everter para travar
enxertotíbia, fíbula ou ilíaco; vertical (BLECK)
vantagemextra-articular, sem prejuízo do crescimento
complicaçõesvaro por hipercorreção, valgo do tornozelo, pseudartrose
alternativasDENNYSON e FULFORD, PISANI, EVANS, tríplice

Diferencial no recém-nascido: calcaneovalgo e tálus vertical

Fundamento

O Tachdjian (cap. 19, p. 696) manda, diante do calcaneovalgo, excluir tálus vertical, encurvamento posteromedial da tíbia e displasia do quadril. O prognóstico é excelente: normaliza em 3 a 6 meses, só os graves precisam de gesso; há correlação com um plano hipermóvel sintomático mais tarde. O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1499): benigno, cirurgia nunca. O HEBERT (cap. 20.4): 30% a 50% dos recém-nascidos, dorso do pé encosta na tíbia, flexão plantar e inversão fáceis.

O tálus vertical congênito tem retropé fixo em equino, antepé abduzido e dorsifletido, rígido: a deformidade em mata-borrão, com metade associada a síndromes ou doenças neurológicas (HEBERT). O Tachdjian (p. 744) descreve o tálus oblíquo: navicular subluxado em pé e reduzido em flexão plantar máxima. E avisa que, na idade da marcha, o pé plano com tendão curto pode ser confundido com tálus vertical; mas no pé plano a talonavicular reduz com a flexão plantar, o navicular nunca está luxado de fato e o valgo reduz com a inversão. MOSCA (Lovell and Winter, p. 1458) organiza tudo como um espectro de rigidez: num extremo, o tálus vertical (subtalar não inverte, tálus em flexão plantar máxima mesmo dorsifletindo o tornozelo); no outro, o plano flexível sem contratura (subtalar inverte além do neutro, tornozelo dorsiflete acima do neutro); no meio, o plano com tendão curto (inverte além do neutro, mas não dorsiflete por completo) e, mais perto do vertical, o oblíquo. O diagnóstico do vertical se faz no perfil em flexão plantar e em dorsiflexão máximas; não tratado, a cabeça do tálus vira superfície de carga e a marcha lembra a de uma amputação de SYME (p. 1459 e 1460).

Espectro do pé valgo (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1458 a 1460; Tachdjian, cap. 19, p. 696 e 744; HEBERT, cap. 20.4)
CondiçãoSubtalarTornozelo e tálusNavicularConduta
calcaneovalgoflexíveldorso encosta na tíbianormalobservar, 3 a 6 meses
plano flexívelinverte além do neutrodorsiflete acima do neutroreduzeducar
plano com tendão curtoinverte além do neutronão dorsiflete por completodorsal em pé, reduz em flexão plantaralongar; cirurgia se dor
tálus oblíquoinverte quase até o anatômicotálus dorsiflete em partereduz em flexão plantar máximaintermediário
tálus verticalnão inverteequino fixoluxado, não reduztratamento próprio

Diferencial na criança maior: pé plano rígido e coalizão

Fundamento

O Tachdjian (cap. 19, p. 748) diz que o achado predominante da coalizão é a diminuição do movimento subtalar num paciente com pé plano: inversão e eversão limitadas, às vezes travadas por espasmo fibular; o retropé não inverte na ponta dos pés; e andar na borda lateral do pé é impossível. A frase que fecha o diferencial: a coalizão se distingue facilmente do pé plano flexível pela amplitude de movimento do retropé; o flexível tem inversão e eversão completas ou excessivas, com no máximo leve restrição se o tendão for curto. As coalizões são bilaterais em 50% a 60%. O HEBERT faz da coalizão a causa mais frequente do pé plano fibular espástico; o Lovell and Winter (p. 1463 e 1465) a põe como causa do tipo rígido e pede oblíqua e axial no rígido. O resto está em campbell15-coalizoes-tarsais.

Pé plano flexível contra rígido (Tachdjian, cap. 19, p. 697 a 699 e 748; Lovell and Winter, cap. 29, p. 1463 e 1465; HEBERT, cap. 20.4)
AchadoFlexívelRígido (coalizão)
arco sem cargapresenteausente ou pouco
ponta dos péscalcanhar variza, arco voltanão variza
JACKpositivonegativo
inversão e eversão passivascompletas ou excessivaslimitadas, espasmo fibular
andar na borda lateralpossívelimpossível
radiografiaAP e perfil com carga, se indicadamais oblíqua, axial e tomografia

O navicular acessório

Possível cobrança

O Lovell and Winter (cap. 29, p. 1390 e 1391) define o navicular acessório como aumento plantomedial do navicular, ossículo separado ou aumento sólido (os tibiale externum). É o osso acessório mais comum do pé, em 4% a 14% da população, frequentemente bilateral e mais comum no sexo feminino. Pode coexistir com pé plano flexível, mas não há evidência de causa e efeito; a cirurgia de KIDNER (retirar e avançar o tibial posterior) partia da teoria muscular do arco, já refutada. Para separar a proeminência da cabeça do tálus, inverte-se e everte-se a subtalar com o polegar sobre ela: se move, é navicular acessório; se fica parada, é a cabeça do tálus. O típico é uma adolescente ativa com trauma menor, dor, calo e vermelhidão; a dor vem de microfraturas na sincondrose, pressão na pele ou tendinite do tibial posterior. Pode ser preciso uma oblíqua lateral. A maioria é assintomática; trata-se com ajuste do sapato, órtese e gesso por 4 a 6 semanas; falhando, excisão simples com raspagem do navicular dá 90% ou mais de bons resultados. O Campbell 15 (cap. 88) liga o navicular acessório à insuficiência do tibial posterior do adulto.

Tipos de navicular acessório (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1391)
TipoDescriçãoSintomas
Isesamoide do tamanho de uma ervilha dentro do tendão tibial posteriorraramente sintomático
IIossículo em projétil unido à tuberosidade por sindesmose ou sincondroseo mais sintomático
IIInavicular grande em chifre, provável fusão de um tipo IIproeminência

Skewfoot e o pé plano do adulto

Possível cobrança

O skewfoot soma adução do antepé, valgo do retropé e subluxação lateral do navicular (pé em S, serpentina ou em Z), sem critério que o separe do pé plano ou do metatarso aduto (Tachdjian, cap. 19, p. 706). Na criança maior e no adolescente aparece o tendão calcâneo curto, com sintomas idênticos aos do pé plano com tendão curto (dor e calo sob a cabeça do tálus), e órteses rígidas devem ser evitadas porque aumentam a pressão ali (Lovell and Winter, cap. 29, p. 1502 e 1504).

O Campbell 15 (cap. 88, p. 3811 e 3812) separa o pé plano flexível, simétrico, com tibial posterior funcionando, ligado à morfologia e menos sintomático, do pé plano adquirido do adulto, assimétrico, com instabilidade peritalar; o flexível, porém, pode evoluir para disfunção tendínea e dor. O detalhe do adulto está em campbell15-pe-plano-adulto.

Fechamento

Fundamento

O pé plano flexível é uma forma normal de pé, quase universal no lactente, que melhora sozinha na primeira década e não responde a palmilha, sapato nem exercício. O diagnóstico é clínico: o arco que some com a carga volta sem carga, na ponta dos pés (calcanhar de valgo a varo) e no JACK, pelo molinete da fáscia plantar. A deformidade tem três planos: retropé valgo, sag do mediopé e antepé supinado em relação ao retropé. A radiografia não diagnostica nem indica tratamento; exclui coalizão, tálus vertical e navicular acessório e mede o MEARY quando há cirurgia.

O tipo que dói é o com tríceps sural curto, que o SILFVERSKIÖLD separa em gastrocnêmio ou sóleo; trata-se primeiro com alongamento, e o suporte rígido piora o calo sob o tálus. A cirurgia é rara e poupa articulações: alongamento da coluna lateral de EVANS refinado por MOSCA, deslizamento medial do calcâneo, recessão do gastrocnêmio ou alongamento do tendão calcâneo, cunha plantar do cuneiforme para a supinação residual. As artrodeses saíram pela artrose vizinha; a artrorrise bloqueia temporariamente a subtalar, com complicações e sem resultados longos.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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