Orto Questões

Metatarsalgia e neuroma de MORTON

Pé e tornozeloResumo do capítulo36 min de leitura

Metatarsalgia é dor sob as cabeças, 8 mulheres para 1 homem, 92% mecânica; ESPINOSA divide em primárias (comprimento, flexão excessiva, insuficiência do primeiro raio por hipermobilidade da primeira metatarsocuneiforme, braquimetatarsia ou pé plano, equino do antepé), secundárias (hálux rígido, instabilidade, neuroma, FREIBERG) e iatrogênicas; palmilhas de VALENTI com retângulos de espuma de densidades variáveis do colo à base da falange, revisadas a cada 6 a 8 meses; a placa plantar é a primeira estrutura a falhar na instabilidade da segunda metatarsofalângica e COUGHLIN, BAUMFELD e NERY graduam de 0 a 4 (3 = deformidade dorsal com sobreposição e articulação luxável); turf toe é lesão da placa do hálux por carga axial com antepé dorsifletido; WEIL recua a cabeça (Campbell 3 a 8 mm, HEBERT não mais que 3 mm); garra tem MTF estendida e IFD fletida, martelo é IFP fletida, taco é IFD fletida; FREIBERG é mais em meninas, na cabeça do segundo metatarso, após os 13 anos; neuroma interdigital é degenerativo, no terceiro espaço, 8:1 em mulheres, MULDER não basta sozinho, ressecção 3 cm proximal ao ligamento intermetatarsal.

Atualizado em 03/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 89 · Lesser Toe Abnormalities and Disorders of Nails, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com Ortopedia e Traumatologia (Sizinio HEBERT), 5ª ed. (cap. 21.5) e o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 19). Autores do capítulo: G. Andrew MURPHY (cap. 89); Carson M. RIDER (cap. 92).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de pé e tornozelo do Campbell, capítulo 89, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 89 (Lesser Toe Abnormalities and Disorders of Nails) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), escrito por G. Andrew MURPHY, com a seção de neuroma interdigital do capítulo 92 (Carson M. RIDER), trechos dos capítulos 87, 93 e 34, o capítulo 21.5 (Metatarsalgias) do Ortopedia e Traumatologia de Sizinio HEBERT, 5ª edição, e a seção de FREIBERG do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição. As páginas citadas são as impressas.

Metatarsalgia não é diagnóstico; é endereço. Diz onde dói (sob as cabeças dos metatarsos), não por quê, e o HEBERT sugere chamá-la de "síndrome dolorosa do antepé". O estudo pede um mapa das causas (ESPINOSA, fórmula metatarsal, marcha) e um raciocínio para separar dores vizinhas: a cabeça sobrecarregada, a metatarsofalângica instável, o nervo interdigital, a cabeça necrosada de FREIBERG e a fratura de estresse.

A prova cobra cinco blocos: a classificação e o conservador (ESPINOSA, VALENTI, calçado); a instabilidade da metatarsofalângica (placa plantar e estadiamento de COUGHLIN, BAUMFELD e NERY), o que mais cai; FREIBERG; a primeira metatarsofalângica (turf toe e sesamoides); e o neuroma interdigital, diferencial obrigatório. O exame físico do antepé (MULDER, gaveta) está no resumo do exame do pé e tornozelo do Campbell, e o primeiro raio tem resumo próprio (hálux valgo, cap. 87); aqui eles entram só no que explicam a dor do antepé.

A arquitetura do antepé: onde a carga cai

Fundamento

O arco transverso não existe em carga

O Ortopedia e Traumatologia (Sizinio HEBERT), 5ª ed., cap. 21.5, lembra que os três arcos de FARABEUF (1870) foram descritos em cadáver, sem carga. Em 1928, MORTON mostrou com o estaticômetro que o arco transverso só existe sem carga: em apoio, todas as cabeças tocam o solo. Essa observação sustenta toda palmilha moderna, porque tira o sentido de "levantar o arco" com um pelote atrás das cabeças.

Na tarsometatarsal, o segmento médio (segundo e terceiro metatarsos) é o mais fixo e o medial, o mais móvel. A inversão do retropé trava o conjunto (pé cavo, varo e rígido, alavanca de propulsão); a eversão destrava (plano, valgo e flexível). Os estabilizadores estáticos são as facetas, os ligamentos tarsometatarsais (frágeis no primeiro raio, onde o de LISFRANC prende a base ao cuneiforme medial), a fáscia plantar, principal estabilizador estático do arco longitudinal medial, e os intermetatarsais; os dinâmicos, tibial posterior, fibular longo, adutor do hálux e interósseos.

Guarde o segundo raio: frequentemente o mais longo e o menos móvel, não consegue fugir da carga. Ele reaparece no FREIBERG, na fratura de estresse do colo e na instabilidade da segunda metatarsofalângica.

Fórmula metatarsal e morfotipo harmônico

A fórmula metatarsal (HEBERT) é index plus quando o primeiro é maior; index plus-minus quando primeiro e segundo estão no mesmo plano frontal; index minus quando o primeiro fica atrás do segundo. MAESTRO descreveu o morfotipo harmônico, alvo de qualquer osteotomia: o centro do sesamoide fibular alinhado ao terço médio da cabeça do quarto metatarso, e as diferenças M2-M3, M3-M4 e M4-M5 em progressão geométrica de razão 2 (por exemplo 3, 6 e 12 mm).

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3878), traz a consequência clínica: a ideia de que o segundo metatarso longo causa instabilidade foi questionada, mas MANN achou associação entre a protrusão do segundo metatarso na radiografia e a ruptura da placa plantar. A medida de MORTON usa uma linha pelas superfícies articulares do primeiro e do terceiro; HARDY e CLAPHAM dão outro resultado. A correlação depende do método, e isso decide se o cirurgião encurta.

Fórmula metatarsal e morfotipo (HEBERT, 5ª ed., cap. 21.5; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, p. 3878)
ConceitoDefinição
Index plusPrimeiro metatarso maior que os demais
Index plus-minusCabeças do primeiro e do segundo no mesmo plano frontal
Index minusCabeça do primeiro atrás da do segundo
MAESTRO, nível 1Sesamoide fibular alinhado ao terço médio da cabeça do quarto
MAESTRO, nível 2M2-M3, M3-M4, M4-M5 em progressão de razão 2
Medida de MORTONLinha pelas superfícies de M1 e M3 para medir M2
HARDY e CLAPHAMMétodo alternativo, resultado diferente

Quanto peso cada cabeça carrega

O HEBERT conta uma história de erros corrigidos pela tecnologia. Em pé, 60% vão ao calcanhar, 32% ao antepé (28% nas cabeças, 4% nos dedos) e 8% ao mediopé (CAVANAGH). MORTON dividia o antepé em seis partes, cada sesamoide como uma cabeça; DICKSON e DIVELY defendiam o apoio trípode (calcâneo, primeira e quinta cabeças); STAMM e VILADOT punham toda a carga dinâmica no primeiro metatarso e VALENTI, metade. Os estudos eletrônicos derrubaram todos: CAVANAGH achou predomínio no segundo e no terceiro, e BETTS, na marcha, concentração nos três centrais com predomínio sob o segundo; o hálux participou de fato em só um terço dos normais. Daí a regra: os raios mais acometidos pela hiperpressão são o segundo e o terceiro.

A marcha e os três rockers

Fundamento

O HEBERT explica a metatarsalgia pela marcha, que é cíclica e repetitiva. A partir do choque do calcâneo: duplo apoio inicial (10%), com o primeiro rocker no calcanhar e o pé pronado e destravado; apoio simples (20%), com o segundo rocker no tornozelo e o antepé travado; duplo apoio final (30%), com o terceiro rocker sob as cabeças e a carga no antepé 25% acima do peso do corpo; e oscilação (40%).

Cada rocker tem a sua dor. No primeiro, o antepé não apoia; só há metatarsalgia no equino grave ou no salto alto. No segundo, um agente que acentua a abóbada (doença neuromuscular, cavo idiopático, salto alto) projeta os metatarsos para plantar; os calos ficam restritos às cabeças sobrecarregadas, ovais, sem coalescer, porque não há componente propulsivo. No terceiro, pesa a fórmula metatarsal; é a fase da metatarsalgia mecânica mais frequente, com calos amplos, distais, elípticos e regionais, que não apontam uma cabeça só.

Metatarsalgia por fase da marcha (HEBERT, 5ª ed., cap. 21.5)
FaseDuraçãoMecanismoCaloOsteotomia sugerida
Primeiro rocker10%Só com equino grave ou salto altoNão típicoTratar a causa
Segundo rocker20%Abóbada acentuada, metatarsos projetados para plantarOval, restrito à cabeçaMACEIRA
Terceiro rocker30%Fórmula metatarsal, comprimentosAmplo, distal, regionalWEIL ou MACEIRA, mais WEIL

O exame procura todas as deformidades e o grau de redutibilidade, que decide o tratamento: mobilidade dos dedos, hálux rígido, hipermobilidade do primeiro raio, encurtamento do tríceps (SILFVERSKIÖLD), marcha com e sem calçado. A radiografia com carga é o começo, mas radiografia normal não afasta causa de metatarsalgia; os exames mais acurados são a baropodometria computadorizada e a análise da marcha.

Metatarsalgia: quem tem e de onde vem

Cobrança confirmada · 2 questões

Epidemiologia

O HEBERT, citando VILADOT, diz que a metatarsalgia é a causa mais frequente de dor nos pés: 80% da população terá dor ou calo no antepé. É doença do adulto, rara na criança, e predomina nas mulheres em 8:1, o que aponta para o salto alto e o bico triangular estreito. VILADOT atribui 92% às alterações biomecânicas; REGNAULD, 92% mecânicas e 8% não mecânicas. As formas são difusas (sem estrutura culpada isolada) ou localizadas. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3885), define a metatarsalgia como dor global no antepé metatarsal, perda do coxim gorduroso ou migração do coxim para distal da cabeça.

A classificação de ESPINOSA

O HEBERT apresenta como a mais atualizada a classificação de ESPINOSA. Primárias: patologias do próprio metatarso e das suas relações com o resto do pé. Secundárias: aumentam ou distribuem mal a pressão sem que o metatarso seja o culpado. Iatrogênicas: falhas de cirurgias anteriores. A lógica: nas primárias, o problema está no comprimento, na inclinação ou na mobilidade do osso; nas secundárias, outra estrutura doente (o hálux, a placa, o nervo, a cabeça necrosada) muda a carga.

Classificação de ESPINOSA para as metatarsalgias (HEBERT, 5ª ed., cap. 21.5, Quadro 21.5.1)
TipoCaracterísticaEtiologiaPatomecânica
PrimáriaDiscrepância de comprimentoCongênitaPressão sob a cabeça
PrimáriaFlexão excessiva dos metatarsosCongênita, neurológica (pé cavo), má consolidaçãoPressão sob a cabeça
PrimáriaInsuficiência do primeiro raioHipermobilidade da primeira metatarsocuneiforme, braquimetatarsia, pé planoTransferência para os vizinhos
PrimáriaEquino do antepéCongênito, pé cavo, contratura do trícepsPressão e hiperextensão das MTF
PrimáriaAnomalias das cabeçasCongênita, artrite, neoplasia, infecçãoPressão sob a cabeça
SecundáriaAlinhamento dos metatarsosTraumaPressão e transferências
SecundáriaHálux rígidoHereditariedade, osteocondrite, trauma, primeiro metatarso elevadoLimita a extensão da primeira MTF, supina o antepé e transfere
SecundáriaInstabilidade MTFArtrite reumatoide, gota, ruptura da placa plantarInstabilidade sagital e/ou coronal
SecundáriaDor neuropáticaNeuroma interdigital, túnel do tarsoNeuropatia compressiva
SecundáriaDoença de FREIBERGOsteonecrosePressão sob a cabeça
IatrogênicaFalha de cirurgia do antepéPseudartrose, consolidação viciosaEncurtamento, elevação ou flexão plantar

O ponto que decide a questão: braquimetatarsia e hipermobilidade da primeira metatarsocuneiforme estão juntas, como primárias, na insuficiência do primeiro raio, ao lado do pé plano. Primeiro raio curto ou móvel não carrega a sua parte, e a carga escorre para o segundo e o terceiro. Artrite reumatoide (instabilidade) e túnel do tarso (dor neuropática) são secundárias. Repare também que o quadro põe FREIBERG entre as secundárias, embora a cabeça necrosada seja do próprio metatarso.

Qual deformidade causa mais metatarsalgia

Na Tabela 21.5.1 do HEBERT (frequência segundo VALENTI), a primeira é a M23, dos raios centrais. O mecanismo: o salto alto produz leve cavismo dinâmico e projeta as cabeças centrais, e a câmara exígua sobre sola estreita inverte a concavidade do antepé, que se torna convexo, com o primeiro e o quinto raios insuficientes. A legenda da baropodometria a atribui ao "antepé triangular simples". Já a pan-metatarsalgia (M12345) vem do pé cavo balanceado, sobretudo o cavo anterior, ou da perda do coxim (diabetes, artrite reumatoide).

O resumo de pé cavo liga a mesma questão ao antepé cavo, porque calos sob as cabeças são o sintoma mais comum do cavo; o cavo dá metatarsalgia em quase todo portador, mas o antepé triangular dos raios centrais gera a metatarsalgia mais frequente da população.

Tratamento conservador: calçado e palmilhas de VALENTI

Cobrança confirmada · 2 questões

O calçado

O HEBERT (cap. 21.5) prefere o conservador: órteses, calçado, reabilitação das deformidades redutíveis, alongamento (intrínsecos, gastrossóleo, isquiotibiais) e desbridamento das hiperqueratoses, com a ressalva honesta de que não há evidência de eficácia para todos os tipos. Na frase em destaque, o calçado ideal tem câmaras anteriores amplas e acomodativas, solas rígidas e convexas e revestimento moldável; na M23, câmara larga e salto de até 3 cm; na pan-metatarsalgia, couro macio e salto de no máximo 3 cm. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3881 aprox.), para a sinovite da metatarsofalângica, pede sola rígida e uma placa de aço flexível (spring steel) na palmilha ou na sola para tirar a extensão do dedo; para o dedo em taco, calçado de profundidade extra.

Há divergência dentro do próprio HEBERT, que na M23 fala em sola flexível. A sola rígida protege a articulação que dói ao estender (instabilidade, hálux rígido, sinovite); a flexível basta quando o problema é só redistribuir a carga.

O contraforte, reforço posterior que abraça o calcanhar, aparece no HEBERT no pé reumatoide (cap. 21.6): contrafortes reforçados com fibra de vidro ou polipropileno controlam valgo e pronação leves, e o salto de THOMAS estabiliza o retropé. A ligação com a metatarsalgia é mecânica: o calcanhar contido impede o pé de escorregar para a frente e jogar as cabeças contra a câmara anterior, e deixa a palmilha agir sob a cabeça certa.

A palmilha de VALENTI

Antes de VALENTI usava-se o pelote retrocapital, um ressalto sob o colo para elevar o metatarso e descarregar a cabeça. O HEBERT (Quadro 21.5.2) explica por que ele só funciona em quem não anda: no fim do passo, os metatarsos ficam quase verticais, apoiados pelas cabeças, e o pelote no colo fica inativo justamente no momento de maior sobrecarga. VALENTI partiu de duas ideias: as metatarsalgias são em maioria dinâmicas, e há uma insuficiência propulsiva que deixa a carga tempo demais sob as cabeças.

A solução foram retângulos de espuma de borracha de densidades variáveis sob as metatarsofalângicas, para aumentar a pressão sob os metatarsos insuficientes e reduzi-la sob os sobrecarregados. Como os retângulos vão do colo até a base das falanges proximais, a cabeça segue protegida no fim do passo. A base é sempre fina e flexível, e aceita suportes de abóbada e cunhas do retropé e do antepé. As correções são de 1 em 1 mm, e as palmilhas devem ser revisadas a cada seis a oito meses, porque deformam e gastam.

A lógica do suporte: não se apoia a cabeça doente, apoiam-se as vizinhas. Na M2 isolada, por exemplo, vão suportes sob o primeiro, o terceiro e o quarto, e um suporte "completo" sob o quinto; o segundo fica livre. Cada suporte tem a largura da imagem radiográfica da cabeça e três vezes o seu comprimento, com 3 a 6 mm de altura.

Ordem de frequência das metatarsalgias e a órtese de VALENTI (HEBERT, 5ª ed., cap. 21.5, Tabela 21.5.1)
OrdemMetatarsalgiaContextoO que a palmilha faz
1M23Salto alto, antepé convexo, M1 e M5 insuficientesSuportes sob M1, M5 e às vezes M4
2M2 isoladaSobrecarga do segundoSuportes sob M1, M3, M4 e completo sob M5
3M3 isoladaSobrecarga do terceiroIgual à M2, suporte deslocado para M2
4M1 isoladaHálux rígido ou sesamoiditeRígido: vazio para o hálux e barra externa; sesamoidite: suporte para 4 a 5 mm antes dos sesamoides
5M15 (ou M145)Primeiro e quintoDescarga de M1 e barra de descarga em M5
6M12345Pé cavo anterior, perda do coximApoio metatarsal trapezoidal moldado sem carga
7M5Cavo levemente descompensado em varoBarra de descarga em M5, cunha pronadora
8M4 (ou M45)Rara, causas locaisSuportes baixos nas vizinhas

A barra metatarsal externa é semicilíndrica, de couro, colada à sola exatamente sob as cabeças, com 30 mm de largura e 10 mm de altura (HEBERT, para o hálux rígido): ajuda o desprendimento do passo sem estender os dedos; a sola rígida tem o mesmo efeito. Na pan-metatarsalgia, o apoio metatarsal de VALENTI (Quadro 21.5.3) substitui o pelote: trapezoidal, base maior anterior, alturas maiores proximal e medial, moldado com o pé sem carga. O Campbell usa barras ou coxins no FREIBERG e no neuroma. O HEBERT fecha com realismo: no adulto maduro, a palmilha compensa, mas raramente cura.

Instabilidade da metatarsofalângica e a placa plantar

Cobrança confirmada · 3 questões

Quem tem e por quê

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3878 a 3879 aprox.), descreve um espectro da sinovite à luxação e à deformidade crônica (martelo, garra, dedo cruzado), sobretudo no segundo dedo, frequente em mulheres acima de 50 anos com salto alto e bico apertado e em atletas com hiperextensão crônica. O hálux valgo acompanha muito, mas as causas mais prováveis são alterações atritivas do colateral lateral, da cápsula e da placa plantar por sinovite crônica, e não a pressão do hálux; somam-se a sinovite das artrites sistêmicas, as doenças neuromusculares e a ruptura traumática aguda.

Quem estende e quem flete

O extensor longo é a força extensora mais potente, por uma tipoia que se prende à placa e à cápsula; ele só estende as interfalângicas com a metatarsofalângica neutra ou fletida, e com o dedo mantido em extensão (salto alto) vira força deformante. A flexão é dos intrínsecos. O segundo dedo tem dois interósseos dorsais e nenhum plantar; a linha de tração passa plantar ao centro de rotação, mas, com a extensão crônica, passa a dorsal e os interósseos viram força de subluxação dorsal. O lumbrical, medial ao eixo, age como adutor sem oposição (o desvio medial do dedo cruzado) e perde a função flexora na extensão crônica.

A placa plantar, primeira a falhar

Os estabilizadores estáticos são os colaterais e a placa plantar, e a placa fornece a maior parte da estabilidade (p. 3879 aprox. a 3880). Ela nasce fina no periósteo da metáfise e se insere firmemente, como fibrocartilagem, na base da falange proximal; mede cerca de 2 cm por 1 cm, com 2 a 5 mm de espessura, bordas mais espessas, e recebe colaterais, fáscia plantar, bainha dos flexores, interósseos e o ligamento metatarsal transverso profundo.

Os números de cadáver parecem contradizer o que vem depois, e convém entendê-los: na estabilidade à translação dorsal, a placa contribuiu com 19 a 34% e os colaterais com 37 a 46%; a secção bilateral do ligamento metatarsal transverso profundo também desestabiliza. Cada colateral tem a porção própria (na falange) e a acessória (na placa), e a insuficiência do acessório dá a instabilidade mais grave.

A frase que virou questão é esta: "a placa plantar é a estrutura estabilizadora primária, a primeira a falhar" (p. 3880). Os colaterais falham depois e somam o desvio transverso ao sagital. A sinovite e o derrame degeneram sobretudo o colateral lateral e a placa, e a ruptura atritiva ocorre principalmente na inserção plantar na falange. A placa tem vascularização aumentada perto dessa inserção, o que sugere capacidade de cicatrizar após o reparo.

Clínica, exame e imagem

A história é de metatarsalgia insidiosa, pior com salto alto (p. 3880). Pode haver sintoma neurítico no segundo espaço, e o Campbell insiste: essa dor é muito mais provavelmente da metatarsofalângica do que de um neuroma. No exame, o edema apaga o contorno do extensor longo, há derrame, dor dorsofibular ou na placa logo proximal à cabeça, e flexão limitada. O sinal mais consistente é a gaveta positiva (LACHMAN da metatarsofalângica); gaveta positiva com desvio da terceira metatarsofalângica sugere ruptura de alto grau da placa da segunda. O teste do papel (paper pull-out) é positivo quando o dedo não segura uma tira de papel contra o solo.

O diagnóstico é principalmente clínico. A RM com bobina pequena tem sinais indiretos, como o sinal do pseudoneuroma; o ultrassom teve sensibilidade comparável (96% contra 87% da RM), melhor se dinâmico, e o achado mais frequente é um defeito hipoecoico na placa.

O estadiamento de COUGHLIN, BAUMFELD e NERY

O Campbell reproduz na Tabela 89.1 o estadiamento clínico de COUGHLIN, BAUMFELD e NERY (2011). Memorize as duas colunas que andam juntas: alinhamento e gaveta.

Estadiamento clínico da instabilidade metatarsofalângica (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, Tabela 89.1, de COUGHLIN, BAUMFELD e NERY)
EstágioAlinhamentoExame físico
0Sem desalinhamento; fase prodrômica com dorDor, edema, preensão diminuída, gaveta negativa
1Leve; alargamento do espaço interdigital, desvio medialDor, edema, preensão diminuída, gaveta levemente positiva (menos de 50%)
2Moderado; desvio medial, lateral ou dorsal; hiperextensãoEdema diminuído, sem preensão, gaveta moderadamente positiva (mais de 50%)
3Grave; deformidade dorsal, dedos podem se sobrepor, possível marteloDor articular e do dedo, sem preensão, luxável na gaveta
4Grave; luxação, martelo fixoSem preensão, dedo luxado

Duas armadilhas. O alargamento do espaço e o desvio medial são do grau 1, leve; a hiperextensão com desvio em qualquer direção é do 2; o 3 é o primeiro grave, com a deformidade dorsal e a sobreposição. E "luxável" (a gaveta luxa) é o 3, enquanto "luxado" é o 4. Não confundir com a graduação anatômica da ruptura vista na cirurgia de COUGHLIN (p. 3883 aprox.), em que rupturas transversas são graus 1 e 2 e longitudinais, grau 3.

Tratamento

Com sinovite e pouca deformidade, uma única infiltração intra-articular de corticoide, anti-inflamatório, suporte metatarsal, enfaixamento em neutro e sola rígida podem resolver (p. 3881 aprox.). O livro registra que não houve diferença significativa entre operados e não operados, mas o conservador pode não bastar com deformidade ou instabilidade importante.

O algoritmo cirúrgico segue a gravidade. Sinovite crônica sem instabilidade: alongamento do extensor longo, capsulotomia dorsal e sinovectomia, ressecando um neuroma do segundo espaço se houver dor neurítica. Subluxação acima de 50%: acrescentar estabilização. O reparo da placa por via dorsal é o preferido dos autores (80% bons a excelentes), com o ponto em colchoeiro horizontal, mais resistente que o luggage-tag.

A WEIL corrige o que muitas vezes é o problema de base (o comprimento) e expõe a placa, mas não se deve encurtar demais, porque isso tira a tensão do reparo; tirar uma fatia e restaurar quase todo o comprimento basta (p. 3882). Na técnica de COUGHLIN, a cabeça recua cerca de 10 mm para expor a placa e é reduzida encurtando só 1 a 2 mm, com o dedo em 15° de flexão plantar (p. 3883 aprox.). Associar avanço da placa à WEIL, mesmo sem ruptura evidente, deu escores melhores. A transferência flexor-extensor serve à luxação grave com pouca placa; para o dedo cruzado, o extensor curto passado sob o ligamento intermetatarsal ou o flexor longo. As osteotomias distais percutâneas servem aos graus 0 a I redutíveis, com menos complicações (2,9% de metatarsalgia), mas não ao grau III rígido (p. 3884 a 3885 aprox.). E o aviso do livro: em cirurgia dos dedos menores, o aconselhamento sobre expectativas é obrigatório.

No desvio axial (p. 3885), o medial é o do dedo cruzado e o valgo do segundo dedo acompanha o hálux valgo; deixar o dedo menor sem correção pode fazer o hálux valgo recidivar. O extensor curto sob o ligamento metatarsal transverso corrige o varo, mas exige ligamento intermetatarsal competente, e o encurtamento do metatarso impede essa transferência; KLINGE modificou a WEIL para deslocar a cabeça no plano coronal.

A primeira metatarsofalângica: turf toe e sesamoides

Cobrança confirmada · 2 questões

Turf toe é a placa plantar do hálux

O turf toe está para o hálux como a instabilidade está para o segundo dedo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 93, p. 4129 aprox.), define: a hiperextensão que não chega a luxar produz uma entorse da primeira metatarsofalângica, lesão atlética que ocorre com carga axial sobre o antepé em dorsiflexão. Grau 1: estiramento mínimo, dor plantar e medial; grau 2: ruptura parcial da placa plantar, equimose, claudicação; grau 3: ruptura completa da placa, às vezes com fratura do sesamoide ou diástase do bipartido, sem apoio.

A radiografia pode mostrar avulsão da falange, fratura do sesamoide ou migração proximal dos sesamoides, que se vê melhor comparando com o outro pé; 3 mm de diferença na distância sesamoide-falange em dorsiflexão sugerem lesão de três dos quatro ligamentos do complexo; a RM mostra a placa. Graus 1 e 2 são conservadores, com placa rígida de carbono; o grau 3 começa com imobilização e raramente é operado (p. 4130). No reparo, se o defeito for grande, transfere-se o abdutor do hálux. A recuperação leva 6 a 12 meses, e 50% ficam com alguma dor e rigidez.

Os sesamoides

O sesamoide tibial (medial) é o mais lesado, porque é maior e fica mais diretamente sob a cabeça (Campbell, cap. 93, p. 4131 aprox.); o HEBERT concorda (lesões do esporte): o medial é o mais afetado pelas fraturas de estresse, que evoluem muito para retardo e pseudartrose e podem se ligar à hiperdorsiflexão do turf toe. Multipartidos aparecem em 5 a 30% dos assintomáticos; a fratura divide o osso em partes parecidas, de bordas irregulares, e o bipartido tem um fragmento maior e outro menor, de bordas lisas.

A fratura pouco desviada ou de estresse vai a gesso com placa para os dedos por 3 a 4 semanas e depois placa de carbono com recorte (dancer's pad); desvio acima de 5 mm com fragmentos iguais pede fixação. Na falha, há excisão completa, excisão do fragmento menor do bipartido ou enxerto (ANDERSON e McBRYDE). O tibial aumenta o braço de alavanca do flexor curto, e reparar o flexor curto é crucial. As complicações espelham a anatomia: hálux varo após retirar o fibular, hálux valgo após retirar o tibial (Campbell, p. 4133 aprox.); o HEBERT repete o raciocínio no pé diabético. Para a queratose sob o tibial, MANN e DuVRIES ressecam ou raspam a metade plantar do sesamoide (cap. 89, p. 3915 aprox.).

As vias e os nervos em risco

Para o sesamoide tibial (Campbell, cap. 87, p. 3804), a incisão mais plantar arrisca o ramo digital próprio do plantar medial para a polpa medial do hálux; a medial na linha média é plano internervoso. Para o sesamoide fibular, além da via dorsal do McBRIDE, há a via plantar (p. 3805): incisão longitudinal na planta, de 1 a 1,5 cm distal à metatarsofalângica e 3,5 a 4 cm para proximal entre o primeiro e o segundo metatarsos, evitando o flexor longo e o feixe neurovascular do primeiro espaço, afastado para lateral.

Dedos menores: martelo, garra e taco

Fundamento

As definições

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3892), define o martelo como flexão da interfalângica proximal de um dedo menor, fixa ou flexível; se grave e antiga, a metatarsofalângica deforma em extensão. A garra difere em três pontos: é frequentemente neuromuscular e atinge todos os dedos (o martelo, um ou dois); tem sempre extensão da metatarsofalângica (o martelo, pode ou não); e tem frequentemente flexão da distal (o martelo, em geral não). O taco (mallet) é a flexão da interfalângica distal (p. 3904). O HEBERT lembra que martelo, garra e taco de golfe perpetuam a má distribuição de carga.

Martelo, garra e taco (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, p. 3892 a 3904)
CaracterísticaMarteloGarraTaco
DeformidadeIFP em flexãoMTF em extensão, interfalângicas em flexãoIFD em flexão
MTFExtensão pode ou não existirExtensão sempreNormal
IFDEm geral sem flexãoFrequentemente fletidaFletida
DedosUm ou doisFrequentemente todosMais o segundo, o mais longo
Causa típicaCalçado apertado, segundo raio longo, hálux valgoDoença neuromuscular, perda intrínsecaDedo longo em bico curto; diabetes
CaloDorso da IFPSob as cabeçasPonta do dedo (end corn)

Os mecanismos

Na garra (p. 3893 aprox.), os interósseos passam plantares ao eixo da metatarsofalângica e a fletem; sem eles, o extensor longo estende a metatarsofalângica e o flexor longo flete as interfalângicas, e com a metatarsofalângica estendida o extensor perde excursão e não estende mais as interfalângicas. A metatarsofalângica estendida empurra as cabeças contra o solo, e daí a ligação com a metatarsalgia. O martelo, ao contrário, em geral não tem desequilíbrio intrínseco: os intrínsecos ficam silenciosos nos primeiros 35% da marcha e em pé, e o martelo piora justamente em pé. As causas são calçado apertado, "dedo de dois ossos", segundo raio longo, hálux valgo empurrando o segundo dedo, colagenoses e trauma. O taco ocorre mais no segundo dedo, o mais longo, que flamba contra o bico curto; o extensor terminal atenua e o flexor longo fixa a flexão. É comum no diabético neuropata, em quem o calo de ponta ulcera antes de ser percebido.

O martelo dói em três pontos: dorso da interfalângica proximal (calo duro, o mais comum), ponta do dedo (end corn) e sob a cabeça quando a falange sublua dorsalmente.

O tratamento

O conservador do martelo é decepcionante: manipulação e enfaixamento que impedem a extensão da metatarsofalângica às vezes corrigem a proximal recente, mas a recidiva é provável (p. 3893 aprox.). Só se opera dedo sintomático.

Na deformidade leve (sem contratura fixa) do jovem, a transferência do flexor longo para o extensor (GIRDLESTONE, TAYLOR), mais confiável em pés planovalgos ou normais que cavos, com menos de 30 anos e metatarsofalângica que flete além do neutro (p. 3894). Na moderada (contratura fixa da proximal, metatarsofalângica livre), ressecção da cabeça e do colo da falange proximal com dermodese; o autor prefere não artrodesar, porque o paciente gosta de manter algum movimento, e não houve diferença entre ressecção e artrodese. Na grave (extensão fixa da metatarsofalângica), soma-se alongamento em Z do extensor longo (8 a 12 mm), tenotomia do curto, capsulotomia dorsal e secção dos colaterais até, mas não através, da placa (p. 3898 a 3900). Com luxação, descomprime-se no lado metatarsal (artroplastia da cabeça ou WEIL), e não ressecando a base da falange, que é difícil de manter e gera calo plantar lateral.

Procedimentos para os dedos menores (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, Tabela 89.2, p. 3894)
DeformidadeCaracterísticaTratamento
Martelo flexívelSem contratura fixaEm geral conservador; raramente transferência do flexor longo
Martelo fixo com extensão fixa da MTFContratura da IFP; MTF em extensãoCôndilos da falange proximal, dermodese, alongamento do extensor longo, tenotomia do curto, capsulotomia, colaterais
Martelo fixo com subluxação da MTFContratura da IFP; MTF subluxadaReparo da placa plantar após WEIL
Dedo cruzadoMTF subluxada em varo ou valgoCôndilos, dermodese, reparo colateral e capsular, transferência do extensor curto
TacoContratura fixa da IFDCôndilos da falange média, dermodese, tenotomia do flexor longo

No taco (p. 3904), coxins funcionam mal; ajudam calçado de profundidade extra e um apoio sob os dedos. As cirurgias são a tenotomia do flexor na prega da distal, a ressecção da falange média com dermodese e a amputação da metade distal da falange distal com a unha (SYME terminal). No idoso e no diabético, a tenotomia percutânea no consultório basta e previne úlcera.

O Box 89.1 (p. 3894) lista por que a cirurgia falha: duas ou mais comorbidades aumentam infecção e recidiva; o segundo dedo falha mais; o desvio pré-operatório no plano transverso (não o sagital) prediz falha; e a cirurgia do primeiro raio associada protege (50%).

A cirurgia da metatarsalgia: WEIL e outras osteotomias

Fundamento

O alvo e a indicação

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3885), resume o objetivo: reduzir a pressão sob o metatarso por translação proximal e elevação da cabeça; a osteotomia distal controla melhor o recuo. As técnicas minimamente invasivas (DMMO: broca a 45° na junção epimetafisária, sem fixação) dão menos cicatriz e menos tempo cirúrgico. Ressecar a interfalângica proximal e liberar a metatarsofalângica (o tratamento da garra) também melhora a metatarsalgia.

O HEBERT (cap. 21.5) só opera depois de esgotar o conservador, com deformidade rígida e dor incapacitante, avisando que reintervenções não são raras. Deformidade redutível: tratar a deformidade principal. Rígida: corrigir a original e também mudar forma ou posição dos metatarsos. As osteotomias na base são as mais "efetivas", mas difíceis e lentas; a em V de ápice proximal sem fixação (atribuída a RIPPSTEIN, descrita por AIELLO) caiu em descrédito pelos desvios, calos e transferências, e as diafisárias estão quase fora de uso (DOCKERY). As distais, no colo, são as mais usadas.

A WEIL nos dois livros

A WEIL é um corte oblíquo, quase paralelo à planta, na cabeça e no colo, que deixa a cabeça recuar e a fixa com um parafuso. Como incorpora osso metafisário e transfere menos que as osteotomias de diáfise, o Campbell (p. 3914) a recomenda para a dor sob um segundo metatarso longo e para o comprimento excessivo com calo difuso. Os livros dão números diferentes, e essa é a divergência mais útil do tema.

Osteotomia de WEIL: Campbell e HEBERT (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, p. 3882, 3883 aprox. e 3903; HEBERT, 5ª ed., cap. 21.5)
PontoCampbellHEBERT
Início do cortePorção dorsal da cabeça; na técnica de COUGHLIN, 2 a 3 mm abaixo do topo da superfície articular2 mm da borda dorsal da superfície articular
PlanoParalelo ao soloO mais próximo da planta; paralelo puro é impossível (no mínimo 10°)
FatiaSegundo corte paralelo, 2 a 3 mmPode ressecar fatia para elevar mais
Recuo3 a 8 mm, para igualar os metatarsos2 a 4 mm; não encurtar mais que 3 mm
Com reparo da placaEncurtar só 1 a 2 mmNão discute
Pós-operatórioCarga em sapato rígido; tênis em 4 a 6 semanasConsolida em 3 a 4 semanas, deambulação precoce
ComplicaçõesDedo flutuante, recidiva, transferência (7 a 15%)Rigidez, dedo flutuante, perda de flexão

O HEBERT explica o dedo flutuante pela mecânica: como o corte nunca fica paralelo ao solo, a cabeça desce um pouco sempre que recua; o eixo da metatarsofalângica passa a ficar plantar aos lumbricais, que viram extensores, e o dedo sobe e perde força quando o encurtamento é exagerado. O Campbell previne com a fatia de osso, que impede a translação plantar excessiva, o reparo da placa, a transferência do flexor longo e, às vezes, fio transarticular de 0,062 polegada ou mais (p. 3903).

MACEIRA descreveu uma osteotomia tripla que eleva e encurta mantendo o fragmento coaxial, permite grandes encurtamentos, mas fixa e consolida com mais dificuldade. Pela marcha, o HEBERT indica MACEIRA no segundo rocker (metatarso fletido) e WEIL ou MACEIRA, com predomínio da WEIL, no terceiro (dismetria).

Calo plantar e pé reumatoide

Para a queratose plantar intratável, o Campbell (p. 3913 aprox.) separa: pequena e isolada, artroplastia (MANN e DuVRIES, sob o côndilo lateral de M2 a M5: 85 a 90% satisfeitos, perde cerca de 25% do movimento, transfere em menos de 5%); difusa com cabeça fletida, osteotomia de dorsiflexão; difusa com metatarso longo, encurtamento. Seja qual for a escolha, recidiva ou transferência em 10 a 15%. A cunha dorsal na base (p. 3914 a 3915 aprox.) pode levar 3 a 5 meses para consolidar, é difícil de controlar e encurta pouco. Na destruição reumatoide grave, o HEBERT faz o realinhamento de LELIÈVRE: ressecção oblíqua, em "bico de flauta", das cabeças do segundo ao quinto e artrodese da metatarsofalângica do hálux.

Doença de FREIBERG

Cobrança confirmada · 4 questões

O que é e por que no segundo metatarso

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 89, p. 3924), conta: em 1914, FREIBERG relatou seis "infrações" (fratura incompleta sem desvio) da cabeça do segundo metatarso, três com trauma, e atribuiu-as ao trauma agudo; em 1917, CAMPBELL descreveu a mesma lesão no terceiro. Como aparece sobretudo na segunda década e lembra as outras osteocondroses, é classificada entre elas: osteonecrose do esponjoso subcondral seguida de reparo. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 19, p. 690), lembra o nome europeu, segunda doença de KÖHLER.

O mecanismo do Campbell é o do segundo raio: frequentemente o mais longo e o menos móvel, ele sofre pressão excessiva, microfraturas repetitivas, perda da irrigação subcondral e colapso. O Tachdjian traz o contraponto de STANLEY: sem aumento de pressão na cabeça afetada, mas 85% dos metatarsos afetados eram os mais longos do pé.

Quem tem

O Tachdjian responde às perguntas de epidemiologia: adolescentes, em geral depois dos 13 anos, mais meninas que meninos. O Campbell diz segunda década e que 90% estão no fim da adolescência ou no início da vida adulta (p. 3926); o capítulo 34 (p. 1202) acrescenta que pode ocorrer no terceiro, quarto e quinto metatarsos em adolescentes.

Clínica e imagem

Dor na metatarsofalângica ao apoio, dor local, limitação de movimento e edema se houver sinovite (Campbell, p. 3924); o Tachdjian descreve dor plantar sob a cabeça do segundo e marcha antálgica com impulsão fraca. A sinovite prolongada limita sobretudo a extensão, e a carga passa a estressar a diáfise, que alarga por espessamento bicortical. A radiografia mostra achatamento e esclerose da cabeça, lucência, colapso e fragmentação; a cintilografia capta. HOGGETT propôs um estadiamento por TC com zona 1 dorsal e zona 2 plantar (p. 3925 aprox.).

Tratamento

A maioria se trata sem cirurgia (Campbell, p. 3924 a 3925 aprox.): modificação de atividade, órteses semirrígidas e barras metatarsais, bota gessada se falhar. O capítulo 34 avisa que a cirurgia não é recomendada na fase aguda, que dura de 6 meses a 2 anos (p. 1202).

As opções cirúrgicas formam uma lista que a banca adora transformar em certo ou errado. A evidência é fraca: uma revisão achou mais de 90% de alívio com as técnicas que preservam a articulação, e outra, mais recente, nenhuma evidência de alta qualidade para preferir preservar ou sacrificar. O transplante osteocondral teve escores iguais ou melhores que a cunha de dorsiflexão, com menos complicações. A preferência do Campbell é o desbridamento com remodelação da cabeça; com lesão limitada ao dorso na RM, a cunha de fechamento dorsal no colo, que gira a cartilagem plantar sadia para a zona de contato (CHAO: girar a lesão para proximal e dorsal, sem removê-la, preservando o comprimento). O autor evita ressecar a base da falange, que encurta muito o dedo no jovem. Alguma perda permanente de movimento é usual, e barras ou coxins seguem por 3 a 6 meses (p. 3926).

Tratamento cirúrgico da doença de FREIBERG (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, p. 3925 a 3927; Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., p. 690)
ProcedimentoAutorComentário
Ressecção da cabeçaGIANNESTRASRefratários; Tachdjian com interposição do extensor curto
Elevação do fragmento e enxertoSMILLIEPreserva a cabeça
Curetagem e enxerto esponjosoTACHDJIANDefendida pelo próprio TACHDJIAN
Base da falange com sindactilizaçãoTROTTEncurta o dedo; evitada no jovem
Cunha de fechamento dorsalGAUTHIER e ELBAY; CHAOLesão dorsal; gira a cartilagem plantar sadia
Desbridamento e remodelaçãoFREIBERG e MANNPreferido no Campbell
Transplante osteocondralDiversosIgual ou melhor que a cunha, menos complicações
Encurtamento do segundo metatarsoDiversosAlivia, mas deixa rigidez (Tachdjian)

Fraturas de estresse e braquimetatarsia

Relevância clínica

A fratura de estresse é o diferencial da dor que começa depois de mudar a atividade. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 93, p. 4123 aprox. a 4125 aprox.), diz que ela é mais comum em mulheres, sobretudo no início da menopausa, e em bailarinas, atletas de salto e corte, atletas amenorreicas e recrutas (a fratura de marcha); diabetes com neuropatia, artrite reumatoide e CHARCOT-MARIE-TOOTH também predispõem. O quadro típico é dor gradual no colo do segundo metatarso 2 a 4 semanas depois de iniciar corrida; a radiografia das duas primeiras semanas pode ser negativa, cintilografia ou RM ajudam, e o calo aparece em 4 a 6 semanas. O diferencial inclui a sinovite da metatarsofalângica vizinha. Na base do segundo, bailarinas curaram com repouso, e não bailarinos tratados sem cirurgia tiveram 50% de pseudartrose. A consolidação em dorsiflexão do segundo transfere carga para o terceiro, que passa a correr risco de fratura: uma metatarsalgia de transferência de manual.

A braquimetatarsia (Campbell, cap. 89, p. 3928) atinge mais o quarto raio, depois o primeiro e o quinto; é congênita ou por fechamento fisário precoce, e se associa a DOWN, APERT, ALBRIGHT, anemia falciforme, nanismo diastrófico e poliomielite. Raramente dói; a queixa costuma ser estética. A cirurgia é indicada com 10 mm ou mais de encurtamento; ganhos menores que 10 mm se fazem em um tempo, maiores por distração gradual. É a mesma braquimetatarsia que ESPINOSA põe entre as primárias.

Neuroma interdigital de MORTON

Fundamento

O nome está errado

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 92, p. 4033 aprox.), começa pela histologia: neuroma é termo incorreto, porque não há proliferação de axônios. O aumento vem da deposição de material hialino e colágeno; o processo é degenerativo, e por isso se propôs neurite ou neuralgia interdigital. A causa mais provável é o trauma repetitivo contra o ligamento metatarsal transverso profundo. A patologia mostra fibrose perineural, desmielinização, ausência de inflamação e tecido de bolsa frequente.

Onde e por quê

É o encarceramento do nervo interdigital junto à borda distal do ligamento metatarsal transverso, mais no terceiro espaço, depois no segundo. A explicação clássica é anatômica: no terceiro espaço, um ramo comunicante do digital comum do plantar lateral se junta ao digital comum do plantar medial, e o nervo mais grosso seria comprimido contra o ligamento rígido, dorsal a ele. O próprio livro a enfraquece: num estudo, o ramo comunicante faltava em 73% dos cadáveres, e os neuromas se dividiram quase igualmente entre segundo e terceiro espaços; a mobilidade da quarta tarsometatarsal não explica o segundo. O HEBERT (cap. 21.6) acrescenta outro mecanismo: a bursite intermetatarsal, com a bolsa dilatada comprimindo o nervo, dá sintomas de MORTON como sinal precoce da artrite reumatoide, e MORTON bilateral pede investigar causa sistêmica.

A clínica

A dor fica na região da cabeça do terceiro metatarso, em queimação, dolorida ou em câimbra; piora ao andar e melhora com repouso, ao tirar o sapato ou massagear. Dormência subjetiva é comum; perda objetiva, menos. Mulheres 8:1, em geral unilateral.

O exame começa excluindo a metatarsofalângica: LACHMAN, palpação dorsal e palpação sob a cabeça contra o espaço. Dor no espaço, e não sob a base da falange nem no lado dorsolateral da segunda metatarsofalângica, sugere neuroma. Depois, o clique de MULDER, palpável e audível, reproduzindo a dor ao apertar o espaço de baixo para cima e comprimir o antepé de medial para lateral. O clique aparece com frequência sem dor no pé assintomático, e por isso sozinho não é diagnóstico.

Dor no segundo e terceiro espaços: neuroma ou metatarsofalângica (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 89, p. 3880 e 3893; cap. 92, p. 4033 aprox.)
AchadoNeuroma interdigitalSinovite ou instabilidade da MTF
Espaço mais comumTerceiro, depois segundoSegunda MTF
Local da dorNo espaço interdigitalDorsofibular da MTF, sob a base da falange, placa
EdemaNão característicoPerda do contorno do extensor longo, derrame
Gaveta (LACHMAN)NegativaPositiva
MULDERClique que reproduz a dorAusente
ImagemRM e ultrassom de valor limitadoUltrassom (96%) e RM (87%) para a placa

As infiltrações diagnósticas extravasam para o espaço vizinho, RM e ultrassom têm valor limitado, e o diagnóstico continua clínico (p. 4035). Na placa é o contrário: a imagem é boa, e o sinal do pseudoneuroma lembra que a "imagem de neuroma" pode ser a articulação rota.

Conservador

Barras ou coxins metatarsais, corticoide no espaço e calçado de bico largo têm resultado imprevisível, mas justificam a tentativa (p. 4035). O corticoide repetido atrofia o coxim e pode romper a cápsula vizinha, com desvio do dedo. A alcoolização melhora no curto prazo, mas o longo prazo é ruim, e os autores não a usam; ondas de choque, radiofrequência, crioneurólise, hialurônico e capsaicina não têm validação. No texto online (p. 4035.e1), GURDEZI viu só 29% de melhora com corticoide em 61 meses e ESPINOSA, 22% com álcool.

A neurectomia

A excisão é o tratamento mais previsível: 80 a 95% ficam assintomáticos e satisfeitos (p. 4035). Podem restar dor plantar e limitação de calçado (MANN e REYNOLDS: 65% com alguma dor plantar), e outras causas de metatarsalgia não melhoram com a excisão. NERY, por via plantar, teve 89% de bons resultados em 7 anos.

O ponto técnico central é o nível de secção. Há ramos plantares do digital comum para o coxim, concentrados distalmente; se o nervo não for cortado bem proximal ao ligamento metatarsal transverso profundo, eles prendem o coto perto da cabeça, na área de carga, e os sintomas voltam. Na técnica dorsal de AMIS, o nervo é dissecado 3,0 a 3,5 cm proximal ao neuroma, o nível recomendado fica 3 cm proximal ao ligamento, na área sem carga, e o coto vai para dentro dos interósseos; na plantar, a ressecção fica 2 a 3 cm proximal ao ligamento.

O ligamento intermetatarsal divide os autores. Na via dorsal de AMIS, a liberação completa do ligamento é essencial, com cuidado com o lumbrical abaixo dele; na via plantar, o ligamento fica dorsal ao neuroma e incisá-lo é desnecessário; GAUTHIER fez neurólise epineural com liberação do ligamento, e 28% não melhoraram o suficiente. O Campbell conclui que a divisão do ligamento é controversa (não se sabe se deixa um metatarso "caído" ou abre o antepé) e não usa a endoscopia por falta de evidência.

Neurectomia interdigital: via dorsal e via plantar (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 92, p. 4035 a 4037 aprox.)
PontoVia dorsal (AMIS)Via plantar
IncisãoDorsal, 3 a 4 cm proximal ao espaço, medial aos extensoresPlantar longitudinal, 3 a 4 cm a partir do espaço
Ligamento intermetatarsalLiberação completa essencialIntacto; incisar é desnecessário
Nível de secção3 cm proximal ao ligamento2 a 3 cm proximal ao ligamento
ProblemasInfecção, nervo não achado, neuroma de cotoDor na cicatriz por semanas, pequenas queratoses
Neuroma recorrenteTambém citada como recomendadaRecomendada: nervo achado em tecido normal

O neuroma recorrente tem resultado pior (43% insatisfeitos num estudo). O Campbell recomenda a via plantar, que acha o nervo em tecido sadio e o segue até o coto, enquanto pela dorsal o coto se perde na cicatriz; poucas linhas adiante, porém, o mesmo texto diz que a via dorsal tem sido recomendada para o recorrente. A leitura coerente do capítulo, que traz até uma figura de incisão plantar para o recorrente, é que a plantar é a preferência do livro e a dorsal, uma opção citada da literatura.

Fechamento

Fundamento

A dor sob as cabeças tem um mapa. A carga cai sobretudo no segundo e no terceiro raios, os mais longos e menos móveis; por isso a metatarsalgia mais frequente é a M23, o FREIBERG escolhe o segundo metatarso, a fratura de estresse prefere o colo do segundo e a instabilidade começa na segunda metatarsofalângica. ESPINOSA separa o que é do próprio metatarso (primárias), o que vem de outra estrutura (secundárias: hálux rígido, placa, nervo, FREIBERG) e o que veio de uma cirurgia (iatrogênicas).

O conservador vem antes: câmara ampla, sola rígida, salto baixo, contenção do calcanhar e palmilhas de VALENTI, que apoiam as cabeças vizinhas e não a doente. A cirurgia recua e eleva a cabeça (WEIL, MACEIRA, DMMO) sem encurtar demais, para o dedo não flutuar. Na instabilidade, a placa plantar falha primeiro e COUGHLIN, BAUMFELD e NERY andam com a gaveta; no hálux, a mesma placa se rompe no turf toe. Martelo é a proximal, taco é a distal, garra é a metatarsofalângica estendida. E o neuroma é do terceiro espaço, da mulher, da dor que melhora ao tirar o sapato, com MULDER que só vale se doer e neurectomia bem proximal ao ligamento.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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