Orto Questões

Fraturas do retropé, mediopé e antepé

Pé e tornozeloResumo do capítulo36 min de leitura

Calcâneo por carga axial com o processo lateral do tálus como cunha; ESSEX-LOPRESTI (língua x depressão articular) e SANDERS na TC coronal (I sem desvio, II a IV pelo número de fragmentos da faceta posterior, letras de lateral para medial, III com 47% de artrodese); BÖHLER normal 25 a 40 graus, cai na fratura e fica normal quando só a metade lateral afunda (dupla densidade); GISSANE aumenta; BRODEN com rotação interna de 40 graus e feixe cefálico; seio do tarso em até 14 dias, acesso lateral extenso em 14 a 21 dias com sinal da ruga; língua com pele tensa é emergência; deiscência é a complicação mais comum; LISFRANC com 2º metatarso como pedra angular, sem ligamento entre as bases do 1º e do 2º, ligamento do cuneiforme medial à base do 2º, MYERSON A, B1, B2, C1, C2, fleck sign, radiografia com carga, coluna lateral com fios e sem artrodese; navicular de estresse sagital no terço central; cuboide em quebra-nozes; 5º metatarso em três zonas, JONES na zona 2 com parafuso intramedular no atleta.

Atualizado em 03/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 67 · Calcaneus Fractures; Capítulo 68 · Fractures and Dislocations of the Midfoot and Forefoot, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026), cap. 93. Autores do capítulo: Roy W. Sanders e Christopher D. Flanagan (cap. 67); Kaan Irgit, Thomas A. Schildhauer, Martin F. Hoffmann e Robert F. Ostrum (cap. 68).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de pé e tornozelo do Rockwood adulto, capítulo 67, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo junta os dois capítulos do pé do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed.: o cap. 67 (Calcaneus Fractures) e o cap. 68 (Fractures and Dislocations of the Midfoot and Forefoot), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 93) como segunda fonte. O tálus tem resumo próprio (rockwood10-66-talus) e não é repetido aqui.

O fio condutor é a ideia de colunas e pedras angulares: o calcâneo recebe a carga do tálus e quebra quando o tálus desce como cunha; o navicular é a pedra angular da coluna medial, o cuboide a da lateral e o 2º metatarso a do arco do LISFRANC; no antepé, protege-se a posição das cabeças e lembra-se a má irrigação da base do 5º.

O calcâneo: anatomia e mecanismo

Fundamento

Um osso de casca fina com quatro facetas

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 67, pág. PDF 3412) descreve o calcâneo como o maior osso do tarso, com quatro facetas: três superiores (posterior, média e anterior) que articulam com o tálus e uma anterior que articula com o cuboide (articulação calcaneocuboide, CC). A faceta posterior é a maior, oval e convexa no eixo longitudinal, com cavidade articular própria; ela se apoia numa condensação de osso denso, a porção talâmica, que se afina em direção ao seio do tarso.

A faceta média fica sobre o sustentáculo do tálus, que sustenta o colo do tálus, fica 2,5 cm abaixo da ponta do maléolo medial e se prende ao tálus pelo ligamento talocalcâneo interósseo (no canal do tarso) e pelo deltoide. Por baixo do sustentáculo corre o flexor longo do hálux, num túnel fibro-ósseo; é por isso que um parafuso lateral-medial mal direcionado pode lesar esse tendão.

O ângulo crítico de GISSANE é a expressão radiográfica de um pilar cortical espesso que vai do processo anterior à faceta posterior, na parte superior e lateral do osso, e que sustenta o processo lateral do tálus. O seio do tarso é o canal formado pelo sulco calcâneo, pela face inferior do tálus e pelo processo anterior; clinicamente é a depressão palpável anterior e distal à ponta do maléolo lateral.

Epidemiologia

É o osso do tarso mais fraturado (65% das lesões do tarso, 2% de todas as fraturas), com pico em homens de 20 a 29 anos, por queda de altura ou acidente (pág. PDF 3411). Cerca de 75% são intra-articulares; 25 a 50% têm lesões associadas, a coluna lombar em 6 a 20%; até 10% são expostas.

Como o tálus quebra o calcâneo

A fratura intra-articular é produzida por carga axial transmitida pelo processo lateral do tálus, que funciona como a "ponta em cunha" do arco longitudinal (pág. PDF 3412). Cerca de 50% da carga passa pelo calcâneo, e o tálus fica excêntrico, medial. No impacto, a tuberosidade sobe e a faceta posterior desce; o cisalhamento divide a faceta em fragmentos medial e lateral cujo tamanho depende da posição do pé.

ESSEX-LOPRESTI (pág. PDF 3413) descreveu um traço primário no ângulo de GISSANE, com a subtalar forçada em eversão. Um traço secundário decide o tipo: se a força for dirigida para trás, o traço sai atrás da faceta, e a faceta fica separada da tuberosidade (depressão articular); se a força for axial, com a contraforça do tendão calcâneo, o traço sai pela tuberosidade e a faceta fica presa a ela (tipo língua). CARR acrescentou que o retropé em valgo gera traço mais lateral e o retropé em varo, mais medial.

Depois do impacto, o fragmento articular afundado roda para a frente, num espaço quase sem osso esponjoso chamado triângulo neutro. Quando a força cessa, o fragmento sustentacular ("constante") sobe de volta, porque continua preso ao tálus; a metade lateral da faceta fica enterrada no corpo, sem inserções que a puxem (pág. PDF 3413).

Os fragmentos da fratura intra-articular (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 67, pág. PDF 3423)
FragmentoO que contémPor que importa
anterolateralparede lateral do processo anterior e parte da CCse não reduzido, artrose calcaneocuboide
anterior principalprocesso anterior e parte anterior do sustentáculoreferência para o comprimento
superomedial (sustentacular, "constante")parede superomedial; preso ao tálus pelo deltoidebase da reconstrução; pode rodar em varo
superolateral (semilunar, talâmico, cometa)parte lateral da faceta posterior, em média 40% delao que afunda e precisa ser levantado
parede lateralfina, cominutaafastada ou removida para ver a faceta
línguaparte do superolateral presa à tuberosidade e ao tendão calcâneoameaça a pele posterior
tuberosidade posteriorem cunha, sobe e cai em varoempurra o superolateral para valgo; reduzir antes

A imagem do calcâneo: BÖHLER, GISSANE e BRODEN

Cobrança confirmada · 2 questões

O que pedir

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 67, pág. PDF 3418) recomenda inicialmente o perfil do retropé, a axial de HARRIS e as incidências de BRODEN, além de AP, perfil, oblíqua e mortise do pé e tornozelo, e radiografias da coluna lombar e do calcanhar contralateral quando o mecanismo sugere. O Campbell (cap. 93, p. 4064) fala em cinco incidências: perfil, axial de HARRIS, AP e oblíqua do pé, e uma BRODEN.

O perfil e os dois ângulos

O perfil é a melhor incidência inicial: confirma a fratura, mostra a perda de altura, a depressão e rotação da faceta posterior, a diminuição do ângulo de BÖHLER e o aumento do ângulo crítico de GISSANE, e permite separar língua de depressão articular (pág. PDF 3418).

O ângulo de BÖHLER é formado por uma linha que vai do ponto mais alto do processo anterior ao ponto mais alto da faceta posterior e por outra que vai deste ponto ao ponto mais alto da tuberosidade. O normal é 25 a 40 graus, parecido com o do outro lado. A diminuição indica colapso da faceta posterior, mas também pode aparecer numa fratura extra-articular; houve correlação entre o BÖHLER pré-operatório e o resultado, embora questionada.

O detalhe que a banca adora: o BÖHLER só diminui se toda a faceta posterior estiver deprimida, rodada e separada do sustentáculo. Se o traço primário dividir a faceta em metades medial e lateral, a metade lateral afunda (é a que fica enterrada, como vimos no mecanismo), a medial continua presa ao tálus, e o perfil mostra duas densidades sobrepostas, o sinal da dupla densidade; nessa situação o BÖHLER fica provavelmente normal (pág. PDF 3418).

Quanto ao GISSANE, os dois livros conferidos dizem apenas que ele aumenta na fratura intra-articular; nenhum dos dois traz a faixa numérica normal. Uma alternativa que diga que GISSANE menor que o normal indica fratura vai contra o Rockwood.

A axial, o AP e a BRODEN

A axial de HARRIS mostra perda de altura, alargamento do calcâneo, rotação do sustentáculo e angulação em varo ou valgo da tuberosidade, mas costuma ser dolorosa no agudo. O AP do pé é a menos útil no agudo, mas mostra a extensão do traço à CC (até 48% dos casos) e o impacto subfibular.

A BRODEN é uma oblíqua do retropé para ver a faceta posterior (pág. PDF 3418): paciente supino, chassi sob a perna, perna em rotação interna de 30 a 40 graus, feixe centrado no ângulo lateral, quatro chapas com 40, 30, 20 e 10 graus de angulação cefálica, que mostram a faceta de anterior para posterior. A mortise do tornozelo pode servir de substituto inicial, e a BRODEN é a incidência da fluoroscopia intraoperatória, mas não substitui a TC.

O Campbell (cap. 93, p. 4064) descreve uma versão única: rotação interna da perna de 40 graus, tornozelo em neutro, feixe 10 a 15 graus cefálico, para avaliar a congruência da faceta posterior. Os dois livros concordam na essência: rotação interna e angulação cefálica.

A tomografia

Qualquer suspeita intra-articular pede TC (pág. PDF 3419). O coronal, perpendicular à faceta posterior, é o mais informativo (faceta, sustentáculo, tuberosidade); o axial mostra a CC; o sagital, depressão e rotação da faceta. Cortes de 3 mm; a 3D não melhora sobre a 2D.

Incidências do calcâneo (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 67, pág. PDF 3418 e 3419; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4064)
IncidênciaComo se fazO que mostra
perfil do retropéperfil verdadeiroaltura, BÖHLER (normal 25 a 40 graus), GISSANE (aumenta), língua x depressão, dupla densidade
axial de HARRISaxial do calcanharlargura, varo ou valgo da tuberosidade, sustentáculo; dolorosa no agudo
AP do péanteroposteriorextensão à CC (até 48%), impacto subfibular
oblíqua do péoblíquaprocesso anterior e CC (Campbell)
BRODEN (Rockwood)rotação interna de 30 a 40 graus; 40, 30, 20 e 10 graus cefálicosfaceta posterior de anterior para posterior
BRODEN (Campbell)rotação interna de 40 graus, tornozelo neutro, 10 a 15 graus cefálicoscongruência da faceta posterior
processo anteriorfeixe 20 graus superior e posterior ao mediopétira o processo anterior de cima do colo do tálus
TCcoronal perpendicular à faceta, axial, sagital, 3 mmclassificação de SANDERS e planejamento

A classificação: ESSEX-LOPRESTI e SANDERS

Fundamento

ESSEX-LOPRESTI, na radiografia

A classificação de ESSEX-LOPRESTI usa a radiografia e separa língua (faceta presa à tuberosidade) de depressão articular (faceta separada) (Rockwood, cap. 67, pág. PDF 3419). É confiável, mas prediz mal o resultado, e a "língua extra-articular" (SANDERS IIC) pode ter componente articular na TC (IIA ou IIB). ZWIPP somou pontos até 12, e SOEUR e REMY graduaram a compressão talâmica (pág. PDF 3420).

SANDERS, na tomografia

A classificação de SANDERS é a mais conhecida e usada (pág. PDF 3420). Ela olha só a faceta posterior, no corte coronal (com o axial), usando o tálus como referência para dividi-la em fragmentos lateral, central e medial; o Campbell (p. 4064.e1) acrescenta que o corte usado é o da parte mais larga da faceta. O numeral romano conta os fragmentos; as letras A, B e C dizem onde está o traço, de lateral para medial. Quanto mais medial o traço, mais difícil reduzir pelo lado lateral, porque o fragmento medial fica escondido sob o tálus.

Classificação de SANDERS (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 67, pág. PDF 3419 a 3423; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4064.e1 e 4066)
TipoFaceta posteriorImplicação
Isem desvio, qualquer número de traçostratamento não operatório
II (A, B, C)um traço, dois fragmentosredução aberta; menos de 20% de artrodese em 10 a 20 anos
III (AB, AC, BC)dois traços, três fragmentos, central deprimidomais difícil; 47,4% de artrodese; linha C pior
IVtrês ou mais traços, quatro ou mais fragmentosrestaurar a forma e artrodese primária; melhor preditor de síndrome compartimental (Campbell)
IICtraço contorna e poupa a facetaconsiderado extra-articular (língua)
IIBtraço entra na facetaintra-articular

O valor prognóstico vem do estudo do próprio SANDERS com 108 fraturas seguidas por 10 a 20 anos: o tipo III teve 6,5 vezes mais artrose subtalar avançada que o II; menos de 20% dos tipo II precisaram de artrodese subtalar contra 47,4% dos tipo III; e a presença de linha C (IIIAC ou IIIBC) piorou o prognóstico (pág. PDF 3420 e 3421). A confiabilidade é pior nos tipos intermediários (II e III).

Partes moles, lesões associadas e emergências

Relevância clínica

Flictenas e o sinal da ruga

As flictenas surgem em 24 a 48 horas (Rockwood, cap. 67, pág. PDF 3415); no calcâneo predominam as hemorrágicas, com mais cicatriz. Aspirar, destetar ou deixar íntegra dá o mesmo resultado. Se a incisão passa pela flictena, adiar a cirurgia até a pele enrugar (teste da ruga), o que leva 7 a 21 dias.

Síndrome compartimental

Depois de fratura de alta energia do calcâneo, a síndrome compartimental do pé ocorre em 10 a 50% (pág. PDF 3415). O dano neuromuscular irreversível pode começar em 3 horas; o diagnóstico é clínico, porque as medidas de pressão são imprecisas, e a dor intensa é o sintoma mais constante; também há tensão, fraqueza e alteração sensitiva plantar. As sequelas são dedos em garra, contraturas e déficit motor e sensitivo.

Os compartimentos do pé são 3, 4 ou até 9 conforme o autor (pág. PDF 3415; o cap. 68, pág. PDF 3552, cita 4 clássicos, 9 experimentais e 10 na RM). As duas incisões dorsais não alcançam o compartimento calcâneo; por isso se defende uma incisão medial plantar a partir da origem do abdutor do hálux. O Campbell (cap. 93, p. 4066) acrescenta que o SANDERS IV é o melhor preditor de síndrome compartimental.

Língua com pele tensa

A fratura tipo língua representa cerca de 15% das fraturas do calcâneo (pág. PDF 3416). O traço secundário sai por trás e divide a tuberosidade em fragmentos superior e inferior; o fragmento superior, puxado pelo gastrocnêmio-sóleo, sobe e estica a pele posterior. GARDNER viu necrose de pele em até 21% das línguas. Com pele tensionada, a regra é redução de emergência do fragmento da tuberosidade. O Campbell (p. 4076) lista quem tem mais risco: quem não se feriu por queda, fumantes, desvio maior e avaliação atrasada.

Fratura exposta

Até 10% são expostas (pág. PDF 3417 e 3418), muitas pela luxação talonavicular transcalcânea de RICCI (pé em flexão plantar no pedal de freio). Antibiótico venoso, lavagem e desbridamento a cada 48 a 72 horas; média de 2,8 procedimentos e amputação transtibial em 5 a 8%. O Campbell (p. 4066) lembra que a maioria é causada pela espícula do sustentáculo perfurando a face plantar medial, com infecção profunda de até 39%.

Tratamento do calcâneo: quando operar e por onde

Cobrança confirmada · 1 questão

Quem não opera

O Rockwood (cap. 67, pág. PDF 3425 e 3426) indica tratamento não operatório para fraturas sem desvio, extra-articulares com desvio menor que 1 cm, processo anterior com menos de 25% da CC e comorbidades graves (doença vascular periférica, diabetes mal controlado, tabagismo pesado, baixa demanda); sem carga no mínimo 6 semanas. O Campbell (p. 4066) acrescenta o membro insensível como contraindicação relativa forte à cirurgia aberta.

A comparação com a cirurgia

Os resultados não são unânimes (pág. PDF 3427). Uma metanálise encontrou 4,4 vezes mais artrodese subtalar precoce no grupo não operado. O ensaio canadense (262 não operados contra 249 operados pelo acesso lateral extenso) mostrou benefício cirúrgico em mulheres, jovens, trabalho leve, sem seguro de acidente de trabalho e reduções anatômicas, com 5,5 vezes mais artrodese nos não operados. Cerca de 15% acabam precisando de artrodese subtalar; se a redução foi anatômica, ela é in situ, mais simples que corrigir uma consolidação viciosa.

Indicações cirúrgicas

Intra-articular: desvio da faceta posterior em paciente com condição clínica, exposta e fratura-luxação (pág. PDF 3430). Extra-articular: tuberosidade desviada (IIC), bico, pele em risco, processo anterior com mais de 25% da CC, gastrocnêmio-sóleo comprometido e exposta (pág. PDF 3427).

A língua pela técnica de ESSEX-LOPRESTI e TORNETTA

Para a língua extra-articular com menos de 2 semanas, o Rockwood (pág. PDF 3428) descreve a técnica de ESSEX-LOPRESTI modificada por TORNETTA: paciente em prono, pinos de 3,2 mm na tuberosidade, flexão plantar do pé empurrando os pinos para a planta e parafusos canulados de 6,5 mm até o processo anterior.

O acesso do seio do tarso

É hoje o acesso mais usado, criado para reduzir a necrose apical e as infecções do acesso lateral extenso (Rockwood, pág. PDF 3431 e 3432). Pelo seio do tarso se veem a faceta posterior, a maior parte da parede lateral e o processo anterior; a tuberosidade é reduzida percutaneamente. A incisão pode ser estendida para trás, virando o acesso de KOCHER, e reaproveitada numa artrodese subtalar futura.

Passos no Rockwood: incisão de 2 a 5 cm da ponta do maléolo lateral à base do 4º metatarso; o extensor curto dos dedos é levantado ou dividido e afastado para cima; a bainha dos fibulares é protegida; e, se possível, o ligamento interósseo da subtalar é preservado. SCHANZ na tuberosidade contra o varo; parafusos de 2,7 a 3,5 mm de lateral para o sustentáculo e de 6,5 mm da tuberosidade. Seguido para trás, o acesso cruzaria fibulares e sural; na variante de KOCHER modificada, afastando os tendões, o calcaneofibular pode ser visualizado e toda a faceta aparece (pág. PDF 3433).

O Campbell (p. 4068 a 4074): incisão da ponta da fíbula à base do 4º metatarso centrada na faceta; identificar o sural; abrir o retináculo fibular inferior na borda anterior, junto ao retináculo extensor inferior; rebater o extensor curto dos dedos distalmente só o necessário para ver a CC; HOHMANN sob os fibulares. Abordagem medial extra quando o sustentáculo não é "constante" (42%). Janela de 10 a 14 dias; após 3 semanas, conservador ou artrodese primária.

Sobre "cortar ligamentos" no acesso lateral

O Rockwood manda preservar o ligamento interósseo: "resistir à tentação de cortar o ligamento", porque isso desestabiliza a articulação (pág. PDF 3436). No acesso lateral extenso, o calcaneofibular é descolado do calcâneo com o retalho (pág. PDF 3435). No Campbell, ele é incisado só na cirurgia de consolidação viciosa de BRALY, BISHOP e TULLOS (p. 4082, aprox.).

O acesso lateral extenso

O acesso lateral extenso (pág. PDF 3433 a 3436) é feito entre 14 e 21 dias, com sinal da ruga: incisão em L curvo, 2 cm acima da ponta do maléolo e 1 cm lateral ao tendão calcâneo, preservando a artéria calcânea lateral (que corre com o sural) num retalho subperiosteal de espessura total; fibulares subluxados, não luxados; redução da tuberosidade fora do varo, montagem da faceta de medial para lateral sobre o sustentacular e placa lateral. Reduzir o fragmento contra o tálus o hiper-reduz e deixa varo. Se os fibulares não voltam ao sulco, o retináculo fibular superior está lesado. Pelo seio do tarso há menos complicação de ferida, mas operar depois de 14 dias piora a ferida; nos SANDERS III o extenso tende a reduzir melhor (pág. PDF 3443).

Artrodese primária

Reservada à cominução não reconstruível (SANDERS III graves e todos os IV), depois de reconstruir a forma do calcâneo; parafuso canulado de 6,5 a 8 mm da tuberosidade ao tálus; não "encher" a articulação, para não criar varo (pág. PDF 3442). BUCKLEY não viu diferença entre fixação e fixação com artrodese primária no tipo IV em 2 anos; o Campbell (p. 4080) registra que a artrodese primária encurtou o tempo de consolidação.

Fraturas extra-articulares e a fratura-luxação

Fundamento

Processo anterior

Inserção do ligamento bifurcado; avulsão por inversão com o pé em flexão plantar ou compressão em dorsiflexão e eversão (Rockwood, cap. 67, pág. PDF 3424). Mais em mulheres de 40 a 55 anos, confundida com entorse, dor 3 a 4 cm distal ao maléolo lateral, associação com coalizão calcaneonavicular. DEGAN e MORREY: I avulsão sem desvio, II desviada sem CC, III desviada com CC. Cirurgia se desvio ou mais de 25% da CC.

Tuberosidade e fratura em bico

São 1 a 3% das fraturas do calcâneo, por queda de baixa energia com dorsiflexão forçada no osso osteoporótico (pág. PDF 3425). BEAVIS: tipo I, casca cortical na inserção do tendão calcâneo; tipo II, o bico (beak). A pele está ameaçada em cerca de 20%. Desvio menor que 1 cm e pele boa: tala em leve equino; língua intra-articular, exposta ou pele em risco: cirurgia de emergência.

Fratura-luxação do calcâneo

Descrita por COURT-BROWN (pág. PDF 3425): o fragmento superolateral fica preso ao corpo lateral, que sobe para baixo da fíbula; associa luxação dos fibulares, lesão do talofibular anterior e do calcaneofibular e varo. Sinais: inclinação talar, flake do maléolo lateral e dupla densidade modificada. Facilmente perdida na radiografia; tratamento com redução aberta urgente.

Complicações do calcâneo

Relevância clínica

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 67, pág. PDF 3444 a 3447) organiza as complicações por mecanismo, e vale a pena ler cada uma como consequência de algo que vimos antes.

Ferida. A deiscência é a complicação mais comum do tratamento cirúrgico, até 25%, até 4 semanas depois, no ápice (Rockwood, cap. 67, pág. PDF 3444); fatores: tabagismo, diabetes, exposta, IMC alto e fechamento em camada única. Infecção profunda: 1 a 4% nas fechadas e até 19% nas expostas. O sural é o nervo mais lesado (até 15%).

Artrose. Mesmo com redução anatômica, a artrose subtalar radiográfica chega perto de 100% (lesão da cartilagem no impacto), mas a sintomática fica em torno de 30%. Artrodese: 47% no SANDERS III contra 19% no II, o III com 4 vezes mais chance, tempo médio de 44 meses; a exposta dobra a chance. A artrodese depois de cirurgia vai melhor que depois de tratamento não operatório. A artrose calcaneocuboide vem de extensão à CC não vista ou do fragmento anterolateral não reduzido.

Consolidação viciosa (típica do não operado): artrose subtalar e CC; impacto subfibular pela parede lateral alargada; impacto e luxação dos fibulares; perda de altura com o tálus horizontalizado (dorsifletido no encaixe), impacto tibiotalar anterior e perda de dorsiflexão; desalinhamento do retropé; neurite do tibial posterior ou do sural. STEPHENS e SANDERS classificaram pela TC e trataram pelo acesso extenso; CARR descreveu a artrodese com bloco ósseo de distração, modificação de GALLIE; ROMASH, uma osteotomia pelo traço consolidado.

O mediopé: CHOPART e o navicular

Cobrança confirmada · 1 questão

A articulação de CHOPART e o contexto

O mediopé corresponde a 0,45% de todas as fraturas (Rockwood, cap. 68, pág. PDF 3457); as lesões de CHOPART (talonavicular e calcaneocuboide) têm 2,2 por 100.000 pessoas-ano, 78% sem desvio (pág. PDF 3472). No Campbell (cap. 93, p. 4110), numa série de 155 pacientes, os piores resultados foram da combinação CHOPART-LISFRANC, muitas vezes perdida.

Anatomia do navicular

O navicular é a pedra angular da coluna medial (pág. PDF 3457 e 3460). A articulação com o tálus é uma das sete articulações essenciais (cerca de 37 graus de movimento); as naviculocuneiformes são "desnecessárias". O único tendão que nele se insere é o tibial posterior. A irrigação vem da dorsal do pé e da tibial posterior, deixando o terço central relativamente avascular.

Mecanismos e tipos

Há dois grandes grupos: agudas e de estresse (pág. PDF 3457). A força indireta produz avulsões, como na fratura em "quebra-nozes" (nutcracker), em que o valgo do mediopé arranca o tibial posterior da face medial; a força direta produz desde traços simples até esmagamento no plano dorsoplantar. As de alta energia combinam carga axial, flexão plantar e adução ou abdução do antepé.

A classificação de SANGEORZAN (pág. PDF 3459) separa avulsão (a lesão mais comum do navicular, em "flake"), tuberosidade e corpo; o corpo tem três tipos.

Fraturas do corpo do navicular (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3459 e 3460; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4106)
TipoTraço e mecanismoLesão associada
SANGEORZAN Itransverso horizontalligamentos dorsais; redução em geral satisfatória
SANGEORZAN IIvertical, por abdução, cominução lateralligamento talonavicular
SANGEORZAN IIIo mais cominuto: carga axial, abdução e flexão plantarCC e naviculocuneiformes; encurta a coluna medial
SCHMID Itraço únicobom prognóstico
SCHMID IIqualquer cominuçãoplaca de banda de tensão melhor que parafuso (SANDERS)
SCHMID IIIluxação TN ou lesão da cabeça do tálusmau prognóstico; considerar artrodese TN primária
OTA/AO83-A não cominuta; 83-B cominuta; luxações 80-Cpesquisa

Diagnóstico

A radiografia simples tem sensibilidade de apenas 33% comparada à TC (HAAPAMAKI); a TC do pé inteiro é a ferramenta-chave, e a fluoroscopia dinâmica ou a radiografia com carga avaliam a estabilidade das colunas (pág. PDF 3458). Na suspeita de estresse: RM ou TC de 1 mm perpendicular ao navicular.

Tratamento da fratura aguda

Não operatório (pág. PDF 3461 e 3462): desvio menor que 2 mm, coluna medial com comprimento e estabilidade preservados, sem lesões associadas do mediopé; gesso curto sem carga por 6 a 8 semanas, com radiografia com carga em 1 a 2 semanas para confirmar a estabilidade. A maioria das avulsões vai sem cirurgia. HOWIE mostrou o perigo de subestimar: lesões associadas da coluna lateral levaram a 80% de artrose secundária.

Operatório: desvio maior que 2 mm ou degrau articular maior que 1 mm, exposta, luxação, encurtamento da coluna medial e lesões associadas; os dois princípios são comprimento da coluna medial e superfície articular. Placas de minifragmento dão bons resultados; nas cominuções, ponte temporária ou fixador externo, retirados para liberar a talonavicular (no Rockwood, ponte retirada em 12 semanas). O Campbell (p. 4106) descreve o acesso entre o tibial anterior e o tibial posterior; com fios e parafusos, SANGEORZAN teve apenas 67% de bons resultados.

Complicações (pág. PDF 3471): a artrose talonavicular é a sequela mais comum; SANGEORZAN relatou só 19% sem incapacidade residual. Pseudartrose e osteonecrose existem, mas são raras e concentradas nas fraturas graves.

A fratura de estresse do navicular

Responde por 14% de todas as fraturas de estresse, sobretudo em atletas e corredores (Rockwood, pág. PDF 3458 e 3460). Fatores implicados: 2º raio longo e 1º curto, pé cavo com talonavicular rígida, metatarso aduto, equino, calçado, treino intenso e pouca mobilidade subtalar. A zona avascular central foi questionada: MCKEON encontrou 58,8% de peças sem zona avascular. A fratura começa perto do meio do dorso e progride em direção plantar, podendo ser parcial ou completa.

O Campbell (cap. 93, p. 4106 a 4108) é mais direto sobre a geometria: é causa frequente de dor no arco em atletas, a radiografia inicial pode ser normal, a cintilografia costuma ser positiva e a TC ou RM confirmam; o traço fica geralmente no plano sagital, no terço central do navicular, onde há uma zona relativamente avascular (embora estudo recente diga que essa zona é incomum). As duas descrições se completam: um traço que vai do dorso para a planta no meio do osso é um traço sagital central.

O tratamento é primariamente conservador: gesso sem carga por 6 a 8 semanas tem resultado igual à cirurgia (TORG, metanálise), e o Rockwood cita uma metanálise com 96% de sucesso sem cirurgia; MALLEE sugere que a cirurgia pode antecipar o retorno ao esporte. O Campbell ressalta que apoiar durante o tratamento é claramente inferior tanto ao gesso sem carga quanto à cirurgia; se operar, percutâneo nas sem desvio, aberto nas desviadas ou com enxerto nas pseudartroses.

Cuboide e cuneiformes

Fundamento

O cuboide, pedra angular da coluna lateral

O cuboide é o único osso da parte lateral do mediopé; articula com o calcâneo, o navicular, o cuneiforme lateral e os 4º e 5º metatarsos, e é a pedra angular da coluna lateral (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3472). Além de manter o comprimento da coluna lateral, participa dos movimentos mediotársico e tarsometatársico. Fraturado, quase nunca está sozinho: diante de um cuboide quebrado, procure LISFRANC, CHOPART e outras lesões.

Avulsão e quebra-nozes

A lesão mais comum (50 a 70%) é a avulsão com entorse, e 70% delas passam despercebidas (pág. PDF 3474). O cuboide fica apoiado entre o calcâneo e as bases do 4º e 5º metatarsos (pág. PDF 3472) e sofre com forças diretas ou indiretas por abdução do pé (bailarinas); o Rockwood usa "quebra-nozes" (nutcracker) para o quadro do mecanismo indireto, com dor súbita e incapacidade de apoiar (pág. PDF 3473). COURT-BROWN: cuboide em mulheres idosas e baixa energia; navicular em homens e alta energia.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 93, p. 4110) resume: avulsões pequenas por entorse em inversão vão bem sem cirurgia; as fraturas por compressão, "nutcracker", associam-se a lesões de LISFRANC e mediotarsais; a maioria tem pouco desvio e vai bem com gesso sem carga por 4 semanas e mais 4 com carga; se houver encurtamento da coluna lateral, redução aberta, enxerto e às vezes fixador para restaurar o comprimento. Equimose na planta do arco deve levantar suspeita, como no LISFRANC.

Diagnóstico e classificação

Na oblíqua, a borda medial do 4º metatarso se alinha com a borda medial do cuboide; desalinhamento de 1 mm é diagnóstico de lesão tarsometatársica, e a TC é o exame de escolha (pág. PDF 3473).

Classificações do cuboide (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3473; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4110)
SistemaTipos
Campbellavulsão x compressão ("nutcracker")
SANGEORZAN e SWIONTKOWSKIesmagamento, articular proximal, articular distal, combinada
WEBER e LOCHERextensão à articulação cubometatarsal x explosão com encurtamento da coluna
FENTONI avulsão da cápsula CC; II extra-articular do corpo; III intra-articular só no corpo; IV com lesão do mediopé e TMT; V com lesão mediotársica e esmagamento da coluna lateral ou das duas
OTA/AO84-A avulsão; 84-B articular parcial; 84-C articular completa

Tratamento e complicações

Não operatório: desvio articular menor que 2 mm, sem subluxação e coluna lateral preservada; gesso curto sem carga por 6 a 8 semanas (Rockwood, pág. PDF 3474); avulsões isoladas com carga em bota. Operar o desviado: restaurar a superfície articular e o comprimento da coluna lateral, porque o encurtamento leva a abdução do antepé e pé plano. Complicações (pág. PDF 3480 e 3481): encurtamento da coluna lateral (abdução do antepé, pé plano), artrose; artrose CC vai para artrodese, mas a cubometatarsal para artroplastia de interposição, porque a mobilidade do 4º e 5º raios é essencial.

Cuneiformes

Cuneiformes isolados são raros (0,1 a 0,5%) e quase sempre acompanham LISFRANC ou CHOPART (pág. PDF 3481 a 3483). No cuneiforme medial se insere o ligamento de LISFRANC (face lateral), o fibular longo (plantar) e o tibial anterior (medial). A distância normal entre as bases do 1º e 2º é 2,5 mm, e o gap sign (aumento da distância intercuneiforme) é patognomônico de ruptura do ligamento de LISFRANC.

LISFRANC: anatomia das colunas e dos ligamentos

Cobrança confirmada · 1 questão

Frequência

As lesões tarsometatársicas correspondem a 0,1 a 0,4% das fraturas, e a ligamentar pura é perdida em até 20% (Rockwood, cap. 68, pág. PDF 3487). JACQUES LISFRANC descreveu uma amputação por essa linha, não a fratura-luxação.

O arco romano e a pedra angular

A estabilidade é sobretudo óssea no plano transverso. Como o cuneiforme intermédio é curto, a base do 2º metatarso fica encaixada entre os cuneiformes medial e lateral e funciona como pedra angular (keystone) (pág. PDF 3487). As bases dos metatarsos são trapezoidais e formam um arco romano. O cuboide é a pedra angular da coluna lateral e o navicular, da medial.

O complexo é descrito em três colunas: medial (1ª tarsometatarsal), intermédia (2ª e 3ª) e lateral (4ª e 5ª). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 93, p. 4111 e 4112) detalha os ossos: a medial reúne o 1º metatarso, o cuneiforme medial e a faceta do navicular; a média, o 2º e o 3º metatarsos com seus cuneiformes e as articulações com o navicular; a lateral, o 4º e o 5º metatarsos e suas articulações com o cuboide. A mobilidade cresce do 2º para o 5º raio (pág. PDF 3519): o 2º e o 3º são quase imóveis, a 1ª e a 5ª tarsometatarsais se movem bastante.

Os ligamentos que a banca pergunta

Os ligamentos plantares são mais fortes que os dorsais, por isso a luxação costuma ser dorsal (pág. PDF 3489). O ponto mais cobrado: não há ligamentos interósseos tarsometatársicos entre o 1º e o 2º metatarsos, nem no espaço do 4º (entre os 4º e 5º metatarsos e o cuboide) (pág. PDF 3488). O Campbell (p. 4111) diz o mesmo de outro modo: há múltiplos ligamentos intermetatarsais nas bases, exceto entre o 1º e o 2º. Por isso o 1º metatarso tem movimento independente (pág. PDF 3513) e a estabilidade entre a coluna medial e o 2º raio depende de um ligamento oblíquo que vem do cuneiforme.

Esse é o ligamento de LISFRANC: da face lateral do cuneiforme medial à metade inferior da face medial da base do 2º metatarso, o maior ligamento das tarsometatarsais (pág. PDF 3489), mais de duas vezes mais resistente que o dorsal (pág. PDF 3490). O plantar de LISFRANC (cuneiforme medial para 2º e 3º) é o mais forte dos plantares. Um plantar lateral (5º metatarso e cuneiforme lateral para a base do 2º), presente em 62%, explicaria a autorredução do 4º e 5º depois de reduzir o 1º e o 2º.

Anatomia do complexo de LISFRANC (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3487 a 3490 e 3519; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4111 e 4112)
EstruturaO que fazer saber
coluna medial1ª TMT: 1º metatarso, cuneiforme medial (e faceta do navicular, no Campbell); móvel
coluna intermédia2ª e 3ª TMT; rígida; sede de fratura de estresse
coluna lateral4ª e 5ª TMT com o cuboide; móvel e essencial
2º metatarsopedra angular, encaixado pelo intermédio curto
entre bases do 1º e 2ºsem ligamento intermetatarsal (movimento independente do 1º)
ligamento de LISFRANCface lateral do cuneiforme medial para a base do 2º; o maior das TMT
plantar de LISFRANCcuneiforme medial para 2º e 3º; o mais forte dos plantares
plantar lateral5º e cuneiforme lateral para a base do 2º (62%); explica autorredução lateral
ligamentos plantares x dorsaisplantares mais fortes: luxação dorsal

LISFRANC: mecanismo, diagnóstico e classificação

Cobrança confirmada · 1 questão

Mecanismos

A incidência é de 9,2 a 14 por 100.000, com pico em homens jovens; é a segunda lesão do pé mais comum em atletas (pág. PDF 3491). O mecanismo indireto típico é a carga axial no pé em flexão plantar: rompem primeiro os ligamentos dorsais, mais fracos. Abdução no pé fixo fratura a base do 2º e desvia os laterais para fora. O trauma direto traz risco de síndrome compartimental.

O que procurar no exame

Dor, inchaço, incapacidade de apoiar ou de ficar na ponta dos pés e equimose plantar (pág. PDF 3491). MYERSON e CERRATO descreveram a manobra de abdução e pronação (como um teste de apreensão) e a compressão transversa das bases do 1º e 2º. O Campbell (cap. 93, p. 4116) acrescenta, nas lesões sutis de atletas, dor ao mobilizar o 1º metatarso no plano sagital segurando o 2º.

A radiografia e seus alinhamentos

AP, oblíqua (em 30 graus de rotação interna) e perfil verdadeiro, e a radiografia com carga é essencial para separar a instabilidade ligamentar sutil de uma entorse (pág. PDF 3492 a 3496). Os critérios:

  • distância entre as bases do 1º e 2º: em média 2,5 mm com carga;
  • a borda lateral do cuneiforme medial alinhada com a borda lateral da base do 1º metatarso;
  • a borda medial da base do 2º alinhada com a borda medial do cuneiforme intermédio (AP);
  • a borda medial do 4º alinhada com a borda medial do cuboide (só na oblíqua);
  • desalinhamento de 1 mm ou mais é patológico;
  • o "fleck sign", avulsão da base do 2º ou do cuneiforme medial, é patognomônico;
  • "medial column sign" de COSS: sob estresse em abdução, a tangente à borda medial do cuneiforme medial passa medial à base do 1º.

As classificações

Nenhuma classificação padroniza bem as lesões nem prevê resultado (Rockwood, pág. PDF 3498 a 3501); o Campbell (p. 4112) diz que a classificação é útil para comunicação, mas não é prognóstica. Todas descendem de QUÉNU e KÜSS (1909): homolateral, isolada e divergente. HARDCASTLE reorganizou em A (completa), B (parcial, medial ou lateral) e C (divergente). MYERSON (1986) modificou HARDCASTLE incorporando lesões ósseas da coluna medial, e é a mais cobrada.

Classificação de MYERSON (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3500 e 3501; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4112)
TipoRockwoodCampbell
Aincongruência total da linha TMT em qualquer planoos cinco metatarsos desviados em bloco, em geral lateral ou dorsolateral (homolateral)
B1incongruência parcial envolvendo o 1º raio (parcial medial)desvio medial, às vezes com intercuneiforme ou naviculocuneiforme
B2luxação de um ou mais dos quatro metatarsos laterais (parcial lateral)desvio lateral, podendo envolver a 1ª cuneometatarsal
C1divergente parcial: 1º raio medializado e laterais parcialmente luxadosdivergente parcial
C2divergente com incongruência totaldivergente total; alta energia, edema, síndrome compartimental
Lesões sutis de atletas segundo NUNLEY e VERTULLO (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3501; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4116)
EstágioAchadoConduta (Campbell)
Ientorse sem diástase com carga; cintilografia positivaimobilização e 2 a 6 semanas sem carga
IIdiástase de 1 a 5 mm entre 1º e 2º, sem perda do arcocirurgia
IIIdiástase maior que 5 mm e perda da altura da coluna medialcirurgia

LISFRANC: tratamento

Cobrança confirmada · 2 questões

Quando não operar

O Rockwood (cap. 68, pág. PDF 3501) trata sem cirurgia a lesão estável, com desalinhamento menor que 1 mm, degrau menor que 2 mm e coluna medial íntegra, depois de excluída a instabilidade: gesso sem carga, radiografia com carga a cada duas semanas; retorno em 6 a 9 meses. O Campbell (p. 4114): sem desvio (menos de 2 mm), 6 semanas sem carga e mais 4 a 6 com carga.

Quando operar

Indicações cirúrgicas na lesão tarsometatársica (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3501 e 3502; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4114 a 4118)
Indicação ou regraDetalhe
desalinhamento1 mm ou mais
degrau articularmaior que 2 mm
cuneiforme medial e 1º metatarsodistância maior que 4 mm
instabilidadeno estresse sob fluoroscopia, comparada ao lado são
bloqueio à reduçãopartes moles ou fragmento: avulsões, ligamento de LISFRANC, tendão tibial anterior
outrasavulsão, coluna medial instável ou curta, lesões múltiplas, síndrome compartimental, exposta
contraindicaçõespartes moles ruins, mau estado geral, doença arterial grave, neuropatia, não adesão
artrose depois da redução (Campbell)16% se anatômica; 60% se não anatômica

O que impede a redução fechada

O Rockwood (pág. PDF 3502) é claro: às vezes a redução anatômica não se obtém por meios fechados porque há pequenos fragmentos de avulsão encarcerados, ligamentos (muitas vezes o próprio ligamento de LISFRANC) ou tendões, como o tibial anterior, que precisam ser retirados. O livro não localiza em qual espaço intermetatarsal o tendão se interpõe; o que ele permite afirmar é que o tendão tibial anterior está entre as causas de irredutibilidade, o que separa as alternativas que falam do tibial anterior das que falam do tibial posterior (este é o tendão que bloqueia a redução da luxação subtalar lateral, no Campbell, p. 4104 a 4106, assunto do resumo do tálus).

Como fixar: rígido no meio, flexível do lado

A chave é a redução anatômica. No Rockwood (pág. PDF 3503 a 3511), a sequência começa pelo tarso instável (cuneiformes, navicular, cuboide), depois o 2º metatarso, a pedra angular, "tratado do modo mais meticuloso"; muitas vezes as colunas medial e lateral seguem o 2º. O "parafuso de LISFRANC" (2,7 ou 3,5 mm) vai do canto proximal medial do cuneiforme medial à base do 2º; parafusos a pelo menos 5 mm da linha articular. A 1ª TMT recebe dois parafusos cruzados; a 3ª, parafuso ou placa, e às vezes nada, se estiver estável depois do 1º e do 2º.

A coluna lateral é diferente. O 4º e o 5º metatarsos funcionam como uma unidade: reduzindo um, o outro vem junto, e o ligamento plantar lateral ajuda nessa autorredução. A fixação é feita com fios de KIRSCHNER convergentes de 1,6 ou, de preferência, 2,0 mm; parafusos e placas foram descritos, mas a tendência atual respeita a anatomia funcional: coluna medial rígida e coluna lateral flexível. Na cominução da coluna lateral, o Rockwood prefere uma pseudartrose a uma artrodese.

O Campbell (p. 4114 a 4118) concorda: fios de KIRSCHNER "especialmente nas duas articulações laterais", parafusos de 4 mm na medial e média; fios laterais retirados com 6 a 8 semanas, parafusos mediais com 4 a 5 meses; a artrodese da 4ª e 5ª deve ser evitada e dá resultados piores.

Artrodese primária ou fixação

Nas lesões ligamentares puras, a artrodese primária deu resultado funcional melhor que a fixação em 24 e 42 meses (pág. PDF 3511); nas metanálises ela não é inferior, e a fixação tem mais artrose e mais retorno ao centro cirúrgico. O Campbell (p. 4114 a 4118) concorda e reforça que o mais importante é a redução anatômica. Cominução não reconstruível da coluna medial: artrodese primária; da lateral: não.

Complicações

Precoces: síndrome compartimental, infecção e problemas de cicatrização. Tardias: artrose secundária, a sequela mais comum após tratamento operatório ou não, pseudartrose, dor crônica, material, rigidez e deformidades (pé plano, cavo, joanete) (pág. PDF 3511 e 3512). A artrodese secundária das articulações acometidas é um bom salvamento; o Campbell (p. 4116) relata 93% de satisfação, com pior resultado quando se fundem a 4ª e a 5ª.

Os metatarsos: 1º e centrais

Fundamento

Visão geral

Os metatarsos respondem por 35% das fraturas do pé; o 5º é o mais fraturado; estresse no colo do 2º e 3º e na diáfise proximal do 5º (Rockwood, cap. 68, pág. PDF 3513). O 1º sustenta 30 a 50% do antepé, e desvio sagital de uma cabeça causa calo ou lesão de transferência (pág. PDF 3512).

1º metatarso

É o mais forte e responde por apenas 1,5% das fraturas de metatarso; sem ligamento com o 2º, tem movimento independente; o tibial anterior o eleva e o fibular longo flete a cabeça (pág. PDF 3513). Decide-se pela radiografia sob estresse: instável, fixação; estável, gesso 3 semanas sem carga e 3 com carga (pág. PDF 3514).

Centrais (2º, 3º e 4º)

São cerca de 10% das fraturas de metatarso, muitas vezes contíguas: o 3º acompanha o 2º ou o 4º em 63%; o 4º é o menos lesado (pág. PDF 3518). O 2º e o 3º, pouco móveis em suas cuneiformes, são sede de fratura de estresse (também associada a pronação excessiva, metatarso primo elevado, hálux valgo e hipermobilidade do 1º raio). Os flexores puxam o fragmento distal para plantar e proximal (pág. PDF 3519).

Critérios para os metatarsos centrais (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3518 e 3519)
SituaçãoConduta
sem desvio ou translação coronal menor que 3 a 4 mmnão operatório; diafisária isolada: sapato rígido e carga
desvio sagital maior que 10 graus ou translação maior que 3 a 4 mmcorrigir (redução e fios)
cabeça dorsifletidametatarsalgia de transferência
cabeça fletida plantarmentehiperceratose plantar
base do 2ºtestar estabilidade: pode ser LISFRANC
diástase maior que 2 mm entre bases do 1º e 2º no APsuspeitar de lesão do ligamento de LISFRANC
múltiplas adjacentes, cominuçãocontraindicação relativa ao não operatório

O 5º metatarso: zonas, JONES e estresse

Fundamento

Anatomia que explica a pseudartrose

Na base se inserem o fibular curto (dorsolateral da tuberosidade), o fibular terceiro (dorso da junção metáfise-diáfise) e o abdutor do 5º dedo, além da banda lateral da fáscia plantar (Rockwood, cap. 68, pág. PDF 3525 e 3526). Não confundir com fratura: a apófise do adolescente, o os peroneum e o os vesalianum, de contornos lisos.

A irrigação é o centro da questão: a diáfise recebe uma única artéria nutriente, que entra pela cortical medial na junção dos terços proximal e médio, enquanto a base e a tuberosidade recebem artérias metafisárias e epifisárias. A junção metáfise-diáfise é uma zona divisora de águas, e é ali que moram o retardo de consolidação e a pseudartrose.

As três zonas

O 5º responde por cerca de 68% das fraturas de metatarso. A divisão mais usada é a de LAWRENCE e BOTTE (pág. PDF 3527): zona 1, avulsão da tuberosidade (46 a 73%); zona 2, junção metáfise-diáfise, a fratura de JONES verdadeira (14 a 39%); zona 3, fratura de estresse da diáfise proximal (8 a 15%). PETTERSEN, em 834 fraturas, encontrou 61,2%, 18,8% e 20%.

  • Zona 1: inversão súbita do retropé com carga na borda lateral; a tração da banda lateral da aponeurose plantar arranca a cortical, e o fibular curto pode desviar mais (pág. PDF 3527).
  • Zona 2 (JONES): lesão aguda por adução do antepé, na junção metáfise-diáfise, propagando-se de lateral para a articulação entre o 4º e o 5º; é uma falha por tensão na borda lateral. Metatarsos longos, estreitos e retos com antepé aduto aumentam o risco.
  • Zona 3: fratura de estresse dos 1,5 cm proximais da diáfise, em atletas, por carga cíclica, com pródromos; varo do retropé, metatarso aduto e cavo são fatores de risco para as zonas 2 e 3.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 93, p. 4120) define as zonas pela anatomia articular: a zona I inclui a articulação com o cuboide mas fica proximal à articulação entre o 4º e o 5º; a zona II vai até a junção metáfise-diáfise e inclui a articulação 4-5, a área da JONES verdadeira; a zona III são os 1,5 cm proximais da diáfise. Há uma divergência no mecanismo da zona 2: o Rockwood fala em adução do antepé, o Campbell em "forte força de abdução" do antepé, gerando momento fletor na junção metáfise-diáfise.

Fraturas proximais do 5º metatarso (Rockwood and Green, 10ª ed., cap. 68, pág. PDF 3526 a 3530; Campbell 15ª ed., cap. 93, p. 4120 e 4121)
ZonaLesão e mecanismoTratamento habitual
1avulsão da tuberosidade; inversão, banda lateral da fáscia plantarbota, enfaixamento ou calçado rígido com carga (melhor que gesso); parafuso se desvio maior que 2 a 3 mm em atleta
2 (JONES)aguda na junção metáfise-diáfise; adução (Rockwood) ou abdução (Campbell)gesso sem carga 6 semanas; pseudartrose até 21% (Rockwood) ou 7 a 28% (Campbell); atleta: parafuso intramedular
3estresse nos 1,5 cm proximais da diáfise, com pródromossem carga por mais 8 semanas ou cirurgia; atleta: parafuso
diáfise distalespiral do bailarinotratamento funcional; consolida em cerca de 8 semanas

TORG e o tratamento

Zona 1: bota ou enfaixamento com carga, melhor que gesso. Zona 2 aguda: gesso sem carga por 6 semanas; com pródromos, mais 8 semanas (pág. PDF 3528). No atleta, zonas 2 e 3 vão para parafuso intramedular, o padrão-ouro, de pelo menos 4,0 a 4,5 mm e comprimento abaixo de 68 a 70% do metatarso; retorno em 98,4%, em 9,7 semanas contra 13,1 sem cirurgia (pág. PDF 3529). TORG gradua a cronicidade: I aguda de traço estreito, II retardo com reação periosteal, III pseudartrose com canal esclerótico (II e III pedem enxerto).

O Campbell (p. 4120 e 4121) confirma: JONES e TORG I com gesso sem carga 6 a 8 semanas consolidam em 75%, pseudartrose de 7 a 28%; cirurgia precoce no atleta; parafuso nunca menor que 4,5 mm, com o AP para escolher o diâmetro e o perfil para o comprimento; ponto de entrada "alto e por dentro" (high and inside); cuidado com o ramo dorsolateral do sural, muito perto do ponto de entrada.

Sesamoides e falanges

Fundamento

Sesamoides do hálux

O complexo sesamoide aumenta a alavanca do flexor curto do hálux, protege o flexor longo do hálux e transmite até 50% do peso corporal, chegando a 300% no impulso (Rockwood, cap. 68, pág. PDF 3534). O tibial (medial) é maior, recebe mais carga e é o mais lesado; fica dentro da cabeça medial do flexor curto, e o fibular (lateral), dentro da cabeça lateral. A fratura pode ser aguda (hiperdorsiflexão, trauma direto) ou, mais frequentemente, de estresse (1 a 3% das fraturas de estresse).

O diferencial é o sesamoide bipartido: até 30% dos tibiais, bilateral em 80 a 90% deles, raro no fibular, de bordas lisas. Cada sesamoide tem uma artéria, vinda de proximal e plantar (osteonecrose, pseudartrose). Tratamento: descarga 6 a 12 semanas; pseudartrose sintomática até 30%; cirurgia se desviada ou sem melhora em 3 meses (pág. PDF 3535).

Falanges

São as lesões mais comuns do antepé; a falange proximal do 5º dedo é a mais acometida (cerca de 30%) e a topada causa até 75% (pág. PDF 3539). Sem desvio: sola rígida e esparadrapagem ao vizinho por 2 a 3 semanas; com deformidade, redução fechada julgada pela rotação da unha. Cirurgia para hálux intra-articular instável ou exposta (pág. PDF 3542 e 3543).

Fechamento

Fundamento

No calcâneo, o processo lateral do tálus desce como cunha, o fragmento sustentacular fica preso ao tálus e a metade lateral da faceta posterior afunda; o BÖHLER diminui e o GISSANE aumenta, salvo na dupla densidade. SANDERS, na TC coronal, gradua a faceta e o prognóstico. O seio do tarso cedo é o acesso atual; língua com pele tensa e fratura-luxação são urgências. No mediopé, preserve o comprimento das colunas; no LISFRANC, o 2º metatarso é a pedra angular, a coluna medial é rígida e a lateral, flexível. No antepé, proteja as cabeças e lembre a zona divisora de águas do 5º.

No antepé, proteja a posição das cabeças; lembre a zona divisora de águas do 5º metatarso, a JONES na zona 2 e o parafuso intramedular no atleta; e não confunda sesamoide bipartido com fratura.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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