Orto Questões

Anatomia do cotovelo

Ombro e cotoveloResumo do capítulo38 min de leitura

Três articulações (trocogínglimo), valgo de 11 a 16 graus que vira varo na flexão e ossificação CRMTOL (capítulo 1, cabeça do rádio 2 a 3, epicôndilo medial 5, tróclea 7, olécrano 9, epicôndilo lateral 11 anos); feixe anterior do colateral medial no tubérculo sublime, o mais forte e o principal contra o valgo entre 20 e 120 graus; LUCL na crista do supinador contra a instabilidade rotatória posterolateral; braquial como flexor principal (musculocutâneo e radial), bíceps como supinador principal, ancôneo e braquiorradial do radial, ERCC e extensor dos dedos com origens fundidas; fossa cubital de lateral para medial (cutâneo lateral, tendão do bíceps, artéria braquial, mediano); braquial começa na borda inferior do redondo maior, medial ao bíceps, com três arcadas anastomóticas; ulnar sob STRUTHERS (70%, 8 cm) e OSBORNE, assoalho no colateral medial; mediano entre as cabeças do pronador; NIP pela arcada de FROHSE e junto da interóssea posterior; KOCHER (ancôneo e EUC, pronar), KAPLAN, BOYD, medial e posterior com osteotomia; portais e zona de segurança da cabeça do rádio.

Atualizado em 04/11/2026 · 38 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 4 · Braço (o cotovelo), com o Capítulo 5 · Antebraço, em Netter Atlas de Anatomia Ortopédica (Netter's Concise Orthopaedic Anatomy), 2ª edição, com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), e o Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017). Autores do capítulo: Jon C. Thompson (ilustrações de Frank H. Netter).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Netter, capítulo 4, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

O cotovelo não tem capítulo próprio no Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, de Jon C. THOMPSON com as ilustrações de Frank H. NETTER: ele mora no capítulo 4, do braço, que traz a osteologia do úmero distal e da ulna e do rádio proximais, as articulações, o túnel cubital, os músculos, os nervos, as artérias e os acessos, e invade o capítulo 5, do antebraço, onde ficam os músculos que nascem nos epicôndilos e o trajeto do interósseo posterior. Este resumo junta esses pedaços e acrescenta o que as provas pedem além do atlas, com quatro livros abertos lado a lado: o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição, para as vias de acesso, a biomecânica e os portais; o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição, para as colunas do úmero, os nervos e as arcadas vasculares; o Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição, para a membrana interóssea e os túneis cubital e radial; e o HEBERT para os locais de compressão.

O que este resumo não repete. O braço (musculocutâneo no coracobraquial, radial no sulco espiral com as distâncias do úmero, arcada de STRUTHERS como lembrança) está no resumo de anatomia do ombro e do braço; o antebraço e a mão (MARTIN-GRUBER, as vias de HENRY e THOMPSON ao rádio, o interósseo anterior e o canal de GUYON) estão no resumo de anatomia da mão, do punho e do antebraço. Aqui fica o que acontece num palmo acima e num palmo abaixo da prega do cotovelo.

E como cobram. O TARO e o TEOT gostam de imagem com seta (ancôneo, pronador redondo, ramo profundo do radial no corte, arcada de FROHSE); a SBCM e o SIMÃO pedem o detalhe fino (qual feixe do colateral medial é o mais forte e onde ele se insere, o que impede a instabilidade rotatória posterolateral, as partes da membrana interóssea, as origens que se fundem no epicôndilo lateral); o ENARE cobra função, nervo e raiz. Quase tudo cabe em três perguntas: onde a estrutura se prende, que nervo a inerva e o que acontece quando ela falha.

Os ossos, o ângulo de carregamento e a ossificação

Fundamento

O úmero distal (Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed., cap. 4, pp. 111 e 112). O côndilo do úmero tem uma parte lateral, com o capítulo (articular, alinhado com a cabeça do rádio em qualquer incidência) e o epicôndilo lateral (origem do extensor comum e do colateral radial), e uma parte medial, com a tróclea (articular), o epicôndilo medial (origem do flexor comum e do colateral ulnar) e o túnel cubital, por onde o ulnar passa atrás do epicôndilo. Acima da articulação ficam as fossas do olécrano (posterior) e coronóidea (anterior), preenchidas por gordura: quando um hematoma de fratura empurra essa gordura para fora, a radiografia em perfil mostra o sinal do coxim adiposo. O processo supracondilar, presente em cerca de 5%, dá origem ao ligamento de STRUTHERS, que vai ao epicôndilo medial e pode aprisionar o nervo mediano.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), descreve o mesmo osso como um arco de duas colunas. A coluna medial diverge cerca de 45 graus da diáfise e termina no epicôndilo medial; a lateral diverge cerca de 20 graus, curva para a frente 35 a 40 graus no plano sagital e termina no capítulo. A tróclea é um carretel com sulco central coberto de cartilagem em quase 270 graus; o capítulo, em cerca de 180 graus. Entre as duas fossas há um septo ósseo fino, às vezes ausente (abertura septal), e as fossas são tão justas para o olécrano e o coronoide que um parafuso que atravessa a fossa bloqueia o movimento.

O rádio e a ulna proximais (Netter, p. 112). A cabeça e a epífise do rádio são intra-articulares; o colo faz 10 a 15 graus com a diáfise; a tuberosidade recebe o bíceps e aponta para a ulna na supinação. A parte anterolateral da cabeça tem menos osso subcondral e é a que mais fratura. Na ulna, o olécrano e o processo coronoide formam a incisura troclear; o coronoide dá estabilidade anterior e recebe o colateral ulnar; a crista do supinador recebe o colateral radial (a parte ulnar); a tuberosidade da ulna recebe o braquial; a incisura radial articula com a cabeça do rádio.

O ângulo de carregamento. É o valgo do antebraço com o cotovelo estendido. O Netter dá 11 a 16 graus; o Rockwood and Green (cap. 39) dá 10 a 17 graus e explica de onde ele vem: a tróclea fica mais distal que o capítulo, o que põe a superfície articular do úmero em 4 a 8 graus de valgo, e a superfície ainda está 3 a 8 graus em rotação interna, de modo que, ao fletir, o antebraço caminha para um leve varo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 643), mede essa mudança: 11 graus de valgo em extensão total a 6 graus de varo em flexão total. Os três livros contam a mesma história com números um pouco diferentes; na prova, qualquer valor na faixa de 10 a 17 graus é o normal do adulto.

Geometria do cotovelo nos três livros
MedidaNetter (cap. 4)Campbell 15 (cap. 15)Rockwood and Green 10 (cap. 39)
ângulo de carregamento11 a 16 graus de valgo11 graus de valgo em extensão, 6 de varo em flexão10 a 17 graus em extensão
úmero distalnão detalhaeixo na linha da cortical anterior4 a 8 graus de valgo, 3 a 8 de rotação interna, 35 a 40 graus anterior
flexoextensão0 a 150 graus (funcional 30 a 130)0 a cerca de 150 grausnão detalha
pronossupinação70 de pronação, 80 de supinação (funcional 50 e 50)eixo da cabeça do rádio à cabeça da ulnanão detalha
colo do rádio10 a 15 grausnão detalhanão detalha

A ossificação (Netter, p. 111). O úmero distal tem quatro centros: capítulo com 1 ano, epicôndilo medial com 5, tróclea com 7 e epicôndilo lateral com 11, fundindo entre 12 e 17 anos. A cabeça do rádio aparece com 2 a 3 anos e funde com 16 a 18; o olécrano aparece com 9 e funde com 16 a 20. O Netter dá o mnemônico em português, "Capitão Roy Manda Todos Os Legionários" (capítulo, radial, medial, tróclea, olécrano, lateral).

O Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed. (cap. 13), traz o estudo de CHENG em 1.577 crianças: a sequência é a mesma nos dois sexos, mas os meninos atrasam cerca de 2 anos em todos os centros, menos no capítulo. O centro secundário do olécrano aparece por volta de 6,8 anos nas meninas e 8,8 nos meninos, às vezes em dois núcleos (um articular e outro de tração), e a fusão do rádio e do olécrano acontece junto com a da epífise distal do úmero, entre 14 e 16 anos, mais cedo do que a faixa de 16 a 20 do Netter. Atenção a um detalhe de redação: o texto do Rockwood lista o olécrano antes da tróclea, mas chama a sequência de CRMTOL ou CRITOE, que põem a tróclea antes; o Netter, com tróclea aos 7 e olécrano aos 9, é coerente com o mnemônico.

Centros de ossificação do cotovelo (Netter, cap. 4; Rockwood crianças, cap. 13)
CentroAparece (Netter)Funde (Netter)O que o Rockwood crianças acrescenta
capítulo1 ano12 a 17 anos (úmero distal)único sem atraso nos meninos
cabeça do rádio2 a 3 anos16 a 18 anospode ser bipartida; não confundir com fratura
epicôndilo medial5 anos12 a 17 anossequência igual nos dois sexos
tróclea7 anos12 a 17 anos
olécrano9 anos16 a 20 anos6,8 anos (meninas) e 8,8 (meninos); funde 14 a 16
epicôndilo lateral11 anos12 a 17 anosúltimo a aparecer

A biomecânica que explica os ossos (Campbell 15, cap. 15, pp. 643 a 645). O cotovelo é um trocogínglimo, uma "dobradiça frouxa": a umeroulnar é gínglimo, e a umerorradial e a radiulnar proximal são trocoides. O centro instantâneo de rotação tem 2 a 3 mm e fica no centro da tróclea, numa linha que segue a cortical anterior do úmero. Com o cotovelo estendido e carregado axialmente, 40% da carga passa pela umeroulnar e 60% pela radiocapitelar; a tensão no colateral medial chega a 2 vezes o peso corporal e a compressão na cabeça do rádio a 3 vezes. Se a cabeça do rádio é retirada e não substituída, a carga se concentra na borda lateral do coronoide e o colateral medial pode receber até 9 vezes o peso corporal, o que explica a artrose umeroulnar que se segue.

A cabeça do rádio e a zona de segurança

Relevância clínica

A cabeça do rádio não é toda igual. Uma parte da sua circunferência articula com a incisura radial da ulna durante a pronossupinação, e a outra nunca entra na articulação radiulnar proximal. É nessa segunda parte que se pode pôr placa ou cabeça de parafuso sem bloquear a rotação, e é dela que a banca pergunta.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., trata o assunto em dois capítulos vizinhos, com focos diferentes. No cap. 40 (luxações), a margem não articular ocupa cerca de um terço do diâmetro, é mais arredondada e muitas vezes sem cartilagem; a zona de segurança para a placa se acha na cirurgia com o antebraço em rotação neutra, colocando a placa 10 graus anterior à linha médio-axial. No cap. 41 (fraturas da cabeça e do colo), HOTCHKISS define uma zona de 110 graus marcando a cabeça com o antebraço em neutro, em supinação total e em pronação total; CAPUTO a descreve como o setor que fica entre o estiloide radial e o tubérculo de LISTER. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 38, p. 1389), escrevendo para a criança, fala em 100 graus da circunferência que não articulam com a ulna. A diferença entre 100 e 110 graus é de autor; o que não muda é o raciocínio: a zona é a face que fica lateral quando o antebraço está neutro, ligeiramente para a frente.

A irrigação também vem do Rockwood (cap. 40): um anel pericervical formado por ramos da recorrente radial e da ulnar, um ramo da interóssea para o colo e a nutrícia por dentro. Placa larga e dissecção circunferencial do colo ameaçam esse anel.

O colateral medial e seus feixes

Cobrança confirmada · 1 questão

O complexo colateral medial (o Netter chama de colateral ulnar, LCU) tem três partes, e só uma delas é cobrada como estabilizadora.

O feixe anterior (Netter, p. 119) vai da face inferior do epicôndilo medial à face medial do processo coronoide, no tubérculo sublime. É a contenção mais importante ao estresse em valgo, fica sempre tenso e, quando rompe, geralmente rompe fora do coronoide. O Rockwood and Green (cap. 39) precisa a origem: a face anteroinferior do epicôndilo medial, abaixo do eixo de rotação, o que explica por que ele não afrouxa ao longo do arco. O Campbell 15 (cap. 15, p. 643) concorda que é "a porção principal" do complexo, tenso em flexão e em extensão, e no cap. 52 (p. 2229) divide o próprio feixe anterior em duas bandas não isométricas: a anterior, tensa de 0 a 60 graus, e a posterior, tensa de 60 a 120 graus. É por isso que um feixe "sempre tenso" pode ser descrito, sem contradição, como duas faixas que se revezam.

O feixe posterior vai do epicôndilo medial à borda medial do olécrano (incisura troclear). Fica tenso e resiste ao valgo em flexão acima de 90 graus. Ele e a cápsula formam o assoalho do túnel cubital, e o Campbell 52 lembra que a lesão do feixe posterior associada à fratura do coronoide produz a instabilidade posteromedial.

O feixe transverso (ligamento de COOPER nas questões) vai do olécrano ao coronoide, ambos na ulna, e por isso não cruza a articulação: apenas estabiliza a incisura troclear. Não é estabilizador de valgo.

Os três feixes do colateral medial (Netter, cap. 4; Campbell 15, caps. 15 e 52; Rockwood and Green 10, cap. 39)
FeixeDe onde a ondeQuando fica tensoPapel
anteriorface anteroinferior do epicôndilo medial ao tubérculo sublime do coronoidesempre (banda anterior 0 a 60 graus, posterior 60 a 120)principal contenção ao valgo; o mais resistente
posteriorepicôndilo medial à borda medial do olécranoflexão acima de 90 grausvalgo em flexão; assoalho do túnel cubital; instabilidade posteromedial
transversoolécrano ao coronoidenão cruza a articulaçãoestabiliza a incisura troclear

Quanto ele segura. O Campbell 52 dá os números: com o cotovelo estendido, o valgo é dividido igualmente entre o colateral ulnar, a cápsula anterior e a articulação; a 90 graus, o colateral ulnar responde por 55%, com o feixe anterior como estabilizador primário. A falência atritiva do feixe anterior no arremessador é, de longe, a forma mais comum de instabilidade recorrente do cotovelo, porque na aceleração do arremesso o ligamento recebe forças próximas do seu limite de ruptura.

O complexo lateral e o LUCL

Relevância clínica

Do lado lateral, os livros discordam mais na nomenclatura do que na função.

O que o Netter descreve (p. 119). O colateral radial (LCR) tem uma "parte radial", do epicôndilo lateral ao ligamento anular, contenção em varo; uma "parte ulnar", do epicôndilo lateral à crista do músculo supinador da ulna, que segura a cabeça do rádio e cuja lesão produz a instabilidade rotatória posterolateral (IRPL); e um "colateral lateral acessório", do anular à crista do supinador, que estabiliza o anular no varo. A revisão científica da tradução avisa que a terminologia anatômica oficial não reconhece essas divisões, mas é com elas que a prova conversa. O ligamento anular prende-se nas margens anterior e posterior da incisura radial e é o que se estira ou rompe na subluxação da cabeça do rádio da criança. O ligamento quadrado, da ulna ao colo do rádio sob o anular, fica tenso na supinação; a corda oblíqua estabiliza na pronossupinação.

O que o Campbell 15 descreve (cap. 15, p. 643). Quatro componentes: o colateral radial (do epicôndilo ao anular, junto com a cápsula), o LUCL (colateral ulnar lateral, as fibras posteriores do colateral radial que passam superficiais ao anular e se inserem na crista do supinador), o colateral lateral acessório (do epicôndilo à borda inferior do anular, tenso no varo) e o anular. E conclui: "desses, o LUCL é o mais crucial para manter a estabilidade". No cap. 52 (p. 2229), o texto chama o LUCL de principal estabilizador lateral, tenso em flexão e em extensão, inserido no tubérculo da crista do supinador; a ruptura dele produz a IRPL. Repare numa diferença com o Netter: o Campbell faz o colateral acessório nascer no epicôndilo, enquanto o Netter o faz nascer no próprio anular.

O que o Rockwood and Green acrescenta (cap. 39). O colateral radial e o LUCL nascem do mesmo ponto isométrico do epicôndilo lateral; o LUCL vai à crista do supinador; o complexo restringe o varo e a instabilidade rotatória posterolateral. Daí um cuidado cirúrgico: na placa lateral do úmero distal, não expor além do equador do capítulo, para não descolar a origem do complexo.

Uma surpresa nos números: o Campbell 52 diz que o colateral lateral contribui com só 14% da estabilidade em varo com o cotovelo estendido e 9% a 90 graus; o resto vem das superfícies ósseas e da cápsula anterior. O LUCL não é importante pelo varo, e sim por segurar a rotação posterolateral do rádio e da ulna juntos em relação ao úmero.

O complexo ligamentar lateral (Netter, cap. 4; Campbell 15, caps. 15 e 52; Rockwood and Green 10, cap. 39)
ComponenteOrigem e inserçãoFunçãoObservação
colateral radial ("parte radial")epicôndilo lateral (ponto isométrico) ao anularvaro; estabiliza o anularcontribui pouco ao varo (14% em extensão, 9% a 90 graus)
LUCL ("parte ulnar")epicôndilo lateral à crista do supinador, superficial ao anularimpede a IRPLo mais crucial do lado lateral
colateral lateral acessórioanular (Netter) ou epicôndilo (Campbell) à crista do supinador ou borda inferior do anularestabiliza o anular no varonome não oficial
anularmargens anterior e posterior da incisura radialmantém a cabeça do rádio contra a ulnaestirado no cotovelo de babá
quadradoulna ao colo do rádio, sob o anulartenso na supinação; estabiliza a radiulnar proximal

Como a IRPL aparece no exame. O Netter (p. 126) descreve o pivot shift do cotovelo: paciente com o cotovelo supinado e estendido, ombro fletido acima da cabeça, aplica-se carga axial em supinação com valgo enquanto se flete o cotovelo; o teste é positivo se houver apreensão, subluxação palpável da cabeça do rádio ou a pele afundando sobre ela. E o Campbell 52 ensina a sequência da luxação: queda sobre o membro levemente fletido, valgo e rotação interna do úmero sobre o antebraço pronado e fixo; a lesão começa no lado lateral e progride para medial à medida que a força aumenta.

Estabilizadores primários e secundários

Fundamento

Com os ligamentos no lugar, a pergunta seguinte é quem segura o quê, e em que ângulo. O Netter (p. 119) organiza a estabilidade numa tabela que vale decorar porque é cobrada por posição.

Primários. A articulação umeroulnar é a contenção primária ao valgo abaixo de 20 graus e acima de 120 graus de flexão (nas pontas do arco, o osso trava) e ao varo em extensão (secundária em flexão). O colateral ulnar, sobretudo o feixe anterior, é o primário ao valgo entre 20 e 120 graus. O colateral radial, sobretudo a parte ulnar, é o primário ao varo em flexão (secundário em extensão) e impede a subluxação da cabeça do rádio.

Secundários. A cabeça do rádio contém o valgo de 0 a 30 graus; a cápsula anterior e posterior contém varo e valgo; as origens flexora e extensora comuns atuam como forças dinâmicas.

O Campbell 15 mostra outra fotografia da mesma estabilidade, por tipo de força (cap. 15, p. 643): em extensão, a cápsula anterior dá cerca de 70% da resistência à distração, o valgo se divide igualmente entre colateral medial, cápsula e superfície articular, e o varo entre articulação, LUCL e cápsula; em flexão, o colateral medial é o estabilizador principal ao valgo, a cabeça do rádio é secundária e a articulação dá cerca de 75% da resistência ao varo. A frase-síntese do capítulo é que colateral medial e cabeça do rádio intactos são essenciais para que um cotovelo normal não luxe; a umeroulnar mantém a estabilidade na flexoextensão e a radiocapitelar resiste ao valgo e transmite a carga de empurrar e levantar.

O Campbell 52 (p. 2229) junta tudo em duas listas: primários são a banda anterior do colateral medial e o complexo lateral (colateral lateral, anular e LUCL); secundários são a cápsula, as articulações umeroulnar e radiocapitelar e os estabilizadores dinâmicos (bíceps, braquial, tríceps, flexores e extensores do punho). Note que, nessa lista, as articulações aparecem como secundárias, enquanto o Netter põe a umeroulnar entre os primários nas pontas do arco. Não é contradição de anatomia, e sim de critério: o Netter classifica por ângulo; o Campbell, por tipo de estrutura.

Quem segura o quê (Netter, cap. 4; Campbell 15, caps. 15 e 52)
ForçaExtensãoFlexão intermediáriaFlexão máxima
valgoumeroulnar (abaixo de 20 graus); terços iguais entre colateral medial, cápsula e osso (Campbell)colateral medial, feixe anterior (20 a 120 graus); 55% a 90 grausumeroulnar (acima de 120 graus)
valgo, secundáriocabeça do rádio (0 a 30 graus)cabeça do rádiocápsula
varoumeroulnar; terços iguais entre osso, LUCL e cápsula (Campbell)colateral radial, parte ulnar; articulação dá 75% (Campbell)colateral radial
distraçãocápsula anterior (70%)colateral medialcolateral medial
rotação posterolateralLUCLLUCLLUCL

Os músculos que cruzam o cotovelo

Cobrança confirmada · 6 questões

O jeito mais rápido de organizar os músculos do cotovelo é pelos dois epicôndilos, porque é neles que a prova põe a seta.

O epicôndilo medial (Netter, cap. 4, p. 127) é a origem do pronador redondo e do tendão flexor comum: flexor radial do carpo, palmar longo, flexor ulnar do carpo e flexor superficial dos dedos. Todos do mediano, menos o FUC (ulnar). O pronador redondo (Netter, cap. 5, p. 163) tem duas cabeças, a umeral (epicôndilo medial) e a ulnar (ulna proximal), insere-se na face lateral do terço médio do rádio, é inervado pelo mediano, prona e ajuda a fletir o antebraço, e pode comprimir o mediano (síndrome do pronador).

O epicôndilo lateral é a origem do ancôneo e do tendão extensor comum: extensor radial curto do carpo (ERCC), extensor dos dedos (ED), extensor do dedo mínimo e extensor ulnar do carpo (EUC). O ancôneo (Netter, cap. 5, p. 166) vai da parte posterior do epicôndilo lateral à face posterior da ulna proximal, é inervado pelo radial e estende o antebraço; o Netter anota que é o plano muscular do acesso de KOCHER. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 950), mostra que o ramo do ancôneo sai do radial acima da articulação, antes do ERLC. O ERCC é o tendão que degenera no cotovelo de tenista, e o Green (cap. 25, p. 863) explica por que a lesão às vezes envolve o extensor dos dedos (cerca de um terço dos casos): as origens do ERCC e do extensor dos dedos são indistinguíveis no epicôndilo lateral e só se separam vários centímetros abaixo. O Campbell 15 (cap. 51, p. 2181) localiza a dor cerca de 5 mm distal e anterior ao ponto médio do côndilo, sobre a origem do ERCC.

A massa móvel (Netter, cap. 5, p. 166): braquiorradial, ERLC e ERCC. O braquiorradial nasce da crista supracondilar lateral, insere-se na parte distal do rádio, é inervado pelo radial e tem como ação a flexão do antebraço; é também força deformante nas fraturas do rádio. É um flexor do cotovelo inervado pelo nervo dos extensores, e é exatamente essa contradição que a prova explora. O ERLC é do radial; o ERCC, do radial ou do interósseo posterior.

O compartimento anterior do braço (Netter, cap. 4, p. 128). O braquial sai da face anterior da metade distal do úmero e se insere na tuberosidade da ulna; tem inervação dupla (parte medial pelo musculocutâneo, parte lateral pelo radial), o que permite dividi-lo no acesso anterior ao úmero. O bíceps tem a cabeça longa no tubérculo supraglenoidal e a curta no coracoide, insere-se na tuberosidade do rádio, é do musculocutâneo e faz supinação e flexão; a ruptura proximal dá o sinal do POPEYE.

Quem é o principal. O Campbell 15 (cap. 15, p. 644) cita a eletromiografia: o braquial fica ativo em quase todo o arco e é o "burro de carga" da flexão. A força máxima de flexão acontece a 90 graus. Na supinação, os principais supinadores são o bíceps e o supinador (Rockwood and Green, cap. 42); o bíceps é o mais potente, e o supinador (do radial, pelo interósseo posterior) supina com o cotovelo estendido. Os pronadores são o pronador redondo e o pronador quadrado.

As raízes. No exame do Netter (p. 126), a flexão resistida testa o musculocutâneo em C5 e C6 (braquial e bíceps); a supinação resistida testa o musculocutâneo em C6 (bíceps); a pronação, o mediano em C6 (pronador redondo); a extensão, o radial em C7 (tríceps). Os reflexos seguem a escada: bicipital C5, braquiorradial C6, tricipital C7.

Músculos do cotovelo: origem, inserção, nervo e ação (Netter, caps. 4 e 5)
MúsculoOrigemInserçãoNervoAção
braquialface anterior do úmero distaltuberosidade da ulnamusculocutâneo (medial) e radial (lateral)flexão; o principal flexor
bícepssupraglenoidal e coracoidetuberosidade do rádiomusculocutâneosupinação e flexão
braquiorradialcrista supracondilar lateralrádio distalradialflexão do antebraço
pronador redondoepicôndilo medial e ulna proximalterço médio lateral do rádiomedianopronação e flexão
ancôneoepicôndilo lateral, face posteriorulna proximal posteriorradialextensão
supinadorulna posterolateral (crista do supinador)rádio proximal lateralradial (interósseo posterior)supinação
trícepsescápula e úmero posteriorolécranoradialextensão
ERCCepicôndilo lateral (fundido ao ED)base do 3º metacarpalradial ou interósseo posteriorextensão do punho

Quando os flexores faltam. O Campbell 15 (cap. 36, p. 1278.e33) lista as transferências para devolver a flexão do cotovelo, e a primeira é a flexoplastia de STEINDLER: a origem comum do pronador redondo, do FRC, do palmar longo, do FSD e do FUC é levada do epicôndilo medial cerca de 5 cm para cima no úmero, de modo que esses músculos passem à frente do eixo e passem a fletir o cotovelo. Indica-se quando bíceps e braquial estão paralisados e o grupo flexopronador tem força pelo menos regular. A desvantagem clássica é a deformidade em pronação; a modificação de BUNNELL leva a origem 5 cm acima e mais lateral, prolongada com fáscia lata, para diminuir a pronação. Outras opções: tríceps anteriorizado (BUNNELL, CARROLL), peitoral maior (CLARK; BROOKS e SEDDON), latíssimo do dorso (HOVNANIAN).

A fossa cubital

Cobrança confirmada · 1 questão

A fossa cubital é o triângulo anterior do cotovelo, e a prova quer a ordem das estruturas de lateral para medial.

Os limites (Rockwood and Green 10, cap. 42). Proximalmente, uma linha entre os dois epicôndilos; lateralmente, o braquiorradial; medialmente, o pronador redondo; o assoalho é o braquial, e o teto é a aponeurose bicipital (lacerto fibroso).

O conteúdo, de lateral para medial. Mais lateral, no sulco entre bíceps e braquiorradial, emerge o nervo cutâneo lateral do antebraço, o ramo terminal sensitivo do musculocutâneo, que sai entre o bíceps e o braquial e corre no subcutâneo sobre o braquiorradial (Netter, caps. 4 e 5). Em seguida, o tendão do bíceps. Medial a ele, a artéria braquial: o Rockwood and Green (cap. 42) diz que ela chega ao antebraço "entre o mediano medialmente e o tendão do bíceps lateralmente". O mais medial é o nervo mediano, que passa sob a aponeurose bicipital, medial ao tendão e à artéria (cap. 39). O Campbell 15 (cap. 1, p. 124, técnica de YANG para o coronoide) confirma a ordem no campo operatório: depois de incisar a aponeurose bicipital, desenvolve-se o intervalo entre a artéria braquial e o nervo mediano, afastando artéria, bíceps e braquiorradial para lateral e mediano e pronador para medial. O nervo radial não está na fossa propriamente: fica mais lateral e profundo, entre o braquial e o braquiorradial.

A fossa cubital (Netter, caps. 4 e 5; Rockwood and Green 10, caps. 39 e 42; Campbell 15, cap. 1)
PosiçãoEstruturaDetalhe
mais lateralnervo cutâneo lateral do antebraçoramo sensitivo do musculocutâneo, entre bíceps e braquial
lateraltendão do bícepsmarco palpável; ausente na ruptura distal
medialartéria braquialdivide-se em radial e ulnar na fossa
mais medialnervo medianosob a aponeurose bicipital, vai às cabeças do pronador
assoalhobraquialprotege o mediano nas fraturas do úmero distal
tetoaponeurose bicipitalpode comprimir o mediano (Netter, p. 121)

A artéria braquial e as anastomoses

Cobrança confirmada · 1 questão

Onde começa e por onde corre. A artéria axilar é a continuação da subclávia depois da primeira costela e torna-se braquial na margem inferior do músculo redondo maior (Netter, cap. 3, pp. 100 e 101). No braço (cap. 4, p. 133), ela corre na face medial, medial ao bíceps, acompanhada pelo mediano: o nervo começa lateral à artéria, cruza por cima dela no meio do braço e termina medial no cotovelo. O Rockwood and Green (cap. 39) resume a relação: o mediano viaja com a artéria braquial entre o bíceps e o braquial, na face anteromedial do braço. O Green (cap. 21, p. 787) e o Rockwood (cap. 42) dividem a braquial em radial e ulnar logo abaixo da aponeurose bicipital, na fossa cubital; a ulnar dá a interóssea comum, distal à tuberosidade do bíceps.

Os ramos e a rede (Netter, p. 133). A braquial profunda acompanha o radial no sulco espiral e dá a colateral radial (que se anastomosa com a recorrente radial) e a colateral média (com a recorrente interóssea; é o pedículo do retalho lateral do braço). A colateral ulnar superior acompanha o ulnar no meio do braço e encontra a recorrente ulnar posterior; a colateral ulnar inferior encontra a recorrente ulnar anterior. A recorrente radial, primeiro ramo da radial, sobe superficial ao supinador e forma a alça de HENRY, cujos ramos podem comprimir o radial e o interósseo posterior.

O Rockwood and Green (cap. 39) organiza essa rede em três arcadas, que explicam por que o cotovelo tolera bem a ligadura de um ramo e por que a irrigação do úmero distal chega por trás.

As três arcadas do cotovelo (Rockwood and Green 10, cap. 39; Netter, cap. 4)
ArcadaVasosO que irriga
lateralinteróssea recorrente, recorrente radial, colateral radialcapítulo, cabeça do rádio, epicôndilo lateral, tróclea lateral
medialcolaterais ulnares superior e inferior, recorrentes ulnares anterior e posteriorepicôndilo medial, tróclea medial
posteriorcolateral média, mais as arcadas medial e lateralfossa do olécrano, região supracondilar

A artéria radial no antebraço e o retalho chinês. A radial corre sobre o pronador redondo, sob o braquiorradial, e no punho fica entre o FRC e o braquiorradial (Rockwood, cap. 42). O Campbell 15 (cap. 70, p. 3131) descreve o retalho antebraquial radial: a radial irriga a pele distal, palmar e lateral do antebraço (cerca de 16 por 8 cm), o retalho é fino, pode ser fasciocutâneo pediculado, osteocutâneo com um pedaço do rádio ou livre, e é sensível pelo musculocutâneo; a desvantagem citada é o defeito na área doadora e o sacrifício da radial, e o teste de ALLEN é obrigatório antes. O Green (cap. 24, pp. 859 e 860) usa o retalho radial em ilha justamente para cobrir defeitos sobre o olécrano. O HEBERT (cap. 53) chama-o de retalho chinês e o indica sobretudo para a primeira comissura.

O nervo ulnar: STRUTHERS, OSBORNE e o FUC

Relevância clínica

O trajeto (Netter, cap. 4; Rockwood and Green, cap. 39; Green, cap. 28, p. 941). O ulnar (C8 e T1, ramo terminal do fascículo medial) fica posteromedial à artéria braquial no braço, sem dar ramos; perfura o septo intermuscular medial no terço médio e desce sobre a cabeça medial do tríceps, passa sob a arcada de STRUTHERS, contorna o epicôndilo medial por trás, entra no túnel cubital e sai entre as cabeças umeral e ulnar do FUC, que é o primeiro músculo que inerva no antebraço.

A arcada de STRUTHERS não é o ligamento de STRUTHERS. A arcada é uma faixa de fáscia do septo intermuscular à cabeça medial do tríceps, cerca de 8 cm proximal ao epicôndilo medial, presente em 70% (Netter, p. 121; Rockwood, cap. 39; o Green dá os mesmos 8 cm), e comprime o ulnar. O ligamento sai do processo supracondilar (5%) e comprime o mediano.

O túnel cubital (Netter, p. 120). O teto é o "ligamento arqueado" de OSBORNE, também chamado retináculo do túnel cubital, do epicôndilo medial ao olécrano; fica apertado na flexão e é o que se libera na descompressão. O assoalho é o colateral ulnar (o feixe posterior e o transverso, com a cápsula). As paredes: epicôndilo medial à frente, olécrano ao lado, cabeça medial do tríceps atrás. O Green (cap. 28) define o túnel pela fáscia tensa do FUC em continuidade com o ligamento arqueado de OSBORNE. O Rockwood (cap. 39) descreve o mesmo sulco fibro-ósseo entre epicôndilo, olécrano e ligamento de OSBORNE.

Por que a flexão aperta. O HEBERT (cap. 4) dá a física: a 45 graus de flexão, o epicôndilo se afasta 5 mm do olécrano, tensionando o colateral medial e o retináculo e achatando o canal; a pressão no túnel sobe de 7 para 11 a 34 mmHg; e o ulnar desliza para a frente do epicôndilo em 14 a 16% das pessoas normais.

Onde o ulnar pode ser comprimido no cotovelo (HEBERT, cap. 4; Green, cap. 28; Netter, cap. 4)
LocalEstrutura
braço distalarcada de STRUTHERS (8 cm, 70%), septo intermuscular medial, cabeça medial do tríceps
epicôndilo medialcúbito valgo, consolidação viciosa do côndilo medial
sulco epicondilarlesões no sulco, subluxação do nervo, ancôneo epitroclear
túnel cubitalligamento de OSBORNE (teto)
antebraço proximalaponeurose entre as cabeças do FUC, fáscia flexopronadora profunda

O cutâneo medial do antebraço passa posterior ao ulnar no epicôndilo ou acima dele em 90% (Green, p. 941), e é o nervo que a incisão medial mais lesa.

O nervo mediano no cotovelo

Cobrança confirmada · 1 questão

O mediano não dá ramos no braço (Netter, cap. 4). No cotovelo (Netter, cap. 5; Rockwood, caps. 39 e 42; Green, cap. 21, p. 787), passa sob a aponeurose bicipital, medial à artéria, protegido atrás pelo braquial, e entra no antebraço entre as duas cabeças do pronador redondo (o HEBERT chama de porções superficial e profunda), depois sob o arco do FSD. O interósseo anterior sai logo acima do FSD e passa entre as duas cabeças desse músculo.

A ordem dos ramos é a ordem da descida. O primeiro músculo que o mediano encontra é o pronador redondo, e o Netter lista os ramos motores do tronco principal nessa sequência: pronador redondo, FRC, palmar longo e FSD; depois o interósseo anterior (FPD do indicador e do médio, FLP e pronador quadrado). Numa lesão alta reparada, a regeneração avança pelo nervo de cima para baixo, e o músculo de ramo mais proximal é o primeiro a voltar. Os pontos de compressão marcados pelo Netter seguem o mesmo trajeto: ligamento de STRUTHERS, aponeurose bicipital, cabeças do pronador, arco do FSD.

O radial, o interósseo posterior e a arcada de FROHSE

Cobrança confirmada · 3 questões

Do braço ao cotovelo (Rockwood and Green, cap. 39; Green, cap. 28, p. 950). O radial entra no sulco espiral cerca de 20 cm acima do epicôndilo medial e sai cerca de 14 cm acima do lateral; perfura o septo intermuscular lateral a cerca de 10 cm do epicôndilo lateral e passa ao compartimento anterior, entre o braquial e o braquiorradial. Ali inerva, de cima para baixo, o braquial (parte lateral), o braquiorradial, o ancôneo e o ERLC, e se divide, na altura da articulação, em ramo superficial (sensitivo, sob o braquiorradial) e ramo profundo. O ERCC é inervado abaixo da articulação, pelo ramo profundo ou pelo superficial.

O túnel radial (Green, cap. 28, p. 950) começa à frente da radiocapitelar e tem cerca de 5 cm: lateral, os dois radiais e o braquiorradial (que faz o teto); medial, o bíceps e o braquial; atrás, a cápsula. O ramo profundo passa a recorrente radial (alça de HENRY), a borda do ERCC e entra no supinador pela arcada de FROHSE, a borda fibrosa proximal da cabeça superficial do supinador (Netter, cap. 5, p. 176; HEBERT, cap. 4). Entre as duas cabeças do supinador, passa a chamar-se interósseo posterior (NIP). O Campbell 15 (cap. 82, p. 3561) lista os quatro pontos de compressão da síndrome do túnel radial: origem do ERCC, aderências na cabeça do rádio, o leque recorrente radial e a arcada de FROHSE.

No antebraço. O NIP cruza o rádio proximal 5 a 6 cm abaixo da radiocapitelar (Green, cap. 21, p. 787) e inerva, em sequência, ERCC, supinador, extensor dos dedos, extensor do dedo mínimo, EUC, ALP, ELP, ECP e extensor do indicador, terminando como fibra sensitiva do punho. Desce sobre a face posterior da membrana interóssea (Rockwood, cap. 42), sob o extensor dos dedos e entre ALP e ELP (Netter, p. 176), e na dissecção profunda do Netter (cap. 5) aparece junto da artéria interóssea posterior, que também corre na face posterior da membrana. No corte transversal do terço médio, é esse par (nervo e artéria interósseos posteriores) que fica entre os extensores superficiais e profundos; a artéria ulnar e o mediano estão do lado volar. Na paralisia do NIP, o punho desvia para o lado radial porque o ERLC, inervado acima, está preservado.

O radial do septo ao interósseo posterior (Rockwood and Green 10, cap. 39; Green 7, caps. 21 e 28; Campbell 15, cap. 82)
PontoDistância ou estruturaImportância
septo intermuscular lateralcerca de 10 cm acima do epicôndilo lateralplacas laterais longas
entre braquial e braquiorradialramos ao braquial, braquiorradial, ancôneo e ERLCancôneo inervado acima da articulação
divisãona altura da articulaçãosuperficial sensitivo, profundo motor
túnel radialcerca de 5 cm; teto no braquiorradialHENRY, ERCC, FROHSE
arcada de FROHSEborda proximal do supinadorcompressão do NIP
rádio proximalNIP cruza 5 a 6 cm abaixo da radiocapitelarrisco na via ao rádio proximal

A membrana interóssea e a radiulnar proximal

Relevância clínica

A ulna é o osso de carga do antebraço e fica parada; o rádio gira em volta dela pelo eixo que passa no centro da cabeça do rádio e na fóvea da ulna (Green, cap. 21, p. 786). Em cima, a radiulnar proximal é estabilizada pelo anular, que se prende nas margens da incisura radial e se mistura ao colateral lateral na crista do supinador (Rockwood, cap. 42).

A membrana interóssea (Green, p. 786) tem porções distal, média e proximal. As condensações mais fortes, segundo NODA, são a banda oblíqua distal, as bandas central e acessória, a corda oblíqua dorsal acessória e a corda oblíqua proximal. A figura do Green as põe no lugar: o cordão oblíquo distal na porção membranosa distal; o complexo ligamentar médio com a banda central e as bandas acessórias; e o cordão oblíquo proximal na superfície anterior proximal. A banda central (Rockwood, cap. 42) tem cerca de 3,5 cm, fibras do rádio proximal para a ulna distal a cerca de 20 graus do eixo, e responde por 71% da rigidez longitudinal depois da ressecção da cabeça do rádio (HOTCHKISS): é ela que impede o rádio de subir quando a cabeça falta.

As vias de acesso e os intervalos internervosos

Fundamento

A pergunta de toda via é a mesma: entre que músculos eu entro, que nervos inervam cada lado e o que corre perigo. O Campbell 15 (cap. 1, Tabela 1.1, p. 110) resume as vias do cotovelo, e o Netter (cap. 4, pp. 137 e 138) dá os planos e os riscos das principais.

KOCHER (lateral). Para a maioria das cirurgias da cabeça do rádio e do côndilo lateral. O plano é entre o ancôneo (radial) e o EUC (interósseo posterior), um plano internervoso verdadeiro. Riscos: NIP e radial. Proteção, nas palavras do Netter: ficar acima do ligamento anular e manter o antebraço em pronação. A incisão do Campbell (técnica 1.112, p. 115) começa 5 cm acima pela crista supracondilar lateral, desce 5 cm abaixo da cabeça do rádio e curva até a borda posterior da ulna. O ramo distal dessa via é a posterolateral à cabeça e ao colo do rádio (técnica 1.116, p. 119): segundo o Campbell, a melhor para ressecar a cabeça, porque é extensível, preserva o nervo do ancôneo e é mais segura do que separar o EUC do extensor dos dedos ou este dos radiais, planos que ameaçam o NIP; STRACHAN e ELLIS recomendaram pronação total, que afasta o nervo do campo. O plano EUC/ancôneo se acha melhor distalmente, porque em cima os dois se fundem; o Rockwood (cap. 39) ensina a achá-lo pela faixa de gordura ou pelas perfurantes da recorrente interóssea posterior.

KAPLAN e os outros laterais. A Tabela 1.1 do Campbell lista KOCHER entre EUC e ancôneo, CADENAT entre ERCC e ERLC, KAPLAN entre ERCC e EUC (como está impresso) e KEY-CONWELL entre braquiorradial e ERLC. Na via global, o mesmo capítulo usa o intervalo de KAPLAN como o espaço entre o extensor dos dedos e os radiais, seguido até o NIP na arcada de FROHSE, e o Green (cap. 25) aborda o ERCC pela interface ERLC/extensor dos dedos. O que vale para a prova: o KAPLAN é mais anterior que o KOCHER e chega mais perto do NIP, por isso exige pronação.

Lateral para o côndilo (técnica 1.111, pp. 113 a 115). Ótima para a fratura do côndilo lateral, porque a origem extensora fica presa ao fragmento. Desenvolve-se o intervalo entre o tríceps atrás e o braquiorradial e ERLC à frente; na parte proximal, cuidado com o radial entre o braquial e o braquiorradial; distalmente, proteger o ramo profundo onde entra no supinador.

BOYD (posterolateral). Na Tabela 1.1, entre a borda lateral do tríceps e a ulna e entre o ancôneo e o EUC, rebatendo o ancôneo e o supinador para expor a ulna proximal e o rádio proximal (o detalhe está no resumo do antebraço).

Medial. HOTCHKISS entra entre o FUC e o palmar longo/FRC; MOLESWORTH e CAMPBELL (técnica 1.113, pp. 115 a 117) osteotomizam o epicôndilo medial e o rebatem com a origem flexora, depois de isolar o ulnar atrás do epicôndilo e protegendo os ramos do mediano que entram pela borda lateral desses músculos. Para o coronoide e o feixe anterior, a extensão posteromedial da via global desinsere o FUC e o FPD da ulna; o Rockwood (cap. 40) prefere o intervalo entre as duas cabeças do FUC.

Posteriores. A osteotomia do olécrano (MACAUSLAND e MÜLLER, técnica 1.109) é a de melhor exposição da superfície articular do úmero distal; não há plano internervoso; o risco é o ulnar e a pseudartrose da osteotomia, que se faz em chevron com ápice distal de cerca de 60 graus na zona nua, três quartos com serra e o último quarto quebrado com osteótomo, com a fixação preparada antes. BRYAN e MORREY (técnica 1.110) descolam o tríceps do olécrano medial e o rebatem para lateral em continuidade com a fáscia e o periósteo; o ponto fraco é a junção medial entre a inserção do tríceps e o periósteo, e estender o cotovelo 20 a 30 graus alivia a tensão. Vê menos que a osteotomia, mas não tem pseudartrose.

Vias do cotovelo: planos e riscos (Campbell 15, cap. 1; Netter, cap. 4)
ViaIntervaloNervo em riscoDetalhe
KOCHERancôneo (radial) e EUC (NIP)NIP, radialacima do anular, antebraço pronado
KAPLANentre o extensor dos dedos e os radiais (via global); ERCC e EUC na tabelaNIPmais anterior que o KOCHER
lateral (côndilo)tríceps e braquiorradial/ERLCradial proximalorigem extensora fica no fragmento
BOYDtríceps/ulna e ancôneo/EUCNIPulna e rádio proximais
HOTCHKISS (medial)FUC e PL/FRCulnar, ramos do medianocoronoide e colateral medial
osteotomia do olécranosem planoulnarmelhor exposição; chevron; pseudartrose
BRYAN e MORREYtríceps rebatido medial para lateralulnarsem pseudartrose; visão menor

Artroscopia: os portais e os nervos em risco

Cobrança confirmada · 1 questão

Os portais são o lugar em que a anatomia do cotovelo vira distância em centímetros. O Netter (cap. 4, p. 138) e o Campbell 15 (cap. 57, p. 2494) descrevem os mesmos portais com pequenas diferenças.

O lateral direto fica no "ponto fraco", o centro do triângulo entre epicôndilo lateral, cabeça do rádio e olécrano, atravessa o ancôneo e a cápsula e é por onde se distende a articulação; é o mesmo ponto da artrocentese (Netter, p. 122). Dos anterolaterais, o distal (2 a 3 cm distal e 1 cm anterior ao epicôndilo lateral) é o mais perigoso, a cerca de 7,2 mm do radial; o médio fica a 10,9 mm; o proximal (2 cm proximal e 1 cm anterior ao epicôndilo) é o mais seguro, a 13,7 mm. O Campbell abandonou o distal. Flexão de 90 graus e distensão afastam o radial. O anteromedial fica 2 cm distal e 2 cm anterior ao epicôndilo medial, atravessa o pronador e o FSD e passa a cerca de 14 mm do mediano e 17 mm da artéria; o anteromedial proximal fica 2 cm proximal ao epicôndilo, anterior ao septo intermuscular, com risco para o ulnar e o cutâneo medial do antebraço. Atrás, o posterolateral fica 2 a 3 cm (Netter: 3 cm) acima da ponta do olécrano, na borda lateral do tríceps; o posterocentral, através do tendão do tríceps, é chamado de seguro pelo Netter, mas o Campbell lembra que o ulnar está a cerca de 2,5 cm do centro e corre risco se o portal for medial demais.

Portais do cotovelo (Netter, cap. 4; Campbell 15, cap. 57)
PortalPosiçãoEm risco
lateral diretocentro do triângulo epicôndilo lateral, cabeça do rádio, olécranocutâneo posterior do antebraço
anterolateral distal2 a 3 cm distal e 1 cm anterior ao epicôndilo lateralradial (7,2 mm)
anterolateral proximal2 cm proximal e 1 cm anterior ao epicôndilo lateralradial (13,7 mm, o mais seguro)
anteromedial2 cm distal e 2 cm anterior ao epicôndilo medialmediano, artéria, cutâneo medial
anteromedial proximal2 cm proximal ao epicôndilo medial, anterior ao septoulnar, cutâneo medial do antebraço
posterolateral2 a 3 cm acima da ponta do olécrano, borda lateral do trícepscutâneos medial e posterior do antebraço
posterocentral2 a 3 cm acima da ponta, através do trícepsulnar se medial demais

Fechamento

Fundamento

Quase toda questão de anatomia do cotovelo se resolve olhando para os dois epicôndilos e para os três nervos que passam por eles. Medialmente, o flexopronador e o colateral medial (o feixe anterior no tubérculo sublime), com o ulnar atrás, sob STRUTHERS, OSBORNE e as cabeças do FUC, e o mediano à frente, sob o lacerto e entre as cabeças do pronador. Lateralmente, o ancôneo, o extensor comum (ERCC e extensor dos dedos fundidos) e o complexo lateral com o LUCL na crista do supinador, com o radial entre o braquial e o braquiorradial e o interósseo posterior pela arcada de FROHSE. À frente, a fossa cubital em ordem fixa. Atrás, o olécrano, o tríceps e as vias que o desinserem ou o osteotomizam. Os livros divergem nos números (ângulo de carregamento de 10 a 17 graus, zona de segurança de 100 ou 110 graus, fusão do olécrano aos 14 a 16 ou aos 16 a 20 anos), mas concordam em quem segura o quê.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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