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Manguito rotador: exame, roturas e tratamento

Ombro e cotoveloResumo do capítulo10 min de leitura

Anatomia (pares de forças, bainha do bíceps, cabo e crescente, arco coracoacromial); exame (NEER, HAWKINS, JOBE, PATTE, sinais de atraso, lift-off, belly-press, bear hug); impactos externo, subcoracoide e interno; COFIELD, GOUTALLIER e ELLMAN; história natural e tratamento inicial; parciais acima e abaixo de 50%; transferências (grande dorsal de GERBER, peitoral maior) e reparo parcial; nervo supraescapular a 1,8 cm; tecido da vírgula e subescapular; tendinite calcária; prótese reversa.

Atualizado em 30/10/2026 · 10 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 46 · Shoulder and Elbow Injuries, com os capítulos 52 · Arthroscopy of the Upper Extremity e 12 · Shoulder and Elbow Arthroplasty, em Campbell's Operative Orthopaedics, 14ª edição (2021). Autores do capítulo: Robert H. Miller III, Frederick M. Azar e Thomas W. Throckmorton (cap. 46).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Campbell, capítulo 46, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 46 do Campbell's Operative Orthopaedics (14ª edição, 2021), de Robert H. MILLER III, Frederick M. AZAR e Thomas W. THROCKMORTON, completado pelos capítulos 52 (artroscopia do membro superior) e 12 (artroplastia do ombro). O texto reorganiza o tema em português, na ordem em que as provas cobram.

O manguito rotador é o tema do ombro que mais cai. As provas pedem três coisas: reconhecer (os testes e as imagens), classificar (tamanho, gordura, profundidade da parcial) e decidir (observar, reparar, transferir ou trocar a articulação). Algumas questões das provas de título de ombro (TECOC) usam detalhes de livros que não estão aqui; elas ficam marcadas no alerta.

Anatomia que explica a clínica

Fundamento

  • Pares de forças: o mais importante é o do subescapular com o manguito posterior. Os dois centralizam a cabeça na glenoide, e isso explica por que alguns pacientes com roturas superiores maciças ainda elevam bem o braço. O redondo menor ganha importância quando os outros tendões falham.
  • Tendões fundidos: o supraespinal e o infraespinal se unem cerca de 15 mm antes da inserção. O supraespinal e o subescapular formam uma bainha em volta do bíceps na entrada do sulco, com o supraespinal no teto e o subescapular no assoalho; por isso as roturas do subescapular coexistem com lesões ou instabilidade da cabeça longa do bíceps.
  • Pegada (footprint): largura medial-lateral média do supraespinal de 12,7 mm e do subescapular de 17,9 mm (DUGAS).
  • Cabo e crescente: o cabo rotador é um feixe espesso, visto pelo lado articular, que funciona como suporte suspensor e protege o crescente (Fig. 46.1).
  • Intervalo rotador: contém o ligamento coracoumeral, o bíceps e o glenoumeral superior; fica contraído na capsulite adesiva e alargado na instabilidade.
  • Arco coracoacromial: formado pelo coracoide, pelo acrômio anterior e pelo ligamento coracoacromial. É o freio contra a subida do úmero; a ruptura dele é o passo final da fuga anterossuperior nas roturas maciças (Campbell, cap. 46).

Exame físico

Cobrança confirmada · 4 questões

Testes do manguito no Campbell (caps. 46 e 52)
TesteComoO que indica
NEERelevação anterior forçada com a escápula estabilizadaimpacto (dói também em capsulite, artrose, calcária)
HAWKINS-KENNEDYflexão a 90 graus e rotação internaimpacto
JOBEabdução no plano da escápula, resistênciasupraespinal
PATTE (corneteiro)braço a 90 graus no plano da escápula, cotovelo a 90, rotação lateralredondo menor
atraso em rotação externa, sinal da quedao braço não se mantém em rotação externamanguito posterior (atraso > 40 graus: sensibilidade 100%, especificidade 92%)
lift-offnão afasta o dorso da mão das costassubescapular
belly-pressnão pressiona a palma no abdome com o cotovelo à frentesubescapular
bear hugresistência com a mão no ombro opostosubescapular

Nenhum teste isolado dá o diagnóstico com certeza, e combinações melhoram pouco a acurácia (HEGEDUS). Cerca de 5% das queixas de ombro vêm da coluna cervical, e o exame neurovascular dos dois membros faz parte da consulta.

Os três impactos

Cobrança confirmada · 2 questões

  • Externo (primário): o manguito, a bursa e o bíceps passam sob o arco coracoacromial; o espaço diminui com esporão, fratura do acrômio ou os acromiale patológico, osteófitos acromioclaviculares e exostoses da tuberosidade. BIGLIANI descreveu três formas do acrômio, com mais roturas no tipo III, em gancho. Revisões não acharam diferença entre o tratamento não operatório e a acromioplastia, e o livro prefere preservar e reinserir o ligamento coracoacromial.
  • Subcoracoide: entre o coracoide e o úmero; na tomografia, cerca de 6,8 mm entre a ponta do coracoide e o úmero sugerem o impacto.
  • Interno: o manguito toca a borda posterossuperior da glenoide com o braço em abdução, extensão e rotação externa (armação do arremesso). O contato provavelmente é normal, mas fica patológico em alguns pacientes, sobretudo arremessadores que perderam rotação interna: o centro de rotação da cabeça sobe e o contato com o manguito e o bíceps aumenta (Campbell, cap. 46).

Classificar a rotura

Cobrança confirmada · 3 questões

COFIELD, pelo maior diâmetro (Box 46.2)
TamanhoDiâmetro
pequena< 1 cm
média1 a < 3 cm
grande3 a < 5 cm
maciça≥ 5 cm
  • Músculo: GOUTALLIER gradua a infiltração gordurosa em cinco estágios (0 a 4), na tomografia ou na ressonância; a gordura e a atrofia pioram o reparo. Retração importante com GOUTALLIER III e IV costuma tornar a rotura irreparável (Tabela 52.8; cap. 52).
  • Parciais (ELLMAN): lado articular (A), bursal (B) ou intratendínea (C); grau 1 até 3 mm, grau 2 de 3 a 6 mm, grau 3 acima de 6 mm. Uma profundidade acima de 6 mm indica cerca de 50% da espessura (Fig. 52.34).
  • Conduta nas parciais: a maioria repara as de mais de 50% e desbrida as de menos de 50%, com ou sem descompressão; as bursais parecem falhar mais com o desbridamento. As parciais assintomáticas são comuns (20%, 26% acima dos 60 anos), e até 53% crescem num estudo.

História natural e tratamento

Fundamento

  • Roturas em 30% a 50% dos cadáveres; roturas completas são compatíveis com função normal.
  • McLAUGHLIN (1962) deu cinco razões para não operar cedo a rotura média. O tratamento não operatório resolve os sintomas em 33% a 90%.
  • As roturas médias têm alto risco de progressão; depois dos 66 anos, 50% são bilaterais.
  • Idosos ou pouco ativos: tratamento não operatório primeiro, logo e com vigor; sintomas há mais de 6 meses pioram o resultado. Sem melhora em 8 a 12 semanas, operar para limitar a atrofia. A rotura aguda do jovem é cirúrgica.
  • Objetivo: o alívio da dor é previsível; a função depende da idade, do tamanho, da idade da rotura e da reabilitação.
Resultados por tipo de rotura (Campbell, cap. 46)
RoturaTratamentoResultado
parcial < 50%descompressão e desbridamento ou reparo95% cicatrizam se reparadas
parcial > 50%descompressão, desbridamento ou reparo40% de falha em 5 anos só com desbridamento; 95% cicatrizam se reparadas
pequena ou média (< 3 cm, 1 tendão)reparo artroscópico5% a 10% de rerruptura
grande ou maciça reparávelreparorerruptura de 30% ou mais
grande ou maciça irreparávelreparo parcial, transferência, desbridamentofalha de 50% ou mais
maciça retraída com patologia intra-articularprótese reversafunção adequada, mas limitada

Roturas irreparáveis e transferências

Cobrança confirmada · 2 questões

  • Reparo parcial (convergência das margens com reparo tendão-osso): mostrou-se superior ao desbridamento, às transferências e às augmentações nas roturas maciças irreparáveis.
  • Posterossuperior (supraespinal e infraespinal): grande dorsal (GERBER).

- O tendão é liberado da diáfise protegendo os nervos axilar e radial, passado entre o infraespinal e redondo menor e o deltoide, e fixado no úmero superolateral. - Resultado melhor com boa flexão e rotação externa ativas antes da cirurgia.

  • Anterossuperior (subescapular e supraespinal): peitoral maior, com o arco coracoacromial intacto.

- A porção esternocostal é passada profunda à clavicular e sob o tendão conjunto, superficial ao nervo musculocutâneo, até a tuberosidade menor.

  • Transposições do próprio manguito (COFIELD, subescapular): podem dar instabilidade anterior e fraqueza.

Complicações do reparo

Cobrança confirmada · 2 questões

  • O nervo supraescapular fica a apenas 1,8 cm da borda posterossuperior da glenoide. A mobilização do manguito não deve passar disso; se for preciso mais, libera-se a cápsula.
  • A pior complicação comum da acromioplastia é a perda do deltoide anterior, por lesão do nervo axilar ou por desinserção do deltoide.
  • A deficiência do arco coracoacromial com roturas anterossuperiores leva à subluxação da cabeça, sem tratamento eficaz; a melhor prevenção é preservar o arco.
  • Cerca de 80% têm alívio completo e função quase normal; nos casos de acidente de trabalho, 40% a 50%. A revisão tem resultados piores que o reparo primário.

Subescapular e o tecido da vírgula

Cobrança confirmada · 4 questões

  • Testes: lift-off, belly-press e bear hug. Na artroscopia, às vezes é preciso o artroscópio de 70 graus, e o subescapular é reparado antes da rotura posterossuperior.
  • Tecido da vírgula: é a alça medial da bainha do bíceps, formada pelo ligamento coracoumeral e pelo glenoumeral superior. Aparece nas roturas retraídas do subescapular e ajuda a mobilizá-las. Os autores tentam preservá-lo, embora desbridá-lo não piore o resultado (Campbell, cap. 52).
  • Bíceps: como o subescapular forma o assoalho da bainha, a rotura dele coexiste com frequência com lesão ou instabilidade da cabeça longa do bíceps.

Tendinite calcária

Cobrança confirmada · 1 questão

  • O que é: doença dolorosa e em grande parte autolimitada. O local mais comum é dentro do supraespinal, a 1,5 a 2 cm da inserção.
  • Quem: começa depois dos 30 anos e atinge cerca de 10% da população, sobretudo mulheres de 30 a 60 anos; 10% são bilaterais.
  • Fases: calcificação, com uma fase de repouso pouco dolorosa; reabsorção, a mais dolorosa, com o cálcio "em pasta de dente"; pós-calcificação, com reconstituição do tendão.
  • Tratamento:

- agulhamento guiado por ultrassom é o tratamento não operatório de escolha, mais rápido que as ondas de choque; - se falhar, remoção artroscópica, com acromioplastia só se houver estenose subacromial; - a doença não aumenta o risco de rotura, e a artroscopia diagnóstica de rotina é desnecessária (Campbell, cap. 46).

Artropatia e prótese reversa

Cobrança confirmada · 2 questões

  • Artropatia: sem o par de forças do manguito, a cabeça sobe, e o arco coracoacromial passa a ser o último freio. Rompido o arco, vem a fuga anterossuperior: ao tentar elevar o braço, a cabeça sai para a frente e para cima e fica palpável sob a pele.
  • Prótese reversa: recruta o deltoide. Todos os modelos medializam o centro de rotação e, em geral, alongam o deltoide, aumentando o braço de alavanca dele na elevação. O desenho de GRAMMONT põe o centro na face da glenoide, com ângulo colodiafisário umeral de 155 graus (Campbell, cap. 12).

Fechamento

Fundamento

Diante de um manguito roto, a sequência é sempre a mesma: qual tendão (os testes), quanto falta (COFIELD e ELLMAN), quanto músculo sobrou (GOUTALLIER) e o que o paciente precisa (idade, atividade, tempo de sintomas). Com essas quatro respostas, a decisão entre observar, reparar, transferir ou trocar a articulação deixa de ser uma aposta.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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