Orto Questões

Artrose e artroplastia do cotovelo

Ombro e cotoveloResumo do capítulo35 min de leitura

Artrose primária do homem de meia-idade com osteófitos no coronoide e no olécrano, estreitamento radiocapitelar comum e centro umeroulnar poupado (desbridamento, não prótese); sobrecarga em valgo e extensão com osteófito posteromedial; AR em quatro estágios, com o estágio IV como melhor indicação e os melhores resultados da prótese, mas mais infecção; ARNOLD e HILGARTNER III alarga a incisura troclear; prótese total na fratura cominutiva do idoso sem fixação estável para mobilização precoce; contraindicações (infecção, neuropática, anquilose do ombro ipsilateral, partes moles ruins); semiconstrita (COONRAD-MORREY) solta, não constrita luxa; complicações mais frequentes neurite ulnar e insuficiência do tríceps; tríceps geralmente exige cirurgia; infecção média de 3%.

Atualizado em 03/11/2026 · 35 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 27 · Total Elbow Arthroplasty, em Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026), cap. 15, e o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 39). Autores do capítulo: Mark S. Cohen e Neal C. Chen.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Green, capítulo 27, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

Ler no leitor do Orto QuestõesCriar conta grátis

No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 27 (Total Elbow Arthroplasty, de COHEN e CHEN) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição (2017), costurado com o capítulo 15 (Reconstructive Procedures of the Elbow, de BROLIN e THROCKMORTON) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), que é a fonte natural do tema e aparece em quase todas as seções. Completam o quadro o capítulo 24 do Green (HOTCHKISS, rigidez), o capítulo 26 do Green (ATHWAL, artroscopia), o capítulo 39 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (hemofilia), e o capítulo de cotovelo do adulto do Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª ed. As páginas citadas são as impressas.

O tema tem duas metades. A doença: quem tem artrose primária, onde nascem os osteófitos, o que a artrite reumatoide e a hemofilia fazem com a articulação e como o arremessador desgasta o canto posteromedial. A cirurgia: desbridamento (incluindo o OUTERBRIDGE-KASHIWAGI), interposição e, sobretudo, a prótese total, com indicações, contraindicações, tipos de implante e complicações.

Um fio liga as duas metades: a prótese de cotovelo não aguenta carga. Tudo o que se pergunta sobre ela (quem é o melhor candidato, quem tem os melhores resultados, por que o jovem pós-traumático vai mal, por que a semiconstrita solta e a não constrita luxa) sai dessa fragilidade mecânica. Quem entende isso responde as questões sem decorar.

A rigidez do cotovelo, a ossificação heterotópica, a liberação capsular aberta, a técnica da interposição e a artrodese já estão no resumo campbell15-rigidez-cotovelo; aqui elas aparecem só no que toca a artrose e a prótese, com o ponteiro para lá.

Anatomia e biomecânica que a prótese precisa respeitar

Fundamento

O "sloppy hinge" natural

No Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 643 e 644), o cotovelo tem três articulações: a umeroulnar, um gínglimo, e a radiocapitelar e a radioulnar proximal, trocoides. O conjunto é um trocogínglimo, a "dobradiça frouxa" que os engenheiros tentaram imitar nas próteses semiconstritas. O centro instantâneo de rotação mede 2 a 3 mm, fica no centro da tróclea visto de lado, e o eixo passa anterior à linha média do úmero, na linha da cortical anterior. O ângulo de carregamento vai de 11 graus de valgo em extensão a 6 graus de varo em flexão; o arco normal vai de 0 a cerca de 150 graus. O braquial é o "burro de carga" da flexão, e a força máxima de flexão ocorre a 90 graus.

As forças

As forças articulares são maiores em extensão e em pronação. Com o cotovelo estendido e carga axial, 40% passam pela umeroulnar e 60% pela radiocapitelar. A tensão no colateral medial chega a 2 vezes o peso corporal, e a compressão na cabeça do rádio a 3 vezes. No úmero distal, as forças são maiores em direção posterior e proximal, o que explica um achado clássico da prótese que solta: o componente umeral inclina para anterior e a cortical anterior reabsorve, sobretudo quando não se usou enxerto atrás da flange anterior (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., p. 645).

O ponto mais cobrado da biomecânica é a cabeça do rádio (Campbell, p. 645). Se ela é ressecada, a força radiocapitelar vai para a ulna, a tensão do colateral medial soma-se à força umeroulnar e toda a carga pode concentrar-se na borda lateral do coronoide, com até 9 vezes o peso corporal no colateral medial e progressão da degeneração umeroulnar. Essas forças passam para os componentes da prótese quando a cabeça é ressecada e não substituída. Por isso a ressecção isolada da cabeça do rádio exige complexo lateral íntegro, e por isso as próteses que sacrificam a cabeça sobrecarregam os colaterais (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 27, p. 915).

Artrose primária: quem tem e onde começa

Cobrança confirmada · 1 questão

O paciente

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 907), desenha um retrato preciso: a artrose primária do cotovelo acomete indivíduos de meia-idade e idosos, sobretudo homens a partir da quinta década, é rara em mulheres, atinge quase sempre o lado dominante e muitos relatam uma vida inteira de carga pesada. O capítulo 24 do mesmo livro (HOTCHKISS, p. 847 e 849 aprox.) repete o perfil: homens de meia-idade, de 45 a 55 anos.

A queixa típica é dor nos extremos do movimento, com perda da flexão e da extensão terminais. A rotação do antebraço é menos afetada. Bloqueios intermitentes sugerem corpos livres. A lógica é mecânica: os osteófitos crescem nas pontas e nas fossas, e o choque só acontece no fim do arco.

Onde estão as lesões

A radiografia mostra osteófitos no coronoide e no olécrano, densidades "fofas" preenchendo as fossas olecraniana e coronoide e corpos livres. O Green diz ainda que o estreitamento da articulação radiocapitelar é achado comum, em geral não sintomático, e que o centro da umeroulnar é caracteristicamente poupado. Dor no arco inteiro, e não só nos extremos, indica sinovite ou degeneração da cartilagem central, o que é raro e tardio (Green, p. 907).

Esse padrão explica o tratamento: como o centro está preservado, o problema é periférico e mecânico, e o desbridamento resolve; a prótese fica para a doença avançada do idoso.

Até 20% dos pacientes com artrose primária têm algum grau de neuropatia ulnar, insidiosa, muitas vezes despercebida até haver disfunção importante. O nervo corre junto à cápsula posteromedial e é comprimido por osteófitos ou pela sinovite que distende a cápsula medial; a síndrome cubital precoce costuma aparecer como dor medial (Green, p. 907 e 909). HOTCHKISS (cap. 24, p. 847) acrescenta que os osteófitos entram no túnel cubital, que a fraqueza intrínseca pode ser sutil e que, na dúvida, a eletroneuromiografia deve ser feita antes da cirurgia.

O tratamento inicial e o lugar da prótese

O tratamento começa com modificação de atividade, anti-inflamatório, infiltração intra-articular e, às vezes, terapia. Quando falha, a cirurgia é o desbridamento artroscópico ou aberto com liberação, justamente porque o espaço umeroulnar central está mantido. Pela idade e pela demanda, a prótese em geral não é recomendada; fica para artrose avançada em pacientes de mais de 60 a 65 anos, de baixa demanda, que aceitem reduzir a atividade, porque a falha mecânica nesse grupo é bem documentada (Green, p. 909).

As três artrites do cotovelo (Green 7, cap. 27, p. 905 a 909; Campbell 15, cap. 15, p. 654 e 655)
AspectoArtrose primáriaArtrite reumatoidePós-traumática
PacienteHomem, quinta década ou mais, lado dominante, trabalho pesado20% dos reumatoides têm cotovelo acometidoQualquer idade; histórico de fratura
LesãoOsteófitos no coronoide e no olécrano; fossas preenchidas; centro umeroulnar poupadoDegeneração umeroulnar e radiocapitelar, perda óssea e instabilidade no estágio IVIncongruência, consolidação viciosa, pseudartrose
DorNos extremos do arcoDifusa, com perda de forçaVariável
NervoUlnar comprometido em até 20%Interósseo posterior (cisto, sinovite) e ulnarUlnar cicatrizado ou transposto
Cirurgia de escolhaDesbridamento aberto ou artroscópicoSinovectomia nos estágios I e II; prótese no III e IVFixação, liberação ou interposição no jovem; prótese acima de 60 a 65 anos
Resultado da próteseFalha mecânica se o paciente é ativoOs melhores resultados, cerca de 90% satisfatóriosMenos uniforme; mais reoperação

Sobrecarga em valgo e extensão: o canto posteromedial

Cobrança confirmada · 1 questão

O arremessador produz um tipo particular de artrose. A cada lançamento, o cotovelo recebe valgo enquanto estende: o lado medial é tracionado (colateral medial), o lateral é comprimido (radiocapitelar) e, atrás, a ponta do olécrano é empurrada contra a parede medial da fossa olecraniana. O resultado é o impacto posteromedial e a formação de osteófitos posteromediais do olécrano.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 52, p. 2230 e 2231), descreve o teste da sobrecarga em valgo e extensão: mantém-se o valgo enquanto se estende passivamente o cotovelo a partir de 30 graus; a dor posteromedial no olécrano aparece quando a instabilidade subaguda ou crônica causou impacto posteromedial. O mesmo capítulo associa a instabilidade medial a três achados: condromalácia da radiocapitelar, sinovite da cápsula medial e osteófitos posteromediais do olécrano, que podem ser retirados por artroscopia. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 23, p. 837 e 838 aprox.) acrescenta que alguns cirurgiões fazem artroscopia antes da reconstrução do colateral ulnar justamente para retirar esses osteófitos, e que o osteófito posteromedial pode ser sintomático na insuficiência do colateral medial.

Há uma consequência cirúrgica direta: o canto posteromedial é o assoalho do túnel cubital. HOTCHKISS (cap. 24, p. 849) não faz artroscopia quando há grandes osteófitos no canto posteromedial, porque o ulnar está ali, e prefere a via medial que expõe o nervo.

Artrite reumatoide do cotovelo

Cobrança confirmada · 1 questão

Os quatro estágios

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 905) diz que 20% dos pacientes com artrite reumatoide têm alterações no cotovelo, com um padrão previsível de degeneração das superfícies umeroulnar e radiocapitelar. A doença é dividida em quatro estágios, pelo exame e pela radiografia. No estágio I, há osteoporose e sinovite ativa com radiografia normal; no II, sinovite crônica com alterações leves e alguma perda do espaço. Nesses dois, a sinovectomia artroscópica pode ser eficaz e parece durar mais quando combinada aos novos agentes sistêmicos. No III, perde-se toda a cartilagem, com dor e perda de força. O IV traz perda óssea extensa e instabilidade grosseira, e é esse grupo que mais se beneficia da prótese total.

Estágios da artrite reumatoide do cotovelo (Green 7, cap. 27, p. 905)
EstágioAchadoConduta sugerida
IOsteoporose e sinovite ativa; radiografia normalClínico; sinovectomia artroscópica
IISinovite crônica, alterações leves, alguma perda do espaçoSinovectomia artroscópica, mais duradoura com os novos agentes
IIIPerda completa da cartilagem, dor e perda de forçaPrótese conforme dor e função
IVPerda óssea extensa e instabilidade grosseiraMaior benefício da prótese total (semiconstrita)

O preparo do reumatoide

O reumatoide é um paciente sistêmico (Green, p. 905): a prótese de ombro vem antes da do cotovelo; a coluna cervical é avaliada (instabilidade atlantoaxial); cistos antecubitais e sinovite podem comprimir o interósseo posterior na radioulnar proximal, e o ulnar sofre com deformidade e sinovite; se o plano é uma não constrita, a frouxidão dos colaterais leva a escolher implante convertível ou semiconstrito.

Quanto aos remédios: o metotrexato em geral é mantido para evitar crise; os anti-TNF são suspensos por pelo menos um ciclo e retomados após a retirada dos pontos; o corticoide crônico pode exigir dose de estresse.

Por que o reumatoide é o melhor candidato

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 654 e 655) chama o melhor candidato de paciente com artrite reumatoide intensamente dolorosa e incapacitante, com arquitetura articular alterada, e afirma que o reumatoide com limitação de movimento, anquilose, instabilidade ou dor incapacitante vai melhor que o pós-traumático. O motivo é a baixa demanda: o reumatoide não levanta peso, e a prótese de cotovelo falha por carga. O Green (p. 913 e 914) concorda: escores e satisfação maiores, complicações tardias menores, sobrevida de 92% em 10 anos. O alívio da dor é quase uniforme, mas o movimento melhora pouco, sobretudo na AR juvenil, que continua rígida mesmo após uma prótese bem-sucedida.

Há duas ressalvas no Campbell. A prótese só deve ser considerada após falha do tratamento clínico e quando a doença já passou da fase em que a sinovectomia ajudaria; e os agentes imunomoduladores reduziram muito o número de próteses por AR. Um estudo mostrou sobrevida menor quando a prótese foi feita para fratura do úmero distal em reumatoide.

Artropatia hemofílica

Cobrança confirmada · 1 questão

A hemofilia é uma das indicações da prótese no Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 909 e 919). A artropatia é multiarticular; a cirurgia exige equipe multidisciplinar, reposição do fator VIII no perioperatório (DDAVP ou crioprecipitado na doença de VON WILLEBRAND) e atenção ao HIV, que aumenta a infecção; o papel da prótese ainda está por definir. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 654) inclui a perda óssea hemofílica entre as indicações de artroplastia.

A classificação que a prova pede está no Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 39, p. 1978 e 1979). ARNOLD e HILGARTNER dividiram a artropatia em cinco estágios pela radiografia e pelo grau de destruição da cartilagem. O ponto que decide a questão é o estágio III: estreitamento leve a moderado, cistos subcondrais, patela quadrada e alargamento do intercôndilo do joelho e da incisura troclear do cotovelo, ainda com cartilagem preservada, o que indica doença reversível. No IV, a cartilagem é destruída; no V, há anquilose fibrosa.

A versão modificada tem quatro graus, porque eliminou o estágio II original (aumento da epífise e osteoporose justa-articular), raramente isolado e sem implicação terapêutica.

Classificação de ARNOLD e HILGARTNER (Tachdjian 6, cap. 39, Box 39.1 e 39.2, p. 1978 e 1979)
EstágioAchadosObservação
IEdema de partes moles, sem alteração óssea
IIHipercrescimento e osteoporose da epífise; articulação íntegra; sem cistos; sem estreitamentoEliminado na versão modificada
IIIEstreitamento leve a moderado; cistos subcondrais; patela quadrada; alargamento do intercôndilo e da incisura troclear do cotoveloCartilagem preservada: ainda reversível
IVEstreitamento grave com destruição da cartilagem; alterações do III muito pronunciadas
VPerda total do espaço com anquilose fibrosa; incongruência; hipertrofia irregular da epífiseFase final

Artrose pós-traumática

Fundamento

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 906) trata a artrose pós-traumática como indicação crescente de prótese, mas com cautela máxima. A decisão leva em conta idade, atividade, grau de incapacidade e lesão articular. Como a prótese não dura em quem trabalha, os jovens e ativos devem receber primeiro as alternativas: fixação de pseudartrose ou consolidação viciosa, liberação e desbridamento e interposição. A prótese entra quando a umeroulnar não é mais salvável, em geral acima de 60 a 65 anos e com baixa demanda. Infecção prévia após tratamento de fratura exige abordagem estagiada.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 655) traz os números: 83% bons ou excelentes aos 5 anos e 68% aos 15, com falhas atribuídas ao uso excessivo do implante em população mais jovem e ativa; recomenda cautela abaixo de 60 anos. O Green (p. 914) cita 70% de sobrevida em 15 anos e uma associação significativa entre idade menor e falha. Os dois livros também concordam que a prótese por pós-traumática é mais reoperada que a da AR (Campbell, p. 660), embora a AR infecte mais.

A escada de tratamento

Fundamento

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 26, p. 893), e o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 645), usam a mesma lógica: se a cartilagem central existe, o problema é mecânico e o desbridamento resolve; se acabou, a escolha depende da idade e da demanda.

Escolha do procedimento na artrose do cotovelo (Campbell 15, cap. 15, p. 645 a 664; Green 7, cap. 24, p. 847, cap. 26, p. 893, cap. 27, p. 906 e 909)
SituaçãoProcedimentoPor quê
Artrose primária, centro umeroulnar preservadoDesbridamento artroscópico ou abertoProblema periférico (osteófitos, corpos livres, cápsula)
Jovem de alta demanda com artrose graveDesbridamentoNão cumpriria as restrições de carga da prótese
Jovem com artrose terminal pós-traumática ou inflamatóriaInterposiçãoEvita restrições da prótese; resultado reservado
Braçal com artrose dolorosa, sem condição de próteseArtrodese em 90 a 100 grausDurabilidade; preensão mais forte
Idoso, baixa demanda, umeroulnar destruídaPrótese total semiconstritaAlívio da dor e arco funcional
Artrose radiocapitelar isolada ou bloqueio da rotaçãoRessecção da cabeça do rádioExige complexo lateral íntegro
Sepse refratária ou múltiplas falhas de próteseRessecçãoSalvamento

Desbridamento aberto e artroscópico

Cobrança confirmada · 1 questão

Quem se beneficia

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 645) indica o desbridamento para jovens de alta demanda que não conseguiriam respeitar as restrições de carga da prótese e para pacientes com artrose grave. Grande parte pode ser feita por artroscopia, mas o aberto continua válido para o cirurgião pouco familiarizado com a artroscopia do cotovelo ou quando há deformidade importante, cicatriz de cirurgia prévia, osteófitos ou corpos livres. Numa revisão sistemática de 30 estudos e 887 cotovelos (seguimento de 44,3 meses), o aberto ganhou 19 graus de flexão, 11 de extensão e 28,6 pontos de MEPS; o artroscópico, 10 de flexão, 11 de extensão e 26,6 pontos.

O desbridamento aberto

A TC é imprescindível para localizar osteófitos e corpos livres e escolher a via. A via lateral (técnica 15.1, da coluna lateral de MORREY) ou vias medial e lateral combinadas retiram corpos livres e osteófitos. A via medial (técnica 15.2, de WADA) tem duas vantagens: permite descomprimir o ulnar, dado o quanto ele se compromete, e alcança os osteófitos da borda medial do coronoide e do olécrano, não só das pontas (Campbell, p. 646).

HOTCHKISS (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 24, p. 849) dá a regra de escolha: flexão menor que 90 graus, disfunção ulnar ou osteófitos posteromediais pedem a via medial over-the-top; flexão pouco limitada com ulnar palpável e móvel permite artroscopia. A fossa olecraniana precisa ficar livre de osso e tecido para recuperar a extensão terminal. A técnica das vias de liberação está no resumo campbell15-rigidez-cotovelo.

OUTERBRIDGE-KASHIWAGI

O procedimento de OUTERBRIDGE-KASHIWAGI é a trepanação transumeral desenhada para a artrose primária: um orifício na fossa olecraniana limpa os osteófitos do olécrano e abre caminho para o compartimento anterior. HOTCHKISS (Green, cap. 24, p. 849) diz que não o usa mais; ATHWAL (cap. 26, p. 894) mantém o princípio na artroscopia: a fossa olecraniana pode ser fenestrada artroscopicamente, "como no OUTERBRIDGE-KASHIWAGI", o que evita o impacto e cria um portal extra para ver o compartimento anterior. A descrição completa do procedimento está no resumo de rigidez.

O desbridamento artroscópico

ATHWAL chama o procedimento de artroplastia osteocapsular artroscópica e é franco: ela não mostrou superioridade clínica sobre o desbridamento aberto. Serve melhor ao paciente com espaço articular relativamente preservado e sintomas de osteófitos periféricos e contratura capsular que causam dor de impacto nos extremos. Os objetivos são retirar osteófitos e corpos livres, aumentar o arco livre de impacto e liberar a cápsula se ela restringe (Green, cap. 26, p. 893).

As indicações são falha do conservador, umeroulnar relativamente preservada e paciente colaborador. As contraindicações relativas são perda óssea, deformidade, instabilidade e anquilose; múltiplas cirurgias abertas prévias também pesam, porque o ulnar pode ter sido transposto e a anatomia muda. A TC com reconstrução 3D orienta o planejamento.

Os nervos na capsulotomia anterior

A liberação da cápsula anterior é a etapa perigosa. O nervo radial fica adjacente à cápsula anterolateral no nível do capítulo medial, e o mediano corre risco do lado anteromedial; quanto mais proximal a capsulotomia, mais segura (Green, cap. 26, p. 894). O ponto mais fino está na página 887 aprox.: proximalmente há músculo entre o interósseo posterior e a cápsula, mas no nível do colo do rádio o nervo pode tocar a cápsula, e a ressecção capsular ali deve ser evitada ou feita com extremo cuidado, porque o nervo pode estar aderido. A figura 26.9 mostra um bastão afastando o interósseo posterior enquanto o resector retira a cápsula anterior. O ulnar fica logo superficial à cápsula posteromedial, e é o nervo de risco da goteira posteromedial, não da cápsula anterior.

Pós-operatório e resultados

Desbridamento artroscópico por compartimento (Green 7, cap. 26, p. 887 aprox. e 893 a 896)
CompartimentoO que retirarNervo ou estrutura em risco
Posterior (fossa olecraniana)Crista transversa de osteófitos; ponta do olécrano; fenestração se precisoFenestração cria portal para o anterior
Goteira posteromedialOsteófitos do olécrano medial e da tróclea posteromedialUlnar, logo superficial à cápsula
Posterolateral (soft spot)Osteófito posterior do capítulo; plica
AnteriorFossas radial e coronoide; ponta do coronoide
Cápsula anterolateralCapsulotomia se houver tensão anteriorRadial; interósseo posterior no colo do rádio
Cápsula anteromedialCapsulotomiaMediano

Interposição e ressecção da cabeça do rádio

Fundamento

A artroplastia de interposição está detalhada no resumo campbell15-rigidez-cotovelo. O essencial para a artrose, pelo Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 647 a 651): é a opção para artrose terminal em quem tem contraindicação a implante, sobretudo o jovem ativo com dor incapacitante por artrose pós-traumática ou inflamatória; instabilidade não é boa indicação; o prognóstico é reservado (29% bons ou excelentes aos 6 anos; complicações de 38,4% e reoperação de 23,5%), com a inflamatória indo melhor que a pós-traumática; as complicações mais comuns, em ordem, são infecção, neuropatia e instabilidade. A interposição que falha pode ser revista para prótese total com sucesso razoável.

A ressecção da cabeça do rádio (Campbell, p. 651) serve à artrose radiocapitelar isolada, ao bloqueio mecânico da pronossupinação e aos sintomas radiocapitelares junto com um desbridamento; com o tempo surgem migração proximal do rádio e valgo. Como a cabeça é estabilizador secundário ao valgo, o complexo colateral lateral precisa estar íntegro.

Indicações e contraindicações da prótese total

Cobrança confirmada · 1 questão

O princípio

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 654) resume a meta da cirurgia reconstrutiva: dor, movimento e estabilidade. Um cotovelo estável e indolor com movimento na faixa funcional não precisa de prótese, e deformidade e disfunção sem dor não são indicação. As indicações primárias são dor e/ou instabilidade. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 905) completa com a frase que dá o tom do capítulo: a durabilidade com carga normal (mais de 10 libras) é incerta, a longevidade em menores de 70 anos costuma ser curta, e a prótese deve ser limitada a idosos de baixa demanda ou pacientes muito debilitados por dor e instabilidade.

A lista do Campbell (Box 15.3)

O Box 15.3 do Campbell é a fonte das questões de indicação e contraindicação, e vale a leitura linha por linha. Entre as indicações: deformidade e disfunção com dor e/ou instabilidade; fratura irreconstruível do úmero distal no idoso; destruição reumatoide avançada demais para ressecção da cabeça do rádio e sinovectomia; sequela pós-traumática terminal; anquilose óssea ou fibrosa em posição ruim. Entre as contraindicações: sepse prévia do cotovelo (relativa); uso excessivo do cotovelo; anquilose do ombro ipsilateral; articulação neuropática; perda óssea excessiva de um lado da articulação e deficiência da incisura troclear (ambas para a não constrita); mecanismos flexor e extensor ruins; e artrose pós-traumática ou degenerativa (relativa).

A anquilose do ombro ipsilateral merece uma explicação, porque é a pegadinha preferida. Se o ombro não se move, o paciente posiciona a mão no espaço usando o cotovelo e o tronco; toda a rotação e o deslocamento que o ombro faria passam a ser exigidos do cotovelo, que vira uma alavanca sobrecarregada. Para uma articulação protética que já não tolera carga, isso equivale a uso excessivo permanente. Já a perda óssea grande do úmero não contraindica a prótese em geral: contraindica a não constrita; a semiconstrita, ligada, foi feita justamente para o osso que falta (e na fratura ou pseudartrose o úmero distal é até ressecado). E as lesões ligamentares medial ou lateral também não contraindicam a semiconstrita, que não depende de ligamentos.

A lista do Green

O Green (cap. 27, p. 909 e 919) enumera as contraindicações de outro modo. A infecção no cotovelo, na pele, nas partes moles ou no osso adia a cirurgia; reumatoides com pele frágil em imunossupressão são especialmente propensos a infecções catastróficas, e outras fontes (como infecção urinária) devem ser rastreadas. Se a fixação de uma fratura falhou, deve-se suspeitar de infecção profunda e colher culturas sem antibiótico; organismos indolentes como o Staphylococcus epidermidis são comuns. Com infecção ativa ou suspeita, desbrida-se tudo, inclusive o material, tratam-se pelo menos 6 semanas de antibiótico por cateter (PICC) e, muitas vezes, faz-se nova cultura e biópsia após 6 ou mais semanas sem antibiótico; só então se pensa em prótese.

A anquilose completa e indolor pode não ganhar função com a prótese, e a articulação neuropática é contraindicação porque o paciente não consegue cumprir as restrições pós-operatórias. As partes moles ruins (pele contraída, cicatrizada ou queimada) devem ser resolvidas com retalho muscular antes da prótese.

Os dois livros divergem no peso da artrose primária. O Campbell coloca a artrose degenerativa entre as contraindicações relativas; o Green inclui a artrose primária entre as indicações (Critical Points, p. 919), mas logo restringe a idosos acima de 60 a 65 anos, de baixa demanda (p. 909). Na prática, os dois dizem a mesma coisa: a artrose primária do homem ativo não deve receber prótese.

Indicações e contraindicações da prótese total (Campbell 15, cap. 15, Box 15.3, p. 654; Green 7, cap. 27, p. 909 e 919)
ItemCampbell (Box 15.3)Green (cap. 27)
Artrite reumatoideIndicação (destruição além da sinovectomia)Indicação
Pós-traumáticaIndicação (sequela terminal); relativa contraIndicação, acima de 60 a 65 anos
Artrose primáriaContraindicação relativa (degenerativa)Indicação, só em idoso de baixa demanda
Fratura do úmero distalIndicação (irreconstruível no idoso)Indicação (cominutiva, sem osteossíntese)
HemofiliaIndicação (perda óssea)Indicação
InfecçãoSepse prévia, relativaContraindicação: adiar até culturas negativas
Articulação neuropáticaContraindicaçãoContraindicação
Anquilose do ombro ipsilateralContraindicaçãoNão citada
Uso excessivoContraindicaçãoRestrição de 5 a 10 libras
Perda óssea e incisura troclear deficienteContraindicação só da não constritaLigamento insuficiente pede convertível ou semiconstrita
Partes moles ruinsMecanismo flexor e extensor ruimRetalho antes da prótese

Como se mede o resultado

O Campbell (p. 654) cita os escores de MORREY, da ASES, de INGLIS e PELLICCI e de EWALD, e destaca o Mayo Elbow Performance Score (MEPS) como o mais usado. Dor vale quase metade da nota.

Mayo Elbow Performance Score (Campbell 15, cap. 15, Box 15.2, p. 654)
DomínioPontosGraduação
Dor45Nenhuma 45; leve 30; moderada 15; intensa 0
Arco de movimento20Maior que 100 graus 20; 50 a 100 graus 15; menor que 50 graus 5
Estabilidade10Estável 10; moderadamente instável 5; grosseiramente instável 0
Função25Pentear, comer, higiene, vestir a camisa, calçar os sapatos (5 cada)
Classificação10090 a 100 excelente; 75 a 89 bom; 60 a 74 regular; menor que 60 ruim

Prótese total na fratura do úmero distal

Cobrança confirmada · 1 questão

A prótese virou uma ferramenta de trauma no idoso. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 654) afirma que pacientes acima de 65 anos com fragmentos pequenos ou osso de má qualidade e comorbidades importantes (artrite reumatoide, osteoporose, diabetes, uso de corticoide) têm resultados superiores com a prótese do que com a fixação, a curto prazo. Em jovens (média de 23 anos, fraturas por arma de fogo), um estudo randomizado mostrou resultados inferiores, embora seguimentos mais longos tenham mostrado sobrevida de cerca de 90% em 10 anos.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 906 e 907) explica o porquê: o antigo "bag of bones" deixava dor, rigidez e perda de função, e a prótese permite retorno mais rápido. Fraturas baixas, supracondilianas, osteoporóticas e cominutivas vão bem com prótese; as mais proximais (traço transverso acima da fossa olecraniana) ficam melhor com fixação. Na maior série (49 casos, 7 anos, quase 40% com AR), 93% satisfatórios e 29% de complicações (p. 914).

O Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª ed. (pág. PDF 2914 e 2956), usa exatamente a linguagem da prova: fraturas cominutivas acima de 70 anos, com osso ruim e difícil estabilização suficiente para mobilização precoce, têm sido tratadas com prótese primária; COBB e MORREY (1997) obtiveram 90% de resultados satisfatórios; ARMSTRONG e YAMAGUCHI recomendam a prótese principalmente acima dos 60 anos com comorbidades ou AR, e ela é melhor que a artrodese primária. No estudo randomizado de McKEE, recomenda-se a prótese primária quando não é possível fixação interna segura para mobilização precoce; KAMINENI e MORREY relataram arco médio de 24 a 132 graus e 31% de complicações em 43 pacientes, a maioria sem nova cirurgia. O HEBERT também indica a prótese nas pseudartroses baixas da mesma faixa etária e lembra a via posterior preservando o tríceps.

Os livros divergem no corte de idade: o Campbell fala em mais de 65 anos, ARMSTRONG e YAMAGUCHI (no HEBERT) em mais de 60, e o HEBERT e o Green, em geral, em idosos, acima de 70. O denominador comum é o mesmo: osso ruim, fratura baixa e cominutiva, e fixação que não aguentaria mobilização precoce.

Tipos de implante: constrita, semiconstrita e não constrita

Fundamento

O tipo de prótese é definido pela rigidez da ligação entre os componentes umeral e ulnar (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., p. 645).

Constrita

As constritas metal-metal (dobradiça rígida) foram praticamente abandonadas, e o Campbell nem descreve a técnica. A Tabela 27.1 do Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (p. 910) registra a lição histórica: a dobradiça rígida tem alta taxa de soltura, porque toda a força de varo, valgo e rotação passa direto para a interface osso-cimento.

Semiconstrita

As semiconstritas são próteses de duas ou três peças com articulação metal-polietileno de alto peso molecular, ligadas por pino ou encaixe. A grande ideia é a frouxidão embutida, que dissipa as forças e protege contra a soltura. Como são ligadas, não dependem dos ligamentos, e por isso servem a quase tudo: pós-traumática, inflamatória, instabilidade crônica e reconstrução tumoral (Campbell, p. 655). A maioria usa bucha de polietileno e componentes de titânio, com 7 graus de frouxidão rotacional e lateral; a haste umeral é triangular, e a flange anterior aumenta a resistência à torção. O eixo fica perto do anatômico quando bem implantado; os componentes grandes às vezes exigem peças sob medida em pacientes pequenos (p. 656).

A COONRAD-MORREY é o exemplo clássico, ao lado da Solar (Green, p. 910). O Green aponta o calcanhar de aquiles: mesmo com vários graus de frouxidão, a dobradiça frouxa deixa pequena área de contato entre os componentes, com alto estresse de contato; o desgaste da bucha, a osteólise e a falha continuam sendo problemas.

Não constrita

As não constritas são metal contra polietileno, sem ligação; algumas de superfície, uma híbrida convertível. Tentam duplicar a anatomia, com um único centro de rotação, mas exigem ligamentos e cápsula anterior íntegros e alinhamento; com perda óssea ou destruição capsuloligamentar extensa, são contraindicadas (Campbell, p. 655). O Green (p. 909 e 910) cita Kudo, Souter-Strathclyde e Pritchard ERS: menos soltura teórica, mais instabilidade, sobretudo na AR.

Como escolher

A regra do Campbell (p. 655) é proporcional: quanto mais osso e mais estabilidade, mais adequada a prótese de superfície ou não constrita; lesão de ligamentos e cápsula, musculatura atrófica e perda considerável de osso pedem desenho mais constrito. Na comparação direta, a semiconstrita retém mais: 97% a 100% contra 93% em 5 anos e 92% contra 76% em 10 anos; a não constrita teve soltura de 18% e instabilidade de 9% (p. 655 e 656). O Green (p. 910) prefere a semiconstrita ligada na maioria dos casos, porque a menor soltura teórica do não ligado não foi comprovada clinicamente, e nota que dor e função relatadas são semelhantes entre ligados e não ligados.

Tipos de prótese total do cotovelo (Campbell 15, cap. 15, p. 655 e 656; Green 7, cap. 27, Tabela 27.1, p. 909 e 910)
TipoLigaçãoDepende de ligamentosVantagemFalha típica
Constrita (dobradiça rígida)Rígida, metal-metalNãoEstabilidade totalSoltura precoce; abandonada
Semiconstrita (COONRAD-MORREY, Solar)Pino ou encaixe com 7 graus de frouxidãoNãoVersátil; 92% de retenção em 10 anosSoltura (sobretudo ulnar), desgaste da bucha, osteólise
Não constrita (Kudo, Souter-Strathclyde, Pritchard)NenhumaSim, e da cápsula anteriorMenos estresse na interface teórico; anatômicaInstabilidade (9%) e soltura umeral (18%); 76% em 10 anos
Convertível (Latitude)OpcionalConforme a montagemEscolha no intraoperatórioSem dados de longo prazo

Técnica e pós-operatório

Relevância clínica

A via e o tríceps

O tríceps é o centro da técnica, porque sua insuficiência é uma das complicações mais frequentes. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 656) descreve duas famílias de via: triceps-off e triceps-on (paratricipital ou para-olecraniana). A triceps-on mantém a inserção direta no olécrano, evita fraqueza e ruptura, e um estudo comparativo mostrou resultados e manto de cimento semelhantes sem risco de ruptura; por isso é a preferência dos autores.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 27, p. 910 e 911) descreve a via de BRYAN-MORREY (tríceps elevado de medial para lateral em continuidade com o ancôneo, com risco de insuficiência do tríceps), a de GSCHWEND (divisão longitudinal do tríceps) e a preservadora do tríceps (janelas medial e lateral, que exige liberar os dois colaterais). As fibras de SHARPEY saem com bisturi, não com cautério, e a ressecção dos côndilos não altera força nem função com implantes semiconstritos.

Detalhes da técnica

Na técnica 15.5 do Campbell (p. 656 a 659), a incisão é posterior, reta, curvando medial ao olécrano, e o ulnar é transposto para anterior (no Green, numa bolsa subcutânea); resseca-se a parte média da tróclea, preservam-se as colunas supracondilianas, ressecam-se as pontas do olécrano e do coronoide e a cabeça do rádio se impactar (o Green, p. 912, diz que é comumente excisada, protegendo o interósseo posterior no colo do rádio). Um enxerto ósseo da tróclea vai atrás da flange anterior, a resposta direta às forças posteriores que inclinam o componente; cimenta-se com restritor, e o braço fica em extensão enquanto o cimento endurece.

As restrições

O Campbell (p. 659) estabelece as prioridades do pós-operatório em ordem: cicatrização da ferida, movimento e força. A imobilização dura 1 a 2 semanas conforme as partes moles. Se o tríceps foi solto, a flexão fica limitada a 90 graus por 6 semanas e a extensão ativa proibida por 3 meses. O paciente não levanta mais de 5 libras nos 3 primeiros meses e depois fica limitado a 10 libras. O Green (p. 913 e 915) é parecido: no reumatoide com pele frágil, imobilização de 10 a 14 dias; extensão ativa protegida por 6 a 8 semanas se o tríceps foi solto; limite empírico de 5 libras, ou de 5 a 10 libras, e nada repetitivo acima de 2 a 3 libras. O Campbell admite o problema real: homens jovens e pós-traumáticos costumam fazer atividades de alta demanda apesar das instruções.

Complicações da prótese total

Cobrança confirmada · 2 questões

Os números

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 660) relata complicação global de até 43%, com 18% de revisão e 15% de complicações "permanentes"; uma meta-análise recente encontrou 13,5% de revisão, tendo como causas mais comuns de reoperação a soltura asséptica, a infecção e a fratura periprotética. Em contraste, as complicações mais frequentes são a neurite ulnar e a insuficiência do tríceps. A mortalidade perioperatória é de 0,6%, quase sempre cardíaca. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (p. 914) dá complicações de 20% a 45% e mortalidade em 90 dias de 0,64% (fatores: mais de 60 anos, comorbidades e prótese por trauma ou pseudartrose).

Essa distinção resolve várias questões: frequência é uma coisa (ulnar e tríceps), causa de revisão é outra (soltura, infecção, fratura). E a Tabela 15.1 separa as complicações pelo que exigem.

Complicações da prótese de cotovelo, médias publicadas (Campbell 15, cap. 15, Tabela 15.1, p. 660)
GrupoComplicaçãoMédia (%)
Raramente exige cirurgiaParestesias11
Raramente exige cirurgiaProblemas da ferida14
Raramente exige cirurgiaFratura do úmero5
Raramente exige cirurgiaFratura da ulna5
Geralmente exige cirurgiaAprisionamento nervoso (raro)3
Geralmente exige cirurgiaProblemas do tríceps4
Geralmente exige cirurgiaAnquilose (rara)4
Geralmente exige revisãoSoltura (semiconstrita)5
Geralmente exige revisãoInstabilidade (não constrita)9
Geralmente exige revisãoInfecção7
Geralmente exige revisãoFratura e soltura (rara)5

O Green (p. 914) diz que, por mais cuidado que se tenha na dissecção e na transposição, a disfunção sensitiva é comum; a fraqueza motora, menos. A neuropatia ulnar pós-operatória chega a 25%. As causas apontadas: tração excessiva, hematoma, curativo apertado, dano térmico da polimerização do cimento e desvascularização na transposição. Os déficits sensitivos incompletos melhoram, mas a sensibilidade normal nem sempre volta, sobretudo no idoso com comorbidades. Note a posição na Tabela 15.1: parestesias (11%) raramente exigem cirurgia; o aprisionamento do nervo (3%), quando ocorre, exige.

O tríceps

A fraqueza de extensão é mais comum do que se imagina, sobretudo após a via de BRYAN-MORREY; a causa mais provável é a falha da reinserção (Green, p. 914 e 915). O Green pondera que a gravidade ajuda a estender e que há pouca indicação de reparo; o Campbell, na Tabela 15.1, coloca os problemas do tríceps no grupo que geralmente exige cirurgia. A divergência é de ênfase: a tabela trata da categoria (ruptura, avulsão), o Green da fraqueza residual.

Fratura e instabilidade

A fratura intraoperatória de um côndilo é tratada com simples excisão ou, se o fragmento é grande, com fixação; o risco é maior na AR avançada com perda óssea. A fratura tardia ocorre mais na coluna medial e consolida com breve proteção (Green, p. 914).

A instabilidade é praticamente exclusiva dos não ligados (Green, p. 915): previne-se com tensão correta das partes moles; ligamento insuficiente é contraindicação relativa; sacrificar a cabeça do rádio reduz o suporte lateral. Luxada, a prótese fica a 90 graus por 3 a 6 semanas; a recorrência pede reconstrução ou revisão para desenho ligado. O Campbell (p. 661) a coloca como a complicação mais comum que exige revisão nas não constritas (9% a 10%; luxação verdadeira em menos de 5%).

Soltura, desgaste e fratura do implante

Cobrança confirmada · 1 questão

Soltura

A soltura é a falha mecânica por excelência. Nas não constritas, é a complicação principal, geralmente do componente umeral (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., p. 660; nos reumatoides com não constrita, a recomendação foi usar haste umeral mais longa). Nas semiconstritas, a soltura umeral, antes a principal causa de revisão, caiu com os novos desenhos, a técnica e o melhor conhecimento da anatomia: cerca de 2% em 7 anos. Uma haste de 4 polegadas foi revisada antes que uma de 6. A soltura ulnar aumentou nos anos 1990 com o pré-revestimento de PMMA e caiu com o acabamento em plasma spray; associa-se a haste ulnar curta e à ligação dos componentes (p. 661). O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (p. 913) afirma que o componente ulnar é o de maior risco de soltura e recomenda controle radiográfico anual atento ao manto de cimento.

O Campbell (p. 661) reúne os fatores que reduzem a soltura: melhor desenho e cimentação, seleção de pacientes de baixa atividade (como os reumatoides) e desenhos que permitem varo, valgo e rotação no acoplamento, dissipando forças. Mas o diagnóstico de AR e a flange curta (menos de um quarto do comprimento da haste) também se associam à soltura. O Green (p. 915) acrescenta a técnica de cimentação: preparo cuidadoso do canal, restritor, cimento de baixa viscosidade e pressurização.

Desgaste e osteólise

O Green (p. 913 e 915) define o desgaste da bucha da COONRAD-MORREY pela angulação do componente ulnar em relação ao "yoke" umeral: parcial acima de 7 graus, completo acima de 10. Com componentes fixos e bem posicionados, desbridamento, enxerto e troca das buchas podem bastar. O Campbell (p. 660) associa o desgaste a idade jovem, sexo masculino, pós-traumática, deformidade, pseudartrose supracondiliana e alta atividade.

Fratura do componente e periprotética

A força resultante chega a 3 vezes o peso corporal, com cerca de 1 milhão de ciclos por ano; a fratura de haste (0,6% a 12%) vem sobretudo da osteólise periarticular, que deixa a haste em balanço (Green, p. 915). O Campbell (p. 662) dá 0,65% para o componente umeral e 1,2% para o ulnar.

As fraturas periprotéticas do úmero e da ulna têm incidência de 3% a 5% e classificação própria (Green, p. 915 e 916): no úmero, H1 côndilos ou coluna, H2 ao redor da haste, H3 proximal ao implante; na ulna, U1 olécrano, U2 haste, U3 distal; ao redor da haste, subtipo 1 fixa, 2 solta com osso aceitável e 3 solta com perda grave. Haste fixa: osteossíntese, com ou sem enxerto estrutural; haste solta: revisão cimentada com enxerto.

Infecção

Cobrança confirmada · 1 questão

Frequência e quem infecta

A infecção é a complicação temida. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 660) dá incidência de 0% a 11,5%, com média de 3% nas primárias e 8% nas revisões; o Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (p. 916), 1% a 11%, metade superficial e metade profunda. E os dois concordam no ponto que a prova pergunta: os reumatoides infectam mais que os pós-traumáticos (Campbell, p. 660), ainda que os pós-traumáticos sejam mais reoperados.

Os fatores de risco explicam essa preferência. O Green (p. 916 e 917) lista imunossupressão ou imunocomprometimento, diabetes, desnutrição, obesidade, múltiplas cirurgias prévias, infecção prévia e drenagem prolongada; e lembra que o reumatoide com pele fina em imunossupressores está especialmente sujeito a infecções catastróficas (p. 909). O Campbell (p. 661) acrescenta, como fatores pré-operatórios, cirurgia ou infecção prévia no cotovelo, doença psiquiátrica e AR classe IV; e, como pós-operatórios, drenagem da ferida, drenagem espontânea após 10 dias e reoperação por qualquer motivo. A drenagem persistente é altamente indicativa de infecção profunda e prediz a retirada dos componentes (p. 660). A pele posterior fina, o osso subcutâneo e a imunossupressão fazem do cotovelo reumatoide um terreno ruim.

Prevenção e tratamento

O Staphylococcus aureus responde melhor ao desbridamento com retenção; o S. epidermidis forma biofilme e falha mais (Green, p. 917; Campbell, p. 661.e1). A retenção cabe a componentes fixos, sintomas há menos de 30 dias e baixa virulência (sucesso de 22% a 70%); componente solto com mais de 21 dias pede dois tempos, com espaçador de antibiótico e biópsia negativa antes de reimplantar, que o Campbell (p. 660 e 661) recomenda em geral (erradicação de 72% a 88%), admitindo um tempo só na soltura com investigação negativa. Na infecção crônica, a ressecção é provavelmente a única opção (Green, p. 918).

Infecção da prótese de cotovelo (Campbell 15, cap. 15, p. 660 a 661.e1; Green 7, cap. 27, p. 909 e 916 a 918)
ItemDado
Incidência0% a 11,5%; média de 3% na primária e 8% na revisão (Campbell); 1% a 11%, metade profunda (Green)
Grupo de maior riscoArtrite reumatoide (pós-traumática é mais reoperada)
Fatores pré-operatóriosCirurgia ou infecção prévia, doença psiquiátrica, AR classe IV, imunossupressão, diabetes, obesidade, desnutrição
Fatores pós-operatóriosDrenagem da ferida, drenagem espontânea após 10 dias, reoperação
Desbridamento com retençãoComponentes fixos, menos de 30 dias, baixa virulência; sucesso de 22% a 70%
Dois temposComponente solto e mais de 21 dias; espaçador, 6 semanas de antibiótico; erradicação de 72% a 88%
BactériaS. aureus responde melhor à retenção; S. epidermidis forma biofilme
SalvamentoRessecção na infecção crônica; supressão no idoso debilitado com componente fixo

Resultados por diagnóstico

Fundamento

Os números de sobrevida mostram o quanto a prótese de cotovelo fica atrás das de quadril, joelho e ombro (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 27, p. 905). Somando as séries, o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 661) chega a 75% de resultados satisfatórios, perto de 90% sem as dobradiças antigas; os melhores são os da AR (cerca de 90%), a pós-traumática vai pior, e há cautela especial abaixo de 50 anos. Numa cirurgia sem complicação, espera-se arco quase indolor, flexão completa em meses e extensão terminal em geral não recuperada (Green, p. 913).

Sobrevida e resultados da prótese total (Campbell 15, cap. 15, p. 655, 660 e 661; Green 7, cap. 27, p. 913 e 914)
Grupo ou sérieResultado
Registro norueguês90% em 5, 81% em 10, 71% em 15, 61% em 20 anos
Escócia e Finlândia90% e 83% em 10 anos
Semiconstrita contra não constrita92% contra 76% em 10 anos
Artrite reumatoideCerca de 90% satisfatórios; 92% de sobrevida em 10 anos
Pós-traumática83% bons aos 5 anos e 68% aos 15 (Campbell); 70% de sobrevida em 15 anos (Green)
Fratura do úmero distal no idoso93% satisfatórios, 29% de complicações (49 casos, 7 anos)
Abaixo de 50 anosCautela: complicações muito altas

Revisão, ressecção e artrodese

Fundamento

A revisão é um salvamento funcionalmente superior à ressecção e à artrodese (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 15, p. 661 e 662); implantes ligados vão melhor, a revisão por infecção vai pior, e sem infecção, com osso e partes moles, até 85% são satisfatórias.

A ressecção (técnica de CAMPBELL, p. 662 e 663) é rara: sepse refratária (primária ou após prótese) e salvamento de múltiplas falhas. Pode causar instabilidade quase incapacitante, pior se houver reabsorção; a técnica tira cerca de 2 cm do úmero e 1 cm do olécrano, molda o úmero em V invertido e interpõe o tríceps. Mesmo com escores de incapacidade altos, é solução aceitável para a prótese cronicamente infectada.

A artrodese (Campbell, p. 663 e 664) é a alternativa no jovem de alta demanda e no braçal, já que a durabilidade da prótese nesse grupo preocupa; mas a prótese, a interposição e até a ressecção com boa musculatura costumam dar função melhor. Unilateral em 90 a 100 graus, pela preensão mais forte. Os detalhes estão no resumo campbell15-rigidez-cotovelo.

Fechamento

Fundamento

O cotovelo artrósico se organiza em três perguntas. Onde está a lesão? Pontas do coronoide e do olécrano na artrose primária, canto posteromedial no arremessador, toda a articulação na AR, incisura troclear alargada no estágio III da hemofilia. A cartilagem central existe? Se existe, desbridamento, respeitando o ulnar atrás e o interósseo posterior na frente. Quanto o paciente vai exigir do cotovelo? Pouco: prótese semiconstrita; muito: alternativas.

Na prótese, a semiconstrita (COONRAD-MORREY) solta, a não constrita luxa; o Box 15.3 contraindica infecção prévia, uso excessivo, anquilose do ombro ipsilateral, articulação neuropática e mecanismo extensor ruim; frequentes são ulnar e tríceps, causas de revisão são soltura, infecção e fratura; a AR tem os melhores resultados e mais infecção.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

Abrir no leitorCriar conta grátis

No leitor do aplicativo, quem não tem conta lê as 6 primeiras partes; a leitura completa é grátis com a conta.

Continue estudando