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Lesões nervosas do ombro e cotovelo

Ombro e cotoveloResumo do capítulo38 min de leitura

Supraescapular do tronco superior, sob o ligamento transverso (artéria acima), mais comprimido na incisura supraescapular; atrofia isolada do infraespinal = espinoglenoidal, cisto de lesão labral posterior, cirurgia precoce; tração no reparo de rotura maciça; quadrangular = axilar + circunflexa umeral posterior, atrofia do redondo menor, abdução e rotação externa; axilar C5 C6 do fascículo posterior, cutâneo lateral superior do braço, 90% recuperam; torácico longo C5 a C7, escápula alada medial, peitoral maior esternal ao ângulo inferior; acessório espinal, escápula alada lateral, EDEN-LANGE; musculocutâneo perfura o coracobraquial; PARSONAGE-TURNER; túnel cubital com ligamento de OSBORNE, teste de flexão, in situ tão eficaz quanto transposição; STRUTHERS, pronador, interósseo anterior (FLP, FDP do indicador e médio, pronador quadrado); arcada de FROHSE e túnel radial.

Atualizado em 03/11/2026 · 38 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 14 · Open Reconstructive Procedures of the Shoulder (transferências para escápula alada), com o Capítulo 51 · Shoulder and Elbow Injuries (supraescapular e espaço quadrangular), o Capítulo 67 · Peripheral Nerve Injuries e o Capítulo 82 · Compressive Neuropathies of the Hand, Forearm, and Elbow, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026). Autores do capítulo: Tyler J. BROLIN e Thomas W. (Quin) THROCKMORTON (cap. 14); Frederick M. AZAR, Thomas W. (Quin) THROCKMORTON e Joseph D. LAMPLOT (cap. 51); William J. WELLER (caps. 67 e 82).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Campbell, capítulo 14, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo junta, num lugar só, os nervos que adoecem em volta do ombro e do cotovelo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., espalha o assunto por quatro capítulos: o 51 traz as duas síndromes compressivas do ombro do esportista (supraescapular e espaço quadrangular); o 67, nervo por nervo, o trajeto, o exame e o prognóstico depois da lesão; o 14, as transferências tendíneas para a escápula alada; e o 82, as compressões do cotovelo e do antebraço. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 28, entra para os testes provocativos, a síndrome de PARSONAGE-TURNER e a anatomia fina do túnel cubital.

As provas cobram este tema de três jeitos. O primeiro é a imagem: uma seta num nervo, numa incisura, num músculo perfurado, numa ressonância com cisto. O segundo é o mapa: de qual raiz, tronco ou fascículo sai cada nervo e qual músculo ele inerva, para deduzir o que fica fraco. O terceiro é a conduta: qual transferência corrige a escápula alada, quando operar o cisto, quanto esperar a recuperação espontânea.

A chave para não se perder é pensar sempre em três perguntas: onde o nervo passa apertado (incisura, espaço, túnel, arcada), o que ele inerva depois desse ponto (e portanto o que atrofia) e o que acontece na pele (às vezes nada, porque o nervo é motor puro). Supraescapular, torácico longo, acessório espinal e dorsal da escápula são motores puros: dão dor, fadiga e atrofia, mas não dão formigamento (Green 7, cap. 28, p. 927). Ulnar e mediano são mistos e dão parestesia.

Os resumos irmãos da Biblioteca tratam do que fica antes e depois deste: as neuropatias compressivas da mão (túnel do carpo, GUYON), a biologia da lesão e da sutura do nervo (SEDDON, SUNDERLAND, enxertos) e o plexo braquial traumático. Aqui o foco é o segmento do ombro ao cotovelo.

O mapa: de onde sai cada nervo

Cobrança confirmada · 1 questão

Antes de qualquer síndrome, vale montar o mapa do plexo de cima para baixo, porque metade das questões de imagem pergunta só isso: qual é o nervo e de onde ele vem.

Os ramos que saem das raízes. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 34, p. 1146), lista os ramos proximais de importância clínica: uma contribuição de C5 ao nervo frênico, o nervo dorsal da escápula (C5) e o nervo torácico longo, formado por C5, C6 e C7. O capítulo 40 do mesmo livro (p. 1391) repete: o dorsal da escápula nasce da raiz de C5 junto com o ramo para o frênico, e o torácico longo nasce das raízes de C5 a C7. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., numa figura do capítulo das amputações, mostra a origem do torácico longo em C5 e C6 perfurando o escaleno médio.

Os ramos do tronco. Os únicos ramos de tronco são o nervo supraescapular e o nervo do subclávio, ambos do tronco superior (Green 7, cap. 34, p. 1146). O Campbell (cap. 51, p. 2177) acrescenta que o tronco superior se forma de C5 e C6, às vezes C4, no ponto de ERB.

Os ramos dos fascículos. O axilar (C5 e C6) sai do fascículo posterior, abaixo dos nervos subescapular e toracodorsal, na altura da cabeça do úmero (Campbell, cap. 67, p. 3002). O musculocutâneo (C5 e C6) é ramo do fascículo lateral (p. 3003). O radial é a continuação do fascículo posterior, com fibras de C6, C7, C8 e às vezes T1 (p. 3004). O ulnar (C8 e T1) vem do fascículo medial (p. 3007). O mediano nasce da junção dos fascículos lateral e medial na axila, com fibras de C6 a T1 (p. 3010); pelo Green (cap. 28, p. 936), recebe as fibras sensitivas sobretudo do fascículo lateral e as motoras sobretudo do medial.

Por que isso importa no plexo. A perda dos romboides (dorsal da escápula, C5) e do serrátil (torácico longo, C5 a C7) é sinal de lesão muito proximal, pré-ganglionar (Green 7, cap. 34, p. 1151; cap. 40, p. 1391): esses nervos saem antes de as raízes formarem os troncos. Uma escápula alada num paciente com plexo lesado fala contra reparo direto da raiz.

Origem e alvo dos nervos do ombro e cotovelo (Campbell 15, cap. 67; Green 7, caps. 28, 34 e 40)
NervoOrigemRaízesMúsculos principais
dorsal da escápularaizC5romboides e levantador da escápula
torácico longoraízesC5, C6, C7serrátil anterior
supraescapulartronco superiorC5, C6 (às vezes C4)supraespinal e infraespinal
axilarfascículo posteriorC5, C6deltoide e redondo menor
musculocutâneofascículo lateralC5, C6coracobraquial, bíceps, braquial
radialfascículo posterior (continuação)C6 a C8, às vezes T1tríceps, supinador, extensores
ulnarfascículo medialC8, T1FUC, FDP ulnar, intrínsecos
medianofascículos lateral e medialC6 a T1pronadores, flexores, tenar
acessório espinalextraplexual (medula cervical alta)C1 a C5 (fibras motoras)esternocleidomastoideo e trapézio

O acessório espinal é o intruso da lista: não pertence ao plexo braquial. O Campbell (cap. 67, p. 2997.e1) o descreve com fibras do corno anterior dos cinco segmentos cervicais superiores, que sobem pelo forame magno, saem pelo forame jugular, descem sob o ventre posterior do digástrico recebendo ramos de C2, C3 e C4, inervam o esternocleidomastoideo e depois o trapézio. Por isso o trapézio costuma estar preservado nas lesões do plexo.

Nervo supraescapular: trajeto e as duas incisuras

Cobrança confirmada · 2 questões

O trajeto que explica tudo

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2177), descreve o caminho. O supraescapular nasce do tronco superior no ponto de ERB, corre paralelo ao omo-hióideo, dorsal ao plexo, passa sob o trapézio até a borda superior da escápula e atravessa a incisura supraescapular. O teto da incisura é o ligamento transverso da escápula (ligamento transverso superior). O capítulo 67 (p. 3000) acrescenta que, no triângulo posterior do pescoço, o nervo fica perto do ventre posterior do omo-hióideo e passa sob o omo-hióideo e a borda anterior do trapézio.

Depois da incisura, o nervo entra na fossa supraespinal, onde solta o ramo motor do supraespinal e ramos articulares para a cápsula, a glenoumeral e a acromioclavicular. Em seguida contorna a borda lateral da espinha da escápula, que é a incisura espinoglenoidal, e chega à fossa infraespinal, onde inerva o infraespinal e manda novos ramos para a articulação e a escápula (cap. 67, p. 3000).

A relação com a artéria. É um dos detalhes mais cobrados em imagem e em técnica: a artéria supraescapular passa acima do ligamento transverso e o nervo passa abaixo (Campbell, cap. 67, p. 3002, figura da técnica de SWAFFORD e LICHTMAN). Na técnica de POST e MAYER (cap. 51, p. 2181), a artéria e a veia supraescapulares ficam imediatamente superficiais ao ligamento, e o cirurgião as afasta antes de seccioná-lo, protegendo o nervo por baixo.

Duas incisuras, duas atrofias

O raciocínio de localização nasce do trajeto. Uma compressão na incisura supraescapular pega o nervo antes do ramo do supraespinal: atrofiam supraespinal e infraespinal. Uma compressão na espinoglenoidal pega só o ramo inferior, que já deixou o supraespinal para trás: atrofia só o infraespinal. O Campbell (cap. 67, p. 3000) escreve a regra assim: atrofia dos dois músculos sugere lesão na incisura ou proximal a ela; atrofia só do infraespinal sugere compressão distal à fossa supraespinal, como na espinoglenoidal.

Onde comprime mais. A maioria das compressões ocorre na incisura supraescapular, pelo ligamento transverso que a cobre (cap. 51, p. 2179). Uma incisura estreita ou um ligamento calcificado aumentam o risco, e um estudo com tomografia 3D de 760 pacientes mostrou que a incisura se estreita com a idade.

O ligamento da espinoglenoidal. O ligamento espinoglenoidal, também chamado ligamento transverso inferior da escápula, nasce na face lateral da raiz da espinha e se insere na margem da glenoide, com fibras para a cápsula posterior. Ele se tensiona na adução cruzada com rotação interna, comprimindo o nervo (cap. 51, p. 2179). É o mesmo gesto do saque e do arremesso na fase final, e por isso o esportista overhead aparece tanto.

Incisura supraescapular contra incisura espinoglenoidal (Campbell 15, caps. 51 e 67)
DadoIncisura supraescapularIncisura espinoglenoidal
teto ou estrutura que apertaligamento transverso superiorligamento espinoglenoidal (transverso inferior)
frequênciaa mais comummenos comum
músculos atingidossupraespinal + infraespinalsó infraespinal
causa típicaligamento, incisura estreita ou calcificadacisto ganglionar, lipoma
posição que aperta(não descrita)adução cruzada + rotação interna
dordor profunda e difusaatrofia muitas vezes indolor
cirurgia abertaliberar o ligamento (artéria acima)seguir o nervo em volta da espinha

O que a prova quer na imagem

Quando a figura mostra uma seta no bordo superior da escápula, sob um ligamento, com um vaso passando por cima, o nervo é o supraescapular e o ponto é a incisura supraescapular. Quando a seta está na base da espinha, junto ao colo da glenoide, o lugar é a espinoglenoidal, e o que passa ali é o mesmo nervo, já no seu ramo para o infraespinal.

Os vizinhos que confundem: o dorsal da escápula corre medialmente, sob o levantador e os romboides, longe das incisuras; a artéria circunflexa umeral posterior passa no espaço quadrangular, com o axilar, abaixo da glenoide e lateral à cabeça longa do tríceps.

Supraescapular: causas, o cisto e o manguito

Cobrança confirmada · 2 questões

Quem adoece

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2177), chama a neuropatia supraescapular de relativamente incomum, mas bem reconhecida. BOYKIN estimou prevalência de pelo menos 4,3% entre pacientes com queixa de ombro num centro de referência acadêmico; as taxas são bem maiores em atletas overhead de elite e na artropatia do manguito. Predomina em jovens e adultos de meia-idade.

As causas listadas no capítulo 51 (p. 2179):

  • Tração associada a roturas do manguito.
  • Atividade repetitiva acima da cabeça, com microtrauma de músculo e tendão e inflamação do nervo: nadadores, arremessadores de beisebol, jogadores de vôlei e tenistas.
  • Roturas maciças retraídas: o tendão recolhido puxa o nervo, que está preso nas incisuras.
  • Reparo de rotura maciça sob tensão excessiva, que traciona o nervo.
  • Lesão iatrogênica ao perfurar, passar suturas ou colocar parafusos em volta da face e da borda da glenoide.

Num estudo de 65 pacientes com neuropatia confirmada, quase metade foi por trauma; as duas causas seguintes foram os processos inflamatórios, como a neurite braquial, e os cistos; nenhuma foi atribuída a anomalia da incisura. O dado é útil para desconfiar da resposta "incisura anômala" como causa principal.

O capítulo 67 (p. 3000) amplia a lista para as lesões traumáticas: ferimento penetrante no triângulo posterior, cirurgia oncológica na mesma região, trauma supraclavicular, fraturas da porção superolateral da escápula (sobretudo na região da incisura), luxação anterior do ombro, compressão na incisura e lesão expansiva, como o gânglio da espinoglenoidal.

Por que o reparo do manguito pode lesar o nervo

O mecanismo é geométrico. O nervo está fixo em dois pontos: no ligamento transverso e na volta da espinha. O supraespinal retraído, quando é puxado lateralmente para alcançar a tuberosidade, leva consigo o ramo motor que entra na sua face profunda, e o nervo, preso na incisura, é estirado. Por isso o Campbell associa a neuropatia às roturas maciças e retraídas e ao reparo com tensão excessiva. Na prática de prova, a pergunta "a tração do coto proximal do supraespinal predispõe a lesão de qual nervo" tem uma resposta só: o supraescapular.

O mesmo capítulo (p. 2180) diz que, na presença de rotura do manguito, descomprimir o nervo junto com o reparo trouxe benefício, mas não há benefício na liberação rotineira quando a neuropatia não está documentada pela eletroneuromiografia.

O cisto da espinoglenoidal

De onde vem. Lipomas e cistos ganglionares comprimem o ramo inferior do supraescapular e levam à atrofia isolada do infraespinal; ficam geralmente na incisura espinoglenoidal e aparecem na ressonância. O cisto costuma resultar de patologia intra-articular, como uma lesão do lábio posterior (Campbell, cap. 51, p. 2179). A figura do capítulo mostra o cisto nascendo da face posterossuperior da glenoumeral, o que reforça a ideia de uma válvula: o líquido sai da articulação pela lesão labral e não volta.

Como aparece na ressonância. O capítulo 3 do Campbell, citado no resumo de neuropatias compressivas da Biblioteca, descreve o gânglio como coleção lobulada, septada e hiperintensa em T2, às vezes com edema de desnervação no infraespinal. Essa é a imagem típica da questão que mostra uma massa junto ao colo posterior da glenoide e pergunta qual nervo está comprimido.

A clínica que engana. A atrofia indolor do infraespinal é mais comum na compressão da espinoglenoidal, e muitos atletas com essa atrofia têm pouca disfunção e seguem jogando em alto nível (cap. 51, p. 2180). O infraespinal fraco é compensado pelo redondo menor, que continua inervado pelo axilar.

Supraescapular: diagnóstico e tratamento

Relevância clínica

O quadro. O paciente tem dor profunda, surda e difusa e pode referir fraqueza de rotação externa e de abdução nas atividades acima da cabeça. A atrofia pode ou não estar presente (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 51, p. 2180). O capítulo 67 (p. 3000) resume: dor no ombro e fraqueza da cintura escapular são as queixas comuns, e a eletroneuromiografia ajuda a confirmar.

A eletroneuromiografia. Confirma o diagnóstico desde que o cirurgião avise o eletromiografista sobre o achado clínico e a hipótese (cap. 51, p. 2179). O detalhe parece banal, mas o exame de rotina do membro superior não inclui o infraespinal; se ninguém pedir, ele não é estudado.

O bloqueio diagnóstico. Um bloqueio guiado por ultrassom com anestésico local a 1% pode ajudar: o alívio da dor, em geral dramático e curto, apoia o diagnóstico. Um bloqueio negativo não exclui, porque a agulha pode não ter chegado ao lugar certo (cap. 51, p. 2180).

O tratamento. A conduta depende de haver ou não uma lesão estrutural:

  • Sem lesão estrutural na ressonância (sem cisto): modificação de atividade, anti-inflamatórios e reabilitação do ombro; cirurgia só se falhar.
  • Com compressão comprovada por lesão expansiva ou cisto: o tratamento não operatório tem resultados menos favoráveis com o tempo, e a cirurgia precoce é em geral recomendada.
  • Via preferida: o Campbell prefere a artroscopia, confiável para melhorar a função, embora a volta completa da força de rotação externa seja variável.
  • Com rotura do manguito: descompressão + reparo teve benefício; liberação rotineira sem neuropatia documentada, não.
Conduta na neuropatia supraescapular (Campbell 15, caps. 51 e 67)
SituaçãoConduta
dor e fraqueza sem cisto na ressonânciaatividade modificada, anti-inflamatório, reabilitação
falha do não operatóriodescompressão cirúrgica
cisto ou lesão expansiva comprovadacirurgia precoce, de preferência artroscópica
rotura do manguito + neuropatia documentadareparo + descompressão
rotura do manguito sem neuropatia na ENMGsem liberação rotineira
incisura estreita na cirurgia abertaliberar o ligamento e alargar com saca-bocado
nada encontrado na incisuraseguir o nervo até a espinoglenoidal

As técnicas abertas. Três variações aparecem no Campbell, todas pela face posterior:

1. Descompressão da incisura (cap. 51, p. 2180): incisão em sabre ou transversal ao longo da espinha, divulsão do trapézio no sentido das fibras, supraespinal afastado posteriormente, e liberação do ligamento transverso, preservando os vasos que correm por cima e o nervo que corre por baixo. 2. POST e MAYER (cap. 51, p. 2181): paciente semipronado, incisão de 10 a 12 cm paralela e um pouco cefálica à espinha, trapézio desinserido da espinha, supraespinal não desinserido da fossa; palpa-se o ligamento com o dedo, afastam-se a artéria e a veia supraescapulares e secciona-se o ligamento. Neurólise adicional é desnecessária. O trapézio volta à espinha por pontos transósseos. 3. SWAFFORD e LICHTMAN (cap. 67, p. 3001): paciente prono, incisão paralela e cerca de 3 cm acima da espinha, trapézio elevado subperiostealmente, ligamento liberado; se a incisura é estreita, alarga-se com saca-bocado e alisam-se as bordas; se nada se encontra na incisura, segue-se o nervo em volta da espinoglenoidal, sobretudo quando só o infraespinal está atingido. O retorno de função é variável, e os resultados da sutura deste nervo são inconclusivos.

Quando o nervo está rompido. Na lesão alta do plexo, o capítulo 67 (p. 3000) descreve a neurotização do supraescapular com o acessório espinal: os dois nervos são dissecados até permitir coaptação sem tensão, o supraescapular é seccionado proximalmente e o acessório distalmente, e o coto proximal do acessório é suturado ao coto distal do supraescapular com náilon 9-0 ao microscópio. No pós-operatório, o ombro fica num imobilizador que impede a abdução, com cotovelo liberado para não enrijecer; a mobilidade do ombro começa em 2 semanas.

Nervo axilar e espaço quadrangular

Cobrança confirmada · 2 questões

Anatomia que decide a sensibilidade

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 67, p. 3002), descreve o axilar com fibras de C5 e C6, ramo do fascículo posterior, saindo abaixo dos nervos subescapular e toracodorsal na altura da cabeça do úmero. Ele contorna o colo do úmero passando pelo espaço quadrangular e inerva o deltoide e o redondo menor.

BALL e colaboradores detalharam os dois ramos:

  • O ramo posterior inerva o redondo menor e o deltoide posterior e dá a inervação cutânea pelo nervo cutâneo braquial lateral superior. Esse ramo cutâneo atravessa a fáscia 6,3 a 10,9 cm abaixo do canto posterolateral do acrômio, ao longo da borda medial (posterior) do deltoide.
  • O ramo anterior segue anterolateralmente e supre a maior parte do deltoide. Em 5 de 19 peças, o deltoide posterior era inervado só pelo ramo anterior.

É daqui que sai a resposta da prova sobre a sensibilidade: a lesão do axilar dá hipoestesia na face lateral e superior do braço, a área do "distintivo" sobre o deltoide, porque o ramo cutâneo é o cutâneo braquial lateral superior.

O detalhe do exame. O Campbell faz um alerta importante: a lesão do axilar às vezes não causa anestesia, e o diagnóstico tem de se apoiar só na função do deltoide. E mais: a abdução completa é possível com o deltoide paralisado, pela ação do supraespinal e pela rotação da escápula. Por isso é essencial observar e palpar o deltoide contraindo, e não apenas pedir ao paciente que levante o braço (cap. 67, p. 3002).

Onde e como o axilar se lesa

O nervo é lesado comumente por fraturas e luxações em volta do ombro, ferimentos penetrantes e golpes diretos; também pode sofrer na via posterior e na artroscopia. O ponto mais frequente é logo proximal ao espaço quadrangular (Campbell, cap. 67, p. 3002). Na lesão fechada, os sinais de recuperação podem demorar 3 a 12 meses, mas cerca de 90% chegam à recuperação completa (p. 3003). Esse número sustenta a conduta expectante inicial na neuropraxia da luxação.

A via e o enxerto. O decúbito lateral permite abordagens anterior e posterior e o acesso ao sural. Pela frente, o nervo é seguido com a rotação externa do braço até o espaço quadrangular; desinserir o peitoral maior aumenta muito a exposição. Por trás, a incisão começa 5 cm proximal à prega axilar posterior, ao longo da borda posterior do deltoide; o ramo do redondo menor costuma sair antes do espaço, e o nervo se divide em anterior e posterior a distâncias variáveis, às vezes 2,5 cm depois de emergir. Uma falha de 4 a 5 cm pode ser vencida mobilizando o fascículo posterior, mas o enxerto interfascicular é o preferido (p. 3003).

A transferência do radial. MACKINNON e COLBERT descreveram a transferência do ramo da cabeça medial do tríceps para o axilar (cap. 67, p. 3000): paciente prono, incisão do espaço quadrangular ao intervalo entre as cabeças lateral e longa do tríceps; o tendão do redondo maior é o marco; o axilar está acima do redondo maior e logo acima dos vasos circunflexos posteriores. O ramo da cabeça medial é seccionado o mais distal possível e suturado ao axilar distal. A mobilidade do ombro começa em 2 semanas; o fortalecimento, quando o deltoide voltar.

Síndrome do espaço quadrangular

O espaço. É limitado pelos redondos maior e menor, pela diáfise do úmero e pela cabeça longa do tríceps, e por ele passam o nervo axilar e a artéria circunflexa umeral posterior (Campbell, cap. 51, p. 2176). Esse par é a resposta-padrão: nem artéria braquial profunda (que acompanha o radial no intervalo triangular), nem toracodorsal com subescapular.

A causa. Ainda não está bem definida, mas as bandas fibrosas são a causa mais citada. Lesões expansivas também entram: cistos paralabrais, fragmentos de fratura, lipomas, osteocondromas e schwannomas. Como os sintomas são inespecíficos, o diagnóstico demora: um estudo mostrou atraso médio de 14,5 meses (6 a 24) entre o início e a descompressão (p. 2176).

A clínica. Atinge o braço dominante de adultos jovens (20 a 35 anos), sobretudo atletas de esporte acima da cabeça. A dor é mal localizada, anterior e posterolateral, com ponto doloroso no espaço quadrangular perto da inserção do redondo menor. Os sintomas se reproduzem com o braço em abdução e rotação externa por 1 minuto. Fraqueza e atrofia são difíceis de ver, salvo quando o deltoide está muito acometido (p. 2177). O capítulo 67 (p. 3002 a 3003) acrescenta que em geral não há perda de sensibilidade nem de força e que a eletromiografia pode ser normal.

A imagem. A atrofia isolada do redondo menor na ressonância é altamente sugestiva. A arteriografia mostra a circunflexa umeral posterior ocluída em abdução e rotação externa e normal com o braço ao lado; pelo capítulo 67, a arteriografia subclávia é positiva se a oclusão ocorre com menos de 60 graus de abdução. O ultrassom mostra dilatação, oclusão ou estenose da artéria e atrofia do deltoide, além de edema ou lesões do nervo; o Doppler colorido compara o fluxo em posição neutra e provocativa (cap. 51, p. 2177).

Síndrome do espaço quadrangular, formas de BROWN (Campbell 15, cap. 51, p. 2177 e 2178)
DadoNeurogênicaVascular
causaanomalias anatômicas fixas, sobretudo bandas fibrosastrauma repetitivo da artéria em abdução + rotação externa
quemqualquer paciente com o quadroatletas profissionais ou universitários overhead
sintomasparestesia, fraqueza, fasciculações, atrofia, dor à palpaçãofrialdade, palidez ou cianose da mão, hemorragias em lasca
artériaoclusão dinâmica por compressão extrínsecaoclusão fixa por trombose, com ou sem embolia
eletromiografiabaixa sensibilidade, mas exclui outros diagnósticospouco útil
tratamentoneurólise e excisão da banda ou lesãoligadura da artéria, trombólise ou tromboembolectomia; anticoagulação por 3 meses

O tratamento. O não operatório é a primeira linha para todos: modificação de atividade, anti-inflamatórios, infiltração de corticoide e fisioterapia de fortalecimento do manguito. Se os sintomas persistem após 3 a 6 meses, a via posterior com lise das bandas fibrosas costuma aliviar (cap. 51, p. 2177). Ocasionalmente, um cisto paralabral do lábio posterior é a causa da compressão.

A técnica de CAHILL e PALMER (cap. 51, p. 2177): incisão paralela e logo abaixo da espinha da escápula, curvando para baixo sobre a face posterior do úmero. A hemostasia antes de abrir a fáscia profunda é obrigatória, porque o sangue disseca os planos areolares e esconde o feixe. O deltoide é desinserido da espinha; o redondo menor é desinserido e rebatido medialmente. O dedo no espaço, dirigido para a frente, encontra resistência antes da retirada das bandas. Depois da descompressão, o cirurgião palpa o pulso da circunflexa com o braço abduzido. O redondo menor não é reinserido, e não se detectou fraqueza de rotação externa por isso. No pós-operatório, tipoia até o conforto e mobilidade precoce para evitar capsulite adesiva.

Quando o deltoide não volta. Para a paralisia do deltoide, o Campbell remete ao capítulo 36, onde a transferência da inserção do trapézio (BATEMAN) é chamada de operação mais satisfatória para a paralisia completa: parte da espinha da escápula, o acrômio e a clavícula lateral vão com o trapézio e são fixados no úmero com parafusos, como um capuz sobre a cabeça. Para funcionar, o serrátil, o trapézio e os rotadores externos curtos precisam estar com força pelo menos regular.

Torácico longo e a escápula alada medial

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que a escápula descola

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 14, p. 638), abre a seção de escápula alada lembrando que o movimento normal do ombro depende de duas articulações funcionando: a glenoumeral e a escapulotorácica, que responde por cerca de um terço do movimento global do ombro. Quando a escapulotorácica falha, o paciente tem dificuldade para elevar e abduzir o braço acima da cabeça, e aparecem dor de impacto subacromial, tendinite do bíceps e instabilidade glenoumeral: a glenoide deixa de acompanhar o úmero.

A escápula alada primária inclui as causas neurogênicas e se divide pela direção do descolamento:

  • Medial: disfunção do serrátil anterior, pelo nervo torácico longo.
  • Lateral: disfunção do trapézio, pelo nervo acessório espinal.

O mecanismo é intuitivo. O serrátil puxa a borda medial da escápula para a frente e contra o tórax; sem ele, a borda vertebral e o ângulo inferior se afastam das costelas e apontam para a linha média. O trapézio sustenta e roda a escápula para cima; sem ele, a escápula cai, desliza lateralmente e roda para baixo.

A lesão do torácico longo

O Campbell (cap. 67, p. 3002) lista as causas da paralisia isolada do serrátil:

  • Trauma cortante ou contuso.
  • Tração, quando a cabeça é forçada agudamente para longe do ombro ou quando o ombro é deprimido, como ao carregar pesos.
  • Exposição ao frio e infecções virais.
  • Posição de TRENDELENBURG com apoios de ombro que comprimem a região supraclavicular.

O exame. Com o serrátil paralisado, o paciente não consegue fletir o braço acima do nível do ombro pela frente, e a abdução ativa também pode ficar limitada. Quando ele empurra para a frente com as mãos (contra a parede), a escápula "descola": a borda vertebral e o ângulo inferior ficam proeminentes (cap. 67, p. 3002). O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 28, p. 927), ensina a examinar pedindo a flexão dos ombros com os braços acima da cabeça e observando a escápula na descida lenta, que é quando a escápula alada aparece melhor.

O tratamento inicial. Se o nervo foi estirado e não seccionado, costuma bastar imobilizar a cintura escapular em extensão com o braço junto ao tórax, evitando contraturas do ombro, do cotovelo e do punho enquanto se espera. Pelo SUNDERLAND, o nervo pode recuperar em 3 a 12 meses. NATH e colaboradores recomendaram descompressão precoce, e SCHIPPERT e LI relataram descompressão por via supraclavicular na paralisia pós-traumática em seis pacientes, todos com menos dor, menos incapacidade, menos escápula alada e mais mobilidade. Se a paralisia persiste ou se o nervo foi seccionado, o prognóstico é ruim e indica-se reconstrução; não há relatos significativos de resultados após sutura do torácico longo (cap. 67, p. 3002).

Escápula alada medial contra lateral (Campbell 15, caps. 14 e 67; Green 7, cap. 28)
DadoMedialLateral
músculoserrátil anteriortrapézio
nervotorácico longo (C5 a C7)acessório espinal (extraplexual)
causa típicatração, carregar peso, vírus, frio, TRENDELENBURGbiópsia de linfonodo, esvaziamento cervical, ferimento no triângulo posterior
como apareceborda vertebral e ângulo inferior proeminentes ao empurrarombro caído, escápula desce e desliza lateralmente
manobraflexão anterior e empurrar a paredeabdução no plano coronal
ângulo inferiorse afasta ao fletir pela frentemais perto da linha média que o superior; o afastamento some na flexão anterior
transferência preferidapeitoral maior, cabeça esternal, ao ângulo inferiorEDEN-LANGE tripla modificada

As transferências

Quando indicar. A maioria das lesões não penetrantes recupera espontaneamente, mas alguns pacientes ficam com escápula alada, fadiga e disfunção. Se não há evidência clínica nem eletrodiagnóstica de recuperação após 1 ano de tratamento conservador, a transferência tendínea está indicada (Campbell, cap. 14, p. 638). O quadro de conceitos do capítulo resume: transferência para quem tem mais de 12 meses de conservador sem sucesso; peitoral maior dividido para a escápula na alada medial; EDEN-LANGE tripla modificada na alada lateral.

Por que o peitoral maior. A cabeça esternal do peitoral maior, levada ao ângulo inferior da escápula, puxa o ângulo para a frente e contra o tórax, no mesmo vetor do serrátil paralisado. É a transferência com melhores resultados e a resposta da prova de título.

A técnica de TOKISH (cap. 14, p. 638 a 640):

1. Posição semilateral e via deltopeitoral, isolando toda a inserção do peitoral maior. 2. Separar as cabeças esternal e clavicular (mais fácil medialmente); afastar a clavicular para cima e desinserir só a esternal do úmero, protegendo a cabeça longa do bíceps e preservando a inervação peitoral na face profunda do músculo. 3. Com o braço cruzando o corpo, incisão no ângulo inferolateral da escápula, dividindo o grande dorsal e o redondo maior no sentido das fibras. 4. Túnel ósseo de 6 a 7 mm, mantendo 1 cm de cortical lateral e inferior. 5. Túnel subcutâneo pela parede torácica ligando as duas incisões, com o braço em abdução. 6. O tendão é alongado com aloenxerto de semitendíneo em entrelaçamento de PULVERTAFT, passado pelo túnel e fixado com parafuso de tenodese, com a escápula mantida contra o tórax e o mais lateral possível; o tendão fica apoiado na face profunda da escápula.

O pós-operatório: almofada de abdução por 6 semanas; movimento passivo deitado a partir da 6ª semana; ativo na 9ª; movimento completo esperado na 12ª, quando começa o fortalecimento periescapular e do manguito, com biofeedback para ativar o peitoral ao fletir o braço (p. 640).

A EDEN-LANGE tripla modificada (ELHASSAN, cap. 14, p. 640) é a resposta da escápula alada lateral. Por uma incisão de JUDET, o trapézio atrófico é aberto e as inserções do romboide menor, romboide maior e levantador da escápula são osteotomizadas da borda medial com 5 a 10 mm de osso, tomando cuidado com o nervo dorsal da escápula. Os músculos são lateralizados: o levantador para a espinha lateral, o romboide menor para a espinha mais medial e o romboide maior para a fossa infraespinal logo abaixo da espinha, com âncoras. O levantador lateralizado faz o papel do trapézio superior; os romboides, do trapézio médio e inferior. O pós-operatório usa órtese tipo gunslinger por 6 semanas, passivo a partir de 6, ativo em 12, fortalecimento em 16 e retorno pleno em 6 a 9 meses.

Resultados das transferências para escápula alada (Campbell 15, cap. 14, p. 640)
SériePacientesO que melhorou
MIN11 militares (7 peitoral, 4 EDEN-LANGE)6 de 9 extremamente satisfeitos; SANE de 40,9 para 77,4; ASES de 54,4 para 75,7; dor de 4,4 para 1,8
GALANO, peitoral10elevação de 158,2 para 164,8 graus; ASES de 53,3 para 63,8
GALANO, EDEN-LANGE6elevação de 141,7 para 151 graus; ASES de 33,3 para 64,6
ELHASSAN, EDEN-LANGE modificada22abdução de 71 para 118 graus; elevação de 102 para 150 graus; DASH de 59 para 21

Complicações. São raras: infecção, ruptura ou falha da transferência e lesão iatrogênica dos nervos peitorais lateral e medial na transferência do peitoral e do nervo dorsal da escápula na EDEN-LANGE (cap. 14, p. 640). Nas transferências do ombro em geral, o mesmo capítulo lembra a lesão do musculocutâneo na transferência do peitoral maior e do axilar e radial na do grande dorsal (p. 638).

As operações antigas. O capítulo 36 do Campbell, das doenças paralíticas, guarda o arsenal histórico para a paralisia do serrátil: transplantes fasciais ancorando o ângulo inferior na borda inferior do peitoral maior ou a borda vertebral nos processos espinhosos de T4 a T7, redondo maior para a 5ª e 6ª costelas e peitoral menor do coracoide para a borda vertebral, o ângulo inferior ou o terço distal da escápula. Para o trapézio e o levantador, transplantes fasciais da espinha e da borda vertebral aos processos espinhosos cervicais e torácicos altos, com lateralização do levantador para junto do acrômio, a semente da EDEN-LANGE.

Acessório espinal e a escápula alada lateral

Relevância clínica

O nervo mais iatrogênico do ombro. Pelo Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 67, p. 2997.e1), o acessório espinal pode ser lesado em qualquer ponto, mas a sua posição superficial no triângulo cervical posterior o torna especialmente vulnerável a ferimentos penetrantes e a cirurgias como a biópsia de linfonodo e o esvaziamento cervical radical. Na via de acesso, o ramo terminal emerge na junção dos terços proximal e médio do esternocleidomastoideo e corre em diagonal para baixo e para trás até entrar na borda lateral do trapézio na junção dos terços médio e distal; o cirurgião não deve confundi-lo com os nervos occipital menor e auricular magno.

O quadro de WOODHALL. A descrição que o Campbell considera exata depois da lesão cirúrgica:

  • Fraqueza generalizada da cintura escapular e do braço.
  • Incapacidade de abduzir o ombro além de 90 graus.
  • Alteração sensitiva que vai de uma sensação de repuxar na cicatriz até dor no ombro e no braço, irradiando para a borda medial da escápula e às vezes até os dedos, por vezes incapacitante.
  • O terço superior do trapézio sempre atrofia, o ombro cai e a força para elevá-lo fica fraca.
  • A escápula roda distal e lateralmente e se afasta um pouco do tórax; o ângulo inferior fica mais perto da linha média que o superior. Essa posição piora na abdução, e o afastamento do ângulo inferior desaparece quando o braço é elevado pela frente, ao contrário da paralisia do serrátil.

Essa última frase é o teste prático para separar as duas escápulas aladas: na lateral, a alada aparece na abdução e some na flexão anterior; na medial, aparece ao empurrar para a frente.

A conduta. O Campbell (cap. 67, p. 2997.e1) propõe:

  • Lesão por projétil de baixa velocidade, sem lesão vascular ou visceral: observar 3 a 4 semanas. Se então a eletroneuromiografia mostra desnervação do trapézio e não há sinal clínico de retorno, explorar.
  • Lesão percebida durante a cirurgia: reparo primário, quando possível.
  • Lesão não percebida na cirurgia, ou ressecção de segmento numa operação oncológica: adiar qualquer reparo ou reconstrução 2 a 3 semanas, até a ferida inicial cicatrizar.
  • Falha grande demais para sutura término-terminal: enxerto interfascicular ou transferência tendínea.

Na exploração, a incisão segue as pregas do pescoço no meio do triângulo posterior; o estímulo do coto proximal que contrai o trapézio mostra que o nervo não foi seccionado. Cicatriz extensa pede neurólise; nervo seccionado pede ressecção até fascículos bons e sutura sem tensão, preferindo enxerto a posições forçadas de cabeça e ombro. Depois, enfaixamento de VELPEAU por 3 a 4 semanas e retorno às atividades em 6 a 8 semanas. Não há dados estatísticos sobre os resultados, mas bons resultados são esperados porque o nervo é puramente motor.

Musculocutâneo: o nervo que perfura o coracobraquial

Cobrança confirmada · 1 questão

A anatomia. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 67, p. 3003), descreve o musculocutâneo com fibras de C5 e C6, ramo do fascículo lateral. Na via de acesso, ele é identificado onde emerge do fascículo lateral e antes de perfurar o coracobraquial; é seguido através do coracobraquial e, no braço, no plano entre o bíceps e o braquial. Os ramos para o bíceps saem logo depois que o nervo deixa o coracobraquial; os do braquial, na junção dos terços médio e distal do braço ou logo acima.

É o que a questão de imagem quer: o músculo coracobraquial e o nervo que o atravessa, o musculocutâneo. A cabeça curta do bíceps divide a origem no coracoide com o coracobraquial, mas não é perfurada pelo nervo; o mediano corre medialmente junto da artéria braquial, sem atravessar músculo nenhum no braço.

A lesão. A causa mais comum é o ferimento penetrante; ocasionalmente, a luxação anterior do ombro ou a fratura do colo do úmero. Lesado na axila, costuma vir junto com outras lesões do plexo. A divisão completa pode passar despercebida: a perda sensitiva é mal definida e o braquiorradial flete o cotovelo com força suficiente para mascarar o bíceps paralisado; é essencial palpar o bíceps durante o teste (cap. 67, p. 3003).

O exame. Dos músculos do musculocutâneo, só o bíceps pode ser examinado com precisão; o braquial e o coracobraquial são difíceis de palpar. O exame sensitivo vale pouco, porque a anestesia completa é rara. A divisão deste nervo causa menos incapacidade que a de qualquer outro nervo maior do corpo, e por isso, sobretudo no idoso, a sutura às vezes nem está indicada (p. 3003).

A falha e o prognóstico. Falhas de 8 cm podem ser fechadas mobilizando o fascículo lateral até o pescoço e o nervo até os ramos musculares, aduzindo o ombro e cruzando o braço sobre o tórax. Às vezes o nervo é transposto para não perfurar mais o coracobraquial, cruzando a axila medialmente a ele. Se a falha for grande demais, enxerto interfascicular. Os sinais de recuperação aparecem 4 a 9 meses após a lesão, e há relatos de resultados excelentes com sutura secundária ou enxerto (p. 3004).

As transferências. O mesmo capítulo descreve a transferência de fascículos do ulnar para o nervo do bíceps, indicada nas lesões do musculocutâneo, e a dupla transferência de fascículos do ulnar e do mediano para os ramos do bíceps e do braquial; o detalhe dessas técnicas pertence ao plexo braquial, tratado no resumo próprio da Biblioteca. Lembre também, das transferências do ombro, que a transferência do peitoral maior sob o coracoide põe o musculocutâneo em risco (cap. 14, p. 638).

Os nervos motores do braço no exame (Campbell 15, cap. 67)
NervoO que se examina bemO que enganaSensibilidade
axilarcontração palpável do deltoideabdução completa possível pelo supraespinal e pela escápulaàs vezes sem anestesia; lateral e superior do braço
musculocutâneobíceps palpadobraquiorradial flete o cotoveloanestesia completa rara
supraescapularatrofia do supra e do infraespinalatletas com atrofia jogam bemsem área cutânea
torácico longoescápula alada ao empurrarabdução pode estar só limitadasem área cutânea
acessórioatrofia do trapézio superior, ombro caídodor irradiada à borda medial da escápulasem área cutânea

PARSONAGE-TURNER: a neurite que imita compressão

Relevância clínica

O que é. PARSONAGE e TURNER descreveram a paralisia espontânea do flexor longo do polegar e do flexor profundo do indicador, que chamaram de "amiotrofia neurálgica"; a patologia dessa mononeurite se relaciona à célula do corno anterior, e o quadro aparece mais comumente depois de uma doença viral (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 28, p. 936). A neurite não se limita ao interósseo anterior: os músculos periescapulares e do ombro também podem ser atingidos. É a neurite braquial que o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2179), coloca como a segunda causa mais frequente de neuropatia supraescapular, logo depois do trauma e junto com os cistos.

A história que denuncia. O paciente conta dor intensa por vários dias ou semanas, que pode seguir uma virose, e depois a fraqueza aparece quando a dor passa. Diante de uma paralisia do interósseo anterior, a neurite tem de entrar no diagnóstico diferencial (Green 7, cap. 28, p. 937).

Por que importa para o cirurgião. O Green (cap. 28, p. 921) alerta que neurite do plexo braquial, PARSONAGE-TURNER, mononeurite e neuropatias motoras podem imitar compressões e não respondem à cirurgia. Operar uma neurite como se fosse um túnel apertado é um erro clássico.

O tratamento. Se a neurite é diagnosticada cedo, recomendam-se corticoide em dose alta e antiviral como o aciclovir. A recuperação espontânea é a regra, mas pode levar até 1 ano. Na paralisia espontânea do interósseo anterior sem sinal eletrodiagnóstico de reinervação, considera-se exploração ou transferência de nervo aos 7 a 10 meses; e quando há compressão associada, a descompressão local pode acelerar a recuperação (Green 7, cap. 28, p. 937). O Campbell, pelo plano de SPINNER, dá um prazo mais curto: explorar se não houver melhora clínica ou eletromiográfica em 12 semanas (cap. 82, p. 3560); a divergência de prazos é real entre os dois livros.

Neurite contra compressão (Green 7, cap. 28; Campbell 15, caps. 51 e 82)
DadoPARSONAGE-TURNERCompressão mecânica
iníciodor intensa por dias ou semanas, depois fraquezasintomas progressivos ou posicionais
gatilhodoença viral, às vezes cirurgia no membrogesto repetitivo, posição, lesão expansiva
músculosperiescapulares, ombro, interósseo anterior; padrão salteadoos distais ao ponto de compressão
tratamento inicialcorticoide em dose alta e aciclovir se precoceconservador ou descompressão
evoluçãorecuperação espontânea em até 1 anodepende de liberar o ponto
cirurgianão resolve a neurite; transferência se não reinervadescompressão

Ulnar no cotovelo: túnel cubital e subluxação

Cobrança confirmada · 1 questão

A anatomia. O ulnar (C8 e T1, fascículo medial) corre no braço posteromedial à artéria braquial, atrás do septo intermuscular e à frente da cabeça medial do tríceps; a arcada de STRUTHERS, faixa de fáscia profunda presa ao septo, cobre o nervo cerca de 8 cm acima do epicôndilo medial (Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cap. 28, p. 941). O nervo passa atrás do epicôndilo medial e medial ao olécrano e entra no túnel cubital, definido por uma camada fascial tensa que vai do flexor ulnar do carpo ao ligamento arqueado de OSBORNE. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 82, p. 3554), chama de ligamento de OSBORNE a fáscia espessada entre o epicôndilo medial e o olécrano. Os pontos de compressão são a arcada de STRUTHERS, o septo, a fáscia do FUC, o ancôneo epitroclear, o OSBORNE e bandas dentro do FUC. FEINDEL e STRATFORD cunharam em 1958 o termo síndrome do túnel cubital (Campbell, cap. 67, p. 3008).

O mecanismo da flexão. A posição superficial do nervo e o aumento de tensão e tração na flexão do cotovelo explicam a compressão (Green 7, p. 942). Na flexão, a camada fascial que vai do FUC ao OSBORNE se estica entre o epicôndilo e o olécrano, e o nervo, atrás do epicôndilo, é tracionado, como a pele que fica tensa sobre o cotovelo fletido (figura do Green). Por isso o teste de flexão do cotovelo: com o cotovelo totalmente fletido, o paciente sente dormência e formigamento no mínimo e no anelar, muitas vezes em 1 minuto; com a percussão positiva no epicôndilo medial, sugere fortemente compressão significativa (Campbell, cap. 67, p. 3008). O Green (p. 927) faz o teste com flexão total, antebraço e punho neutros e pressão digital logo proximal ao túnel, e manda avaliar a subluxação do nervo sobre o epicôndilo. OCHI descreveu o teste da rotação interna do ombro (abdução de 90 graus, rotação interna máxima, cotovelo a 90, punho neutro, dedos estendidos), mais sensível, com sintomas em 80% em 10 segundos; MACKINNON, o scratch collapse.

A subluxação e a paralisia tardia. A subluxação ou luxação recorrente do nervo apareceu em 16,2% de 2000 cotovelos; a subluxação é mais comum e lesa o nervo repetidamente, e a flexão piora a dor e a parestesia. Sulco raso, hipoplasia da tróclea e arco fibroso insuficiente favorecem. A paralisia ulnar tardia segue a consolidação viciosa do côndilo lateral na criança (o cúbito valgo estira o nervo), a fratura desviada do epicôndilo medial, luxações e contusões; o cúbito varo também se associa (Campbell, cap. 67, p. 3007). Na cirurgia, o antebraço em pronação deixa o nervo vulnerável.

Túnel cubital: gravidade e conduta (Campbell 15, cap. 82, p. 3554; Green 7, cap. 28, p. 941 e 942)
SituaçãoConduta
leve: parestesia intermitente, fraqueza subjetivaconservador 3 meses (89,5% de sucesso nos leves e moderados)
moderada: fraqueza mensurávelconservador; cirurgia se falhar
grave: parestesia persistente e fraquezacirurgia, com ENMG antes
velocidade motora no cotovelo menor que 50 m/sconfirma (Green)
velocidade menor que 40 m/sprovável cirurgia (Green)
nervo estáveldescompressão simples, aberta ou endoscópica
subluxação anterior ou recidivatransposição anterior subcutânea, intramuscular ou submuscular
paralisia tardia refratárianeurólise e transposição anterior

O conservador evita flexão prolongada, usa órtese em extensão à noite e nunca imobiliza em pronação. A descompressão in situ é tão eficaz quanto a transposição, com menos complicações (10% contra 30%); a recorrência é de cerca de 7%, maior após trauma ou transposição. Na técnica in situ, protege-se o cutâneo medial do antebraço (cerca de 3 cm distal ao epicôndilo), abre-se o OSBORNE e a fáscia entre as cabeças do FUC, sem mobilizar o nervo (para não criar subluxação), libera-se a arcada de STRUTHERS e flete-se o cotovelo para ver se o nervo subluxa (Campbell, cap. 82, p. 3554).

Mediano no cotovelo: STRUTHERS, pronador e interósseo anterior

Cobrança confirmada · 1 questão

Os pontos. O ligamento de STRUTHERS, em quem tem processo supracondiliano, é o ponto mais proximal e raro: o nervo passa por baixo e a artéria braquial por cima, e o ligamento serve de origem acessória do pronador (Green 7, cap. 28, p. 935 e 936). Depois vêm o lacerto fibroso, as duas cabeças do pronador redondo e o arco do FDS (Campbell, cap. 82, p. 3559). O arco do pronador fica 3 a 7,5 cm e o do FDS 6,5 cm distal à linha epicondilar; o músculo de GANTZER existiu em 45% num estudo.

Três testes, três pontos (Campbell, cap. 82, p. 3560): pronação resistida com cotovelo fletido e gradualmente estendido aponta o pronador; flexão isolada do FDS do médio aponta o arco do FDS; flexão-supinação resistida aponta o lacerto. A condução costuma ser normal. A descompressão alivia 80 a 92%; com túnel do carpo associado e condução positiva, libera-se primeiro o carpo.

O interósseo anterior. Sai da face posteromedial do mediano depois das cabeças do pronador e inerva o FLP, a metade radial do FDP (indicador e médio) e o pronador quadrado (Campbell, cap. 67, p. 3011). A síndrome dá dor proximal por horas e fraqueza desses músculos; na pinça, não flete a falange distal do indicador. É motor puro, sem perda sensitiva (Green 7, p. 937). SPINNER: início espontâneo, conservador; 12 semanas sem melhora, explorar.

Radial: interósseo posterior e túnel radial

Relevância clínica

O interósseo posterior pode ser comprimido pela arcada de FROHSE, na entrada do supinador. SPINNER descreve paralisia completa (extensores dos dedos, do indicador, do mínimo, ERU, ALP, ECP) ou parcial. A compressão sem paralisia é a síndrome do túnel radial, causa de epicondilite lateral refratária, com quatro pontos: origem do ERCC, aderências na cabeça do rádio, leque da artéria recorrente radial e arcada de FROHSE (Campbell, cap. 82, p. 3561). Dói sob a massa extensora e na supinação resistida; a eletro raramente ajuda. Na lesão do radial na bifurcação, braquiorradial e ERCL funcionam: o punho estende (cap. 67, p. 3004).

Prazos que a prova cobra (Campbell 15, caps. 14, 51, 67 e 82; Green 7, cap. 28)
Nervo ou situaçãoPrazo
axilar, lesão fechadasinais em 3 a 12 meses; 90% recuperam
musculocutâneosinais em 4 a 9 meses
torácico longorecupera em 3 a 12 meses; transferência após 12 meses
acessório por projétilobservar 3 a 4 semanas
quadrangularcirurgia após 3 a 6 meses de conservador
túnel cubitalconservador por 3 meses
interósseo anteriorexplorar em 12 semanas (Campbell) ou 7 a 10 meses (Green)
interósseo posteriorretorno improvável se a sutura atrasa mais de 9 meses (ZACHARY)

Fechamento

Fundamento

Monte o mapa (raiz, tronco, fascículo), ache o ponto apertado e deduza o que atrofia. Supra e infraespinal atrofiados: incisura supraescapular; só infraespinal: espinoglenoidal e cisto. Redondo menor: quadrangular. Medial: serrátil; lateral: trapézio.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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