Orto Questões

Exame físico do cotovelo

Ombro e cotoveloResumo do capítulo33 min de leitura

COZEN é extensão resistida do punho com cotovelo a 90° e antebraço pronado, MILL força a flexão do punho com cotovelo estendido, MAUDSLEY é extensão resistida do dedo médio e o teste da cadeira de GARDNER ergue a cadeira com antebraço pronado e punho fletido; a instabilidade posterolateral aparece com carga axial, valgo e supinação (pivot shift de O'DRISCOLL, gaveta posterolateral, levantar da cadeira e push-up com antebraço supinado); milking e moving valgus testam o ligamento colateral medial, com valgo a cerca de 30°; o hook test engancha a borda lateral do tendão do bíceps com flexão e supinação ativas, porque a medial é o lacerto fibroso, e o squeeze test se faz a 60 a 80°; ângulo de carregamento médio de 15° (0 a 26°) e arco funcional de 30 a 130° com 50° de pronação e 50° de supinação.

Atualizado em 04/11/2026 · 33 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 4 · Ombro e cotovelo (seções Epicondilite lateral e Síndromes compressivas do membro superior), com o Capítulo 48 · Traumatismos do cotovelo no adulto do mesmo livro e os Capítulos 52 · Recurrent Dislocations e 53 · Traumatic Disorders do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., em Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio K. HEBERT e colaboradores), 5ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (caps. 15, 51, 52, 53, 67 e 82), o Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (caps. 23, 25 e 28), e o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (caps. 39 e 40). Autores do capítulo: Osvandré LECH, Paulo Cesar Faiad PILUSKI, Carlos Humberto Castillo RODRIGUEZ, Antonio L. SEVERO e Marcelo LEMOS (HEBERT, cap. 4); Carlos Henrique RAMOS, Luiz Carlos SOBANIA, Paulo Sergio dos SANTOS e Roberto Luis SOBANIA (HEBERT, cap. 48); Joseph D. LAMPLOT e Tyler J. BROLIN (Campbell, cap. 52); David L. BERNHOLT e Frederick M. AZAR (Campbell, cap. 53); Mark S. COHEN (Green, cap. 23); Julie E. ADAMS e Scott P. STEINMANN (Green, cap. 25); Susan E. MACKINNON e Christine B. NOVAK (Green, cap. 28).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio K. HEBERT e colaboradores), capítulo 4, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

O exame do cotovelo é uma sequência curta de manobras com nome próprio, e a banca brasileira cobra quase sempre o mesmo tipo de detalhe: em que posição fica o cotovelo, para onde vai o antebraço, o que o examinador faz e o que o teste positivo significa. Quem decora só o nome do teste erra a questão, porque as alternativas trocam pronação por supinação, flexão por extensão, lateral por medial e valgo por varo. Quem entende o mecanismo de cada teste acerta sem decorar, porque cada manobra existe para colocar uma estrutura específica sob tensão.

Este resumo tem como eixo o HEBERT, Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática, 5ª edição (2017), em dois capítulos: o capítulo 4 (Ombro e cotovelo), que traz os testes da epicondilite (COZEN, MILL, MAUDSLEY, GARDNER, xícara de café) e as síndromes compressivas do cotovelo, e o capítulo 48 (Traumatismos do cotovelo no adulto), que traz a anatomia, o arco funcional, o ângulo de carregamento e a instabilidade posterolateral e medial. A técnica fina de cada manobra de instabilidade e de bíceps vem do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 52 para instabilidade, cap. 53 para o bíceps distal), e os nervos e a instabilidade crônica vêm do Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. O HEBERT conferido é edição digital sem paginação e por isso é citado por capítulo e seção; as páginas do Campbell e do Green são as impressas.

A Biblioteca já tem resumos que aprofundam o que aqui só se aponta: epicondilite lateral e medial (campbell15-epicondilite), rigidez do cotovelo (campbell15-rigidez-cotovelo), ruptura do bíceps distal (campbell14-biceps-distal), luxação do cotovelo e tríade terrível (rockwood10-40-cotovelo-cabeca-radio), nervos do ombro e cotovelo (campbell15-nervos-ombro-cotovelo), imagem (campbell15-imagem-ombro-cotovelo) e avaliação do cotovelo da criança (rockwoodcriancas9-12-avaliacao-cotovelo). Aqui o foco é o exame.

A anatomia que o exame interroga

Fundamento

Três articulações e uma dobradiça frouxa

O HEBERT (cap. 48, Anatomia) começa pelo básico: o cotovelo tem três articulações, a ulnotroclear, a radiocapitelar e a radioulnar proximal. A ulnotroclear move-se num eixo só e faz a flexoextensão; a radiocapitelar está ligada à radioulnar proximal e, junto com ela, faz a rotação do antebraço em qualquer posição da ulnotroclear. O Campbell (cap. 15, p. 643) dá o nome técnico: a ulnoumeral é um gínglimo, as outras duas são trocoides, e o conjunto é uma articulação trocoginglimoide, uma "dobradiça frouxa" com dois graus de liberdade.

Por isso o exame separa os planos: flexoextensão interroga a ulnotroclear e a cápsula, a rotação interroga a radiocapitelar e a radioulnar proximal, o valgo interroga o lado medial, e o varo e as manobras rotatórias, o lateral.

Os dois complexos ligamentares

O colateral medial (HEBERT, cap. 48) tem três fascículos: o anterior, mais importante, inserido na face medial do coronoide (o tubérculo sublime do Campbell, cap. 15, p. 643), o posterior e o transverso; sua lesão dá instabilidade em valgo. O Campbell (cap. 52, p. 2229) divide o feixe anterior em duas bandas não isométricas, anterior tensa de 0 a 60° e posterior tensa de 60 a 120°, e por isso as manobras mediais percorrem uma faixa de flexão.

O complexo lateral (HEBERT, cap. 48) tem o colateral lateral radial, do epicôndilo ao anular, e o colateral lateral ulnar, até a crista do supinador. O colateral lateral ulnar é o mais importante, e, segundo O'DRISCOLL, sua lesão isolada provoca a instabilidade posterolateral rotatória. O HEBERT (cap. 4) acrescenta que a origem do colateral lateral é confluente com as do extensor radial curto, do extensor dos dedos e do supinador: a liberação agressiva da epicondilite pode desestabilizar o cotovelo.

Quem segura o cotovelo em cada posição

A regra: em extensão a estabilidade é dividida; em flexão o ligamento manda no valgo e o osso manda no varo.

Restritores do cotovelo por posição (Campbell 15, cap. 15, p. 643; cap. 52, p. 2229)
SituaçãoQuem resisteNúmero
Distração em extensãocápsula anteriorcerca de 70% (cap. 15)
Valgo em extensãocolateral medial, cápsula anterior e articulaçãodivididos em partes iguais (caps. 15 e 52)
Valgo a 90°colateral medial, feixe anterior primário55% (cap. 52)
Varo em extensãoarticulação, colateral lateral ulnar e cápsula (cap. 15)colateral lateral só 14% (cap. 52)
Varo em flexãoarticulaçãocerca de 75% (cap. 15); colateral lateral só 9% a 90° (cap. 52)
Rotação posterolateralcolateral lateral ulnarestabilizador lateral principal, tenso em flexão e extensão (cap. 52)
Valgo, papel secundáriocabeça do rádiorestritor secundário (cap. 15)

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 40), dá o fato que explica todas as manobras laterais: a pronação estabiliza o cotovelo com colateral lateral deficiente e a supinação o desestabiliza. E lembra que o colateral medial só é o mais importante em quem carrega em valgo, como o arremessador; as atividades diárias geram mais varo.

Os músculos

No HEBERT (cap. 48), a flexão é principalmente do braquial (o "burro de carga" do Campbell, cap. 15, p. 644), com o bíceps em supinação; a supinação é do supinador com o bíceps, que é duas vezes mais potente que o supinador com o cotovelo estendido (Campbell, cap. 53, p. 2287). Consequência: quem rompe o bíceps distal perde força, não toda a flexão nem toda a supinação.

Inspeção: ângulo de carregamento, cúbito valgo e cúbito varo

Fundamento

O que é o ângulo de carregamento

Com o cotovelo estendido, o antebraço forma com o braço um ângulo em valgo. O HEBERT (cap. 48, Anatomia) dá a definição e os números usados no Brasil: o ângulo aumenta com o antebraço em supinação, tem valor médio normal de 15° e varia de 0 a 26° segundo BEALS. A razão anatômica está no úmero distal: o Rockwood and Green's Fractures in Adults (cap. 39) explica que a tróclea é mais distal que o capítulo, o que alinha a superfície articular em 4 a 8° de valgo em relação à diáfise; somando a ulna, o cotovelo estendido fica em 10 a 17° de valgo. O mesmo capítulo lembra que as mulheres têm ângulo de carregamento maior.

O Campbell (cap. 15, p. 643) mostra que o ângulo não é fixo: ele varia de 11° de valgo em extensão completa a 6° de varo em flexão completa. É por isso que o ângulo de carregamento se mede com o cotovelo estendido e supinado: em flexão ele desaparece.

Ângulo de carregamento nos livros conferidos
LivroValorDetalhe
HEBERT, cap. 48média 15°, faixa de 0 a 26° (BEALS)medido em extensão; aumenta com a supinação
Campbell 15, cap. 15, p. 64311° de valgo em extensãopassa a 6° de varo em flexão completa
Rockwood and Green 10, cap. 3910 a 17° em extensãosuperfície articular em 4 a 8° de valgo; maior nas mulheres

Para a prova vale o HEBERT: 15° em média. Como o ângulo varia entre pessoas, o HEBERT (cap. 47) manda comparar com o cotovelo contralateral.

Cúbito valgo e cúbito varo

Cúbito valgo é o ângulo aumentado; cúbito varo, o ângulo invertido. O HEBERT (cap. 47) trata os dois como sequelas de fratura supracondiliana da criança: o varo é o mais comum, o valgo é menos comum, ambos essencialmente estéticos, mas podem trazer dor, perda de força e síndrome neurológica; o varo altera o triângulo entre côndilos e olécrano. O valgo é o que liga a inspeção ao nervo: o HEBERT (cap. 4) põe o cúbito valgo por consolidação viciosa na infância entre as causas de compressão do ulnar, e o capítulo 47 recomenda transpor o ulnar quando há cúbito valgo com neuropatia. No valgo o nervo, atrás do epicôndilo medial, é tracionado a cada flexão.

Na rotina, o Campbell (cap. 52, p. 2230) inspeciona atrofia, edema e equimose e mede o antebraço 7 cm abaixo do epicôndilo medial; o HEBERT (cap. 4) procura valgo ou varo, cicatrizes e garra de anular e mínimo, e no trauma (cap. 48) organiza o exame em quatro pontos cardeais: aspecto local, mobilidade, estabilidade e força, comparando com o outro lado.

Palpação: o triângulo e os pontos dolorosos

Relevância clínica

O triângulo dos epicôndilos e do olécrano

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 40), descreve o achado de forma precisa: com o cotovelo fletido a 90°, os epicôndilos medial e lateral e o olécrano formam um triângulo isósceles; se não formam, o cotovelo provavelmente está luxado ou subluxado. O HEBERT (cap. 48, Luxação do cotovelo) usa o mesmo sinal: na luxação percebe-se a perda do triângulo formado pelos epicôndilos e pelo olécrano, o que facilita o diagnóstico confirmado pela radiografia. Na criança, o cúbito varo também altera esse triângulo (HEBERT, cap. 47).

As provas chamam esse triângulo de HUETER; os livros conferidos descrevem o triângulo, mas não usam o epônimo. Ele se examina a 90° de flexão; em extensão os três pontos ficam em linha.

Os pontos dolorosos

O ponto da epicondilite lateral é o mais cobrado: o HEBERT (cap. 4) o põe anterior e distal ao epicôndilo, e o Campbell (cap. 51, p. 2181) dá a medida, cerca de 5 mm distal e anterior ao ponto médio do epicôndilo lateral, sobre a origem do extensor radial curto. O HEBERT ensina que a chave para localizar o epicôndilo é palpar o colateral lateral, que divide o lado lateral em anterior e posterior. O túnel radial dói mais abaixo, 3 a 4 cm distal ao epicôndilo (Campbell, cap. 51), sob a massa extensora (cap. 82, p. 3561); o HEBERT (cap. 4) põe a dor do supinador entre o epicôndilo e a arcada de FROHSE, na face posterior do antebraço. A epicondilite medial é simétrica (Campbell, cap. 51, p. 2183). No arremessador, o Campbell (cap. 52, p. 2230) palpa a massa flexopronadora, o colateral ulnar e a ponta posteromedial do olécrano, e lembra que dor 2 a 3 cm distal à ponta do olécrano sugere fratura de estresse; o líquido se procura no soft spot posterolateral.

Mapa da palpação do cotovelo
PontoEstrutura ou doençaFonte
5 mm distal e anterior ao meio do epicôndilo lateralorigem do extensor radial curto do carpo (epicondilite lateral)Campbell 15, cap. 51, p. 2181; HEBERT, cap. 4
3 a 4 cm distal ao epicôndilo lateral, sob a massa extensoratúnel radial (interósseo posterior)Campbell 15, cap. 51, p. 2181, e cap. 82, p. 3561
face posterior proximal do antebraço, sobre o supinadorsíndrome do supinadorHEBERT, cap. 4
5 mm distal e anterior ao meio do epicôndilo medialorigem flexopronadora (epicondilite medial)Campbell 15, cap. 51, p. 2183
trajeto do epicôndilo medial ao tubérculo sublimecolateral medialGreen 7, cap. 23, p. 835
ponta posteromedial do olécranoimpacto posteromedial do arremessadorCampbell 15, cap. 52, p. 2230
2 a 3 cm distal à ponta do olécranofratura de estresse do olécranoCampbell 15, cap. 52, p. 2230
soft spot posterolateralderrame; covinha da instabilidade posterolateralCampbell 15, cap. 52, p. 2230 e 2231
sulco retroepicondiliano medialnervo ulnar (TINEL, subluxação)HEBERT, cap. 4; Campbell 15, cap. 52, p. 2230
tuberosidade do rádio, pela face posterolateral, com pronação passivatendinopatia de inserção do bícepsGreen 7, cap. 25, p. 871

Amplitude de movimento e arco funcional

Fundamento

Os valores normais

O HEBERT (cap. 48) dá a amplitude normal: 0° de extensão a 140 a 150° de flexão, 75° de pronação e 85° de supinação; o Campbell (cap. 15, p. 644), 0 a cerca de 150°.

O arco funcional de MORREY

O HEBERT (cap. 48) atribui a MORREY o arco funcional: flexoextensão de 30 a 130° e 50° de pronação e 50° de supinação, suficientes para a maioria das atividades diárias. O Campbell (cap. 51, p. 2184 e 2185) repete os números e dá os limites: contratura em flexão maior que 45° prejudica muito o posicionamento da mão, e a cirurgia é considerada com arco abaixo de 100° após o tratamento conservador. O arco de 30 a 130° tem exatamente esses 100°.

Amplitude do cotovelo e arco funcional
MovimentoNormalFuncional (MORREY)Fonte
Extensão0°até 30° de déficitHEBERT, cap. 48; Campbell 15, cap. 51, p. 2184
Flexão140 a 150° (HEBERT); cerca de 150° (Campbell)até 130°HEBERT, cap. 48; Campbell 15, cap. 15, p. 644
Arco de flexoextensãocerca de 150°100° (30 a 130°)Campbell 15, cap. 51, p. 2184 e 2185
Pronação75°50°HEBERT, cap. 48
Supinação85°50°HEBERT, cap. 48
Contratura que incapacitamais de 45° em flexãoindicação cirúrgica com arco abaixo de 100°Campbell 15, cap. 51, p. 2184 e 2185

A rigidez do cotovelo, suas causas e a liberação cirúrgica estão no resumo campbell15-rigidez-cotovelo.

A amplitude como teste de estabilidade

Na instabilidade posterolateral crônica a amplitude é completa e a força normal (Green, cap. 23, p. 830; HEBERT, cap. 48): exame "benigno" não exclui instabilidade. Na luxação recém-reduzida, o HEBERT (cap. 48) testa flexoextensão e varo-valgo: instável ao estender até 60° é instabilidade franca (procurar fratura); instável só a 30°, prona-se e testa-se de novo, e se estabilizar imobiliza-se em pronação com 30 a 130°.

Instabilidade medial: estresse em valgo, moving valgus e milking

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que o arremessador

O Campbell (cap. 52, p. 2229) diz que a instabilidade em valgo por desgaste do feixe anterior do colateral medial é a forma mais comum de instabilidade recorrente do cotovelo: na aceleração do arremesso o ligamento trabalha perto do limite de ruptura, e a falha do primário sobrecarrega os secundários (condromalácia e corpos livres radiocapitelares, osteófitos posteromediais, sintomas do ulnar). O HEBERT (cap. 48) descreve a origem dupla: trauma agudo da banda anterior ou esforço repetitivo em valgo do arremessador.

O estresse em valgo: em que ângulo

O HEBERT (cap. 48) testa o valgo com 30° de flexão; o Campbell (cap. 52, p. 2230), com cerca de 30°, antebraço supinado e pronado, observando abertura, firmeza do ponto final e dor medial; o Green (cap. 25, p. 865), a 30° antes da extensão completa, com antebraço pronado e punho fletido para tirar a ajuda da massa flexopronadora. Fletir cerca de 30° tira o olécrano da fossa e afrouxa a cápsula anterior, que em extensão dividem com o ligamento a resistência ao valgo (Campbell, p. 2229): o colateral medial passa a trabalhar quase sozinho.

O Campbell (p. 2230) acrescenta o valgus extension overload test: valgo mantido enquanto se estende passivamente a partir de 30°; dor posteromedial no olécrano indica impacto posteromedial, consequência da frouxidão.

Moving valgus e milking

O Campbell (p. 2230) considera o moving valgus o teste mais acurado para o colateral ulnar: ombro abduzido e em rotação externa, valgo enquanto o cotovelo é estendido passivamente de 120° para 30° e fletido de volta, rápido; dor medial sugere incompetência. O Green (cap. 23, p. 835) localiza a dor em 70 a 120°, a posição do final da armação e do início da aceleração, faixa em que a banda posterior do feixe anterior está tensa.

O milking (ordenha) tem esse nome porque o examinador puxa o polegar do paciente: o Campbell (p. 2230) faz o valgo assim enquanto o cotovelo vai de 30 a 120°; o Green (cap. 23, p. 835), estático, com o cotovelo além de 90° e o ombro em rotação externa. O HEBERT (cap. 48) usa o milking para complementar o teste em valgo. Positivo, indica lesão do colateral medial.

Valgo e cabeça do rádio

A cabeça do rádio é restritor secundário ao valgo (Campbell, cap. 15, p. 643). O HEBERT (cap. 48) mostra com as "colunas gregas" que a ressecção da cabeça do rádio só é segura com o colateral medial íntegro, e o Rockwood and Green (cap. 40) manda avaliar a estabilidade com estresse em varo, valgo, rotacional e axial antes de qualquer excisão.

Testes do lado medial
TestePosição e manobraPositivoFonte
Estresse em valgocotovelo a cerca de 30° (HEBERT, Campbell) ou além de 30° (Green); antebraço supinado e pronado; pronar e fletir o punho elimina a ajuda flexopronadoraabertura medial, ponto final mole, dorHEBERT, cap. 48; Campbell 15, cap. 52, p. 2230; Green 7, cap. 23, p. 835, e cap. 25, p. 865
Sobrecarga em extensão com valgovalgo mantido enquanto se estende passivamente a partir de 30°dor posteromedial no olécrano (impacto)Campbell 15, cap. 52, p. 2230
Moving valgusombro abduzido e em rotação externa; valgo da flexão de 120° à de 30° e volta, rápidodor medial, sobretudo entre 70 e 120°Campbell 15, cap. 52, p. 2230; Green 7, cap. 23, p. 835
Milking (ordenha)tração no polegar; cotovelo além de 90° (Green) ou de 30 a 120° (Campbell); ombro em rotação externador ou abertura medial: colateral medialCampbell 15, cap. 52, p. 2230; Green 7, caps. 23 e 25; HEBERT, cap. 48
Valgo artroscópicocotovelo a 70 a 90°, visão pelo portal anterolateralabertura ulnotroclear maior que 1 a 2 mmCampbell 15, cap. 52, p. 2231

Na confirmação, o HEBERT (cap. 48) usa AP com estresse em valgo e RM; o Campbell (p. 2231), a incidência de JONES para osteófitos posteromediais e a RM com gadolínio com o sinal do T. O Green (cap. 23, p. 835) avisa que estresse radiográfico acordado e até a RM podem ser normais: o diagnóstico é da história e do exame.

Instabilidade posterolateral rotatória: pivot shift, gaveta, cadeira e push-up

Cobrança confirmada · 2 questões

O que acontece no cotovelo

Na instabilidade posterolateral rotatória o rádio e a ulna giram juntos em supinação sobre o úmero e a cabeça do rádio subluxa para trás do capítulo. O Green (cap. 23, p. 830) resume a função perdida: o colateral lateral impede essa subluxação quando o antebraço supinado recebe carga axial.

O mecanismo da luxação é o mesmo da manobra diagnóstica. O HEBERT (cap. 48) descreve, segundo O'DRISCOLL, força axial, em valgo e em supinação, rompendo primeiro a banda ulnar do colateral lateral, depois as cápsulas, e por último a banda anterior do colateral medial; o Campbell (cap. 52, p. 2230) dá os estágios (1: parte ulnar do colateral lateral; 2: demais laterais e cápsula posterior; 3A e 3B: colateral medial parcial e completo), progredindo de lateral para medial. O Campbell (p. 2229) descreve a queda como valgo com rotação interna do úmero sobre o antebraço fixo: com a mão no chão, o úmero que gira para dentro equivale ao antebraço que gira para fora (supinação) em relação a ele.

Quem tem e como se queixa

Para o HEBERT (cap. 48), a instabilidade crônica mais comum é a posterolateral, depois de trauma com estágio I não tratado ou de luxação em que o ligamento não cicatrizou: dor leve ou moderada, clique e insegurança. O Green (cap. 23, p. 830) acrescenta falseio sob carga axial em extensão e supinação, como ao empurrar para levantar da cadeira, e um exame de rotina benigno, às vezes com fístula sinovial lateral.

O pivot shift lateral de O'DRISCOLL

O HEBERT (cap. 48) descreve o pivot shift como supinação, valgo e flexão, provocando dor ou apreensão, mais nítido sob anestesia. O Campbell (cap. 52, p. 2230 e 2231): antebraço supinado, valgo e força axial com o cotovelo a 20 a 30°; melhor ainda com o membro acima da cabeça e o ombro em rotação externa máxima, que dá a contraforça para a supinação e deixa uma mão livre para o valgo; leva-se o cotovelo da extensão à flexão, e perto de 40° surge a proeminência posterolateral da cabeça do rádio; fletindo mais, aparece a covinha no soft spot, que some com o ressalto da redução. O Green (cap. 23, p. 830) faz o mesmo em supino, ombro travado em flexão e rotação externa máximas, supinação máxima, valgo e compressão axial a 40 a 70°, e reduz com flexão; na versão sentada, reduz com pronação e leve flexão.

A coerência ajuda a lembrar: subluxa em extensão e supinação, reduz com flexão e pronação.

Por que valgo e não varo

A intuição manda testar o lado lateral em varo, mas para a instabilidade rotatória os livros pedem valgo: somado à supinação e à carga axial, ele reproduz o vetor da queda e empurra a cabeça do rádio para trás do capítulo (HEBERT, cap. 48; Campbell, cap. 52). O varo puro serve para outra coisa: com o cotovelo estendido, a abertura radiocapitelar confirma instabilidade lateral (Green, cap. 23, p. 831).

A gaveta posterolateral rotatória

O Green (cap. 23, p. 830) faz a gaveta rotatória posterolateral na mesma posição, com força posterior no rádio proximal: a covinha radiocapitelar entre 40 e 70° confirma, e a instabilidade diminui com mais flexão.

O teste da cadeira e o push-up

Nos testes funcionais o próprio paciente faz a carga axial em supinação. O HEBERT (cap. 48) descreve o teste da cadeira: dor ou insegurança ao levantar-se da posição sentada com o cotovelo totalmente supinado. O Campbell (cap. 52, p. 2231) descreve o table or seat press-up, empurrar o corpo para cima com o antebraço supinado enquanto o examinador observa a cabeça do rádio, e as flexões na parede ou no chão em supinação. O HEBERT cita também o table top relocation de ARVIND e HARGREAVES (2006).

A pegadinha é o nome: o "teste da cadeira" de GARDNER é da epicondilite lateral, e nele o paciente ergue a cadeira.

Os dois testes da cadeira (HEBERT, caps. 4 e 48; Green 7, caps. 23 e 25)
Cadeira da instabilidade posterolateralCadeira de GARDNER
Doençainstabilidade posterolateral rotatóriaepicondilite lateral
O que o paciente fazempurra para levantar-se da cadeira apoiado nos braçosergue uma cadeira com uma mão
Antebraçosupinadopronado
Punhoapoiado na palma, em extensão (dedução da manobra)em flexão palmar
O que dóidor ou insegurança lateral, sensação de saídador forte no epicôndilo lateral
Mecanismocarga axial em supinação subluxa a cabeça radialtração ativa do extensor radial curto do carpo alongado

Exame sob anestesia

O Green (cap. 23, p. 831) observa que o paciente resiste ativamente às manobras, o que já vale como sinal de apreensão positivo; o exame mais confiável é sob anestesia, e deve ser feito também antes de operar uma epicondilite, porque parte das falhas dessa cirurgia é instabilidade posterolateral por liberação que incluiu o colateral lateral ulnar (Campbell, cap. 51, p. 2182).

Testes da instabilidade posterolateral rotatória
TestePosição e manobraPositivoFonte
Pivot shift lateral de O'DRISCOLLsupinação, valgo e carga axial, da extensão para a flexão; melhor com o membro acima da cabeça e ombro em rotação externaproeminência posterolateral perto de 40°, covinha no soft spot e ressalto de redução com mais flexão; dor ou apreensãoHEBERT, cap. 48; Campbell 15, cap. 52, p. 2230 e 2231; Green 7, cap. 23, p. 830
Gaveta rotatória posterolateralmesma posição; força posterior no rádio proximalcovinha radiocapitelar a 40 a 70°, menor com mais flexãoGreen 7, cap. 23, p. 830
Cadeira (levantar-se)levantar-se da cadeira com o cotovelo totalmente supinadodor ou insegurançaHEBERT, cap. 48; Green 7, cap. 23, p. 830
Press-up na mesa ou assentoempurrar o corpo para cima com antebraço supinadoinstabilidade palpável da cabeça radialCampbell 15, cap. 52, p. 2231
Push-up na parede ou chãoflexão de braço com antebraço supinadomesmo achadoCampbell 15, cap. 52, p. 2231
Table top relocationdescrito por ARVIND e HARGREAVESpositivo na instabilidade posterolateralHEBERT, cap. 48
Varo em extensãocotovelo estendido sob varoabertura radiocapitelarGreen 7, cap. 23, p. 831

A ligação entre esses testes e as fraturas da cabeça do rádio e do coronoide, a tríade terrível e a reconstrução do colateral lateral está no resumo rockwood10-40-cotovelo-cabeca-radio.

Epicondilite lateral e medial: COZEN, MILL, MAUDSLEY e GARDNER

Cobrança confirmada · 3 questões

O que os testes provocam

Todos os testes da epicondilite lateral põem em tensão a origem do extensor radial curto do carpo, por contração contra resistência, por alongamento ou pelos dois. A lesão é tendinose: o HEBERT (cap. 4) descreve, segundo NIRSCHL e PETTRONE (1979), microrrupturas do extensor radial curto com hiperplasia angiofibroblástica, degenerativa e não inflamatória; o Green (cap. 25, p. 863) acrescenta o extensor dos dedos em cerca de um terço dos casos.

O HEBERT separa atletas jovens (5%) do grupo de 95%, pessoas de 35 a 55 anos, em geral trabalhadores de atividade repetitiva ou esforço intenso; o Campbell (cap. 51, p. 2181) diz que é mais comum em não atletas, com pico no início da quinta década, e acrescenta a dor ao agarrar objetos. É o caso do pedreiro de 40 anos com dor lateral ao segurar firme e dor à extensão resistida do punho.

COZEN e MILL

COZEN (HEBERT, cap. 4): o paciente faz extensão do punho contra resistência com o cotovelo a 90° de flexão e o antebraço pronado; dor no epicôndilo lateral é positivo. Em pronação, a extensão do punho depende dos extensores radiais, e a origem do curto é a mais solicitada.

MILL (HEBERT, cap. 4): mão fechada, punho em dorsiflexão, cotovelo estendido; o examinador força o punho em flexão e o paciente resiste. O cotovelo estendido alonga o músculo biarticular, e a resistência soma contração ao alongamento.

Os outros testes do HEBERT

  • Xícara de café (coffee cup test): segundo COONRAD e HOOPER, dor no epicôndilo lateral ao levantar uma xícara de café cheia é patognomônica de epicondilite lateral.
  • Cadeira de GARDNER (chair test): o paciente é instruído a erguer uma cadeira com uma mão, com o antebraço em pronação e o punho em flexão palmar; dor forte no epicôndilo lateral indica epicondilite.
  • MAUDSLEY: dor à extensão do dedo médio contra resistência. O HEBERT explica por que o dedo médio: segundo FAIRBANK e CORELETT, a parte do extensor dos dedos que vai ao dedo médio origina-se no epicôndilo lateral, enquanto as outras se originam mais distalmente.

O Green (cap. 25, p. 864) confirma o chair test na mesma posição. Nenhum dos dois diz a posição do cotovelo; pela lógica do MILL, o cotovelo estendido alonga mais o músculo, mas isso é dedução.

A divergência sobre o cotovelo nos testes de extensão resistida

O HEBERT faz o COZEN a 90°; o Green (cap. 25, p. 864) provoca a dor com extensão resistida do punho, antebraço pronado e cotovelo totalmente estendido, e com supinação resistida e punho fletido; o Campbell (cap. 51, p. 2181) fala só em dorsiflexão resistida do punho e supinação. É a mesma ideia, mas só o HEBERT dá nome e ângulo: COZEN é 90° e pronação.

Testes da epicondilite lateral (HEBERT, cap. 4; Green 7, cap. 25, p. 864; Campbell 15, cap. 51, p. 2181)
TesteCotoveloAntebraçoPunho e manobraPositivo
COZEN90° de flexãopronadopaciente estende o punho contra resistênciador no epicôndilo lateral
MILLestendidonão descritopunho em dorsiflexão e mão fechada; examinador força a flexão, paciente resistedor no epicôndilo lateral
MAUDSLEYnão descritonão descritoextensão do dedo médio contra resistênciador no epicôndilo lateral (HEBERT); para Campbell e Green, achado do túnel radial
Cadeira de GARDNERnão descritopronadoergue a cadeira com punho em flexão palmardor forte no epicôndilo lateral
Xícara de cafénão descritonão descritolevantar xícara cheiapatognomônico (COONRAD e HOOPER)
Extensão resistida do punho (Green)totalmente estendidopronadoextensão resistida do punhodor lateral
Supinação resistida (Green, Campbell)não descritosupinação contra resistênciapunho fletido (Green)dor lateral, também no túnel radial

A grande armadilha: epicondilite ou túnel radial

No MAUDSLEY os livros divergem de verdade. O HEBERT (cap. 4) o apresenta como teste de epicondilite lateral. O Campbell (cap. 51, p. 2181) usa a mesma manobra para o túnel radial: dor 3 a 4 cm distal ao epicôndilo, reproduzida pela extensão resistida do dedo longo. O Green (cap. 25, p. 864) diz que extensão resistida dos dedos e supinação resistida doem nos dois processos e não são definitivas, e no capítulo 28 (p. 950) define o túnel radial justamente por dor à extensão resistida do dedo médio e à supinação resistida.

O que separa na prática é onde dói: no epicôndilo é epicondilite; 3 a 4 cm abaixo, túnel radial. E os dois coexistem em 5% (Campbell e Green); para o HEBERT a síndrome do supinador é o principal diferencial, e ele pede ENMG dinâmica de rotina antes de operar. O Campbell (cap. 51, p. 2182) aponta o túnel radial não diagnosticado como causa de falha cirúrgica.

Dor lateral do cotovelo: diagnóstico diferencial (Campbell 15, cap. 51, p. 2181, Box 51.7; HEBERT, cap. 4; Green 7, cap. 25, p. 864)
DiagnósticoPista no exame
Epicondilite lateraldor 5 mm distal e anterior ao meio do epicôndilo; COZEN, MILL, GARDNER
Síndrome do túnel radial (o diferencial mais comum no Campbell)dor 3 a 4 cm distal ao epicôndilo; extensão resistida do dedo médio; supinação resistida
Síndrome do supinador (HEBERT)dor posterior proximal do antebraço, sem déficit sensorial
Osteocondrite dissecante do capítulodor radial à compressão e pronossupinação
Artrose lateralcrepitação, perda de movimento
Instabilidade em varo ou posterolateralpivot shift, varo em extensão
Tendinite do braquiorradialdor mais proximal (Campbell)
Plica, corpos livres, condromalácia, tumoresdor mal localizada (Green)
Radiculopatia cervical e desfiladeirodor irradiada; corda posterior no desfiladeiro (HEBERT)
Bursite do olécrano, gota, sinoviteinspeção e palpação posterior (HEBERT)

Epicondilite medial

A epicondilite medial é o espelho (Campbell, cap. 51, p. 2183): origem do flexor radial do carpo e do pronador redondo, dor que piora com pronação e flexão do punho resistidas, ponto 5 mm distal e anterior ao meio do epicôndilo medial. O Green (cap. 25, p. 864 e 865) dá 10 a 20% das epicondilites, neurite ulnar coexistente em 23 a 60% (examinar o ulnar sempre) e testa o colateral medial: na epicondilite pura, valgo e milking não dão dor nem instabilidade.

O tratamento das duas epicondilites está no resumo campbell15-epicondilite.

Bíceps distal: hook test, squeeze test e o lacerto fibroso

Cobrança confirmada · 5 questões

O quadro

O Campbell (cap. 53, p. 2286) descreve o homem de meia-idade que rompe o tendão ao levantar peso com o cotovelo a 90°: estalo, dor, equimose antecubital, ventre migrado para cima, defeito palpável e fraqueza de flexão e de supinação. O Green (cap. 25, p. 871) põe o paciente na quinta ou sexta década, com extensão forçada do antebraço fletido e carregado e deformidade de POPEYE.

Na ruptura parcial o tendão continua palpável (Campbell, p. 2286). O Green (p. 871) acrescenta que a palpação profunda da tuberosidade do rádio pela face posterolateral, com pronação passiva, é ótimo indício de tendinopatia da inserção: a pronação gira a tuberosidade para trás, onde o dedo a alcança.

O hook test (teste do gancho)

O Campbell (cap. 53, p. 2286, Tabela 53.5) descreve o teste em três passos:

  • Fletir e supinar o cotovelo do paciente.
  • Enganchar o indicador sob a estrutura em cordão na fossa antecubital.
  • Atenção: enganchar a borda lateral do tendão do bíceps e não a medial, porque o lacerto fibroso pode ser confundido com um tendão íntegro.

O teste é positivo para avulsão distal do bíceps quando o examinador não consegue enganchar o dedo sob o cordão. Bem feito, tem 100% de sensibilidade e de especificidade (Campbell, p. 2286).

O Green (cap. 25, p. 871) descreve o teste original de O'DRISCOLL: com o cotovelo a 90° de flexão, pede-se ao paciente que gire o antebraço pronado para a supinação, e o examinador engancha a ponta do polegar em torno do tendão na fossa cubital; na avulsão isso é impossível. O Green insiste no mesmo cuidado do Campbell: às vezes algumas fibras ou uma bainha fascial permanecem e dão aparência de tendão íntegro, e é preciso distinguir o lacerto fibroso, que muitas vezes continua íntegro mesmo com o bíceps roto.

Daí saem as três respostas que a banca cobra:

1. Posição: cotovelo fletido a cerca de 90° e antebraço em supinação. 2. Ativa ou passiva: o paciente flete e supina ativamente (o Green diz que é o paciente quem gira para a supinação). A contração ativa é o que transforma o tendão num cordão tenso e palpável; com o músculo relaxado, mesmo um tendão íntegro fica difícil de enganchar. 3. Direção: o dedo entra pela borda lateral e passa por baixo do tendão de lateral para medial. Entrar pelo lado medial é enganchar o lacerto fibroso, que se dirige medialmente para a fáscia do antebraço, e produzir um falso negativo.

O squeeze test (compressão do bíceps)

O teste de compressão do bíceps é o análogo do teste de THOMPSON para o tendão calcâneo (Campbell, cap. 53, p. 2286). A Tabela 53.5 descreve:

  • Paciente sentado, cotovelo fletido 60 a 80°, para minimizar a tensão no braquial e isolar o bíceps na supinação do antebraço.
  • O examinador, do mesmo lado do membro, aperta firmemente o bíceps com as duas mãos, uma na junção miotendínea distal e outra em torno do ventre.
  • Ao apertar, o ventre é afastado do úmero e forma um arco anterior. Com o tendão íntegro, o antebraço faz uma leve supinação.
  • O teste é positivo quando não há supinação com a manobra.

O Campbell dá para o squeeze test valor preditivo positivo de 95% e sensibilidade de 100% para ruptura completa.

O próprio Campbell dá a razão do ângulo: a faixa de 60 a 80° minimiza a tensão do braquial e deixa a supinação como resposta isolada do bíceps.

O que se espera e o que não se espera na ruptura completa

Na ruptura completa há fraqueza, não perda total, de flexão e supinação, porque o braquial e o supinador continuam (HEBERT, cap. 48; Campbell, cap. 15, p. 644); o lacerto fibroso muitas vezes continua íntegro (Green, p. 871); e o achado esperado é não conseguir enganchar o tendão.

Testes do bíceps distal (Campbell 15, cap. 53, p. 2286, Tabela 53.5; Green 7, cap. 25, p. 871)
TesteTécnicaPositivoNúmeros e cuidados
Hook testcotovelo fletido a cerca de 90°, supinação ativa; dedo pela borda lateral, de lateral para medialnão consegue enganchar o cordão100% de sensibilidade e especificidade bem feito; a borda medial é o lacerto fibroso
Squeeze testsentado, cotovelo a 60 a 80°; apertar ventre e junção miotendínea distalausência de supinaçãoVPP 95%, sensibilidade 100%
Palpação da tuberosidade do rádiopela face posterolateral, com pronação passivadorindica tendinopatia da inserção
Forçaflexão e supinação contra resistênciafraqueza, sobretudo de supinaçãonão há perda total
Inspeçãofossa antecubital e contorno do braçoequimose, ventre migrado (POPEYE)parcial: tendão ainda palpável

Outros testes de bíceps distal citados em provas, como o de RUTHERFORD, não aparecem nos livros conferidos. A imagem também ajuda: o Campbell (p. 2286 e 2287) recomenda RM na posição FABS (cotovelo a 90°, ombro em abdução de 180° e antebraço supinado) para ver o tendão em toda a extensão, e lembra que o ultrassom é mais barato e mais dependente do operador. O tratamento cirúrgico está no resumo campbell14-biceps-distal.

Nervos no cotovelo: ulnar, mediano e interósseo posterior

Relevância clínica

Três compressões, três territórios

O HEBERT (cap. 4) resume o mapa: no cotovelo há três compressões, do túnel cubital (ulnar), do pronador (mediano) e do interósseo posterior ou supinador (radial). O exame de cada uma junta sintomas no território, TINEL no ponto e uma manobra que estreita o túnel ou contrai o músculo que comprime.

O ulnar e o túnel cubital

O HEBERT (cap. 4) lista cinco sítios: septo intermuscular (arcada de STRUTHERS, septo medial, cabeça medial do tríceps), epicôndilo medial (deformidade em valgo), sulco epicondilar (lesões e subluxação do nervo), túnel cubital (ligamento de OSBORNE) e aponeurose profunda dos flexores e pronadores.

A fisiopatologia explica o teste de flexão: a 45° de flexão o epicôndilo medial se afasta 5 mm do olécrano, o retináculo se tensiona e a pressão no canal sobe de 7 para 11 a 34 mmHg (HEBERT); o Green (cap. 28, p. 940) cita 55% menos área do túnel em flexão. O HEBERT lembra que o deslocamento anterior do nervo existe em 14 a 16% dos normais. O quadro é parestesia no mínimo e anular e dor medial, piores com flexão e à noite.

Os testes estão na tabela abaixo; três observações dos livros. O HEBERT diz que a hiperflexão do cotovelo ajuda a diferenciar da compressão no canal de GUYON, e o Campbell (cap. 67, p. 3008) dá o tempo: parestesia ulnar em geral em 1 minuto. O Green (cap. 28, p. 940) adverte que o TINEL no cotovelo é excessivamente sensível e muitas vezes bilateral, por isso o HEBERT o compara com o outro lado. E nos casos graves surgem garra, atrofia intrínseca, FROMENT e WARTENBERG, que não localizam o nível (Green, p. 941).

A gravidade de DELLON (HEBERT) vai de leve (parestesia intermitente, vibração aumentada, fraqueza subjetiva, testes positivos ou não) a moderada (fraqueza mensurável, flexão e TINEL positivos, dificuldade para cruzar os dedos) e grave (parestesia persistente, dois pontos anormal, atrofia, não cruza os dedos); a de McGOWAN (Green, p. 941) vai de I (sem fraqueza) a III (atrofia). Para os dois livros o exame clínico é soberano: o HEBERT acha alteração de condução em só 40% das moderadas e graves; o Green aceita condução abaixo de 50 m/s como confirmação.

Testes do nervo ulnar no cotovelo
TesteTécnicaPositivoFonte
TINELpercussão no sulco ou no túnel, comparando com o outro lado; prono no Campbellchoque no mínimo e anular; muitas vezes bilateralHEBERT, cap. 4; Campbell 15, cap. 52, p. 2230; Green 7, cap. 28, p. 940
Flexão (hiperflexão) do cotoveloflexão total mantidaparestesia ulnar em até 1 minuto; diferencia de GUYONHEBERT, cap. 4; Campbell 15, cap. 67, p. 3008
Flexão com pressãoflexão total, antebraço e punho neutros, pressão logo proximal ao túnelparestesia ulnar; boa sensibilidade e especificidadeGreen 7, cap. 28, p. 927 e 941
Rotação interna do ombro (OCHI)abdução 90°, rotação interna máxima, cotovelo 90°, punho neutro, dedos estendidossintomas em 10 s (80%)Campbell 15, cap. 67, p. 3008
Scratch collapse (MACKINNON)arranhar a pele sobre o nervo durante rotação externa resistida bilateralperda breve de resistênciaCampbell 15, cap. 67, p. 3008
Subluxação do ulnarombro abduzido 90°, cotovelo 90°, mobilizarnervo sai do sulco (14 a 16% dos normais)Campbell 15, cap. 52, p. 2230; HEBERT, cap. 4
Cruzar os dedosindicador e médio cruzadosdificuldade (moderada) ou impossível (grave), DELLONHEBERT, cap. 4

O mediano: síndrome do pronador

O HEBERT (cap. 4) descreve dor volar proximal do antebraço, às vezes com hipoestesia mediana incluindo a palma (o que a confunde com o túnel do carpo), e no exame: flexão do cotovelo contra resistência entre 120 e 160°, pronação e flexão do punho resistidas, digitopercussão positiva no pronador e negativa no carpo, PHALEN e PHALEN invertido negativos. O Campbell (cap. 82, p. 3559) localiza o nível com três testes resistidos: pronação resistida com o cotovelo fletido e gradualmente estendido (pronador redondo), flexão isolada do flexor superficial do dedo longo (arcada do flexor superficial) e flexão e supinação resistidas (lacerto fibroso), além da compressão do pronador com sintomas em 30 segundos. O lacerto fibroso aparece duas vezes neste resumo: armadilha do hook test e ponto de compressão do mediano.

O radial: túnel radial e interósseo posterior

O ramo profundo do radial passa sob a arcada de FROHSE, entre as duas cabeças do supinador, e passa a se chamar interósseo posterior (HEBERT, cap. 4). O Campbell (cap. 82, p. 3561) lista quatro estruturas que podem comprimir no túnel radial: a origem do extensor radial curto do carpo, aderências em torno da cabeça do rádio, o leque arterial recorrente radial e a arcada de FROHSE, às vezes também a borda distal do supinador.

Há dois quadros, e o exame separa:

  • Túnel radial (síndrome do supinador): só dor. O HEBERT (cap. 4) descreve dor profunda posterior no terço proximal do antebraço, sem alteração de sensibilidade, dolorosa à palpação do supinador; o Campbell (cap. 82, p. 3561), dor à supinação resistida, exames repetidos consistentes e infiltração diagnóstica; o Green (cap. 28, p. 950), extensão resistida do dedo médio e pressão comparada com o outro lado. A ENMG raramente ajuda (falso negativo de até 40% no HEBERT).
  • Paralisia do interósseo posterior: déficit motor sem déficit sensitivo. O Green (cap. 28, p. 949) dá o sinal clássico: na extensão ativa o punho desvia para radial, porque o extensor radial longo do carpo é inervado acima da lesão. O Campbell cita SPINNER: paralisia de todos os músculos do nervo ou de alguns.

O interósseo posterior é motor; o dorso do polegar é do radial superficial, cuja compressão distal é a síndrome de WARTENBERG (Campbell, cap. 82, p. 3561).

Compressões nervosas no cotovelo (HEBERT, cap. 4; Campbell 15, caps. 67 e 82; Green 7, cap. 28)
SíndromeNervo e localSintomaManobra-chaveSensibilidade
Túnel cubitalulnar: STRUTHERS, epicôndilo, sulco, OSBORNE, aponeurose flexopronadoraparestesia no mínimo e anular, dor medialTINEL comparado, hiperflexão, flexão com pressão, OCHIalterada no território ulnar
Pronadormediano: pronador redondo, arcada do flexor superficial, lacerto fibrosodor volar proximal, hipoestesia mediana com palmapronação resistida com extensão gradual, flexão resistida a 120 a 160°, compressão do pronador em 30 salterada, inclusive na palma
Túnel radial (supinador)interósseo posterior: ERCC, cabeça radial, leque recorrente, FROHSEdor posterior proximal, 3 a 4 cm abaixo do epicôndilosupinação resistida, extensão resistida do dedo médionormal
Paralisia do interósseo posteriorinterósseo posteriorqueda dos dedos e do polegarextensão ativa do punho desvia para radialnormal
WARTENBERGradial superficial no antebraço distaldor e alteração sensitiva no dorso do polegarpunho fletido e desviado para ulnar com antebraço pronadoalterada no dorso do polegar

O tratamento das compressões nervosas está no resumo campbell15-nervos-ombro-cotovelo.

Plica e o cotovelo que dói sem nome

Possível cobrança

A plica do cotovelo aparece nos livros conferidos só como diagnóstico diferencial e como achado artroscópico, sem manobra própria descrita. O Green (cap. 25, p. 864) a põe ao lado de condromalácia, tumores periarticulares, corpos livres, defeitos osteocondrais, radiculopatia cervical e instabilidade ligamentar como causas a lembrar quando a dor lateral é vaga, mal localizada ou sem relação com a atividade, e quando o exame não encontra o ponto doloroso típico da epicondilite. No bíceps distal (p. 871), o Green lista plica, epicondilite e artrose no diferencial da tendinopatia. Na artroscopia da epicondilite (p. 868), o Green manda excluir corpos livres, plicas e espessamento do ligamento anular; na artroscopia da artrose (p. 896), avaliar plicas no compartimento radiocapitelar posterolateral. O Campbell (cap. 51, p. 2183), na técnica de NIRSCHL, só entra na articulação quando a avaliação pré-operatória sugere processo intra-articular, e a plica está nessa lista ao lado de corpo livre, artrose, derrame e espessamento sinovial.

A pista para a prova, portanto, é de raciocínio: dor lateral que não está no epicôndilo nem 3 a 4 cm abaixo dele, que acompanha estalido ou bloqueio e piora com a compressão e a rotação da radiocapitelar, aponta para o compartimento posterolateral (plica, osteocondrite, corpo livre). O Campbell (cap. 52, p. 2230) dá a manobra que comprime esse compartimento: valgo com compressão da radiocapitelar enquanto se prona e supina o antebraço em vários graus de flexão; crepitação ou dor indicam condromalácia radiocapitelar.

Fechamento

Fundamento

O exame do cotovelo se organiza em quatro perguntas, e cada uma tem os seus testes.

A primeira é a forma. O ângulo de carregamento se mede em extensão e supinação, vale em média 15° (0 a 26°) no HEBERT e desaparece em flexão (o Campbell vai de 11° de valgo a 6° de varo). Cúbito valgo e varo são sequelas da criança, estéticas na maior parte, mas o valgo traciona o ulnar. O triângulo dos epicôndilos e do olécrano, examinado a 90°, desfaz-se na luxação.

A segunda é o movimento. O normal vai a 140 a 150° de flexão com 75° de pronação e 85° de supinação; o arco funcional de MORREY é 30 a 130° com 50° de pronação e 50° de supinação, e um arco abaixo de 100° ou contratura acima de 45° é incapacitante.

A terceira é a estabilidade. Medial: valgo a cerca de 30°, moving valgus (ombro abduzido e em rotação externa, da flexão de 120° à de 30°, dor entre 70 e 120°) e milking (puxar o polegar); todos testam o colateral medial. Lateral rotatória: carga axial, valgo e supinação no pivot shift de O'DRISCOLL, com proeminência posterolateral perto de 40°, covinha no soft spot e ressalto de redução na flexão; gaveta posterolateral empurrando o rádio para trás; levantar da cadeira e push-up com o antebraço supinado. A pronação estabiliza e por isso apaga o teste.

A quarta é a dor e os tendões. Epicondilite lateral: COZEN (90°, pronado, extensão resistida do punho), MILL (cotovelo estendido, examinador força a flexão do punho), MAUDSLEY (dedo médio, que o Campbell e o Green leem como túnel radial), GARDNER (erguer a cadeira com antebraço pronado e punho fletido) e a xícara de café. Bíceps distal: hook test com flexão e supinação ativas, dedo pela borda lateral, de lateral para medial, porque a medial é o lacerto fibroso; squeeze a 60 a 80°, positivo quando não há supinação. Nervos: hiperflexão e TINEL comparado para o ulnar, pronação resistida e compressão para o mediano, supinação resistida e dedo médio para o túnel radial, desvio radial do punho na paralisia do interósseo posterior.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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