Orto Questões

Lesões SLAP e do lábio superior

Ombro e cotoveloResumo do capítulo36 min de leitura

Acima do equador (3 a 9 horas) a lesão labral anda com manguito e bíceps, abaixo com instabilidade; recesso e forame sublabral (até 70%) e BUFORD (LGUM em corda, sem lábio anterossuperior, 1,5%) são normais; tração, arremesso, compressão e peel-back com cápsula posterior curta; manguito em cerca de 40% e cisto paralabral com atrofia do infraespinal; O'BRIEN dentro = lábio, em cima = AC; biceps load II a 120 graus; artro-RM coronal e ABER; SNYDER II = lábio e âncora soltos com tendão íntegro, IV = alça de balde no bíceps; instabilidade bíceps-labral com hemorragia, granulação e 5 mm (Campbell) ou 3 mm (HEBERT); reparo até 40 anos e no arremessador, tenodese ou tenotomia acima.

Atualizado em 04/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 5 · Artroscopia do ombro: diagnóstico e tratamento, com o Capítulo 45 · Traumatismos do ombro e o Capítulo 4 · Ombro e cotovelo do mesmo livro e os Capítulos 57 · Arthroscopy of the Upper Extremity, 51 · Shoulder and Elbow Injuries e 3 · Advanced Imaging in Orthopaedics do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., em Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio K. HEBERT e colaboradores), 5ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (caps. 57, 51 e 3). Autores do capítulo: Glaydson Gomes GODINHO, André Couto GODINHO e Pedro Couto GODINHO (HEBERT, cap. 5); Osvandré LECH, Paulo César Faiad PILUSKI, Antonio L. SEVERO e Carlos Humberto CASTILLO (HEBERT, cap. 45); Osvandré LECH, Paulo Cesar Faiad PILUSKI, Carlos Humberto CASTILLO RODRIGUEZ, Antonio L. SEVERO e Marcelo LEMOS (HEBERT, cap. 4); Tyler J. BROLIN e Joseph D. LAMPLOT (Campbell, cap. 57); Frederick M. AZAR, Thomas W. THROCKMORTON e Joseph D. LAMPLOT (Campbell, cap. 51); Dexter H. WITTE III (Campbell, cap. 3).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio K. HEBERT e colaboradores), capítulo 5, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

A lesão SLAP é a desinserção do lábio superior da glenoide no ponto em que nasce a cabeça longa do bíceps. O nome vem de SNYDER e quer dizer lábio superior, de anterior para posterior: a lesão começa atrás da âncora do bíceps e corre para a frente. Ela é a lesão típica do ombro do arremessador, mas aparece também no trabalhador que sofre uma tração brusca do braço e no jovem que luxa o ombro. Ela dói de modo vago, se mistura com tendinite do bíceps, impacto e instabilidade, e nenhum teste a confirma sozinho.

As provas cobram o tema por um caminho bem previsível. Perguntam qual teste avalia a lesão (O'BRIEN, quase sempre), o que a dor em cima do ombro significa nesse teste (acromioclavicular), como o biceps load se faz, o que está acima e abaixo do equador da glenoide, qual lesão acompanha o SLAP com mais frequência (o manguito), o que a atrofia do infraespinal acrescenta (o cisto paralabral), qual tipo de SNYDER aparece numa figura, se o tendão está lesado no tipo II, qual é o sinal artroscópico de instabilidade da âncora e até que idade se repara o lábio. Todas essas perguntas estão ligadas abaixo.

O texto principal vem do Sizínio HEBERT, Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática, 5ª ed. (2017): o capítulo 5 (Artroscopia do ombro, de Glaydson GODINHO, André GODINHO e Pedro GODINHO) traz a anatomia artroscópica, as variações normais, a classificação e a técnica; o capítulo 45 (Traumatismos do ombro, de Osvandré LECH e colaboradores) traz o mecanismo, o exame, a imagem, o quadro das extensões da classificação e o tratamento; o capítulo 4 (Ombro e cotovelo) descreve os testes. Em contraponto constante está o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., com o capítulo 57 (Arthroscopy of the Upper Extremity, de Tyler J. BROLIN e Joseph D. LAMPLOT, p. 2426 a 2437), o capítulo 51 (Shoulder and Elbow Injuries, p. 2147 a 2180) e o capítulo 3 (Advanced Imaging, p. 171 a 172). Os dois livros discordam em números que caem na prova (3 ou 5 mm de deslocamento, 30% ou 50% do bíceps, 35 ou 40 anos), e essas divergências estão anotadas onde aparecem.

Não se repete aqui o que está em três outros resumos: Exame físico do ombro (todos os testes), Artroscopia e vias de acesso do ombro (portais e anatomia artroscópica) e Instabilidade do ombro (BANKART, HILL-SACHS e estabilização).

O lábio superior e a âncora do bíceps

Cobrança confirmada · 1 questão

Um anel de fibrocartilagem que aprofunda a glenoide

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57), descreve o lábio glenoidal como tecido fibrocartilaginoso denso com algumas fibras elásticas (p. 2429). Pelo lado de dentro ele é contínuo com a cartilagem hialina da glenoide; pelo lado de fora, com o tecido fibroso da cápsula. Ele é, portanto, uma peça de transição entre a superfície articular e as partes moles que seguram o ombro. A cápsula e os ligamentos se inserem nele e passam a fazer parte dele, e o mesmo vale para o tendão do bíceps: a cabeça longa não nasce só no osso, ela se funde com o lábio superior.

O lábio circunda a glenoide, aumenta a profundidade da cavidade e acrescenta estabilidade. Os números do Campbell mostram o tamanho dessa contribuição: com o lábio, a superfície glenoidal chega a 75% da cabeça umeral no sentido vertical e a 57% no horizontal (p. 2429). Em cadáveres, ele também muda a distribuição das tensões de contato quando se aplica carga compressiva com o ombro a 90 graus de abdução.

A âncora bíceps-labral

O ponto que interessa ao SLAP é o polo superior. A cabeça longa do bíceps nasce no tubérculo supraglenoidal, e a inserção do lábio superior se confunde com a dela. Por isso se fala em complexo bíceps-labral ou âncora do bíceps. O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45) define as lesões SLAP exatamente por essa referência: são alterações de origem traumática do lábio nas suas porções anterossuperoposteriores, tomando como referência central a inserção do tendão da cabeça longa do bíceps. Na seção de luxações do mesmo capítulo, a definição é ainda mais direta: desinserção da reborda superior do lábio, no local onde se insere a cabeça longa.

Essa anatomia explica a mecânica da doença. Quem puxa o bíceps puxa o lábio.

O HEBERT (cap. 5) lembra que o tendão da cabeça longa do bíceps é o ponto inicial de referência de todo procedimento artroscópico do ombro: observa-se sua origem, seu trajeto articular e sua entrada no sulco intertubercular, junto com o ligamento glenoumeral superior. O Campbell (cap. 57, p. 2435) completa a vizinhança: o arco bicipital, formado pelo glenoumeral superior e pelo coracoumeral na entrada do sulco, reforçado à frente pelo subescapular e atrás pelo supraespinal. A lesão do bíceps pode estar em qualquer desses níveis: no tubérculo supraglenoidal, no SLAP, no próprio tendão ou no arco.

As seis áreas e o equador

Para localizar a lesão, o Campbell (cap. 57, p. 2429, fig. 57.8) divide o lábio em seis áreas, e o HEBERT (cap. 45) usa o relógio. As duas linguagens se completam.

Mapa do lábio glenoidal (Campbell 15, cap. 57, p. 2429; HEBERT, cap. 45)
Área (Campbell)LocalizaçãoLado no relógio (HEBERT)
1Lábio superior, onde está a âncora do bícepsSuperior, 12 horas
2Anterior, acima da incisura média da glenoideAnterior, lado das 3 horas
3Anterior, abaixo da incisura médiaAnterior, lado das 3 horas
4InferiorInferior, 6 horas
5PosteroinferiorPosterior, lado das 9 horas
6PosterossuperiorPosterior, lado das 9 horas
EquadorLinha entre 3 e 9 horasAcima: manguito ou bíceps; abaixo: instabilidade

O HEBERT fixa a convenção do relógio na nota do Quadro 45.3: 12 horas é superior, 6 horas inferior, 3 horas anterior e 9 horas posterior. É com esse relógio que se descreve a extensão das lesões SLAP, e o tipo clássico de SNYDER ocupa a faixa de 11 a 1 hora.

O fato que a prova pede é a regra do equador. O Campbell (cap. 57, p. 2429) traça uma linha entre 3 e 9 horas e diz que as lesões acima do equador se associam frequentemente a doença do manguito rotador ou do bíceps, enquanto as lesões abaixo do equador são altamente sugestivas de instabilidade. O raciocínio é anatômico: a metade inferior do lábio é onde se prende o complexo do ligamento glenoumeral inferior, a rede que segura a cabeça em abdução e rotação externa; quando ela se descola, o ombro luxa. A metade superior é onde estão o bíceps e, logo acima, o manguito que sofre o impacto interno do arremessador; as lesões dali andam junto com a doença desses tendões.

Variações normais: recesso sublabial, forame sublabral e BUFORD

Fundamento

Por que o polo superior engana

O lábio anterossuperior é a região com mais variações anatômicas do ombro, e quase todas parecem lesão. O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45) avisa que essas variações precisam ser distinguidas das condições patológicas tanto na artroscopia quanto na artro-RM, e que a grande variação da inserção bicipital faz com que não sejam raros laudos falso-negativos e falso-positivos; o radiologista precisa ter experiência em doença musculoesquelética.

O recesso sublabial e a inserção frouxa

O HEBERT (cap. 5) descreve no lábio anterossuperior, com frequência, uma zona de desinserção normal, o recesso sublabial (fig. 5.12). Ela não deve ser confundida com a lesão de BANKART, que é a desinserção labial anteroinferior de origem traumática. Repare na posição: o recesso é anterossuperior, acima do equador; o BANKART é anteroinferior, abaixo dele. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2426) faz a mesma advertência com outras palavras: um orifício sublabral grande ou um BUFORD devem ser distinguidos do BANKART verdadeiro, que se estende inferiormente a partir do equador da glenoide.

O HEBERT (cap. 45) usa o nome forame sublabral e cita WOERTLER e WALDT: ele pode ser encontrado em até 70% dos pacientes. Como uma variante tão frequente não pode ser doença, a artro-RM precisa de um critério para separar os dois, e o livro dá um: no forame sublabral, o contraste se estende em direção medial e do tubérculo supraglenoidal; uma extensão lateral e para o bíceps sugere lesão.

Outra situação normal que o HEBERT (cap. 5) pede para não chamar de doença é a inserção labial frouxa em todo o polo superior da glenoide. A diferença está no aspecto da superfície. No normal, o contorno cartilaginoso glenoidal é regular e liso. No SLAP há evidência de lesão: superfícies irregulares, hemorragia, condrólise na borda glenoidal e, quando se coloca o bíceps sob tensão com a rotação externa do braço, um afastamento igual ou superior a 3 mm. Esse critério volta adiante, porque o Campbell usa outro número.

O Campbell (cap. 57, p. 2431, técnica 57.5) acrescenta o padrão do sulco: um sulco sublabral superior normal, coberto por cartilagem articular, pode ser visto 5 mm medialmente sob o lábio. Se o sulco for mais profundo que 5 mm, ou se as inserções labiais no limite medial do sulco forem tênues, pode haver SLAP.

O glenoumeral médio

O HEBERT (cap. 5) diz que o ligamento glenoumeral médio é o que apresenta maiores variações, tanto na forma quanto na frequência. DEPALMA o encontrou em 91% dos ombros estudados em anatomia, com ausência em 9%; os autores do capítulo o encontraram em 80% de 65 artroscopias, sendo 75% de forma normal (euplástica) e 25% hipoplástica. Na artroscopia normal, ele cruza o tendão do subescapular num ângulo de cerca de 80 graus. O Campbell (cap. 3, p. 171) lembra o equivalente na imagem: o glenoumeral médio hipointenso, entre o lábio anterior e o subescapular, não deve ser confundido com parte do lábio.

O complexo de BUFORD

O HEBERT (cap. 5) descreve o BUFORD como variante normal pouco frequente e bastante confundida com lesão labial anterossuperior (fig. 5.14). Ele se reconhece por três fatores:

  • glenoumeral médio grosso, em forma de corda, cruzando o tendão do subescapular num ângulo de 45 graus (no ombro comum o cruzamento é de cerca de 80 graus);
  • glenoumeral médio fixado ao lábio superior imediatamente anterior à base da inserção do bíceps;
  • ausência do lábio anterossuperior.

A frequência, segundo SNYDER citado pelo HEBERT, é de 1,5% dos ombros. A dica do capítulo resume o perigo: a aparência do BUFORD sugere falsamente destruição do lábio e, portanto, instabilidade anterior; além de ser um achado normal, ele raramente se associa a instabilidade. O Campbell (cap. 57, p. 2426, fig. 57.7D e E) descreve a mesma variante como o glenoumeral médio que se insere na base do bíceps e mostra também a variante em cordão do ligamento cruzando o subescapular.

Variante normal ou lesão: como separar (HEBERT, caps. 5 e 45; Campbell 15, cap. 57, p. 2426 e 2431)
AchadoNormalPatológico
Polo superior frouxoContorno cartilaginoso regular e lisoSuperfície irregular, hemorragia, condrólise na borda
Bíceps sob tensãoSem afastamento importanteAfastamento de 3 mm ou mais (HEBERT) ou de 5 mm ou mais (Campbell)
Sulco sublabralCoberto por cartilagem, até 5 mm medialMais de 5 mm, inserções tênues no limite medial
Recesso ou forame sublabralAnterossuperior, até 70% dos pacientesBANKART: anteroinferior, abaixo do equador
Contraste na artro-RMMedial e para o tubérculo supraglenoidalLateral e para o bíceps
BUFORDLGUM em corda a 45 graus, preso à frente do bíceps, sem lábio anterossuperior; 1,5%Não é lesão; raramente com instabilidade
LGUMPresente em 80 a 91%; 25% hipoplásticoAusência ou hipoplasia não são doença

Mecanismo: tração, compressão e peel-back

Fundamento

O que os dois livros contam

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2429) divide os mecanismos mais comuns em dois. O extrínseco é a tração do membro superior. O intrínseco acontece no arremesso, que também produz tração sobre a âncora do bíceps. Um segundo mecanismo proposto é o peel-back torcional do lábio posterossuperior na fase de armar do arremesso: com o braço em abdução e rotação externa máxima, o bíceps muda de direção, fica posterior e torce a base da âncora, descascando o lábio de trás para a frente. Por fim, compressão, cisalhamento e degeneração, associados à menor vascularização periférica e à idade, aumentam a probabilidade de lesão e diminuem a de um reparo bem-sucedido. Este último detalhe já antecipa a regra da idade no tratamento.

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 5) conta a história de outro jeito. ANDREWS e colaboradores descreveram em atletas uma lesão anterossuperior, sem extensão posterior, atribuída à tração do tendão bicipital no lábio por movimentos repetitivos de arremesso. SNYDER descreveu depois o padrão que começa posteriormente e se estende para a frente, até ou acima da incisura da glenoide, e chamou de SLAP. Para SNYDER, o mecanismo mais comum foi a combinação de forças de compressão na superfície articular superior com uma força proximal de subluxação da cabeça umeral. O capítulo 45 detalha esse mecanismo como um pinçamento do bíceps e do lábio entre a cabeça do úmero e a glenoide, o que corresponde à queda sobre o braço estendido que empurra a cabeça para cima.

O arremessador e a cápsula posterior

O HEBERT (cap. 45) diz que as lesões SLAP são mais frequentes em atletas que usam o membro superior de forma intensa: arremessadores, tenistas (sobretudo no saque e no smash), praticantes de vôlei e nadadores. O mecanismo que ele descreve para esses atletas é um encadeamento: o encurtamento capsular posterior, somado à hiper-rotação externa da cabeça umeral, produz um rosqueamento do tendão bicipital ao redor da cabeça do úmero, que tensiona a inserção superior na glenoide e gera a lesão. Outros mecanismos citados são a extensão e a rotação externa máximas na aceleração do arremesso, a desaceleração e a queda com apoio sobre a mão, cotovelo em extensão e ombro em 30 graus de abdução e 70 graus de flexão. Ele lembra ainda que as lesões podem ocorrer em não atletas.

O Campbell fecha o mesmo raciocínio pelo lado da reabilitação (cap. 57, p. 2433): uma cápsula posteroinferior tensa provavelmente inicia a cascata patológica que leva ao SLAP, e a recidiva dessa tensão põe o reparo em risco no arremessador; por isso todos os arremessadores devem manter o alongamento posteroinferior indefinidamente. O capítulo 51 (p. 2158 a 2159) liga a cápsula ao impacto interno: o contato do manguito com a glenoide posterossuperior em abdução, extensão e rotação externa, a posição de armar, provavelmente é normal, mas se torna patológico em alguns pacientes, sobretudo em arremessadores que perderam rotação interna, o GIRD (déficit de rotação interna glenoumeral). Essa perda faz o centro de rotação da cabeça subir, e o contato entre o manguito e a inserção do bíceps aumenta. Os achados artroscópicos do impacto interno são rupturas parciais do manguito, lesões labrais posteriores e superiores e frouxidão anterior, um trio que se repete nas questões de lesão associada.

Mecanismos da lesão SLAP segundo cada fonte (Campbell 15, cap. 57, p. 2429 e 2433; cap. 51, p. 2158 a 2159; HEBERT, caps. 5 e 45)
MecanismoComo lesaFonte
Tração do membro superiorO bíceps arranca a âncora (extrínseco)Campbell
Arremesso repetitivoTração do bíceps sobre o lábio (intrínseco); ANDREWS: lesão anterossuperiorCampbell; HEBERT cap. 5
Peel-back na fase de armarTorção do lábio posterossuperior em abdução e rotação externaCampbell
Compressão superior com subluxação proximalBíceps e lábio pinçados entre cabeça e glenoide (SNYDER)HEBERT caps. 5 e 45
Cápsula posterior curta com hiper-rotação externaRosqueamento do bíceps em torno da cabeçaHEBERT cap. 45; Campbell p. 2433
GIRD e impacto internoCentro de rotação sobe; manguito e bíceps em contatoCampbell cap. 51
Queda com mão apoiadaCotovelo estendido, ombro a 30 graus de abdução e 70 de flexãoHEBERT cap. 45
Degeneração e idadeMenor vascularização; mais lesão, pior reparoCampbell

Lesões associadas: manguito, instabilidade e cisto paralabral

Cobrança confirmada · 2 questões

O manguito rotador

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45) dá o número que responde à pergunta mais direta sobre associação: rupturas parciais ou totais do manguito rotador podem estar associadas em cerca de 40% dos pacientes com SLAP. O livro inclui, por isso, os testes clássicos do manguito (NEER, JOBE, PATTE, HAWKINS, GERBER) na avaliação de quem tem suspeita de SLAP. O capítulo 4 mostra na fig. 4.47 uma artro-RM em corte sagital com lesão parcial articular do supraespinal associada à lesão SLAP. E o Campbell (cap. 51, p. 2159) coloca as rupturas parciais do manguito em primeiro lugar entre os achados artroscópicos do impacto interno do arremessador, ao lado das lesões labrais posteriores e superiores.

A lógica é a do equador: a lesão está acima dele, onde o lábio conversa com o bíceps e com o manguito. No arremessador, o mesmo gesto que descasca o lábio posterossuperior faz o lado articular do supraespinal e do infraespinal bater na glenoide posterossuperior. Uma lesão parcial, articular, do manguito é o vizinho mais esperado de um SLAP.

Os testes de impacto também se contaminam. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2148) mostra que o sinal de NEER é positivo em 46% dos pacientes com SLAP e o de HAWKINS-KENNEDY em 69%.

A instabilidade

A segunda associação é a instabilidade, e ela aparece no HEBERT (cap. 45) de várias formas. A seção de luxações diz que a lesão SLAP está associada a graus variáveis de instabilidade do ombro e ao uso excessivo do membro, sobretudo no esporte, e que se caracteriza por dor mal localizada e discreto grau de instabilidade. Nas primoluxações de jovens com menos de 24 anos, TAYLOR e ARCIERO encontraram 97% de BANKART, 89% de HILL-SACHS e 10% de SLAP; ANTONIO, abaixo dos 30 anos, encontrou 14% de SLAP na artro-RM. As luxações de repetição podem acrescentar lesão da inserção bicipital.

O Campbell (cap. 51, p. 2157) coloca BANKART e SLAP como os dois tipos mais comuns de lesão labral, ambos frequentes em atletas que trabalham com o braço acima da cabeça, com dor, instabilidade, bloqueio e travamento. Na cirurgia de instabilidade anterior, o box da técnica 57.10 (p. 2441) manda tratar o SLAP associado com reparo concomitante.

Lesões que acompanham o SLAP (HEBERT, caps. 4 e 45; Campbell 15, cap. 51, p. 2148, 2157 e 2159; cap. 57, p. 2435 e 2441)
AssociaçãoDadoFonte
Manguito rotador (parcial ou total)Cerca de 40% dos pacientesHEBERT cap. 45
Ruptura parcial articular do supraespinalExemplo de artro-RM (fig. 4.47)HEBERT cap. 4
Impacto internoRupturas parciais do manguito, lábio posterior e superior, frouxidão anteriorCampbell cap. 51
Primoluxação abaixo de 24 anos10% de SLAP (com 97% de BANKART)HEBERT cap. 45
Artro-RM abaixo de 30 anos14% de SLAPHEBERT cap. 45
Instabilidade do bíceps em reparos do manguito45% de 200 pacientesCampbell cap. 57
NEER e HAWKINS positivos no SLAP46% e 69%Campbell cap. 51
Cisto paralabralMecanismo valvular; comprime o supraescapularHEBERT caps. 4 e 45; Campbell caps. 3 e 51

O cisto paralabral e o nervo supraescapular

O cisto é a associação que transforma um teste de O'BRIEN positivo em suspeita específica. O HEBERT (cap. 45) explica que as lesões do complexo bíceps-lábio podem ser acompanhadas de cisto paralabral gangliônico, formado em geral por mecanismo valvular: o líquido articular passa pela fenda do lábio e não volta. O cisto cresce para fora da articulação, em direção ao colo da escápula, e pode comprimir o nervo supraescapular, diminuindo a força do supraespinal e do infraespinal. Nesses casos, o tratamento adequado é a ressecção do cisto associada ao reparo labral, e a descompressão do nervo no ligamento transverso é controversa. A fig. 45.15 mostra a sequência inteira: artro-RM com cisto paralabral, artroscopia com desinserção do lábio posterossuperior (SLAP II), o cisto identificado através da lesão e o reparo do lábio depois da ressecção.

O capítulo 4 do HEBERT reforça a origem: a cirurgia está indicada, em especial, quando há compressão do supraescapular por cistos ou lipomas no espaço espinoglenoidal, os quais costumam derivar de patologias intra-articulares como lesões do lábio, sobretudo associados a lesões SLAP.

O Campbell (cap. 51, p. 2179) explica por que o músculo que atrofia é o infraespinal. Cistos e lipomas que comprimem o ramo inferior do nervo supraescapular levam a atrofia isolada do infraespinal; eles costumam estar na incisura espinoglenoidal, já depois da saída do ramo para o supraespinal, e podem ser vistos na RM (fig. 51.36). O cisto geralmente resulta de patologia intra-articular, como uma lesão labral posterior. A atrofia indolor do infraespinal é mais comum na compressão espinoglenoidal, e muitos atletas com essa atrofia têm pouca disfunção e continuam competindo em alto nível (p. 2180). Quando há lesão expansiva ou cisto, o tratamento conservador tende a falhar com o tempo e a cirurgia precoce em geral é recomendada, de preferência artroscópica.

O capítulo 3 do Campbell (p. 172) dá a imagem e a conduta do radiologista: o gânglio da incisura espinoglenoidal aparece como coleção lobulada, multisseptada e hiperintensa em T2; ele pode se associar a atrofia do infraespinal e deve motivar uma busca cuidadosa de lesão labral associada.

Em resumo: a fenda labral faz válvula, o cisto ocupa a incisura espinoglenoidal, o ramo inferior do supraescapular é comprimido e o infraespinal atrofia. O O'BRIEN positivo aponta o lábio; a hipotrofia do infraespinal aponta o cisto.

Exame físico: o teste de O'BRIEN

Cobrança confirmada · 2 questões

Nenhum teste é patognomônico

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45) começa com uma advertência: o exame físico detalhado é essencial, diversos testes foram propostos, mas não existe teste patognomônico. O capítulo 5 é ainda mais cético: os testes clínicos são pouco significativos diante da dor e da limitação do arremesso, e o O'BRIEN e a artro-RM indicam a possibilidade da lesão, embora sejam de pouca sensibilidade e especificidade. O roteiro do capítulo 45 inclui O'BRIEN, biceps load, palm up, teste de relocação e os testes do manguito. O resumo Exame físico do ombro descreve todos os testes do ombro; aqui ficam os que a prova liga ao SLAP.

Como se faz e como se lê

O HEBERT (cap. 4, e a legenda da fig. 45.39) descreve o teste da compressão ativa em dois tempos. No primeiro, o paciente em pé coloca o membro com o cotovelo estendido, o ombro em 90 graus de flexão, 10 a 20 graus de adução e rotação interna e pronação máximas, com o polegar para o solo; o examinador, atrás, força o braço para baixo e o paciente resiste. No segundo, na mesma posição, o paciente faz rotação externa e supinação máximas, palma para cima, e o examinador repete a força.

O teste é positivo para lesão do complexo bíceps-labral quando a dor do primeiro tempo desaparece ou alivia no segundo. A localização decide o diagnóstico: estalido doloroso intra-articular no primeiro tempo indica lesão do lábio; dor na acromioclavicular ou no ápice do ombro sugere alteração acromioclavicular. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2149) diz o mesmo: o teste serve para diagnosticar lesões labrais e alterações da acromioclavicular; dor localizada na AC ou em cima do ombro é positiva para AC, e dor ou estalido doloroso dentro da glenoumeral indica lesão labral.

Por que a pronação dói e a supinação alivia? Em rotação interna e adução, a cabeça e o bíceps tensionam e comprimem a âncora superior, e a AC fica comprimida entre o úmero e o acrômio. Ao supinar e rodar externamente, a tensão sobre a âncora diminui e a dor some. O HEBERT (cap. 4) descreve ainda uma variante, o O'BRIEN sensibilizado (SLAP-rehension test), com as mesmas manobras e o braço aduzido 45 graus, posição que aumenta a tensão torcional na inserção supraglenoidal do bíceps.

Os números e o que eles escondem

O trabalho original deu números quase perfeitos, citados pelo Campbell (cap. 51, p. 2149): sensibilidade de 100% para lábio e para AC, especificidade de 98,5% e 95,2%, valor preditivo positivo de 100% e 91,5% e negativo de 100% nos dois. Mas uma revisão de 271 pacientes mostrou valor diagnóstico maior para as lesões posteroinferiores do que para as labrais, incluindo o SLAP para o qual o teste foi criado. O HEBERT (cap. 45) cita GODINHO e MONTEIRO: nos casos com lesão confirmada, o O'BRIEN foi positivo em 90%, a artro-RM em 80,5%, e a associação dos métodos em 78%, o que, para os autores, mostra a importância do bom exame físico. O mesmo capítulo lembra que o teste não é patognomônico, porque também é positivo nas alterações da AC.

Teste de O'BRIEN: leitura e números (HEBERT, caps. 4 e 45; Campbell 15, cap. 51, p. 2149)
ItemDado
Posição do primeiro tempoFlexão 90 graus, adução 10 a 20 graus, rotação interna e pronação máximas, polegar para baixo
Segundo tempoRotação externa e supinação máximas, palma para cima
PositivoDor no primeiro tempo que some ou alivia no segundo
Dor dentro da glenoumeral ou estalidoLesão labral (SLAP)
Dor em cima do ombro ou na ACAcromioclavicular
Variante sensibilizadaAdução de 45 graus, mais tensão torcional na âncora
Estudo originalSensibilidade 100%; especificidade 98,5% (lábio) e 95,2% (AC)
Revisão de 271 pacientesMelhor para lesões posteroinferiores que para o SLAP
GODINHO e MONTEIROPositivo em 90% das lesões confirmadas

Os testes que costumam aparecer como distratores têm outros alvos. O Campbell (cap. 51, p. 2150) descreve o JERK como muito sensível e específico para lesão labral posterior e o KIM para a posteroinferior (sensibilidade 80%, especificidade 94%, 97% quando somado ao JERK). Os demais testes de distratores, ligados à frouxidão e ao manguito, estão no resumo Exame físico do ombro e não são testes do lábio superior.

Biceps load, SPEED e os outros testes do lábio superior

Cobrança confirmada · 1 questão

Biceps load

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 4 e fig. 45.40) descreve um único biceps load test: o paciente fica com o braço em 120 graus de abdução e rotação externa máxima, antebraço em supinação máxima e cotovelo em 90 graus de flexão, e flete o cotovelo contra a resistência do examinador. A dor durante a manobra sugere lesão do complexo bíceps-labral. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2150 a 2151, fig. 51.11) descreve a mesma posição com o nome de biceps load II: ombro a 120 graus de abdução, cotovelo a 90 graus, antebraço supinado, o examinador roda externamente o ombro e o paciente flete o cotovelo; qualquer dor com a rotação externa e a flexão resistida é positiva. O teste serve para detectar SLAP isolado, com sensibilidade de 90%, especificidade de 97%, valor preditivo positivo de 92% e negativo de 95%.

O raciocínio do teste é o do peel-back: rodar externamente o braço elevado coloca o bíceps posterior e torce a âncora; contrair o bíceps contra resistência puxa essa âncora. Se ela está solta, dói. Nenhum dos dois livros descreve a versão I do teste; o que eles fixam é que o teste do SLAP isolado, o II, se faz a 120 graus.

SPEED e YERGASON

O SPEED é descrito pelo Campbell (cap. 51, p. 2150, fig. 51.12) com o ombro fletido a 90 graus, cotovelo estendido e antebraço supinado, contra resistência; dor localizada no sulco bicipital indica tendinite do bíceps ou lesão SLAP. Os números são irregulares entre séries: sensibilidades de 38% e 90%, especificidades de 14% e 83%. O HEBERT (cap. 4) chama o mesmo teste de speed ou palm up test e o descreve como flexão ativa do membro em extensão e rotação externa contra resistência, com dor no sulco intertubercular, para as alterações da cabeça longa.

O YERGASON, segundo o HEBERT (cap. 4), se faz com o cotovelo a 90 graus e o antebraço em pronação, pedindo supinação contra resistência; dor no sulco indica doença do bíceps. O Campbell (cap. 51, p. 2150) diz que o teste positivo indica inflamação da cabeça longa e lembra que YERGASON notou que ele pode ser negativo na ruptura do supraespinal.

O cisalhamento dinâmico e as combinações

O teste de cisalhamento dinâmico de O'DRISCOLL (Campbell, cap. 51, p. 2149 a 2150, fig. 51.8) foi desenhado para reproduzir o mecanismo de cisalhamento que causa o SLAP. Paciente em supino, cotovelo fletido a 90 graus, ombro rodado externamente até o limite natural e em abdução horizontal; o examinador eleva e abaixa o braço mantendo essas posições. É positivo se a dor profunda posterior da glenoumeral reaparece num arco de 90 a 120 graus. Sensibilidade de 72%, especificidade de 98%, acurácia de 97%; CHEUNG e O'DRISCOLL encontraram sensibilidade de 86% para o SLAP tipo II, tão boa quanto a RM com gadolínio e melhor que a RM sem contraste.

A revisão sistemática de DEAN (Campbell, cap. 51, p. 2147) comparou os testes isolados e em combinação. A combinação O'BRIEN mais crank (manivela) foi a mais sensível; YERGASON mais anterior slide foi a combinação de dois testes mais específica. Testes feitos em série aumentam a especificidade; em paralelo, a sensibilidade.

Testes clínicos ligados ao SLAP (Campbell 15, cap. 51, p. 2147 a 2151; HEBERT, caps. 4 e 45)
TesteManobraPositivoNúmeros
O'BRIENFlexão 90, adução 10 a 20, pronação, depois supinaçãoDor que alivia na supinação; dentro = lábioSensibilidade 100% original; pior no SLAP em revisão
Biceps load IIAbdução 120, rotação externa, cotovelo 90, supinação, flexão resistidaDorSensibilidade 90%, especificidade 97%
Cisalhamento dinâmico (O'DRISCOLL)Supino, rotação externa e abdução horizontal, elevar e baixarDor posterior profunda de 90 a 120 grausSensibilidade 72%, especificidade 98%; 86% no tipo II
SPEED (palm up)Flexão 90, cotovelo estendido, supinação, resistênciaDor no sulco bicipital: bíceps ou SLAPSensibilidades 38% e 90%
YERGASONCotovelo 90, supinação contra resistênciaDor no sulco: bícepsPode ser negativo com ruptura do supraespinal
O'BRIEN mais crankCombinação em paraleloMais sensívelRevisão de DEAN
YERGASON mais anterior slideCombinaçãoMais específicaRevisão de DEAN

Imagem: a artro-RM e seus limites

Fundamento

A radiografia simples tende a ser normal, e o HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45), diz que radiografia e TC são igualmente ineficazes para o diagnóstico. O método de imagem de escolha é a artro-RM. O capítulo 45 diz que a lesão é vista com mais facilidade nos cortes coronais e na incidência ABER (abdução e rotação externa), e a seção de luxações afirma que o corte em ABER é a melhor forma de identificá-la; a fig. 45.14 mostra o extravasamento de contraste na inserção do bíceps num SLAP grau II. O capítulo 4 lembra o custo: a artro-RM em ABER mostra essas lesões com mais clareza, mas é invasiva e cara, devendo ser usada com critério.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 3, p. 171 a 172) explica o protocolo: gadolínio diluído intra-articular e sequências T1 em axial, sagital oblíquo e coronal oblíquo com o braço ao lado, mais a posição ABER para o ligamento glenoumeral inferior. As lesões anteriores se veem melhor no axial; as superiores (SLAP), no axial ou no coronal. Para a patologia labral em geral, a artro-RM tem sensibilidade de 91% e especificidade de 93%, mas a acurácia no SLAP é menor. A artrografia indireta, com gadolínio venoso e exercício da articulação, é menos invasiva, porém distende menos. O capítulo 57 (p. 2420) acrescenta que a artro-RM é especialmente útil no complexo bíceps-labral e no SLAP, e que, na instabilidade aguda, a hemartrose pode servir de contraste.

O diagnóstico final, porém, é artroscópico. O HEBERT diz que o diagnóstico definitivo depende fundamentalmente da artroscopia (cap. 5) e que ela é o melhor método de diagnóstico e tratamento (cap. 45).

Imagem no SLAP (Campbell 15, cap. 3, p. 171 a 172; cap. 57, p. 2420; HEBERT, caps. 4 e 45)
ExameO que mostraObservação
Radiografia e TCPouco ou nadaIneficazes para o SLAP (HEBERT)
RM convencionalLábio razoável nos aparelhos modernosAcurácia menor no SLAP
Artro-RM diretaPatologia labral: sensibilidade 91%, especificidade 93%Exame de escolha
Plano de corteAxial ou coronal (Campbell); coronal e ABER (HEBERT)ABER também tensiona o LGUI
Sinal do SLAPContraste lateral e para o bícepsForame sublabral: contraste medial
Artro-RM indiretaMenos invasivaMenos distensão
Hemartrose agudaFaz papel de contrasteInstabilidade aguda
ArtroscopiaDiagnóstico definitivoTambém trata

A classificação de SNYDER

Cobrança confirmada · 2 questões

SNYDER cunhou o termo SLAP e dividiu as lesões em quatro tipos básicos e um tipo complexo, que combina dois ou mais dos outros (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 57, p. 2429). A classificação é descritiva, feita na artroscopia, e serve para escolher o tratamento e prever o resultado. O segredo para não errar está em duas perguntas: a âncora do bíceps está presa ou solta? e a lesão chega ao tendão do bíceps?

  • Tipo I: fraying (desgaste, fibrilação) do lábio superior com a âncora do bíceps intacta. Trata-se com desbridamento simples (Campbell, p. 2429). O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 5) o descreve como laceração labial, com fragmentação do lábio na fig. 5.33; o Quadro 45.3 diz que pode ser achado ocasional, mais significativo em jovens com atividade acima da cabeça.
  • Tipo II: desinserção patológica do lábio e da âncora do bíceps do polo superior da glenoide (Campbell, p. 2429 a 2430, fig. 57.9A). Progride mais comumente posterior ao bíceps, mas pode ser anterior ou anterior e posterior. O HEBERT (cap. 5) o chama de laceração e desinserção labial, e o Quadro 45.3, de desinserção do bíceps da cavidade glenoidal, o tipo mais comum, associado a tração aguda, atividade repetitiva acima da cabeça e microinstabilidade.
  • Tipo III: ruptura vertical do lábio em alça de balde, que ocorre no lábio de tipo meniscoide, com a âncora do bíceps firme no tubérculo supraglenoidal (Campbell, p. 2430). O Quadro 45.3 descreve alça de balde com bíceps intacto.
  • Tipo IV: alça de balde que se estende para dentro do tendão do bíceps (Campbell, p. 2430, fig. 57.9B). O HEBERT (cap. 5) a descreve como extensão da alça de balde ao tendão bicipital (fig. 5.36); o Quadro 45.3 diz que pode estar associada ao tipo II.

Duas consequências caem muito. A primeira: no tipo II, o que está lesado é a inserção, não o tendão. O bíceps está íntegro; o que se solta é a âncora, junto com o lábio, e o tratamento é refixar a âncora no osso. O tendão só é atingido no tipo IV. A segunda: o Campbell (nota da Tabela 57.2, p. 2435) separa os tipos pela estabilidade do bíceps: I e III geralmente se tratam com desbridamento, porque o bíceps está estável; II e IV indicam bíceps instável que requer reparo (da âncora).

Classificação de SNYDER (Campbell 15, cap. 57, p. 2429 a 2430 e 2435; HEBERT, caps. 5 e 45)
TipoLábioÂncora do bícepsTendão do bícepsConduta-base
IFraying, fibrilaçãoIntactaÍntegroDesbridamento
IIDesinserido junto com a âncoraSolta (instável)ÍntegroFixação da âncora
IIIAlça de balde (lábio meniscoide)FirmeÍntegroRessecção da alça
IVAlça de balde que entra no tendãoVariávelLesado em parteRessecção; sutura, tenodese ou tenotomia conforme a porcentagem
ComplexoCombinação de dois ou mais tiposConforme os tiposConforme os tiposConforme os tipos

Além de SNYDER: MAFFET, RESNICK, BELTRAN e MORGAN

Fundamento

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45) explica que, depois dos quatro tipos de SNYDER, outros foram descritos e acrescidos à classificação, e hoje se reconhecem 10 tipos, que na verdade são associações das lesões de SNYDER a lesões do lábio anterior e posterior. O Quadro 45.3, adaptado de MOHANA-BORGES, mostra as extensões com o relógio. A lógica é simples: o tipo V em diante é um SLAP que "escorre" para outra parte do lábio ou para um ligamento.

Extensões da classificação SLAP (HEBERT, cap. 45, Quadro 45.3)
AutorTipoExtensão (horas)Descrição e associação
MAFFETV11 a 5BANKART com extensão superior ou SLAP com extensão anteroinferior
MAFFETVI11 a 1Flap: provavelmente tipo IV ou, menos, III, com desinserção e ruptura anterior ou posterior da alça
MAFFETVII11 a 3Desinserção com extensão ao glenoumeral médio; luxação anterior traumática
RESNICKVIII7 a 1Extensão posterior, como o II B de MORGAN, porém maior; luxação posterior traumática
RESNICKIX7 a 5Circunferencial, desinserção total ou quase total; trauma
BELTRANX11 a 1 e alémExtensão ao intervalo rotador
MORGANII A11 a 3Tipo II anterossuperior; atividade repetitiva acima da cabeça
MORGANII B9 a 11Tipo II posterossuperior; associação com lesão do infraespinal
MORGANII C9 a 3Tipo II anterior e posterior; associação com lesão do infraespinal

O MORGAN subdivide o tipo II pela posição, e é aí que mora o peel-back: o II B, posterossuperior, é o do arremessador e é o que tem peel-back positivo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2431) diz que o peel-back positivo é diagnóstico do SLAP posterior, e que lesões anteriores isoladas frequentemente têm peel-back negativo, embora os outros sinais artroscópicos sejam positivos.

Diagnóstico artroscópico: a instabilidade bíceps-labral

Cobrança confirmada · 1 questão

Se o polo superior pode ser frouxo no normal, como saber que a âncora está realmente solta? O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2430) define a instabilidade bíceps-labral por quatro achados: deslocamento do lábio de 5 mm ou mais com tração do bíceps, hemorragia, tecido de granulação fibroso na inserção nas lesões antigas e alterações da cartilagem articular superior. A técnica 57.5 (p. 2430 a 2431) acrescenta os sinais que se procuram com o probe e com o artroscópio: sulco superior com mais de 5 mm de profundidade, raiz do bíceps deslocável medialmente no colo da glenoide, drive-through positivo (que indica instabilidade, mas pode ser a pseudofrouxidão do próprio SLAP) e peel-back positivo.

O peel-back de BURKHART se faz tirando o braço da tração e levando-o a 90 graus de abdução e 90 graus de rotação externa; no SLAP posterior, todo o complexo bíceps-lábio superior cai medialmente sobre a borda da glenoide (p. 2430 a 2431). Às vezes a raiz é instável ao probe, mas ainda há inserções tênues: é uma ruptura intersticial das inserções mediais, e o Campbell manda completar a lesão, preparar o leito e reparar em pacientes selecionados.

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 5) usa critérios parecidos com um número menor: superfície irregular, hemorragia, condrólise na borda glenoidal e, com o bíceps sob tensão em rotação externa, afastamento igual ou superior a 3 mm.

Sinais artroscópicos de SLAP (Campbell 15, cap. 57, p. 2430 a 2431; HEBERT, cap. 5)
SinalCampbellHEBERT
Deslocamento do lábio com tração do bíceps5 mm ou mais3 mm ou mais
HemorragiaSimSim
Tecido de granulação na inserçãoNas lesões antigasNão citado
CartilagemAlterações da cartilagem superiorCondrólise na borda glenoidal
Sulco sublabralMais de 5 mmNão citado
Peel-backPositivo no SLAP posteriorNão citado
Drive-throughPositivo (instabilidade ou pseudofrouxidão)Não citado

Tratamento por tipo

Fundamento

Os dois livros concordam no esqueleto: desbridar o que é desgaste ou fragmento, fixar o que é âncora solta, tirar a alça de balde e decidir o bíceps pela fração do tendão comprometida. Divergem nos números.

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 45) diz que o tipo I pode ser conservador, com repouso, analgesia e reabilitação para restabelecer o equilíbrio muscular e alongar a cápsula posterior, cujo encurtamento é frequente; se precisar de cirurgia, faz-se desbridamento com shaver ou radiofrequência, sem âncora. No tipo II, a fixação é necessária, em geral com duas âncoras, anterior e posterior ao bíceps; o capítulo 45 registra a tendência atual de âncoras só posteriores, para evitar o "estrangulamento" do bíceps e a perda de rotação externa. O capítulo 5 prefere âncoras absorvíveis ou miniparafusos com sutura.

No tipo III, resseca-se a alça; o Campbell (p. 2430) exige que a âncora esteja firme, e o HEBERT (cap. 5) acrescenta que, se houver desinserção labial, se fixa como no tipo II. No tipo IV, a fronteira muda de livro para livro. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 2430) excisa a alça se ela compromete menos de 30% da espessura do tendão; SNYDER sugere sutura do segmento quando cerca de um terço está envolvido e, em pacientes mais velhos com mais de um terço, tenodese ou tenotomia após a ressecção. O HEBERT (caps. 5 e 45) usa 50%: abaixo disso, só ressecção; acima, tenotomia (cap. 5) ou tenotomia com tenodese, indicada acima dos 40 anos (cap. 45).

Tratamento por tipo de SNYDER (Campbell 15, cap. 57, p. 2430 e 2435; HEBERT, caps. 5 e 45)
TipoCampbellHEBERT
IDesbridamento simplesConservador possível; cirurgia = desbridamento, sem âncora
IIReparo com âncora (idade e esporte decidem) ou tenodeseFixação com âncoras; tendência a só posteriores
IIIExcisão se a âncora estiver firmeRessecção da alça; se desinserção, fixar como II
IVExcisão se menos de 30%; sutura se cerca de 1/3; mais de 1/3 no idoso: tenodese ou tenotomiaMenos de 50%: ressecção; mais de 50%: tenotomia (com tenodese acima de 40 anos)

Reparar, tenodese ou tenotomia: a idade decide

Cobrança confirmada · 1 questão

O ponto mais cobrado do tratamento é a idade. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2430) diz que o reparo primário do SLAP não é recomendado em população relativamente mais velha, acima de 35 a 40 anos, mas pode ser considerado em arremessadores. Como vários autores mostraram maus resultados do reparo em mais velhos, a recomendação atual é reservar o reparo ao atleta overhead sintomático, sobretudo o pitcher, que não respondeu ao tratamento conservador. Para os mais velhos e para os jovens que não arremessam, tenotomia ou tenodese é a opção mais confiável. Se a opção for tenodese e houver instabilidade, o reparo do lábio superior pode ainda ser indicado.

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 5) dá uma regra de bolso por idade e atividade: abaixo de 40 anos, fixação sistemática; acima de 40 e sedentário, tenotomia com ou sem tenodese; acima de 40 e esportista ou com esforço pesado, fixação. Havendo laceração importante do bíceps, tenotomia e tenodese simultâneas.

Sobre o bíceps, o Campbell (p. 2435) informa que a tenodese no SLAP II teve sucesso em cerca de dois terços dos atletas, comparável ao reparo primário; pitchers com tenodese tendem a manter alguma dor anterior. A tenodese é preferida à tenotomia em ativos, pela estética e pelo menor risco de câimbra; a tenotomia oblíqua, com coto maior, reduz o POPEYE. A subpeitoral evita a dor do sulco, com risco de lesão do plexo e do musculocutâneo e de fratura de estresse da diáfise (p. 2435), e é indicada no SLAP na maioria dos pacientes, exceto atletas overhead jovens (p. 2440).

Escolha entre reparo e procedimento no bíceps (Campbell 15, cap. 57, p. 2430, 2435 e 2440; HEBERT, cap. 5)
PacienteCampbellHEBERT
Jovem arremessador sem melhora conservadoraReparoFixação (abaixo de 40 anos)
Jovem não arremessadorTenodese ou tenotomia mais confiávelFixação (abaixo de 40 anos)
Acima de 35 a 40 anos, sedentárioReparo não recomendado; tenodese ou tenotomiaTenotomia com ou sem tenodese
Acima de 40 anos, esportistaReparo só no arremessadorFixação
Tenodese no SLAP IISucesso em cerca de 2/3, como o reparoCom laceração importante do bíceps

A técnica de reparo do tipo II

Relevância clínica

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (técnica 57.5, de BURKHART, MORGAN e KIBLER, p. 2430 a 2433) faz o reparo em decúbito lateral, braço a 30 a 45 graus de abdução e 20 de flexão, com 5 a 10 lb de suspensão e bomba a 50 a 60 mmHg. O diagnóstico e o reparo devem ser feitos no mesmo tempo, porque o edema oblitera o recesso supralabral. São três portais: posterior de visão, anterior logo acima da borda do subescapular e anterossuperior junto ao canto anterolateral do acrômio, com ângulo de 45 graus para o canto anterossuperior da glenoide (ou shuttle percutâneo pelo NEVIASER). O leito do colo superior é preparado com shaver até o osso sangrante, sem remover osso. Usam-se âncoras pequenas (PEEK ou all-suture) e alças translabrais simples; o elemento mais importante contra o peel-back é uma alça apertada logo posterior à raiz do bíceps. Para evitar o impacto do nó, que pode erodir a cabeça (fig. 57.14F), os autores preferem âncoras sem nó. A extensão posterossuperior recebe uma segunda âncora pelo portal de WILMINGTON (1 cm lateral e 1 cm anterior ao ângulo posterior do acrômio). Ao final, peel-back e drive-through devem estar negativos.

O HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. (cap. 5) usa portal posterior, anterossuperior junto ao bíceps e anteroinferior lateral ao coracoide; escarifica com radiofrequência e shaver, porque a cortical é fina; põe a âncora no colo, não na superfície da glenoide, com dois fios, um anterior e outro posterior ao bíceps.

Pós-operatório e retorno ao esporte

Fundamento

Pós-operatório do reparo do SLAP (Campbell 15, cap. 57, p. 2433 a 2435; HEBERT, caps. 5 e 45)
EtapaCampbellHEBERT
Tipoia3 semanas; rotação externa passiva com braço ao lado desde o início3 semanas com fixação; 5 a 7 dias sem fixação
0 a 2 semanasFlexão menor que 120 graus, rotações menores que 30, sem bíceps ativoPassivo
FortalecimentoManguito e escápula com 6 semanas; bíceps com 8Ativo e reforço só após 6 semanas
RetornoArremesso em intervalo com 4 meses; velocidade total com 6; montinho com 7Treino com 6 meses; competição com 8
Para sempreAlongamento posteroinferior da cápsulaNão citado

Fechamento

Fundamento

O SLAP se entende pela âncora. O bíceps nasce no tubérculo supraglenoidal fundido ao lábio superior; tudo o que puxa ou torce o bíceps (a tração do braço, o arremesso, o peel-back da fase de armar com cápsula posterior curta e GIRD, a compressão com subluxação superior) se descarrega ali. Por estar acima do equador, a lesão anda com o manguito (cerca de 40%) e com o bíceps, e não com a instabilidade, que mora abaixo; mesmo assim, aparece em 10 a 14% das luxações de jovens. Quando a fenda funciona como válvula, nasce o cisto paralabral que comprime o supraescapular e atrofia o infraespinal.

O exame sugere, a artro-RM reforça e a artroscopia confirma. O O'BRIEN dói em pronação e alivia em supinação, e a dor dentro da articulação aponta o lábio; o biceps load II, a 120 graus, mira o SLAP isolado. Na artroscopia é preciso descartar o normal (recesso e forame sublabral, inserção frouxa, BUFORD) e buscar a âncora instável: hemorragia, granulação, cartilagem alterada, deslocamento de 5 mm no Campbell ou 3 mm no HEBERT, peel-back. SNYDER separa a âncora presa (I e III) da solta (II) e da lesão que invade o tendão (IV); MAFFET, RESNICK, BELTRAN e MORGAN estendem a lesão para outras partes do lábio.

Os livros divergem em três números: deslocamento de 5 mm (Campbell) contra 3 mm (HEBERT), fronteira do tipo IV em 30% ou um terço (Campbell e SNYDER) contra 50% (HEBERT), e idade do reparo de 35 a 40 anos (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., que só repara o arremessador acima disso) contra 40 anos (HEBERT, que ainda fixa o esportista mais velho).

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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