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Exame físico do ombro

Ombro e cotoveloResumo do capítulo36 min de leitura

NEER (elevação passiva forçada, dor com anestésico que some) e HAWKINS (flexão 90 e rotação interna) provocam impacto; JOBE (90 graus, 30 de flexão, polegar para baixo) testa o supraespinal; PATTE (corneteiro) o redondo menor; drop sign e atraso em rotação externa o infraespinal; lift-off, belly-press, bear hug e atraso em rotação interna o subescapular (específicos, pouco sensíveis); O'BRIEN dói na primeira fase e alivia na segunda (dentro = lábio/SLAP, em cima = acromioclavicular); YERGASON (supinação resistida) e SPEED avaliam a cabeça longa do bíceps; apreensão e relocação de JOBE para instabilidade anterior; sulco a 0 grau = intervalo rotador, a 45 graus = glenoumeral inferior; GAGEY acima de 20 graus de diferença e BEIGHTON para hiperfrouxidão; adução cruzada para a acromioclavicular; ADSON para o desfiladeiro torácico.

Atualizado em 03/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 52 · Recurrent Dislocations (testes de instabilidade), com os capítulos 51 · Shoulder and Elbow Injuries, 53 · Traumatic Disorders, 57 · Arthroscopy of the Upper Extremity e 14 · Open Reconstructive Procedures of the Shoulder, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª edição. Autores do capítulo: Frederick M. Azar, Thomas W. (Quin) Throckmorton, and Joseph D. Lamplot (cap. 51); Joseph D. Lamplot and Tyler J. Brolin (cap. 52).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Campbell, capítulo 52, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

O exame físico do ombro é a parte da ortopedia em que a prova cobra nomes próprios. Cada teste tem um autor, uma posição do braço, uma estrutura que ele pretende isolar e um resultado que conta como positivo. A banca troca uma dessas quatro peças e pergunta qual está certa. Este resumo segue o roteiro do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, de AZAR, THROCKMORTON e LAMPLOT), que agrupa os testes em três famílias (impacto, lábio e manguito), completa a instabilidade com o capítulo 52 (Recurrent Dislocations) e usa o Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 3), para a inspeção, a amplitude de movimento, os nervos e os testes que o Campbell não descreve, como o de ADSON.

A melhor forma de estudar não é decorar uma lista, e sim entender por que cada posição do braço isola uma estrutura. O supraespinal trabalha na elevação, por isso o JOBE é feito com o braço elevado; o subescapular é o rotador interno, por isso todos os testes dele pedem rotação interna contra algo; o redondo menor só aparece quando o braço está elevado e precisa rodar para fora, por isso o PATTE é feito a 90 graus. Quem entende a lógica deduz o teste que esqueceu.

O livro avisa que nenhum teste isolado fecha diagnóstico: são mais de 100 testes descritos, e combiná-los melhora a acurácia só um pouco.

A anatomia que o exame interroga

Cobrança confirmada · 1 questão

Um ombro feito para mover, não para ficar parado

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2144), lembra que o ombro tem quatro articulações (esternoclavicular, acromioclavicular, glenoumeral e escapulotorácica) trabalhando juntas, e que por isso é a articulação com a maior amplitude de movimento do corpo. A glenoide pequena diante de uma cabeça grande foi comparada a uma bola de golfe no suporte: o osso contribui pouco para a estabilidade. O lábio aprofunda a glenoide em 50%; com ele, a glenoide cobre 75% da cabeça no plano vertical e 57% no horizontal, e a concavidade chega a 9 mm de profundidade no sentido superoinferior e 5 mm no anteroposterior. Quase toda a estabilidade, portanto, vem de músculos e ligamentos, e é isso que o exame tenta medir.

Os músculos se dividem em extrínsecos, que movem a escápula (romboides, levantador da escápula, trapézio e serrátil anterior), e intrínsecos, que movem a glenoumeral (os quatro do manguito, deltoide, peitoral maior, redondo maior, grande dorsal e bíceps). ROWE comparou a relação à de uma bola no nariz de uma foca: a escápula se desloca para manter a glenoide embaixo da cabeça.

O binário de forças mais importante é o do subescapular contra o manguito posterior. Juntos, eles comprimem a cabeça contra a glenoide e a centram. É esse binário que explica um achado clínico que confunde o aluno: pacientes com roturas superiores maciças às vezes ainda elevam bem o braço, porque o subescapular e o infraespinal/redondo menor preservados mantêm o fulcro.

Os ligamentos glenoumerais e a posição do braço

Os ligamentos são estabilizadores primários nos extremos do movimento, e cada um trabalha numa posição. Este é o ponto que a prova mais explora, porque o teste do sulco e a apreensão dependem dele.

Ligamentos glenoumerais e a posição em que trabalham (Campbell 15, cap. 51, p. 2145; Netter, cap. 3, p. 82 aprox.)
EstruturaPosição em que trabalhaO que segura
glenoumeral superior0 grau de abdução (braço ao lado)restrição primária à subluxação inferior; também estabilizador primário a estresses anterior e posterior nessa posição
intervalo rotador (contém o superior)braço ao ladoquando apertado, diminui a translação posterior e inferior
glenoumeral médioabdução baixa e médialimita a rotação externa; pouco efeito a 90 graus
complexo glenoumeral inferior (anteroinferior)45 graus ou mais de abduçãoprincipal estabilizador a estresses anterior e posterior; banda anterior tensiona na rotação externa
banda posterior do inferiorrotação interna e 90 graus de flexãotranslação posterior (Netter)
coracoumeraladuçãocom o superior, translação inferior; faz parte da polia do bíceps

O glenoumeral inferior tem uma banda anterior espessa, uma banda posterior menos definida e uma bolsa axilar fina entre elas, formando uma rede (o Netter usa a imagem de uma tipoia). Na rotação externa a rede desliza para frente e para cima e a banda anterior se tensiona; na rotação interna ocorre o inverso. O Netter chama o glenoumeral inferior de "ligamento mais importante" e lembra que os ligamentos glenoumerais são espessamentos da cápsula anterior e inferior: não há ligamentos posteriores nem superiores verdadeiros.

Daí o raciocínio do exame: a posição de apreensão (90 graus de abdução e rotação externa) tensiona a banda anterior do glenoumeral inferior, que falha na luxação anterior; o sulco com o braço ao lado testa o intervalo rotador com o glenoumeral superior, e o sulco a 45 graus, o glenoumeral inferior. O glenoumeral superior não é o principal estabilizador na luxação recidivante.

Intervalo rotador, bainha do bíceps e arco coracoacromial

O intervalo rotador (Campbell, p. 2146) é o triângulo anterossuperior sem tendão do manguito: supraespinal em cima, subescapular embaixo, coracoide medialmente e o ligamento umeral transverso no ápice lateral. Dentro dele passam o coracoumeral, o tendão do bíceps e o glenoumeral superior. Ele está contraído na capsulite adesiva e alargado na instabilidade, o que explica por que o fechamento do intervalo é a resposta cirúrgica ao sulco que persiste com o braço ao lado.

A bainha do bíceps na entrada do sulco intertubercular tem como teto o supraespinal e como assoalho o subescapular. Por isso a rotura do subescapular anda junto com lesão ou instabilidade da cabeça longa do bíceps: no exame, um lift-off positivo pede que se examine o bíceps, e vice-versa.

O arco coracoacromial é formado pelo coracoide, pelo acrômio anterior e pelo ligamento coracoacromial que os une; a clavícula distal costuma ser incluída. Tudo o que estreita o espaço sob ele causa impacto mecânico. O arco também é a última barreira contra a migração superior da cabeça: quando ele se perde num manguito maciço, a cabeça foge para frente e para cima na tentativa de elevar o braço e fica visível e palpável sob a pele (fuga anterossuperior), um achado de inspeção.

O roteiro do exame: inspeção, palpação, amplitude e nervos

Fundamento

Por que o exame do ombro é difícil

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2146), começa pela honestidade: impacto, roturas parciais e totais, tendinite calcária, capsulite adesiva e compressões nervosas têm histórias, padrões de dor e achados parecidos. Todos causam dor, fraqueza e perda de movimento. A dor típica é pior com o movimento ativo do que com o passivo, piora acima da cabeça, acorda o paciente e irradia para a inserção do deltoide, o que não deve ser confundido com lesão do deltoide.

A palpação tem valor limitado: lábio e cápsula não se palpam, e estalidos e crepitação não são específicos nem servem para localizar a lesão. Mesmo assim, o exame é obrigatório, porque é ele que afasta as dores referidas.

As dores referidas que o Box 51.1 manda afastar vêm da coluna cervical (hérnia, espondilose, plexopatia), do tórax (tumor de PANCOAST, pneumonia do lobo superior), das mamas, da axila e do abdome (irritação diafragmática, vesícula).

A sequência do Box 51.1

O livro propõe um roteiro que vale como checklist:

  • Despir o paciente da cintura para cima e olhar a face anterior e posterior do ombro.
  • Comparar os dois lados, procurando atrofia sutil, edema ou deformidade; equimose sugere contusão ou rotura do manguito ou da cabeça longa do bíceps.
  • Palpar as estruturas ósseas superficiais: acromioclavicular, esternoclavicular, clavícula e acrômio. A palpação de partes moles sugere fontes de dor, mas é inespecífica.
  • Examinar a articulação de cima: a coluna cervical. 5% dos pacientes cuja queixa principal é o ombro têm doença cervical isolada.
  • Exame neurovascular dos dois membros superiores.
  • Força muscular.
  • Amplitude ativa e passiva, anotando arcos dolorosos e substituições musculares.

Inspeção e palpação pelo Netter

O Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 3, p. 89 a 90 aprox.), organiza a mesma etapa em tabela, com a aplicação clínica de cada achado.

Inspeção e palpação do ombro (Netter, cap. 3, p. 89 a 90 aprox.)
Achado ou pontoComo se procuraO que sugere
atrofiaperda do contorno muscularrotura do manguito, compressão nervosa (supraescapular)
deformidade superiordegrau no topo do ombrolesão acromioclavicular
deformidade anteriorcabeça para frenteluxação anterior glenoumeral
braço de POPEYEbola no braçorotura do bíceps, geralmente cabeça longa proximal
acromioclavicularpalpar a extremidade da clavículalesão ou doença da AC, instabilidade da clavícula lateral
supraespinalabaixo do acrômio, no sulco acromioumeralbursite ou rotura do supraespinal
sulco intertubercularsentir o tendão no sulcotendinite do bíceps

A atrofia merece raciocínio. Atrofia da fossa supraespinal ou infraespinal pode ser rotura crônica do manguito ou compressão do nervo supraescapular; a diferença aparece na força (o supraescapular inerva supraespinal e infraespinal) e na história. A inspeção da escápula, de costas, também mostra a escápula alada, que será tratada adiante.

Amplitude de movimento: ativa contra passiva

Amplitude de movimento normal do ombro (Netter, cap. 3, p. 90 a 91 aprox.)
MovimentoTécnicaNormal
flexão anteriorbraços ao lado elevados para frente0 a 160/180 graus
extensãobraços ao lado para trás0 a 60 graus
abduçãobraços para os lados0 a 160/180 graus
rotação medialpolegar nas costas, anotar o nívelmeio do tórax (T7), comparar os lados
rotação lateralcotovelo ao lado e, depois, braço a 90 graus30 a 60 graus com o cotovelo ao lado

A comparação entre a amplitude ativa e a passiva separa duas doenças que a banca adora pôr lado a lado. Na rotura do manguito, a amplitude ativa diminui e a passiva fica preservada: a articulação é livre, falta o motor. Na capsulite adesiva, ativa e passiva diminuem juntas, e a rotação lateral é a mais perdida: a cápsula está contraída, e o intervalo rotador retraído. O Netter acrescenta um detalhe que aparece em imagem: rotação lateral aumentada de um lado pode indicar rotura do subescapular, o rotador interno que deixou de frear o movimento.

O Campbell (cap. 51, p. 2164) tira daí uma regra cirúrgica: rigidez contraindica o reparo do manguito. É preciso recuperar quase toda a amplitude antes de operar, ou a rigidez pós-operatória será grave. O exame passivo, portanto, não é detalhe; ele muda a conduta.

Nervos: o mapa sensitivo e motor

Exame neurológico do ombro (Netter, cap. 3, p. 91 a 92 aprox.)
Nervo (raízes)TesteFraqueza ou déficit indica
supraclavicular (C4)sensibilidade da parte superior do ombrolesão do nervo ou raiz
axilar (C5)sensibilidade da face lateral do ombro; abdução (deltoide) e rotação lateral (redondo menor)lesão do axilar
segmentar T2sensibilidade da axilalesão da raiz
acessório (nervo craniano XI)encolher o ombro contra resistênciatrapézio
supraescapular (C5-C6)abdução (supraespinal) e rotação lateral (infraespinal) contra resistênciasupraespinal e infraespinal
dorsal da escápula (C5)encolher o ombrolevantador e romboides
toracodorsal (C7-C8)adução contra resistênciagrande dorsal
peitoral lateral (C5-C7)adução contra resistênciapeitoral maior
subescapulares superior e inferior (C5-C6)rotação medial contra resistênciasubescapular
torácico longo (C5-C7)protração da escápulaserrátil anterior

Repare que a rotação lateral é feita por dois músculos de nervos diferentes: o infraespinal (supraescapular) e o redondo menor (axilar). É por isso que a prova separa o teste com o braço ao lado (domínio do infraespinal) do teste com o braço elevado a 90 graus (PATTE, redondo menor). E é por isso que a lesão do axilar, depois de uma luxação, pode tirar a rotação externa em abdução sem tirar a rotação externa com o braço ao lado.

Testes de impacto: NEER, HAWKINS-KENNEDY e companhia

Cobrança confirmada · 2 questões

O que é impacto e por que os testes doem

NEER descreveu em 1972 a síndrome do impacto como uma crista de esporões na face inferior do terço anterior do acrômio, produzida pelo atrito repetido do manguito e da cabeça contra o arco, com tração do ligamento coracoacromial (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 51, p. 2157.e1). A inserção do supraespinal no tubérculo maior passa sob o arco durante a flexão anterior e é a estrutura mais exposta. Todos os testes de impacto fazem a mesma coisa: levam o tubérculo maior para baixo do arco e esperam a dor. Eles não medem força; medem dor provocada.

O livro classifica o impacto em três tipos (p. 2158), e cada tipo muda o raciocínio do exame:

Tipos de impacto (Campbell 15, cap. 51, p. 2158)
TipoMecanismoExemplos
primário intrínsecoo conteúdo do espaço aumentamanguito espessado, depósito de cálcio, bursa espessada
primário extrínsecoo espaço diminuiesporão subacromial, fratura do acrômio, os acromiale, osteófito da AC, exostose do tubérculo maior
secundárioinstabilidade glenoumeral deixa a cabeça transladar, em geral para frentejovem com subluxação anterior sutil
internomanguito contra a borda posterossuperior da glenoide em abdução, extensão e rotação externa (posição de armar do arremesso)arremessador com perda da rotação interna (GIRD)

O capítulo 52 (p. 2209) completa: no paciente com menos de 35 anos que pratica esporte de membro superior, o impacto secundário à instabilidade é mais comum que o primário. O impacto interno do manguito posterior é causado pela subluxação anterior com o ombro em rotação externa. Isso explica por que, no jovem atleta com teste de NEER positivo, o livro manda procurar instabilidade antes de pensar em acromioplastia.

Nos estágios de NEER (p. 2158), o 1 é edema e hemorragia abaixo de 25 anos, reversível; o 2, fibrose e tendinite entre 25 e 40; o 3, esporões e rotura acima de 40.

Teste e sinal de NEER

Com o paciente sentado, o examinador estabiliza a escápula e faz uma elevação anterior forçada do braço afetado; o tubérculo maior bate contra o acrômio (Campbell, p. 2147). É um teste passivo: quem move o braço é o examinador. É isso que a banca quer quando pergunta qual é "o teste de mobilização passiva para avaliar o manguito". O Netter (cap. 3, p. 92 aprox.) descreve a mesma manobra como flexão para frente além de 90 graus, com dor indicando síndrome do impacto.

O sinal de NEER dói em todos os estágios do impacto, mas também na capsulite adesiva, na artrose, na tendinite calcária e em lesões ósseas. Daí a segunda parte, o teste do impacto de NEER: injetam-se 10 mL de lidocaína a 1% no espaço subacromial e repete-se a manobra. Se a dor diminui ou some, ela vinha do espaço subacromial; a dor das outras condições persiste (talvez com exceção da calcária). NEER propôs essa infiltração como teste diagnóstico para separar o impacto puro de outros processos.

Os números mostram o perfil de um teste de triagem. Sensibilidade de 75% para bursite e 88% para doença do manguito; especificidade de apenas 48% e 51%; valor preditivo negativo alto (83% e 89%). O sinal também é positivo em 25% dos pacientes com lesão de BANKART, 46% dos com SLAP e 69% dos com artrose acromioclavicular. Um NEER negativo ajuda a afastar impacto; um positivo, sozinho, não confirma.

HAWKINS-KENNEDY

O braço é fletido a 90 graus e o ombro é rodado internamente com força (Campbell, p. 2148; Netter, p. 92 aprox.). A rotação interna empurra o tubérculo maior ainda mais para baixo do ligamento coracoacromial e reproduz a dor do impacto. Sensibilidade de 92% para bursite e 88% para manguito; especificidade de 44% e 43%; valor preditivo negativo de 93,1% e 90%. É positivo em 31% dos BANKART, 69% dos SLAP e 94% das artroses acromioclaviculares, o que mostra o quanto a AC contamina os testes de impacto.

Os outros testes de impacto do Campbell

  • ZASLAV (rotação interna resistida): braço a 90 graus de abdução e 80 de rotação externa; força externa boa com interna fraca = impacto interno; mais fraqueza na externa = impacto externo clássico (sensibilidade 88%, especificidade 96%).
  • GERBER subcoracoide: como o HAWKINS, mas com adução de 10 a 20 graus cruzando o corpo, levando a tuberosidade menor contra o coracoide; dor = impacto coracoide.
  • Apreensão-relocação de JOBE usada para impacto: supino, 90 graus de abdução e rotação externa; a dor dessa posição pode ser impacto. A força posterior que reloca a cabeça não muda a dor do impacto primário, mas alivia a do impacto secundário a subluxação anterior (p. 2149). Volta na seção de instabilidade.

E o teste de YOCUM?

A banca brasileira gosta de um teste que não aparece nos capítulos lidos do Campbell 15 nem no Netter: o de YOCUM. Pelo enunciado do TARO 2019, ele é feito com a mão no ombro oposto e a elevação ativa do cotovelo. O parente mais próximo no Campbell é o GERBER subcoracoide, que também usa adução cruzada do braço fletido para levar a tuberosidade contra o arco, mas é passivo e mira o coracoide. Na prova, guarde a descrição do enunciado e não confunda com o bear hug (mão no ombro oposto, mas o examinador tenta afastar a mão com rotação externa, para testar o subescapular).

O supraespinal e o manguito posterior: JOBE, quedas, atrasos e PATTE

Cobrança confirmada · 5 questões

Dois tipos de teste do manguito

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2150), divide os testes de integridade do manguito em dois grupos com lógicas diferentes:

  • Testes de movimento ativo: o paciente faz força contra a resistência do examinador (JOBE, estresse em rotação externa, PATTE, lift-off, belly-press, bear hug). Medem força, mas a dor atrapalha: fraqueza com dor não deve ser lida como rotura total.
  • Sinais de atraso (lag signs): o examinador coloca o braço numa posição passiva e solta; o paciente precisa manter a posição. Se o braço "cai" de volta, há atraso. A ideia é tirar a dor da equação e testar a capacidade do tendão de segurar o braço no fim da amplitude.

A rigidez complica tudo: um ombro rígido não chega à posição em que o atraso seria medido.

Teste de JOBE (supraespinal)

O ombro é posto a 90 graus de abdução e 30 graus de flexão anterior (o plano da escápula) e rodado internamente com o polegar apontando para o chão; o examinador aplica resistência para baixo (Campbell, p. 2148). Fraqueza indica insuficiência do supraespinal por rotura; dor pode ser só impacto. O Netter (p. 92 aprox.) descreve o braço pronado, elevação contra resistência no plano escapular, com dor ou fraqueza indicando rotura parcial ou total do supraespinal.

Na Tabela 51.2 do Campbell, o "supraspinatus (JOBE) muscle test" tem sensibilidade de 44,1% e especificidade de 89,5%: é um teste mais específico do que sensível. O texto do mesmo capítulo, ao citar PARK, chama o JOBE de "teste do infraespinal", uma troca que a própria tabela corrige: JOBE é o teste do supraespinal.

Queda do braço e sinais de atraso

O teste da queda do braço (drop-arm) aparece no Campbell só na Tabela 51.2, com a menor sensibilidade dos oito testes (26,9%) e especificidade de 88,4%. O Netter o descreve: braço elevado acima de 90 graus, o paciente tenta mantê-lo; se não consegue e o braço cai, há rotura do supraespinal.

O sinal de atraso em rotação externa (Campbell, p. 2153, fig. 51.18) é feito com o cotovelo passivamente fletido a 90 graus, o ombro a 20 graus de elevação e em rotação externa quase máxima (a máxima menos 5 graus, para evitar o recuo elástico da cápsula). O examinador solta o punho, mantendo o apoio no cotovelo, e pede que o paciente segure a rotação externa. Se houver queda angular, o sinal é positivo e indica lesão do supraespinal e do infraespinal. O livro cita sensibilidade de 100% e especificidade de 92% para atrasos grandes (o limiar impresso, em graus, está corrompido no texto extraído). O Netter resume: incapacidade de manter a rotação lateral indica rotura do infraespinal.

O drop sign (Campbell, p. 2153, fig. 51.20) é a versão a 90 graus: paciente sentado de costas para o examinador, braço a 90 graus de elevação no plano da escápula, rotação externa quase total, cotovelo a 90 graus. Segurar essa posição é função principalmente do infraespinal; a queda indica lesão dele. Sensibilidade de 87% e especificidade de 88%.

O teste de estresse em rotação externa (fig. 51.17) é o teste ativo do grupo posterior: braços ao lado do corpo, em flexão e abdução neutras, ombros em 45 a 60 graus de rotação externa; o examinador empurra o dorso das mãos para rodá-las internamente e o paciente resiste. Dor e fraqueza indicam inflamação ou rotura do infraespinal e/ou do redondo menor. É a manobra que as provas brasileiras chamam de teste do infraespinal (braço ao lado, cotovelo a 90 graus, rotação externa contra resistência).

O teste da cancela

O teste da cancela não aparece com esse nome nos capítulos lidos. Pelos enunciados, ele começa na mesma posição do teste do infraespinal (braço ao lado, cotovelo fletido, rotação externa) e examina o infraespinal: o antebraço funciona como a cancela que o paciente precisa manter aberta. O raciocínio do Campbell sustenta a resposta: com o braço ao lado, quem segura a rotação externa é sobretudo o infraespinal, e o teste de estresse em rotação externa nessa posição testa o infraespinal e o redondo menor. A alternativa "redondo menor" pertence ao PATTE, feito com o braço elevado a 90 graus; "queda do braço" testa o supraespinal; "abdominal press" é o belly-press do subescapular.

PATTE, o sinal do corneteiro

Com o paciente de pé, o examinador eleva o braço a 90 graus no plano da escápula e flexiona o cotovelo a 90 graus; o paciente tenta rodar lateralmente o ombro. Fraqueza e/ou dor tornam o teste positivo. Segundo o Campbell (p. 2153, fig. 51.19), o sinal de PATTE determina a força do redondo menor, com sensibilidade de 93% a 100% e especificidade de 72% a 93%. O nome vem do gesto de quem leva uma corneta à boca: sem o redondo menor, o paciente não consegue rodar para fora com o braço elevado e eleva o cotovelo acima da mão para compensar.

A lógica anatômica sustenta o achado. Com o braço ao lado, o infraespinal domina a rotação externa; com o braço elevado a 90 graus, o redondo menor passa a ser o rotador externo decisivo. Como o redondo menor é inervado pelo axilar e o infraespinal pelo supraescapular, o PATTE também ajuda a separar os dois nervos. O Campbell lembra que o redondo menor ganhou atenção justamente porque segura a função quando os outros tendões falham.

Aqui há uma divergência entre os livros. O Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 3, p. 93 aprox.), descreve o sinal do corneteiro como rotação lateral contra a resistência em leve abdução e atribui a fraqueza a rotura do manguito envolvendo o infraespinal. O Campbell 15, com a técnica a 90 graus, fala em redondo menor, e é o que as provas brasileiras cobram.

Testes do manguito por tendão (Campbell 15, cap. 51, p. 2148 a 2154; Netter, cap. 3, p. 93 aprox.)
TendãoTeste ativoSinal de atrasoPosição-chave
supraespinalJOBE (lata vazia)queda do braço (Netter); atraso em rotação externa (com o infraespinal)elevação no plano da escápula
infraespinalestresse em rotação externa com braço ao lado ("teste do infraespinal")atraso em rotação externa; drop sign a 90 grausrotação externa
redondo menorPATTE (corneteiro)rotação externa com o braço a 90 graus
subescapularlift-off, belly-press, bear hugatraso em rotação internarotação interna

O que a radiografia acrescenta

No Campbell (cap. 51, p. 2155), intervalo acromioumeral menor que 7 mm sugere rotura do manguito e menor que 5 mm, rotura maciça. E o idoso de 60 a 70 anos com trauma definido que subitamente não roda o braço externamente contra resistência deve ser operado, de preferência em até 3 semanas (p. 2164).

O subescapular: lift-off, belly-press, bear hug e atraso em rotação interna

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que o subescapular é difícil de examinar

O subescapular é o grande rotador interno e a metade anterior do binário que centra a cabeça. Mesmo assim, o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2152), é taxativo: nenhum teste isolado é confiável para diagnosticar a rotura dele. Na meta-análise de LADERMANN com lift-off, bear hug, belly-press e atraso em rotação interna, a especificidade combinada passou de 90%, mas a sensibilidade ficou abaixo de 60%. KILIC achou baixa acurácia para bear hug e belly-press, sem ganho ao combiná-los; DAKKAK, ao contrário, chegou a 84% de sensibilidade com os dois juntos. O capítulo 57 (p. 2477) resume: a sensibilidade combinada dos três testes clássicos se aproxima de 80%, e o bear hug seria mais sensível para as roturas da borda superior do tendão. A ressonância é o padrão-ouro, mas acerta menos aqui do que nas roturas posterossuperiores.

A tradução prática é que um teste positivo do subescapular vale muito (alta especificidade), e um teste negativo vale pouco. Na prova, desconfie de "lift-off negativo afasta rotura do subescapular".

Os quatro testes

  • Lift-off (Campbell, p. 2152, fig. 51.14): sentado ou de pé, braço em rotação interna, dorso da mão apoiado na região lombar; pede-se que o paciente afaste o dorso da mão das costas. Não conseguir sugere rotura isolada do subescapular. A eletromiografia confirmou que o subescapular está maximamente ativo com a mão na região mediolombar e com resistência. O Netter (p. 93 aprox.) chama essa manobra de teste de GERBER (mão atrás do dorso, empurrar para trás) e descreve uma variante de atraso: o examinador afasta a mão e o paciente precisa mantê-la afastada.
  • Belly-press (fig. 51.15): para quem não tem rotação interna suficiente para levar a mão às costas. O paciente aperta o abdome com a palma e tenta manter o braço em rotação interna máxima. No teste normal o cotovelo fica à frente do tronco. Com o subescapular insuficiente, o cotovelo cai para trás e o paciente aperta o abdome estendendo o ombro em vez de rodá-lo internamente; com a rotura, ele flexiona o punho para pressionar e não consegue trazer o cotovelo para frente. O capítulo 57 resume: positivo quando o paciente não consegue pressionar a palma contra o abdome mantendo o cotovelo à frente e o punho neutro. O Netter o chama de pressão do ventre (sinal de NAPOLEÃO), nome que algumas provas trocam por "abdominal press".
  • Bear hug (fig. 51.16): a palma do lado afetado vai sobre o ombro oposto, com os dedos estendidos e o cotovelo à frente do corpo. O paciente segura essa posição (rotação interna resistida) enquanto o examinador tenta tirar a mão do ombro com uma força de rotação externa perpendicular ao antebraço. É positivo se o paciente não consegue manter a mão ou se a força resistida for mais de 20% menor que a do outro lado. Força igual sem dor é negativo, e dor sem fraqueza também é negativo.
  • Atraso em rotação interna (fig. 51.21): paciente sentado de costas, braço em rotação interna quase máxima, cotovelo a 90 graus, ombro a 20 graus de elevação e 20 de extensão. O examinador afasta passivamente o dorso da mão da região lombar e solta o punho; se o paciente não mantém a mão afastada, o sinal é positivo para o subescapular.
Os testes do subescapular comparados (Campbell 15, caps. 51 e 57; Netter, cap. 3)
TestePosiçãoPositivoObservação
lift-off (GERBER no Netter)dorso da mão na região mediolombarnão afasta a mão das costasexige rotação interna; subescapular máximo nessa posição na EMG
belly-press (NAPOLEÃO)palma no abdome, cotovelo à frentecotovelo cai para trás, punho fletepara quem não leva a mão às costas
bear hugpalma no ombro oposto, cotovelo à frentenão segura ou força mais de 20% menordor sem fraqueza = negativo; mais sensível na borda superior
atraso em rotação internamão afastada passivamente do dorsoa mão volta às costassinal de atraso, não de força

Por que testar o subescapular muda a cirurgia

O Campbell (cap. 14, p. 632) lista a insuficiência do subescapular entre os fatores de mau resultado da transferência do grande dorsal para roturas posterossuperiores irreparáveis, ao lado de cirurgia prévia, atrofia avançada do redondo menor, pseudoparalisia e índice acromioumeral baixo. Antes de propor essa transferência, lift-off, belly-press e bear hug precisam ser negativos.

O bíceps e o lábio superior: O'BRIEN, SPEED, YERGASON e SLAP

Cobrança confirmada · 5 questões

A lesão SLAP e por que ela dói em testes do bíceps

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2429 a 2430), lembra que a cabeça longa do bíceps nasce no tubérculo supraglenoidal junto com o lábio superior, de modo que lábio e âncora do bíceps formam um complexo. Lesões acima do equador da glenoide (a linha entre 3 e 9 horas) costumam se associar a doença do manguito ou do bíceps; lesões abaixo sugerem fortemente instabilidade. Os mecanismos da lesão superior são a tração do membro e o arremesso, além do descolamento posterior por torção (peel-back) na fase de armar. SNYDER criou o termo SLAP (lábio superior de anterior para posterior) e a classificação que a prova pede junto com o exame.

Classificação de SNYDER das lesões SLAP (Campbell 15, cap. 57, p. 2429 a 2430)
TipoLesãoÂncora do bícepsConduta citada
Idesgaste (fraying) do lábio superioríntegradesbridamento
IIdesinserção do lábio e da âncora do bíceps do tubérculo supraglenoidalinstávelreparo em arremessador sintomático; tenodese ou tenotomia no mais velho
IIIalça de balde vertical num lábio meniscoidefirmemente fixaressecção do fragmento
IValça de balde que se estende para o tendão do bícepsenvolvidaressecção se menos de 30% do tendão; reparo ou tenodese se mais
complexocombinação de dois ou mais tiposvariávelconforme os componentes

O'BRIEN, o teste de compressão ativa

O Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, 2ª ed. (cap. 3, p. 93 aprox.), descreve a técnica: braço a 90 graus de flexão anterior e 10 graus de adução, flexão contra resistência primeiro com o antebraço em pronação (polegar para baixo) e depois em supinação. O Campbell (cap. 51, p. 2149) dá a regra de interpretação: o teste é positivo quando a primeira manobra provoca dor e a segunda a reduz ou elimina. A localização da dor separa as duas doenças que ele testa:

  • dor na acromioclavicular ou em cima do ombro = anormalidade acromioclavicular;
  • dor ou estalido doloroso dentro da glenoumeral = lesão labral (o teste foi desenhado para o SLAP).

O raciocínio é mecânico: em pronação e adução, a tensão sobre a âncora do bíceps e a compressão da AC aumentam; a supinação alivia a tensão e a dor diminui. A acurácia descrita no trabalho original é altíssima (sensibilidade de 100% para lábio e AC, especificidade de 98,5% e 95,2%), mas uma revisão de 271 pacientes mostrou valor diagnóstico maior para as lesões posteroinferiores do que para as labrais superiores, incluindo o SLAP para o qual o teste foi criado. O capítulo 53 (p. 2295) acrescenta que O'BRIEN e SPEED não são confiáveis para instabilidade do bíceps.

Os outros testes do lábio no Campbell

Testes para lesão labral e SLAP (Campbell 15, cap. 51, p. 2149 a 2152)
TesteTécnica resumidaLesãoNúmeros citados
O'BRIENflexão 90, adução 10, resistência em pronação e depois supinaçãolábio e ACsensibilidade 100%; menor valor real no SLAP
cisalhamento dinâmico (O'DRISCOLL)supino, rotação externa e abdução horizontal mantidas, elevar e baixar o braçoSLAPdor posterior profunda de 90 a 120 graus; sensibilidade 72%, especificidade 98%; 86% no SLAP II
KIMsentado, 90 graus de abdução, carga axial, braço a 45 graus em diagonal, força para baixo e para tráslábio posteroinferiorsensibilidade 80%, especificidade 94%; com o jerk, 97%
jerkescápula fixa, abdução 90 e rotação interna 90, carga axial e adução horizontallábio posteriordor aguda com ou sem clunk
biceps load IIabdução 120, cotovelo 90, supinação, rotação externa e flexão resistida do cotoveloSLAP isoladosensibilidade 90%, especificidade 97%
crank (manivela, Netter)90 graus de abdução, carga axial, rotaçãoSLAPdor

DEAN, numa revisão sistemática, mostrou que a combinação O'BRIEN + crank foi a mais sensível e YERGASON + anterior slide a mais específica. Fazer testes em série aumenta a especificidade; em paralelo, a sensibilidade.

SPEED e YERGASON: a cabeça longa do bíceps

  • SPEED (Campbell, p. 2150, fig. 51.12): ombro fletido a 90 graus, cotovelo estendido, antebraço supinado; o examinador resiste à elevação. Dor localizada no sulco bicipital indica tendinite do bíceps ou SLAP. Os números são irregulares (sensibilidades de 38% e 90%, especificidades de 14% e 83% em séries diferentes). O Netter descreve flexão contra resistência no plano escapular, com dor indicando lesão ou tendinite do bíceps.
  • YERGASON (fig. 51.13): cotovelo fletido a 90 graus e antebraço pronado; o paciente tenta supinar ativamente contra a resistência do examinador no punho. Positivo indica inflamação da cabeça longa do bíceps; o próprio YERGASON notou que o teste pode ser negativo com rotura parcial ou completa do supraespinal. O capítulo 53 (p. 2295) acrescenta que, na instabilidade do bíceps (dor anterior e estalido com estresse do tendão), o YERGASON e a palpação do sulco com o ombro a 90 graus de abdução e rotação resistida ajudam, enquanto O'BRIEN e SPEED não são confiáveis.

A diferença entre os dois é o motor usado. O SPEED usa o bíceps como flexor do ombro (cotovelo estendido); o YERGASON usa o bíceps como supinador (cotovelo a 90 graus), sua função mais potente, e é o que a banca considera o teste ativo contra resistência da cabeça longa. Na pergunta "a avaliação do cabo longo do bíceps é melhor feita", a resposta é o YERGASON; o SPEED se faz com o antebraço supinado, não pronado, e a adução cruzada é teste da AC.

Instabilidade: apreensão, relocação, gaveta, sulco e hiperfrouxidão

Cobrança confirmada · 6 questões

O que a história já diz

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 52, p. 2206 a 2209), dá números que costumam aparecer junto com o exame. A luxação anterior responde por 90% a 95% das recidivantes e a posterior por 5% a 10%; 50% das luxações posteriores passam despercebidas sem exame e radiografias adequados. A recidiva passa de 90% abaixo dos 20 anos, fica em 60% entre 20 e 40 e cai para cerca de 10% acima dos 40; nessa faixa, porém, há rotura do manguito em 30% (mais de 80% acima dos 60). Os fatores de recidiva são idade, volta a esporte de contato ou colisão, hiperfrouxidão e defeito ósseo significativo na glenoide ou na cabeça.

A história aponta o tipo de lesão: trauma de alta energia e esporte de colisão associam-se a defeito ósseo; recidiva com trauma mínimo na amplitude média, luxação durante o sono ou com o braço acima da cabeça sugerem defeito ósseo importante; luxação que o paciente reduz sozinho costuma ser subluxação ou frouxidão generalizada. MATSEN resumiu os extremos em TUBS (traumática, unidirecional, BANKART, cirurgia) e AMBRII (atraumática, multidirecional, bilateral, reabilitação, capsuloplastia inferior e fechamento do intervalo). A subluxação recorrente é frequentemente esquecida: o paciente refere o ombro que escorrega, ou o "braço morto", pelo estiramento do axilar.

O exame passo a passo (Campbell, cap. 52, p. 2209 a 2210)

O exame começa perguntando em que posição o ombro fica instável, para que lado escapa e se o paciente consegue demonstrar com segurança. O lado normal serve de referência. Procura-se atrofia, palpa-se cápsula anterior e posterior, manguito e AC, mede-se a amplitude em pé e deitado e testa-se a força do deltoide, do manguito e dos estabilizadores da escápula; a escápula alada aparece no press-up da maca ou na flexão inclinada contra a parede. A estabilidade é examinada com o paciente em pé, e o examinador mantém sempre o controle do úmero para não luxar o ombro durante as manobras.

  • Gaveta, carga e desvio (load-and-shift): uma mão estabiliza a escápula pela borda; a outra segura a cabeça, aplica leve compressão e a translada para frente e para trás com o braço abduzido. Subluxação fácil indica perda da concavidade glenoidal, que precisa de tratamento cirúrgico.
  • Apreensão anterior: ombro a 90 graus de abdução, cotovelo a 90 graus, leve força de rotação externa enquanto se aplica estresse anterior ao úmero. O paciente com instabilidade anterior reage com apreensão (medo de que o ombro saia), não necessariamente dor.
  • Relocação de JOBE (fig. 52.17): supino, ombro a 90 graus de abdução e rotação externa; o examinador empurra o úmero para frente por trás. Se surge dor ou apreensão, aplica-se uma força posterior que reloca a cabeça, e o sintoma melhora. Ao soltar a força posterior, a sensação de apreensão ou subluxação volta e confirma a instabilidade anterior. Relocação positiva junto com apreensão positiva são altamente preditivas de instabilidade recorrente.
  • Posterior: teste de KIM ou clunk posterior, em que o braço abduzido a 90 graus é levado para flexão anterior e rotação interna com estresse posterior no cotovelo; o clunk da subluxação posterior dá dor ou sensação de instabilidade.
  • Sulco: tração distal no braço a 0 e a 45 graus de abdução, observando um sulco entre a cabeça e o acrômio que não reduz com 45 graus de rotação externa. Gradua-se de 0 a 3: 1+ menos de 1 cm, 2+ de 1 a 2 cm, 3+ mais de 2 cm sem redução com a rotação externa. A 0 grau de abdução, o sulco indica frouxidão do intervalo rotador; a 45 graus, do complexo glenoumeral inferior.
Testes de instabilidade e o que revelam (Campbell 15, cap. 52, p. 2209 a 2210; Netter, cap. 3, p. 93 aprox.)
TestePosiçãoPositivoIndica
apreensãoabdução 90, cotovelo 90, rotação externa e estresse anteriorapreensãoinstabilidade anterior
relocação de JOBEsupino, abdução e rotação externa, força posterioralívio com a força posterior, volta ao soltarinstabilidade anterior; com a apreensão, alto valor preditivo
carga e desvio (gaveta)escápula fixa, compressão e translação anterior e posteriortranslação aumentada ou subluxação fácilinstabilidade anterior ou posterior; perda da concavidade
jerk, KIM, clunk posteriorabdução 90, flexão e rotação interna com carga posteriordor ou clunkinstabilidade ou lábio posterior
sulco a 0 grautração com o braço ao ladosulco que não reduz com rotação externafrouxidão do intervalo rotador
sulco a 45 graustração com 45 graus de abduçãosulcofrouxidão do glenoumeral inferior
GAGEYescápula fixa por cima, abdução passivadiferença maior que 20 graus entre os ladosfrouxidão capsular inferior

Apreensão em amplitudes baixas e os sinais de hiperfrouxidão

Dois achados mudam a conduta. Apreensão ou instabilidade em amplitudes baixas, abaixo de 90 graus de abdução, e instabilidade inferior proeminente sugerem deformidade óssea da glenoide ou do úmero. Já a hiperfrouxidão é indicada por sulco positivo, GAGEY positivo e escala de BEIGHTON. No GAGEY (hiperabdução), uma mão estabiliza a escápula por cima e a outra abduz passivamente o ombro; diferença maior que 20 graus entre os lados sugere frouxidão capsular inferior. Rotação externa maior que 85 graus com o braço ao lado também indica hiperfrouxidão, que pode exigir fechamento do intervalo rotador.

Escala de hiperfrouxidão de BEIGHTON (Campbell 15, cap. 52, Tabela 52.1)
CaracterísticaPontos
dorsiflexão passiva do dedo mínimo além de 90 graus1 por mão
aposição passiva do polegar ao antebraço1 por mão
hiperextensão ativa do cotovelo além de 10 graus1 por cotovelo
hiperextensão do joelho além de 10 graus1 por joelho
flexão do tronco com joelhos estendidos e palmas no chão1
total9 pontos

O corte não é igual em todo o livro. No capítulo 52, o texto diz que 5 ou mais pontos sugerem frouxidão ligamentar generalizada, enquanto o rodapé da tabela cita 4 pontos como diagnóstico de hiperfrouxidão; no capítulo 50 (joelho), 4 ou mais pontos definem frouxidão generalizada e 2 ou menos, ausência dela. Para a prova, a ideia central é que o BEIGHTON mede frouxidão constitucional, não instabilidade. O livro observa que pacientes com frouxidão generalizada têm menos lesões articulares associadas às luxações, e que a flexibilidade que permite ao atleta competir em alto nível também o predispõe à lesão: frouxidão é um sinal de exame, instabilidade é um sintoma, e um ombro frouxo pode ser estável.

O caso do skatista: juntando exame e lesão

O R4 SES-DF 2022 montou um caso clássico: jovem de 22 anos, luxação traumática no skate com necessidade de redução, apreensão e relocação positivas, gaveta e sulco negativos, e ressonância com HILL-SACHS, BANKART e SLAP II. O exame conta a história: os testes da lesão traumática anterior (apreensão, relocação) são positivos, e os de frouxidão (sulco, gaveta) negativos, ou seja, é um TUBS e não um AMBRII.

A lesão de HILL-SACHS é a fratura por impacção da face posterolateral da cabeça umeral, produzida quando a cabeça luxada bate contra a borda da glenoide; ela causa instabilidade quando engata na borda em 90 graus de abdução e rotação externa (cap. 52, p. 2207 aprox.). Defeitos umerais de 35% a 40% e glenoidais de apenas 13% já reduzem a estabilidade. A lesão de BANKART é a mais observada nas recidivas, mas não é a "lesão essencial": a frouxidão capsular, congênita ou por deformação plástica, também causa instabilidade.

O risco de falha do reparo artroscópico é medido pelo ISIS (BALG e BOILEAU), cujo resultado afeta os desfechos do BANKART.

Instability Severity Index Score (Campbell 15, cap. 52, Tabela 52.5)
Fator prognósticoPontos
idade na cirurgia menor que 20 anos2
esporte competitivo antes da cirurgia2
esporte de contato ou acima da cabeça forçado1
hiperfrouxidão do ombro (anterior ou inferior)1
HILL-SACHS visível no AP em rotação externa2
perda do contorno da glenoide no AP2
total máximo10

O atleta de contato soma pontos no ISIS e, no capítulo 57 (p. 2441 aprox.), está entre os de alto risco em quem se indica estabilização já no primeiro episódio; nele, qualquer HILL-SACHS apreciável recebe remplissage junto com o BANKART, exceto no ombro dominante do arremessador.

O sulco e a pegadinha do grau de abdução

Acromioclavicular, escápula e desfiladeiro torácico

Cobrança confirmada · 1 questão

A acromioclavicular. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 57, p. 2480 aprox.), define a artrose AC sintomática pela dor à palpação e pela dor nas manobras provocativas de adução cruzada e rotação interna nas costas; a infiltração com lidocaína a 1% sem adrenalina que alivia 80% a 100% da dor prediz bom resultado cirúrgico. No Netter (cap. 3, p. 94 aprox.), a adução com os braços cruzados à frente do corpo que dói na AC indica lesão ou artrose dela. O O'BRIEN com dor em cima do ombro também aponta a AC, e a AC contamina os testes de impacto (HAWKINS positivo em 94% das artroses AC). PAXINOS não aparece nos capítulos lidos.

Acurácia dos testes para impacto, estudo de PARK (Campbell 15, cap. 51, Tabela 51.2)
TesteSensibilidadeEspecificidadeAcurácia
NEER68%68,7%68,3%
HAWKINS-KENNEDY71,5%66,3%69,7%
arco doloroso73,5%81,1%76,1%
JOBE44,1%89,5%60,2%
SPEED38,3%83,3%54,4%
adução cruzada38,3%83,3%54,4%
queda do braço26,9%88,4%48,6%
infraespinal41,6%90,1%58,7%

Com HAWKINS, arco doloroso e teste muscular positivos juntos, a chance de impacto passa de 95%; com os três negativos, fica abaixo de 24% (p. 2147).

A escápula alada e a discinesia. O Campbell (cap. 14, p. 638) atribui cerca de um terço do movimento global do ombro à escapulotorácica; sua disfunção dificulta a elevação e causa dor de impacto, tendinite do bíceps e instabilidade. A alada primária é neurogênica: medial por paralisia do serrátil anterior (torácico longo) e lateral por paralisia do trapézio (acessório). No exame, ela aparece no press-up da maca ou na flexão contra a parede (cap. 52), e o Netter manda o paciente empurrar a parede: a escápula alada indica paralisia nervosa ou fraqueza muscular; a protração contra resistência testa o serrátil. O capítulo 52 manda afastar a disfunção escapular, tratável com fisioterapia, antes de operar uma instabilidade, e o capítulo 51 (p. 2160) baseia a reabilitação do impacto no fortalecimento dos estabilizadores posteriores da escápula.

O desfiladeiro torácico e a cervical. O Netter traz os testes que fecham o exame: ADSON (palpar o pulso radial e rodar o pescoço para o mesmo lado), WRIGHT (extensão do braço e rotação do pescoço para o lado oposto), ambos com torpor ou formigamento sugerindo síndrome do desfiladeiro torácico, e SPURLING (flexão lateral e compressão axial do pescoço), que reproduz a dor da doença cervical.

Fechamento

Fundamento

O exame do ombro se reorganiza em quatro perguntas: é impacto (NEER, HAWKINS, dor que some com lidocaína), qual tendão está roto (posição do braço define o músculo), o lábio ou o bíceps doem (O'BRIEN, SPEED, YERGASON) e o ombro é instável ou só frouxo (apreensão e relocação contra sulco, GAGEY e BEIGHTON). AC, escápula e cervical completam o roteiro.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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