Orto Questões

Rigidez do cotovelo

Ombro e cotoveloResumo do capítulo34 min de leitura

Arco funcional de MORREY (30 a 130 graus, 50 de pronação e 50 de supinação); cirurgia se arco menor que 100 graus após fisioterapia e talas; extrínsecas (cápsula, colaterais, OH, consolidação viciosa extra-articular) contra intrínsecas (cartilagem, incongruência, aderências); OH pós-traumática posterolateral, da queimadura posteromedial, neurogênica dentro do músculo e num plano só; HASTINGS e GRAHAM (I, IIA, IIB, IIC, III); procedimento da coluna pela via lateral; medial over-the-top entre flexor ulnar do carpo e pronador para expor e transpor o ulnar; ulnar em risco quando a flexão é menor que 90 a 100 graus ou o arco é muito pequeno; CPM e talas estáticas progressivas; interposição no jovem com articulação destruída; artrodese unilateral em 90 a 100 graus.

Atualizado em 03/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 15 · Reconstructive Procedures of the Elbow, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (2017), e o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (2025). Autores do capítulo: Tyler J. Brolin e Thomas W. (Quin) Throckmorton.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Campbell, capítulo 15, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 15 (Reconstructive Procedures of the Elbow) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), costurado com a seção de contraturas e ossificação heterotópica do capítulo 51 do mesmo livro, com o capítulo 24 (Treatment of the Stiff Elbow, de HOTCHKISS) do Green's Operative Hand Surgery, 7ª edição, e com o capítulo 39 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição. As páginas citadas são as impressas.

O cotovelo rígido é uma doença de um objetivo só: pôr a mão no espaço. É o cotovelo que encurta ou alonga a distância entre a mão e a boca, a nuca, o bolso e o chão. Por isso a pergunta nunca é "quanto falta para 150 graus", e sim "quanto falta para o arco funcional". O tema se organiza em três decisões:

1. Vale operar? Depende do arco (menos de 100 graus, ou flexão abaixo de 105 a 110) e da falha da fisioterapia e das talas. 2. O que está segurando? Partes moles fora da superfície (cápsula, colaterais, OH) ou a própria superfície articular: causas extrínsecas contra intrínsecas. 3. Por onde entrar? Artroscopia no caso simples; coluna lateral na maioria; medial over-the-top quando o ulnar precisa ser visto; interposição ou prótese quando a cartilagem acabou; artrodese como salvamento.

As bancas (TARO, TEOT, SBCM, SBCOC) cobram a localização da OH conforme a causa, a classificação de HASTINGS e GRAHAM, a via do "procedimento da coluna", os músculos da via over-the-top, quando explorar o ulnar, o CPM e a posição da artrodese.

Anatomia e biomecânica que explicam a rigidez

Fundamento

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 643 a 645), abre pela anatomia porque cada passo da liberação é uma decisão sobre o que cortar e o que preservar.

O cotovelo tem três articulações na mesma cápsula: a ulnoumeral, gínglimo da flexoextensão, e a radiocapitelar e a radioulnar proximal, trocoides da pronossupinação; o conjunto é um trocogínglimo, uma "dobradiça frouxa" (p. 643). Uma cápsula espessada pode bloquear os dois planos ao mesmo tempo, e uma OH na radioulnar proximal pode travar só a rotação. Essa independência dos dois planos é a base da classificação de HASTINGS e GRAHAM. O arco normal vai de 0 a cerca de 150 graus; o ângulo de carregamento passa de 11 graus de valgo em extensão a 6 de varo em flexão; o braquial é o "burro de carga" da flexão (p. 643 e 644).

O fim do movimento normal é ósseo: olécrano na fossa olecraniana na extensão, coronoide e cabeça do rádio nas fossas coronoide e radial na flexão. Por isso a liberação sempre limpa as fossas: com a fossa olecraniana cheia de fibrose, osteófito ou OH, a extensão para antes do fim, mesmo sem cápsula.

Restrições ao movimento e o que muda na rigidez (Campbell 15, cap. 15, Box 15.1, p. 645 aprox.)
RestriçãoEstruturaNa rigidez
Geometria articularTróclea, capítulo, incisura troclearIncongruência após fratura articular (intrínseca)
Impacto na extensãoOlécrano na fossa olecranianaFossa ocupada bloqueia a extensão final
Impacto na flexãoCoronoide e cabeça do rádio nas fossasCoronoide aumentado ou fossa cheia bloqueia a flexão
Partes molesCápsula, ligamentos, músculosCápsula espessada: a causa extrínseca mais comum
PronossupinaçãoMúsculos e ligamentos estirados; flexor longo do polegar contra os flexoresOH na radioulnar proximal trava a rotação

O feixe anterior do LCM insere no tubérculo sublime e fica tenso em flexão e extensão; o posterior, só em flexão (p. 643). Na liberação medial, o posterior pode ser ressecado para devolver flexão; o anterior fica. No lado lateral, o colateral ulnar lateral (inserido na crista do supinador) é o mais crucial para a estabilidade (p. 643); por isso a cápsula anterior é aberta à frente da sua origem e o tríceps é elevado atrás dela. Em extensão, a cápsula anterior responde por cerca de 70% da restrição à distração, o que explica seu papel de freio da extensão quando espessa. A força máxima de flexão é a 90 graus (em extensão ou a 30 graus, só um terço a metade), dado que reaparece na posição da artrodese (p. 644).

O arco funcional e quando operar

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2184), define: arco normal de 0 a 150 graus; arco funcional de 30 a 130 graus, com 50 de pronação e 50 de supinação; contratura em flexão maior que 45 graus prejudica muito o posicionamento da mão. Quase toda lesão do cotovelo deixa alguma perda, e o arco completo é desnecessário para a maioria das atividades diárias.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 845 a 847), conta a origem do número: MORREY mediu pessoas normais por eletrogoniometria e viu que a maioria das tarefas cabe entre 30 e 130 graus. HOTCHKISS lembra que isso é o que os normais usam, não o que é necessário, e estudou 52 pacientes em 20 tarefas. A conclusão é uma assimetria:

  • Perder flexão é grave e não se compensa. Sem flexão além de 110 graus, não se abotoa o colarinho, não se faz a barba nem se põe brinco ou gravata; pescoço e punho não dobram o bastante para levar a mão ao rosto. Abaixo de 105 graus, todo esforço para recuperar flexão vale a pena.
  • Perder extensão é compensável. Contratura em flexão de mais de 40 graus exige adaptação (aproximar o tronco, dobrar quadril e joelho), mas a tarefa sai.
  • Por isso nunca se troca flexão por extensão.
O arco funcional (Campbell 15, cap. 51, p. 2184; Green 7, cap. 24, p. 845 a 847)
ParâmetroValorComentário
Arco normal0 a 150 grausCampbell
Arco funcional de MORREY30 a 130 grausEletrogoniometria em normais
Pronossupinação funcional50 e 50 grausCampbell
Contratura em flexão que prejudica muitoMais de 45 grausCampbell
Flexão mínima para as tarefas do rosto110 grausGreen
Contratura em flexão que exige adaptaçãoMais de 40 grausGreen; também causa dor no ombro

Indicação cirúrgica

O Campbell (cap. 51, p. 2185) manda tratar primeiro com fisioterapia e talas, buscando 30 a 130, e considerar a cirurgia quando o arco de flexão fica abaixo de 100 graus após o tratamento não operatório, especialmente com contratura em flexão maior que 45 graus. O Green (p. 847 aprox.) usa outro par: perda de 40 graus de extensão ou menos de 105 graus de flexão; não se opera só pela aparência, e extensão completa nunca é garantida. A mensagem comum: o que indica a cirurgia é a perda funcional depois de esgotado o conservador, e a referência é o arco abaixo de 100 graus. Quanto ao momento, a maioria não melhora depois de 4 a 6 meses da lesão, e por volta de 6 meses a cirurgia pode ser considerada (Green, p. 845 aprox.).

Causas intrínsecas e extrínsecas

Cobrança confirmada · 1 questão

A divisão de MORREY, citada pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), separa contraturas intrínsecas, extrínsecas e combinadas. Intrínseco é o que está na superfície que desliza; extrínseco é o que envolve a articulação e impede uma superfície boa de deslizar.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2185), lista:

  • Extrínsecas: contratura da cápsula ou dos colaterais, consolidação viciosa extra-articular e ossificação heterotópica.
  • Intrínsecas: sequelas de fratura intra-articular: lesão da cartilagem, incongruência e aderências intra-articulares.

Duas pegadinhas: as aderências são intrínsecas (estão entre as superfícies), enquanto a cápsula, mesmo sendo a parede da articulação, é extrínseca; e a OH é extrínseca, mesmo quando anquilosa o cotovelo.

A divisão muda a conduta. A causa extrínseca se trata ressecando as estruturas contraídas; a intrínseca pode exigir alterar a anatomia articular. E quando a intrínseca é primária, a contratura capsular quase sempre está presente também (p. 2185). O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 847 aprox.), traz o erro confessado por HOTCHKISS: liberar um cotovelo com a cartilagem ulnoumeral destruída melhora o movimento, mas cria dor.

Causas extrínsecas e intrínsecas (Campbell 15, cap. 51, p. 2185; Rockwood and Green 10, cap. 39)
GrupoExemploTratamento-base
ExtrínsecaContratura da cápsula (pode passar de 5 mm, Green)Cápsulectomia artroscópica ou aberta
ExtrínsecaContratura dos colateraisLiberação preservando feixe anterior do LCM e colateral ulnar lateral
ExtrínsecaConsolidação viciosa extra-articularCorreção da deformidade
ExtrínsecaOssificação heterotópicaExcisão com a cápsula
IntrínsecaLesão da cartilagem; incongruênciaInterposição, prótese ou artrodese
IntrínsecaAderências intra-articularesDesbridamento; distração com ou sem interposição
CombinadaIntrínseca primária com cápsula contraídaA regra, não a exceção

Como o cotovelo endurece

O Campbell (cap. 51, p. 2184) lista as causas: trauma, OH, queimaduras, espasticidade, cicatriz pós-operatória e imobilização prolongada. No trauma, os fatores de risco são luxação ulnoumeral, fraturas segmentares, movimento limitado com 6 semanas de pós-operatório e OH; destes, só a OH pode ser prevenida. O Green (p. 843 aprox.) explica o mecanismo: o derrame leva o cotovelo à flexão, posição de maior volume da cápsula; fletido, flexores e extensores cocontraem; a cápsula, antes fina e transparente, espessa e vira "bloqueio" para a flexão e "amarra" para a extensão. Daí a regra de iniciar o movimento ativo assistido o mais cedo possível: começar com 6 semanas, após fratura ou luxação simples, costuma ser tarde.

Avaliação e tratamento conservador

Fundamento

O que procurar

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 844 a 848), organiza a avaliação pela causa provável, pela demanda do paciente, pela idade e pelo tempo de rigidez:

  • Dor. A contratura pós-traumática simples dói pouco, só no fim do arco; dor no meio do arco sugere artrose ou incongruência. Na artrose primária, a dor é típica nos extremos, onde os osteófitos se chocam.
  • Ulnar. Preso após trauma, pode só causar relutância em fletir, dor medial e "aperto" nos dedos ulnares, sem déficit franco.
  • Idade. Melhor resultado entre 18 e 50 anos; o adolescente que não colabora pode piorar; no idoso, edema da mão e rigidez do ombro limitam, e às vezes a única saída é a prótese.
  • Tempo. Fixação que falhou ou cotovelo luxado: não esperar. Articulação normal: operar após falha documentada de fisioterapia e talas; a melhora para em 4 a 6 meses; depois de 1 ano o ganho é menor; com mais de 10 anos, pode ser preciso encurtar o úmero, porque mediano e artéria braquial encurtaram.
  • Imagem. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2185; cap. 15, p. 646), usa radiografias, RM e TC com reconstrução 3D, imprescindível para localizar osteófitos e corpos livres. O Green pede AP com o úmero apoiado, perfil verdadeiro, perfis em flexão e extensão máximas e TC em cortes de 0,8 mm; a cintilografia não tem utilidade (fica "quente" por anos).
Categorias da rigidez pós-traumática (Green 7, cap. 24, Tabela 24.1, p. 844)
CategoriaArcoAchadosTratamento provávelResultado
MínimaPerda menor que 30 graus, geralmente de extensãoLesão isolada; articulação quase normalLiberação aberta limitada ou artroscópicaRecuperação quase completa
Moderada40 a 100 graus de arco totalMais de uma cirurgia; ulnar em risco; OH anterior e posteriorLiberação e transposição do ulnar; vias medial e lateral; CPMRaramente extensão completa
GraveMenos de 30 graus de arco total"Fibrose envolvente"; OH maciça; nervo preso; tríceps aderidoDissecção e proteção de todos os nervos; tenólise do tríceps; possível fixador articulado30 a 130 graus; reabilitação longa

O conservador

Os três livros começam pelo não operatório. O Campbell (cap. 51, p. 2185) usa fisioterapia e talas; no capítulo 57 (p. 2503 aprox.), na artrofibrose leve, fisioterapia agressiva e órteses podem bastar. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), cita a tala estática progressiva supervisionada como eficaz e, no capítulo 40, para a rigidez após fratura da cabeça do rádio (causa mais comum: contratura capsular), soma a turnbuckle.

O Green (p. 857 aprox.) explica a física. A tala dinâmica aplica torque constante, dói e tem baixa adesão; HOTCHKISS não a usa. A estática progressiva aplica um deslocamento incremental e deixa o tecido sofrer relaxamento de tensão, "como um alongamento de ILIZAROV". A turnbuckle (GREEN e MCCOY) serve para contraturas em flexão de 25 a 40 graus; o come-along de argolas e tiras ganha flexão. Princípio: a tala raramente aumenta o arco obtido na sala de cirurgia; ela mantém o ganho.

A manipulação sob anestesia isolada não é recomendada nas contraturas antigas, porque pode causar fratura, hematoma, cicatriz e OH; seu papel é de adjuvante depois da liberação (Campbell, cap. 51, p. 2185), por exemplo por volta de 6 semanas após a excisão da OH se as metas não forem atingidas (p. 2189 aprox.).

Medidas conservadoras (Green 7, cap. 24, p. 857 e 858; Rockwood and Green 10, caps. 39 e 40; Campbell 15, cap. 51, p. 2185)
MedidaPrincípioObservação
Fisioterapia precoceMovimento ativo assistidoComeçar com 6 semanas costuma ser tarde
Tala estática progressivaDeslocamento incremental e relaxamento de tensãoPreferida pelo Green e pelo Rockwood and Green
TurnbuckleEstática progressiva por roscaContratura em flexão de 25 a 40 graus
Tala dinâmicaTorque constanteDor e baixa adesão
Manipulação isoladaForça passivaNão recomendada em contratura antiga
Manipulação após liberaçãoAdjuvanteÚtil, por volta de 6 semanas ou no "gelling"

Ossificação heterotópica: quem tem e onde se forma

Cobrança confirmada · 4 questões

Fatores de risco

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2186 e 2188), liga a OH do cotovelo a trauma, queimaduras e TCE, com conversão de células progenitoras em osteogênicas. Além do Box 51.9, o texto aponta fratura-luxação, demora na fixação, várias tentativas de redução fechada, enxerto ósseo, TCE e imobilização prolongada; as associações mais fortes são a gravidade e o atraso cirúrgico. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), soma, após fratura do úmero distal, politrauma, partes moles graves e fratura exposta, além de placas perpendiculares e enxerto; a incidência vai de 0% a 49% (42% na série de FORURIA, sobretudo ao redor do úmero e ao longo do LCM), mas a maioria não tem déficit funcional, e nem sempre é preciso ressecar.

Fatores de risco para OH no cotovelo (Campbell 15, cap. 51, Box 51.9, p. 2188)
GrupoFator
TraumaLuxação exposta com desbridamentos múltiplos; luxação com fraturas operadas; cabeça do rádio operada após 24 horas
CirurgiaReparo do bíceps distal; procedimentos repetidos com exposição inadequada nas primeiras 2 semanas
SNCTCE; trauma do cotovelo em paciente com TCE
QueimadurasTerceiro grau em mais de 20% da superfície corporal ou sobre o cotovelo; longo tempo acamado
GenéticosFibrodisplasia ossificante progressiva; história prévia de OH

Onde se forma conforme a causa

É o fato mais cobrado do tema. O Box 51.10 do Campbell (cap. 51, p. 2188, de MORREY e HARTER) mostra que a localização varia com a doença de base:

  • Pós-traumática: mais comum posterolateral, com ponte entre o côndilo lateral e o olécrano posterolateral, que pode encher a fossa olecraniana. O anterolateral é o segundo local: o osso vai do úmero distal ao rádio e à ulna na tuberosidade bicipital, e o coronoide aumentado bloqueia a flexão.
  • Queimadura: mais comum posteromedial; o túnel cubital costuma estar obliterado, e o ulnar pode ficar todo envolto em osso.
  • Neurogênica: anterior, nos flexores, ou posterior, nos extensores; a ossificação ocorre dentro do músculo e segue um único plano; antebraço e radioulnar proximal podem ser acometidos.

Pelo mecanismo: no trauma, o osso nasce onde houve dano e hematoma, e a luxação típica rasga as partes moles laterais e posteriores; na queimadura, o osso surge no trajeto do ulnar e o envolve; na neurogênica, segue o músculo espástico, por isso fica dentro dele, num plano.

Localização da OH conforme a causa (Campbell 15, cap. 51, Box 51.10, p. 2188)
CausaLocal mais comumCaracterísticas
TraumáticaPosterolateralPonte côndilo lateral e olécrano; fossa olecraniana cheia; bloqueia a extensão
TraumáticaAnterolateral (segundo local)Até a tuberosidade bicipital; coronoide aumentado bloqueia a flexão
QueimaduraPosteromedialTúnel cubital obliterado; ulnar envolto em osso
NeurogênicaFlexores (anterior) ou extensores (posterior)Intramuscular, plano único; recidiva maior após excisão

Classificação de HASTINGS e GRAHAM

Cobrança confirmada · 1 questão

A classificação de HASTINGS e GRAHAM (Tabela 39-8 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 39) não mede tamanho nem local da OH, e sim a repercussão funcional, usando a independência dos dois planos do trocogínglimo:

  • Classe I: OH radiográfica sem limitação funcional (há osso; não é ausência de ossificação).
  • Classe II: OH com limitação: IIA da flexoextensão; IIB da pronossupinação; IIC dos dois planos.
  • Classe III: anquilose óssea do cotovelo ou do antebraço.

As letras seguem a ordem anatômica: primeiro o plano do cotovelo (A), depois o do antebraço (B), por fim os dois (C).

Classificação de HASTINGS e GRAHAM (Rockwood and Green 10, cap. 39, Tabela 39-8)
ClasseDescriçãoImplicação
IOH radiográfica sem limitação funcionalObservar
IIALimitação da flexoextensãoExcisão se o arco funcional estiver comprometido
IIBLimitação da pronossupinaçãoExcisão; olhar a radioulnar proximal
IICLimitação nos dois planosExcisão e liberação ampla
IIIAnquilose óssea do cotovelo ou do antebraçoExcisão; a anquilose ganha mais que a restrição parcial

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2188), dá a regra que conversa com a classificação: se a OH causa ou contribui para a perda do arco funcional, inclusive da pronossupinação, a excisão com liberação da cápsula está indicada, seja a limitação parcial ou completa. Ou seja, classes II e III operam; a I, não.

Profilaxia e momento da excisão da OH

Relevância clínica

Aqui os livros divergem. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2188 e 2189), recomenda operar cedo o trauma complexo; acha o ácido tranexâmico promissor; considera AINE e radioterapia equívocos; mas, após a excisão da OH, prescreve indometacina por 6 semanas e acha fraca a evidência da radioterapia de baixa dose. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., recomenda indometacina e/ou radiação no alto risco, como o TCE (cap. 39), mas chama de controverso o uso rotineiro após a liberação; no capítulo 40, não recomenda indometacina na luxação simples, lembra que o paciente com TCE em geral não é candidato a AINE nem a radiação, cita indometacina 25 mg três vezes ao dia por 3 semanas com risco de pseudartrose e manda evitar radiação na fratura aguda do úmero distal. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 857 aprox.), diz que não há ensaios randomizados; HOTCHKISS (como JUPITER) abandonou os AINE sem aumento de recidiva e reserva 700 cGy em dose única nas primeiras 72 horas para formadores de OH; para ele, o que mais reduziu a OH foi o movimento precoce.

Profilaxia da OH nos três livros (Campbell 15, cap. 51, p. 2188 e 2189; Rockwood and Green 10, caps. 39 e 40; Green 7, cap. 24, p. 857 aprox.)
MedidaCampbell 15Rockwood and Green 10Green 7
Ácido tranexâmicoPromissorNão citadoNão citado
IndometacinaEquívoca; 6 semanas após excisãoAlto risco: recomendada; luxação simples: não; após liberação: controversaAbandonada
RadioterapiaEquívoca; evidência fracaAlto risco: recomendada; evitar na fratura aguda do úmero distal700 cGy dose única até 72 h, só em formadores
Movimento precoceCPM e fisioterapiaObrigatórioPrincipal fator de redução

O momento da excisão também diverge. O Campbell (p. 2188) segue a tendência de excisão precoce, entre 3 e 6 meses, com três critérios: fraturas consolidadas, feridas cicatrizadas e inflamação resolvida; a OH não costuma crescer depois de identificada e a demora pode piorar o resultado. O Rockwood and Green (cap. 39) manda esperar parar de crescer e corticalizar. O Green (p. 845 aprox.) opera por volta de 6 meses, sem cintilografia; no TCE, espera 12 a 24 meses e exige que o paciente dispare bíceps e tríceps voluntariamente (p. 854).

Na excisão (Campbell, p. 2188 e 2189), a TC pré-operatória localiza a OH e os nervos; usa-se via de KOCHER limitada ou estendida, ou incisão posterior (técnica de MORREY e HARTER) com acesso circunferencial; quando a OH chega ao lado medial, transpor o ulnar (que pode estar envolto em osso); na parte anterior, identificar o radial; não fechar a cápsula. O ganho é de 50 a 70 graus, igual entre as causas; a anquilose ganha mais que a restrição parcial; a recidiva é maior no SNC. O Rockwood and Green acrescenta que a excisão da OH ganha mais que a liberação só de partes moles.

A escolha do procedimento

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2185), resume: superfícies normais e contratura capsular, liberação artroscópica ou aberta simples; superfícies alteradas ou destruídas, prótese total nos pacientes adequados (cap. 15). A liberação anterior sem alongar o bíceps serve à contratura em flexão com ulnoumeral preservada e fossa olecraniana sem osteófitos. Liberações anterior e posterior ou medial e lateral combinadas têm sucesso semelhante.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 848 e 849 aprox.), põe as ferramentas num espectro: artroscopia, liberação aberta (lateral, medial ou as duas), fixador articulado, interposição e prótese. A melhor cirurgia é a mínima necessária, mas sempre com dois planos: se a primeira via não dá o arco na mesa, passa-se à segunda. A causa mais comum de falha é não abandonar a artroscopia ou insistir numa via só. Quase nunca basta a cápsula anterior: a fossa olecraniana precisa ficar livre para a extensão final.

O fixador articulado tem três indicações (Green, p. 855 e 856): instabilidade após a liberação, tensão musculotendínea excessiva e artroplastia de distração, com ou sem interposição, em que a superfície é recoberta com fáscia ou cútis e o fixador permite movimento por 6 a 8 semanas. HOTCHKISS acha os resultados da distração pós-traumática "não estelares" e a usa pouco; o Campbell (cap. 51, p. 2186) quase abandonou o fixador após a liberação simples (ganho pequeno, complicações e custo).

Do diagnóstico ao procedimento (Campbell 15, cap. 51, p. 2185 e 2186, cap. 15, p. 645 a 651; Green 7, cap. 24, p. 847 a 856)
CenárioProcedimento
Superfície normal, contratura capsular simplesArtroscopia ou via lateral
Contratura após fratura da cabeça do rádioVia lateral
Flexão menor que 90 graus, ulnar disfuncional, osteófitos posteromediaisMedial over-the-top
Arco de 40 a 105 com OHVias medial e lateral, em geral sem fixador
Instabilidade após liberação; OH maciçaFixador articulado
Superfície destruída, jovem ativoInterposição com distração
Superfície destruída, idosoPrótese total semiconstrita
Infecção, trabalho pesadoArtrodese
Contratura antiga sem cirurgiaManipulação isolada não recomendada

Liberação artroscópica

Fundamento

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., aborda a contratura primeiro por artroscopia (cap. 51, p. 2186), com bons ganhos e baixa recidiva. No capítulo 57 (p. 2503 aprox.), lembra que na artrofibrose a distensão e os marcos ficam prejudicados e é preciso estar pronto para converter. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 849 aprox.), é mais restritivo: a artroscopia funciona no jovem atleta com corpos livres ou hiperextensão e contratura mínima; no pós-traumático, a cápsula de 0,5 a 1 cm aderida ao úmero não sai e põe ulnar, mediano e radial em risco; e HOTCHKISS não a faz se o ulnar precisa ser transposto ou se há osteófitos grandes no canto posteromedial (assoalho do túnel cubital); ele viu dois ulnares desbridados por shaver. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), dá papel limitado à artroscopia após fixação do úmero distal, porque os implantes exigem retirada aberta.

Na técnica de PHILLIPS e STRASBURGER (Campbell, cap. 57, p. 2504), distende-se pelo soft spot (triângulo cabeça do rádio, epicôndilo lateral, ponta do olécrano); recria-se a fossa coronoide e resseca-se a ponta do coronoide; descola-se a cápsula cerca de 2,5 cm do úmero, com o braquial protegendo o mediano; faz-se uma capsulotomia anterior de 1 cm, de medial para lateral, sem ir distal (radial); no compartimento posterior, nada de shaver perto do ulnar; resseca-se a ponta do olécrano e alarga-se a fossa; imobiliza-se em extensão máxima. Ao ressecar o osteófito da ponta do olécrano, no máximo 2 a 3 mm de osso, para não sobrecarregar o colateral ulnar (p. 2502).

Liberação aberta pela coluna lateral

Cobrança confirmada · 1 questão

O "procedimento da coluna" é a via lateral de MORREY. O nome vem da coluna lateral do úmero distal (crista supracondiliana lateral): à frente dela se descola a musculatura da cápsula anterior; atrás, se eleva o tríceps da cápsula posterior. Uma incisão lateral alcança os dois compartimentos.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2186), chama a via lateral extensa (o procedimento da coluna) de técnica preferida; outros usam osteotomia do olécrano ou técnica mini-aberta. A extensão melhora limpando a fossa olecraniana; a flexão, com tenólise do tríceps e/ou pie crusting posterior. O ganho médio é de 40 a 50 graus, menos confiável em adolescentes e no TCE. Na técnica de MORREY: via de KOCHER estendida com 15 cm pela crista; elevar o braquial da cápsula anterior; cápsulectomia anterior de lateral para medial, anterior à origem do colateral lateral; elevar o tríceps, posterior a essa origem; cápsulectomia posterior sem ir medial demais (ulnar); se a extensão não fecha, limpar fossa e ponta do olécrano; se a flexão não chega a 135 graus, procurar impacto anterior no coronoide; reparar a manga lateral e imobilizar em extensão completa.

O capítulo 15 (p. 646) usa a mesma via na artroplastia de desbridamento (técnica 15.1, via da coluna lateral, MORREY et al.): KOCHER 6 cm acima e 3 cm abaixo do epicôndilo; elevar o extensor radial longo do carpo e o braquiorradial; Hohmann protegendo braquial, radial e artéria braquial; retirar osteófitos da fossa e da ponta do coronoide; depois a parte posterior; e descomprimir o ulnar por incisão medial se houver sintomas ou flexão pré-operatória menor que 90 graus.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 852 e 853 aprox.), detalha: além de 10 cm acima do epicôndilo o radial corre risco; o plano posterior passa entre o ancôneo e o extensor ulnar do carpo, preservando a origem central dos extensores e o complexo ligamentar posterolateral, que não é incisado (HUSBAND e HASTINGS mostraram que a cápsula posterior e até a OH posterior saem pelo lado lateral). O ponto fraco é o ulnar, preso na cicatriz na borda posteromedial, quase invisível. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), cita as três opções abertas: medial over-the-top, coluna lateral ou combinada.

Coluna lateral e medial over-the-top (Campbell 15, cap. 51, p. 2186, cap. 15, p. 646; Green 7, cap. 24, p. 849 a 853; Rockwood and Green 10, cap. 39)
AspectoColuna lateralMedial over-the-top
AutorMORREYHOTCHKISS
GuiaCrista supracondiliana lateralCrista supracondiliana medial e septo intermuscular
Acesso anteriorBraquiorradial e extensor radial longo do carpo afastados; braquial elevadoFlexopronador dividido entre flexor ulnar do carpo e pronador redondo
Acesso posteriorTríceps elevado; plano entre ancôneo e extensor ulnar do carpoTríceps elevado pelo lado medial
Ligamento preservadoColateral ulnar lateralFeixe anterior do LCM e complexo posterolateral
Nervo em riscoRadial; ulnar invisívelCutâneo medial do antebraço; radial ao cruzar para lateral
Ponto forteCabeça do rádio, capítulo, OH lateralExpor, proteger e transpor o ulnar; coronoide; osteófitos posteromediais
Ponto fracoUlnar e canto posteromedialOH ou osteófitos laterais; cabeça do rádio

A via medial over-the-top

Relevância clínica

A via over-the-top é de HOTCHKISS, autor do capítulo 24 do Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. O cirurgião passa por cima da crista supracondiliana medial, soltando a massa flexopronadora para chegar à cápsula anterior, e por trás, elevando o tríceps para a cápsula posterior, sempre com o ulnar à vista. É a escolha quando há flexão menor que 90 graus, disfunção do ulnar ou osteófitos posteromediais (p. 849 aprox.).

Vantagens listadas pelo Green (p. 850): expor, proteger e transpor o nervo ulnar; preservar o feixe anterior do LCM e o complexo ligamentar ulnoumeral posterolateral; acesso anterior e posterior; alcançar o coronoide e os osteófitos anteriores com a cabeça do rádio intacta; converter-se na via BRYAN-MORREY (para prótese). Desvantagens: difícil retirar OH ou osteófitos laterais e acesso ruim à cabeça do rádio; nesses casos, soma-se uma via lateral.

A técnica (Green, p. 850 a 852): decúbito dorsal com duas toalhas sob a escápula; marco-chave na crista supracondiliana medial; proteger o nervo cutâneo medial do antebraço; excisar o septo intermuscular medial por cerca de 5 cm; dividir a massa flexopronadora paralela às fibras, deixando cerca de 1,5 cm do flexor ulnar do carpo no epicôndilo, de modo que a cápsula anterior é exposta entre o flexor ulnar do carpo e o pronador (Fig. 24.3D); afastar o braquial, com mediano e artéria braquial superficiais a ele; excisar a cápsula até o coronoide, protegendo o feixe anterior do LCM; atrás, mobilizar o ulnar, elevar o tríceps, excisar a cápsula posterior e os ligamentos posteromediais e ressecar cerca de 1 cm do olécrano; reinserir o flexopronador com fio inabsorvível e deixar o ulnar transposto anteriormente, estabilizado sem compressão.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), descreve a mesma via: começa por identificar e transpor o ulnar, divide a origem flexora em linha com as fibras, evita dissecar logo abaixo do epicôndilo (feixe anterior do LCM) e eleva a cabeça umeral do flexor ulnar do carpo, o palmar longo, o flexor radial do carpo e o pronador redondo; a artrotomia fica à frente do feixe anterior.

O nervo ulnar na cirurgia da rigidez

Cobrança confirmada · 1 questão

O ulnar passa atrás do eixo de flexão. Num cotovelo que pouco fletia, ele se acomoda encurtado e cicatrizado; quando a liberação devolve de uma vez 40 ou 50 graus de flexão, ele é estirado sobre o epicôndilo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2186), chama de complicação própria da liberação a neurite ulnar tardia: 11% após liberação artroscópica, mais comum nas contraturas graves; recomenda descompressão e/ou transposição profilática, sobretudo com contratura em flexão acentuada. No capítulo 57 (p. 2503 aprox.), o estudo de BLONNA (235 liberações) mostra que 60% das neurites foram de forma rápida na primeira semana, tratadas com transposição urgente, e que os fatores de risco são OH, neuropatia prévia e arco pré-operatório menor que 100 graus. O capítulo 15 (p. 646) descomprime o ulnar com sintomas prévios ou flexão menor que 90 graus.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 844 e 847 aprox.), diz que a maioria dos pacientes com perda de flexão precisa de transposição; na rigidez moderada prevê liberação e transposição do ulnar, e na grave (menos de 30 graus de arco total), dissecção e proteção de todos os nervos. Cerca de 10% têm disfunção ulnar depois da liberação, a maioria transitória (p. 859 aprox.).

Quando explorar ou transpor o ulnar (Campbell 15, cap. 15, p. 646, cap. 51, p. 2186, cap. 57, p. 2503 aprox.; Green 7, cap. 24, p. 844 a 849)
SituaçãoConduta
Sintomas ulnares préviosDescompressão; transposição se tenso ou subluxando
Flexão pré-operatória menor que 90 grausDescompressão por incisão medial
Arco pré-operatório menor que 100 graus; OH; neuropatiaRisco de neurite tardia; liberar ou transpor
OH posteromedial ou da queimaduraLiberar e transpor
Rigidez grave, arco menor que 30 grausDissecção e proteção de todos os nervos
Necessidade de transporPreferir over-the-top à artroscopia

O pós-operatório: CPM, talas e rotação

Cobrança confirmada · 2 questões

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2186), diz que o CPM após a liberação dá menos problemas de pele, recuperação mais rápida e movimento superior em 1 ano; na técnica de MORREY, 12 horas por dia por 1 semana, embora controverso (um estudo sem benefício). Depois, exercícios de hora em hora, tala entre as sessões, fisioterapia por 6 semanas, tala diurna até 6 semanas e noturna por mais 6. O ácido tranexâmico reduz dor e drenagem.

O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 853 e 857 a 858), usa CPM em toda liberação aberta sem fixador, mas como posicionamento passivo lento e intermitente: leva à extensão máxima e para 20 a 30 minutos, depois à flexão máxima e para de novo, para manter os extremos desde o início. Ciclar rápido não traz vantagem e pode aumentar o edema. Antes, 12 a 18 horas de repouso, gelo e elevação; dreno de sucção contra hematoma; dexametasona 8 mg IV de 8 em 8 horas por 48 horas contra o edema. A primeira tala vai na posição de maior desafio, em geral a extensão; o arco raramente melhora além do obtido na sala; mede-se e registra-se a flexoextensão e a supinação e pronação alcançadas; o implante só sai no fim. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), também usa CPM e talas estáticas progressivas. A lógica comum: o inimigo das primeiras semanas é o edema e o hematoma, que reenrijecem a cápsula; o CPM lento mantém o arco enquanto o edema regride.

E a rotação? O arco funcional inclui 50 de pronação e 50 de supinação (Campbell, cap. 51, p. 2184), e a OH que limita a pronossupinação é indicação de excisão (p. 2188). Os protocolos de liberação e de excisão não imobilizam a rotação. O único caso dos livros em que a rotação é bloqueada é a interposição: 90 graus de flexão por 10 a 14 dias para impedir a rotação (cap. 15, p. 651 aprox.).

Pós-operatório nos três livros (Campbell 15, cap. 51, p. 2186, cap. 15, p. 651 aprox.; Green 7, cap. 24, p. 853 a 858; Rockwood and Green 10, cap. 39)
ElementoCampbell 15Green 7Rockwood and Green 10
Tala imediataExtensão completaExtensão máximaEstática progressiva
CPM12 h/dia por 1 semana; controversoLento, intermitente, 20 a 30 min em cada extremoUsado
Edema e dorÁcido tranexâmicoDreno, gelo, dexametasonaNão detalhado
TalasDiurna 6 semanas, noturna mais 6Repouso, turnbuckle, come-along por 8 a 12 semanasEstática progressiva
PronossupinaçãoLivre; só a interposição imobiliza 10 a 14 diasMedir e registrar na mesaNão detalhado

Desbridamento, interposição e prótese

Fundamento

Artroplastia de desbridamento e OUTERBRIDGE-KASHIWAGI

Quando a rigidez vem da artrose primária (osteófitos no coronoide e no olécrano que se chocam nos extremos do arco), a cirurgia é um desbridamento: retirar osteófitos e corpos livres e recriar as fossas. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 645 e 646 aprox.), indica o desbridamento para jovens de alta demanda que não aceitariam as restrições de carga da prótese total e para artrose grave; pode ser artroscópico ou aberto. Numa revisão de 30 estudos e 887 cotovelos, o aberto ganhou 19 graus de flexão e 11 de extensão, e o artroscópico 10 de flexão e 11 de extensão, com poucas complicações. As vias são a coluna lateral (técnica 15.1) e a medial de WADA (técnica 15.2), que permite descomprimir o ulnar e retirar os osteófitos da borda medial do coronoide e do olécrano.

O procedimento de OUTERBRIDGE-KASHIWAGI é a trepanação transumeral: abre-se um orifício na fossa olecraniana, de trás para a frente, para retirar osteófitos e corpos livres do compartimento anterior sem precisar de uma via anterior. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., cita o procedimento duas vezes: no capítulo 24 (p. 849 aprox.), HOTCHKISS diz que não o usa mais para a artrose primária, preferindo a via over-the-top ou a artroscopia; no capítulo 26 (p. 894), lembra que a fossa olecraniana pode ser fenestrada por artroscopia, como no procedimento de OUTERBRIDGE-KASHIWAGI, o que cria um portal extra para ver o compartimento anterior.

Interposição

O Campbell (cap. 15, p. 647 a 651 aprox.) define a artroplastia de interposição como tratamento da artrose terminal em quem tem contraindicação a implante. A indicação principal é dor incapacitante no jovem ativo que quer evitar as restrições da prótese, quase sempre por artrose pós-traumática ou inflamatória. Exige partes moles o mais normais possível, musculatura do antebraço em bom estado, estoque ósseo e cápsula e ligamentos preservados; instabilidade não é boa indicação, porque a interposição não dá estabilidade; infecção prévia pede cautela. A técnica molda o úmero distal num côndilo convexo (em V invertido), aprofunda a incisura troclear, resseca a cabeça do rádio e cobre as superfícies com aloenxerto de tendão calcâneo (ou matriz dérmica acelular, ou fáscia lata); fecha-se com 90 graus de flexão, que são mantidos por 10 a 14 dias para impedir a rotação; depois, órtese articulada, exercícios e tala noturna até cerca de 12 semanas; o máximo de força e movimento vem em até 2 anos.

O prognóstico é reservado: só 29% de 45 pacientes bons ou excelentes aos 6 anos; complicações acumuladas de 38,4% (41,2% na pós-traumática e 11,7% na inflamatória) e reoperação de 23,5%; as complicações mais comuns, em ordem, são infecção, neuropatia e instabilidade; a inflamatória melhora mais. O Green (p. 847 e 856) concorda: no jovem com incongruência grave, a interposição é imprevisível, e HOTCHKISS raramente a faz após trauma.

Artroplastias no cotovelo rígido ou artrósico (Campbell 15, cap. 15, p. 645 a 651; Green 7, cap. 24, p. 847, 849 e 856, cap. 26, p. 894)
ProcedimentoIndicaçãoPonto-chave
Desbridamento aberto (coluna lateral ou medial de WADA)Artrose primária; jovem de alta demandaTC pré-operatória; ulnar se flexão menor que 90 graus
Desbridamento artroscópicoArtrose com flexão pouco limitada e ulnar móvelEvitar se o ulnar precisa ser transposto
OUTERBRIDGE-KASHIWAGIArtrose primáriaTrepanação transumeral pela fossa olecraniana; abandonado por HOTCHKISS; versão artroscópica (fenestração)
Interposição fascial ou aloenxertoJovem ativo com artrose terminal pós-traumática ou inflamatóriaSem instabilidade; 29% bons ou excelentes; complicações 38,4%
Prótese total semiconstritaSuperfície destruída no idoso ou baixa demandaPreferência do Campbell quando a cartilagem acabou
Ressecção da cabeça do rádioArtrose radiocapitelar isolada; bloqueio mecânico da pronossupinaçãoExige complexo ligamentar lateral íntegro

Artrodese do cotovelo

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 15, p. 662 e 663 aprox.), trata a artrodese como salvamento: é tecnicamente difícil pela anatomia e pelo longo braço de alavanca do membro, e a perda de movimento causa incapacidade importante para o autocuidado; prótese, interposição ou até ressecção costumam dar função melhor. As indicações (Box 15.4) são infecção (a tuberculose foi historicamente a principal), prótese que falhou, artrose pós-traumática, artrites sem condição de artroplastia e fraturas articulares muito cominutas, sobretudo em trabalhadores braçais e no trauma de guerra. Pode ser preciso ressecar a cabeça do rádio para preservar a pronossupinação.

A posição é a pergunta clássica. Para a artrodese unilateral, 90 a 100 graus de flexão dão a preensão mais forte, em coerência com a biomecânica (força máxima de flexão a 90 graus). Não existe posição ideal para todos: depende do trabalho, do autocuidado e do outro braço, e recomenda-se simular com gesso ou tala. A artrodese bilateral raramente é indicada; se for, um cotovelo fica em 110 a 120 graus (para alcançar a boca) e o outro em 45 a 65 graus (para a higiene). A fixação usa placa AO dobrada a 90 graus com compressão (ou técnicas históricas de STAPLES e da AO com fixador externo).

Posição da artrodese do cotovelo (Campbell 15, cap. 15, p. 663 aprox.)
SituaçãoPosiçãoFunção preservada
Unilateral90 a 100 graus de flexãoPreensão mais forte
Bilateral, um lado110 a 120 grausLevar a mão à boca
Bilateral, outro lado45 a 65 grausHigiene pessoal
Qualquer casoSimular antes com gesso ou talaAjustar ao trabalho e ao autocuidado

Rigidez após fratura do úmero distal

Cobrança confirmada · 1 questão

Liberação com implante

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 39), lembra que a maioria dos pacientes atinge arco funcional após a fixação do úmero distal, mas quase todos perdem algum movimento. A liberação típica inclui liberar o ulnar, cápsulectomia, desbridar as fossas olecraniana, coronoide e radial, retirar a OH sintomática e, por fim, os implantes. A ordem importa: o Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 853 e 854), manda liberar primeiro, manipular e só depois retirar as placas, porque retirar antes pode causar refratura na manipulação; o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2186), prefere liberar as aderências ao redor dos implantes e retirar em segundo tempo se necessário. Na pseudartrose com contratura, a contratura precisa ser liberada, senão o torque excessivo faz a nova fixação falhar; no idoso com pseudartrose ou necrose, prótese semiconstrita.

O "bag of bones"

O tratamento não operatório da fratura do úmero distal inclui gesso, tração olecraniana e o colar e punho, chamado por EVANS (1953) de "bag of bones", adequado ao idoso e não ao jovem (Rockwood and Green, cap. 39). No método de EASTWOOD, o cotovelo fica pendurado entre 90 e 120 graus para a redução por ligamentotaxia, e a flexão ativa começa com 2 semanas: a ideia é aceitar a imperfeição anatômica em troca de movimento precoce. RISEBOROUGH e RADIN viram arco melhor e menos dor com o não operatório do que com a fixação não rígida da época; BROWN e MORGAN obtiveram flexão de 128, extensão de 30 e arco médio de 100 graus; DESLOGES, em idosos, teve 68% de resultados bons ou excelentes, mas com extensão (22 contra 8 graus) e flexão (128 contra 142) piores que no lado sadio. Hoje o método foi abandonado no paciente ativo e, segundo o Campbell (cap. 62, p. 2794), só se considera no idoso de baixa demanda com comorbidades.

Resultados e complicações

Fundamento

O que esperar

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51, p. 2186), relata ganho médio de 40 a 50 graus com a liberação aberta, e o arco pode continuar melhorando por até 1 ano; nova liberação na recidiva resistente dá bons resultados. A excisão da OH ganha 50 a 70 graus. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 24, p. 858 e 859 aprox.), relata melhora significativa em mais de 90%: na contratura mínima (menos de 30 a 40 graus), sobra uma contratura residual de 5 a 10 graus sem perda de flexão; na moderada (arco de 50 a 105 com OH localizada), o final razoável é 20 a 130; com menos de 30 graus de arco, a meta é 25 a 130, com resultados variáveis.

Complicações

  • Rigidez recorrente precoce ("gelling"): em cerca de 25% dos casos de HOTCHKISS, geralmente perda da flexão; o sinal de alarme é não atingir 105 a 110 graus de flexão entre a 2ª e a 3ª semana, em geral por dor do tríceps distal; trata-se com manipulação fechada sob bloqueio (Green, p. 859 aprox.).
  • Nervo ulnar: cerca de 10% de disfunção após liberação, a maioria transitória (Green); neurite tardia em 11% (Campbell). Radial e interósseo posterior correm risco na via lateral.
  • OH recorrente: rara com a mobilização precoce; mais comum nas lesões do SNC (Campbell, p. 2189 aprox.).
  • Ferida e partes moles: queimados e contraturas antigas podem necrosar a pele sobre o olécrano ao ganhar flexão; prever a cobertura e fazer o retalho antes da liberação (gracilis livre ou antebraquial radial em ilha).
  • Infecção: do trajeto dos pinos do fixador (vermelhidão em cerca de 60%, antibiótico oral) e, mais grave, articular, sobretudo após distração com interposição em osso mal vascularizado.
Resultados esperados (Campbell 15, cap. 51, p. 2186 e 2189; Green 7, cap. 24, p. 858 e 859 aprox.)
SituaçãoResultadoFonte
Liberação abertaGanho médio de 40 a 50 graus; melhora até 1 anoCampbell
Excisão da OHGanho de 50 a 70 graus; anquilose ganha mais; recidiva maior no SNCCampbell
Contratura mínimaContratura residual de 5 a 10 grausGreen
Moderada (50 a 105 com OH)Arco final de 20 a 130Green
Arco menor que 30 grausMeta de 25 a 130, variávelGreen
Gelling25%; manipulação se flexão menor que 105 a 110 na 2ª a 3ª semanaGreen

Fechamento

Fundamento

O cotovelo rígido se resolve com três perguntas. Quanto falta para o arco funcional (30 a 130 graus, com 50 de pronação e 50 de supinação)? Se o arco está abaixo de 100 graus depois de fisioterapia e talas estáticas progressivas, a cirurgia entra. O que está segurando? Cápsula, colaterais, consolidação viciosa extra-articular e OH são extrínsecos; cartilagem, incongruência e aderências são intrínsecos; com a superfície boa, libera-se; com ela destruída, interposição no jovem, prótese no idoso e artrodese como salvamento. Por onde entrar? Artroscopia no caso simples; coluna lateral na maioria; medial over-the-top quando o ulnar precisa ser visto e transposto.

A ossificação heterotópica tem endereço conforme a causa (pós-traumática posterolateral, queimadura posteromedial com o ulnar envolto, neurogênica dentro do músculo num plano só), classifica-se pela função (HASTINGS e GRAHAM) e se retira quando limita o arco, cedo pelo Campbell (3 a 6 meses, com fraturas consolidadas, feridas fechadas e sem inflamação) e após a maturação pelo Rockwood and Green. A profilaxia com indometacina ou radiação é controversa nos três livros.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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