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Imagem do ombro e cotovelo

Ombro e cotoveloResumo do capítulo37 min de leitura

Série do ombro (AP, GRASHEY a 30 graus, Y a 60 graus, axilar; VELPEAU sem abdução; luxação posterior perdida em 73% sem axilar ou Y); STRYKER (10 graus cefálico) para HILL-SACHS e coracoide; WEST POINT (prono, 25 e 25 graus) para o BANKART ósseo; GARTH 45 graus caudal; ZANCA e axilar (tipo IV) na acromioclavicular; HEINIG e TC na esternoclavicular; sourcil, intervalo < 7 e < 5 mm, HAMADA, barba de bode e subluxação posterior; TC para osteopenia e perda óssea; RM axial para o lábio anterior, coronal oblíquo para o manguito; ELLMAN; coxins, linhas do cotovelo e FABS.

Atualizado em 03/11/2026 · 37 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 3 · Advanced Imaging in Orthopaedics, com os capítulos 13 · Shoulder Arthroplasty, 51 · Shoulder and Elbow Injuries, 52 · Recurrent Dislocations, 53 · Traumatic Disorders, 57 · Arthroscopy of the Upper Extremity e 65 · Acute Dislocations, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), e o Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª edição. Autores do capítulo: Dexter H. Witte III (capítulo 3).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de ombro e cotovelo do Campbell, capítulo 3, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo reúne o que os livros dizem sobre como se fotografa o ombro e o cotovelo. O fio condutor é o capítulo 3 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Advanced Imaging in Orthopaedics, de Dexter H. WITTE III), que trata da ressonância e da tomografia; as incidências radiográficas vêm dos capítulos clínicos do mesmo livro (51, 52, 57 e 65) e, com mais detalhe técnico, do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., que descreve cada incidência dentro do capítulo da lesão que ela serve.

A prova cobra imagem de três jeitos. O primeiro é o nome da incidência para a lesão: STRYKER para HILL-SACHS e coracoide, WEST POINT para o BANKART ósseo, ZANCA para a acromioclavicular, HEINIG e serendipity para a esternoclavicular, VELPEAU para quem não abduz. O segundo é a técnica: graus de inclinação, decúbito, onde fica o chassi. O terceiro é a leitura de uma figura.

O segredo para não decorar às cegas é pensar em geometria. A glenoide não está no plano frontal do corpo: a escápula repousa no tórax, inclinada para a frente. Toda incidência "verdadeira" do ombro (o AP de GRASHEY, o perfil em Y) existe para alinhar o feixe com a escápula, e toda incidência especial (STRYKER, WEST POINT, apical oblíqua) existe para pôr de perfil, tangente ao feixe, o pedaço de osso que a lesão costuma quebrar. Quem entende o que a incidência quer tangenciar acerta o nome e o ângulo.

A série padrão do ombro

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que dois planos e por que "verdadeiro"

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 51), abre a investigação de qualquer ombro doloroso com radiografias simples em dois planos, de preferência perpendiculares entre si. No ombro, a cabeça pode estar fora da glenoide e parecer quase normal num AP comum.

O problema do AP comum é que ele é feito perpendicular ao plano coronal do paciente, e a escápula não está nesse plano. O AP de GRASHEY corrige isso. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 36), descreve a técnica: o tronco é rodado 30 graus, trazendo para a frente o lado oposto ao ombro lesado, e o feixe passa a ser perpendicular ao plano da escápula. A glenoide aparece de perfil, sem sobreposição com a cabeça. É por isso que ele se chama AP verdadeiro da glenoumeral, e é por isso que é a incidência do diagnóstico inicial da artrose: só com a interlinha aberta dá para ver o espaço articular.

O perfil da escápula em Y (o perfil de NEER) é a incidência perpendicular ao GRASHEY. O paciente fica de frente para o chassi, com a fonte atrás; o ombro lesado encosta no chassi e o tronco é rodado 60 graus, levando o lado oposto em direção à fonte. A escápula aparece como um Y: os braços de cima são o acrômio (atrás) e o coracoide (na frente), e a haste é o corpo da escápula; a glenoide fica no cruzamento.

O axilar é o perfil "de cima para baixo". No Rockwood (cap. 36) ele é feito com o paciente em supino, o braço em rotação neutra e abduzido o quanto der, o feixe entrando pela axila e o chassi sobre o ombro; idealmente aparecem a glenoide e o coracoide. No capítulo da instabilidade (cap. 35), o desenho mostra a placa atrás do ombro e o feixe dirigido a 45 graus para a axila. O membro, portanto, é abduzido, nunca aduzido.

O que cada livro pede

O Campbell (cap. 51) faz rotineiramente uma série de quatro incidências: AP em rotação neutra, GRASHEY, outlet e axilar. A Tabela 51.3 do livro resume o que cada uma mostra, e ela vale como roteiro de leitura.

Incidências do ombro e o que cada uma avalia (Campbell 15, cap. 51, Tabela 51.3)
IncidênciaO que avalia
AP em rotação interna e externaacromioclavicular, lesão de HILL-SACHS, tubérculo maior, fise proximal no imaturo
GRASHEY (AP verdadeiro da glenoumeral)cartilagem da glenoide e da cabeça, diagnóstico inicial da artrose
axilarbordo da glenoide, acrômio, coracoide, úmero proximal
perfil da escápula em Y (perfil verdadeiro)acrômio, coracoide, luxações anterior e posterior, fraturas, escápula
outlet (perfil com o tubo angulado 10 graus)patologia acromial e subacromial, doença do manguito
STRYKER notchlesão de HILL-SACHS
WEST POINTlesão de BANKART

O mesmo capítulo avisa que os autores não pedem de rotina WEST POINT nem STRYKER: quando há dúvida, a RM ou a TC mostram melhor a lesão específica. No trauma, o Rockwood (cap. 36) exige que toda fratura do úmero proximal seja estudada com uma série de trauma de quatro incidências: AP do ombro, AP da escápula (GRASHEY), perfil em Y (NEER) e axilar. Radiografias subótimas são das principais causas de luxação associada despercebida. O Campbell (cap. 62) pede o AP no plano da escápula, o Y e o axilar em supino.

Técnica das incidências básicas (Rockwood 10, caps. 35 e 36)
IncidênciaPosição e feixePara que serve
AP do ombroperpendicular ao plano coronal do pacientevisão geral, mas sobrepõe cabeça e glenoide
GRASHEYtronco rodado 30 graus (lado oposto à frente), feixe perpendicular à escápula, centrado na interlinhaglenoide de perfil, espaço articular
perfil em Y (NEER)de frente para o chassi, fonte posterior, tronco rodado 60 grausperpendicular ao GRASHEY; luxação, corpo da escápula
axilarsupino, braço abduzido e em rotação neutra, feixe da axila para o chassi sobre o ombrorelação cabeça-glenoide, BANKART ósseo, tubérculos
VELPEAUsentado, de tipoia, inclinado para trás; feixe de cima para baixo (cerca de 60 graus no cap. 35)axilar de quem não abduz
axilar de CODMANinclinado para frente como no pendular; braço afasta por gravidadefratura aguda do úmero proximal, bem tolerado

O perfil em Y, o axilar e a direção da luxação

Cobrança confirmada · 2 questões

A pergunta que o AP não responde

O AP mostra que o ombro está doente, mas não diz com segurança para onde a cabeça foi. Essa resposta exige uma projeção ortogonal: o axilar ou o perfil em Y. O Rockwood (cap. 35) é categórico: se o paciente consegue abduzir, o axilar deve ser obtido, porque, centrado na cabeça e na glenoide, ele dá uma visão inequívoca do alinhamento anteroposterior; a suspeita de subluxação ou luxação anterior ou posterior e o BANKART ósseo são mais bem avaliados no axilar. Se o paciente não consegue abduzir pela dor aguda, o perfil em Y deve ser obtido para avaliar a relação entre cabeça e glenoide, ou então o VELPEAU.

O número que justifica a regra é o da luxação posterior. O Rockwood cita a revisão de XU: em 150 luxações posteriores, o diagnóstico inicial foi perdido em 73% por falta de axilar, de Y ou de TC; 98% desses pacientes tinham só AP ou "perfil" do ombro, e quando o axilar ou o Y foram feitos o diagnóstico foi confirmado em 100%. O Campbell (cap. 66) lembra que o paciente chega com o membro aduzido e em rotação interna, depois de convulsão, choque elétrico ou trauma violento.

Como ler o Y

No Y, a glenoide está no cruzamento dos três braços. Os livros não escrevem uma frase com "a cabeça é central", mas descrevem o que interessa: o Y é o perfil verdadeiro da escápula e mostra as luxações anterior e posterior (Campbell, Tabela 51.3); o Rockwood (cap. 35) o usa para avaliar a relação entre a cabeça e a glenoide. Raciocinando com a anatomia: o braço anterior do Y é o coracoide, e a cabeça luxada anteriormente vai para baixo dele; o braço posterior é o acrômio, e a luxação posterior desloca a cabeça para trás, sob a espinha. No ombro normal, a cabeça se superpõe ao centro do Y, onde está a glenoide.

O Rockwood traz a comparação de SILFVERSKIOLD: em 75 suspeitas de luxação, axilar e Y deram o mesmo diagnóstico em 92%, mas 81% dos pacientes preferiram o Y, que dói menos e é mais fácil para o técnico.

O VELPEAU e as variações do axilar

O VELPEAU é o axilar de quem não tira o braço do corpo. O Campbell (cap. 52) o recomenda quando o paciente não tolera o axilar. O Rockwood descreve a técnica: paciente sentado, de tipoia, com a placa atrás e abaixo do ombro; ele se inclina para trás e o feixe desce sobre a placa, a cerca de 60 graus no desenho do capítulo da instabilidade. O axilar de CODMAN, preferido no capítulo 36 na fratura aguda, usa a posição do pendular: a gravidade afasta o braço e o feixe entra pela axila.

O ponto que a banca explora é simples: em luxação aguda, sem conseguir mexer o ombro, a direção é dada pelo VELPEAU (ou pelo Y). O STRYKER exige o braço elevado acima da cabeça, a apical oblíqua mostra a borda e a cabeça mas não é a escolha do livro para esse fim, e o "AP verdadeiro" continua sendo um plano frontal.

As incidências especiais da instabilidade

Cobrança confirmada · 3 questões

STRYKER: o defeito posterior da cabeça

A lesão de HILL-SACHS é, no Rockwood (cap. 35), uma fratura por impacção da parte posterior da cabeça contra a borda mais firme da glenoide, na luxação anterior. Ela fica na face posterolateral e superior da cabeça, e por isso se esconde no AP em rotação neutra. Duas manobras a expõem. A primeira é o AP em rotação interna, que gira a face posterior para o perfil; o Campbell (cap. 52) diz que ele frequentemente mostra o HILL-SACHS que as incidências de rotina não mostram. A segunda é o STRYKER notch.

A técnica do STRYKER é muito cobrada. No Campbell (cap. 52), o paciente fica em supino, com o cotovelo elevado acima da cabeça, e o feixe é dirigido 10 graus cefálico. O Rockwood (cap. 35) detalha: em pé ou em supino, o braço é estendido na vertical com a mão atrás da cabeça, o úmero paralelo à mesa; de pé, o cotovelo aponta para a frente do rosto; deitado, aponta para o teto; o feixe é angulado cerca de 10 graus cefálico. Com essa posição, a face posterolateral da cabeça fica tangente ao feixe e o "entalhe" aparece de perfil.

WEST POINT: a borda anteroinferior da glenoide

O outro lado da luxação anterior é a glenoide. O lábio e a borda anteroinferior são arrancados (o BANKART) e, às vezes, levam osso (o BANKART ósseo). O WEST POINT foi desenhado para tangenciar exatamente essa borda. É um axilar modificado em prono. No Campbell (cap. 52): o paciente fica em decúbito ventral, com um travesseiro sob o ombro, o ombro abduzido 90 graus, o cotovelo fletido e o braço pendente para fora da mesa; o chassi fica acima do ombro, perpendicular à mesa; o feixe é dirigido 25 graus medial e 25 graus cefálico. O Rockwood (cap. 35) acrescenta que a cabeça do paciente é virada para o lado oposto ao chassi, o feixe é centrado na axila, 25 graus para baixo da horizontal e 25 graus medial, e que o feixe fica tangente à borda anteroinferior da glenoide, o que permite excelente visualização do BANKART ósseo. O Campbell resume a indicação: calcificação ou pequenas fraturas da borda anteroinferior da glenoide. O Campbell também o chama de incidência de ROKOUS.

Para uma questão que pergunta qual incidência "melhor identifica o lábio anteroinferior", o raciocínio é este: a radiografia não vê o lábio de partes moles, mas vê a borda óssea anteroinferior onde ele se insere, e é ali que aparecem a fratura e a calcificação da lesão crônica. A incidência dedicada é o WEST POINT.

Apical oblíqua de GARTH

A apical oblíqua é a terceira especial. O Campbell (cap. 52) descreve a técnica de GARTH: paciente sentado, com o ombro lesado encostado no chassi vertical; o tórax é rodado 45 graus para uma posição oblíqua; o feixe é dirigido 45 graus caudal, passando longitudinalmente pela escápula, que repousa a 45 graus no tórax; o membro fica aduzido. A origem do coracoide, a meio caminho entre as bordas anterior e posterior da glenoide, ajuda a orientar a leitura. O livro diz que essa incidência frequentemente mostra defeitos posteriores da cabeça que não aparecem nas radiografias de rotina. A vantagem prática sobre o STRYKER e o WEST POINT é dispensar a abdução e a elevação.

BERNAGEAU e as outras

O Rockwood (cap. 35) cita o perfil de BERNAGEAU, de origem francesa: braço fletido, feixe alinhado com a espinha da escápula e inclinado 30 a 40 graus para baixo, em linha com a glenoide. Ele dá um perfil da glenoide com a borda anterior perfeitamente visível, permite comparar a distância entre as bordas anterior e posterior com o lado oposto e tem acurácia e reprodutibilidade semelhantes às da TC para medir a erosão glenoidal, com custo menor.

Incidências especiais da instabilidade (Campbell 15, cap. 52; Rockwood 10, cap. 35)
IncidênciaPosiçãoFeixeLesão-alvo
AP em rotação internaAP com o braço rodado para dentroperpendicularHILL-SACHS escondido
STRYKER notchsupino (ou em pé), mão atrás da cabeça, cotovelo para o teto10 graus cefálicoHILL-SACHS (e base do coracoide)
WEST POINT (ROKOUS)prono, ombro abduzido 90 graus, braço pendente, chassi acima do ombro25 graus medial e 25 graus cefálicoborda anteroinferior, BANKART ósseo
apical oblíqua (GARTH)sentado, tórax rodado 45 graus, braço aduzido45 graus caudaldefeito posterior da cabeça e borda da glenoide
BERNAGEAUbraço fletido, feixe ao longo da espinha da escápula30 a 40 graus para baixoperfil da glenoide, perda óssea anterior

O Campbell (cap. 52) organiza a sequência: a radiografia inicial da instabilidade é AP e axilar (ou VELPEAU, se o axilar não é tolerado); se ela for inconclusiva, entram as incidências especiais no consultório, a RM com gadolínio ou a artro-TC. O exame físico também sugere quando procurar osso: apreensão em menos de 90 graus de abdução e instabilidade inferior evidente sugerem deformidade óssea da glenoide ou do úmero.

Coracoide, acromioclavicular e a incidência de ZANCA

Cobrança confirmada · 3 questões

Radiografar a acromioclavicular não é radiografar o ombro

O Rockwood (cap. 32) começa com uma regra de técnica: uma boa radiografia da acromioclavicular usa um terço a metade da penetração necessária para a glenoumeral. Com a técnica de ombro, a articulação sai escura. Por isso o pedido ao técnico deve ser de radiografia da "acromioclavicular", e não do "ombro".

No AP comum, a clavícula distal e o acrômio ficam sobrepostos à espinha da escápula. ZANCA percebeu isso revisando 1.000 radiografias de ombros dolorosos e propôs a inclinação cefálica de 10 a 15 graus, que projeta a articulação livre de sobreposição. A inclinação também padroniza a distância coracoclavicular, que aumenta artificialmente num AP puro pela paralaxe. A incidência de ZANCA é hoje a rotina das lesões acromioclaviculares; a Tabela 32-1 do Rockwood a descreve com 50% da penetração do AP e comparação com o lado oposto, de preferência com as duas articulações no mesmo filme, medindo a distância coracoclavicular e a porcentagem de desvio da clavícula sobre o acrômio. O Campbell (cap. 65) a usa no intraoperatório: a redução da reconstrução coracoclavicular é confirmada com o ZANCA no intensificador.

O axilar e o tipo IV

Um plano não basta para classificar a lesão acromioclavicular. O Rockwood (cap. 32) exige o axilar sempre que se suspeita de luxação, com o chassi sobre o ombro e medial o bastante para mostrar o terço lateral da clavícula. É ele que revela o desvio posterior da clavícula e pequenas fraturas do coracoide que o AP não mostra; a figura do capítulo que ilustra o axilar é justamente a de um tipo IV, com a clavícula deslocada para trás.

Isso conversa com a classificação de ROCKWOOD que o Campbell (cap. 65) reproduz: no tipo IV, os mesmos ligamentos do tipo III estão rotos e a clavícula distal é deslocada posteriormente, para dentro ou através do trapézio. Um desvio posterior é um desvio no plano horizontal, e o plano horizontal é o do axilar. O ZANCA, que é uma variação do AP, mostra bem a elevação (tipos III e V), mas pode subestimar o tipo IV. No exame físico, o Rockwood lembra que no tipo IV, visto de cima, o contorno da clavícula está posterior e às vezes faz tenda na pele posterior, e a articulação não reduz com a manobra do encolher de ombros.

STRYKER para o coracoide

A variante que o Rockwood (cap. 32) ensina a procurar é a luxação acromioclavicular com fratura do coracoide: os ligamentos coracoclaviculares ficam íntegros, presos ao fragmento, que quase sempre quebra na base. A pista no AP é paradoxal: há luxação acromioclavicular evidente, mas a distância coracoclavicular é normal, igual à do lado oposto. Diante disso, o livro diz que o STRYKER notch, bem feito, põe o coracoide de perfil e é a melhor incidência para avaliar essa lesão. A técnica é a mesma: supino, braço elevado acima da cabeça com a palma atrás da cabeça, úmero paralelo ao eixo longitudinal do corpo e cotovelo apontando para o teto. Num mesmo paciente, o livro mostra que o axilar e o WEST POINT revelam a fratura da ponta, e o STRYKER, a da base.

O capítulo da escápula (Rockwood, cap. 33) completa: o axilar e outras incidências ajudam nas fraturas do coracoide, da glenoide e do acrômio, mas não substituem a TC, cujos cortes transversos revelam fraturas sem desvio dos processos coracoide e acromial; a reconstrução coronal mostra a extensão da fratura da base do coracoide para a glenoide.

Note-se a aparente contradição: o Campbell (Tabela 51.3) associa o STRYKER ao HILL-SACHS; o Rockwood (cap. 32), ao coracoide. Não há conflito. Com o braço elevado e o feixe cefálico, o STRYKER tangencia a face posterolateral da cabeça e projeta a base do coracoide sem sobreposição. As duas respostas são verdadeiras; a questão define qual estrutura ela quer.

Incidências da acromioclavicular e do coracoide (Rockwood 10, cap. 32; Campbell 15, cap. 65)
IncidênciaTécnicaO que mostra
ZANCAAP com 10 a 15 graus cefálico e metade da penetraçãoarticulação livre da espinha; distância coracoclavicular padronizada; fraturas pequenas e corpos livres
axilarchassi sobre o ombro, medialdesvio posterior (tipo IV), fratura do coracoide (ponta)
STRYKER notchsupino, palma atrás da cabeça, cotovelo para o tetocoracoide de perfil, fratura da base
BASMANIAAP com o braço aduzido cruzadoestresse horizontal
estresse com pesoAP com carga nos punhosnão recomendado: dói e não muda a conduta

Esternoclavicular: HEINIG, HOBBS, serendipity e a TC

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que a esternoclavicular é difícil

A articulação esternoclavicular fica no meio do tórax, sobreposta à coluna, às costelas e ao mediastino. O Rockwood (cap. 32) lembra que o perfil do tórax, apesar de ortogonal ao AP, não pode ser interpretado, porque a densidade do tórax e a sobreposição das clavículas mediais com a primeira costela e o esterno apagam a articulação. No AP de tórax sem rotação, McCULLOCH observou que uma diferença de altura entre as extremidades mediais das clavículas maior que 50% da largura das cabeças sugere luxação.

As três incidências

Incidências da esternoclavicular (Rockwood 10, cap. 32)
IncidênciaPosição do pacienteFeixe e chassiLeitura
HEINIGsupinotubo a cerca de 30 polegadas, raio central tangente à articulação e paralelo à clavícula oposta; chassi contra o ombro oposto, centrado no manúbriorelação entre a extremidade medial da clavícula e o manúbrio
HOBBSsentado, inclinado sobre a mesa, nuca quase paralela à mesa, cotovelos apoiando a cabeçachassi na mesa sob o gradil anterior; fonte acima da nuca, feixe atravessando a coluna cervicalprojeção das duas articulações de cima
serendipitysupino, no centro da mesatubo 40 graus da vertical, centrado no manúbrio; 114,3 cm (45 polegadas) na criança, 152,4 cm (60 polegadas) no adultonormal: clavículas na mesma linha; anterior: acima; posterior: abaixo

O jeito de reconhecer o HEINIG num desenho é o feixe horizontal, lateral, que atravessa o tórax de um lado para o outro rente à articulação esternoclavicular, com o chassi encostado no ombro do lado oposto e o paciente deitado de costas. No HOBBS, o paciente está debruçado e o feixe vem de cima da nuca. No serendipity, o paciente está deitado e o tubo vem de cima, inclinado 40 graus para a cabeça. O GARTH, que aparece como distrator, é a apical oblíqua do ombro.

O Rockwood interpreta o serendipity assim: no normal, as duas clavículas ficam sobre a mesma linha horizontal; na luxação anterior, a metade medial da clavícula lesada projeta-se acima da linha da clavícula normal; na posterior, abaixo. É a mais usada como primeira imagem; HEINIG e HOBBS raramente são pedidas quando há TC, mas servem no ambulatório para confirmar a suspeita antes da tomografia.

A TC é o padrão-ouro

O Rockwood não deixa dúvida: seja qual for a impressão clínica de luxação anterior ou posterior, a TC é a modalidade de escolha e deve ser obtida; ela é o padrão-ouro. Distingue a luxação da fratura da clavícula medial, define subluxações mínimas e tem sensibilidade e especificidade superiores às da radiografia. Deve incluir os dois lados, com o paciente em supino e posição neutra, porque a anatomia é variável: TUSCANO encontrou assimetria importante em mais de 10% de indivíduos normais.

Radiografia do manguito e da artrose

Cobrança confirmada · 2 questões

O outlet e o acrômio

O outlet é um perfil da escápula com o tubo angulado 10 graus (Campbell, Tabela 51.3) e serve para a patologia acromial e subacromial. Nele o acrômio aparece plano, curvo ou em gancho. O Campbell (cap. 51) é cuidadoso: há associação entre o acrômio em gancho e a doença do manguito, mas não causalidade demonstrada, e pequenas variações na técnica alteram a forma aparente do acrômio. A utilidade é cirúrgica: planejar a acromioplastia e conferir a ressecção comparando as radiografias antes e depois.

Os sinais do manguito crônico

Na radiografia simples, o Campbell (cap. 51) lista os achados que sugerem doença crônica do manguito: exostoses, cistos ou esclerose do tubérculo maior e esclerose subacromial, que o livro chama de sinal do sourcil (a "sobrancelha" desenhada sob o acrômio). Calcificação no manguito indica tendinite calcária. O dado numérico mais cobrado é o intervalo acromioumeral: a migração superior da cabeça com intervalo menor que 7 mm sugere ruptura do manguito; menor que 5 mm, ruptura maciça. O mecanismo é intuitivo: sem o supraespinal e o infraespinal deprimindo a cabeça, o deltoide a puxa para cima até ela encostar no acrômio.

A evolução desse processo está na classificação de HAMADA, modificação da de WALCH, reproduzida pelo Campbell (Tabela 51.4).

Classificação radiográfica de HAMADA das rupturas maciças (Campbell 15, cap. 51, Tabela 51.4)
GrauAchado
1intervalo acromioumeral maior que 6 mm
2intervalo até 5 mm
3intervalo até 5 mm com concavidade da face inferior do acrômio (escavação ou esporão ao longo do ligamento coracoacromial), a acetabularização
4grau 3 com estreitamento da glenoumeral
5colapso da cabeça (artropatia do manguito)

O capítulo 13 do Campbell descreve a artropatia do manguito com três palavras: elevação da cabeça, formação de uma pseudoarticulação acromioumeral e perda do espaço glenoumeral; a instabilidade resultante manifesta-se como migração proximal do úmero.

A artrose primária: barba de bode e subluxação posterior

A artrose primária tem outro retrato. O Campbell (cap. 13) pede AP com a oblíqua posterior de 40 graus em rotação neutra, interna e externa, mais o axilar. Os achados confiáveis são a esclerose subcondral e um grande osteófito na face inferior da cabeça, a "barba de bode" (goat's beard), descrita como patognomônica da degeneração glenoumeral avançada; o osteófito pode dobrar o tamanho da cabeça e distender a cápsula. O estreitamento do espaço, tão confiável no quadril e no joelho, só aparece tarde no ombro, porque a radiografia padrão é feita sem carga. No axilar, o padrão típico é a subluxação posterior da cabeça sobre a glenoide, com desgaste posterior da glenoide, progressivo em mais da metade dos pacientes.

A artrite inflamatória é o contraponto: não tem osteófito inferior, o estreitamento é simétrico, há osteopenia periarticular e cistos, o desgaste é mais central e a subluxação posterior é menos comum. A artropatia da capsulorrafia se parece com a artrose, mas com mais corpos livres e osteófitos.

Três padrões radiográficos do ombro degenerado (Campbell 15, caps. 13 e 51)
PadrãoCabeçaGlenoide e espaçoSinais próprios
artrose primáriasubluxação posterior no axilardesgaste posterior (WALCH B), espaço só reduz tardeosteófito inferior (barba de bode), esclerose subcondral
artrite inflamatóriasubluxação posterior menos comumdesgaste central, estreitamento simétricoosteopenia periarticular, cistos, sem osteófito inferior
artropatia do manguitomigração superiorperda do espaço glenoumeralintervalo acromioumeral < 5 mm, acetabularização, pseudoarticulação acromioumeral, colapso (HAMADA 5)

A classificação de WALCH, no Campbell (Tabela 13.3), descreve a glenoide: A central, B posterior e C retroversão maior que 25 graus. A modificação de BERCIK acrescenta o A2, o B3 (monocôncava, desgaste posterior, 15 graus de retroversão, 70% de subluxação da cabeça) e o D (anteversão, ou subluxação anterior com menos de 40%). O livro explica por que o tipo B é comum: a articulação tende a subluxar para trás na artrose, e os desgastes excêntricos B2 e B3 dobram a taxa de afrouxamento do componente glenoidal. A análise da glenoide para o planejamento é feita na TC.

Tomografia: fratura, osteopenia e perda óssea

Cobrança confirmada · 1 questão

TC no úmero proximal

O Rockwood (cap. 36) considera a TC extremamente útil para compreender o padrão da fratura do úmero proximal. Além do traço, ela dá uma compreensão mais detalhada do grau de osteopenia, da presença e local da impacção óssea e da cominuição. Cada plano tem uma função. O axial mede com precisão o desvio dos tubérculos menor e maior no plano transverso e confirma a relação entre a cabeça e a glenoide. A reconstrução coronal mostra o alinhamento da cabeça, a cominuição no calcar, a integridade da dobradiça inferomedial e a extensão metafisária. A sagital mostra a deformidade em flexão ou extensão e, com janela de partes moles, a atrofia gordurosa do manguito, útil quando se suspeita de doença prévia.

TC na escápula

No Rockwood (cap. 33), a TC mudou fundamentalmente o diagnóstico das fraturas da escápula e tornou-se o exame padrão, indicado sempre que a radiografia não revela o padrão, o comprometimento articular ou o desvio. A radiografia inicial é o AP de toda a cintura escapular combinado com as duas incidências de NEER: NEER I, o AP verdadeiro da escápula, que mostra o espaço glenoumeral e permite medir o ângulo glenopolar; e NEER II, o perfil em Y, que mostra translação, angulação e sobreposição do corpo. Na 3D, a vista lateral da glenoide exige subtrair a cabeça do úmero.

TC na instabilidade

Para a instabilidade, o Campbell (cap. 52) diz que a TC, sobretudo a 3D, é o exame mais sensível para detectar e medir a deficiência óssea e a retroversão da glenoide ou do úmero. Indicações: borda glenoidal romba ou defeito ósseo na radiografia, recidiva com trauma trivial, instabilidade em arcos baixos e cirurgias falhas. O Rockwood (cap. 35) concorda e acrescenta a 3D com a cabeça subtraída. Para o HILL-SACHS, a TC 3D tem acurácia semelhante à da artroscopia, com uma exceção: o defeito puramente cartilaginoso é difícil de ver.

A medida da perda glenoidal mais usada é o método do círculo: no corte sagital da glenoide (TC 2D, 3D ou RM), o contorno inferior normal da glenoide é aproximado por um círculo, e a perda é a área ou a largura que falta. SUGAYA propôs a vista en face na TC 3D, com a perda expressa como porcentagem do diâmetro do círculo. GYFTOPOULOS mostrou que o mesmo método na RM difere apenas 1,3% da TC 3D. OWENS propôs prever a largura normal da glenoide pela altura: um terço da altura mais 15 mm no homem e mais 13 mm na mulher.

Por que medir? BURKHART relatou recidiva de 67% após BANKART artroscópico com perda maior que 25%, contra 4% sem perda importante; estudos biomecânicos mostraram instabilidade com defeitos maiores que 21% do comprimento. As lesões bipolares (HILL-SACHS e BANKART ósseo juntos) ocorrem em 33% da instabilidade primária e 62% da recorrente, segundo NAKAGAWA, com falha de 29%.

O glenoid track (Campbell 15, cap. 57; DI GIACOMO, ITOI e BURKHART)
PassoMedida
1D = diâmetro da glenoide inferior (artroscopia, TC 3D ou RM 3D)
2d = largura da perda óssea anterior
3glenoid track (GT) = 0,83 × D menos d
4intervalo de HILL-SACHS (HSI) = largura do HILL-SACHS + ponte óssea até a inserção do manguito
5HSI maior que GT = fora do trilho (engata); HSI menor que GT = no trilho
condutaglenoide > 25% (cerca de 6 mm): BANKART-BRISTOW-LATARJET; < 25% fora do trilho: BANKART + remplissage

Ressonância do ombro: planos, sinais e o manguito

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Os três planos e o que cada um mostra

O capítulo 3 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., dá a lógica da RM do ombro. As indicações maiores são ruptura do manguito, impacto e instabilidade. A anatomia complexa exige planos oblíquos e bobina de superfície. O exame típico tem:

Os planos da RM do ombro (Campbell 15, caps. 3 e 51)
PlanoComo é orientadoO que mostra melhor
axialtransversal, spin-echo ou gradientelábio (sobretudo o anterior), bíceps no sulco, subescapular, infraespinal
coronal oblíquoparalelo ao tendão do supraespinalmanguito (supraespinal, retração), lábio superior e SLAP
sagital oblíquoperpendicular ao coronal oblíquoconfirma a lesão do manguito, extensão anteroposterior da ruptura, músculos em corte transversal (atrofia, GOUTALLIER, sinal da tangente)

Na imagem da questão do TARO 2025, o corte é um coronal oblíquo ponderado em T1: vê-se a cabeça do úmero, o acrômio e a clavícula em cima e a glenoide à direita. A seta aponta o triângulo escuro na borda superior da glenoide, entre a cabeça e a glenoide. Esse é o lábio glenoidal superior: fibrocartilagem, com sinal baixo em todas as sequências, como os tendões. O Campbell (cap. 3) diz que as lesões do lábio superior (SLAP) são bem vistas no coronal, enquanto as anteriores são mais bem vistas no axial.

O manguito na RM

O capítulo 3 é o mais didático sobre a leitura do manguito. A sequência ideal é o coronal oblíquo spin-echo ponderado em T2, com o úmero em rotação neutra a externa. Os tendões normais do supraespinal, infraespinal e redondo menor mantêm sinal baixo em todas as sequências. A ruptura aparece como sinal alto em T2, que corresponde a líquido dentro do tendão. Se o líquido atravessa toda a espessura, a ruptura é completa; se sobram fibras íntegras na face articular, na bursal ou em ambas, é parcial. Nas rupturas grandes e crônicas, o manguito pode estar tão atrofiado que não se identifica, o líquido comunica a articulação com a bursa e a cabeça migra para cima. Retração e atrofia indicam mau resultado cirúrgico.

Três regras de leitura evitam excesso de diagnóstico. Tendinose é o sinal anormal que não atinge a intensidade do líquido em T2. Como T1 e gradiente têm artefatos dentro dos tendões, não se diagnostica ruptura sem foco de sinal de líquido em T2 ou ausência do tendão. E no manguito operado, focos irregulares de T2 aparecem normalmente no tendão em cicatrização (tecido de granulação); só o defeito grande, cheio de líquido, com retração, indica falha, e a artro-RM ajuda nessa situação. A RM tem sensibilidade maior que 90% para ruptura completa e maior que 85% para parcial; a supressão de gordura em T2 melhora a detecção das parciais. No impacto, que é diagnóstico clínico, a RM pode mostrar esporões, acrômio em gancho e tendinose.

O Campbell (cap. 51) acrescenta a leitura cirúrgica. A RM é hoje o exame mais usado para o manguito e mostra o tamanho da ruptura e o estado dos músculos. A infiltração gordurosa é graduada por GOUTALLIER (0 a 4), e os autores não reparam tendões com grau 4 (mais gordura que músculo no sagital T1); no grau 3 o risco de nova ruptura é maior. O sinal da tangente completa: se o ventre do supraespinal não ultrapassa a linha entre o topo do coracoide e o da espinha da escápula, no corte sagital mais lateral em que ambos tocam o corpo, a chance de cicatrização após o reparo é baixa. A RM sem contraste também tem alta acurácia na capsulite adesiva, sobretudo pelo hipersinal do recesso axilar. Desvantagem: muitos falsos-positivos, sempre a correlacionar com a clínica.

A lesão parcial e a classificação de ELLMAN

ELLMAN classificou as rupturas parciais pelo local e pela profundidade, observados na artroscopia. O Campbell (cap. 57) a reproduz: a ruptura é articular (A), bursal (B) ou intratendínea (C), e o grau é 1 se envolve até 3 mm, 2 de 3 a 6 mm e 3 se mais de 6 mm do tendão está roto. O grau 3 é, portanto, a parcial mais profunda. O mesmo capítulo cita SHER: rupturas parciais assintomáticas em 20%, chegando a 26% acima dos 60 anos.

Classificação de ELLMAN das rupturas parciais (Campbell 15, cap. 57)
ElementoCategorias
localA articular; B bursal; C intratendínea
grau 1até 3 mm
grau 23 a 6 mm
grau 3mais de 6 mm

O esquema da questão da CET-PR mostra o tendão sobre a cabeça do úmero com uma falha que atinge a maior parte da espessura: é a lesão profunda, grau III.

Lábio e cápsula: BANKART, variantes e artro-RM

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O lábio e as lesões da instabilidade

O Campbell (cap. 52) define a lesão de BANKART como o descolamento do lábio da metade anterior da borda da glenoide junto com a cápsula e o periósteo da face anterior do colo da escápula; é a lesão mais observada na instabilidade recorrente, mas não a "essencial", porque a frouxidão capsular também causa instabilidade. O Rockwood (cap. 35) descreve o espectro: lesão do lábio (BANKART), BANKART ósseo (fratura da borda), HILL-SACHS (impacção posterior da cabeça), fraturas do coracoide e dos tubérculos nas lesões de maior energia, e a HAGL, avulsão dos ligamentos glenoumerais do lado umeral. Na luxação posterior surgem o BANKART e o HILL-SACHS reversos.

O Campbell (cap. 57) desenha seis padrões do lado da glenoide: BANKART, BANKART ósseo, ALPSA (avulsão do lábio anterior em manga periosteal), GAGL (avulsão glenoidal do ligamento glenoumeral), GLAD (glenoid labral articular disruption) e GAGL juvenil. No ALPSA, o lábio com o periósteo desliza e cicatriza medialmente no colo da glenoide, e precisa ser mobilizado na cirurgia (Rockwood, cap. 35); NEVIASER relatou resultados inferiores no tratamento do ALPSA em jovens. WOLF encontrou a HAGL em 9,3% dos instáveis. O Campbell pede RM na fase aguda ou artro-RM na subaguda, e lembra o nervo axilar junto à cápsula lesada na HAGL anterior. O GLAD, no texto dos livros conferidos, aparece só como nome na figura, sem definição.

Lesões capsulolabrais e onde procurá-las (Campbell 15, caps. 52 e 57; Rockwood 10, cap. 35)
LesãoO que é, segundo os livrosImagem
BANKARTlábio anterior descolado com cápsula e periósteoRM axial, artro-RM; ABER
BANKART ósseofratura da borda anteroinferiorWEST POINT, axilar, TC 3D
ALPSAlábio e periósteo em manga, cicatrizados medialmente no coloartro-RM; artroscopia
GLADglenoid labral articular disruption (só nomeado)artro-RM
HAGLavulsão dos ligamentos glenoumerais no úmero (9,3%)RM aguda, artro-RM subaguda (coronal)
HILL-SACHSimpacção da cabeça posteriorAP em RI, STRYKER, TC 3D
SLAPlesão do lábio superior e da âncora do bícepscoronal oblíquo

Artro-RM, ABER e a acurácia

O lábio tem anatomia variável, e os ligamentos glenoumerais vizinhos criam armadilhas. O Campbell (cap. 3) mostra uma: o ligamento glenoumeral médio, hipointenso, passa entre o lábio anterior e o subescapular e não deve ser confundido com o lábio. Com aparelhos e bobinas modernos, o lábio costuma ser bem visto na RM de rotina, mas muitos ainda preferem distender a articulação com líquido. A artro-RM usa gadolínio diluído e sequências T1 nos planos axial, sagital oblíquo e coronal oblíquo, com o braço ao lado do corpo. A imagem adicional em ABER (abdução e rotação externa) tensiona o ligamento glenoumeral inferior e sua inserção labral e mostra melhor a lesão anteroinferior.

Acurácia da RM e da artro-RM no lábio (Campbell 15, cap. 3; Rockwood 10, cap. 35)
ExameDado
artro-RM (Campbell)sensibilidade 91%, especificidade 93% para lesão labral; menor acurácia no SLAP
artro-RM x RM (meta-análise de SMITH, Rockwood)artro-RM 88% e 93%; RM 76% e 87%
RM em geral (Rockwood)70 a 100% para lábio e manguito
ABER (TIAN)maior sensibilidade para lesão anteroinferior e para a lesão de PERTHES
ABER (SCHREINEMACHERS)acurácia semelhante à do exame de rotina
artrografia indiretagadolínio venoso e exercício; menos invasiva, menor distensão

Dois detalhes práticos aparecem nos dois livros. Na luxação aguda, o derrame (sangue) já distende a articulação, e a RM dos primeiros dias dispensa a artro-RM (Campbell, cap. 52; Rockwood, cap. 35). Na HAGL aguda, a artro-RM pode até encobrir o local exato da lesão. A artro-RM também mostra a cápsula redundante da instabilidade multidirecional, e o Rockwood associa displasia glenoidal, retroversão aumentada e maior área capsular às lesões labrais posteriores. O Campbell (cap. 51) cita ALEXEEV: o lábio posterior estava envolvido em 74% das cirurgias, as lesões isoladas de BANKART eram raras e o diagnóstico pré-operatório estava correto em apenas 30%.

Ultrassonografia e artrografia

Fundamento

O Campbell (cap. 51) dá os números da ultrassonografia no manguito: sensibilidade de 58 a 100%, especificidade de 85 a 100% e acurácia de 80 a 94%. Uma revisão Cochrane concluiu que US, RM e artro-RM têm boa acurácia e podem ser usadas indistintamente para a ruptura completa no paciente candidato a cirurgia. O US dinâmico ajuda a confirmar o impacto, avaliar a frouxidão glenoumeral e estudar o bíceps, sobretudo a instabilidade do tendão. As vantagens são ser rápido, não invasivo e barato; as desvantagens, a dependência do examinador e do aparelho e a má avaliação da atrofia gordurosa, que é decisiva na indicação cirúrgica. Os autores não o usam de rotina. O Rockwood (cap. 36) acrescenta que, no trauma agudo, a dor impede as rotações necessárias ao exame do manguito.

A artrografia convencional documenta a ruptura completa pelo extravasamento do contraste para as bursas subacromial e subdeltoidea após a injeção na glenoumeral. O Campbell (cap. 3) lembra que ela mostra a completa e a parcial articular (face inferior), mas não a parcial intrassubstancial nem a bursal, que a RM detecta. Ela ainda serve quando a RM é contraindicada: marcapasso, clipe de aneurisma, metal intraocular, stent recente. Combinada com a RM, ajuda nos manguitos operados (cicatriz contra tendão) e nas lesões labrais, BANKART e BANKART reverso e SLAP.

Radiografia do cotovelo: linhas, ângulos e coxins

Cobrança confirmada · 1 questão

As incidências e o que o cotovelo esconde

No adulto, o Rockwood (caps. 39 e 40) pede AP e perfil, com oblíquas na luxação para afastar fraturas associadas; radiografias feitas dentro de gesso escondem o traço e devem ser repetidas, e a tração sob analgesia ajuda quando o encurtamento distorce a imagem. Na cabeça do rádio, a fratura sem desvio pode ser apenas suspeitada pelos coxins gordurosos anterior e posterior elevados pela hemartrose, e a incidência radiocapitelar (de GREENSPAN) põe a cabeça de perfil. A TC 3D ajuda nas fraturas articulares do úmero distal, na escolha da via e na decisão entre fixar e substituir no idoso.

Os coxins ficam entre a cápsula e a sinovial. O Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, 10ª ed. (cap. 13), explica a anatomia: o posterior fica todo dentro da fossa do olécrano com o cotovelo fletido, e por isso normalmente não aparece; o anterior se estende para fora da fossa coronoide. O derrame empurra os coxins para fora. Daí a regra do Campbell (cap. 38): na criança, o coxim posterior visível deve ser presumido fratura supracondiliana tipo I; o Rockwood (cap. 7) o chama de sinal de lesão oculta. Na fratura do colo do rádio, extracapsular em grande parte, o sinal pode ser negativo.

Linhas e ângulos do cotovelo (Rockwood and Wilkins 10, caps. 12 e 13; Rockwood 10, cap. 39; Campbell 15, cap. 15)
MedidaIncidênciaNormal e significado
linha umeral anteriorperfilpassa no terço médio do capítulo; anterior a ele = angulação posterior (supracondiliana); na criança < 4 anos pode passar no terço anterior (HERMAN)
linha radiocapitelarperfil verdadeiroeixo do colo e da cabeça do rádio passa pelo centro do capítulo em qualquer flexão; perdida na MONTEGGIA; oblíqua ou pronação falseiam
ângulo de BAUMANNAPeixo do úmero com a fise do capítulo; feixe perpendicular, úmero paralelo ao chassi
ângulo úmero-ulnarAPo mais acurado para o carregamento
lágrimaperfilfossa coronoide (frente) e olecraniana (trás)
ângulo diáfise-côndiloperfilcerca de 40 graus
ângulo de carregamentoclínico/AP10 a 17 graus de valgo em extensão (Rockwood); 11 graus de valgo em extensão a 6 graus de varo em flexão (Campbell)

O Campbell (cap. 52) usa as duas linhas no adulto: o ligamento colateral lateral nasce no eixo de rotação ulnoumeral, na interseção da linha umeral anterior com o eixo radiocapitelar. O Rockwood (cap. 39) dá a geometria do úmero distal: tróclea mais distal que o capítulo, com valgo de 4 a 8 graus; coluna lateral curvada 35 a 40 graus para a frente; capítulo com arco articular de 180 graus.

A fratura do capítulo no perfil

As fraturas articulares do úmero distal se leem no perfil. O Rockwood (cap. 39) classifica o capítulo: HAHN-STEINTHAL (tipo I), com a superfície articular e grande parte do osso subcondral; KOCHER-LORENZ (tipo II), rara, com a cartilagem e uma casca fina de osso; tipo III de BRYAN e MORREY, cominutiva; e o tipo IV de McKEE, a fratura do tipo I que se estende à metade lateral da tróclea. RING mostrou que fraturas aparentemente isoladas do capítulo se revelam mais complexas na TC; DUBBERLEY separa capítulo isolado, capítulo e tróclea juntos e capítulo e tróclea separados.

Ressonância e ultrassonografia do cotovelo

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell (cap. 3) resume a RM do cotovelo: avalia os tendões do bíceps e do tríceps (as rupturas completas costumam ser clínicas, mas a RM ajuda no planejamento e detecta as parciais); a RM e a artro-RM têm papel crítico na instabilidade medial e no ligamento colateral ulnar, cuja banda anterior aparece como estrutura linear hipointensa e, quando lesada, com líquido dentro e ao redor; no arremessador, a artro-RM ajuda nas rupturas parciais. A RM detecta fraturas ocultas no adulto e na criança, cujas epífises não ossificadas atrapalham a radiografia. Na luxação simples, o Rockwood (cap. 40) só pede RM se houver suspeita de nervo ulnar encarcerado.

Para o bíceps distal, o Campbell (cap. 53) diz que a RM distingue ruptura completa de parcial e mostra tendinose, tenossinovite, hematoma e contusão do braquial. Para obter uma imagem longitudinal verdadeira do tendão, recomenda a posição FABS: flexão do cotovelo a 90 graus, abdução do ombro a 180 graus e supinação do antebraço. O ultrassom é mais rápido e barato, mas depende muito do examinador.

Fechamento

Fundamento

Toda questão de imagem do ombro e do cotovelo cabe numa pergunta: o que esta incidência põe de perfil? O GRASHEY põe a glenoide; o Y e o axilar põem o eixo anteroposterior, que decide a luxação; o STRYKER põe a face posterolateral da cabeça e a base do coracoide; o WEST POINT, a borda anteroinferior; o ZANCA tira a acromioclavicular de cima da espinha; o HEINIG tangencia a esternoclavicular. Na RM, o plano segue a estrutura: axial para o lábio anterior, coronal oblíquo para o supraespinal e o lábio superior, sagital para os músculos. E nos cortes que vêm com seta, o sinal baixo é de tendão, ligamento ou lábio; o alto em T2, de líquido.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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