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Tumor de células gigantes

Tumores ósseos e de partes molesResumo do capítulo36 min de leitura

Tumor benigno localmente agressivo de adulto jovem (20 a 40 anos, leve predomínio feminino, 5% das neoplasias ósseas), lesão lítica pura e excêntrica na epífise do esqueleto maduro encostada no subcondral, sem rima esclerótica nem matriz; fêmur distal, tíbia proximal e rádio distal (o mais agressivo); sacro é o local típico na coluna (benigno mais prevalente do sacro, excêntrico, ao contrário do cordoma) e o corpo vertebral é o sítio vertebral; células gigantes tipo osteoclasto com núcleos idênticos aos das mononucleares estromais; diferencial com tumor marrom (PTH), condroblastoma e condrossarcoma de células claras; ENNEKING 3 (agressivo) e CAMPANACCI I a III; curetagem estendida (janela grande, broca, adjuvante) e cimento; ressecção em bloco no estágio 3 e no rádio distal agressivo; denosumabe (anti-RANKL) nos irressecáveis, com rebote; metástase pulmonar benigna em cerca de 3%, transformação maligna em até 10%, ligada à radioterapia.

Atualizado em 03/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 28 · Aggressive Benign Tumors of Bone, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª edição. Autores do capítulo: Patrick C. TOY e Robert K. HECK Jr..

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de tumores ósseos e de partes moles do Campbell, capítulo 28, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo segue a seção de tumor de células gigantes (TCG) do capítulo 28 (Aggressive Benign Tumors of Bone) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., com os princípios gerais do capítulo 26 (lesões epifisárias, laboratório, estadiamento de ENNEKING, congelação e técnica de curetagem), a seção de TCG do capítulo 49 (tumores da coluna) e a seção de TCG do capítulo 29 do SIZÍNIO HEBERT, 5ª ed., que é o livro que traz a classificação de CAMPANACCI. As páginas citadas são as impressas; o arquivo do SIZÍNIO não tem página impressa e é citado pelo capítulo.

O capítulo 28 do Campbell abre com uma frase que serve de chave para o tema inteiro: a agressividade das lesões ali descritas vai do puramente benigno ao francamente maligno, e embora quase sempre sejam tratadas com procedimentos intralesionais como a curetagem, às vezes exigem ressecção marginal ou ampla; o TCG e o condroblastoma podem dar metástase pulmonar e, raramente, matar (Campbell, p. 952). O TCG é o protótipo desse grupo: benigno ao microscópio, agressivo no osso e, de vez em quando, presente no pulmão.

As bancas cobram de forma muito previsível. Primeiro, o retrato: mulher de 20 a 40 anos, dor no joelho, lesão lítica excêntrica na epífise do fêmur distal. Segundo, os números: 5% das neoplasias ósseas, metástase pulmonar em cerca de 3%, transformação maligna em menos de 10%. Terceiro, o local de pior comportamento (rádio distal) e os locais especiais (sacro e corpo vertebral). Quarto, a célula (gigante tipo osteoclasto) e o diferencial com o tumor marrom (PTH). Quinto, o estadiamento (ENNEKING 3, CAMPANACCI). Por fim, o tratamento: curetagem estendida com cimento, ressecção nos casos avançados e denosumabe nos irressecáveis.

Quem tem o tumor de células gigantes

Cobrança confirmada · 1 questão

Frequência

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 28, p. 952), usando os dados da Mayo Clinic, diz que o TCG responde por 5% das neoplasias ósseas. O capítulo 49 do mesmo livro (p. 1963 aprox.) dá um número muito próximo, 4% a 5% de todos os tumores ósseos primários, e a Tabela 49.2 (p. 1955), copiada de uma revisão sobre tumores da coluna, fala em 4,2%. Não é um tumor raro como o condroblastoma, que representa só 1% dos tumores ósseos primários na mesma série da Mayo Clinic (p. 958); é um dos benignos agressivos que o ortopedista geral vai encontrar.

O número que a prova usa como distrator é 10%. Ele não aparece em nenhum dos livros como frequência do TCG; aparece, isso sim, como teto da transformação maligna. Quem confunde as duas porcentagens cai na pegadinha.

Idade

A faixa clássica é 20 a 40 anos (Campbell, p. 952; Box 26.1 do cap. 26, p. 868). O SIZÍNIO HEBERT, 5ª ed. (cap. 29), dá a mesma faixa e acrescenta o detalhe que explica tudo: o paciente geralmente está com as placas de crescimento fechadas. A idade, diz o SIZÍNIO, é o que ajuda a separar o TCG do cisto ósseo aneurismático e do condroblastoma epifisário, que pertencem a grupos etários mais jovens. O capítulo 49 do Campbell (p. 1963 aprox.) fala em terceira a quinta décadas e a Tabela 49.2, em 30 a 40 anos, valores que cabem dentro da mesma ideia de adulto jovem.

Sexo

O TCG tem leve predomínio feminino. O capítulo 28 (p. 952) fala em "maior prevalência no sexo feminino", a Tabela 28.1 (p. 953) em "slight female predominance", e o capítulo 26 (p. 867) usa justamente o TCG como exemplo de tumor com predileção por sexo, avisando que esse dado raramente tem significado diagnóstico. Na coluna, o capítulo 49 (p. 1963 aprox.) é mais enfático: as mulheres são acometidas duas vezes mais que os homens.

A alternativa "acomete mais homens" está errada em qualquer um dos livros. Repare no contraste com o condroblastoma, que tem predomínio masculino de 2:1 e idade de 10 a 25 anos (Campbell, p. 958): a dupla idade e sexo já afasta um do outro.

Multicentricidade

O TCG é tipicamente solitário; 1% a 2% dos casos se apresentam com lesões multicêntricas, sincrônicas ou metacrônicas, e não se sabe se isso representa vários tumores primários ou disseminação de um só (Campbell, p. 952). O SIZÍNIO (cap. 29) também a chama de rara. A alternativa "ocorre como lesões multicêntricas" descreve a exceção, não a regra.

Perfil epidemiológico do TCG (Campbell 15, cap. 28, p. 952 e 953; cap. 26, p. 867 e 868; cap. 49, p. 1955 e 1963 aprox.; SIZÍNIO 5, cap. 29)
AspectoO que os livros dizemO detalhe que cai
frequência5% das neoplasias ósseas (Mayo Clinic); 4% a 5% dos primários10% é distrator; 10% é o teto da transformação maligna
idade20 a 40 anosfise fechada (SIZÍNIO)
sexoleve predomínio femininocoluna: mulheres 2 vezes mais
número de lesõessolitáriomulticêntrico em 1% a 2%
local mais comumfêmur distalseguido de perto pela tíbia proximal
terceiro localrádio distalo mais agressivo
colunarara, exceto o sacrosacro = 50% dos TCG da coluna

Onde nasce: a epífise do esqueleto maduro

Cobrança confirmada · 4 questões

A regra de ouro da localização

O Campbell (cap. 28, p. 952) descreve a lesão como excêntrica na epífise dos ossos longos, geralmente encostada no osso subcondral. A Tabela 28.1 (p. 953) repete: excêntrica na epífise e abutting the subchondral bone. O SIZÍNIO (cap. 29) diz que o TCG se desenvolve com maior preferência nas epífises e que, na evolução, destrói toda a epífise até a cartilagem articular.

A localização é tão característica que o capítulo 26 do Campbell (p. 868, Box 26.1) monta o diferencial das lesões epifisárias com apenas três nomes: condroblastoma (10 a 25 anos), TCG (20 a 40 anos) e condrossarcoma de células claras (raro). E dá a regra prática (p. 869.e1): uma lesão epifisária no esqueleto maduro provavelmente é TCG; no imaturo, provavelmente é condroblastoma. Essa frase resolve metade das questões de localização.

E a metáfise?

O detalhe fino está no paciente imaturo. O Campbell (p. 952) diz que, nos raros casos em esqueleto imaturo, o TCG nasce na metáfise, e registra a hipótese de que o tumor se origina na metáfise e só invade a epífise depois do fechamento da fise. Isso explica por que a imagem clássica é epifisária: no adulto, a fise não existe mais como barreira, e a lesão se estende até o subcondral. A Tabela 28.1 (p. 953) resume: metafisário no esqueleto imaturo.

Por isso a alternativa "em paciente com fise aberta" está errada como regra: o TCG é o tumor da fise fechada, e o condroblastoma é o tumor epifisário de quem ainda tem fise aberta (o condroblastoma pode até cruzar a fise, segundo a Tabela 28.1). O SIZÍNIO (cap. 29) diz o mesmo de outra forma: diferente do TCG, os pacientes com condroblastoma estão com a placa de crescimento aberta.

A ordem dos locais

O fêmur distal é o local mais comum, seguido de perto pela tíbia proximal; o rádio distal é o terceiro (Campbell, p. 952; Tabela 28.1, p. 953). O SIZÍNIO (cap. 29) lista os mesmos três e acrescenta que cerca de 50% dos TCG ficam ao redor do joelho. Fora o sacro, o comprometimento da coluna é incomum (Campbell, p. 952).

O rádio distal é o pior

O Campbell (p. 952) diz textualmente que os tumores do rádio distal, o terceiro local mais frequente, tendem a ter comportamento mais agressivo. A consequência aparece no tratamento (p. 954): para as lesões agressivas do rádio distal pode estar indicada a ressecção primária com reconstrução por autoenxerto da fíbula proximal, como artroplastia ou artrodese. O SIZÍNIO (cap. 29) também usa o rádio distal como exemplo de reconstrução com a extremidade proximal da fíbula, vascularizada ou não.

Para a prova: rádio distal = mais agressivo; fêmur distal é o mais comum, não o mais agressivo.

Lesões epifisárias: os três nomes do Campbell (Campbell 15, cap. 26, p. 868 e 869.e1; cap. 28, p. 952, 953 e 958; SIZÍNIO 5, cap. 29)
AspectoTCGCondroblastomaCondrossarcoma de células claras
idade20 a 40 anos10 a 25 anosadulto (raro)
fisefechadaaberta; pode cruzar a fisefechada
sexoleve predomínio femininomasculino 2:1não detalhado nas seções lidas
rima escleróticageralmente ausentefrequentenão detalhado nas seções lidas
calcificaçãosem matriz no osso30% a 50%pode faltar, simulando TCG (SIZÍNIO)
partes molespode ter componenteextensão extremamente raranão detalhado nas seções lidas
regra práticaepifisária no maduroepifisária no imaturolembrar como terceiro nome

Clínica e imagem

Cobrança confirmada · 4 questões

Como o paciente chega

A maioria dos pacientes tem dor progressiva, a princípio relacionada à atividade e só depois presente em repouso; a dor geralmente não é intensa, a menos que haja fratura patológica (Campbell, cap. 28, p. 952). A fratura patológica está presente em 10% a 30% dos pacientes no primeiro exame. O SIZÍNIO (cap. 29) descreve dor e aumento de volume como queixas principais, lembra que a localização junto à articulação pode produzir sintomas articulares, com derrame e sinovite, e que a fratura patológica pode ser o primeiro sinal. Na coluna e no sacro, a primeira manifestação costuma ser neurológica.

O cenário da prova é sempre parecido: mulher de 30 anos com dor e aumento de volume no joelho, ou mulher de 40 anos com fratura do rádio distal sobre lesão lítica epifisária.

A radiografia muitas vezes basta

O Campbell (p. 952) diz que os achados radiográficos frequentemente são diagnósticos. Os elementos são:

  • Lesão puramente lítica, sem matriz dentro do osso.
  • Excêntrica, na epífise, encostada no subcondral.
  • Zona de transição que pode ser mal definida na radiografia simples.
  • Nos tumores menos agressivos, rima parcial de osso reativo; em geral não há rima (Tabela 28.1, p. 953).
  • Expansão ou ruptura da cortical, com possível extensão a partes moles.
  • Extensão intra-articular rara, porque o osso subcondral costuma permanecer íntegro.

Dentro do osso, o TCG não produz matriz visível, mas ela costuma aparecer na extensão a partes moles, na recidiva de partes moles e nas metástases pulmonares (Campbell, p. 952).

O SIZÍNIO (cap. 29) completa: o aspecto é osteolítico e destrói a epífise até a cartilagem articular; pode haver trabeculação ou pseudotrabeculação interna, embora não seja o mais frequente; anéis ou halos de esclerose são raros e, se presentes, sugerem outros diagnósticos; a neoformação periosteal é rara sem fratura. Com o crescimento, a lesão perde a excentricidade e passa a ocupar todo o diâmetro do osso, insuflando e destruindo a cortical.

Por que lítica e excêntrica

A resposta é lítica e excêntrica: blástica está errada porque o TCG não forma matriz no osso, e central porque a lesão nasce excêntrica e só se torna central quando já é grande.

RM e TC

A RM serve para medir a extensão no osso e nas partes moles. O Campbell (cap. 28, p. 952) descreve o TCG escuro em T1 e claro em T2, e lembra que a RM pode mostrar níveis líquido-líquido, característicos de cisto ósseo aneurismático secundário, presente em 20% dos pacientes. O SIZÍNIO (cap. 29) diz o mesmo (baixo sinal ou intermediário em T1, sinal elevado em T2) e explica a exceção: nos tumores com muita hemossiderina, o sinal pode ser baixo ou ausente em T1 e em T2. Na TC, ficam evidentes as margens da lesão.

Há uma divergência interna do Campbell que convém conhecer: a Tabela 49.2 do capítulo de coluna (p. 1955) descreve o TCG vertebral como hipointenso em T1 e em T2, com realce ao gadolínio. A explicação do SIZÍNIO (hemossiderina) reconcilia as duas descrições; para a prova de lesão de joelho, a resposta é T1 baixo e T2 alto.

A imagem do TCG em cada livro (Campbell 15, cap. 28, p. 952 e 953; cap. 49, p. 1955; SIZÍNIO 5, cap. 29)
AchadoCampbellSIZÍNIO
densidadepuramente lítica, sem matriz no ossoosteolítica; trabeculação ou pseudotrabeculação possível
posiçãoexcêntrica na epífise, encostada no subcondraldestrói a epífise até a cartilagem; grande perde a excentricidade
margemzona de transição pode ser mal definidabem delimitado ou não
rimageralmente ausente; parcial nos menos agressivoshalo de esclerose raro; se presente, pensar em outro diagnóstico
corticalexpande ou rompeinsufla e destrói, invade partes moles
articulaçãoinvasão rara (subcondral íntegro)chega à cartilagem articular
RMT1 escuro, T2 claro; níveis líquidos (COA secundário em 20%)T1 baixo ou intermediário, T2 alto; hemossiderina reduz o sinal
coluna (Tab. 49.2)hipointenso em T1 e T2, realcelítica pura do corpo vertebral

Estadiamento: ENNEKING e CAMPANACCI

Cobrança confirmada · 2 questões

Por que dois sistemas

O TCG tem duas classificações na prova. A de ENNEKING é o estadiamento geral dos tumores musculoesqueléticos benignos e serve para comparar o TCG com os outros benignos. A de CAMPANACCI é radiográfica, específica do TCG, e serve para planejar a cirurgia e a reconstrução. As duas têm três graus e dizem quase a mesma coisa (latente ou quiescente, ativo, agressivo), mas não são sinônimas: ENNEKING junta clínica, imagem e comportamento biológico; CAMPANACCI olha a radiografia.

ENNEKING para tumores benignos

O capítulo 26 do Campbell (p. 873) explica que os benignos são estadiados com algarismos arábicos e os malignos com algarismos romanos. Os três estágios benignos são:

  • Estágio 1, latente: intracapsular, geralmente assintomático, achado incidental; margem bem definida com rima espessa de osso reativo; sem destruição nem expansão cortical; não precisa de tratamento e costuma regredir sozinho. Exemplo: fibroma não ossificante pequeno descoberto por acaso.
  • Estágio 2, ativo: intracapsular, mas em crescimento; pode dar sintomas ou fratura patológica; margens bem definidas, pode expandir e afinar a cortical, rima de osso reativo fina; tratamento usual é a curetagem estendida. Exemplo: cisto ósseo aneurismático.
  • Estágio 3, agressivo: extracapsular; agressivo na clínica e na radiografia; não respeita barreiras anatômicas, rompe o osso reativo e às vezes a cortical; a RM pode mostrar massa de partes moles; metástases em 1% a 5%; tratamento por curetagem estendida, ressecção marginal ou ampla; recidiva local comum. Exemplo: tumor de células gigantes.

A Tabela 26.1 (p. 873) usa exatamente estes exemplos: FNO para o latente, COA para o ativo e TCG para o agressivo.

O capítulo 28 (p. 952) acrescenta a nuance: o TCG é muitas vezes localmente agressivo, e a maioria se apresenta como estágio 2 ou 3. Tumores recidivados ou com radiografia agressiva (estágio 3) têm maior risco de metástase pulmonar.

O SIZÍNIO (cap. 30) usa a notação B1, B2 e B3:

  • B1 (inativo ou latente): assintomático, achado radiológico ou de fratura patológica; a maioria não exige tratamento.
  • B2 (ativo): sintomático, crescimento lento e dor leve; lesão geográfica com afilamento ou expansão cortical; tratamento por curetagem com terapia adjuvante local.
  • B3 (agressivo): cresce rápido e dá sinais e sintomas claros, simulando muitas vezes uma lesão maligna; muita destruição e expansão acentuada, na maioria das vezes contida pelo periósteo; tratamento intralesional com adjuvantes ou ressecção segmentar e reconstrução.

No SIZÍNIO, B1 e B2 são T0 (contidas por membrana, cápsula ou osso reacional), e algumas B3 são T1 (intracompartimentais, sem passar o periósteo) ou T2 (extracompartimentais).

CAMPANACCI

O SIZÍNIO (cap. 29) apresenta a classificação radiográfica de CAMPANACCI em três graus, "com o objetivo de selecionar melhor o tratamento":

  • Grau I, quiescente e intraósseo: lesões pequenas, intraósseas, que parecem indolentes; halo de esclerose, bordas bem delimitadas, cortical sem comprometimento.
  • Grau II, ativo com periósteo intacto: aparência radiográfica mais agressiva, lesões mais extensas, com afilamento e insuflação da cortical, mas sem invasão de partes moles ou da articulação.
  • Grau III, agressivo com invasão de partes moles: estende-se além do periósteo para os tecidos adjacentes, às vezes com destruição total do osso e invasão articular.

O SIZÍNIO conclui: quanto mais alto o grau, mais agressiva e radical deve ser a cirurgia. Se a lesão inicial é grande, agressiva e com ruptura da cortical, a ressecção completa está indicada. O autoenxerto serve para pequenos defeitos de grau I; nos graus II e III, os autores não usam auto nem homoenxerto para preencher a cavidade.

ENNEKING benigno e CAMPANACCI lado a lado (Campbell 15, cap. 26, p. 873; SIZÍNIO 5, cap. 29 e 30)
GrauENNEKING (Campbell, arábico; SIZÍNIO, B)Exemplo de ENNEKINGCAMPANACCI (TCG)
1latente: intracapsular, rima espessa, sem tratamentofibroma não ossificanteI: quiescente, intraósseo, pequeno, halo de esclerose
2ativo: intracapsular, sintomático, pode fraturar, rima fina, curetagem estendidacisto ósseo aneurismáticoII: ativo, cortical afilada e insuflada, periósteo intacto
3agressivo: extracapsular, não respeita barreiras, massa de partes moles, metástase em 1% a 5%tumor de células gigantesIII: agressivo, além do periósteo, partes moles
consequênciaestágio 3: curetagem estendida, marginal ou ampla; recidiva comumquanto mais alto, mais radical a cirurgia

Histologia: a célula gigante tipo osteoclasto

Cobrança confirmada · 2 questões

O que se vê ao microscópio

O Campbell (cap. 28, p. 952) descreve o TCG como numerosas células gigantes multinucleadas, em geral com 40 a 60 núcleos por célula, mergulhadas num mar de células estromais mononucleares. O detalhe que define o diagnóstico é que os núcleos das células mononucleares são idênticos aos das células gigantes, característica que separa o TCG de outros tumores que também contêm muitas células gigantes. Podem aparecer áreas de células fusiformes em arranjo estoriforme, formação de osso reativo, macrófagos espumosos e cisto ósseo aneurismático secundário.

O SIZÍNIO (cap. 29) define o tumor como benigno agressivo, de tecido muito vascularizado, com estroma de células fusiformes ou ovoides e numerosas células gigantes do tipo osteoclástico, uniformemente distribuídas por todo o tumor. Há mitoses nas células estromais, mas os núcleos não são hipercromáticos nem anaplásicos, e há mínima produção de matriz, só algumas fibras colágenas.

Quem é o tumor de verdade

A célula que dá nome ao tumor não é a que manda nele. O Campbell (p. 954) explica isso ao falar do denosumabe: o remédio reduz as células gigantes tipo osteoclasto e induz osso novo, mas não atinge as células estromais neoplásicas, e por isso o tumor pode voltar quando o remédio é suspenso. Ou seja, o componente neoplásico é o estroma mononuclear; as células gigantes são recrutadas e ativadas por ele. A Tabela 49.2 (p. 1955) registra a assinatura molecular: mutação recorrente de H3F3A em mais de 95% dos casos.

Isso explica três fatos de uma vez: a célula característica parece um osteoclasto (reabsorve osso e faz a lesão lítica); o denosumabe mira a via RANK/RANKL, de maturação do osteoclasto; e o tumor recidiva quando o tratamento poupa o estroma.

Graduação

Muitos autores tentaram graduar o TCG histologicamente, mas nenhum sistema mostrou valor prognóstico (Campbell, p. 952). A agressividade do TCG se lê na radiografia e no comportamento, não na lâmina; daí a importância de ENNEKING e de CAMPANACCI.

A lâmina do TCG (Campbell 15, cap. 28, p. 952 a 954; cap. 49, p. 1955; SIZÍNIO 5, cap. 29)
ElementoDescriçãoPor que importa
célula gigantemultinucleada, 40 a 60 núcleos, tipo osteoclastofaz a osteólise; é reduzida pelo denosumabe
célula estromalmononuclear, fusiforme ou ovoideé o componente neoplásico; não é atingida pelo denosumabe
núcleosiguais nas mononucleares e nas gigantessepara de outros tumores ricos em células gigantes
distribuiçãouniforme por todo o tumor (SIZÍNIO)difere de lesões com gigantes em grupos
mitosespresentes no estroma, sem anaplasianão significam malignidade
achados associadosáreas estoriformes, osso reativo, macrófagos espumosos, COA secundáriopodem confundir o patologista
molecularH3F3A em mais de 95% (Tab. 49.2)assinatura do tumor
graduaçãonenhuma com valor prognósticoagressividade é radiográfica

Diagnóstico diferencial e laboratório

Cobrança confirmada · 2 questões

O tumor marrom e o PTH

O diferencial que mais cai é o tumor marrom do hiperparatireoidismo. O Campbell (cap. 26, p. 871) diz que os tumores marrons às vezes podem parecer TCG e que devem ser avaliados com cálcio sérico e paratormônio (PTH); lembra ainda que a hipercalcemia pode aparecer na doença metastática, no mieloma múltiplo e no hiperparatireoidismo. O SIZÍNIO (cap. 29) diz que o tumor marrom pode simular um TCG, mas vem acompanhado de osteopenia, reabsorção cortical ou subperiosteal das falanges distais e perda da lâmina dura dos dentes. O tumor marrom também é formado por células gigantes, e por isso o patologista pode confundir as duas lâminas.

São duas lesões líticas com células gigantes, uma neoplásica e outra metabólica; o exame que separa é o PTH. PCR, VHS e eletroforese de proteínas pertencem a outros diferenciais (infecção e mieloma).

Os outros imitadores

O SIZÍNIO (cap. 29) lista, um a um, os imitadores do TCG:

  • Cisto ósseo aneurismático: em geral mais diafisário, em faixas etárias menores, com níveis líquidos evidentes; pode coexistir com o TCG (é o COA secundário de 20% no Campbell).
  • Cisto ósseo aneurismático sólido (granuloma reparativo de células gigantes): nas extremidades articulares, com as mesmas características do TCG convencional.
  • Histiocitoma fibroso benigno: pode estar na extremidade dos ossos longos; alguns autores acham que é um estágio final, resolvido, de um TCG.
  • Tumor marrom do hiperparatireoidismo: osteopenia, reabsorção subperiosteal, lâmina dura.
  • Cisto justarticular ou gânglio intraósseo: bordos escleróticos comuns.
  • Condrossarcoma: pode estar na epífise e, sem calcificações, simular TCG.

O Campbell (cap. 28, p. 958) compara o TCG ao condroblastoma: os TCG geralmente não têm rima de osso esclerótico nem calcificação intralesional e podem ter componente de partes moles, enquanto o condroblastoma tem rima, calcificação em 30% a 50% e edema abundante na RM.

A congelação e o momento da cirurgia

O capítulo 26 do Campbell (p. 877) traz uma regra prática: se a clínica e a radiografia sugerem TCG, a curetagem definitiva pode ser feita no mesmo ato, logo após a confirmação pela congelação. Se a congelação mostrar qualquer célula atípica que possa ser sarcoma, a cirurgia definitiva deve ser adiada.

Imitadores do TCG e como separá-los (Campbell 15, cap. 26, p. 871; cap. 28, p. 958; SIZÍNIO 5, cap. 29)
LesãoPor que confundeComo separar
tumor marrom do hiperparatireoidismolítica, com células gigantescálcio e PTH; osteopenia, reabsorção subperiosteal, perda da lâmina dura
condroblastomaepifisário, com células gigantes10 a 25 anos, fise aberta, rima, calcificação
condrossarcoma de células clarasepifisário no adultoraro; o condrossarcoma sem calcificação simula TCG
cisto ósseo aneurismáticolítico, expansivo, níveis líquidosmais jovem, mais diafisário; pode coexistir com o TCG
granuloma reparativo de células gigantesextremidade articular, mesmo aspectoconsiderado no diferencial (SIZÍNIO)
histiocitoma fibroso benignoextremidade de osso longotalvez estágio final de TCG
cisto justarticularepifisáriobordos escleróticos
TCG multicêntricovárias lesõesafastar metástase, mieloma e tumor marrom

Tratamento: curetagem estendida e cimento

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que a curetagem simples falhava

Historicamente o TCG era tratado com curetagem simples, com recidiva acima de 50%; as séries atuais relatam 5% a 15% (Campbell, cap. 28, p. 954). O Campbell atribui a queda a duas mudanças: a RM passou a mostrar a extensão real da lesão, e a técnica de curetagem melhorou.

Os passos da curetagem estendida

O capítulo 26 (p. 882) dá a sequência mínima de uma curetagem "simples" bem feita, e o capítulo 28 (p. 954) a aplica ao TCG:

1. Janela cortical grande, pelo menos do tamanho da lesão. Se a janela for menor, o cirurgião inevitavelmente deixa tumor na face interna da cortical próxima, o tumor "atrás da esquina". 2. Retirada do grosso do tumor com curetas grandes. 3. Broca motorizada ampliando a cavidade até o osso normal em todas as direções, em geral 1 a 2 cm; o capítulo 26 chama a broca de obrigatória. Cuidado para não perfurar o subcondral e entrar na articulação. 4. Irrigação abundante da cavidade e da ferida. 5. Adjuvante: é o que transforma a curetagem simples em curetagem estendida. Os citados são nitrogênio líquido, fenol, cimento (PMMA), eletrocautério, cautério térmico e coagulador de argônio; bisfosfonatos sistêmicos ou locais têm estudos preliminares.

A Figura 26.14 (p. 883) mostra exatamente esse roteiro num TCG do fêmur distal: janela maior que o tumor, curetas, broca, coagulação com argônio e parafusos para reforçar a reconstrução.

Com que preencher

Depois da curetagem, as opções são autoenxerto, aloenxerto, substitutos ósseos sintéticos ou cimento de metilmetacrilato (Campbell, p. 954). O livro compara os dois caminhos:

  • Enxerto ou substituto: vantagem teórica de restaurar a biomecânica da articulação, prevenindo a artrose, e de manter estoque ósseo para cirurgias futuras. Desvantagens: a articulação precisa ser protegida por muito tempo (risco de fratura) e é difícil ou impossível distinguir recidiva de reabsorção do enxerto.
  • Cimento: dá estabilidade imediata e reabilitação mais rápida; facilita ver a recidiva, que aparece como radioluscência em expansão junto ao manto de cimento; e o calor da polimerização pode matar células tumorais residuais.

Se for usado autoenxerto, o Campbell manda usar luvas e instrumentos separados para não implantar tumor na área doadora. O SIZÍNIO (cap. 29) é ainda mais enfático: o TCG se implanta em partes moles, e por isso o enxerto deve ser retirado antes de abordar o tumor, nunca no mesmo momento ou depois, mesmo com equipes diferentes.

O que os autores do Campbell fazem

Na instituição dos autores (Campbell, p. 954), a maioria dos TCG é tratada com curetagem agressiva e estendida seguida de coagulação com argônio, considerada fácil, eficaz e com poucas complicações. Fenol e nitrogênio líquido não são usados, pelo risco de fratura patológica, problemas de cicatrização e lesão nervosa. O cimento é o preenchimento preferido e o manto é reforçado com parafusos cruzados ou divergentes, o que aumentou significativamente a resistência da reconstrução em estudos biomecânicos da própria instituição; alternativamente, uma placa periarticular pode ser usada com o cimento.

O que os autores do SIZÍNIO fazem

O SIZÍNIO (cap. 29) usa cauterização das paredes após a curetagem e depois fenol, preenchendo com cimento acrílico, para "transformar as margens marginais da curetagem em margens amplas". Explica as vantagens do cimento: a alta temperatura (cerca de 100 °C) em contato com as paredes destrói as células; há reação química tóxica para as células neoplásicas; a sustentação é imediata; e a interface nítida entre osso e cimento facilita o diagnóstico precoce da recidiva. Diferente do Campbell, o SIZÍNIO diz que na maioria dos casos não é necessário reforçar o cimento com pinos ou parafusos; quando a cavidade fica rasa e é preciso fixar o bloco com parafusos, existe o risco de o parafuso levar células tumorais para o osso normal.

A prova do benefício

O SIZÍNIO (cap. 29) traz os números do estudo multicêntrico das Musculoskeletal Tumor Societies de 1990, com 677 pacientes:

  • Curetagem e enxerto: 45% de recidiva.
  • Curetagem com adjuvante (fenol, peróxido de hidrogênio ou nitrogênio líquido): 17%.
  • Curetagem, fenol e cimento: 3%.

O consenso desse estudo foi curetagem, adjuvante e preenchimento com cimento. É por isso que a resposta "curetagem e cimentação" vence "curetagem e enxertia" na prova.

Enxerto ou cimento depois da curetagem (Campbell 15, cap. 28, p. 954; SIZÍNIO 5, cap. 29)
CritérioEnxerto ou substitutoCimento (PMMA)
estabilidadetardia; proteger a articulação por longo tempoimediata; reabilitação rápida
ver recidivadifícil separar de reabsorçãoradioluscência em expansão junto ao manto
efeito sobre o tumornenhumcalor da polimerização (cerca de 100 °C) e toxicidade química
biomecânica a longo prazorestaura, previne artrose (teórico)não restaura o osso
estoque ósseomantémnão mantém
riscosimplantar tumor na área doadoraparafusos podem levar células (SIZÍNIO)
recidiva (MSTS 1990)45% (sem adjuvante)3% com fenol e cimento
preferênciagrau I de CAMPANACCI, pequenos defeitos (SIZÍNIO)preferido por Campbell e SIZÍNIO
Curetagem simples e estendida (Campbell 15, cap. 26, p. 882 e 883; cap. 28, p. 954 e 958)
PassoO que fazerPor quê
janela corticalpelo menos do tamanho da lesãoevitar tumor "atrás da esquina" na cortical próxima
curetasgrandes, para o grosso do tumorvolume
broca motorizadaampliar 1 a 2 cm em todas as direções; obrigatóriaalcançar osso normal
subcondralnão perfurarnão abrir a articulação
irrigaçãoabundanteremover detritos e células
adjuvanteargônio, cautério, fenol, nitrogênio, PMMA; bisfosfonato em estudoestender a destruição celular (curetagem estendida)
preenchimentocimento, reforçado com parafusos cruzados ou divergentes ou placaresistência da reconstrução

Ressecção e reconstrução

Relevância clínica

Quando ressecar

O Campbell (cap. 28, p. 954) indica a ressecção ampla em bloco para alguns tumores estágio 3, para os casos de recidiva local e para os tumores que não respondem a outras intervenções. A Tabela 28.1 (p. 953) acrescenta outra indicação: ressecção quando o estoque ósseo residual é inadequado.

O SIZÍNIO (cap. 29) põe o dilema em uma frase: as ressecções dão a melhor chance de cura, mas muitas vezes sacrificam a articulação com grave alteração da função; a decisão pesa o risco de recorrência contra o déficit funcional, considerando local, extensão e agressividade.

Como reconstruir

  • Joelho: aloenxerto osteoarticular hemicondilar ou endoprótese de dobradiça rotatória (Campbell, p. 954).
  • Rádio distal agressivo: ressecção primária e autoenxerto da fíbula proximal, como artroplastia ou artrodese (Campbell, p. 954; Figura 28.4, p. 957, com placa de artrodese do punho).
  • Ossos dispensáveis: ulna distal, clavícula, fíbula proximal, ressecção primária sem reconstrução (Campbell, p. 954). O SIZÍNIO (cap. 29) acrescenta costelas e ossos da mão e do pé.

O SIZÍNIO diverge por escola: na ressecção em bloco do fêmur, da tíbia ou do úmero, prefere o homoenxerto osteoarticular de banco (a artrose tardia se trata depois com prótese convencional); deixa as endopróteses não convencionais para os malignos, porque o TCG atinge jovens que precisariam de várias trocas, e deve ser reconstruído com métodos biológicos; a artrodese vem só depois de tentadas outras técnicas.

Amputação

O SIZÍNIO (cap. 29) chama a amputação de indicação rara, só para lesões avançadas com destruição maciça perto de grandes articulações, sobretudo após múltiplas recorrências, infecção secundária ou degeneração maligna. Na questão do joelho de uma mulher de 30 anos, amputação é o distrator mais grosseiro.

Ressecção do TCG por local (Campbell 15, cap. 28, p. 953 e 954; SIZÍNIO 5, cap. 29)
SituaçãoCondutaReconstrução
estágio 3 avançado, recidiva, falharessecção ampla em blococonforme o local
estoque ósseo residual inadequadoressecção (Tab. 28.1)conforme o local
fêmur distal ou tíbia proximalressecção em blocoaloenxerto hemicondilar osteoarticular ou endoprótese de dobradiça rotatória; SIZÍNIO prefere homoenxerto
rádio distal agressivoressecção primáriafíbula proximal autóloga, artroplastia ou artrodese
ulna distal, clavícula, fíbula proximalressecção primáriasem reconstrução
costelas, mão, pé (SIZÍNIO)ressecção completapouca ou nenhuma sequela
destruição maciça, recidivas múltiplas, infecção, malignizaçãoamputação (rara)

Denosumabe, bisfosfonatos, radioterapia e embolização

Cobrança confirmada · 2 questões

Denosumabe

O Campbell (cap. 28, p. 954) descreve o denosumabe como um anticorpo monoclonal totalmente humano que inibe a lise óssea normal e tumoral limitando a maturação dos osteoclastos, ao impedir a ativação do RANK (receptor ativador do fator nuclear kB). O capítulo 49 (p. 1957 aprox.) diz a mesma coisa pelo outro lado da ligação: o anticorpo tem como alvo o RANKL, ligante importante para a osteólise mediada pelas células gigantes multinucleadas do TCG.

A indicação aprovada pela FDA é precisa: adultos e pacientes esqueleticamente maduros com TCG irressecável, ou quando a ressecção causaria morbidade grave (Campbell, p. 954). No capítulo 49 (p. 1963 aprox.), o denosumabe é citado como benéfico nos TCG irressecáveis da coluna, e a Tabela 49.2 (p. 1955) fala em uso neoadjuvante nos tumores limítrofes e como terapia primária nos irressecáveis.

O que acontece com o tumor:

  • Diminui a densidade de células gigantes tipo osteoclasto e estimula osso novo ao redor do tumor.
  • Na TC, reossificação progressiva, remodelação cortical e aumento da densidade.
  • Na RM, sinal menor, realce mais lento e tempo de pico maior.
  • Na patologia, menos células gigantes, menos células estromais neoplásicas e menos vasos.

E o problema: o denosumabe não atinge as células estromais neoplásicas de forma definitiva, o que levanta a preocupação de crescimento de rebote ao suspender o remédio e explica as altas taxas de recidiva após a cirurgia relatadas (Campbell, p. 954). O livro conclui que o denosumabe facilita preservar a articulação em casos de alto risco, mas deve ser usado com cautela, porque a recidiva local é maior que o esperado. O capítulo 49 (p. 1957 aprox.) acrescenta relatos de transformação sarcomatosa durante a terapia e diz que, por isso, as indicações ainda não estão claras.

Entre os tumores benignos, o denosumabe sistêmico é a resposta para o TCG; nas seções lidas, nenhum outro benigno aparece com essa indicação.

Bisfosfonatos

Há racional clínico para bisfosfonatos, que inibem a atividade osteoclástica e promovem apoptose dos osteoclastos (Campbell, p. 954). O ácido zoledrônico sistêmico estabilizou doença local e metastática em tumores inoperáveis. Foram propostos como adjuvante cirúrgico ou opção nos irressecáveis, mas falta evidência de alto nível.

Radioterapia

Aqui os livros concordam no espírito: radioterapia é exceção. O Campbell (cap. 28, p. 954) a reserva, com ou sem embolização, para lesões inoperáveis da coluna ou da pelve, com cautela pelo risco de transformação sarcomatosa nos irradiados; a Tabela 28.1 (p. 953) diz "considerar radiação nos tumores da coluna e do sacro". O capítulo 26 (p. 879) diz que a radioterapia raramente é usada em benignos e cita como exceção o TCG grande da coluna. O capítulo 49 (p. 1964) dá a dose: 3500 a 4500 cGy são seguros e eficazes para controlar esses tumores, e a Tabela 49.2 (p. 1955) associa a radioterapia adjuvante a transformação maligna em 5% a 15%.

O SIZÍNIO (cap. 29) é o mais duro: radioterapia só em lesões avançadas com destruição maciça e múltiplas recorrências, nas degenerações malignas e, muitas vezes, como único método nos TCG recidivados na coluna ou no sacro que acometem vários segmentos; fora disso, contraindica-se com veemência. A maior parte dos TCG que se malignizaram, para fibro-histiocitoma ou fibrossarcoma, tinha recebido radioterapia.

Embolização

Para o Campbell (cap. 28, p. 954), a embolização entra com a radioterapia nas lesões inoperáveis da coluna e da pelve; o capítulo 49 (p. 1957 aprox. e 1964) recomenda a embolização seletiva no TCG da coluna, inclusive pré-operatória, com cuidado para identificar a artéria de ADAMKIEWICZ (em geral à esquerda, de T10 a T12), cuja oclusão já causou paralisia. O SIZÍNIO (cap. 29) a indica para tumores muito vascularizados ou inabordáveis e após falhas de ressecção; o alívio da dor é eficaz mas temporário, porque os vasos recanalizam, e por isso a embolização é muito mais uma técnica pré-operatória do que um tratamento.

Denosumabe no TCG (Campbell 15, cap. 28, p. 954; cap. 49, p. 1955 e 1957 aprox.)
AspectoO que o Campbell diz
naturezaanticorpo monoclonal totalmente humano
alvovia RANK/RANKL; limita a maturação do osteoclasto
indicação aprovada (FDA)adulto ou esqueleto maduro, TCG irressecável ou ressecção com morbidade grave
na coluna (Tab. 49.2)neoadjuvante nos limítrofes; primário nos irressecáveis
efeitomenos células gigantes, osso novo, reossificação e remodelação cortical
limitaçãonão elimina o estroma neoplásico: rebote ao suspender
recidivaalta após cirurgia; maior que a esperada
risco relatadotransformação sarcomatosa durante a terapia (cap. 49)

Recidiva e seguimento

Relevância clínica

O TCG exige seguimento longo: a maioria das recidivas locais e das metástases pulmonares aparece nos primeiros 3 anos, mas há relatos até 20 anos depois (Campbell, cap. 28, p. 954). A radiografia de tórax é feita no diagnóstico para estadiar; os autores obtêm uma TC de tórax basal. O mínimo é radiografar o local e o tórax a cada 3 a 4 meses por 2 anos, a cada 6 meses no ano seguinte e depois anualmente; qualquer alteração no tórax vai para a TC.

A recidiva óssea aparece como lucência em expansão; a de partes moles pode surgir como ossificação ou só como massa palpável, e então pede RM. O tratamento da recidiva é o mesmo do primário: se a biópsia confirma que o tumor continua benigno, nova curetagem ou ressecção (Campbell, p. 954). O SIZÍNIO (cap. 29) registra, na sua casuística, recidiva em 17% dos pacientes, sempre nos dois primeiros anos e com pico aos oito meses, e diz que o único fator que certamente aumenta a recidiva é a qualidade da cirurgia.

Metástase pulmonar benigna e transformação maligna

Cobrança confirmada · 4 questões

O paradoxo da metástase benigna

O Campbell (cap. 28, p. 952) diz que, embora geralmente benigno, cerca de 3% dos pacientes desenvolvem metástases pulmonares. A evolução varia: alguns têm regressão espontânea ou ficam assintomáticos por muito tempo; outros têm lesões pulmonares progressivas que podem matar, mesmo mantendo histologia benigna. A mortalidade global dos pacientes com metástase pulmonar é de cerca de 15%. O risco é maior nos recidivados e nos tumores primários com radiografia agressiva (estágio 3). O tratamento é ressecar as metástases quando possível; a quimioterapia tem sucesso limitado e a radioterapia fica para lesões sintomáticas inoperáveis (p. 954).

Os números variam um pouco entre os livros, mas giram todos em torno de poucos por cento:

  • Campbell, cap. 28 (p. 952): cerca de 3%.
  • Campbell, cap. 26 (p. 873): 1% a 5% nas lesões estágio 3, com o TCG como exemplo.
  • Campbell, cap. 49 (p. 1963 aprox.), na coluna: 1% a 11%.
  • SIZÍNIO (cap. 29): cerca de 2% a 3%, a maioria para o pulmão; linfonodos regionais raros; mais frequente na recidiva local, sobretudo em partes moles.

Por isso a afirmação "benigno, localmente agressivo e sem risco de metástase pulmonar" está errada: o TCG é benigno e pode, sim, ir ao pulmão.

A transformação maligna

O Campbell (cap. 28, p. 952) chama de TCG maligno do osso a transformação sarcomatosa dentro de um TCG convencional, estimada em menos de 10% dos casos, e a divide em:

  • Primária: células sarcomatosas ao lado do TCG convencional já no diagnóstico.
  • Secundária: surge num TCG previamente tratado, muitas vezes anos depois, frequentemente associada à radioterapia prévia.

Nos dois tipos, o osteossarcoma é o subtipo histológico mais comum. A clínica e a imagem são indistinguíveis do TCG convencional agressivo (lítico, expansivo, com destruição cortical e extensão a partes moles), e o diagnóstico exige biópsia. O capítulo 49 (p. 1963 aprox.) dá 10% de transformação maligna, e a Tabela 49.2 (p. 1955), 10% com o alerta da radioterapia (5% a 15%). O SIZÍNIO (cap. 29) diz que a maioria dos TCG malignizados, para fibro-histiocitoma ou fibrossarcoma, tinha recebido radioterapia, e o capítulo 30 lista o TCG entre as doenças que podem originar osteossarcoma secundário.

A dupla que as bancas usam, portanto, é transformação em torno de 10% e metástase pulmonar em poucos por cento (cerca de 3%). Uma alternativa com metástase de 0,1% a 0,4% subestima o risco; uma com 25% de transformação o superestima.

Os números do TCG em cada livro (Campbell 15, cap. 26, p. 873; cap. 28, p. 952 e 954; cap. 49, p. 1955 e 1963 aprox.; SIZÍNIO 5, cap. 29)
NúmeroCampbell cap. 28Campbell cap. 26 e 49SIZÍNIO
metástase pulmonarcerca de 3%1% a 5% (estágio 3); 1% a 11% (coluna)2% a 3%
mortalidade com metástasecerca de 15%
transformação malignamenos de 10%10% (coluna)ligada à radioterapia
transformação após radioterapiaassociada5% a 15% (Tab. 49.2)maioria dos malignizados foi irradiada
recidiva com curetagem simplesacima de 50%45% com enxerto (MSTS)
recidiva atual5% a 15%coluna: 10% a 80%3% com fenol e cimento
fratura patológica inicial10% a 30%
COA secundário20%pode coexistir

Sacro e coluna

Cobrança confirmada · 2 questões

O sacro é a exceção da coluna

Fora o sacro, o TCG raramente acomete a coluna (Campbell, cap. 28, p. 952). O capítulo 26 (p. 869.e1) diz que no sacro, cordoma e TCG estão no topo do diferencial. O capítulo 49 (p. 1963 aprox.) abre a seção com a frase que a prova copia: o TCG é o tumor benigno mais prevalente do sacro. Logo depois, o mesmo parágrafo diz que ele é o segundo, atrás do hemangioma, como neoplasia benigna sacral mais comum, uma contradição interna do texto; a primeira frase é a que responde à questão. O sacro concentra 50% dos TCG da coluna, e a coluna cervical é o segundo local vertebral.

Os outros números do capítulo 49: 1% a 18% dos TCG ocorrem na coluna; mulheres duas vezes mais; dor é a queixa mais comum, com longa evolução antes do diagnóstico; déficit neurológico em 20% a 80%. A imagem é expansiva, lítica e septada, muitas vezes com ruptura cortical e massa de partes moles; o diferencial inclui COA, osteoblastoma e metástase.

TCG ou cordoma no sacro

O capítulo 49 dá a chave: no sacro, o TCG fica na parte proximal e é excêntrico, e essa excentricidade o separa do cordoma, que é de linha média. O cordoma da Tabela 49.2 (p. 1955) é masculino (2:1), enquanto o TCG é feminino.

Corpo vertebral, não arco posterior

O capítulo 49 (p. 1963 aprox.) diz que mais de 50% dos TCG vertebrais acometem só o corpo vertebral. A Figura 49.11 (p. 1956) coloca TCG, COA, osteossarcoma e granuloma eosinofílico ao longo do corpo vertebral, e osteoblastoma, osteoma osteoide e EWING nos arcos e pedículos; o texto da p. 1961 aprox. lista hemangioma, granuloma eosinofílico e TCG como as lesões benignas típicas do corpo vertebral. O capítulo 26 (p. 869.e1) reforça a outra metade: nos elementos posteriores, pensar em COA, osteoblastoma e osteoma osteoide. O SIZÍNIO (cap. 29) concorda: na coluna, o TCG é lítico puro do corpo vertebral, e o osteoblastoma e o COA são mais frequentes no arco neural.

Há uma divergência dentro do próprio SIZÍNIO: o capítulo de coluna cervical diz que, nos elementos posteriores, os mais comuns são o TCG, o osteoma osteoide e o osteoblastoma. Essa frase contraria o capítulo de tumores do mesmo livro e o Campbell; para a prova, o TCG é o tumor dos elementos anteriores (corpo).

Tratamento na coluna e no sacro

Pela natureza agressiva, o melhor é a ressecção em bloco com margem ampla quando possível (Campbell, cap. 49, p. 1963 aprox.); a recidiva relatada vai de 10% a 80% apesar da cirurgia agressiva. Recomenda-se embolização pré-operatória. Embolização, denosumabe e radioterapia ficam para lesões que não podem ser ressecadas ou cuja cirurgia traria grande morbidade; se a excisão for intralesional, considerar crioterapia adjuvante (p. 1964).

TCG na coluna e no sacro (Campbell 15, cap. 26, p. 869.e1; cap. 49, p. 1955 a 1964; SIZÍNIO 5, cap. 29)
AspectoO que os livros dizem
frequência no sacrobenigno mais prevalente do sacro (com a ressalva do hemangioma no mesmo parágrafo)
distribuiçãosacro = 50% dos TCG da coluna; cervical em segundo
sítio na vértebracorpo vertebral (mais de 50% só o corpo)
elementos posterioresCOA, osteoblastoma, osteoma osteoide
clínicador longa; déficit neurológico em 20% a 80%
sacro x cordomaTCG proximal e excêntrico; cordoma na linha média
tratamentoressecção em bloco ampla; embolização pré-operatória
irressecáveldenosumabe, embolização, radioterapia (3500 a 4500 cGy)
recidiva10% a 80%

Fechamento

Fundamento

O TCG é o tumor benigno que se comporta como quase maligno. O retrato é o de uma mulher jovem com fise fechada e uma lesão lítica excêntrica que chega ao subcondral do fêmur distal, da tíbia proximal ou do rádio distal; a lâmina mostra células gigantes tipo osteoclasto sobre um estroma neoplásico; o diferencial obrigatório é o tumor marrom. O tratamento é cirúrgico e local, com curetagem estendida bem feita e cimento, reservando a ressecção para o estágio 3, a recidiva e o rádio agressivo, e o denosumabe para o irressecável. O seguimento é longo, porque o tumor pode recidivar e ir ao pulmão, e a radioterapia fica para a coluna e o sacro sem saída, pelo risco de malignização.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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