Orto Questões

Condrossarcoma

Tumores ósseos e de partes molesResumo do capítulo35 min de leitura

Segundo tumor maligno primário não hematológico do osso, metade da incidência do osteossarcoma, pico de 40 a 60 anos no primário e 25 a 45 no secundário; pelve, fêmur proximal e úmero proximal; maligno primário mais comum da mão; secundário sobre encondromas múltiplos (OLLIER ~25% até os 40 anos, MAFFUCCI ainda mais) e exostose múltipla (~5%) ou osteocondroma solitário (~1%); OLLIER não hereditário e predominantemente unilateral, MAFFUCCI com hemangiomas de partes moles; capa > 2 cm no adulto; calcificação em pipoca, puntiforme ou em anéis; erosão endosteal e massa de partes moles separam do encondroma; osteoide maligno = osteossarcoma condroblástico; células claras de baixo grau e epifisário, mesenquimal de alto grau; margem ampla, sem quimio no convencional; cartilagem avascular recidiva localmente; ressecção pélvica tipo III = púbis e ísquio.

Atualizado em 03/11/2026 · 35 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 27 · Tumores cartilaginosos (com o condrossarcoma do capítulo 29), em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição (2021), e o Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª edição. Autores do capítulo: Patrick C. TOY e Robert K. HECK Jr..

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de tumores ósseos e de partes moles do Campbell, capítulo 27, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado na seção Chondrosarcoma do capítulo 29 (Malignant Tumors of Bone) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição, de Patrick C. TOY e Robert K. HECK Jr., completada pelos capítulos de tumores benignos e de princípios gerais do mesmo livro, pelo Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição, e pelo Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª edição, que traz a classificação da OMS por graus. As páginas citadas são as impressas.

O condrossarcoma é o tumor maligno que fabrica cartilagem e não fabrica osso. Essa frase simples organiza quase tudo o que a prova cobra. Por fabricar cartilagem, ele calcifica em pipoca, em pontos e em anéis, como o encondroma, e por isso o grande problema diagnóstico é separar os dois. Por não fabricar osso, qualquer osteoide maligno na lâmina muda o nome para osteossarcoma condroblástico. Por ser cartilagem, tecido pouco vascularizado que vive de embebição, as células sobrevivem quando caem no campo operatório e recidivam localmente; e pela mesma biologia lenta, não responde à quimioterapia nem à radioterapia no tipo convencional. O tratamento, portanto, é a margem cirúrgica.

A banca cobra quatro blocos: o perfil (idade, local, a mão), a origem secundária (OLLIER, MAFFUCCI, exostose múltipla, osteocondroma), a imagem e a histologia que separam o encondroma do baixo grau, com os subtipos, e o tratamento (margens, recidiva local, quimioterapia, ressecções pélvicas).

Quem tem condrossarcoma, em que idade e onde

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Frequência e idade

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 29, p. 975), abre a seção com três números. O condrossarcoma tem incidência de cerca de metade da do osteossarcoma e é o segundo tumor maligno primário não hematológico mais comum do osso. A ressalva "não hematológico" importa: o SIZÍNIO HEBERT (Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed., cap. 30) lembra que, contando todos os primários malignos, o mieloma é o mais frequente, seguido por osteossarcoma, condrossarcoma e EWING. Na prova, quem pergunta "segundo mais comum" está excluindo o mieloma.

A idade é larga, mas tem dois picos que o Campbell separa com precisão: 40 a 60 anos para o condrossarcoma primário e 25 a 45 anos para o secundário. O secundário nasce sobre lesão presente desde a infância e se transforma cedo na vida adulta; o primário surge em osso antes normal. O SIZÍNIO HEBERT dá uma faixa parecida, 30 a 60 anos, e frisa que é muito raro abaixo dos 20 anos. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 26, p. 1071), vai além: o condrossarcoma ocorre basicamente em adultos, raramente em adolescentes e quase nunca em crianças.

Há leve predomínio masculino, como na maioria dos tumores ósseos, e sem predileção racial (Campbell, cap. 29, p. 975).

Onde nasce: o esqueleto proximal

O condrossarcoma pode surgir em qualquer osso, mas a maioria está numa localização proximal: pelve, fêmur proximal e úmero proximal (Campbell, cap. 29, p. 975). O SIZÍNIO HEBERT acrescenta costelas e escápula e faz o contraste que ajuda a fixar: o condroma prefere as extremidades (falanges, metacarpais), o condrossarcoma prefere o tronco e a raiz dos membros. Essa oposição entre periferia benigna e centro maligno reaparece em todas as decisões diagnósticas do capítulo: uma lesão cartilaginosa grande no esqueleto axial do adulto é suspeita até prova em contrário; uma lesão na falange quase sempre é encondroma.

Na coluna, o Campbell (cap. 49, p. 1965 aprox.) informa que ela responde por menos de 10% dos casos, com predileção pelo sacro; o tumor nasce muitas vezes da fise da base do pedículo, e cerca de 85% acometem os elementos posteriores.

Perfil do condrossarcoma (Campbell cap. 29, p. 975; cap. 49; SIZÍNIO cap. 30; Tachdjian cap. 26, p. 1071)
AspectoO que os livros dizemDetalhe que cai
frequênciametade da incidência do osteossarcoma2º maligno primário não hematológico
idade do primáriopico 40 a 60 anos (Campbell); 30 a 60 (SIZÍNIO)muito raro abaixo de 20 anos
idade do secundáriopico 25 a 45 anosnasce de lesão presente desde a infância
criançaquase nunca (Tachdjian)pensar em osteossarcoma condroblástico
sexoleve predomínio masculinosem predileção racial
locaispelve, fêmur proximal, úmero proximaltambém costelas e escápula (SIZÍNIO)
mãoraro, mas é o maligno primário mais comum ali1,5% a 10% dos casos em mão e pé
colunamenos de 10%; predileção pelo sacro85% nos elementos posteriores

A mão: raro, mas o primeiro da lista

A informação mais cobrada sobre localização é paradoxal. O Campbell (cap. 29, p. 975) diz que o condrossarcoma raramente ocorre na mão, mas, quando ocorre, é o tumor maligno primário de osso mais comum nesse local. O capítulo da mão do mesmo livro (cap. 83, p. 3587 aprox.) repete: entre as malignidades ósseas primárias da mão, o condrossarcoma é a mais comum. O osteossarcoma, por exemplo, foi raramente relatado ali. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 7) lista, entre os tumores ósseos primitivos malignos mais comuns da mão, nessa ordem, condrossarcoma, sarcoma osteogênico, sarcoma de EWING e fibrossarcoma.

Os números da mão: o condrossarcoma de mão e pé corresponde a 1,5% a 10% de todos os condrossarcomas e, entre os dois, a mão predomina (70% contra 30% do pé). Pode imitar artrose, com dor e edema, e pode apresentar-se por fratura patológica. Raramente nasce sobre encondroma prévio. O SIZÍNIO HEBERT o descreve na falange proximal de adultos.

Como o encondroma é muitíssimo mais comum na mão, o Campbell dá duas pistas de alarme: suspeitar de condrossarcoma quando a lesão é dolorosa ou quando recidiva depois de curetagem de um encondroma.

O caso típico: idoso com massa pélvica de crescimento lento

O Campbell ilustra o condrossarcoma convencional com a radiografia de um homem de 78 anos com grande tumor nascendo do púbis, com extensão para partes moles e calcificação puntiforme (cap. 29, p. 977, figura 29.8). O tumor cresce lentamente, com sintomas por anos. Idade avançada, raiz do membro, massa grande, evolução arrastada e matriz calcificada nascendo do osso: essa combinação aponta para condrossarcoma.

Fratura patológica

O Campbell não traz estatística de fratura patológica por sítio no condrossarcoma. O que ele diz é que dor sem fratura patológica é uma pista importante para separar o encondroma do condrossarcoma de baixo grau (cap. 29, p. 976), e que os locais mais comuns do tumor são pelve, fêmur proximal e úmero proximal. Na mão, o capítulo 83 lembra que a fratura patológica pode ser a forma de apresentação.

Primário e secundário: de onde nasce o condrossarcoma

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O conceito

O condrossarcoma primário nasce em osso previamente normal. O secundário nasce sobre uma lesão cartilaginosa benigna preexistente (Campbell, cap. 29, p. 975). O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) acrescenta a geografia: o secundário pode ser central, quando nasce de um encondroma dentro do canal medular, ou periférico, quando nasce da capa de um osteocondroma na superfície do osso. O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) usa quatro tipos: primário, secundário, mesenquimal e desdiferenciado.

O Campbell é direto sobre onde o secundário aparece com mais frequência: no contexto de encondromas múltiplos e de exostoses múltiplas hereditárias. Ele também lista condições menos comuns associadas ao condrossarcoma secundário: condromatose sinovial, fibroma condromixoide, condroma periosteal, condroblastoma, radioterapia prévia e displasia fibrosa (cap. 29, p. 976).

O risco de cada precursor

Aqui está o coração das questões sobre secundário. O risco individual muda muito conforme a doença de base.

  • Doença de OLLIER (encondromas múltiplos): incidência de malignidade, sobretudo condrossarcoma, de cerca de 25% até os 40 anos (Campbell, cap. 29, p. 975; cap. 27, p. 928).
  • Síndrome de MAFFUCCI (encondromas múltiplos com hemangiomas de partes moles): a incidência pode ser ainda maior que no OLLIER (Campbell, cap. 29, p. 975). O Tachdjian (cap. 25, p. 1028 aprox.) diz "semelhante ou maior" e cita SCHWARTZ e colaboradores, que relataram expectativa de degeneração maligna de quase 100%.
  • Exostose múltipla hereditária: risco ao longo da vida estimado em cerca de 5% (Campbell, cap. 29, p. 976).
  • Osteocondroma solitário: cerca de 1% (Campbell, cap. 29, p. 976).
  • Encondroma solitário: o Campbell admite que é difícil saber se ele dá origem a condrossarcoma e afirma que, se isso ocorre, a incidência não justifica tratar profilaticamente encondromas assintomáticos.

O Campbell faz uma ressalva honesta que vale para a prova quando a alternativa fala em "risco real". Os números do osteocondroma vêm de dados de patologia de centros de referência, onde chegam as lesões grandes e sintomáticas; como a prevalência verdadeira do osteocondroma na população é desconhecida (a maioria nunca procura médico), o risco real é provavelmente bem menor (cap. 27, p. 931). As escolas divergem nesses números:

  • o Tachdjian (cap. 25, p. 1020 e 1025 aprox.) estima a degeneração do osteocondroma solitário em menos de 0,25% e, na exostose múltipla, 0,9% a 5%, com risco ao longo da vida de cerca de 1% a 2%; num inquérito com 779 pacientes, 2,7%;
  • o SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) traz a série da Escola Paulista de Medicina: 0,1% no osteocondroma solitário e 9,77% (13 de 133 pacientes) na exostose múltipla; para o OLLIER, a série da Mayo Clinic com 16 transformações em 55 pacientes (30%), e, no capítulo da mão, cita transformação maligna de 50% no OLLIER.
Risco de condrossarcoma secundário conforme o precursor (Campbell cap. 27 e 29; Tachdjian cap. 25; SIZÍNIO cap. 7 e 29)
PrecursorCampbellTachdjianSIZÍNIO
MAFFUCCIpode ser maior que no OLLIERsemelhante ou maior; SCHWARTZ: quase 100%não quantifica
OLLIER~25% até os 40 anos25% a 30% até os 40; 20% a 33%30% (Mayo); 50% na mão
exostose múltipla hereditária~5% ao longo da vida0,9% a 5%; vida ~1% a 2%9,77% (EPM)
osteocondroma solitário~1%< 0,25%0,1% (EPM)
encondroma solitárioincerto; não tratar profilaticamenteraro na infância; mais em pelve e ossos proximais no adultoraro, sobretudo em mãos e pés

Qual doença tem o secundário mais frequente

Quando a questão pergunta em qual condição o condrossarcoma secundário é mais frequente, ela quer o risco por paciente. Pelo Campbell e pelo Tachdjian, a ordem é MAFFUCCI ≥ OLLIER > exostose múltipla > osteocondroma solitário. Cuidado com a frase do Campbell "ocorrem com mais frequência no contexto de encondromas múltiplos e exostoses múltiplas": ela descreve de onde vêm os casos, não o risco de cada paciente. As alternativas "doença de CAMPANACCI" (nome que o Tachdjian dá à displasia osteofibrosa da tíbia e da fíbula) e "condroblastoma" (que o Campbell cita apenas entre as associações raras) não competem.

OLLIER e MAFFUCCI

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O que é a doença de OLLIER

O Campbell (cap. 27, p. 928) define a encondromatose múltipla, ou doença de OLLIER, como condição rara em que muitos tumores cartilaginosos aparecem nos ossos tubulares grandes e pequenos e nos ossos chatos. A causa é uma falha da ossificação endocondral normal: ilhas de cartilagem da placa de crescimento deixam de ser substituídas por osso e ficam aprisionadas na metáfise e na diáfise. As lesões se localizam na epífise e nas partes vizinhas da metáfise e da diáfise. As deformidades decorrem diretamente desse mecanismo: encurtamento por falta de crescimento epifisário, alargamento das metáfises e arqueamento dos ossos longos. Na mão, as lesões múltiplas podem causar incapacidade considerável.

O Tachdjian (cap. 25, p. 1028 aprox.) traz a história e a imagem. OLLIER descreveu em 1889 uma condição de encondromas múltiplos, tipicamente unilaterais, com deformidade do membro (discondroplasia). À medida que o osso cresce, a cartilagem anômala vinda da fise forma massas lineares longas na diáfise, o que produz a septação metafisária "em leque", patognomônica. Por ser unilateral, gera discrepâncias de 10 a 25 cm na maturidade.

Dois atributos caem sempre juntos, e os livros brasileiros e americanos concordam:

  • não hereditário: o Tachdjian chama de distúrbio incomum e não hereditário; o SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) diz que a encondromatose múltipla é defeito não hereditário, sem tendência familiar, e que alguns autores preferem considerá-la displasia óssea mais que tumor verdadeiro;
  • predominantemente unilateral: o SIZÍNIO HEBERT aplica o nome "enfermidade de OLLIER" justamente aos casos extensos de distribuição predominantemente unilateral, como o caso original de 1899 (o Tachdjian data a descrição de 1889); no capítulo da mão, descreve vários encondromas na mesma mão, unilateralmente, podendo atingir todo o hemicorpo.

O contraste com a exostose múltipla é a armadilha previsível: a exostose múltipla é hereditária autossômica dominante e de distribuição geralmente simétrica (SIZÍNIO HEBERT, cap. 29).

A síndrome de MAFFUCCI

Quando a encondromatose se associa a hemangiomas das partes moles sobrejacentes, a doença é chamada síndrome de MAFFUCCI (Campbell, cap. 27, p. 928). O capítulo da mão do Campbell (cap. 83, p. 3581 e 3582) faz a distinção que a prova adora: só encondromas múltiplos caracterizam o OLLIER; hemangiomas visíveis em mãos e pernas caracterizam o MAFFUCCI. O SIZÍNIO HEBERT acrescenta que o MAFFUCCI é congênito e não hereditário, com hemangiomas cavernosos e maior associação com gliomas intracranianos. O Tachdjian descreve flebólitos nas partes moles da radiografia, hemangiomas viscerais (motivo para RM de corpo inteiro) e recomenda vigilância de cérebro e abdome.

Na tabela 27.2 do Campbell (p. 931), as duas condições têm o mesmo comentário: transformação maligna comum. É exatamente essa a combinação cobrada: encondromatose com hemangiomas e alta taxa de degeneração sarcomatosa. Não há hipoplasia renal, mixoma ou osteocondroma na definição. O mixoma intramuscular pertence a outra síndrome, a de MAZABRAUD (displasia fibrosa poliostótica com mixomas), descrita no mesmo capítulo do Campbell (p. 933 aprox.); a neurofibromatose e a displasia fibrosa poliostótica também não entram.

OLLIER, MAFFUCCI e exostose múltipla lado a lado (Campbell cap. 27 e 83; Tachdjian cap. 25; SIZÍNIO cap. 29)
AspectoOLLIERMAFFUCCIExostose múltipla hereditária
lesãoencondromas múltiplos (centrais)encondromas múltiplososteocondromas múltiplos (superfície)
partes molesnadahemangiomas, flebólitosbursas sobre as exostoses
herançanão hereditárionão hereditário, congênitoautossômica dominante (EXT1, EXT2)
distribuiçãopredominantemente unilateralhemangiomas uni ou bilateraisgeralmente simétrica
imagem típicaseptação metafisária em lequeflebólitosexostoses que apontam para longe da fise
risco de condrossarcoma~25% até os 40 anosigual ou maior; até quase 100%~5% (Campbell); 1% a 2% (Tachdjian)
outros riscosleucemias descritasgliomas, malignidades visceraiscompressões, deformidade do antebraço

Onde o OLLIER se transforma

O Campbell não diz em que osso o condrossarcoma do OLLIER aparece mais. O Tachdjian (cap. 25, p. 1027 aprox.) diz que encondromas de pelve, escápula, esterno, vértebras e porções proximais dos ossos longos têm maior probabilidade de transformação no adulto. E, para a exostose múltipla, o Tachdjian (p. 1025 aprox.) é explícito: a frequência relativa de condrossarcoma é maior nos osteocondromas da pelve e da cintura escapular, com pelve e escápula como locais mais comuns num inquérito recente. A regra útil: a transformação mora na pelve e na cintura escapular, não nas mãos.

O Tachdjian alerta ainda que, no OLLIER, a histologia pode ser hipercelular, com núcleos de aspecto ameaçador, imitando condrossarcoma de baixo grau; a mesma atipia na mão provavelmente é benigna, enquanto na pelve ou em ossos grandes a suspeita de sarcoma é maior. O sinal clínico de alarme, nos três livros, é o mesmo: crescimento localizado de uma lesão depois da maturidade, acompanhado de dor, situação em que a biópsia está indicada.

Tratamento e vigilância

As lesões individuais do OLLIER em geral não são tratadas; as deformidades mais evidentes são corrigidas por osteotomia, e o paciente deve ser vigiado indefinidamente para mudança maligna (Campbell, cap. 27, p. 930). O Tachdjian lembra que a doença não se cura por curetagem: as lesões da mão recidivam em um terço após curetagem e causam parada de crescimento das falanges; osteotomias, alongamentos e epifisiodeses são repetidos ao longo dos anos, e o fixador de ILIZAROV é o melhor método para corrigir ângulo e comprimento ao mesmo tempo.

Osteocondroma e exostose múltipla: o precursor periférico

Cobrança confirmada · 2 questões

A natureza do osteocondroma

O Campbell (cap. 27, p. 930 e 931) define os osteocondromas como tumores ósseos benignos comuns que provavelmente são malformações do desenvolvimento, e não neoplasias verdadeiras, e afirma que se originam no periósteo como pequenos nódulos cartilaginosos. A lesão é uma massa óssea, muitas vezes em pedículo, produzida pela ossificação endocondral progressiva de uma capa cartilaginosa em crescimento, que funciona como uma placa de crescimento. O crescimento acompanha o do paciente e cessa na maturidade. Cerca de 90% dos pacientes têm lesão única, geralmente na metáfise de osso longo junto da fise (fêmur distal, tíbia proximal, úmero proximal).

O Tachdjian (cap. 25, p. 1019 aprox.) mostra que a origem é debatida: VIRCHOW propôs um pedaço de fise que gira 90 graus; KEITH, um defeito do anel pericondral; MÜLLER, ninhos de cartilagem da camada câmbio do periósteo; a visão atual é de crescimento mal direcionado de parte da fise. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) lembra que a exostose tem sua própria placa de crescimento.

Para a prova, a frase do Campbell é a referência: origem a partir de pequenos nódulos cartilaginosos no periósteo. As alternativas "cartilagem hialina", "má formação óssea" e "alteração do crescimento ósseo" descrevem aspectos verdadeiros da lesão (a capa é hialina, é uma malformação, altera o crescimento), mas não respondem "a origem".

Quando o osteocondroma vira condrossarcoma

A malignização do osteocondroma é extremamente rara e, quando ocorre, geralmente é um condrossarcoma de baixo grau (Campbell, cap. 27, p. 931 e 932). O sinal clínico é uma lesão quieta que, no adulto, volta a crescer rapidamente; o SIZÍNIO HEBERT acrescenta o aparecimento de dor. O sinal de imagem central é a espessura da capa cartilaginosa:

  • no adulto, a capa normal tem poucos milímetros; na criança pode chegar a 2 cm (Campbell, cap. 27, p. 931); o SIZÍNIO HEBERT dá 1 a 3 mm, mais espessa quanto mais jovem, sem relação com malignidade na criança e no adulto jovem;
  • na transformação, a capa costuma ter mais de 2 cm; capa > 2 cm em esqueleto maduro obriga a considerar condrossarcoma secundário (Campbell, cap. 29, p. 976; cap. 27, p. 932);
  • a avaliação é feita por TC ou RM, porque a capa não aparece na radiografia simples.

Os livros divergem no corte. O Tachdjian (tabela 25.1, p. 1021, baseada em KENNEY) usa capa < 1 cm no osteocondroma e > 3 cm, lobulada e invadindo partes moles, no condrossarcoma; na exostose múltipla, diz que capa > 1 cm levanta suspeita. E o Tachdjian (cap. 26, p. 1072) faz uma crítica: é a histologia da capa, e não a espessura, que define o condrossarcoma; lembra ainda que osteocondromas benignos podem crescer na maturidade sem malignidade e que bursas grandes podem imitar condrossarcoma, distinção feita pela RM.

Os outros sinais de malignização, pelo SIZÍNIO HEBERT, são a perda da linha de demarcação da superfície externa e a perda de continuidade com a cortical. O Tachdjian descreve, no exostótico maligno, massa cartilaginosa irregular com calcificação de densidade variável na periferia e proliferação da capa para as partes moles; o realce septal com gadolínio ajuda a separar o condrossarcoma de baixo grau do osteocondroma.

Osteocondroma ou condrossarcoma secundário (Tachdjian tabela 25.1, p. 1021, segundo KENNEY; Campbell cap. 27 e 29)
CritérioOsteocondromaCondrossarcoma
relação com o ossocortical e medular contínuas com o ossoperda gradual da continuidade da cortical
superfícienítida, bem demarcadaborrada, indistinta
capa (melhor na RM)fina: poucos mm no adulto; < 1 cm (Tachdjian)> 2 cm no adulto (Campbell); > 3 cm, lobulada (Tachdjian)
matrizdensa na periferia, osso esponjoso normal no centroperiferia granular, calcificação desorganizada, manchas centrais
partes molesnormaisgrande massa com calcificação desorganizada
clínicacresce com a criança e para na maturidadevolta a crescer no adulto, com dor

A exostose múltipla hereditária e o antebraço

A exostose múltipla hereditária é autossômica dominante com penetrância variável, causada em geral por mutação de EXT1 (cromossomo 8q24) ou EXT2 (11p) (Campbell, cap. 27, p. 931). O Tachdjian acrescenta que a transformação maligna é mais associada às mutações de EXT1, e que os genes codificam glicosiltransferases do sulfato de heparano, essenciais à sinalização da fise. Além das exostoses, há distúrbio de crescimento: tubulação anormal, metáfises largas e rombas e, no antebraço, arqueamento do rádio e encurtamento da ulna, com desvio ulnar da mão.

O SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) dá nome a esse antebraço: deformidade de BESSEL-HAGEN, com ulna hipoplásica de extremidade distal afilada, rádio encurvado, cabeça do rádio luxada posterolateralmente em grau variável e desvio ulnar do punho. O antebraço está envolvido em 85% dos pacientes. O Tachdjian (cap. 25, p. 1023 aprox.) explica o mecanismo: a extremidade distal da ulna costuma ser mais afetada que a do rádio, a ulna fica curta, o rádio se arqueia e a luxação da cabeça do rádio associa-se à variância ulnar negativa.

As alternativas da prova são outros epônimos: OLLIER é a encondromatose, doença de lesões centrais e não de exostoses; MADELUNG e SAUVÉ-KAPANDJI não aparecem nos livros conferidos ligados à exostose múltipla. O epônimo do antebraço da osteocondromatose, no SIZÍNIO HEBERT, é BESSEL-HAGEN.

A ressecção do osteocondroma

A cirurgia (ressecção em bloco) está indicada quando a lesão é grande e inestética, comprime estruturas ou tem sinais de malignidade na imagem (Campbell, cap. 27, p. 932). A recidiva é rara e se deve à capa cartilaginosa não removida por inteiro. O SIZÍNIO HEBERT manda retirar a capa e o pericôndrio em bloco, sem descolá-lo, porque fragmentos implantados nas partes moles recidivam. O Tachdjian completa: a biópsia de um presumido condrossarcoma sobre osteocondroma tem valor limitado e risco de semear o trajeto.

O encondroma: o diferencial de todos os dias

Cobrança confirmada · 1 questão

O que é e onde mora

Os condromas são lesões benignas de cartilagem hialina, comuns, em todas as idades (Campbell, cap. 27, p. 928). Quando nascem no canal medular, são encondromas; raramente nascem na superfície, e então são condromas periosteais ou justacorticais. Embora qualquer osso possa ser acometido, as falanges da mão são o local mais comum, e o condroma é o tumor mais comum dos ossos pequenos de mãos e pés. Em geral é assintomático e achado por acaso, ou descoberto depois de uma fratura patológica.

O capítulo da mão do Campbell (cap. 83, p. 3580 e 3581) diz que os encondromas são os tumores ósseos primários mais comuns e mais destrutivos da mão, e que o local mais comum é a metáfise proximal da falange proximal, onde a lesão é excêntrica e expansiva. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 7) confirma a ordem: falange proximal a mais acometida, seguida pela falange média e pelos metacarpais; raro no carpo; mais frequente na segunda e terceira décadas, sem predileção por sexo. A falange distal é localização pouco comum, mostrada como exceção numa figura do mesmo capítulo. O Tachdjian (cap. 25, p. 1027 aprox.) dá a proporção: quase 50% dos encondromas solitários estão na mão, sobretudo nas falanges; o pico de apresentação é por volta dos 35 anos.

Fratura e tratamento do encondroma

Na mão, a fratura patológica é comum, porque basta um trauma mínimo para quebrar a casca fina de osso. O Campbell (cap. 83) recomenda deixar a fratura consolidar antes de excisar o tumor; depois, janela oval na área de maior expansão, curetagem do material cartilaginoso mole e arroxeado e enxerto. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) explica por que a fratura não cura o encondroma, ao contrário do cisto ósseo: o hematoma ocupa toda a cavidade de um cisto, mas não substitui a cartilagem do condroma.

Fora da mão, o encondroma solitário é tratado com observação e radiografias seriadas; se crescer ou ficar sintomático, a curetagem estendida geralmente cura. Antes de operar por dor, o Campbell (cap. 27, p. 930) manda excluir outra causa: o exemplo é o encondroma do úmero proximal de uma mulher cuja dor vinha do manguito rotador e melhorou com fisioterapia. O SIZÍNIO HEBERT faz uma ressalva de técnica oncológica: em tumores cartilaginosos benignos ou malignos o risco de implantação é alto, e fora de mãos e pés a ressecção com margem ampla é preferível à curetagem sempre que possível.

Encondroma ou condrossarcoma de baixo grau

Esta é a pergunta mais difícil de todo o tema, e o Campbell (cap. 27, p. 929) diz isso com todas as letras: a diferenciação entre tumores cartilaginosos benignos e malignos é um dos problemas mais difíceis da patologia óssea, e o diagnóstico pode depender mais da clínica e da imagem que da lâmina. Os livros dão quatro eixos de decisão.

  • Sintoma. Dor sem fratura patológica favorece condrossarcoma; lesão assintomática achada por acaso é encondroma em quase todos os casos (Campbell, cap. 29, p. 976).
  • Local. Na mão, uma lesão de aspecto agressivo ainda pode ser benigna; na pelve ou no fêmur proximal, a mesma destruição é diagnóstica de condrossarcoma (Campbell, cap. 29, p. 976). O Tachdjian resume: pequenos tumores periféricos geralmente são benignos; grandes tumores axiais do adulto, provavelmente malignos.
  • Erosão endosteal. Em locais proximais, a erosão endosteal profunda, de dois terços da espessura da cortical, frequentemente indica condrossarcoma; a TC é o melhor exame para avaliá-la (Campbell, cap. 27, p. 928).
  • Massa de partes moles. Nunca está presente no encondroma e sempre indica condrossarcoma (Campbell, cap. 27, p. 928).
Encondroma ou condrossarcoma de baixo grau (Campbell cap. 27, p. 928 e 929, e cap. 29, p. 976; Tachdjian cap. 25 e 26; SIZÍNIO cap. 29)
EixoEncondromaCondrossarcoma
idadetodas; pico ~35 anosadulto; pico 40 a 60 anos
sede típicafalanges da mão e do pépelve, fêmur e úmero proximais
sintomaassintomático, achado ou fraturador sem fratura, massa
calcificaçãopontilhada, puntiforme, em pipocaa mesma, com área radiotransparente que cresce
corticalintacta (exceto na mão, onde expande)erosão endosteal de dois terços, destruição
reação periostealnão costuma haverpode haver
partes molesnunca há massamassa sempre indica malignidade
histologia proximalbranda, hipocelularhipercelular, núcleos volumosos, binucleadas
melhor exameradiografia; TC se dúvidaTC para erosão endosteal; RM para extensão
condutaobservação; curetagem se cresceressecção conforme o grau

O SIZÍNIO HEBERT e o Tachdjian concordam que a cintilografia não diferencia condroma de condrossarcoma, embora o Tachdjian considere preocupante o aumento de captação em exames seriados; o Tachdjian lembra ainda que o infarto ósseo imita o encondroma, com calcificação mais periférica.

Imagem do condrossarcoma

Cobrança confirmada · 1 questão

A radiografia muitas vezes basta

O Campbell (cap. 29, p. 976) afirma que o aspecto radiográfico do condrossarcoma frequentemente é diagnóstico. Como o encondroma, é uma lesão do canal medular com calcificação irregular da matriz, descrita como "puntiforme", "em pipoca" ou "em vírgula". No capítulo de princípios gerais (cap. 26, p. 870 aprox.), o mesmo livro ensina o raciocínio da matriz: calcificação puntiforme, pontilhada, sugere formação de cartilagem, como no encondroma ou no condrossarcoma; a ossificação de matriz com destruição sugere osteossarcoma; o vidro fosco sugere displasia fibrosa.

O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) descreve a lesão central como lítica, um pouco arredondada, com erosão endosteal e calcificações puntiformes, em arcos ou em anéis; nos casos avançados há erosão cortical e massa de partes moles. A lesão periférica (sobre osteocondroma) se mostra por espessamento da capa e borramento do limite ósseo.

O que separa o condrossarcoma do encondroma na radiografia é a agressividade: destruição óssea, erosões corticais, reação periosteal e massa de partes moles (Campbell, cap. 29, p. 976). O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) acrescenta detalhes do condrossarcoma central nascido de encondroma: radiotransparência medular, destruição mal delimitada, festonado endosteal, alargamento e espessamento da cortical (que pode mascarar a malignidade) e massa de partes moles variavelmente mineralizada. A imagem que resume a transformação é esta: o encondroma prévio é mineralizado, a área maligna é radiotransparente.

TC e RM

A TC mostra as erosões endosteais e outras evidências de destruição e ajuda a separar lesões cartilaginosas benignas de malignas (Campbell, cap. 29, p. 976); no capítulo 26 é indicada para avaliar a calcificação de uma lesão cartilaginosa suspeita e a erosão endosteal no condrossarcoma. A RM define melhor a extensão da massa de partes moles e a relação com estruturas vizinhas (figura 29.8) e é a base do planejamento da ressecção, sobretudo na pelve (SIZÍNIO HEBERT). Para o tumor periférico, TC ou RM medem a capa do osteocondroma, critério já discutido.

O padrão de calcificação e o grau

Os livros conferidos descrevem o padrão da matriz cartilaginosa (anéis e arcos, pontos, pipoca, vírgulas) sem separar um padrão próprio para cada grau. O raciocínio que eles sustentam é indireto: o condrossarcoma de baixo grau tem razão célula/matriz baixa, com mais matriz cartilaginosa (Tachdjian, cap. 26, p. 1072), e por isso conserva a calcificação típica da cartilagem, em anéis e arcos e em pontos; o tumor de alto grau, com pouca matriz e mais células, tende a mostrar áreas radiotransparentes destrutivas, e o desdiferenciado mostra justamente uma área lítica agressiva ao lado do componente calcificado.

Histologia, graus e o falso condrossarcoma da criança

Cobrança confirmada · 1 questão

O que o patologista procura

O condrossarcoma convencional é feito de células malignas com abundante matriz cartilaginosa (Campbell, cap. 29, p. 976). Uma regra fecha o diagnóstico diferencial com o osteossarcoma: se houver osteoide maligno, mesmo em pequena quantidade, o diagnóstico passa a ser osteossarcoma condroblástico, tumor com prognóstico e tratamento diferentes. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) diz o mesmo em outra forma: o condrossarcoma é tumor maligno caracterizado pela formação de cartilagem, mas não de osso, pelas células tumorais.

Os achados que favorecem malignidade, segundo o Campbell, são hipercelularidade, núcleos volumosos, células binucleadas mais que ocasionais, padrão permeativo e aprisionamento de trabéculas ósseas (figura 29.9). O SIZÍNIO HEBERT acrescenta grande pleomorfismo e células com núcleos grandes ou duplos, e observa que as mitoses não são frequentes, coerente com o crescimento lento. Na biópsia de lesão limítrofe, o Campbell pede o máximo de tecido possível e insiste que em nenhuma outra situação a correlação clínico-radiológica é tão importante.

Há lesões que são hipercelulares e ainda assim benignas: encondromas da encondromatose múltipla, condromas periosteais, condromatose sinovial e encondromas da mão (Campbell, cap. 29, p. 976). Inversamente, um encondroma proximal deve ser brando e hipocelular, e qualquer hipercelularidade ou atipia num tumor cartilaginoso proximal deve levantar suspeita (cap. 27, p. 928 e 929). A mesma lâmina pode ser benigna na falange e maligna na pelve.

Os graus

O Campbell trabalha com baixo grau e alto grau, o que basta para decidir o tratamento. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) usa a escala em três graus: grau 1 (baixo), grau 2 (intermediário) e grau 3 (alto), e afirma que agressividade local, recidiva local, metástase e prognóstico pioram com o grau. O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) traduz o grau em histologia: no baixo grau, a razão célula/matriz é baixa (mais matriz que células), com condrócitos malignos em pequenos grupos; no alto grau, a razão é alta, sem agrupamento, com células hipercromáticas multinucleadas, mitoses numerosas e erosão do osso nativo e dos sistemas de HAVERS.

A classificação da OMS de 2013, reproduzida pelo SIZÍNIO HEBERT, mudou o lugar do grau 1: o tumor cartilaginoso atípico/condrossarcoma grau I fica entre os tumores intermediários (localmente agressivos); são malignos o condrossarcoma graus II e III, o desdiferenciado, o mesenquimal e o de células claras. O capítulo da mão do Campbell (cap. 83, p. 3588 aprox.) usa a mesma ideia: os condrossarcomas de baixo grau são às vezes chamados de tumores cartilaginosos atípicos e têm desfecho muito favorável.

Graus do condrossarcoma (SIZÍNIO cap. 30; Tachdjian cap. 26, p. 1072; Campbell cap. 26, p. 873, e cap. 29, p. 979)
GrauHistologiaComportamentoClassificação OMS 2013Prognóstico
1 (baixo)pouca célula, muita matriz, grupos pequenos, binucleadaslocalmente agressivo, metástase raratumor cartilaginoso atípico/grau I, intermediáriosobrevida em 10 anos > 90%
2 (intermediário)celularidade maiorrecidiva e metástase aumentammalignointermediário
3 (alto)razão célula/matriz alta, mitoses, sem grupos, invade o ossometástase pulmonarmaligno10 anos: 20% a 40% (alto grau convencional)

No sistema de ENNEKING (Campbell, cap. 26, p. 873 e 874), o grau entra diretamente no estádio: I para baixo grau (bem diferenciado, poucas mitoses, risco de metástase < 25%) e II para alto grau, cada um dividido em A (intracompartimental) e B (extracompartimental); III é qualquer lesão com metástase. O exemplo de estádio IA que o Campbell escolhe na figura 26.6 é exatamente um condrossarcoma do fêmur proximal.

O "condrossarcoma de alto grau" da criança

O Tachdjian (cap. 26, p. 1071 e 1072) dá o conceito que resolve a pergunta da criança. Como o condrossarcoma verdadeiro quase não existe na infância, o diagnóstico de condrossarcoma de alto grau em congelação ou em biópsia de adolescente deve levantar a suspeita de osteossarcoma condroblástico. Na maioria dos casos, o "condrossarcoma de alto grau" da criança é na verdade um osteossarcoma condroblástico, e isso fica evidente quando a peça inteira é examinada e aparece o osso neoplásico. Os autores recomendam quimioterapia adjuvante, como em qualquer osteossarcoma. É a regra do Campbell aplicada à idade: osteoide maligno muda o nome.

Os subtipos raros e o periosteal

Fundamento

Visão geral

O Campbell (cap. 29, p. 977) reúne três subtipos menos comuns, que juntos somam menos de 20% dos condrossarcomas: desdiferenciado, de células claras e mesenquimal. Guarde-os pelo grau e pela resposta à quimioterapia.

Desdiferenciado

É um sarcoma fusocelular de alto grau (mais comumente osteossarcoma, seguido de fibrossarcoma e histiocitoma fibroso maligno) ao lado de um condrossarcoma típico de baixo grau (Campbell, cap. 29, p. 977). A imagem conta a mesma história: uma área radiotransparente mais agressiva justaposta a um condrossarcoma de aspecto comum. É o subtipo de pior prognóstico: sobrevida em 5 anos de 10% a 25%, com a maioria das mortes nos dois primeiros anos (p. 979). Recebe quimioterapia com frequência. O SIZÍNIO HEBERT resume: de alta malignidade.

De células claras

Formado por células redondas com citoplasma claro abundante e limites citoplasmáticos nítidos, sobre fundo de matriz cartilaginosa, com células gigantes multinucleadas geralmente visíveis. É de baixo grau (Campbell, cap. 29, p. 977). Tem forte tendência a nascer na epífise, sobretudo do fêmur proximal, pode ter aspecto radiográfico benigno e pode ser confundido com condroblastoma ou tumor de células gigantes (p. 978). O SIZÍNIO HEBERT diz que tem melhor prognóstico.

O capítulo de princípios gerais do Campbell (cap. 26, p. 869) coloca o subtipo no quadro das lesões epifisárias: condroblastoma (10 a 25 anos), tumor de células gigantes (20 a 40 anos) e condrossarcoma de células claras (raro). A regra prática do mesmo capítulo é que a lesão epifisária no esqueleto imaturo provavelmente é condroblastoma e, no maduro, tumor de células gigantes; o condrossarcoma de células claras é a exceção rara do adulto, que imita os dois.

Mesenquimal

É de alto grau, formado por pequenas células redondas azuis com ilhas de cartilagem de aspecto benigno; as áreas celulares têm padrão hemangiopericitomatoso, com vasos em "chifre de veado" (Campbell, cap. 29, p. 978). Na radiografia pode lembrar o convencional, mas com mais frequência é agressivo e inespecífico. O exemplo do Campbell é de uma mulher de 22 anos com tumor pélvico tratado com quimioterapia e ressecção. O SIZÍNIO HEBERT diz que o mesenquimal responde à quimioterapia, e o capítulo de coluna do Campbell afirma que, ali, a quimioterapia só tem papel no tipo mesenquimal.

O periosteal (justacortical)

O Campbell não descreve o condrossarcoma periosteal; descreve o condroma justacortical: pequeno (< 3 cm), num defeito em pires da superfície, com cortical esclerótica e bordas escoradas (cap. 27, p. 928). O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) traz o critério do lado maligno: o condrossarcoma periosteal tem cortical subjacente e é lesão de superfície, assim como o osteossarcoma periosteal, enquanto o osteocondroma séssil compartilha a cortical com o osso e tem medular em comunicação.

Subtipos do condrossarcoma (Campbell cap. 29, p. 977 a 979; cap. 49; Tachdjian cap. 26; SIZÍNIO cap. 30)
SubtipoHistologiaGrau e sedeImagemTratamento e prognóstico
convencional (central)células malignas com abundante matriz cartilaginosagraus 1 a 3; pelve, fêmur e úmero proximaiscalcificação em pipoca, pontos, anéis; erosão endostealcirurgia; sem quimio; baixo grau > 90% em 10 anos
secundário perifériconasce da capa do osteocondromageralmente baixo graucapa > 2 cm no adultoressecção ampla; prognóstico bom
desdiferenciadosarcoma fusocelular de alto grau (osteossarcoma) ao lado de baixo graualto grauárea lítica agressiva junto do componente típicoquimio frequente; 5 anos 10% a 25%
células clarascélulas redondas de citoplasma claro, gigantes multinucleadasbaixo grau; epífise do fêmur proximalpode parecer benignoconfunde com condroblastoma e TCG; melhor prognóstico
mesenquimalpequenas células redondas azuis, ilhas de cartilagem, vasos em chifre de veadoalto grauagressivo inespecíficoresponde à quimioterapia
periosteallesão de superfíciesobre a corticalcortical subjacente presente, sem comunicação medulardiferencial com condroma periosteal e osteossarcoma periosteal

Biópsia, margens e tratamento cirúrgico

Cobrança confirmada · 2 questões

A biópsia e a ressecção sem biópsia

A biópsia deve ser planejada como o procedimento definitivo, feita depois de completa a avaliação e, se houver suspeita de sarcoma, após encaminhamento ao oncologista ortopédico (Campbell, cap. 26, p. 875). No condrossarcoma, isso pesa mais, porque a cartilagem implanta no trajeto. Por isso o Campbell admite a ressecção primária sem biópsia de lesão dolorosa em osso dispensável (fíbula proximal, ulna distal) quando ela seria ressecada de qualquer forma: o exemplo da figura 26.10 é um condrossarcoma de baixo grau da fíbula proximal, retirado com margem ampla sem contaminar o nervo fibular comum. Na escápula (figura 26.20), a incisão faz uma elipse ao redor do trajeto da biópsia.

As quatro margens de ENNEKING

O Campbell (cap. 26, p. 882) define as margens que dão sentido às palavras "ressecção" e "amputação". Elas se combinam com os dois tipos de procedimento e geram oito operações; uma hemipelvectomia por tumor intrapélvico grande pode ser apenas marginal.

Margens cirúrgicas de ENNEKING (Campbell cap. 26, p. 882)
MargemPlano de dissecçãoQuando basta
intralesionaldentro do tumor ("debulking")paliação; benigno sintomático em local nobre
marginalpela pseudocápsula (zona reativa)maioria dos benignos e alguns malignos de baixo grau; no alto grau deixa satélites
amplatecido normal, manguito completo; tocou a pseudocápsula vira marginalobjetivo no alto grau
radicaltodos os compartimentos com tumor em blocohoje raramente necessária

O que fazer em cada grau

O Campbell (cap. 29, p. 978) organiza a conduta assim. O baixo grau tem tratamento controverso: muitos autores relatam excelentes resultados com curetagem estendida e adjuvantes intraoperatórios, mas isso só é adequado para lesões confinadas ao canal medular; com extensão a partes moles, trata-se como alto grau. O alto grau exige ressecção ampla ou radical, ou amputação. A curetagem estendida (cap. 26, p. 882) usa janela ampla, broca e adjuvante (nitrogênio líquido, fenol, cimento ou argônio). O Tachdjian descreve a mesma tendência: curetagem agressiva com adjuvantes no baixo grau das extremidades arrisca recidiva local, mas não metástase.

Quimioterapia não tem papel no condrossarcoma convencional, mas é usada com frequência no desdiferenciado e no mesenquimal; a radioterapia tem papel limitado, só paliativo em lesão cirurgicamente inacessível (Campbell, cap. 29, p. 978). O SIZÍNIO HEBERT resume: tratamento eminentemente cirúrgico, porque o tumor é resistente à quimio e à radioterapia. Na coluna (Campbell, cap. 49), ressecção em bloco quando possível; se não, ressecção macroscópica e radioterapia de alta dose. Na mão (cap. 83), o alto grau pede ressecção em bloco, como a ressecção do raio, com recidiva de 7% contra 38% após curetagem, sem diferença de sobrevida; o baixo grau admite técnicas que poupam o dedo.

Conduta por cenário (Campbell cap. 26, 29, 49 e 83; Tachdjian cap. 26; SIZÍNIO cap. 30)
CenárioConduta
baixo grau intramedular de extremidadecuretagem estendida com adjuvante ou ressecção
baixo grau com partes molescomo alto grau: ressecção ampla
alto grau convencionalressecção ampla ou radical, ou amputação; sem quimio
desdiferenciado e mesenquimalcirurgia e quimioterapia
osso dispensávelressecção ampla primária sem biópsia
pelvehemipelvectomia interna ou externa conforme margens e vasos
mão, alto grauressecção em bloco ou do raio
recidiva localnova ressecção ampla ou amputação
metástase pulmonarressecção cirúrgica se possível

Por que recidiva: a cartilagem avascular

A explicação biológica da recidiva é cobrada como frase de certo ou errado. O Campbell (cap. 29, p. 978) diz: como a cartilagem é relativamente avascular, as células sobrevivem facilmente ao transplante, e a recidiva local depois de contaminação intraoperatória é alta. O SIZÍNIO HEBERT diz o mesmo com o mecanismo: as células se implantam nas partes moles e causam recidiva local frequente, porque se nutrem por embebição. Daí a ressecção ampla, a ressecção sem biópsia em osso dispensável e o cuidado de não violar a capa de um osteocondroma malignizado. Depois de ressecção ampla, a recidiva local é menor que 10% e se trata com nova ressecção ampla ou amputação; as metástases pulmonares também são ressecadas se possível. A recidiva local é o fracasso típico; metástase hepática ou saltatória não aparece na história natural descrita.

Ressecções pélvicas

Cobrança confirmada · 1 questão

A pelve é a sede mais comum do condrossarcoma e o lugar onde a classificação das ressecções é cobrada. O Campbell (cap. 26, p. 903 aprox. e 904) classifica as ressecções da pelve em tipo I, ilíaca; tipo II, periacetabular; tipo III, obturatória (púbis e ísquio); e tipo IV, sacral. Ressecções de mais de uma área combinam os números (I e II, por exemplo), e acrescenta-se H quando a cabeça femoral sai junto. A ressecção local preservando o membro é a hemipelvectomia interna (cap. 19, p. 720), em contraste com a externa, que é a amputação do membro com a hemipelve. O Campbell lembra que a ressecção local muitas vezes obtém as mesmas margens da amputação, com melhor função; a amputação tem menos complicações e é indicada quando os vasos ilíacos estão acometidos.

Ressecções pélvicas (Campbell cap. 26, p. 903 a 905)
TipoRegiãoReconstrução
Iílionão exige; 1 a 2 cm de encurtamento se todo o ílio; enxerto pode ligar acetábulo ao sacro
IIperiacetábuloartrodese iliofemoral ou isquiofemoral, aloenxerto-prótese, prótese em sela, ou só partes moles
IIIobturatória: púbis e ísquionão exige: o púbis não suporta carga e as sacroilíacas mantêm a estabilidade
IVsacroconforme a extensão

O caso clássico do Campbell, o condrossarcoma do púbis com massa de partes moles no idoso, cai no tipo III, que é também a ressecção de reconstrução mais simples.

Prognóstico e seguimento

Fundamento

O prognóstico depende sobretudo de tamanho, grau e localização; se o alto grau não pode ser ressecado com margens amplas ou radicais, a recidiva é provável (Campbell, cap. 29, p. 978 e 979). A sobrevida em 10 anos é maior que 90% no baixo grau e de 20% a 40% no alto grau convencional; o desdiferenciado tem 10% a 25% em 5 anos. Como o tumor é lento, recidivas e metástases pulmonares podem surgir anos ou décadas depois, e uma parte significativa das recidivas tem grau maior que o original; por isso o seguimento com imagem do local e do tórax é longo.

Prognóstico (Campbell cap. 29, p. 979; cap. 49)
SituaçãoSobrevida
baixo grau> 90% em 10 anos
alto grau convencional20% a 40% em 10 anos
desdiferenciado10% a 25% em 5 anos, mortes nos 2 primeiros anos
coluna53% em 5 anos

Fechamento

Fundamento

O condrossarcoma é cartilagem maligna do adulto, lenta, no esqueleto proximal. Tudo deriva disso: a semelhança com o encondroma (resolvida por dor, local, erosão endosteal e massa), a origem sobre lesões cartilaginosas (OLLIER, MAFFUCCI, exostose múltipla), a troca de nome quando aparece osteoide, a resistência à quimioterapia e a recidiva por implante.

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