Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo é inspirado na seção Chondrosarcoma do capítulo 29 (Malignant Tumors of Bone) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição, de Patrick C. TOY e Robert K. HECK Jr., completada pelos capítulos de tumores benignos e de princípios gerais do mesmo livro, pelo Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª edição, e pelo Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª edição, que traz a classificação da OMS por graus. As páginas citadas são as impressas.
O condrossarcoma é o tumor maligno que fabrica cartilagem e não fabrica osso. Essa frase simples organiza quase tudo o que a prova cobra. Por fabricar cartilagem, ele calcifica em pipoca, em pontos e em anéis, como o encondroma, e por isso o grande problema diagnóstico é separar os dois. Por não fabricar osso, qualquer osteoide maligno na lâmina muda o nome para osteossarcoma condroblástico. Por ser cartilagem, tecido pouco vascularizado que vive de embebição, as células sobrevivem quando caem no campo operatório e recidivam localmente; e pela mesma biologia lenta, não responde à quimioterapia nem à radioterapia no tipo convencional. O tratamento, portanto, é a margem cirúrgica.
A banca cobra quatro blocos: o perfil (idade, local, a mão), a origem secundária (OLLIER, MAFFUCCI, exostose múltipla, osteocondroma), a imagem e a histologia que separam o encondroma do baixo grau, com os subtipos, e o tratamento (margens, recidiva local, quimioterapia, ressecções pélvicas).
Quem tem condrossarcoma, em que idade e onde
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Frequência e idade
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 29, p. 975), abre a seção com três números. O condrossarcoma tem incidência de cerca de metade da do osteossarcoma e é o segundo tumor maligno primário não hematológico mais comum do osso. A ressalva "não hematológico" importa: o SIZÍNIO HEBERT (Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed., cap. 30) lembra que, contando todos os primários malignos, o mieloma é o mais frequente, seguido por osteossarcoma, condrossarcoma e EWING. Na prova, quem pergunta "segundo mais comum" está excluindo o mieloma.
A idade é larga, mas tem dois picos que o Campbell separa com precisão: 40 a 60 anos para o condrossarcoma primário e 25 a 45 anos para o secundário. O secundário nasce sobre lesão presente desde a infância e se transforma cedo na vida adulta; o primário surge em osso antes normal. O SIZÍNIO HEBERT dá uma faixa parecida, 30 a 60 anos, e frisa que é muito raro abaixo dos 20 anos. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 26, p. 1071), vai além: o condrossarcoma ocorre basicamente em adultos, raramente em adolescentes e quase nunca em crianças.
Há leve predomínio masculino, como na maioria dos tumores ósseos, e sem predileção racial (Campbell, cap. 29, p. 975).
Onde nasce: o esqueleto proximal
O condrossarcoma pode surgir em qualquer osso, mas a maioria está numa localização proximal: pelve, fêmur proximal e úmero proximal (Campbell, cap. 29, p. 975). O SIZÍNIO HEBERT acrescenta costelas e escápula e faz o contraste que ajuda a fixar: o condroma prefere as extremidades (falanges, metacarpais), o condrossarcoma prefere o tronco e a raiz dos membros. Essa oposição entre periferia benigna e centro maligno reaparece em todas as decisões diagnósticas do capítulo: uma lesão cartilaginosa grande no esqueleto axial do adulto é suspeita até prova em contrário; uma lesão na falange quase sempre é encondroma.
Na coluna, o Campbell (cap. 49, p. 1965 aprox.) informa que ela responde por menos de 10% dos casos, com predileção pelo sacro; o tumor nasce muitas vezes da fise da base do pedículo, e cerca de 85% acometem os elementos posteriores.
| Aspecto | O que os livros dizem | Detalhe que cai |
|---|---|---|
| frequência | metade da incidência do osteossarcoma | 2º maligno primário não hematológico |
| idade do primário | pico 40 a 60 anos (Campbell); 30 a 60 (SIZÍNIO) | muito raro abaixo de 20 anos |
| idade do secundário | pico 25 a 45 anos | nasce de lesão presente desde a infância |
| criança | quase nunca (Tachdjian) | pensar em osteossarcoma condroblástico |
| sexo | leve predomínio masculino | sem predileção racial |
| locais | pelve, fêmur proximal, úmero proximal | também costelas e escápula (SIZÍNIO) |
| mão | raro, mas é o maligno primário mais comum ali | 1,5% a 10% dos casos em mão e pé |
| coluna | menos de 10%; predileção pelo sacro | 85% nos elementos posteriores |
A mão: raro, mas o primeiro da lista
A informação mais cobrada sobre localização é paradoxal. O Campbell (cap. 29, p. 975) diz que o condrossarcoma raramente ocorre na mão, mas, quando ocorre, é o tumor maligno primário de osso mais comum nesse local. O capítulo da mão do mesmo livro (cap. 83, p. 3587 aprox.) repete: entre as malignidades ósseas primárias da mão, o condrossarcoma é a mais comum. O osteossarcoma, por exemplo, foi raramente relatado ali. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 7) lista, entre os tumores ósseos primitivos malignos mais comuns da mão, nessa ordem, condrossarcoma, sarcoma osteogênico, sarcoma de EWING e fibrossarcoma.
Os números da mão: o condrossarcoma de mão e pé corresponde a 1,5% a 10% de todos os condrossarcomas e, entre os dois, a mão predomina (70% contra 30% do pé). Pode imitar artrose, com dor e edema, e pode apresentar-se por fratura patológica. Raramente nasce sobre encondroma prévio. O SIZÍNIO HEBERT o descreve na falange proximal de adultos.
Como o encondroma é muitíssimo mais comum na mão, o Campbell dá duas pistas de alarme: suspeitar de condrossarcoma quando a lesão é dolorosa ou quando recidiva depois de curetagem de um encondroma.
O caso típico: idoso com massa pélvica de crescimento lento
O Campbell ilustra o condrossarcoma convencional com a radiografia de um homem de 78 anos com grande tumor nascendo do púbis, com extensão para partes moles e calcificação puntiforme (cap. 29, p. 977, figura 29.8). O tumor cresce lentamente, com sintomas por anos. Idade avançada, raiz do membro, massa grande, evolução arrastada e matriz calcificada nascendo do osso: essa combinação aponta para condrossarcoma.
Fratura patológica
O Campbell não traz estatística de fratura patológica por sítio no condrossarcoma. O que ele diz é que dor sem fratura patológica é uma pista importante para separar o encondroma do condrossarcoma de baixo grau (cap. 29, p. 976), e que os locais mais comuns do tumor são pelve, fêmur proximal e úmero proximal. Na mão, o capítulo 83 lembra que a fratura patológica pode ser a forma de apresentação.
Primário e secundário: de onde nasce o condrossarcoma
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O conceito
O condrossarcoma primário nasce em osso previamente normal. O secundário nasce sobre uma lesão cartilaginosa benigna preexistente (Campbell, cap. 29, p. 975). O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) acrescenta a geografia: o secundário pode ser central, quando nasce de um encondroma dentro do canal medular, ou periférico, quando nasce da capa de um osteocondroma na superfície do osso. O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) usa quatro tipos: primário, secundário, mesenquimal e desdiferenciado.
O Campbell é direto sobre onde o secundário aparece com mais frequência: no contexto de encondromas múltiplos e de exostoses múltiplas hereditárias. Ele também lista condições menos comuns associadas ao condrossarcoma secundário: condromatose sinovial, fibroma condromixoide, condroma periosteal, condroblastoma, radioterapia prévia e displasia fibrosa (cap. 29, p. 976).
O risco de cada precursor
Aqui está o coração das questões sobre secundário. O risco individual muda muito conforme a doença de base.
- Doença de OLLIER (encondromas múltiplos): incidência de malignidade, sobretudo condrossarcoma, de cerca de 25% até os 40 anos (Campbell, cap. 29, p. 975; cap. 27, p. 928).
- Síndrome de MAFFUCCI (encondromas múltiplos com hemangiomas de partes moles): a incidência pode ser ainda maior que no OLLIER (Campbell, cap. 29, p. 975). O Tachdjian (cap. 25, p. 1028 aprox.) diz "semelhante ou maior" e cita SCHWARTZ e colaboradores, que relataram expectativa de degeneração maligna de quase 100%.
- Exostose múltipla hereditária: risco ao longo da vida estimado em cerca de 5% (Campbell, cap. 29, p. 976).
- Osteocondroma solitário: cerca de 1% (Campbell, cap. 29, p. 976).
- Encondroma solitário: o Campbell admite que é difícil saber se ele dá origem a condrossarcoma e afirma que, se isso ocorre, a incidência não justifica tratar profilaticamente encondromas assintomáticos.
O Campbell faz uma ressalva honesta que vale para a prova quando a alternativa fala em "risco real". Os números do osteocondroma vêm de dados de patologia de centros de referência, onde chegam as lesões grandes e sintomáticas; como a prevalência verdadeira do osteocondroma na população é desconhecida (a maioria nunca procura médico), o risco real é provavelmente bem menor (cap. 27, p. 931). As escolas divergem nesses números:
- o Tachdjian (cap. 25, p. 1020 e 1025 aprox.) estima a degeneração do osteocondroma solitário em menos de 0,25% e, na exostose múltipla, 0,9% a 5%, com risco ao longo da vida de cerca de 1% a 2%; num inquérito com 779 pacientes, 2,7%;
- o SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) traz a série da Escola Paulista de Medicina: 0,1% no osteocondroma solitário e 9,77% (13 de 133 pacientes) na exostose múltipla; para o OLLIER, a série da Mayo Clinic com 16 transformações em 55 pacientes (30%), e, no capítulo da mão, cita transformação maligna de 50% no OLLIER.
| Precursor | Campbell | Tachdjian | SIZÍNIO |
|---|---|---|---|
| MAFFUCCI | pode ser maior que no OLLIER | semelhante ou maior; SCHWARTZ: quase 100% | não quantifica |
| OLLIER | ~25% até os 40 anos | 25% a 30% até os 40; 20% a 33% | 30% (Mayo); 50% na mão |
| exostose múltipla hereditária | ~5% ao longo da vida | 0,9% a 5%; vida ~1% a 2% | 9,77% (EPM) |
| osteocondroma solitário | ~1% | < 0,25% | 0,1% (EPM) |
| encondroma solitário | incerto; não tratar profilaticamente | raro na infância; mais em pelve e ossos proximais no adulto | raro, sobretudo em mãos e pés |
Qual doença tem o secundário mais frequente
Quando a questão pergunta em qual condição o condrossarcoma secundário é mais frequente, ela quer o risco por paciente. Pelo Campbell e pelo Tachdjian, a ordem é MAFFUCCI ≥ OLLIER > exostose múltipla > osteocondroma solitário. Cuidado com a frase do Campbell "ocorrem com mais frequência no contexto de encondromas múltiplos e exostoses múltiplas": ela descreve de onde vêm os casos, não o risco de cada paciente. As alternativas "doença de CAMPANACCI" (nome que o Tachdjian dá à displasia osteofibrosa da tíbia e da fíbula) e "condroblastoma" (que o Campbell cita apenas entre as associações raras) não competem.
OLLIER e MAFFUCCI
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O que é a doença de OLLIER
O Campbell (cap. 27, p. 928) define a encondromatose múltipla, ou doença de OLLIER, como condição rara em que muitos tumores cartilaginosos aparecem nos ossos tubulares grandes e pequenos e nos ossos chatos. A causa é uma falha da ossificação endocondral normal: ilhas de cartilagem da placa de crescimento deixam de ser substituídas por osso e ficam aprisionadas na metáfise e na diáfise. As lesões se localizam na epífise e nas partes vizinhas da metáfise e da diáfise. As deformidades decorrem diretamente desse mecanismo: encurtamento por falta de crescimento epifisário, alargamento das metáfises e arqueamento dos ossos longos. Na mão, as lesões múltiplas podem causar incapacidade considerável.
O Tachdjian (cap. 25, p. 1028 aprox.) traz a história e a imagem. OLLIER descreveu em 1889 uma condição de encondromas múltiplos, tipicamente unilaterais, com deformidade do membro (discondroplasia). À medida que o osso cresce, a cartilagem anômala vinda da fise forma massas lineares longas na diáfise, o que produz a septação metafisária "em leque", patognomônica. Por ser unilateral, gera discrepâncias de 10 a 25 cm na maturidade.
Dois atributos caem sempre juntos, e os livros brasileiros e americanos concordam:
- não hereditário: o Tachdjian chama de distúrbio incomum e não hereditário; o SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) diz que a encondromatose múltipla é defeito não hereditário, sem tendência familiar, e que alguns autores preferem considerá-la displasia óssea mais que tumor verdadeiro;
- predominantemente unilateral: o SIZÍNIO HEBERT aplica o nome "enfermidade de OLLIER" justamente aos casos extensos de distribuição predominantemente unilateral, como o caso original de 1899 (o Tachdjian data a descrição de 1889); no capítulo da mão, descreve vários encondromas na mesma mão, unilateralmente, podendo atingir todo o hemicorpo.
O contraste com a exostose múltipla é a armadilha previsível: a exostose múltipla é hereditária autossômica dominante e de distribuição geralmente simétrica (SIZÍNIO HEBERT, cap. 29).
A síndrome de MAFFUCCI
Quando a encondromatose se associa a hemangiomas das partes moles sobrejacentes, a doença é chamada síndrome de MAFFUCCI (Campbell, cap. 27, p. 928). O capítulo da mão do Campbell (cap. 83, p. 3581 e 3582) faz a distinção que a prova adora: só encondromas múltiplos caracterizam o OLLIER; hemangiomas visíveis em mãos e pernas caracterizam o MAFFUCCI. O SIZÍNIO HEBERT acrescenta que o MAFFUCCI é congênito e não hereditário, com hemangiomas cavernosos e maior associação com gliomas intracranianos. O Tachdjian descreve flebólitos nas partes moles da radiografia, hemangiomas viscerais (motivo para RM de corpo inteiro) e recomenda vigilância de cérebro e abdome.
Na tabela 27.2 do Campbell (p. 931), as duas condições têm o mesmo comentário: transformação maligna comum. É exatamente essa a combinação cobrada: encondromatose com hemangiomas e alta taxa de degeneração sarcomatosa. Não há hipoplasia renal, mixoma ou osteocondroma na definição. O mixoma intramuscular pertence a outra síndrome, a de MAZABRAUD (displasia fibrosa poliostótica com mixomas), descrita no mesmo capítulo do Campbell (p. 933 aprox.); a neurofibromatose e a displasia fibrosa poliostótica também não entram.
| Aspecto | OLLIER | MAFFUCCI | Exostose múltipla hereditária |
|---|---|---|---|
| lesão | encondromas múltiplos (centrais) | encondromas múltiplos | osteocondromas múltiplos (superfície) |
| partes moles | nada | hemangiomas, flebólitos | bursas sobre as exostoses |
| herança | não hereditário | não hereditário, congênito | autossômica dominante (EXT1, EXT2) |
| distribuição | predominantemente unilateral | hemangiomas uni ou bilaterais | geralmente simétrica |
| imagem típica | septação metafisária em leque | flebólitos | exostoses que apontam para longe da fise |
| risco de condrossarcoma | ~25% até os 40 anos | igual ou maior; até quase 100% | ~5% (Campbell); 1% a 2% (Tachdjian) |
| outros riscos | leucemias descritas | gliomas, malignidades viscerais | compressões, deformidade do antebraço |
Onde o OLLIER se transforma
O Campbell não diz em que osso o condrossarcoma do OLLIER aparece mais. O Tachdjian (cap. 25, p. 1027 aprox.) diz que encondromas de pelve, escápula, esterno, vértebras e porções proximais dos ossos longos têm maior probabilidade de transformação no adulto. E, para a exostose múltipla, o Tachdjian (p. 1025 aprox.) é explícito: a frequência relativa de condrossarcoma é maior nos osteocondromas da pelve e da cintura escapular, com pelve e escápula como locais mais comuns num inquérito recente. A regra útil: a transformação mora na pelve e na cintura escapular, não nas mãos.
O Tachdjian alerta ainda que, no OLLIER, a histologia pode ser hipercelular, com núcleos de aspecto ameaçador, imitando condrossarcoma de baixo grau; a mesma atipia na mão provavelmente é benigna, enquanto na pelve ou em ossos grandes a suspeita de sarcoma é maior. O sinal clínico de alarme, nos três livros, é o mesmo: crescimento localizado de uma lesão depois da maturidade, acompanhado de dor, situação em que a biópsia está indicada.
Tratamento e vigilância
As lesões individuais do OLLIER em geral não são tratadas; as deformidades mais evidentes são corrigidas por osteotomia, e o paciente deve ser vigiado indefinidamente para mudança maligna (Campbell, cap. 27, p. 930). O Tachdjian lembra que a doença não se cura por curetagem: as lesões da mão recidivam em um terço após curetagem e causam parada de crescimento das falanges; osteotomias, alongamentos e epifisiodeses são repetidos ao longo dos anos, e o fixador de ILIZAROV é o melhor método para corrigir ângulo e comprimento ao mesmo tempo.
Osteocondroma e exostose múltipla: o precursor periférico
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A natureza do osteocondroma
O Campbell (cap. 27, p. 930 e 931) define os osteocondromas como tumores ósseos benignos comuns que provavelmente são malformações do desenvolvimento, e não neoplasias verdadeiras, e afirma que se originam no periósteo como pequenos nódulos cartilaginosos. A lesão é uma massa óssea, muitas vezes em pedículo, produzida pela ossificação endocondral progressiva de uma capa cartilaginosa em crescimento, que funciona como uma placa de crescimento. O crescimento acompanha o do paciente e cessa na maturidade. Cerca de 90% dos pacientes têm lesão única, geralmente na metáfise de osso longo junto da fise (fêmur distal, tíbia proximal, úmero proximal).
O Tachdjian (cap. 25, p. 1019 aprox.) mostra que a origem é debatida: VIRCHOW propôs um pedaço de fise que gira 90 graus; KEITH, um defeito do anel pericondral; MÜLLER, ninhos de cartilagem da camada câmbio do periósteo; a visão atual é de crescimento mal direcionado de parte da fise. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) lembra que a exostose tem sua própria placa de crescimento.
Para a prova, a frase do Campbell é a referência: origem a partir de pequenos nódulos cartilaginosos no periósteo. As alternativas "cartilagem hialina", "má formação óssea" e "alteração do crescimento ósseo" descrevem aspectos verdadeiros da lesão (a capa é hialina, é uma malformação, altera o crescimento), mas não respondem "a origem".
Quando o osteocondroma vira condrossarcoma
A malignização do osteocondroma é extremamente rara e, quando ocorre, geralmente é um condrossarcoma de baixo grau (Campbell, cap. 27, p. 931 e 932). O sinal clínico é uma lesão quieta que, no adulto, volta a crescer rapidamente; o SIZÍNIO HEBERT acrescenta o aparecimento de dor. O sinal de imagem central é a espessura da capa cartilaginosa:
- no adulto, a capa normal tem poucos milímetros; na criança pode chegar a 2 cm (Campbell, cap. 27, p. 931); o SIZÍNIO HEBERT dá 1 a 3 mm, mais espessa quanto mais jovem, sem relação com malignidade na criança e no adulto jovem;
- na transformação, a capa costuma ter mais de 2 cm; capa > 2 cm em esqueleto maduro obriga a considerar condrossarcoma secundário (Campbell, cap. 29, p. 976; cap. 27, p. 932);
- a avaliação é feita por TC ou RM, porque a capa não aparece na radiografia simples.
Os livros divergem no corte. O Tachdjian (tabela 25.1, p. 1021, baseada em KENNEY) usa capa < 1 cm no osteocondroma e > 3 cm, lobulada e invadindo partes moles, no condrossarcoma; na exostose múltipla, diz que capa > 1 cm levanta suspeita. E o Tachdjian (cap. 26, p. 1072) faz uma crítica: é a histologia da capa, e não a espessura, que define o condrossarcoma; lembra ainda que osteocondromas benignos podem crescer na maturidade sem malignidade e que bursas grandes podem imitar condrossarcoma, distinção feita pela RM.
Os outros sinais de malignização, pelo SIZÍNIO HEBERT, são a perda da linha de demarcação da superfície externa e a perda de continuidade com a cortical. O Tachdjian descreve, no exostótico maligno, massa cartilaginosa irregular com calcificação de densidade variável na periferia e proliferação da capa para as partes moles; o realce septal com gadolínio ajuda a separar o condrossarcoma de baixo grau do osteocondroma.
| Critério | Osteocondroma | Condrossarcoma |
|---|---|---|
| relação com o osso | cortical e medular contínuas com o osso | perda gradual da continuidade da cortical |
| superfície | nítida, bem demarcada | borrada, indistinta |
| capa (melhor na RM) | fina: poucos mm no adulto; < 1 cm (Tachdjian) | > 2 cm no adulto (Campbell); > 3 cm, lobulada (Tachdjian) |
| matriz | densa na periferia, osso esponjoso normal no centro | periferia granular, calcificação desorganizada, manchas centrais |
| partes moles | normais | grande massa com calcificação desorganizada |
| clínica | cresce com a criança e para na maturidade | volta a crescer no adulto, com dor |
A exostose múltipla hereditária e o antebraço
A exostose múltipla hereditária é autossômica dominante com penetrância variável, causada em geral por mutação de EXT1 (cromossomo 8q24) ou EXT2 (11p) (Campbell, cap. 27, p. 931). O Tachdjian acrescenta que a transformação maligna é mais associada às mutações de EXT1, e que os genes codificam glicosiltransferases do sulfato de heparano, essenciais à sinalização da fise. Além das exostoses, há distúrbio de crescimento: tubulação anormal, metáfises largas e rombas e, no antebraço, arqueamento do rádio e encurtamento da ulna, com desvio ulnar da mão.
O SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) dá nome a esse antebraço: deformidade de BESSEL-HAGEN, com ulna hipoplásica de extremidade distal afilada, rádio encurvado, cabeça do rádio luxada posterolateralmente em grau variável e desvio ulnar do punho. O antebraço está envolvido em 85% dos pacientes. O Tachdjian (cap. 25, p. 1023 aprox.) explica o mecanismo: a extremidade distal da ulna costuma ser mais afetada que a do rádio, a ulna fica curta, o rádio se arqueia e a luxação da cabeça do rádio associa-se à variância ulnar negativa.
As alternativas da prova são outros epônimos: OLLIER é a encondromatose, doença de lesões centrais e não de exostoses; MADELUNG e SAUVÉ-KAPANDJI não aparecem nos livros conferidos ligados à exostose múltipla. O epônimo do antebraço da osteocondromatose, no SIZÍNIO HEBERT, é BESSEL-HAGEN.
A ressecção do osteocondroma
A cirurgia (ressecção em bloco) está indicada quando a lesão é grande e inestética, comprime estruturas ou tem sinais de malignidade na imagem (Campbell, cap. 27, p. 932). A recidiva é rara e se deve à capa cartilaginosa não removida por inteiro. O SIZÍNIO HEBERT manda retirar a capa e o pericôndrio em bloco, sem descolá-lo, porque fragmentos implantados nas partes moles recidivam. O Tachdjian completa: a biópsia de um presumido condrossarcoma sobre osteocondroma tem valor limitado e risco de semear o trajeto.
O encondroma: o diferencial de todos os dias
Cobrança confirmada · 1 questão
O que é e onde mora
Os condromas são lesões benignas de cartilagem hialina, comuns, em todas as idades (Campbell, cap. 27, p. 928). Quando nascem no canal medular, são encondromas; raramente nascem na superfície, e então são condromas periosteais ou justacorticais. Embora qualquer osso possa ser acometido, as falanges da mão são o local mais comum, e o condroma é o tumor mais comum dos ossos pequenos de mãos e pés. Em geral é assintomático e achado por acaso, ou descoberto depois de uma fratura patológica.
O capítulo da mão do Campbell (cap. 83, p. 3580 e 3581) diz que os encondromas são os tumores ósseos primários mais comuns e mais destrutivos da mão, e que o local mais comum é a metáfise proximal da falange proximal, onde a lesão é excêntrica e expansiva. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 7) confirma a ordem: falange proximal a mais acometida, seguida pela falange média e pelos metacarpais; raro no carpo; mais frequente na segunda e terceira décadas, sem predileção por sexo. A falange distal é localização pouco comum, mostrada como exceção numa figura do mesmo capítulo. O Tachdjian (cap. 25, p. 1027 aprox.) dá a proporção: quase 50% dos encondromas solitários estão na mão, sobretudo nas falanges; o pico de apresentação é por volta dos 35 anos.
Fratura e tratamento do encondroma
Na mão, a fratura patológica é comum, porque basta um trauma mínimo para quebrar a casca fina de osso. O Campbell (cap. 83) recomenda deixar a fratura consolidar antes de excisar o tumor; depois, janela oval na área de maior expansão, curetagem do material cartilaginoso mole e arroxeado e enxerto. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 29) explica por que a fratura não cura o encondroma, ao contrário do cisto ósseo: o hematoma ocupa toda a cavidade de um cisto, mas não substitui a cartilagem do condroma.
Fora da mão, o encondroma solitário é tratado com observação e radiografias seriadas; se crescer ou ficar sintomático, a curetagem estendida geralmente cura. Antes de operar por dor, o Campbell (cap. 27, p. 930) manda excluir outra causa: o exemplo é o encondroma do úmero proximal de uma mulher cuja dor vinha do manguito rotador e melhorou com fisioterapia. O SIZÍNIO HEBERT faz uma ressalva de técnica oncológica: em tumores cartilaginosos benignos ou malignos o risco de implantação é alto, e fora de mãos e pés a ressecção com margem ampla é preferível à curetagem sempre que possível.
Encondroma ou condrossarcoma de baixo grau
Esta é a pergunta mais difícil de todo o tema, e o Campbell (cap. 27, p. 929) diz isso com todas as letras: a diferenciação entre tumores cartilaginosos benignos e malignos é um dos problemas mais difíceis da patologia óssea, e o diagnóstico pode depender mais da clínica e da imagem que da lâmina. Os livros dão quatro eixos de decisão.
- Sintoma. Dor sem fratura patológica favorece condrossarcoma; lesão assintomática achada por acaso é encondroma em quase todos os casos (Campbell, cap. 29, p. 976).
- Local. Na mão, uma lesão de aspecto agressivo ainda pode ser benigna; na pelve ou no fêmur proximal, a mesma destruição é diagnóstica de condrossarcoma (Campbell, cap. 29, p. 976). O Tachdjian resume: pequenos tumores periféricos geralmente são benignos; grandes tumores axiais do adulto, provavelmente malignos.
- Erosão endosteal. Em locais proximais, a erosão endosteal profunda, de dois terços da espessura da cortical, frequentemente indica condrossarcoma; a TC é o melhor exame para avaliá-la (Campbell, cap. 27, p. 928).
- Massa de partes moles. Nunca está presente no encondroma e sempre indica condrossarcoma (Campbell, cap. 27, p. 928).
| Eixo | Encondroma | Condrossarcoma |
|---|---|---|
| idade | todas; pico ~35 anos | adulto; pico 40 a 60 anos |
| sede típica | falanges da mão e do pé | pelve, fêmur e úmero proximais |
| sintoma | assintomático, achado ou fratura | dor sem fratura, massa |
| calcificação | pontilhada, puntiforme, em pipoca | a mesma, com área radiotransparente que cresce |
| cortical | intacta (exceto na mão, onde expande) | erosão endosteal de dois terços, destruição |
| reação periosteal | não costuma haver | pode haver |
| partes moles | nunca há massa | massa sempre indica malignidade |
| histologia proximal | branda, hipocelular | hipercelular, núcleos volumosos, binucleadas |
| melhor exame | radiografia; TC se dúvida | TC para erosão endosteal; RM para extensão |
| conduta | observação; curetagem se cresce | ressecção conforme o grau |
O SIZÍNIO HEBERT e o Tachdjian concordam que a cintilografia não diferencia condroma de condrossarcoma, embora o Tachdjian considere preocupante o aumento de captação em exames seriados; o Tachdjian lembra ainda que o infarto ósseo imita o encondroma, com calcificação mais periférica.
Imagem do condrossarcoma
Cobrança confirmada · 1 questão
A radiografia muitas vezes basta
O Campbell (cap. 29, p. 976) afirma que o aspecto radiográfico do condrossarcoma frequentemente é diagnóstico. Como o encondroma, é uma lesão do canal medular com calcificação irregular da matriz, descrita como "puntiforme", "em pipoca" ou "em vírgula". No capítulo de princípios gerais (cap. 26, p. 870 aprox.), o mesmo livro ensina o raciocínio da matriz: calcificação puntiforme, pontilhada, sugere formação de cartilagem, como no encondroma ou no condrossarcoma; a ossificação de matriz com destruição sugere osteossarcoma; o vidro fosco sugere displasia fibrosa.
O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) descreve a lesão central como lítica, um pouco arredondada, com erosão endosteal e calcificações puntiformes, em arcos ou em anéis; nos casos avançados há erosão cortical e massa de partes moles. A lesão periférica (sobre osteocondroma) se mostra por espessamento da capa e borramento do limite ósseo.
O que separa o condrossarcoma do encondroma na radiografia é a agressividade: destruição óssea, erosões corticais, reação periosteal e massa de partes moles (Campbell, cap. 29, p. 976). O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) acrescenta detalhes do condrossarcoma central nascido de encondroma: radiotransparência medular, destruição mal delimitada, festonado endosteal, alargamento e espessamento da cortical (que pode mascarar a malignidade) e massa de partes moles variavelmente mineralizada. A imagem que resume a transformação é esta: o encondroma prévio é mineralizado, a área maligna é radiotransparente.
TC e RM
A TC mostra as erosões endosteais e outras evidências de destruição e ajuda a separar lesões cartilaginosas benignas de malignas (Campbell, cap. 29, p. 976); no capítulo 26 é indicada para avaliar a calcificação de uma lesão cartilaginosa suspeita e a erosão endosteal no condrossarcoma. A RM define melhor a extensão da massa de partes moles e a relação com estruturas vizinhas (figura 29.8) e é a base do planejamento da ressecção, sobretudo na pelve (SIZÍNIO HEBERT). Para o tumor periférico, TC ou RM medem a capa do osteocondroma, critério já discutido.
O padrão de calcificação e o grau
Os livros conferidos descrevem o padrão da matriz cartilaginosa (anéis e arcos, pontos, pipoca, vírgulas) sem separar um padrão próprio para cada grau. O raciocínio que eles sustentam é indireto: o condrossarcoma de baixo grau tem razão célula/matriz baixa, com mais matriz cartilaginosa (Tachdjian, cap. 26, p. 1072), e por isso conserva a calcificação típica da cartilagem, em anéis e arcos e em pontos; o tumor de alto grau, com pouca matriz e mais células, tende a mostrar áreas radiotransparentes destrutivas, e o desdiferenciado mostra justamente uma área lítica agressiva ao lado do componente calcificado.
Histologia, graus e o falso condrossarcoma da criança
Cobrança confirmada · 1 questão
O que o patologista procura
O condrossarcoma convencional é feito de células malignas com abundante matriz cartilaginosa (Campbell, cap. 29, p. 976). Uma regra fecha o diagnóstico diferencial com o osteossarcoma: se houver osteoide maligno, mesmo em pequena quantidade, o diagnóstico passa a ser osteossarcoma condroblástico, tumor com prognóstico e tratamento diferentes. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) diz o mesmo em outra forma: o condrossarcoma é tumor maligno caracterizado pela formação de cartilagem, mas não de osso, pelas células tumorais.
Os achados que favorecem malignidade, segundo o Campbell, são hipercelularidade, núcleos volumosos, células binucleadas mais que ocasionais, padrão permeativo e aprisionamento de trabéculas ósseas (figura 29.9). O SIZÍNIO HEBERT acrescenta grande pleomorfismo e células com núcleos grandes ou duplos, e observa que as mitoses não são frequentes, coerente com o crescimento lento. Na biópsia de lesão limítrofe, o Campbell pede o máximo de tecido possível e insiste que em nenhuma outra situação a correlação clínico-radiológica é tão importante.
Há lesões que são hipercelulares e ainda assim benignas: encondromas da encondromatose múltipla, condromas periosteais, condromatose sinovial e encondromas da mão (Campbell, cap. 29, p. 976). Inversamente, um encondroma proximal deve ser brando e hipocelular, e qualquer hipercelularidade ou atipia num tumor cartilaginoso proximal deve levantar suspeita (cap. 27, p. 928 e 929). A mesma lâmina pode ser benigna na falange e maligna na pelve.
Os graus
O Campbell trabalha com baixo grau e alto grau, o que basta para decidir o tratamento. O SIZÍNIO HEBERT (cap. 30) usa a escala em três graus: grau 1 (baixo), grau 2 (intermediário) e grau 3 (alto), e afirma que agressividade local, recidiva local, metástase e prognóstico pioram com o grau. O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) traduz o grau em histologia: no baixo grau, a razão célula/matriz é baixa (mais matriz que células), com condrócitos malignos em pequenos grupos; no alto grau, a razão é alta, sem agrupamento, com células hipercromáticas multinucleadas, mitoses numerosas e erosão do osso nativo e dos sistemas de HAVERS.
A classificação da OMS de 2013, reproduzida pelo SIZÍNIO HEBERT, mudou o lugar do grau 1: o tumor cartilaginoso atípico/condrossarcoma grau I fica entre os tumores intermediários (localmente agressivos); são malignos o condrossarcoma graus II e III, o desdiferenciado, o mesenquimal e o de células claras. O capítulo da mão do Campbell (cap. 83, p. 3588 aprox.) usa a mesma ideia: os condrossarcomas de baixo grau são às vezes chamados de tumores cartilaginosos atípicos e têm desfecho muito favorável.
| Grau | Histologia | Comportamento | Classificação OMS 2013 | Prognóstico |
|---|---|---|---|---|
| 1 (baixo) | pouca célula, muita matriz, grupos pequenos, binucleadas | localmente agressivo, metástase rara | tumor cartilaginoso atípico/grau I, intermediário | sobrevida em 10 anos > 90% |
| 2 (intermediário) | celularidade maior | recidiva e metástase aumentam | maligno | intermediário |
| 3 (alto) | razão célula/matriz alta, mitoses, sem grupos, invade o osso | metástase pulmonar | maligno | 10 anos: 20% a 40% (alto grau convencional) |
No sistema de ENNEKING (Campbell, cap. 26, p. 873 e 874), o grau entra diretamente no estádio: I para baixo grau (bem diferenciado, poucas mitoses, risco de metástase < 25%) e II para alto grau, cada um dividido em A (intracompartimental) e B (extracompartimental); III é qualquer lesão com metástase. O exemplo de estádio IA que o Campbell escolhe na figura 26.6 é exatamente um condrossarcoma do fêmur proximal.
O "condrossarcoma de alto grau" da criança
O Tachdjian (cap. 26, p. 1071 e 1072) dá o conceito que resolve a pergunta da criança. Como o condrossarcoma verdadeiro quase não existe na infância, o diagnóstico de condrossarcoma de alto grau em congelação ou em biópsia de adolescente deve levantar a suspeita de osteossarcoma condroblástico. Na maioria dos casos, o "condrossarcoma de alto grau" da criança é na verdade um osteossarcoma condroblástico, e isso fica evidente quando a peça inteira é examinada e aparece o osso neoplásico. Os autores recomendam quimioterapia adjuvante, como em qualquer osteossarcoma. É a regra do Campbell aplicada à idade: osteoide maligno muda o nome.
Os subtipos raros e o periosteal
Fundamento
Visão geral
O Campbell (cap. 29, p. 977) reúne três subtipos menos comuns, que juntos somam menos de 20% dos condrossarcomas: desdiferenciado, de células claras e mesenquimal. Guarde-os pelo grau e pela resposta à quimioterapia.
Desdiferenciado
É um sarcoma fusocelular de alto grau (mais comumente osteossarcoma, seguido de fibrossarcoma e histiocitoma fibroso maligno) ao lado de um condrossarcoma típico de baixo grau (Campbell, cap. 29, p. 977). A imagem conta a mesma história: uma área radiotransparente mais agressiva justaposta a um condrossarcoma de aspecto comum. É o subtipo de pior prognóstico: sobrevida em 5 anos de 10% a 25%, com a maioria das mortes nos dois primeiros anos (p. 979). Recebe quimioterapia com frequência. O SIZÍNIO HEBERT resume: de alta malignidade.
De células claras
Formado por células redondas com citoplasma claro abundante e limites citoplasmáticos nítidos, sobre fundo de matriz cartilaginosa, com células gigantes multinucleadas geralmente visíveis. É de baixo grau (Campbell, cap. 29, p. 977). Tem forte tendência a nascer na epífise, sobretudo do fêmur proximal, pode ter aspecto radiográfico benigno e pode ser confundido com condroblastoma ou tumor de células gigantes (p. 978). O SIZÍNIO HEBERT diz que tem melhor prognóstico.
O capítulo de princípios gerais do Campbell (cap. 26, p. 869) coloca o subtipo no quadro das lesões epifisárias: condroblastoma (10 a 25 anos), tumor de células gigantes (20 a 40 anos) e condrossarcoma de células claras (raro). A regra prática do mesmo capítulo é que a lesão epifisária no esqueleto imaturo provavelmente é condroblastoma e, no maduro, tumor de células gigantes; o condrossarcoma de células claras é a exceção rara do adulto, que imita os dois.
Mesenquimal
É de alto grau, formado por pequenas células redondas azuis com ilhas de cartilagem de aspecto benigno; as áreas celulares têm padrão hemangiopericitomatoso, com vasos em "chifre de veado" (Campbell, cap. 29, p. 978). Na radiografia pode lembrar o convencional, mas com mais frequência é agressivo e inespecífico. O exemplo do Campbell é de uma mulher de 22 anos com tumor pélvico tratado com quimioterapia e ressecção. O SIZÍNIO HEBERT diz que o mesenquimal responde à quimioterapia, e o capítulo de coluna do Campbell afirma que, ali, a quimioterapia só tem papel no tipo mesenquimal.
O periosteal (justacortical)
O Campbell não descreve o condrossarcoma periosteal; descreve o condroma justacortical: pequeno (< 3 cm), num defeito em pires da superfície, com cortical esclerótica e bordas escoradas (cap. 27, p. 928). O Tachdjian (cap. 26, p. 1072) traz o critério do lado maligno: o condrossarcoma periosteal tem cortical subjacente e é lesão de superfície, assim como o osteossarcoma periosteal, enquanto o osteocondroma séssil compartilha a cortical com o osso e tem medular em comunicação.
| Subtipo | Histologia | Grau e sede | Imagem | Tratamento e prognóstico |
|---|---|---|---|---|
| convencional (central) | células malignas com abundante matriz cartilaginosa | graus 1 a 3; pelve, fêmur e úmero proximais | calcificação em pipoca, pontos, anéis; erosão endosteal | cirurgia; sem quimio; baixo grau > 90% em 10 anos |
| secundário periférico | nasce da capa do osteocondroma | geralmente baixo grau | capa > 2 cm no adulto | ressecção ampla; prognóstico bom |
| desdiferenciado | sarcoma fusocelular de alto grau (osteossarcoma) ao lado de baixo grau | alto grau | área lítica agressiva junto do componente típico | quimio frequente; 5 anos 10% a 25% |
| células claras | células redondas de citoplasma claro, gigantes multinucleadas | baixo grau; epífise do fêmur proximal | pode parecer benigno | confunde com condroblastoma e TCG; melhor prognóstico |
| mesenquimal | pequenas células redondas azuis, ilhas de cartilagem, vasos em chifre de veado | alto grau | agressivo inespecífico | responde à quimioterapia |
| periosteal | lesão de superfície | sobre a cortical | cortical subjacente presente, sem comunicação medular | diferencial com condroma periosteal e osteossarcoma periosteal |
Biópsia, margens e tratamento cirúrgico
Cobrança confirmada · 2 questões
A biópsia e a ressecção sem biópsia
A biópsia deve ser planejada como o procedimento definitivo, feita depois de completa a avaliação e, se houver suspeita de sarcoma, após encaminhamento ao oncologista ortopédico (Campbell, cap. 26, p. 875). No condrossarcoma, isso pesa mais, porque a cartilagem implanta no trajeto. Por isso o Campbell admite a ressecção primária sem biópsia de lesão dolorosa em osso dispensável (fíbula proximal, ulna distal) quando ela seria ressecada de qualquer forma: o exemplo da figura 26.10 é um condrossarcoma de baixo grau da fíbula proximal, retirado com margem ampla sem contaminar o nervo fibular comum. Na escápula (figura 26.20), a incisão faz uma elipse ao redor do trajeto da biópsia.
As quatro margens de ENNEKING
O Campbell (cap. 26, p. 882) define as margens que dão sentido às palavras "ressecção" e "amputação". Elas se combinam com os dois tipos de procedimento e geram oito operações; uma hemipelvectomia por tumor intrapélvico grande pode ser apenas marginal.
| Margem | Plano de dissecção | Quando basta |
|---|---|---|
| intralesional | dentro do tumor ("debulking") | paliação; benigno sintomático em local nobre |
| marginal | pela pseudocápsula (zona reativa) | maioria dos benignos e alguns malignos de baixo grau; no alto grau deixa satélites |
| ampla | tecido normal, manguito completo; tocou a pseudocápsula vira marginal | objetivo no alto grau |
| radical | todos os compartimentos com tumor em bloco | hoje raramente necessária |
O que fazer em cada grau
O Campbell (cap. 29, p. 978) organiza a conduta assim. O baixo grau tem tratamento controverso: muitos autores relatam excelentes resultados com curetagem estendida e adjuvantes intraoperatórios, mas isso só é adequado para lesões confinadas ao canal medular; com extensão a partes moles, trata-se como alto grau. O alto grau exige ressecção ampla ou radical, ou amputação. A curetagem estendida (cap. 26, p. 882) usa janela ampla, broca e adjuvante (nitrogênio líquido, fenol, cimento ou argônio). O Tachdjian descreve a mesma tendência: curetagem agressiva com adjuvantes no baixo grau das extremidades arrisca recidiva local, mas não metástase.
Quimioterapia não tem papel no condrossarcoma convencional, mas é usada com frequência no desdiferenciado e no mesenquimal; a radioterapia tem papel limitado, só paliativo em lesão cirurgicamente inacessível (Campbell, cap. 29, p. 978). O SIZÍNIO HEBERT resume: tratamento eminentemente cirúrgico, porque o tumor é resistente à quimio e à radioterapia. Na coluna (Campbell, cap. 49), ressecção em bloco quando possível; se não, ressecção macroscópica e radioterapia de alta dose. Na mão (cap. 83), o alto grau pede ressecção em bloco, como a ressecção do raio, com recidiva de 7% contra 38% após curetagem, sem diferença de sobrevida; o baixo grau admite técnicas que poupam o dedo.
| Cenário | Conduta |
|---|---|
| baixo grau intramedular de extremidade | curetagem estendida com adjuvante ou ressecção |
| baixo grau com partes moles | como alto grau: ressecção ampla |
| alto grau convencional | ressecção ampla ou radical, ou amputação; sem quimio |
| desdiferenciado e mesenquimal | cirurgia e quimioterapia |
| osso dispensável | ressecção ampla primária sem biópsia |
| pelve | hemipelvectomia interna ou externa conforme margens e vasos |
| mão, alto grau | ressecção em bloco ou do raio |
| recidiva local | nova ressecção ampla ou amputação |
| metástase pulmonar | ressecção cirúrgica se possível |
Por que recidiva: a cartilagem avascular
A explicação biológica da recidiva é cobrada como frase de certo ou errado. O Campbell (cap. 29, p. 978) diz: como a cartilagem é relativamente avascular, as células sobrevivem facilmente ao transplante, e a recidiva local depois de contaminação intraoperatória é alta. O SIZÍNIO HEBERT diz o mesmo com o mecanismo: as células se implantam nas partes moles e causam recidiva local frequente, porque se nutrem por embebição. Daí a ressecção ampla, a ressecção sem biópsia em osso dispensável e o cuidado de não violar a capa de um osteocondroma malignizado. Depois de ressecção ampla, a recidiva local é menor que 10% e se trata com nova ressecção ampla ou amputação; as metástases pulmonares também são ressecadas se possível. A recidiva local é o fracasso típico; metástase hepática ou saltatória não aparece na história natural descrita.
Ressecções pélvicas
Cobrança confirmada · 1 questão
A pelve é a sede mais comum do condrossarcoma e o lugar onde a classificação das ressecções é cobrada. O Campbell (cap. 26, p. 903 aprox. e 904) classifica as ressecções da pelve em tipo I, ilíaca; tipo II, periacetabular; tipo III, obturatória (púbis e ísquio); e tipo IV, sacral. Ressecções de mais de uma área combinam os números (I e II, por exemplo), e acrescenta-se H quando a cabeça femoral sai junto. A ressecção local preservando o membro é a hemipelvectomia interna (cap. 19, p. 720), em contraste com a externa, que é a amputação do membro com a hemipelve. O Campbell lembra que a ressecção local muitas vezes obtém as mesmas margens da amputação, com melhor função; a amputação tem menos complicações e é indicada quando os vasos ilíacos estão acometidos.
| Tipo | Região | Reconstrução |
|---|---|---|
| I | ílio | não exige; 1 a 2 cm de encurtamento se todo o ílio; enxerto pode ligar acetábulo ao sacro |
| II | periacetábulo | artrodese iliofemoral ou isquiofemoral, aloenxerto-prótese, prótese em sela, ou só partes moles |
| III | obturatória: púbis e ísquio | não exige: o púbis não suporta carga e as sacroilíacas mantêm a estabilidade |
| IV | sacro | conforme a extensão |
O caso clássico do Campbell, o condrossarcoma do púbis com massa de partes moles no idoso, cai no tipo III, que é também a ressecção de reconstrução mais simples.
Prognóstico e seguimento
Fundamento
O prognóstico depende sobretudo de tamanho, grau e localização; se o alto grau não pode ser ressecado com margens amplas ou radicais, a recidiva é provável (Campbell, cap. 29, p. 978 e 979). A sobrevida em 10 anos é maior que 90% no baixo grau e de 20% a 40% no alto grau convencional; o desdiferenciado tem 10% a 25% em 5 anos. Como o tumor é lento, recidivas e metástases pulmonares podem surgir anos ou décadas depois, e uma parte significativa das recidivas tem grau maior que o original; por isso o seguimento com imagem do local e do tórax é longo.
| Situação | Sobrevida |
|---|---|
| baixo grau | > 90% em 10 anos |
| alto grau convencional | 20% a 40% em 10 anos |
| desdiferenciado | 10% a 25% em 5 anos, mortes nos 2 primeiros anos |
| coluna | 53% em 5 anos |
Fechamento
Fundamento
O condrossarcoma é cartilagem maligna do adulto, lenta, no esqueleto proximal. Tudo deriva disso: a semelhança com o encondroma (resolvida por dor, local, erosão endosteal e massa), a origem sobre lesões cartilaginosas (OLLIER, MAFFUCCI, exostose múltipla), a troca de nome quando aparece osteoide, a resistência à quimioterapia e a recidiva por implante.