Orto Questões

Encondroma e encondromatoses

Tumores ósseos e de partes molesResumo do capítulo34 min de leitura

Tumor benigno de cartilagem hialina madura, central (encondroma) ou de superfície (periosteal); 15,6% dos benignos na Mayo, todas as idades; tumor ósseo primário mais comum da mão, sobretudo falange proximal, depois falange média e metacarpo; lítico, central, com calcificação em pipoca ou anéis, que na mão afila e insufla a cortical e fratura; histologia julgada pelo local (mão, periosteal e múltiplos podem ser celulares e benignos), permeação e massa de partes moles indicam condrossarcoma; observar o solitário de osso longo, curetar e enxertar o da mão; OLLIER não hereditário, unilateral, malignização rara na criança e ~25% até os 40 anos; MAFFUCCI = encondromatose com hemangiomas de partes moles e risco igual ou maior.

Atualizado em 04/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 3 · Chondroma, em Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, 6ª edição (2010). Autores do capítulo: K. Krishnan UNNI e Carrie Y. INWARDS.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de tumores ósseos e de partes moles do Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, capítulo 3, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 3 (Chondroma) do Dahlin's Bone Tumors, 6ª edição (2010), de UNNI e INWARDS, o livro da Mayo Clinic, comparado com os capítulos 27 e 83 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., o capítulo 59 do Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed., o capítulo 25 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., e o capítulo 13 do Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. As páginas citadas são as impressas.

O encondroma é o tumor cartilaginoso benigno de todos os dias: aparece numa radiografia pedida por outro motivo, num dedo que quebrou com um tranco banal, numa cintilografia de quem procura metástase. É simples de reconhecer e difícil de julgar, porque a mesma cartilagem pode ser benigna na falange e maligna na pelve. O Dahlin ensina o tema por esse ângulo: o local manda na interpretação, da radiografia e da lâmina.

O resumo do condrossarcoma (campbell15-condrossarcoma) já trata o encondroma como diferencial do tumor maligno. Aqui o enfoque é o tumor benigno: quem tem, onde mora (com a mão em destaque), imagem, lâmina, tratamento e as encondromatoses, com o risco de malignização comparado livro a livro.

A prova cobra pouco, mas cobra sempre: tumor ósseo primário mais comum da mão, falange proximal, lesão lítica central que afila e insufla a cortical, MAFFUCCI = encondromas + hemangiomas, OLLIER raramente maligno na infância e qual encondromatose tem mais condrossarcoma secundário.

O que é o condroma

Fundamento

Cartilagem madura no lugar errado

O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 3, p. 22), define o condroma como tumor benigno composto de cartilagem hialina madura. A palavra "madura" o separa de outros tumores cartilaginosos benignos: o condroblastoma, segundo o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 13, p. 444), é feito de pequenas células cuboides (condroblastos) e nasce no centro de ossificação secundário, na epífise. O condroma é cartilagem que parece cartilagem.

A posição dentro do osso dá o nome:

  • encondroma, quando o tumor está centralmente no osso, a forma mais comum;
  • condroma periosteal, quando é nitidamente excêntrico e faz o periósteo abaular; o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 928), o chama de periosteal ou justacortical e diz que é raro.

Nos ossos chatos (costela, escápula, inominado), o Dahlin (p. 22) avisa que muitas vezes não se sabe se a origem foi central ou subperiosteal, e que uma proliferação tumefativa não neoplásica da cartilagem costal, com radiografia normal, pode simular condroma e até condrossarcoma.

De onde vem a cartilagem

O Lovell and Winter (cap. 13, p. 442) diz que a origem é debatida: cartilagem de crescimento epifisária que não remodela e persiste na metáfise, ou persistência do molde cartilaginoso original. As duas hipóteses explicam por que o encondroma dos ossos longos mora na metáfise, onde a cartilagem da placa deveria ter virado osso. O livro o classifica como tumor benigno latente ou ativo.

Tumor ou displasia

Quando as lesões são múltiplas, o Dahlin (p. 22) muda de vocabulário: condromas múltiplos representam uma displasia óssea, por falha da ossificação endocondral normal, com massas cartilaginosas na metáfise e na diáfise vizinha. OLLIER e MAFFUCCI provavelmente são condições displásicas (condrodisplasia), e a fronteira com os condromas múltiplos verdadeiros nem sempre pode ser traçada (p. 24 e 26). Condromas múltiplos e displasia fibrosa resultam ambos de distúrbio da ossificação, e há lesões com aspectos das duas (p. 22 e 30). O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 25, p. 1028), conta que OLLIER chamou a doença de discondroplasia.

Formas de condroma e seus nomes (Dahlin cap. 3, p. 22 e 34 a 36; Campbell 15 cap. 27, p. 928)
FormaOnde estáO que a define
encondroma solitáriocanal medular: metáfise dos longos, porção média dos curtoscartilagem hialina madura, central
condroma periosteal ou justacorticalsuperfície do osso, sob o periósteoexcêntrico, abaula o periósteo, recorta a cortical
condromas múltiplosvários ossosdisplasia por falha da ossificação endocondral
doença de OLLIERvários ossos, tendência unilateralencondromatose com encurtamento e arqueamento
síndrome de MAFFUCCIossos e partes molesencondromatose com hemangiomas de partes moles
condroma de partes molesmãos e pés, fora do ossocartilagem em grupos, como na condromatose sinovial
condromatose sinovialarticulação (joelho, quadril)metaplasia cartilaginosa não neoplásica da sinóvia

Quem tem: frequência, idade e sexo

Fundamento

O número da Mayo e por que ele subestima

Na série da Mayo Clinic, os condromas foram 15,6% dos tumores benignos e 4,7% de todos os tumores (Dahlin, cap. 3, p. 22); a Tabela 1.1 (cap. 1, p. 5) conta 478 condromas, atrás só do osteocondroma entre os cartilaginosos benignos. O próprio Dahlin avisa que o número não reflete a incidência verdadeira: a série é de lesões operadas, e o condroma é geralmente assintomático. Por isso os livros discordam: o Tachdjian (cap. 25, p. 1026) fala em cerca de um quarto dos tumores benignos; o Lovell and Winter (cap. 13, p. 442), em 11%. Cada número reflete a série de onde saiu.

Idade e sexo

O Dahlin (p. 22) mostra pacientes distribuídos de forma uniforme por todas as décadas, cerca de 50% da segunda à quarta; a Tabela 1.1 tem 40 casos na primeira década, 88 na segunda, 76, 86 e 88 nas três seguintes e ainda 28 na sétima. Os pacientes com lesões múltiplas operam mais cedo: 71% na primeira e segunda décadas. O Tachdjian (p. 1026) diz que o solitário costuma aparecer depois da segunda década, com pico por volta dos 35 anos, enquanto a encondromatose é diagnosticada na infância. O Green's Operative Hand Surgery, 7ª ed. (cap. 59, p. 2020), para a mão: quarta década, maioria entre 10 e 40 anos. No sexo, o Dahlin encontrou predomínio feminino no conjunto e masculino nos condromas múltiplos.

Epidemiologia do encondroma nos cinco livros
LivroFrequênciaIdadeSexo
Dahlin (cap. 3, p. 22)15,6% dos benignos, 4,7% de todos (478 casos)todas as décadas; ~50% da 2ª à 4ª; múltiplos 71% na 1ª e 2ªfeminino no conjunto; masculino nos múltiplos
Tachdjian (cap. 25, p. 1026)~1/4 dos tumores benignossolitário depois da 2ª década, pico ~35 anos; múltiplos na infâncianão informa
Lovell and Winter (cap. 13, p. 442)11% dos tumores ósseos benignoslesão ativa na criança, calcifica depoisnão informa
Green (cap. 59, p. 2020)até 90% dos tumores ósseos da mão4ª década, maioria entre 10 e 40 anosperiosteal: homens
Campbell 15 (cap. 27, p. 928)comumtodas as faixas etáriasnão informa

Onde mora: a mão em destaque

Cobrança confirmada · 2 questões

O tumor dos ossos pequenos

O dado de localização do Dahlin (p. 22 e 23) é o que a prova mais usa: mais de 41% dos condromas estavam nos ossos pequenos das mãos e dos pés, sobretudo nas falanges, e 91% desses estavam nas mãos. O condroma é, de longe, o tumor mais comum dos ossos pequenos da mão.

O Campbell (cap. 27, p. 928) diz o mesmo: as falanges da mão são o local mais comum, e o condroma é o tumor mais comum dos ossos pequenos de mãos e pés; no capítulo da mão (cap. 83, p. 3580), os encondromas são os tumores ósseos primários mais comuns e mais destrutivos da mão. O Green (cap. 59, p. 2020) dá dois números: cerca de 35% de todos os encondromas nascem na mão, e eles respondem por até 90% dos tumores ósseos da mão. Os pediátricos variam um pouco: quase 50% na mão (Tachdjian, p. 1027) e 40% em mãos ou pés (Lovell and Winter, p. 443). De 35% a 50%, a conclusão é a mesma: a mão é a casa do encondroma.

As alternativas que acompanham essa pergunta não competem: o Green (p. 2023 e 2024) põe na mão e no punho apenas 5% a 15% dos osteomas osteoides e 3% a 5% dos cistos ósseos aneurismáticos.

Qual osso da mão

Dentro da mão, a ordem é falange proximal, depois falange média e metacarpo, com a falange distal atrás e o carpo raro. O Green (p. 2020) dá falange proximal, metacarpo e falange média, e cita casos raros no escafoide, no semilunar e no capitato. O Campbell (cap. 83, p. 3580 e 3581) aponta o ponto exato: a metáfise proximal da falange proximal. A figura 83.16 do Campbell (p. 3582), da série de SASSOON e colaboradores, conta 102 lesões e mostra também que os dedos ulnares concentram os casos.

Encondromas da mão: 102 lesões da série de SASSOON (Campbell 15, cap. 83, Fig. 83.16, p. 3582)
OssoLesõesDedoLesões
falange proximal40polegar5
falange média27indicador16
metacarpo24médio21
falange distal11anular30
(total)102mínimo30

Há divergência só no segundo lugar: na série de SASSOON, a falange média (27) passa o metacarpo (24); no texto do Green, o metacarpo vem antes. O primeiro lugar é unânime, e a falange distal é a menos frequente dos tubulares da mão.

Fora da mão

Nos ossos longos, o encondroma mora na metáfise (Dahlin, p. 24). Entre os longos, fêmur e úmero (Tachdjian, p. 1027) ou fêmur e úmero proximal (Lovell and Winter, p. 443) vêm logo depois de mãos e pés. O Dahlin (p. 23) dá quatro detalhes que funcionam como alarme:

  • o condroma não costuma ocorrer nos ossos preferidos pelo condrossarcoma; havia só 4 lesões no púbis e 3 no ílio;
  • havia apenas dois condromas do esterno, e quase todo tumor condroide do esterno é maligno (o capítulo 6, p. 71, repete: maligno quase sem exceção, seja qual for a histologia);
  • nenhum tumor cartilaginoso benigno da base do crânio; os casos publicados provavelmente eram cordomas;
  • só um condroma era definitivamente epifisário.

Como se apresenta: silêncio, achado e fratura

Fundamento

Ossos longos: silêncio

O Dahlin (p. 23 e 24) diz que os condromas dos ossos longos e chatos são geralmente assintomáticos; muitos são "quentes" na cintilografia e achados em quem procura metástase. Se a radiografia sugere encondroma, a biópsia não é necessária. O livro cita condromas achados junto de mieloma, carcinoma metastático e adamantinoma, e uma osteomalácia causada por outro tumor na primeira vértebra cervical: a dor do paciente pode não ser do encondroma.

O Campbell (cap. 27, p. 930) dá o exemplo clássico: a mulher de 41 anos com encondroma do úmero proximal e dor ao elevar o braço, que vinha do manguito rotador e melhorou com fisioterapia. O Tachdjian (p. 1027) diz que o encondroma do fêmur ou do úmero fica quiescente até a vida adulta; o Lovell and Winter (p. 443), que ele não dá sintoma sem fratura patológica, sem alteração de sangue ou urina.

Ossos pequenos: a fratura

Na mão, a história muda. O Dahlin (p. 24) explica que os condromas dos ossos pequenos ficam dolorosos porque frequentemente sofrem fratura patológica, enquanto a fratura num condroma de osso grande é incomum. A figura 3.6 mostra o motivo: na falange proximal, a cortical fica uniformemente fina.

O Campbell (cap. 83, p. 3581) descreve o dedo às vezes aumentado pela expansão da cortical e a fratura patológica comum, porque basta trauma mínimo para quebrar a casca fina; a figura 83.15 mostra um encondroma da falange média num homem de 26 anos, assintomático até a fratura. O Green (p. 2020) lista as três portas de entrada: aumento de volume, às vezes indolor, fratura com trauma menor ou achado radiográfico. O Tachdjian (p. 1027) acrescenta que cerca de 75% dos pacientes com encondroma de mão ou pé têm lesão solitária; o restante tem encondromatose. O Lovell and Winter (p. 442) diz que a apresentação mais comum do solitário é a fratura patológica numa falange.

No tratamento (p. 31), o Dahlin parece se contradizer: como os condromas por definição não envolvem a cortical, a fratura não deveria ocorrer; logo depois, os condromas dos ossos pequenos exigem tratamento pela possibilidade de fratura. As duas frases falam de ossos diferentes. No longo, a cortical é poupada; na falange, o tumor ocupa a largura do osso, a cortical afina e a fratura é a regra. O que é normal na mão é alarmante no osso longo.

Imagem: lítico, central, que afila e insufla

Cobrança confirmada · 1 questão

A radiografia

O Dahlin (p. 24) descreve uma região localizada e central de rarefação: nos ossos longos, metafisária; nos tubulares curtos, na porção média. A calcificação varia de leve a acentuada; os condromas dos ossos longos geralmente são mineralizados, os dos pequenos menos. O padrão é "em pipoca" ou "em anéis", distribuído uniformemente, e a frase que vale ouro é esta: mineralização desigual deve levantar suspeita de condrossarcoma.

O Campbell (cap. 27, p. 928) fala em calcificação intralesional irregular, "pontilhada", "puntiforme" ou "em pipoca"; o Tachdjian (p. 1027), em pontilhado puntiforme fino, mais acentuado nos longos; o Green (p. 2020), em lesão lítica bem definida, às vezes lobulada, com calcificação da matriz. O Lovell and Winter (p. 443) lembra que a lesão é radiolucente na criança e calcifica mais tarde.

A cortical: o ponto da questão

O comportamento da cortical depende do osso.

  • Osso longo. A cortical sobre o condroma não é envolvida, e o recorte (scalloping) endosteal indica crescimento, não necessariamente malignidade (Dahlin, p. 24). O Tachdjian (p. 1027) diz que geralmente não há erosão focal, recorte, espessamento nem expansão, e que afinamento e expansão num osso longo de adolescente sintomático preocupam.
  • Osso pequeno. A cortical fica afinada, e isso não é sinal de malignidade; o condrossarcoma, raríssimo ali, permeia a cortical até as partes moles (Dahlin, p. 24). O Campbell (cap. 27, p. 928) fala em erosão e expansão consideráveis da cortical nos ossos pequenos; a Tabela 27.2 (p. 931) resume: erosão cortical mínima, exceto na mão.

Juntando as peças, a descrição clássica do encondroma da mão é a do gabarito: lesão ovoide, osteolítica, central, que afila e insufla a cortical. Osteolítica, porque a cartilagem é radiotransparente até calcificar. Central, porque nasce no canal medular. Afila, porque cresce por expansão e empurra o endósteo. Insufla, porque na falange estreita não há espaço medular sobrando.

As alternativas erradas caem pelo mesmo raciocínio. "Osteoblástica" descreve lesão formadora de osso, como a ilhota óssea ou a metástase blástica do diferencial do Campbell (cap. 27, p. 928). "Periférica" descreve lesão de superfície, como o condroma periosteal. "Engrossa a cortical" descreve reação óssea, como o espessamento cortical acentuado em volta do nicho do osteoma osteoide (Campbell, Tabela 27.1), e não um tumor que cresce por expansão.

As vozes discordantes sobre "central"

Nem todo livro descreve o encondroma da mão como central. O Campbell, no capítulo da mão (cap. 83, p. 3581), diz que na metáfise proximal da falange proximal ele é excêntrico e expansivo. O Tachdjian (p. 1027) diz que nas falanges pode ocupar toda a diáfise, com cortical íntegra salvo fratura. O Lovell and Winter (p. 443) relativiza a insuflação: o encondroma é central, e o osso pode parecer mais largo, mas pela falta de remodelação metafisária, não por expansão; a cortical é fina ou normal e não há reação periosteal. Para a prova, vale a descrição do Dahlin e do Campbell (cap. 27): central, cortical afilada e insuflada na mão.

TC, RM e cintilografia

O Dahlin (p. 24) é econômico: RM e TC acrescentam pouco. A TC pode mostrar calcificação oculta na radiografia; na RM, o encondroma é escuro em T1 e brilhante em T2, com lobulação característica, e as duas ajudam a confirmar a ausência de permeação e de envolvimento cortical. O Campbell (cap. 27, p. 928) concorda que a radiografia geralmente basta e, na dúvida, prefere a TC para avaliar a erosão endosteal; o Green (p. 2021) diz que, na mão, o diagnóstico quase sempre sai da radiografia, sem TC ou RM. No T1 há divergência: o Lovell and Winter (p. 443) fala em sinal intermediário, com alto sinal em T2, margem nítida e sem edema periférico.

Na cintilografia, os livros discordam no uso. O Dahlin mostra o encondroma frequentemente quente; o Tachdjian (p. 1027) a considera geralmente desnecessária na criança; o Lovell and Winter (p. 443) a usa para avaliar a atividade do tumor e decidir o tratamento.

O infarto ósseo e outros que imitam

O diferencial radiográfico clássico é o infarto ósseo, que também calcifica. A regra do Dahlin (p. 26 e 27) é topográfica: o infarto é lucente no centro e separado do osso normal por calcificação ou ossificação periférica; o encondroma mineraliza no centro. O Tachdjian (p. 1027) diz o mesmo e soma os diferenciais da mão, que estão na tabela do fim do resumo.

Imagem do encondroma: o que cada livro descreve
AspectoDahlin (cap. 3)Campbell 15Tachdjian (cap. 25)Lovell and Winter (cap. 13)
posiçãocentral; metáfise nos longos, porção média nos curtosmedular; na mão, excêntrico na metáfise proximal da FP (cap. 83)metáfise; nas falanges, toda a diáfisemetáfise, central
calcificaçãopipoca ou anéis, uniforme; desigual = suspeitapontilhada, puntiforme, pipocapuntiforme finaausente na criança, aparece depois
cortical no longopoupada; recorte endosteal não é malignidadeerosão de 2/3 em local proximal sugere sarcomasem recorte nem expansãofina ou normal
cortical na mãofina, sem permeaçãoerosão e expansão consideráveisíntegra salvo fraturaalargamento por falta de remodelação
tamanhopequeno; vários cm exigem cautelanão informa3 a 4 cm (1 a 8)não informa
RMescuro em T1, brilhante em T2, lobuladonão detalhanão detalhaintermediário em T1, alto em T2, sem edema
TCmostra calcificação ocultamelhor para erosão endostealútil em longos, pelve e colunanão detalha
cintilografiaquente, achado em pesquisa de metástasenão detalhadesnecessária na criançaavalia atividade

O que o patologista vê: a regra do lugar

Fundamento

Macroscopia

O Dahlin (p. 27) descreve massas confluentes de cartilagem hialina azulada e semitranslúcida, com arranjo nitidamente lobular, lóbulos de milímetros a um centímetro ou mais. O Tachdjian (p. 1026 e 1027) dá a imagem tátil: tecido branco brilhante ou perolado, arenoso pela calcificação, que corta como giz mole. O Campbell (cap. 83, p. 3581) descreve o conteúdo curetado na mão como mole, arroxeado e friável. Nos condromas múltiplos, o Dahlin avisa que nódulos separados por medula normal dão falsa impressão de permeação, mas são multifocalidade.

O condroma "de livro"

Para o condroma fora de mãos e pés, que não seja periosteal nem de paciente com lesões múltiplas, o Dahlin (p. 28) dá a descrição clássica:

  • condrócitos sempre em lacunas, pequenos, de núcleo redondo e regular, quase invisível em pequeno aumento;
  • lesão relativamente hipocelular, com células em grupos e matriz condroide azul;
  • binucleação verdadeira incomum; necrose incomum;
  • lesão bem circunscrita, com lóbulos envoltos por finas trabéculas ósseas em "anéis", os mesmos anéis da radiografia;
  • lóbulos na medula sem destruir nem aprisionar o osso medular.

O Tachdjian (p. 1027) concorda: ninhos de cartilagem sem atipia óbvia, placas de osso lamelar em volta dos lóbulos e ausência de infiltração invasiva da medula. A correspondência entre os anéis da lâmina e os da radiografia mostra o que o Dahlin quer dizer com correlacionar imagem e histologia.

Onde a regra muda

O Dahlin (p. 28 e 30) diz que a histologia varia conforme o local, e por isso o patologista precisa do local, da radiografia e da clínica. Três grupos parecem malignos e são benignos.

  • Ossos pequenos de mãos e pés. Muito mais celulares, com grupos ou lâminas de condrócitos, núcleos aumentados e binucleadas comuns, e leve alteração mixoide. Mas crescem por expansão, sem osso medular aprisionado; osso aprisionado ou permeação da cortical significam condrossarcoma. A legenda da figura 3.22 resume: aquela celularidade, num osso grande, seria diagnóstica de condrossarcoma.
  • Condroma periosteal. Atipia citológica e alteração mixoide, às vezes pronunciadas, mas bordas bem demarcadas e nenhuma permeação (p. 30).
  • Condromas múltiplos. Moderadamente hipercelulares, lobulados, multifocais, com condrócitos de forma oval, em geral sem atipia (p. 30); nas figuras do OLLIER, o Dahlin mostra pleomorfismo moderado e núcleos alongados, que diz serem comuns nessas massas.

O Campbell (cap. 27, p. 928 e 929) traduz a regra: o encondroma proximal deve ser brando e hipocelular, e qualquer hipercelularidade ou atipia num tumor cartilaginoso proximal levanta suspeita; os da mão, os justacorticais e os da encondromatose podem ser hipercelulares com atipia leve e ainda benignos. O capítulo 6 do Dahlin (p. 71) amplia a lista: também condromatose sinovial e condromas de partes moles de mãos e pés parecem malignos pelos critérios convencionais e são benignos.

Histologia do condroma conforme o local (Dahlin cap. 3, p. 28 e 30, e cap. 6, p. 71 e 73; Campbell 15 cap. 27, p. 928 e 929)
LocalCelularidadeNúcleosMatrizComo cresceLeitura
osso longo ou chatohipocelular, em grupospequenos, redondos; binucleação raraazul, sem mixoidelóbulos com anéis ósseos, sem aprisionar ossoqualquer atipia = suspeita
mão e pémuito celular, grupos ou lâminasaumentados, binucleadas comunsleve mixoide aceitávelexpansão, sem osso aprisionadoatipia ignorada se a imagem é benigna
periostealmoderadaatipia que pode ser pronunciadamixoidebem demarcado, sem permeaçãobenigno apesar da atipia
condromas múltiplosmoderadamente hipercelularovais, às vezes alongadosleve mixoidemultifocal, nódulos separados por medulamultifocalidade não é permeação
condroma de partes molesgrupos, como condromatose sinovialaumentados, hipercromáticos, binucleadoscalcificação pulverulentabem circunscritoatipia fora de contexto seria sarcoma

Duas armadilhas da lâmina

O Dahlin (p. 30) registra a displasia fibrocartilaginosa (displasia fibrosa numa lesão cartilaginosa central, quase sempre no colo ou na diáfise alta do fêmur) e a proliferação fibrocartilaginosa ativa depois de fratura ou cirurgia recente, que não deve ser tomada por malignidade e pode simular condrossarcoma desdiferenciado. O Green (p. 2021) dá a versão clínica: se a fratura patológica da mão for operada de forma aguda, o patologista precisa saber, porque o osteoide do calo confunde o diagnóstico.

Encondroma ou condrossarcoma de baixo grau: o olhar do Dahlin

Fundamento

O critério mais útil: permeação

Os eixos clínico-radiográficos (sintoma, local, erosão endosteal e massa de partes moles) estão no resumo campbell15-condrossarcoma. O Dahlin acrescenta o olhar do patologista: a permeação do tecido vizinho é talvez o critério mais útil para separar benigno de maligno (cap. 3, p. 30). No capítulo 6 (p. 71), retoma os critérios de MIRRA: o encondroma forma nódulos bem circunscritos, às vezes envoltos por trabéculas; o condrossarcoma permeia, enche a medula e aprisiona trabéculas. Duas ressalvas vêm em seguida (p. 71 e 73): o condrossarcoma também cresce em lóbulos com anéis de osso reativo, e a ausência de permeação numa biópsia pequena não garante benignidade.

Os sinais ominosos

O Dahlin (p. 28) reúne o que deve preocupar:

  • tamanho: o condroma é pequeno; um tumor hialino de vários centímetros pede busca cuidadosa de malignidade;
  • cortical: erosão ou espessamento é sinal ominoso, muitas vezes já na radiografia;
  • matriz: alteração mixoide, sobretudo com cistos; o capítulo 6 (p. 73) acrescenta que mixoide acentuado sugere fortemente malignidade e que necrose preocupa;
  • partes moles: massa de partes moles é evidência definitiva de malignidade num tumor cartilaginoso medular (cap. 6, p. 73).

E as regras mudam nos ossos pequenos, onde a cortical pode ser fina como papel e o mixoide moderado é aceitável, assim como no periosteal. A graduação do condrossarcoma (cap. 6, p. 74) usa celularidade e atipia, não mitoses, que são raras: o grau 1 é relativamente hipercelular em relação ao encondroma, com atipia moderada.

Quase impossível de provar

A frase mais honesta do capítulo está na p. 30: condrossarcomas de baixo grau podem ter grandes áreas de aspecto benigno, mas os autores não acreditam que isso prove que um encondroma se transformou. A diferenciação depende tanto da radiografia que é virtualmente impossível provar que um condroma preexistente se associou a um condrossarcoma de baixo grau; o capítulo 6 (p. 60) repete que a interpretação puramente histológica é arriscada. O Campbell (cap. 29, p. 976) chega ao mesmo lugar: se o encondroma solitário origina condrossarcoma é difícil saber, e a incidência não justifica tratar profilaticamente encondromas assintomáticos; se aparece condrossarcoma no lugar de um "encondroma" tratado, revisa-se a lâmina original. O Dahlin (p. 31) diz o mesmo da recidiva maligna: muitas vezes é interpretação errada do espécime original, com cortes inadequados.

Os pediátricos acrescentam a idade. O Tachdjian (p. 1027) diz que mitoses podem aparecer na criança em crescimento sem que a malignidade seja provável; em geral, pequenos tumores periféricos são benignos e grandes tumores axiais do adulto provavelmente malignos. O Lovell and Winter (p. 443) fixa um corte: depois dos 30 anos, lesão que dói ou cresce deve ser considerada condrossarcoma de baixo grau e ressecada.

Encondroma e condrossarcoma de baixo grau segundo o Dahlin (cap. 3, p. 28 e 30; cap. 6, p. 60, 71, 73 e 74)
CritérioEncondromaCondrossarcoma de baixo grau
padrão de crescimentonódulos circunscritos, expansãopermeação da medula e dos interstícios da cortical
trabéculasenvolvem os lóbulos (anéis)aprisionadas pelo tumor
celularidade no osso grandehipocelulargrau 1: relativamente hipercelular, atipia moderada
mitosesnão ajudamraras; não usadas na graduação
matrizsem mixoide no osso grandemixoide acentuado, cistos, necrose
mineralizaçãouniformedesigual
tamanhopequenovários centímetros
cortical e partes molesintactas (no longo)erosão, espessamento, massa de partes moles
localmão e pé favorecem benignidadeesterno quase sempre maligno

Tratamento do encondroma solitário

Relevância clínica

Osso longo: observar

O Dahlin (p. 31) é direto: os solitários de ossos longos ou chatos não precisam de tratamento; se precisar retirar, curetagem simples basta. E dá uma regra que vale guardar: lesão condroide de aspecto benigno ou, no máximo, de malignidade muito baixa na radiografia deve ser removida por completo em vez de biopsiada.

O Campbell (cap. 27, p. 929 e 930) organiza como protocolo: observação com radiografias seriadas; estável e assintomático, nada mais; se cresce ou dói, curetagem estendida, que geralmente cura, depois de excluir outra causa de dor. A recidiva é baixa. O Lovell and Winter (p. 443) dá o calendário: sem biópsia na lesão típica, radiografia e exame em cerca de 6 semanas e depois a cada 3 a 6 meses por 2 anos; e considera a biópsia incisional geralmente contraindicada, porque o patologista não separa bem o encondroma ativo do baixo grau e a biópsia altera a lesão; se a família insistir, retirar a lesão inteira. É a conclusão do Dahlin por outra rota. O Tachdjian (p. 1027) é o mais cirúrgico: indica curetagem e enxerto também nos longos, com recidiva baixa, considera a ressecção em bloco desnecessária pelo déficit funcional e pede seguimento radiográfico regular.

Mão: curetar e enxertar

Na mão, a ameaça é mecânica. O Dahlin (p. 31) diz que a maioria dos condromas dos ossos pequenos pode precisar de tratamento pela possibilidade de fratura, e que curetagem simples com enxerto ósseo basta. O Tachdjian (p. 1027): curetagem completa e enxerto autólogo geralmente curam, mas recidivas podem surgir muitos anos depois.

O Green (p. 2021) é o livro mais detalhado:

  • indicações: lesões grandes, sintomáticas ou atípicas, lesões com risco de fratura e lesões que já fraturaram; pequenas, assintomáticas e típicas podem ser observadas;
  • fratura: tratar de forma aguda (avisando o patologista) ou depois da consolidação, com dados de resultado melhor após consolidar;
  • técnica: acesso dorsal ou lateral (preferido, para não cicatrizar o extensor); biópsia limitada com congelação antes de ampliar; incisão alinhada com um eventual salvamento ou amputação; radiografia intraoperatória para confirmar a curetagem completa, porque a recidiva vem da curetagem inadequada;
  • preenchimento: crista ilíaca, rádio distal, aloenxerto, nada ou fosfato de cálcio; preencher ou não não parece alterar a recidiva; o metilmetacrilato permite mobilizar cedo; o autor prefere aloenxerto liofilizado irradiado com medula do paciente e evita enxerto do rádio ou da ulna pelo risco de contaminar a área doadora;
  • pós-operatório: mobilização precoce, tala por cerca de 6 semanas e vigilância da recidiva local, de 4,5% a 7%.

O Campbell (cap. 83, p. 3581) concorda em deixar a fratura consolidar antes da excisão, abre uma janela oval onde a cortical está mais expandida e fraca, cureta e prefere preencher com enxerto conferido por imagem; cita como alternativas cimento com fios de KIRSCHNER, fosfato de cálcio, broca de alta rotação e irrigação com álcool.

Tratamento do encondroma solitário: comparação entre os livros
LivroOsso longoMãoFraturaRecidiva
Dahlin (cap. 3, p. 31)sem tratamento; se retirar, curetagem simples; remover em vez de biopsiarcuretagem simples com enxerto pela ameaça de fraturarara no longo, frequente no pequenoincomum; recidiva maligna = revisar a lâmina
Campbell 15 (cap. 27; cap. 83)observação seriada; curetagem estendida se cresce ou dóijanela oval, curetagem, enxerto; cimento, álcool, brocaconsolidar antes de excisarbaixa
Green (cap. 59, p. 2021)não tratacongelação e curetagem; aloenxerto, autoenxerto, nada ou fosfato de cálcioaguda ou após consolidar (melhor após)4,5% a 7%
Tachdjian (cap. 25, p. 1027)curetagem e enxerto; bloco desnecessáriocuretagem completa e enxerto autólogodiagnóstico após traumabaixa, mas tardia
Lovell and Winter (cap. 13, p. 443)observar 6 semanas e a cada 3 a 6 meses por 2 anos; biópsia incisional contraindicadaidemcuretagem após consolidar (Fig. 13-13)não informa

A doença de OLLIER

Cobrança confirmada · 1 questão

O que é e como se distribui

O Dahlin (p. 22) chama de doença de OLLIER os condromas múltiplos com envolvimento difuso e tendência à unilateralidade, que causam arqueamento e encurtamento. A extensão varia muito (p. 24 e 26): esqueleto inteiro, metade do corpo, um membro, e talvez até um único osso. O Campbell (cap. 27, p. 928) descreve tumores cartilaginosos nos ossos tubulares grandes e pequenos e nos ossos chatos, por falha da ossificação endocondral, com encurtamento, alargamento das metáfises e arqueamento; na mão, incapacidade considerável. O Green (p. 2021) fala em encondromas dos longos e dos tubulares curtos de mãos e pés, com deformidade e braquidactilia.

A lateralidade tem nuances: tipicamente unilateral no Tachdjian (p. 1028), com discrepâncias de 10 a 25 cm na maturidade e varo do fêmur distal; unilateral ou predominante de um lado no Green; bilateral com predominância unilateral no Lovell and Winter (p. 444), que mostra um menino de 5 anos com valgo femoral; tendência à unilateralidade no Dahlin. Todos concordam no predomínio de um lado, e o Tachdjian e o Green dizem que a doença não é hereditária.

A imagem do OLLIER

O Dahlin (p. 26) descreve massas calcificadas maciças metadiafisárias, ossos expandidos e calcificação em pipoca ou, mais característica, linear; lesões de superfície podem parecer tumor destrutivo, e a ausência de cortical sobre as massas não indica malignidade (Fig. 3.27). Radiografias seriadas mostram "cura": no adulto, os ossos ficam deformados, mas a calcificação característica pode faltar. O Tachdjian (p. 1028) explica o padrão linear: com o crescimento, a cartilagem anômala da fise forma massas lineares na diáfise, a septação metafisária "em leque", que ele considera patognomônica; as linhas densas são osso normal, e as colunas lucentes, cartilagem anômala. As epífises geralmente são poupadas, e a TC acompanha o recorte cortical.

A mão no OLLIER

A mão é sede frequente. O Tachdjian (p. 1028) diz que falanges, fêmur e tíbia são os ossos mais afetados, com dedos deformados e aumentados e, no antebraço, arqueamento, rotação limitada e desvio ulnar. Na série do Dahlin (p. 31), 13 dos 54 pacientes com condromas múltiplos tinham lesões na mão, e três só nos artelhos; a figura 3.11 mostra lesões nas duas mãos de um homem de 18 anos.

Malignização: rara na criança

O dado que responde a questão do TEPOP está no Tachdjian (p. 1028): numa revisão de 15 pacientes com múltiplas lesões nas mãos, houve fratura em 46%, e nenhum teve transformação maligna na infância. O Lovell and Winter (p. 444) diz que o risco de condrossarcoma aparece mais tarde na vida, e todos os números são cumulativos até o adulto: cerca de 25% até os 40 anos (Dahlin, p. 22; Campbell, cap. 27, p. 928). A malignização do OLLIER é problema do adulto.

O Tachdjian dá a explicação histológica: as lesões podem ser altamente celulares, com núcleos ameaçadores, o que explicaria a transformação nos adultos mais acometidos; atipia numa biópsia da mão provavelmente é benigna, na pelve preocupa. O sinal clínico de alarme, no Green (p. 2021) e no Tachdjian, é crescimento depois da maturidade, progressão radiográfica ou dor.

Cada alternativa errada contraria os livros: a mão é sede frequente (Tachdjian, Dahlin, Green); o defeito não se restringe aos ossos longos, porque acomete tubulares curtos e chatos (Campbell, cap. 27, p. 928; Dahlin, p. 26); e a associação com hemangiomas (MAFFUCCI) não dificulta a malignização, o risco é igual ou maior.

Tratamento e vigilância

O Campbell (cap. 27, p. 930) diz que as lesões geralmente não são tratadas; as deformidades se corrigem por osteotomia, com vigilância indefinida. O Lovell and Winter (p. 444) manda tratar a deformidade sem atenção específica ao encondroma. O Tachdjian (p. 1028 e 1029) explica por que a curetagem não resolve: na mão, as lesões causam parada de crescimento das falanges e recidivam em um terço; as deformidades exigem osteotomias, alongamentos e epifisiodeses repetidos, considerando atraso de 0,6 ano na idade óssea, e na criança mais velha o fixador de ILIZAROV é o melhor método para corrigir ângulo e comprimento juntos. O Green (p. 2021) cita diafisectomia com enxerto de fíbula para deformidade progressiva.

A doença de OLLIER nos cinco livros
AspectoDahlin (cap. 3)Campbell 15 (cap. 27)Green (cap. 59)Tachdjian (cap. 25)Lovell and Winter (cap. 13)
naturezadisplasia, condrodisplasiafalha da ossificação endocondralnão hereditárionão hereditário, discondroplasianão informa herança
lateralidadetendência unilateral; até um ossonão informaunilateral ou predominantetipicamente unilateralbilateral com predomínio unilateral
ossoslongos, chatos, mãotubulares grandes e pequenos, chatoslongos e curtos de mãos e pésfalanges, fêmur e tíbiamembros
imagemcalcificação linear; "cura" no adultonão detalhanão detalhaseptação em leque patognomônicanão detalha
risco de sarcoma~25% até 40 anos~25% até 40 anos~30% (condro ou osteossarcoma)20% a 33%; 25% a 30% até 40 anostalvez até 25%
na criançamúltiplos operados cedonão informanão informa15 mãos: nenhum maligno na infânciarisco mais tarde na vida
tratamentoexcisão de deformidadesosteotomia; vigilância indefinidavigilância; diafisectomia e fíbulaosteotomia, alongamento, epifisiodese, ILIZAROVtratar a deformidade

A síndrome de MAFFUCCI

Cobrança confirmada · 3 questões

Encondromas com hemangiomas

A definição é curta, e é o que as provas pedem. O Dahlin (p. 22): condromatose esquelética associada a angiomas das partes moles. O Campbell (cap. 27, p. 928): encondromatose com hemangiomas das partes moles sobrejacentes. O Tachdjian (p. 1028): encondromatose com hemangiomas múltiplos de partes moles. O Lovell and Winter (p. 444): encondromatose múltipla e hemangiomas de partes moles. Todos usam a mesma dupla: encondromas + hemangiomas.

O Campbell, no capítulo da mão (cap. 83, p. 3581 e 3582), dá a regra de bolso: só encondromas múltiplos caracterizam o OLLIER; hemangiomas simétricos visíveis nas mãos e nas pernas, o MAFFUCCI. O Green (p. 2021) diz que o MAFFUCCI é extremamente raro, acomete as mãos na maioria dos casos e tem ossos idênticos aos do OLLIER.

Os hemangiomas aparecem na radiografia pelos flebólitos, calcificações arredondadas nas partes moles (Dahlin, p. 26; Green; Tachdjian). A figura 3.30 do Dahlin mostra a peça de um polegar com áreas escuras de hemangioma e lesões condroides separadas por medula normal. O Tachdjian (p. 1028) acrescenta hemangiomas viscerais, que justificam a RM de corpo inteiro, nevos pigmentados e vitiligo ocasionais, uma alteração de neuropeptídeos que estimularia os vasos anômalos e a encondromatose generalizada como forma mais grave.

O que a prova troca

As questões testam a dupla certa contra três trocas:

  • encondroma por osteocondroma: osteocondromas múltiplos são a exostose múltipla hereditária, autossômica dominante (Campbell, cap. 27, p. 931); o Dahlin (p. 22) manda diferenciar condromas múltiplos de osteocondromatose;
  • hemangioma por mixoma: o Campbell (cap. 27, p. 933 e Tabela 27.3) chama de síndrome de MAZABRAUD a displasia fibrosa poliostótica com mixomas intramusculares;
  • hemangioma por manchas café com leite: no Campbell, elas aparecem no neurofibroma (cap. 83, p. 3577) e na síndrome de JAFFE-CAMPANACCI (fibromas não ossificantes múltiplos, Tabela 27.3), e a pigmentação cutânea compõe a síndrome de MCCUNE-ALBRIGHT (displasia fibrosa poliostótica com alterações endócrinas); nenhuma é encondromatose.

Os hemangiomas pertencem à encondromatose

A pergunta também vem invertida: dado o hemangioma, a que condição óssea ele se liga? À encondromatose múltipla. O Dahlin (p. 22 e 26) trata OLLIER e MAFFUCCI como a mesma condrodisplasia, que no MAFFUCCI vem com hemangiomas; o Green diz que os ossos são idênticos aos do OLLIER; o Tachdjian trata as duas no mesmo item. Neurofibromatose, displasia fibrosa poliostótica e osteocondromatose múltipla são outras doenças, e nenhum livro as liga aos hemangiomas do MAFFUCCI.

OLLIER e MAFFUCCI: o que é igual e o que muda
AspectoOLLIERMAFFUCCI
ossoencondromas múltiplos, tendência unilateralidêntico ao OLLIER (Green)
partes molesnadahemangiomas múltiplos (simétricos nas mãos e pernas, Campbell cap. 83), flebólitos
outros achadosleucemias descritas (Tachdjian)hemangiomas viscerais, nevos, vitiligo; carcinoma de órgão interno (Lovell and Winter)
frequênciararaextremamente rara; mãos na maioria (Green)
na série da Mayo (cap. 3, p. 31 e 34)28 com estigmas de OLLIER entre 54 benignossó 3 entre 54 benignos
risco de sarcoma~25% até os 40 anosigual ou maior; sarcomas ósseos e de partes moles
vigilânciaperiódica, física e radiográficaidem, mais cérebro e abdome; RM de corpo inteiro

Quanto as encondromatoses malignizam

Cobrança confirmada · 1 questão

Os números de cada livro

Todos dizem que a malignização é comum; a Tabela 27.2 do Campbell (p. 931) escreve "transformação maligna comum" ao lado do OLLIER e do MAFFUCCI. Os números variam:

  • Dahlin (cap. 3, p. 22): condrossarcoma até os 40 anos em cerca de 25% dos OLLIER, sem números totalmente confiáveis; no MAFFUCCI a malignidade é considerada maior, mas a revisão de LEWIS e coautores estimou neoplasia em 23%.
  • Campbell (cap. 27, p. 928): cerca de 25% dos OLLIER com sarcoma até os 40 anos.
  • Green (cap. 59, p. 2021): cerca de 30% no OLLIER, em condrossarcoma ou osteossarcoma; o MAFFUCCI tem alto risco de sarcomas ósseos e de partes moles.
  • Tachdjian (cap. 25, p. 1028): transformação em 20% a 33%; 25% a 30% até os 40 anos; MAFFUCCI semelhante ou maior, e SCHWARTZ e colaboradores relataram expectativa de quase 100%.
  • Lovell and Winter (cap. 13, p. 444): talvez até 25% no OLLIER; o MAFFUCCI tem risco ainda maior e grande risco de carcinoma de órgão interno.

O que a série da Mayo mostra

No capítulo 3 (p. 34), havia 24 pacientes com condromatose complicada por sarcoma: 19 condrossarcomas, 3 desdiferenciados, 1 osteossarcoma e 1 cordoma condroide; 10 tinham OLLIER, 5 MAFFUCCI e os demais condromas múltiplos, quase todos com envolvimento disseminado. Um paciente listado como MAFFUCCI benigno saiu dessa categoria ao desenvolver um condrossarcoma do nariz. No capítulo 6 (p. 60), entre 158 condrossarcomas secundários, 82 surgiram sobre exostose solitária, 44 sobre exostose múltipla e 19 sobre condromas múltiplos (8 OLLIER, 5 MAFFUCCI, 6 condromas múltiplos); e o condrossarcoma multicêntrico, raríssimo, ocorreu em dois pacientes com OLLIER entre oito casos (p. 66).

O cuidado é o mesmo do resumo do condrossarcoma: esses números contam de onde vêm os casos, não o risco de cada paciente. A exostose é muito mais comum que a encondromatose e por isso gera mais secundários em número absoluto, com risco individual muito menor: o Campbell (cap. 27, p. 931) estima cerca de 5% na exostose múltipla e 1% no osteocondroma solitário, contra cerca de 25% no OLLIER.

Qual tem o secundário mais frequente

A questão do TARO 2007 oferece OLLIER, MAFFUCCI, osteocondromatose múltipla e condroblastoma, sem gabarito oficial. Pelo risco individual, a ordem dos livros é MAFFUCCI igual ou maior que OLLIER, ambos muito acima da osteocondromatose múltipla; o condroblastoma aparece no Campbell (cap. 29, p. 976) só entre as associações raras de secundário. Três livros põem o MAFFUCCI à frente (Tachdjian, Lovell and Winter e Dahlin), e só o Dahlin registra o contraponto de LEWIS, 23% de neoplasia, perto dos 25% do OLLIER. A leitura mais sustentada é MAFFUCCI (B), a mesma do resumo do condrossarcoma.

Onde o sarcoma aparece e como se suspeita

O Lovell and Winter (p. 444) diz que pelve e cintura escapular são os locais mais comuns do secundário no OLLIER; o Tachdjian (p. 1027) põe pelve, escápula, esterno, vértebras e porções proximais dos longos como sedes de maior transformação no adulto. A suspeita é clínica: crescimento localizado com dor indica biópsia (Tachdjian, p. 1028); o Green soma progressão radiográfica e crescimento após a maturidade, e lembra que a confirmação histológica exige correlação com clínica e imagem. O Tachdjian recomenda vigiar também cérebro e abdome e registra leucemias (linfoide aguda e mieloide crônica) nas duas condições.

Risco de malignização nas encondromatoses, livro a livro
LivroOLLIERMAFFUCCIObservação
Dahlin (cap. 3, p. 22 e 34)~25% até 40 anosconsiderado maior; LEWIS: 23%24 casos com sarcoma: 10 OLLIER, 5 MAFFUCCI
Campbell 15 (cap. 27, p. 928 e 931)~25% até 40 anostransformação comumnão tratar encondroma solitário profilaticamente (cap. 29)
Green (cap. 59, p. 2021)~30%, condro ou osteossarcomaalto risco, ósseo e de partes molescrescimento após maturidade ou dor = alerta
Tachdjian (cap. 25, p. 1028)20% a 33%; 25% a 30% até 40 anossemelhante ou maior; SCHWARTZ: quase 100%vigiar cérebro e abdome; leucemias
Lovell and Winter (cap. 13, p. 444)talvez até 25%ainda maior; carcinoma visceralpelve e cintura escapular

O condroma periosteal

Fundamento

Onde, quem e como aparece

Na série do Dahlin (p. 23), 18 condromas periosteais estavam no fêmur e 14 no úmero, e a metáfise proximal do úmero foi o local mais comum. O Green (p. 2021 e 2022) diz que é incomum, mais visto em homens na segunda ou terceira década, e que o segundo local mais comum é a junção metadiafisária das falanges da mão.

A imagem é de pires e contraforte. O Dahlin (p. 24) descreve lesão pequena, de 2 a 3 cm, na superfície, que recorta a cortical, com borda de esclerose e margem nítida; a cortical se debruça sobre a lesão, formando o efeito de contraforte (buttress), e o canal medular é poupado (Fig. 3.9). O Campbell (cap. 27, p. 928): lesão de menos de 3 cm, num defeito em forma de pires, cortical subjacente esclerótica e bordas sustentadas por espessa casca cortical. O Green (p. 2022): lítica unilobular, contrafortes proximal e distal, às vezes tênue borda calcificada. Na peça (Dahlin, p. 27), a lesão tem superfície lisa com cápsula fibrosa e raramente passa de 5 cm.

A armadilha: histologia de sarcoma

O Dahlin (p. 30) diz que o periosteal mostra atipia e alteração mixoide, mas não permeia; nódulos de cartilagem na medula subjacente não são permeação. O Green (p. 2022) faz o alerta clínico: confundido com encondroma na radiografia e com condrossarcoma na histologia, já motivou amputações desnecessárias, e o diagnóstico deve ser tentado antes da cirurgia. O curso é benigno, mas recidiva se o periósteo sobrejacente não sair em bloco; a excisão marginal cura, com recidiva abaixo de 4%. O diferencial do Green inclui condrossarcoma justacortical, osteossarcoma periosteal e cisto aneurismático subperiosteal. O Campbell (cap. 29, p. 976) põe o periosteal entre as condições raramente associadas a condrossarcoma secundário.

Condroma periosteal nos livros
AspectoDahlin (cap. 3)Campbell 15 (cap. 27)Green (cap. 59)
localfêmur 18, úmero 14; úmero proximal o mais comumsuperfície de qualquer osso2º local: junção metadiafisária das falanges da mão
quemnão informanão informahomens, 2ª e 3ª décadas
tamanho2 a 3 cm; raramente > 5 cm na peça< 3 cmnão informa
imagemrecorte cortical, esclerose, contraforte, medula poupadadefeito em pires, cortical esclerótica, contraforteerosão externa, contrafortes, borda calcificada tênue
histologiaatipia e mixoide, sem permeaçãohipercelular com atipia leve e benignoaspecto agressivo, confundido com condrossarcoma
tratamentonão detalhanão detalhaexcisão marginal com o periósteo em bloco; recidiva < 4%

Outros condromas e o diferencial na mão

Fundamento

Condroma de partes moles e condromatose sinovial

O Dahlin (p. 34 e 35) diz que os tumores cartilaginosos inequívocos de partes moles ocorrem sobretudo nas mãos e nos pés e são benignos: bem circunscritos, com condrócitos em grupos, como na condromatose sinovial, calcificação fina e pulverulenta, e em cerca de 15% células típicas do tumor de células gigantes da bainha tendínea. Os núcleos podem ser hipercromáticos e irregulares, com binucleadas: fora do contexto, seriam condrossarcoma. Recidivas não são incomuns, e só dois casos de transformação maligna foram documentados.

A condromatose sinovial (Dahlin, p. 36) é condição não neoplásica, com nódulos de cartilagem metaplásica na sinóvia, quase sempre monoarticular, em joelho e quadril de adultos jovens.

Lesões que imitam o encondroma na mão
LesãoO que a separaFonte
cisto de inclusão epitelialfalange, difícil de separar na radiografiaTachdjian (cap. 25, p. 1027); Campbell 15 (cap. 83, p. 3582)
cisto ósseo aneurismáticoinsuflante, quase indistinguível; metacarpo mais que falangeCampbell 15 (cap. 83, p. 3582); Green (cap. 59, p. 2024)
tumor de células giganteslesão destrutiva do diferencialCampbell 15 (cap. 83, p. 3582)
fibroma condromixoidecentral na mão, borda esclerótica, calcificação raraGreen (cap. 59, p. 2023)
cisto ósseo simples, fibroma não ossificante, displasia fibrosametacarpoTachdjian (cap. 25, p. 1027)
condrossarcoma da mãopermeia a cortical, massa de partes molesDahlin (cap. 3, p. 24 e 30; cap. 6, p. 73)
infarto ósseo (ossos longos)calcificação periférica, centro lucenteDahlin (cap. 3, p. 26 e 27); Tachdjian (p. 1027)

Fechamento

Fundamento

O encondroma se resume a uma ideia que o Dahlin repete em cada seção: a mesma cartilagem significa coisas diferentes conforme o lugar. Na falange, cortical fina e insuflada, celularidade alta e núcleos aumentados são o normal do tumor benigno, e a fratura é a apresentação habitual. No úmero ou no fêmur, a cortical deve estar poupada e a lâmina branda, e erosão, mixoide, mineralização desigual ou massa de partes moles fazem pensar em condrossarcoma. No esterno, a cartilagem quase nunca é benigna.

O tratamento segue a mesma lógica: no osso longo, observar e, se for retirar, retirar inteiro em vez de biopsiar; na mão, curetar e enxertar (ou não preencher), de preferência depois de a fratura consolidar, com recidiva de 4% a 7%; no periosteal, retirar o periósteo em bloco e não amputar por causa de uma lâmina assustadora.

As encondromatoses mudam a escala. O OLLIER é não hereditário, de predomínio unilateral, deforma e encurta, recidiva após curetagem e transforma em cerca de 25% até os 40 anos, risco do adulto e não da criança. O MAFFUCCI tem os mesmos ossos com hemangiomas e flebólitos, e risco igual ou maior. Os números variam (25% no Dahlin e no Campbell, 30% no Green, 20% a 33% no Tachdjian, até 25% no Lovell and Winter; 23% de neoplasia no MAFFUCCI pela revisão de LEWIS e quase 100% na de SCHWARTZ), mas a hierarquia é estável.

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