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Condroblastoma (e o fibroma condromixoide)

Tumores ósseos e de partes molesResumo do capítulo37 min de leitura

Tumor cartilaginoso benigno do centro de ossificação secundário (tumor de CODMAN): segunda década, fise aberta, 2:1 masculino; epífise ou apófise (úmero proximal o local isolado mais comum, joelho somando 34%, trocânter maior, tubérculo maior, patela); lítico, bem delimitado, halo esclerótico fino, calcificação em 30% a 50% (melhor na TC), edema abundante na RM, cruzar a fise aberta é quase diagnóstico; condroblastos poligonais em pedra de calçamento com núcleo em grão de café, células gigantes e calcificação em tela de galinheiro; ABC secundário em 20% a mais de 1/3; ENNEKING 2, raramente 3; curetagem estendida com broca e adjuvantes e enxerto ou cimento, curetagem adequada acima de poupar a fise; recidiva 10% a 32%; metástase pulmonar benigna em ~1%.

Atualizado em 04/11/2026 · 37 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 4 · Benign Chondroblastoma, em Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, 6ª edição (2010). Autores do capítulo: K. Krishnan UNNI e Carrie Y. INWARDS.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de tumores ósseos e de partes moles do Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, capítulo 4, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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No leitor: marcações, notas e as questões no meio do texto, que abrem sem perder o lugar da leitura.

Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 4 (Benign Chondroblastoma) do Dahlin's Bone Tumors, 6ª edição (2010), de UNNI e INWARDS, o livro da Mayo Clinic, comparado com o capítulo 28 (Aggressive Benign Tumors of Bone) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., o capítulo 25 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., e o capítulo 13 do Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. O fibroma condromixoide, que o Dahlin descreve logo em seguida (cap. 5), entra como diferencial e como tumor irmão. As páginas citadas são as impressas.

O condroblastoma é um tumor raro que cai muito, porque tem uma assinatura que nenhum outro tumor tem: mora na epífise de um adolescente com a fise ainda aberta. Quem guarda essa imagem resolve quase todas as questões: o paciente de 15 anos com dor no ombro e uma lesão lítica na cabeça do úmero, o centro de ossificação secundário da criança, a lesão que cruza a fise. O resto (histologia, metástase, estadiamento, tratamento) é cobrado em frases curtas de alternativa, e é aí que os números de cada livro importam.

A prova cobra: idade e fise aberta, localização epifisária e apofisária (e a patela), células gigantes, calcificação em tela de galinheiro e células em pedra de calçamento, cisto ósseo aneurismático secundário, metástase pulmonar benigna em cerca de 1%, estágio 2 ou 3 de ENNEKING e curetagem como tratamento.

O que é o condroblastoma

Fundamento

Um tumor de células gigantes que faz cartilagem

O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 4, p. 41), conta a história do nome pelo que o tumor tem de diferente: ele foi separado dos tumores de células gigantes por causa de uma matriz condroide. A célula que prolifera pode ser muito parecida com a do TCG, mas essas células conseguem produzir focos de matriz condroide, e por isso é lógico colocá-lo entre os tumores de origem cartilaginosa. Uma origem reticulo-histiocitária chegou a ser sugerida pelo aspecto incomum das células mononucleares, mas a microscopia eletrônica e a imunoperoxidase sustentaram a derivação cartilaginosa.

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 25, p. 1029), recua até CODMAN, que o descreveu em detalhe em 1931 com um nome que é quase uma definição: "tumor de células gigantes condromatoso epifisário". Antes dele, essas lesões costumavam ser tomadas por condrossarcomas. Por isso o condroblastoma ainda é chamado de tumor de CODMAN. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 13, p. 444), acrescenta um detalhe curioso: CODMAN se interessava pelo ombro e achou que a lesão era sobretudo do úmero proximal; depois se viu que ela aparece em muitos ossos, mas o úmero proximal continua sendo o local mais comum. O termo "benign chondroblastoma" foi firmado em 1942 (JAFFE e LICHTENSTEIN, na bibliografia do Dahlin), quando os traços clínico-patológicos foram delimitados.

Por que o nome insiste em "benigno"

O Dahlin (p. 41) explica a ênfase. As zonas celulares quase sempre têm algumas mitoses, e a combinação de mitoses com zonas condroides levou ao diagnóstico errado de TCG maligno. Um dos motivos principais para reconhecer a entidade é justamente que ela é clinicamente pouco agressiva e prontamente curável, mais ainda que o TCG comum.

A Mayo Clinic não tem nenhum exemplo de "condroblastoma maligno". Alguns condroblastomas metastatizaram como tumores benignos e alguns produziram recidivas locais enormes, ocasionalmente letais, e o termo "agressivo" passou a ser usado para eles. Mas, ao microscópio, esses casos agressivos e metastatizantes são indistinguíveis das lesões benignas comuns. Para o Dahlin, "agressivo" e "maligno" servem para descrever o comportamento clínico, não para nomear entidades patológicas.

De onde ele nasce

O Tachdjian (p. 1029 e 1030) registra a hipótese de JAFFE e LICHTENSTEIN: o tumor nasceria de células "germinativas" da cartilagem epifisária. A ideia explica a localização, mas é difícil de confirmar, porque há casos no crânio e na costela, onde essas células não deveriam estar.

O dado genético de maior valor prático está no diferencial (Tachdjian, p. 1032): 69% dos TCG têm mutação H3F3A, que o condroblastoma não tem; em vez dela, 70% dos condroblastomas são positivos para H3F3B. Dois tumores epifisários com células gigantes, duas mutações irmãs, cada uma no seu.

O Lovell and Winter (p. 444) é o mais direto sobre a origem anatômica: a lesão nasce no centro de ossificação secundário. Essa frase vai reaparecer na seção de localização, porque é a base de uma questão clássica.

Quem tem: frequência, idade e sexo

Fundamento

Raro, e um quinto do TCG

O Dahlin (p. 41) tem 147 condroblastomas na série da Mayo, o que corresponde a 4,79% de todas as lesões benignas e 1,45% de todas as neoplasias ósseas. Uma comparação ajuda a memória: o condroblastoma é cerca de um quinto tão comum quanto o TCG. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 28, p. 958), e o Lovell and Winter (p. 444) arredondam para 1% dos tumores ósseos primários.

Segunda década, fise aberta

A idade é o dado mais cobrado depois da localização. O Dahlin (p. 41) mostra que mais de 60% dos pacientes estão na segunda década, com extremos de 8 e 60 anos. O Campbell (p. 958 e Tabela 28.1, p. 953) dá a faixa típica de 10 a 25 anos. O Tachdjian (p. 1029) coloca o pico na segunda década, com a maioria antes dos 30. O Lovell and Winter (p. 444) junta a idade com a anatomia: o paciente está na segunda década, com a placa de crescimento aberta, embora a lesão possa aparecer em mais velhos.

Os pacientes mais velhos têm um padrão próprio. O Dahlin (p. 41 e 42) tinha 17 pacientes acima de 40 anos, e 5 deles com lesão no osso temporal; KURT e colaboradores também viram que o condroblastoma dos ossos do crânio aparece em pacientes mais velhos que o dos ossos longos. O Campbell (p. 958) diz o mesmo de outro modo: nos ossos chatos, o tumor tende a ocorrer em pacientes mais velhos.

Sexo masculino

Todos os livros concordam no predomínio masculino. O Dahlin (p. 41) tem pouco mais de 60% de homens na série básica e 2:1 numa série maior da Mayo com casos de consulta. O Campbell (p. 958) e o Tachdjian (p. 1029) repetem 2:1. Uma alternativa que diga "predomínio no gênero feminino" está errada em qualquer livro; o tumor epifisário com leve predomínio feminino é o TCG (Campbell, p. 952).

Epidemiologia comparada (Dahlin cap. 4, p. 41; Campbell 15 cap. 28, p. 953 e 958; Tachdjian cap. 25, p. 1029; Lovell and Winter cap. 13, p. 444)
DadoDahlinCampbell 15TachdjianLovell and Winter
frequência1,45% dos tumores ósseos; 4,79% dos benignos; 1/5 do TCG1% dos primáriosincomum1% dos tumores ósseos
idademais de 60% na segunda década (8 a 60 anos)10 a 25 anospico na segunda década, maioria antes dos 30segunda década, fise aberta
sexopouco mais de 60% masculino; 2:1 em série maior2:1 masculino2:1 masculinonão informa
mais velhoscrânio (temporal) acima de 40 anosossos chatos em mais velhosnão informapode ocorrer em mais velhos

Onde mora: epífise, apófise e o centro de ossificação secundário

Cobrança confirmada · 1 questão

Centrado na epífise

O Dahlin (p. 41) diz que os condroblastomas são tipicamente centrados numa epífise. Ocorrem mais na extremidade de um osso tubular maior, mas podem aparecer em qualquer centro de ossificação, como o trocânter maior. A série de KURT (Dahlin, p. 42) quantifica: nos ossos longos, 37% estavam inteiramente na epífise e 60% envolviam a epífise e atravessavam a placa até a metáfise. Somando, 97% eram inteiramente epifisários ou tinham componente epifisário. Na Mayo, só um condroblastoma era inteiramente metafisário.

Essa é a frase que o Dahlin destaca: uma lesão que envolve os dois lados de uma placa epifisária aberta é praticamente diagnóstica de condroblastoma. O Campbell (p. 958) concorda, com uma ressalva clínica importante: na criança, a lesão epifisária bem circunscrita que cruza a fise aberta é altamente sugestiva de condroblastoma, mas pode ser infecção.

Apófise: o centro de ossificação que não é epífise

A apófise é um centro de ossificação secundário que não forma superfície articular, e o condroblastoma também mora nela. O Dahlin (p. 42) mostra que cerca de um quarto das lesões dos ossos longos na série de KURT estava numa apófise, trocânter maior do fêmur ou tubérculo maior do úmero. O Campbell (p. 958) traz exatamente esses dois exemplos (Fig. 28.6, tubérculo maior; Fig. 28.7, trocânter maior em menino de 12 anos com dor no quadril).

Na pelve, o Dahlin (p. 43) aponta uma tendência notável: os condroblastomas pélvicos nascem perto da cartilagem trirradiada, que é o equivalente pélvico de uma fise.

O centro de ossificação secundário na criança

O Lovell and Winter (p. 444) amarra tudo numa hierarquia que a prova copiou. A lesão nasce no centro de ossificação secundário. Na criança, o condroblastoma é a lesão neoplásica mais comum do centro de ossificação secundário; no adulto, só o TCG o acomete com mais frequência. E há um alerta: na criança, a condição mais comum que produz lesão no centro de ossificação secundário é a osteomielite, que não é neoplasia. A palavra "neoplásica" no enunciado é o que tira a infecção da disputa.

Quais ossos

O Dahlin (p. 41) dá a distribuição da Mayo. O úmero proximal é o local isolado mais comum, com pouco menos de 20% dos casos. A região do joelho soma 34%, com a tíbia proximal um pouco à frente do fêmur distal. O fêmur proximal teve 20 casos, 6 deles no trocânter maior. O Lovell and Winter (p. 444) repete cerca de 20% no úmero proximal. O Tachdjian (p. 1030 e 1031) lista como mais comuns úmero proximal, fêmur distal e tíbia proximal, e o Campbell (p. 958 e Tabela 28.1) lista fêmur distal, úmero proximal e tíbia proximal: os mesmos três ossos, em ordens diferentes.

A patela merece destaque porque virou alternativa. O Dahlin (p. 41) encontrou condroblastoma em 4 pacientes, o que representou 50% de todos os tumores benignos da patela e 28,6% de todos os tumores da patela. Uma alternativa que diga "não acomete a patela" está errada. O Tachdjian (p. 1031) também inclui patela, tálus e calcâneo entre os locais descritos, ao lado de crânio, maxila, osso temporal, costelas, pelve, mãos e coluna.

Em local atípico (metáfise pura, diáfise), o Dahlin (p. 42) manda excluir o osteossarcoma semelhante ao condroblastoma. Locais múltiplos são raríssimos: o Campbell (p. 958) chama a doença multicêntrica de excepcionalmente rara, o Tachdjian (p. 1031) diz que já foi relatada, e o Dahlin (p. 42) cita um único caso documentado na literatura de dois condroblastomas no mesmo paciente, sem nenhum na Mayo.

Localização do condroblastoma (Dahlin cap. 4, p. 41 a 43; Campbell 15 cap. 28, p. 958; Tachdjian cap. 25, p. 1030 e 1031; Lovell and Winter cap. 13, p. 444)
LocalDadoFonte
úmero proximallocal isolado mais comum, pouco menos de 20%Dahlin; Lovell and Winter (~20%)
joelho (tíbia proximal e fêmur distal)34% somados, tíbia um pouco à frenteDahlin
fêmur proximal20 casos, 6 no trocânter maiorDahlin
apófisescerca de 1/4 dos casos de ossos longos (trocânter maior, tubérculo maior)Dahlin (KURT); Campbell
patela50% dos benignos e 28,6% de todos os tumores da patelaDahlin
pelveperto da cartilagem trirradiadaDahlin
osso temporal e crâniopacientes mais velhos, acima de 40 anosDahlin
tálus, calcâneo, mãos, coluna, costelasdescritosTachdjian
metáfise purasó 1 caso na Mayo; em local atípico excluir osteossarcoma semelhanteDahlin

Como se apresenta: a dor que parece sinovite

Relevância clínica

Dor local, longa e articular

O Dahlin (p. 42) diz que a dor local é o sintoma mais importante e atinge a maioria dos pacientes; TURCOTTE e colaboradores relataram dor em 86%. A duração média dos sintomas foi de 20 meses, com extremos de 5 semanas a 16 anos. Também aparecem tumefação, claudicação e rigidez articular, e cerca de 45% têm área dolorosa à palpação. Nos tumores do osso temporal, os sintomas são perda auditiva progressiva e otalgia.

O motivo da confusão diagnóstica é a vizinhança da articulação. O Lovell and Winter (p. 444) descreve a dor na articulação vizinha à lesão, com derrame e diminuição do movimento na maioria dos pacientes, e diz que o paciente muitas vezes é tratado como portador de sinovite crônica; não há outros sintomas e os exames laboratoriais são normais. O Campbell (p. 958) usa a mesma expressão: a dor progressiva pode imitar uma sinovite crônica ou outra afecção intra-articular. O Tachdjian (p. 1031) completa com sintomas geralmente leves, presentes por 6 meses a vários anos antes do diagnóstico, articulação inchada com movimento limitado, claudicação antálgica no membro inferior e fratura patológica incomum; na coluna pode haver déficit neurológico.

Condroblastoma ou osteocondrite dissecante

O Lovell and Winter (p. 444) dedica um parágrafo a uma confusão que a radiografia permite: condroblastoma e osteocondrite dissecante (OCD) podem parecer semelhantes, mas não devem ser confundidos. A OCD produz uma anormalidade no osso subcondral; no condroblastoma, o osso subcondral é quase sempre normal. O paciente com condroblastoma tem mais derrame, e a dor é constante, sem relação com a atividade, ao contrário da OCD.

Imagem: lítico, epifisário, com halo e calcificação

Cobrança confirmada · 1 questão

A radiografia simples

O Dahlin (p. 42 e 43) descreve o condroblastoma como uma área central de rarefação, cuja marca é a localização dentro do osso. O defeito é redondo ou oval. Quase metade tem um fino halo esclerótico ao redor. Dois terços não mostram mineralização na radiografia, e a tomografia pode mostrar mineral que a radiografia não vê. Cerca de três quartos envolvem a cortical adjacente, e a neoformação periosteal é rara. A maioria fica na cavidade medular; raramente parece cortical, e não houve nenhum de superfície ou de partes moles na Mayo.

O Campbell (p. 958) diz que os achados radiográficos geralmente são característicos: lesão bem circunscrita, geralmente centrada na epífise de um osso longo, frequentemente com halo de osso reativo, e 30% a 50% com calcificação da matriz. A extensão para partes moles é extremamente rara.

O Tachdjian (p. 1031) é o mais detalhista e o mais enfático. A lesão fica na epífise, mas pode se estender à metáfise; geralmente é excêntrica e ocupa menos da metade da epífise; tem borda de esclerose do osso hospedeiro; tem pequenas calcificações puntiformes; e, no momento do diagnóstico, a fise adjacente geralmente está presente (aberta). Com todos esses traços juntos, diz o livro, a imagem é patognomônica de condroblastoma.

O Lovell and Winter (p. 444) descreve a lesão como radiolucente, geralmente com pequenos focos de calcificação, com halo reativo e, às vezes, reação periosteal metafisária. A cintilografia com tecnécio-99 mostra captação aumentada.

Tomografia: para ver o cálcio

O Campbell (p. 958) diz que a TC ajuda a detectar áreas sutis de calcificação que podem não aparecer na radiografia. O Lovell and Winter (p. 434 e 444) coloca o condroblastoma como exemplo de lesão com mineralização fina em que a TC é mais útil, e diz que a calcificação é melhor vista na TC.

Ressonância: o edema que assusta

A RM tem um achado que todos os livros destacam e que confunde quem não o conhece: edema abundante ao redor da lesão. O Dahlin (p. 43) descreve um fino halo lobulado e diz que o edema peritumoral é característico e não deve ser confundido com permeação (o sinal de tumor maligno). O Campbell (p. 958) diz que a RM frequentemente demonstra edema abundante. O Tachdjian (p. 1032) diz que o edema da medula e das partes moles e a reação periosteal aparecem de forma mais dramática na RM que na radiografia, que o edema medular é comum, e que conhecer esses achados evita confusão com infecção ou com neoplasias agressivas.

Imagem do condroblastoma por livro (Dahlin cap. 4, p. 42 e 43; Campbell 15 cap. 28, p. 958; Tachdjian cap. 25, p. 1031 e 1032; Lovell and Winter cap. 13, p. 434 e 444)
AchadoDahlinCampbell 15TachdjianLovell and Winter
formaredondo ou oval, central na epífisebem circunscrito, centrado na epífiseexcêntrico, menos de metade da epífiseradiolucente
halo escleróticofino, em quase metadehalo de osso reativo, frequenteborda de esclerosehalo reativo
calcificação2/3 sem mineral na radiografia30% a 50%pequenas calcificações puntiformespequenos focos, melhor na TC
fiseos dois lados da fise aberta: praticamente diagnósticocruzar a fise aberta: altamente sugestivo (ou infecção)fise adjacente presente; o conjunto é patognomônicosegunda década com fise aberta
reação periostealraranão informamelhor na RMàs vezes metafisária
RMhalo lobulado; edema característico, não é permeaçãoedema abundanteedema medular e de partes moles comumedema abundante
partes molesnenhum de superfície na Mayoextensão extremamente raranão informanão informa

O ombro do adolescente

A questão de imagem mais típica junta tudo: menino de 15 anos, dor no ombro, lesão lítica na epífise do úmero proximal. É o retrato do Campbell (Fig. 28.6, p. 959), um menino de 16 anos com dor no ombro esquerdo havia 1 ano, lesão lítica do úmero proximal cruzando a fise aberta, calcificação na TC e nível líquido-líquido na RM; a biópsia confirmou condroblastoma com ABC secundário. O Lovell and Winter (Fig. 13-15, p. 445) mostra outro menino de 15 anos com lesão lítica bem definida na epífise do úmero proximal e fise aberta, curado 12 meses depois da curetagem.

Os distratores dessa questão caem pela idade e pela localização. O osteossarcoma tem a metáfise como local comum (Tachdjian, cap. 24, Box 24.1, p. 1000), e o osteoma osteoide mora sobretudo na metáfise ou na diáfise do fêmur e da tíbia (Tachdjian, cap. 25, p. 1034). O TCG é epifisário, mas do esqueleto maduro.

Lesão epifisária: o diferencial pela idade

Cobrança confirmada · 1 questão

A regra da fise

Os três livros de base trazem o mesmo quadro de diferencial, e todos o organizam pela fise. O Campbell, no capítulo de princípios gerais (cap. 26, Box 26.1, p. 869), lista as lesões epifisárias: condroblastoma (10 a 25 anos), TCG (20 a 40 anos) e condrossarcoma de células claras (raro). E resume (p. 869.e1): lesão epifisária em esqueleto maduro provavelmente é TCG; em esqueleto imaturo, provavelmente é condroblastoma.

O Lovell and Winter (Tabela 13-2, p. 432) coloca na epífise: condroblastoma (fise aberta), TCG (fise fechada), abscesso de BRODIE (osteomielite subaguda) e histiocitose de células de LANGERHANS. O Tachdjian (cap. 24, Box 24.1 e texto, p. 1000) diz que lesões lucentes epifisárias geralmente são condroblastoma, infecção ou, ocasionalmente, granuloma eosinofílico, e que lesões epifisárias após o fechamento da fise geralmente são TCG.

Condroblastoma ou TCG

O Campbell (p. 958) dá os traços de imagem que separam os dois: diferentemente do condroblastoma, o TCG geralmente não tem halo de osso esclerótico nem calcificação intralesional e pode ter componente de partes moles. A Tabela 28.1 (p. 953) descreve o TCG como excêntrico na epífise, puramente radiolucente, e metafisário no esqueleto imaturo, com leve predomínio feminino e 20 a 40 anos. O Dahlin (p. 41) lembra que a célula proliferante de um pode ser muito parecida com a do outro, e a matriz condroide decide.

Condroblastoma ou condrossarcoma de células claras

No adulto, o diferencial epifisário inclui o condrossarcoma de células claras (Campbell, p. 958). O Tachdjian (p. 1030) diz que ele pode se parecer histologicamente com o condroblastoma, mas ocorre em adultos com a fise fechada, e a radiografia e a clínica não são compatíveis com condroblastoma. O Dahlin (p. 41) inclui o condrossarcoma de células claras e o osteossarcoma semelhante ao condroblastoma entre o que deve ser pensado quando um "condroblastoma" se comporta de forma agressiva.

Outros diferenciais

O Tachdjian (p. 1032) lista ainda encondroma, lesões sinoviais (sinovite vilonodular pigmentada, artrite reumatoide) e granuloma eosinofílico de localização atípica. O Lovell and Winter (p. 444) acrescenta a osteocondrite dissecante, separada pelo osso subcondral.

Diferencial da lesão epifisária (Campbell 15 cap. 26, Box 26.1, p. 869, e cap. 28, p. 953 e 958; Lovell and Winter Tabela 13-2, p. 432, e p. 444; Tachdjian cap. 24, p. 1000, e cap. 25, p. 1030 e 1032)
LesãoIdade e fiseO que a separa do condroblastoma
condroblastoma10 a 25 anos, fise abertahalo esclerótico, calcificação, edema na RM, H3F3B
tumor de células gigantes20 a 40 anos, fise fechadasem halo, sem calcificação, pode ter partes moles; H3F3A em 69%
condrossarcoma de células clarasadulto, fise fechada, raroclínica e imagem incompatíveis com condroblastoma
osteomielite (abscesso de BRODIE)criançacondição mais comum do centro de ossificação secundário; não neoplásica
histiocitose de LANGERHANS (granuloma eosinofílico)criançalocalização epifisária atípica
osteocondrite dissecanteadolescentealtera o osso subcondral; menos derrame; dor ligada à atividade
lesões sinoviais (sinovite vilonodular, artrite reumatoide)variáveldoença articular primária

O que o patologista vê: pedra de calçamento e tela de galinheiro

Cobrança confirmada · 1 questão

Macroscopia

O Dahlin (p. 43 a 45) diz que os condroblastomas costumam ser pequenos, de 1 a 7 cm na série. O tecido não tem traço patognomônico: é cinza-rosado, com áreas de hemorragia e calcificação; raramente a matriz condroide é proeminente. Retirado inteiro, mostra um fino halo esclerótico. Pode haver alteração cística, às vezes proeminente, e ocasionalmente o tumor simula um cisto ósseo aneurismático.

O Tachdjian (p. 1030) descreve os fragmentos da curetagem como cinza-rosados ou hemorrágicos, misturados a tecido arenoso, calcificado e com colesterol, com pequenas ilhas de condroide azulado ou branco.

A célula: o condroblasto

O Dahlin (p. 45 e 46) parte do nome: a célula proliferante é considerada um condroblasto. A célula típica é oval, com limites citoplasmáticos bem definidos; o citoplasma é indistinto ou focalmente claro, podendo corar rosa. O núcleo é oval e tem um sulco longitudinal no meio, que dá o aspecto de grão de café. Em alguns tumores as células são um pouco epitelioides, com núcleo vesicular e citoplasma rosado abundante, sobretudo nos do osso temporal.

O Campbell (p. 958) descreve lâminas de condroblastos sobre um fundo de matriz condroide, células redondas a poligonais com contornos citoplasmáticos nítidos. O Tachdjian (p. 1030) fala em células poligonais (condroblastos). O Lovell and Winter (p. 444 e 445) tem a imagem que a prova usa: pequenas células cuboides (condroblastos) muito juntas, com o aspecto de uma rua de paralelepípedos (cobblestone, em português pedra de calçamento). A Fig. 13-17 diz que as células cuboides se encaixam de modo a parecer paralelepípedos.

As células gigantes

As células gigantes são o motivo da antiga confusão com o TCG e o motivo de uma questão clássica. O Dahlin (p. 46) diz que células gigantes benignas estão espalhadas por toda a lesão, com 5 a 40 núcleos, e a legenda da Fig. 4.14 diz que os condroblastomas tipicamente contêm várias células gigantes multinucleadas. O Campbell (p. 958) diz que as células gigantes multinucleadas são abundantes. O Tachdjian (p. 1030) as inclui na tríade histológica e o Lovell and Winter (p. 445) fala em numerosas células gigantes multinucleadas.

O ponto importante do Dahlin (p. 46) é que a célula não basta: embora a descrição sugira que o condroblastoma possa ser reconhecido pela citologia, para confirmar o diagnóstico é preciso identificar focos condroides ou focos de calcificação. Sem cartilagem ou cálcio, um tumor de células gigantes epifisário é TCG.

A matriz: cartilagem que cora rosa

O Dahlin (p. 46) relata que, na série de KURT, 95% das lesões mostravam diferenciação condroide. Os focos podem ser pequenos ou dominar o quadro. Um detalhe de lâmina: a cartilagem do condroblastoma cora rosa, e não azul como a cartilagem hialina comum (Fig. 4.11), embora possa haver mistura de matriz rosa e azul (Fig. 4.16). A ossificação pode aparecer, mas raramente é proeminente a ponto de sugerir osteoblastoma. O Lovell and Winter (p. 445) chama de matriz amorfa, em quantidade variável, que muitas vezes contém estrias de calcificação. O Tachdjian (p. 1030) fala em ilhas de cartilagem condroide ou hialina.

A calcificação em tela de galinheiro

O Dahlin (p. 46) diz que depósitos de cálcio aparecem em cerca de um terço das lesões e que a calcificação tende a ser rendilhada (lacelike), depositada entre células tumorais em degeneração (Fig. 4.12). Grandes massas nodulares de calcificação também podem estar presentes.

O Campbell (p. 958) dá o nome que a prova usa: a calcificação distrófica é frequente e pode envolver células individuais, dando o aspecto clássico em "chicken wire", a tela de galinheiro. O Tachdjian (p. 1030) explica o mecanismo: a calcificação em tela de galinheiro surge quando depósitos rendilhados de cálcio se misturam à matriz condroide intercelular, desenhando uma malha em volta de cada célula. A imagem é a de uma cerca de arame em que cada célula ocupa um buraco da tela.

O Dahlin (cap. 5, Fig. 5.21, p. 56) usa essa calcificação para separar os irmãos: o fibroma condromixoide pode ter calcificação rendilhada como o condroblastoma, mas mais comumente tem calcificação em placas ou blocos, diferente do padrão rendilhado do condroblastoma.

Mitoses, atipia, pigmento e necrose

O Dahlin (p. 46 e 47) dá os detalhes que evitam o diagnóstico errado de malignidade. Mitoses são comuns, mas geralmente pouco frequentes, e mitoses atípicas quase nunca aparecem. Às vezes há núcleos aumentados, irregulares e hipercromáticos, mas focais, sem sugerir malignidade. O Lovell and Winter (p. 445) é mais restritivo: poucas ou nenhuma mitose, e nenhuma anormal; e lembra que o condroblastoma não é tão vascular quanto o osteoblastoma. O Campbell (p. 958) acrescenta que a gradação histológica não tem significado prognóstico.

Histologia por livro (Dahlin cap. 4, p. 45 a 47; Campbell 15 cap. 28, p. 958; Tachdjian cap. 25, p. 1030; Lovell and Winter cap. 13, p. 444 e 445)
ElementoDahlinCampbell 15TachdjianLovell and Winter
célulacondroblasto oval, limites nítidos, núcleo em grão de cafécondroblastos redondos a poligonais, contornos nítidos, em lâminascélulas poligonaispequenas células cuboides em pedra de calçamento
células gigantesespalhadas, 5 a 40 núcleosabundantespresentesnumerosas
matrizcondroide em 95%; cora rosafundo de matriz condroideilhas de condroide ou hialinamatriz amorfa com estrias de cálcio
calcificaçãorendilhada, entre células, em ~1/3distrófica em volta das células: chicken wirerendilhada na matriz intercelular: chicken wireestrias de calcificação
mitosescomuns, pouco frequentes; atípicas quase nuncagradação sem valor prognósticonão informapoucas ou nenhuma, nenhuma anormal
outrospigmento de ferro em 1/4; necrose em 1/4ABC secundário em 20%áreas císticas ou hemorrágicasmenos vascular que o osteoblastoma

O cisto ósseo aneurismático secundário

Cobrança confirmada · 1 questão

Quanto e como aparece

O condroblastoma é um dos tumores que mais vêm acompanhados de cisto ósseo aneurismático (ABC) secundário, e os números variam conforme o livro olha a lâmina inteira ou só o que muda a imagem. O Dahlin (p. 47 e 48) diz que alterações semelhantes a ABC secundário ocorrem em mais de um terço dos condroblastomas. Geralmente são microscópicas e não escondem a lesão de base. Em alguns casos, porém, o ABC é o achado predominante, e o condroblastoma fica como um nódulo mural; a Fig. 4.13 avisa que o componente aneurismático pode ser tão extenso que mascara o condroblastoma subjacente. O Campbell (p. 958) dá 20%. O Tachdjian (p. 1030) diz que uma pequena porcentagem é predominantemente cística ou hemorrágica, tornando difícil a separação histológica do ABC.

Na imagem, o ABC secundário explica a expansão que o condroblastoma puro não costuma ter (Dahlin, Fig. 4.6, p. 44) e o nível líquido-líquido na RM (Campbell, Fig. 28.6, p. 959).

O ABC como resposta, não como tumor

O Tachdjian (p. 1008) explica que o ABC pode ser uma resposta secundária a outras lesões primárias: fibroma não ossificante, displasia fibrosa, condroblastoma, TCG, cisto simples, osteossarcoma telangiectásico, condrossarcoma e metástase; 65% dos ABC seriam primários e 35% secundários. O Campbell (cap. 27, p. 939) descreve o ABC como lesão reativa cheia de sangue, e lista o condroblastoma e o fibroma condromixoide entre as lesões que podem conter áreas semelhantes a ABC. O Lovell and Winter (p. 457) diz que o ABC secundário costuma ocupar só uma pequena parte do tumor, que a lesão primária geralmente é óbvia, e que a presença do ABC secundário não muda o tratamento nem o prognóstico do tumor primário. O Dahlin (p. 48) registra que alguns autores viram mais recidiva com ABC secundário, mas não foi a experiência da Mayo.

Estadiamento e comportamento: benigno ativo, às vezes agressivo

Cobrança confirmada · 1 questão

Os estágios de ENNEKING para tumores benignos

O Campbell, no capítulo de princípios gerais (cap. 26, p. 873), explica o sistema de ENNEKING: tumores benignos recebem números arábicos e malignos, romanos. Quando uma alternativa fala em B1, B2 ou B3, está falando desses três estágios dos benignos.

  • Estágio 1, latente: intracapsular, geralmente assintomático, achado incidental; margem bem definida com halo espesso de osso reativo, sem destruição ou expansão da cortical; não exige tratamento (exemplo: fibroma não ossificante pequeno).
  • Estágio 2, ativo: também intracapsular, mas em crescimento, causa sintomas e pode fraturar; margens bem definidas, pode expandir e afilar a cortical, geralmente com halo fino; tratamento usual: curetagem estendida.
  • Estágio 3, agressivo: extracapsular, rompe o osso reativo e talvez a cortical, pode ter massa de partes moles na RM e metástases em 1% a 5% (exemplo: TCG); tratamento por curetagem estendida, ressecção marginal ou ampla, com recidiva comum.

Onde o condroblastoma se encaixa

O Campbell (cap. 28, p. 958) é explícito: os condroblastomas geralmente se apresentam como lesões de estágio 2 e, mais raramente, de estágio 3. Embora tipicamente não sejam tão agressivos quanto o TCG, o tratamento cirúrgico se justifica em quase todos pela natureza lentamente progressiva da doença. O Lovell and Winter (p. 444) chama o condroblastoma de tumor benigno ativo. A imagem combina com o estágio 2: margens bem definidas e halo fino (Dahlin, p. 43). O estágio 3 corresponde aos casos "agressivos" do Dahlin (p. 45 e 48), como o úmero proximal de um menino de 10 anos que recidivou duas vezes, destruiu a cabeça umeral e invadiu as partes moles, com histologia de condroblastoma comum.

Estágios de ENNEKING dos tumores benignos (Campbell 15 cap. 26, p. 873, e cap. 28, p. 958; Tachdjian cap. 24, p. 999; Lovell and Winter cap. 13, p. 444)
EstágioComportamentoImagemTratamentoCondroblastoma
1 (B1) latenteintracapsular, assintomáticohalo espesso, sem destruiçãonão exigenão
2 (B2) ativointracapsular, cresce, sintomáticobem definido, halo fino, pode afilar a corticalcuretagem estendidaapresentação habitual
3 (B3) agressivoextracapsular, rompe a corticalpartes moles; metástase em 1% a 5%curetagem estendida ou ressecção marginal ou amplamais raro

"Agressivo" não é "maligno"

O Dahlin (p. 41 e 48) é cuidadoso. Há condroblastomas agressivos relatados, que ficam grandes e localmente destrutivos, embora histologicamente iguais aos demais. Na série, um paciente com lesão da pelve tratado com hemipelvectomia teve recidiva e morreu de doença local; outro, da escápula, com curso maligno, foi reclassificado como osteossarcoma semelhante ao condroblastoma. O Campbell (p. 962) diz que a transformação maligna é extremamente rara. O Lovell and Winter (p. 445) diz que o condroblastoma da pelve frequentemente se comporta de forma mais agressiva que o dos ossos longos.

Tratamento: curetagem, adjuvantes, fise e cartilagem

Cobrança confirmada · 1 questão

Tratar quando achar

O primeiro ponto é que o condroblastoma não se observa. O Lovell and Winter (p. 445) diz em duas frases: os condroblastomas progridem e invadem a articulação; devem ser tratados quando encontrados. O Campbell (p. 958) dá o motivo com outras palavras: embora menos agressivo que o TCG, o tratamento cirúrgico se justifica em quase todos pela natureza lentamente progressiva da doença. É a diferença em relação ao tumor latente (estágio 1), que pode ser só acompanhado.

O que cada livro manda fazer

O Dahlin (p. 48), escrito por patologistas, é o mais simples: os condroblastomas são geralmente tratados por curetagem, com ou sem enxerto ósseo.

O Campbell (p. 958) indica curetagem estendida e preenchimento com enxerto ósseo ou cimento ósseo, técnica associada a alta chance de preservar a articulação e bons resultados funcionais. As figuras mostram os instrumentos da curetagem estendida: broca de alta rotação e coagulação com feixe de argônio (Fig. 28.9, menino de 15 anos com lesão na epífise da tíbia proximal), além de aloenxerto de osso esponjoso, matriz óssea desmineralizada e substitutos de enxerto (Figs. 28.7 e 28.8).

O Tachdjian (p. 1032) recomenda curetagem completa e excisão da lesão com broca de alta rotação, evitando lesar a superfície articular e a fise do esqueleto imaturo, e preenchimento com osso autógeno ou aloenxerto.

O Lovell and Winter (p. 445) pede uma curetagem minuciosa, que vá além do halo reativo, pela abordagem em quatro passos que o livro descreve para o osteoblastoma (p. 439): curetagem estendida, broca de alta rotação, eletrocauterização da parede da cavidade e solução de fenol a 5%, com recidiva em torno de 5% naquela lesão.

Abrir a articulação para ver bem

O Lovell and Winter (p. 445) tem uma orientação que surpreende: a lesão precisa ser bem visualizada durante a curetagem, o que geralmente significa abrir a articulação. A semeadura iatrogênica da articulação não é um risco significativo, e a exposição intra-articular é recomendada se facilitar a visão. O Tachdjian (p. 1032) traz alternativas de acesso: na cabeça femoral, 14 casos tratados por curetagem através de um alçapão (trapdoor), sem recidiva e com uma necrose avascular; e a artroscopia como adjuvante na tíbia proximal e no fêmur proximal.

A fise: curetagem primeiro

O Campbell (p. 958) é categórico: a curetagem adequada deve sempre ter precedência sobre poupar a fise. E acrescenta que, nos casos de parada de crescimento relatados, não se sabe se a lesão veio do próprio tumor ou da cirurgia. O Tachdjian (p. 1032) diz o mesmo: a preservação da fise deve ser considerada uma preocupação secundária em relação à excisão completa e minuciosa, embora o cirurgião deva evitar lesá-la sem necessidade.

O Lovell and Winter (p. 445) tranquiliza pela idade: a maioria dos pacientes está perto da maturidade esquelética no diagnóstico, e o risco de distúrbio de crescimento pelo tumor ou pelo tratamento geralmente é mínimo; quando o paciente tem menos de 10 anos, deve-se cuidar para não lesar a fise.

A cartilagem articular

O outro lado do tumor é a superfície articular, e aqui os livros parecem dizer coisas opostas, mas estão olhando para riscos diferentes. O Tachdjian (p. 1032) diz que, se o tumor estiver logo abaixo da cartilagem articular, a excisão adequada pode exigir a retirada de parte da cartilagem, e cita aloenxerto e enxerto vascularizado de fíbula para evitar o colapso da superfície. O Lovell and Winter (p. 445) diz que a penetração intra-articular e o dano à cartilagem articular são riscos reais que devem ser evitados. O Campbell (p. 958) promete alta chance de preservação articular com a curetagem estendida.

A conciliação: abrir a articulação para enxergar é aceitável (o Lovell and Winter recomenda), mas a curetagem não deve perfurar a cartilagem sem necessidade; quando o tumor já a alcança, a prioridade continua sendo retirar todo o tumor, e a superfície se sustenta com enxerto. O Tachdjian (p. 1032) registra ainda a ablação por radiofrequência em 13 pacientes, com alívio em 12 e colapso da superfície articular no outro, um aviso de que o osso subcondral fino é o ponto frágil.

Ressecção e radioterapia

A ressecção fica para exceções. O Dahlin (p. 48) diz que a ressecção raramente é necessária, mas que ocasionalmente uma recidiva agressiva destrói o osso e a exige. O Tachdjian (p. 1032) diz que alguns precisam de ressecção marginal ampla, sobretudo os que recidivaram, com reconstrução por aloenxerto osteoarticular parcial ou total. O Lovell and Winter (p. 445) recomenda ressecção ampla inicial na pelve, quando possível com pouca perda funcional, porque ali o tumor é mais agressivo.

A radioterapia é um erro. O Dahlin (p. 48) diz que ela é quase sempre desnecessária e pode levar a sarcoma pós-radiação: na série, um paciente desenvolveu sarcoma do fêmur distal 29 anos depois de irradiar um condroblastoma da tíbia proximal, e outro, que morreu com metástase, provavelmente teve sarcoma pós-radiação.

Tratamento por livro (Dahlin cap. 4, p. 48; Campbell 15 cap. 28, p. 958 a 961; Tachdjian cap. 25, p. 1032; Lovell and Winter cap. 13, p. 439 e 445)
PontoDahlinCampbell 15TachdjianLovell and Winter
técnicacuretagem com ou sem enxertocuretagem estendida + enxerto ou cimentocuretagem completa com broca + autoenxerto ou aloenxertoquatro passos: curetagem estendida, broca, cautério, fenol 5%
adjuvantesnão citabroca, coagulação com argôniobroca; radiofrequência; artroscopiabroca, cautério, fenol
fisenão discutecuretagem adequada antes de poupar a fisepreservar a fise é secundáriorisco mínimo perto da maturidade; cuidado abaixo de 10 anos
articulaçãonão discutealta chance de preservaçãopode exigir retirar cartilagem; enxerto contra colapsoabrir a articulação para ver; não perfurar a cartilagem
ressecçãorara, em recidiva agressivanão detalhamarginal ampla nos recidivadospelve: ampla inicial
radioterapiaquase sempre desnecessária; sarcoma pós-radiaçãonão indicanão citanão cita

Recidiva: quanto e onde

Fundamento

Os números de cada série

A recidiva é o ponto em que os livros mais divergem. O Dahlin (p. 48) cita TURCOTTE e colaboradores: 64 pacientes curetados, 9 recidivas locais (cerca de 14%), mais prováveis em osso chato que em osso longo. O Campbell (p. 962) dá 10% a 20%. O Tachdjian (p. 1032) traz duas cifras que parecem conflitantes: um estudo com controle local em cerca de 80% após curetagem intracapsular (portanto ~20% de recidiva) e uma grande série francesa com 32% de recidiva após curetagem, com seguimento médio de 5 anos. O Lovell and Winter não dá um número para o condroblastoma, mas registra ~5% de recidiva com a abordagem em quatro passos no osteoblastoma, o que mostra o efeito dos adjuvantes.

Recidiva em partes moles

O Dahlin (p. 45 e 48) descreve a recidiva em partes moles: bem circunscrita, com uma casca de ossificação ("casca de ovo"), como a recidiva do TCG em partes moles. Só 2 pacientes da Mayo tiveram recidiva em partes moles, e o livro diz que até o tumor que recidiva ou se implanta nas partes moles vizinhas deve ser curável por ressecção total.

Seguimento

O Campbell (p. 958 e 962) recomenda radiografias do local primário e do tórax a cada 6 meses por pelo menos 3 anos, e depois anualmente.

Recidiva local por livro (Dahlin cap. 4, p. 48; Campbell 15 cap. 28, p. 958 e 962; Tachdjian cap. 25, p. 1032; Lovell and Winter cap. 13, p. 439 e 445)
LivroTaxaConduta e fatores
Dahlin9 de 64 curetados (TURCOTTE), ~14%nova curetagem; mais em osso chato; 2 em partes moles na Mayo
Campbell 1510% a 20%tratar como lesão primária; radiografia local e de tórax a cada 6 meses por 3 anos
Tachdjiancontrole local ~80%; série francesa 32%ressecção marginal ampla nos recidivados
Lovell and Winternão informa (quatro passos: ~5% no osteoblastoma)segunda curetagem cura a maioria; pelve mais agressiva

Metástase pulmonar benigna

Cobrança confirmada · 1 questão

Benigno que vai ao pulmão

O condroblastoma faz parte de um grupo pequeno e muito cobrado: tumores benignos que podem dar implantes pulmonares e continuar benignos. O Campbell (cap. 28, p. 952) abre o capítulo dizendo que TCG e condroblastoma podem desenvolver metástases pulmonares e, raramente, ser fatais.

Os números: o Campbell (p. 962 e Tabela 28.1, p. 953) dá cerca de 1% de metástases pulmonares benignas, que devem ser tratadas por ressecção (no TCG, a mesma tabela dá 3%). O Lovell and Winter (p. 444) dá menos de 2% e por isso pede radiografia ou TC de tórax. O Dahlin (p. 48) teve metástase pulmonar em apenas 4 pacientes da Mayo, um deles já na apresentação e outro com síndrome da imunodeficiência adquirida.

Como o Dahlin descreve

O Dahlin (p. 48) diz que vários condroblastomas metastatizaram para o pulmão como tumores benignos, à semelhança do raro TCG benigno metastatizante. Ele os chama de "quase malignos" (quasimalignant): os depósitos metastáticos geralmente não progridem. Mas há exceção: KYRIAKOS e colaboradores documentaram um caso de metástase disseminada com condroblastoma benigno, e o paciente morreu da doença. Não há experiência suficiente para saber se a quimioterapia ajuda no raro caso progressivo. A Fig. 4.20 mostra metástases bilaterais numa mulher de 24 anos com o primário no tálus.

Ressecar para confirmar

O Tachdjian (p. 1032) acrescenta um traço de imagem e uma razão para operar: no pulmão, as metástases geralmente são orladas de osso, e, quando identificadas, devem ser retiradas cirurgicamente para garantir o diagnóstico. O Campbell (p. 962) também manda ressecar.

Metástase pulmonar e malignidade (Dahlin cap. 4, p. 41 e 48; Campbell 15 cap. 28, p. 952, 953 e 962; Tachdjian cap. 25, p. 1032; Lovell and Winter cap. 13, p. 444)
LivroMetástase pulmonarCondutaMalignidade
Dahlin4 pacientes na Mayo; "quase malignos", geralmente não progressivos; um caso fatal (KYRIAKOS)quimioterapia de valor desconhecidonenhum condroblastoma maligno na Mayo; "agressivo" é termo clínico
Campbell 15~1% (TCG 3%)ressecção; tórax a cada 6 meses por 3 anostransformação maligna extremamente rara
Tachdjianbenigna, conhecida; nódulos orlados de ossoressecar para confirmar o diagnósticonão discute
Lovell and Wintermenos de 2%radiografia ou TC de tóraxcontinua benigno com implantes pulmonares

O fibroma condromixoide: o irmão metafisário

Fundamento

O Dahlin (cap. 4, p. 41, e cap. 5, p. 50) diz que a maioria dos estudos indica relação próxima entre condroblastoma e fibroma condromixoide (FCM), com semelhança histológica às vezes impressionante. O FCM entra nas questões de condroblastoma como distrator e no diferencial de imagem do Campbell (p. 962).

O que é e quem tem

O Dahlin (cap. 5, p. 50) define o FCM como tumor benigno raro, aparentemente derivado de tecido conjuntivo formador de cartilagem, descrito por JAFFE e LICHTENSTEIN em 1948 com um alerta: não confundi-lo com condrossarcoma. O nome descreve a mistura de componentes condroide, fibromatoide e mixoide.

Ele representa 1,6% dos benignos e menos de 0,5% de todos os tumores ósseos na Mayo, e o condroblastoma é quase três vezes mais comum (Dahlin, p. 50 e 51). O Campbell (p. 962) dá menos de 0,5%, e o Tachdjian (p. 1032), menos de 0,4% dos tumores biopsiados. A idade vai um pouco além do condroblastoma: segunda e terceira décadas (58% no Dahlin, p. 51, com extremos de 6 e 75 anos); 10 a 30 anos no Campbell (p. 962). Sobre o sexo, os livros discordam: o Dahlin (p. 51) viu predomínio masculino definido na série, mas diz que a literatura mostra predomínio muito leve; o Lovell and Winter (p. 445) dá 2:1 masculino; o Campbell (Tabela 28.1) diz leve predomínio masculino; o Tachdjian (p. 1033) diz que os sexos são igualmente afetados.

Onde mora: metáfise, tíbia proximal

O contraste com o condroblastoma está aqui. O Dahlin (p. 51) diz que o FCM fica tipicamente na região metafisária de um osso longo, encostando ou a alguma distância da linha epifisária; raramente envolve metáfise e epífise. Essa localização sugere que, como o condroblastoma, o FCM possa nascer da placa epifisária. Na série de WU, foi diafisário em 11 casos e epifisário em apenas 1. Cerca de dois terços estão nos ossos tubulares longos, um terço na tíbia, e a metáfise proximal da tíbia é o local mais comum; os ossos pequenos do pé também são acometidos. O Campbell (p. 962), o Tachdjian (p. 1033) e o Lovell and Winter (p. 445) confirmam a tíbia proximal. O Tachdjian (p. 1033) acrescenta que, na criança pequena, o FCM pode ficar junto à fise e migrar para longe dela com o crescimento.

Imagem: excêntrico, festonado, sem cálcio

O Dahlin (p. 51 e 52) descreve uma zona de rarefação excêntrica e nitidamente delimitada, que às vezes expande o osso; nos ossos pequenos pode haver expansão fusiforme de todo o contorno. O bordo costuma ser festonado, como o do defeito fibroso metafisário, e às vezes há fina esclerose. A calcificação radiográfica é rara (1 de 76 casos na série de RAHIMI). Mesmo quando destrói a cortical, a imagem é sempre de processo benigno. A exceção são as lesões de superfície (ROBINSON, 14 casos), muito mineralizadas.

O Campbell (p. 962) diz que o FCM costuma parecer um fibroma não ossificante, bem circunscrito, bolhoso, com halo de esclerose, e que, ao contrário de outras lesões cartilaginosas, não tem calcificação radiográfica. O Lovell and Winter (p. 445 a 447) diz que ele é excêntrico, erode a cortical, pode estar coberto só por periósteo e é frequentemente confundido com o ABC; a RM separa os dois (sólido no FCM, cístico no ABC).

Histologia: lóbulos com centro pobre e borda rica

O Dahlin (p. 55) descreve um padrão lobular com centro hipocelular e periferia hipercelular; o condrossarcoma lobulado, por contraste, é uniformemente hipercelular. Em cerca de metade há células gigantes benignas na borda dos lóbulos, e entre os lóbulos podem aparecer lâminas de células com o aspecto das do condroblastoma. A cartilagem hialina franca é incomum (19% na série de WU). A calcificação microscópica aparece em um terço, às vezes rendilhada como no condroblastoma, mas mais comumente em placas. Há atipia nuclear em cerca de 18%, com núcleos pseudomalignos de cromatina borrada, que não devem levar ao diagnóstico de sarcoma (Dahlin, p. 57; Campbell, p. 962). O ABC secundário é raro no FCM (Dahlin, p. 57), outra diferença em relação ao condroblastoma.

Quando um tumor raro tem aspectos dos dois, o Dahlin (p. 57) diz que o diagnóstico pode depender inteiramente da localização no osso: epifisária (condroblastoma) ou metafisária (FCM).

Tratamento e recidiva

O Dahlin (p. 57) considera a excisão em bloco, quando viável, o melhor tratamento; a curetagem costuma funcionar, mas carrega talvez 25% de recidiva, e o enxerto após a curetagem talvez a reduza. A radioterapia não está indicada, salvo lesão inacessível. O Campbell (p. 963) indica ressecção ou curetagem estendida com enxerto, com recidiva de cerca de 20%; a ressecção recidiva menos, mas deixa mais déficit. O Tachdjian (p. 1033) diz que, em jovens, a remoção incompleta pode recidivar em até um quarto dos casos, e que, se a lesão estiver junto à fise, pode-se adiar a cirurgia até que ela se afaste. A transformação maligna é rara em todos (Dahlin, p. 58, "curiosidade patológica").

Condroblastoma e fibroma condromixoide lado a lado (Dahlin cap. 4, p. 41 a 48, e cap. 5, p. 50 a 58; Campbell 15 cap. 28, p. 953, 958 e 962; Tachdjian cap. 25, p. 1029 a 1033; Lovell and Winter cap. 13, p. 444 e 445)
TraçoCondroblastomaFibroma condromixoide
frequência1,45% dos tumores ósseos; ~3 vezes o FCMmenos de 0,5%
idadesegunda década, fise aberta (10 a 25 anos)segunda e terceira décadas (10 a 30 anos)
localepífise ou apófise; úmero proximal, joelhometáfise; tíbia proximal; ossos do pé
imagemlítico, halo fino, calcificação em 30% a 50%excêntrico, festonado, bolhoso; calcificação rara
histologiacondroblastos em pedra de calçamento, células gigantes espalhadas, calcificação em tela de galinheirolóbulos de centro hipocelular e borda celular, células gigantes na borda, calcificação em placas
ABC secundário20% a mais de 1/3raro
recidiva10% a 32%~20% a 25%
metástasepulmonar benigna ~1%sem metástase benigna nos livros; malignização rara
tratamentocuretagem estendida com adjuvantes e enxerto ou cimentoexcisão em bloco quando viável, ou curetagem estendida com enxerto

Fechamento

Fundamento

O condroblastoma se reconhece pelo endereço: nasce no centro de ossificação secundário e por isso mora na epífise, na apófise e na patela, num adolescente de fise aberta. Depois que a fise fecha, o tumor epifisário passa a ser o TCG. A imagem (lítico, halo fino, calcificação, edema na RM, às vezes cruzando a fise) e a lâmina (pedra de calçamento, células gigantes, tela de galinheiro) confirmam o endereço, e o ABC secundário pode disfarçá-lo.

O comportamento é de benigno ativo (ENNEKING 2, raramente 3), que progride e se trata quando achado: curetagem estendida com adjuvantes e enxerto ou cimento, curetagem adequada antes de poupar a fise, sem radioterapia. A recidiva vai de 10% a 32% conforme a série e quase sempre cede a nova curetagem; a metástase pulmonar benigna (~1%) é ressecada. O fibroma condromixoide é o irmão metafisário da tíbia proximal.

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