Orto Questões

Outras lesões pseudotumorais

Tumores ósseos e de partes molesResumo do capítulo34 min de leitura

Infarto ósseo metafisário com calcificação periférica (no condroide, difusa); osteólise pós-traumática da clavícula lateral; ROBERTS IV (diafisária em casca de cebola) imita EWING; fratura de estresse com periostite exuberante imita tumor permeativo; fratura em banana (transversa, baixa energia, osso patológico) e avulsão isolada do trocânter menor no adulto denunciam metástase; condromatose sinovial é metaplasia, mais no joelho do adulto; RM delimita a extensão melhor que a TC; defeito fibroso cortical e fibroma não ossificante são a mesma lesão, excêntrica e metafisária; displasia osteofibrosa na cortical anterior da tíbia; ilhota óssea espiculada; miosite ossificante com zonação e periferia madura; tumor marrom pede cálcio, fósforo e PTH, não curetagem.

Atualizado em 04/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 14 · Benign Fibrous Histiocytoma, com o Capítulo 26 · Conditions That Commonly Simulate Primary Neoplasms of Bone, em Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, 6ª edição (2010). Autores do capítulo: K. Krishnan UNNI e Carrie Y. INWARDS.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de tumores ósseos e de partes moles do Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, capítulo 14, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 26 (Conditions That Commonly Simulate Primary Neoplasms of Bone) do Dahlin's Bone Tumors, 6ª edição (2010), de UNNI e INWARDS, lido com o capítulo 14 (Benign Fibrous Histiocytoma), porque o capítulo 26 já dá nome ao resumo do cisto ósseo simples da estante. As páginas citadas são as impressas.

O capítulo 26 do Dahlin é escrito por patologistas para um problema prático: lesões que não são tumores, mas chegam ao laboratório como se fossem. Os próprios autores avisam (p. 305) que não pretendem cobrir todas as condições reativas, traumáticas, infecciosas, metabólicas e congênitas que simulam neoplasia; querem mostrar os enganos mais vistos em consulta. Muitas delas, dizem, são reconhecidas pela clínica e pela radiografia, e o patologista nem precisa entrar.

É exatamente esse o espírito da prova. A banca quase nunca pede histologia fina; pede o detalhe de imagem que separa a lesão inofensiva do tumor (onde fica a calcificação do infarto, de onde vem a osteólise da clavícula, qual tipo de ROBERTS imita o EWING) e o detalhe de raciocínio que evita a biópsia ou a cirurgia desnecessária.

Três ideias organizam tudo:

1. Muita lesão "tumoral" é osso reagindo a trauma, infecção, isquemia ou hormônio. O osso só sabe fazer duas coisas: formar e destruir. Fratura de estresse, miosite ossificante, osteomielite e tumor marrom são o mesmo osso respondendo a estímulos diferentes, e por isso imitam tumores. 2. O padrão de maturação denuncia o processo reativo: na miosite, a periferia é madura; no infarto, a periferia calcifica; no calo, a cartilagem amadurece em osso. No tumor, a desordem não tem direção. 3. A biópsia mal indicada é o grande risco. O Dahlin repete em quase todas as seções a frase "evitar biópsia desnecessária" (desmoide periosteal, fratura de insuficiência, osteoporose transitória, osteólise traumática).

Ficam de fora, com resumo próprio na estante: o cisto ósseo simples (resumo dahlin-cisto-osseo-simples, que também traz o diferencial com o cisto ósseo aneurismático), a displasia fibrosa (resumo tachdjian6-displasia-fibrosa, que aprofunda também o fibroma não ossificante, a classificação de RITSCHL e a displasia osteofibrosa pelo Tachdjian), a histiocitose de células de LANGERHANS (resumo lw-histiocitose) e a doença de PAGET (resumo campbell15-paget). Aqui eles aparecem só no diagnóstico diferencial.

O que é lesão pseudotumoral e por que ela engana

Fundamento

A definição prática

Pseudotumor, na linguagem do Dahlin, não é uma família biológica; é uma família de enganos. O capítulo 26 reúne processos que "comumente simulam neoplasias primárias do osso" (p. 305): proliferações fibrosas benignas, cistos, reações a trauma, infecção, doenças metabólicas, isquemia e até metástases de carcinoma, que são malignas mas não são tumores primários do osso.

O Ortopedia e Traumatologia de SIZÍNIO HEBERT, 5ª ed. (cap. 29, de JESUS-GARCIA e ALIMENA), usa a mesma palavra em português e encaixa essas lesões no estadiamento das lesões benignas: o defeito fibroso cortical e o fibroma não ossificante são lesão pseudotumoral benigna latente (B-1), raramente benigna ativa (B-2). O raciocínio que liga as duas obras é simples: lesão latente não cresce, não destrói e não precisa de tratamento; o perigo é tratá-la como se fosse ativa ou agressiva.

Por que a imagem engana

O Dahlin fecha o capítulo com uma seção curta, "radiografias enganosas" (p. 377, aprox.), que resume a armadilha: as radiografias quase sempre mostram a lesão e indicam se é benigna ou maligna, mas às vezes enganam. Infecção simula neoplasia; processo benigno imita doença maligna; raramente a radiografia sugere uma doença que não existe. E a ressonância pode ser sensível demais, mostrando alteração onde não há doença, sobretudo em volta dos tumores, onde o edema parece extensão tumoral.

Esse aviso reaparece em cada seção: na miosite ossificante a RM mostra lesão mal definida e permeativa por causa do edema (p. 347); na fratura de estresse a RM mostra "anormalidades perturbadoras" na medula e nas partes moles (p. 350); na osteoporose transitória a cintilografia capta e sugere malignidade (p. 368).

Como o patologista e o ortopedista se protegem

O Dahlin insiste em correlacionar sempre a histologia com a radiografia. No calo de fratura, é preciso conferir que a biópsia não deixou de pegar um tumor subjacente (p. 350). No Paget, osso "pagetoide" aparece também no osteossarcoma e na reação à metástase, e por isso a correlação radiográfica vem antes do diagnóstico (p. 364). Na osteomielite, o diagnóstico não deve ser feito por exclusão numa biópsia, porque implica tratamento caro (p. 356).

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 945), acrescenta a regra operacional que vale para todo o tema: toda biópsia de suspeita de neoplasia musculoesquelética deve ir para cultura e para histologia. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 13, p. 436), diz o mesmo pelo lado da epidemiologia: na criança, a osteomielite é mais comum que os tumores ósseos e frequentemente imita neoplasia, e o inverso também é verdade.

Mapa das lesões pseudotumorais deste resumo e onde estudar (Dahlin, cap. 26; estante OrtoQuestões)
LesãoO que imitaPista que desfaz o enganoOnde estudar
defeito fibroso cortical e fibroma não ossificanteTCG, fibroma condromixoidecriança, metáfise, excêntrico, borda esclerótica festonadaeste resumo e tachdjian6-displasia-fibrosa
desmoide cortical (periosteal)tumor malignoface posteromedial do fêmur distal, pequenoeste resumo
displasia osteofibrosaadamantinoma, displasia fibrosacortical anterior da tíbia, criançaeste resumo e tachdjian6-displasia-fibrosa
ilhota ósseametástase blásticadensa, espiculada, pequena, sem destruiçãoeste resumo
miosite ossificanteosteossarcoma, sarcoma de partes molesperiferia madura, faixa lucente até a corticaleste resumo
fratura de estresse e caloEWING, osteossarcoma, linfomaatividade repetitiva, sem massaeste resumo
tumor marromTCG, cisto aneurismáticocálcio, fósforo, PTH; reabsorção subperiostealeste resumo
infarto ósseotumor cartilaginosocalcificação periféricaeste resumo
osteólise pós-traumáticatumor líticoclavícula lateral, traumaeste resumo
osteomieliteEWING, osteossarcoma, osteoma osteoideROBERTS; culturaeste resumo e tachdjian6-osteomielite
cisto aneurismáticotumor maligno, TCGníveis líquido-líquidodahlin-cisto-osseo-simples
cisto ósseo simplesNOF (o que mais se parece, pelo Tachdjian)diferencial no resumo própriodahlin-cisto-osseo-simples
displasia fibrosaNOF, osteofibrosavidro fosco, medulartachdjian6-displasia-fibrosa
histiocitoselesão destrutiva solitáriapredileção pelo crânio; pode colapsar a vértebra (Dahlin, p. 358)lw-histiocitose
PAGETmetástase, linfomaosso alargado, chama, medula normal na RMcampbell15-paget

A imagem que engana: radiografia, TC, RM e cintilografia

Cobrança confirmada · 1 questão

O que cada exame faz melhor

O Campbell (cap. 26, p. 871) distribui as tarefas. A TC é o melhor exame para a integridade da cortical, para localizar o nicho do osteoma osteoide, para ver a orla fina de osso reativo do cisto aneurismático, para avaliar calcificação numa lesão cartilaginosa e erosão endosteal num possível condrossarcoma; a TC de tórax é a mais eficaz para metástase pulmonar. A RM "delineia a extensão da lesão no osso e o comprometimento de partes moles e a relação com as outras estruturas anatômicas"; com a melhora da RM, o uso da TC está diminuindo, sobretudo no esqueleto imaturo, pela preocupação com a radiação.

O Dahlin reforça o poder da RM (p. 305): na metástase, sobretudo na vértebra, a RM pode mostrar doença mais extensa do que a clínica sugere. E coloca o limite (p. 377): a mesma sensibilidade que delimita bem a lesão pode superestimá-la, porque o edema perilesional parece tumor.

A cintilografia: sensível, mas inespecífica

Pelo Campbell (p. 871), a cintilografia com tecnécio mostra a atividade da lesão e a multiplicidade. É falso-negativa no mieloma e em parte dos carcinomas renais. Uma cintilografia normal tranquiliza, mas a positiva não prova malignidade, porque lesões benignas ativas também captam.

No tema pseudotumoral, isso é central. Captam: a ilhota óssea (Dahlin, p. 372: "em geral positiva"), a fratura de estresse (p. 350), a fratura de insuficiência do sacro e do púbis (p. 352), a osteoporose transitória (p. 368) e o Paget (p. 364). Em todas, a captação é o que assusta e leva à suspeita de tumor.

A RM em cada pseudotumor

Quando a RM ajuda e quando atrapalha (Dahlin, cap. 26; Campbell 15, caps. 26 e 27)
SituaçãoO que a RM mostraEfeito no raciocínio
delimitação de tumor ósseoextensão no osso e partes moles, relações anatômicasajuda: melhor que a TC para extensão (Campbell, p. 871)
metástase vertebraldoença mais extensa que a clínica (Dahlin, p. 305)ajuda
miosite ossificantelesão mal definida, permeativa, edema em volta (Dahlin, p. 347)atrapalha: sugere sarcoma; TC mostra a casca periférica
fratura de estressealteração medular e de partes moles (Dahlin, p. 350)atrapalha: com radiografia normal, pensar em estresse e linfoma
ilhota ósseaisointensa à cortical, escura em T1 e T2, sem edema (Campbell, p. 927)ajuda: confirma osso maduro
PAGETmedula com sinal normal (Campbell, p. 944)ajuda: afasta malignidade quando radiografia e cintilografia assustam
infarto medularlesão de margens irregulares com sinal de gordura no centro (Dahlin, legenda da p. 370)ajuda

O raciocínio que a banca quer: para dizer até onde a lesão vai, RM; para ver o osso cortical, a calcificação e o nicho, TC. E, nos pseudotumores, a TC frequentemente desfaz o engano que a RM criou (miosite, fratura de insuficiência do sacro, ilhota óssea).

Fibroma não ossificante e defeito fibroso cortical

Fundamento

Uma lesão, vários nomes

O Dahlin (p. 310) começa pela confusão de nomes: defeito fibroso metafisário, fibroma, fibroma não ossificante e defeito fibroso cortical referem-se ao mesmo processo histopatológico. O Campbell (cap. 27, p. 932) acrescenta fibroxantoma; o Lovell and Winter (cap. 13, p. 447), fibroma ósseo e fibroma não osteogênico. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 25, p. 1042), conta a origem: em 1942, JAFFE e LICHTENSTEIN mostraram que essas lesões eram tecido fibroso e cunharam defeito fibroso cortical e fibroma não osteogênico (não ossificante).

Por que não é tumor? O Dahlin dá dois argumentos (p. 310): a regressão espontânea da maioria e a relação com as porções em crescimento do osso. Ambos sugerem ossificação defeituosa, não neoplasia. O Campbell e o HEBERT falam em anormalidade do desenvolvimento.

O que separa o defeito cortical do fibroma não ossificante

O Lovell and Winter (p. 447 e 448) separa as duas formas pela posição: o defeito fibroso cortical é subperiosteal e erode a superfície externa da cortical, pequeno (menos de 0,5 cm), intracortical, de borda nítida, com pouca ou nenhuma captação; o fibroma não ossificante é medular e afina a cortical por dentro, metafisário e excêntrico, cresce para o canal medular, com rima esclerótica nítida. O HEBERT conta a mesma história como evolução: o defeito cortical tem halo de esclerose e, quando progride e invade a medular, passa a se chamar fibroma não ossificante. O Tachdjian (p. 1042) diz que a maioria dos defeitos corticais é obliterada por ossificação e só uma pequena parte cresce, entra na medula e vira fibroma não ossificante.

Quem tem e onde

Aqui os livros divergem nos números, e vale saber os dois extremos.

Frequência, idade e local do defeito fibroso nos livros (Dahlin, p. 310 e 311; Campbell 15, p. 932 a 934; Lovell and Winter, p. 447; HEBERT, cap. 29)
DadoDahlinCampbellLovell and WinterHEBERT
frequênciadefeitos pequenos em cerca de um terço das crianças em crescimentoaté 20% das criançasaté 40% das crianças30% a 40% abaixo de 2 anos (CAFFEY)
idade73% na 2ª década; mais velho 37 anos2 a 20 anos; Tabela: 1ª e 2ª décadas4 a 8 anoscrianças e adolescentes
localfêmur distal; quase todos na metáfise de osso longo40% fêmur distal, 40% tíbia, 10% fíbula90% fêmur distalmetáfise distal do fêmur; fêmur e tíbia; raro no membro superior
sexoleve predomínio masculinomasculino = femininonão informanão informa

A série cirúrgica da Mayo (p. 311) tem 147 casos: todos em osso longo, exceto três clavículas e uma costela; quase todos metafisários; sete diafisários, explicados pelo crescimento, que "puxa" o osso para longe da lesão parada.

A imagem é o diagnóstico

O Dahlin (p. 312) chama a radiografia de "virtualmente diagnóstica". No osso tubular grande, a lesão é quase sempre excêntrica, abaula um pouco o contorno, afina a cortical, começa na metáfise junto da fise e parece migrar para o centro do osso conforme a epífise cresce para longe. O limite interno tem linha esclerótica festonada. As "trabéculas" que dão aspecto multilocular são quase sempre incompletas: são sombras das corrugações da parede. O diagnóstico diferencial radiográfico, diz o Dahlin, é praticamente só o fibroma condromixoide. O Tachdjian (p. 1042) lembra que o cisto ósseo unicameral é o que mais se parece na radiografia, e cita também cisto aneurismático e granuloma eosinofílico.

O Campbell (p. 933) dá a mesma lista: lobulada, excêntrica na metáfise, multilocular, bordas escleróticas festonadas, sem reação periosteal se não houver fratura. A TC, pelo HEBERT, mostra o adelgaçamento cortical e as fraturas precoces; a RM do Tachdjian mostra hipossinal e septação em T2.

O que o patologista vê

O Dahlin (p. 314) descreve células fusiformes em arranjo estoriforme frouxo, sem hipercromasia; pigmento amarelo-marrom de ferro (hemossiderina); células gigantes benignas sempre presentes, em grupos; células espumosas quase sempre, que dão a cor amarela macroscópica. Normalmente não há osso, a não ser reativo após fratura.

O erro clássico é chamar de tumor de células gigantes (p. 310 e 314). O que desfaz: as gigantes em grupos, a idade (2ª década) e a localização metafisária, que "praticamente afastam" o TCG. Outro erro é chamar de neoplasia fibro-histiocítica: o próprio Dahlin admite que parte dos histiocitomas fibrosos benignos descritos na literatura são defeitos fibrosos metafisários em local incomum.

Há uma divergência pequena entre os livros: o Dahlin diz que mitoses podem ser encontradas; o Lovell and Winter (p. 448) diz que não se veem mitoses e que não há formação de osso.

Tratar ou observar

O princípio do Dahlin (p. 314 e 315): se o diagnóstico radiográfico é seguro e a integridade estrutural do osso não está em questão, nada precisa ser feito; segue-se com radiografias. Na dúvida, diagnóstico e tratamento numa só cirurgia, a curetagem. A maioria regride; nos múltiplos, há risco de várias fraturas, mas elas também regridem com a maturidade.

O Lovell and Winter (p. 448 e 449) dá a regra de bolso: defeito cortical pequeno, radiografias a cada 3 a 6 meses por 1 a 2 anos; fibroma não ossificante menor que 50% do diâmetro do osso, observar; maior que 50%, risco de fratura com trauma mínimo, considerar cirurgia, sobretudo em osso de carga, ou reduzir atividade. O Campbell (p. 933) é mais cauteloso: o limite de 50% não é universalmente aceito.

E a fratura? O Lovell and Winter (p. 449) é taxativo: trate sem cirurgia se possível; consolida no tempo normal; não há prova de que a fratura cure o fibroma. O calo esconde a lesão e engana o médico, que pensa que ela sumiu; só depois da remodelação a lesão volta a aparecer. Se persistir, curetagem e enxerto. A Fig. 13-22 mostra um menino de 13 anos com fratura da tíbia distal consolidada em 6 semanas e a lesão inalterada.

O HEBERT completa o princípio: como lesão benigna latente, quimioterapia e radioterapia estão contraindicadas; a cirurgia, quando indicada, é intralesional, com ou sem enxerto.

JAFFE-CAMPANACCI

Quando há vários defeitos fibrosos, o paciente pode ter síndrome de JAFFE-CAMPANACCI (Dahlin, p. 310, citando MIRRA). Na série da Mayo, quatro pacientes eram poliostóticos, e um tinha pigmentação cutânea como na síndrome (p. 312). A Tabela 27.3 do Campbell (p. 934) define: múltiplos fibromas não ossificantes com manchas café com leite. O Lovell and Winter (p. 448) diz que fibromas múltiplos ocorrem em cerca de 20% dos pacientes.

Desmoide cortical, xantoma e histiocitoma fibroso benigno

Fundamento

O desmoide que não é desmoide

O Dahlin (p. 310 e 316) considera o desmoide periosteal uma variante hipocelular do grupo dos defeitos fibrosos. O nome é infeliz porque sugere processo agressivo. Fica na face posteromedial da extremidade distal do fêmur e provavelmente resulta de lesão avulsiva da inserção da aponeurose do adutor magno; por isso o termo preferido é irregularidade cortical avulsiva. A cortical tem destruição irregular que sugere malignidade, mas o local típico e o tamanho pequeno dão o diagnóstico. "É importante conhecer essa condição para evitar biópsia desnecessária" (p. 316). A Fig. 26.26 mostra o contraexemplo: um menino de 12 anos com dor vaga por 2 meses foi ressecado por suspeita de malignidade.

O Campbell (cap. 27, p. 933) chama de desmoide cortical: irregularidade posteromedial da metáfise femoral distal, em meninos de 10 a 15 anos, possivelmente reação ao estresse do adutor magno; vê-se melhor numa oblíqua com o membro em rotação externa de 20 a 45 graus; radiografia e RM mostram erosão cortical com base esclerótica; biópsia não se justifica; tratamento, observação.

Xantoma ósseo

O Dahlin (p. 317) usa o termo xantoma quando a biópsia mostra células espumosas com fusiformes inocentes ou cristais de colesterol com reação de corpo estranho. Foram 43 casos; tendem a afetar ossos planos (crânio, inominado); radiografia com defeito lítico circunscrito e halo esclerótico; macroscopia amarelo vivo. O diagnóstico só vale se não houver outra lesão, porque displasia fibrosa, defeito fibroso e TCG podem ter células espumosas; o xantoma pode ser a fase final de uma dessas. O diferencial mais importante é o carcinoma de células claras metastático, sobretudo o hipernefroma: o núcleo da célula espumosa é pequeno; o do hipernefroma é maior e tem nucléolo.

Histiocitoma fibroso benigno: o capítulo 14

O capítulo 14 do Dahlin (p. 179 a 183) existe quase para dizer que a entidade é rara e confusa. Os critérios de lesão fibro-histiocítica (fusocelular estoriforme, células histiocíticas, gigantes, espumosas) são os mesmos do defeito fibroso metafisário, e por isso SCHAJOWICZ chamava o defeito fibroso de "xantogranuloma histiocítico", embora achasse que não era neoplasia. Na Mayo, só 10 de 10.139 tumores foram classificados assim: todos adultos, de 17 a 60 anos, quatro no ílio, um no sacro, dois no fêmur; dor em oito; uma paciente com osteomalácia oncogênica. A radiografia mostra rarefação bem definida; em dois casos, bordas irregulares sugeriam malignidade. Ressecção completa sem sinais de malignidade dá bom resultado (p. 183).

O Campbell (cap. 27, p. 933) é mais assertivo: o histiocitoma fibroso benigno é histologicamente semelhante ao fibroma não ossificante, mas biologicamente mais agressivo; aparece na diáfise, epífise ou pelve, em pacientes de 30 a 40 anos; é neoplasia verdadeira, e pela recidiva recomenda curetagem estendida ou ressecção ampla.

Fibroma não ossificante contra histiocitoma fibroso benigno (Dahlin, caps. 14 e 26; Campbell 15, cap. 27, p. 933 e Tabela 27.3)
CritérioFibroma não ossificanteHistiocitoma fibroso benigno
naturezadefeito de ossificação, não neoplasianeoplasia verdadeira (Campbell)
idadecriança e adolescenteadulto: 17 a 60 anos (Dahlin); 30 a 40 anos (Campbell)
localmetáfise de osso longo, excêntricoílio, pelve, fêmur, diáfise ou epífise
sintomasilencioso, achado incidental ou fraturador (8 de 10 no Dahlin; progressiva no Campbell)
histologiaestoriforme, gigantes em grupos, espumosas, hemossiderinasemelhante; núcleos chanfrados, lipídio
evoluçãoregridepode recidivar
tratamentoobservar; curetagem se dúvida ou fratura iminentecuretagem estendida ou ressecção ampla (Campbell)

Displasia osteofibrosa: a lesão cortical da tíbia

Fundamento

Nome e controvérsia

O Dahlin (p. 327) conta a história: KEMPSON, em 1966, descreveu a lesão como fibroma ossificante e a julgava agressiva, embora histologicamente parecida com a displasia fibrosa; CAMPANACCI achou que era benigna e regredia, e preferiu displasia osteofibrosa. O Campbell (cap. 27, p. 935) reúne os sinônimos: fibroma ossificante dos ossos longos ou doença de CAMPANACCI.

Onde e em quem

As peculiaridades, no Dahlin (p. 328): tendência a acometer a tíbia e, menos, a fíbula, e tendência a acometer a cortical; predomina nas duas primeiras décadas, embora haja adultos. O Campbell (p. 935) localiza no terço médio da tíbia, em geral diafisária, podendo chegar à metáfise, com tíbia aumentada e arqueada anterolateralmente, indolor salvo fratura. O Lovell and Winter (cap. 13, p. 452) descreve a apresentação mais comum: aumento de volume e arqueamento indolor da tíbia, lesão quase sempre na cortical anterior, mais bem vista no perfil; rádio e ulna podem ser atingidos.

A imagem e a histologia

A radiografia (Dahlin, p. 328) mostra múltiplas lucências na cortical anterior da tíbia com esclerose entre elas, aspecto muito semelhante ao do adamantinoma. O Campbell fala em osteólise intracortical excêntrica com expansão da cortical; a Tabela 27.3, em lesões radiolucentes multicêntricas na cortical da tíbia. A RM confirma que a lesão é intracortical (Dahlin, Fig. 26.55).

Na histologia, a diferença com a displasia fibrosa é dupla (Dahlin, p. 330). Primeiro, a sede: a osteofibrosa é cortical; a displasia fibrosa clássica é medular. Segundo, as trabéculas têm rima osteoblástica proeminente, que falta na displasia fibrosa. A lesão amadurece para a periferia e se funde com a cortical, num fenômeno de zonação; o Campbell descreve tecido fibroso frouxo no centro e trabéculas com osteoblastos ativos na periferia.

O vizinho maligno: adamantinoma

Há células queratina positivas na displasia osteofibrosa (Dahlin, p. 329), o que levou à hipótese de parentesco com o adamantinoma: seria um adamantinoma regredido, ou um precursor. O Dahlin pondera que, em estudos de ossos longos, não se observou progressão para adamantinoma, e conclui que a osteofibrosa é provavelmente uma forma de displasia fibrosa restrita à tíbia e à fíbula com tendência cortical (p. 330).

O Lovell and Winter (p. 453) é mais desconfiado. O adamantinoma é malignidade de baixo grau, com clínica parecida, mas em paciente mais velho (3ª década) e com imagem mais agressiva (extensão para partes moles, reação periosteal aguda, tamanho grande, invasão medular). Existe um adamantinoma semelhante à osteofibrosa até na histologia, e as três lesões (osteofibrosa, adamantinoma tipo osteofibrosa e adamantinoma clássico) mostram complexidade citogenética progressiva, talvez uma transformação em etapas. Daí a regra: desconfiar de lesão progressiva acima de 10 anos de idade.

Conduta

Conduta na displasia osteofibrosa (Lovell and Winter, cap. 13, p. 452 e 453; Campbell 15, cap. 27, p. 935)
SituaçãoConduta
criança abaixo de 10 anosobservar; biópsia incisional desnecessária; órtese contra fratura, dor e arqueamento
progressão rápida antes do fechamento da fisebiópsia e ressecção
após fechamento da fise, lesão maior que 3 ou 4 cm ou agressivabiópsia
biópsia com adamantinomaressecção ampla
biópsia com osteofibrosaexcisar toda a lesão para afastar foco de adamantinoma
lesão pequena (menos de 3 cm) e assintomáticaobservar; radiografia a cada 6 meses até estabilizar
curetagem ou ressecção marginal na criançarecidiva alta (Campbell); recidiva rápida (Lovell and Winter)
cirurgia no esqueleto madurorecidiva baixa (Campbell)
fratura patológicatratamento não cirúrgico

A história natural explica a conduta: pelo Campbell, a maioria progride na infância, mas não depois da puberdade; pelo Lovell and Winter, cresce até cerca de 15 anos. Operar cedo é operar uma lesão que vai voltar.

Ilhota óssea: o osso compacto no lugar errado

Fundamento

O que é

A ilhota óssea, ou enostose, é osso de aspecto cortical dentro da medula (Dahlin, p. 372). O Campbell (cap. 27, p. 927) define como lesão benigna do osso esponjoso, em geral assintomática e achada por acaso; pelve e fêmur são os locais mais comuns; não se sabe se é anomalia do desenvolvimento ou neoplasia, mas a maioria fica quieta. Ela interessa porque outras lesões mais agressivas entram no diferencial.

A radiografia

O Dahlin descreve áreas pequenas, densamente escleróticas, com bordas espiculadas, em aspecto de espinhos. O Campbell completa: área redonda ou oval de densidade homogênea, com espículas radiadas na periferia que se fundem ao osso nativo, numa borda em escova; sem destruição óssea nem reação periosteal. A TC mostra trabéculas espessas fundidas ao osso vizinho; a RM, lesão isointensa à cortical, escura em T1 e T2, sem edema (Fig. 27.3, colo femoral de mulher de 30 anos).

A cintilografia e a armadilha da metástase

O ponto de divergência é a cintilografia. O Dahlin diz que a ilhota é em geral positiva. O Campbell diz que pode mostrar captação levemente aumentada, e que captação acentuada deve levantar suspeita de lesão mais agressiva. Os dois concordam que a confusão a evitar é com a metástase blástica; para o Dahlin, o aspecto radiográfico é característico o bastante para impedir o erro.

Conduta e a osteopoiquilose

A conduta é observação com radiografias seriadas (Campbell, p. 928). Se a lesão dói ou cresce, a biópsia afasta osteossarcoma esclerosante, metástase blástica e mieloma esclerótico. A osteopoiquilose é a forma múltipla, com a mesma histologia (Dahlin); o Campbell cita formas autossômica dominante e esporádica. O HEBERT lista a ilhota óssea, ao lado do abscesso de BRODIE e da fratura de estresse, no diferencial do osteoma osteoide.

Ilhota óssea pela Tabela 27.1 e pelo Dahlin (Campbell 15, cap. 27, p. 927 a 929; Dahlin, p. 372)
ItemIlhota óssea
idade e sexoadultos; masculino = feminino
localpelve e fêmur
quadroassintomática, achado incidental
radiografiadensidade redonda no esponjoso com espículas periféricas em escova
RMescura em T1 e T2, sem edema
cintilografiapositiva (Dahlin); leve, e a captação acentuada é suspeita (Campbell)
histologiaosso maduro, trabéculas espessas, sem halo esclerótico
condutaobservar; biopsiar se dor ou crescimento
forma múltiplaosteopoiquilose

Miosite ossificante: o osso que nasce no músculo

Relevância clínica

Um processo reativo que parece sarcoma

O Dahlin (p. 347) prefere o termo ossificação heterotópica: pode ocorrer no músculo ou em outros tecidos moles e, na fase inicial florida, tem atividade celular tão intensa que é confundida com sarcoma. O HEBERT concorda que "miosite ossificante" é termo inadequado: o músculo nem sempre está envolvido e não há inflamação.

O HEBERT divide em duas formas: miosite ossificante progressiva, congênita, hereditária e fatal, e miosite circunscrita ou localizada, que pode ser pós-traumática (60% a 75%) ou sem trauma (25% a 40%), esta associada a doença sistêmica (paraplegia, tétano, coma) ou idiopática, o "tumor ósseo pseudomaligno dos tecidos moles".

A pista da velocidade

O Dahlin (p. 347) dá uma pista clínica preciosa. Pode ou não haver trauma significativo; às vezes há esforço muscular incomum. A massa se forma em 1 ou 2 semanas e, raramente, recidiva com a mesma rapidez depois de retirada. Essa velocidade ajuda no diagnóstico, porque os sarcomas raramente crescem tão rápido.

A imagem conta o tempo

O HEBERT dá a sequência temporal: nas primeiras semanas a radiografia é negativa, embora já se palpe massa firme; por volta de 4 semanas aparece reação periosteal no osso vizinho; a partir da 5ª ou 6ª semana, a calcificação característica. Depois a massa fica latente, pode regredir ou aderir ao osso (periostoma pós-traumático).

O Dahlin (p. 347) descreve a lesão madura: bem circunscrita, mineralizada na periferia, com centro menos mineralizado, o que dá a zonação. A massa não está presa à cortical, e geralmente há uma faixa lucente entre a cortical e a lesão, embora possa haver reação periosteal. O HEBERT chama essa faixa de aspecto de extrema importância no diferencial com o osteossarcoma; e diz que a TC é de extrema valia, porque mostra a cortical livre e a periferia mais calcificada que o centro. A RM, ao contrário, pode enganar: mostra lesão mal definida e permeativa pelo edema (Dahlin, Fig. 26.96 e 26.97).

A histologia: maturação de dentro para fora

O Dahlin (p. 347 e 348) descreve a peça: ossificação em casca de ovo na periferia; centro com músculo edemaciado, às vezes cístico. No microscópio, o centro tem proliferação fibroblástica ativa, com mitoses numerosas, mas sem atipia, e células soltas, sem organização. Para a periferia, os fibroblastos se organizam em feixes, aparecem osteoblastos e osso reativo em arranjos paralelos quase normais. Arranjo funcional e maturação são as duas pistas principais. Cartilagem pode sugerir condrossarcoma, e áreas císticas podem lembrar cisto aneurismático.

O raciocínio que a prova cobra é o inverso do osteossarcoma: na miosite, a periferia é a parte mais madura; no osteossarcoma, a periferia é a parte mais imatura e invasiva.

Miosite ossificante contra osteossarcoma (Dahlin, cap. 26, p. 347 a 350; HEBERT, cap. 29)
CritérioMiosite ossificanteOsteossarcoma
crescimentomassa em 1 a 2 semanasmais lento
relação com a corticalfaixa lucente entre cortical e massaenvolve o osso
mineralizaçãoperiférica, em casca, centro menos mineralizadodesordenada
zonação histológicacentro imaturo, periferia madurasem maturação ordenada
atipiaausente, apesar de mitoses numerosaspresente
melhor exame para separarTCbiópsia com correlação radiográfica
evoluçãocalcifica, encolhe, pode aderir ao ossoprogride

Variantes e tratamento

O Dahlin (p. 349) lembra que exostose subungueal, proliferação osteocondromatosa parosteal bizarra, periostite reativa florida e pseudotumor fibro-ósseo dos dedos são formas de ossificação heterotópica. O tratamento, com o diagnóstico certo, é em geral desnecessário; removida, a lesão pode recidivar rapidamente; o prognóstico é bom. A transformação maligna tem poucos casos relatados, de autenticidade difícil (p. 350).

O HEBERT detalha: tratamento conservador, porque a ressecção agride os tecidos e gera novas áreas de ossificação. Resseca-se só a lesão que limita a articulação, causa bursite ou comprime feixe vasculonervoso, e só 12 a 18 meses após o fim da fase de atividade.

A forma progressiva (Dahlin, p. 350, fibrodisplasia ossificante progressiva) atinge em geral crianças pequenas, tem tendência hereditária, sempre se associa a alterações radiográficas dos dedos e pode ameaçar a vida.

Fraturas que imitam tumor e fraturas que denunciam tumor

Cobrança confirmada · 2 questões

O calo que assusta o patologista

O Dahlin (p. 350) explica por que a fratura entra num livro de tumores: a fratura em consolidação inicial tem atividade celular intensa e mitoses abundantes, com osteoide e condroide ainda sem arranjo funcional; fora de contexto, a histologia é ominosa. Depois, a maturação resolve. Osteogênese imperfeita e paraplegia predispõem a calo hipertrófico exuberante. A pista é a maturação ordenada de cartilagem e fusiformes em osso, e a regra é correlacionar com a radiografia para não perder um tumor subjacente.

A fratura de estresse que parece EWING

A fratura de estresse (Dahlin, p. 350) vem de atividade repetitiva, como marcha e corrida; diáfise da tíbia e metatarsos são vulneráveis. A dor é persistente e a radiografia pode não mostrar fratura. Pode haver neoformação periosteal exuberante, às vezes cobrindo o osso inteiro, que simula neoplasia permeativa como o sarcoma de EWING. A cintilografia é em geral positiva; a RM mostra alterações perturbadoras na medula e nas partes moles. Com radiografia negativa e cintilografia e RM alteradas na medula, o Dahlin manda considerar fratura de estresse e linfoma maligno.

Na biópsia, osso reativo novo dentro da medula, às vezes envolvendo trabéculas antigas, pode sugerir osteossarcoma esclerosante; mas as trabéculas novas não estão empacotadas, ficam separadas por medula, e a radiografia não mostra massa (p. 352). O Lovell and Winter (cap. 13, p. 430) lembra que, com o esporte organizado na infância, as fraturas de fadiga aumentaram e às vezes são confundidas com neoplasia, mas pede cautela para não atribuir ao trauma uma lesão que não é traumática.

Insuficiência e avulsão

A fratura de insuficiência (Dahlin, p. 352) acomete a cintura pélvica de mulheres após a menopausa, às vezes com câncer prévio e radioterapia pélvica. A cintilografia, pedida para afastar metástase, capta no sacro e no púbis; a radiografia mostra fraturas do púbis; o sacro aparece melhor na TC, porque o intestino o encobre na radiografia. Conhecer a condição evita a biópsia.

As avulsões na tuberosidade tibial e na tuberosidade isquiática (apofiseólise isquiática) causam neoformação óssea exuberante que sugere tumor, em jovens ativos com dor súbita e intensa; a radiografia mostra uma massa crescente irregular junto da tuberosidade isquiática, e radiografias seriadas mostram a apófise nas partes moles e depois o osso reativo.

A fratura que denuncia o osso doente: banana

O raciocínio se inverte quando a fratura é a primeira manifestação de um osso anormal. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 25, Tabela 25-3), lista os fatores que sugerem fratura patológica: fratura espontânea ou após trauma menor, dor no local antes da fratura, várias fraturas recentes, padrão incomum (fratura em "banana"), idade acima de 45 anos e história de câncer. E define: a fratura em banana é uma fratura transversa após trauma mínimo, através de uma área de osso anormal, padrão frequente nas situações patológicas. O Dahlin mostra o exemplo no Paget, com fratura transversa num osso de cortical e medular espessadas (Fig. 26.133, p. 366). O Lovell and Winter (p. 430) dá o equivalente pediátrico: quando o trauma parece insignificante, suspeitar de fratura patológica.

O trocânter menor isolado no adulto

O mesmo raciocínio vale para a avulsão. O Rockwood and Green (cap. 54) diz que a fratura isolada do trocânter menor, com a inserção do iliopsoas, é incomum e deve ser considerada patológica até prova em contrário. No cap. 25, coloca a avulsão isolada do trocânter menor e a lesão cortical no adulto abaixo do cotovelo ou do joelho entre os achados altamente sugestivos de metástase, com risco de fratura do colo; e o critério clássico de fixação profilática inclui destruição cortical maior que 50%, lesão maior que 2,5 cm, avulsão patológica do trocânter menor e dor persistente apesar da radioterapia. O Dahlin ilustra (Fig. 26.2, p. 307, aprox.) uma metástase de mama subtrocantérica com destruição do trocânter menor.

O raciocínio fisiológico: no adolescente, a apófise ainda aberta é o ponto fraco, e a avulsão é traumática (Dahlin, p. 352, avulsões em jovens ativos); no adulto, sem fise, a tração do iliopsoas não arranca o trocânter menor de um osso sadio.

Tumor marrom do hiperparatireoidismo e granuloma reparador

Fundamento

O que acontece no osso

O hiperparatireoidismo (Dahlin, p. 364) vem de neoplasia ou hiperplasia difusa das paratireoides (primário) ou é secundário à doença renal; os dois atingem o esqueleto. O Campbell (cap. 27, p. 945) diz que o primário é em geral causado por adenoma e o secundário pela insuficiência renal crônica. O HEBERT acrescenta o carcinoma secretor de PTH e explica a bioquímica: o excesso de PTH aumenta a reabsorção, com hipercalcemia e hipofosfatemia, e a neoformação compensadora eleva a fosfatase alcalina.

Cedo, só há desmineralização difusa. Raramente a reabsorção fica focal e produz um aspecto cístico, o tumor marrom, que imita tumor primário; o tecido fibroblástico pode ser tão exuberante que abaula o contorno do osso (Dahlin, p. 366).

A imagem e os sinais vizinhos

O HEBERT descreve o tumor marrom como lesão radiotransparente de margens pouco definidas, que expande a cortical, com casca fina de osso periosteal, às vezes multiloculada, predominando na diáfise dos ossos longos e só chegando às extremidades em fases avançadas. O diagnóstico vem dos sinais ao redor: múltiplas áreas císticas em outros ossos, osteopenia generalizada, reabsorção subperiosteal (falanges distais e extremidade lateral da clavícula), desaparecimento da lâmina dura dos dentes e crânio granular. O Dahlin (p. 366) destaca a reabsorção subperiosteal, sobretudo na mão (Fig. 26.137, segundo e terceiro dedos).

O laboratório decide, não a biópsia

As duas obras insistem: o diagnóstico é bioquímico (Dahlin, p. 366: cálcio e fósforo séricos, PTH ou cálcio urinário; Campbell, p. 945: cálcio, fósforo, fosfatase alcalina e PTH, "em vez do exame histológico"). A suspeita surge quando a lesão parece TCG, mas a histologia ou o local não combinam (Dahlin). A lesão também pode lembrar cisto aneurismático.

Na histologia, há tecido fibroblástico com muitas gigantes semelhantes a osteoclastos, mas a qualidade fibrogênica afasta o TCG (Dahlin, p. 366 e 367). O Campbell (p. 945) lista as pistas: gigantes um pouco menores, em nódulos em volta de hemorragia; estroma mais fusiforme e delicado; metaplasia óssea proeminente; e osso ao redor com intensa atividade osteoclástica e osteoblástica e fibrose peritrabecular.

Tratar a glândula, não o osso

O HEBERT dá a conduta mais cobrável: começar pela remoção da paratireoide responsável e pelo controle metabólico; o ortopedista protege contra fratura (haste intramedular nos casos graves); não se deve curetar nem ressecar as lesões, que regeneram em poucos meses com o controle hormonal. A Fig. 26.139 do Dahlin mostra uma lesão de mandíbula, biopsiada como "displasia fibrosa", que desapareceu após a retirada do tumor da paratireoide. O Campbell concorda: tratamento pelo endocrinologista; o ortopedista trata a fratura real ou iminente (Fig. 27.26, fratura da tíbia proximal em mulher de 55 anos).

O granuloma reparador de células gigantes

O Dahlin (p. 352 e 353) descreve uma lesão peculiar dos maxilares, reativa, frequentemente confundida com TCG. O que a separa é a qualidade fibrogênica; além disso, TCG verdadeiro não ocorre nos maxilares, exceto no Paget. A diferença tem peso prático: a remoção completa do granuloma quase sempre cura, enquanto o TCG recidiva em 25% a 50% e cerca de 7% malignizam. Lesão idêntica aparece no maxilar do hiperparatireoidismo, e por isso, se o granuloma recidiva, pense em hiperparatireoidismo.

Tumor marrom contra TCG e granuloma reparador (Dahlin, p. 352 a 367; Campbell 15, cap. 27, p. 945 e Tabela 27.7; HEBERT, cap. 29)
CritérioTumor marromTCGGranuloma reparador
naturezareação ao PTHneoplasiareativo
localqualquer osso; diáfise (HEBERT); mão, mandíbula, órbitanão ocorre nos maxilares, exceto no Pagetmaxilares; ossos pequenos de mãos e pés
estromafibrogênico, metaplasia ósseanão fibrogênicofibrogênico, trabéculas ordenadas
gigantesmenores, nodulares em volta de hemorragiaabundantespresentes
sinais associadososteopenia, reabsorção subperiosteal, lâmina duranenhumnenhum
diagnósticocálcio, fósforo, fosfatase alcalina, PTHbiópsiabiópsia
tratamentoparatireoide; proteger o osso; não curetarcirurgiaremoção completa

Infarto ósseo: a calcificação que fica na borda

Cobrança confirmada · 1 questão

Duas apresentações

O Dahlin (p. 369) separa dois cenários. O infarto epifisário, que na prática cirúrgica é sobretudo a necrose da cabeça femoral (corticoide ou idiopática), dá lucência com halo de esclerose e depois colapso, com o crescente amarelo subcondral na peça. E o infarto medular dos ossos longos, que é o que entra no diferencial de tumor: comum após doença descompressiva (trabalhadores de caixões pressurizados) e na anemia falciforme, também idiopático, em geral na metáfise dos ossos longos. O Campbell (cap. 27, p. 945) lista corticoide, alcoolismo, anemia falciforme, doença de GAUCHER e disbarismo, além dos casos sem causa.

Por que a calcificação é periférica

No início a radiografia é negativa. Com a evolução, a lesão mineraliza, e o mineral se deposita ao longo das bordas (Dahlin, p. 369). O mecanismo está na histologia (p. 371): a medula necrótica sofre necrose gordurosa, depois substituída por calcificação amorfa; na borda entre osso vivo e morto, a reparação deposita mineral e esclerose, desenhando as margens serpiginosas (figura da p. 369: infartos bilaterais em diáfises e metáfises femorais distais, mistos líticos e escleróticos com margem periférica esclerótica serpiginosa).

Por causa da calcificação, o infarto é frequentemente confundido com tumor cartilaginoso. A regra que separa os dois está nos dois livros, com as mesmas palavras: no condroide, a mineralização é difusa, por toda a lesão; no infarto, é periférica (Dahlin, p. 369; Campbell, p. 945, que descreve o infarto como lesão metafisária bem definida, de bordas irregulares, com periferia calcificada).

Infarto medular contra encondroma (Dahlin, cap. 26, p. 369 a 371; Campbell 15, cap. 27, p. 928 e 945)
CritérioInfarto ósseo medularEncondroma
local típicometáfise de osso longofalanges da mão; também pelve, úmero e fêmur proximais
calcificaçãoperiférica, em margem serpiginosapor toda a lesão, pontilhada, em pipoca
RMcentro com sinal de gordura, margem irregularnão descrita nos capítulos lidos
fatorescorticoide, álcool, falciforme, GAUCHER, disbarismonenhum
sintomaassintomático; dor manda procurar outra causaem geral assintomático
riscosarcoma raro no infartocondrossarcoma no diferencial dos proximais

Conduta e complicação rara

Pelo Campbell, o diagnóstico é radiográfico, a biópsia é geralmente desnecessária, o infarto é assintomático e não pede tratamento, e se houver dor deve-se procurar outra causa. Raramente surge malignidade no local, como o histiocitoma fibroso maligno. A Mayo tem sete sarcomas em infartos: dois osteossarcomas, três fibrossarcomas e dois histiocitomas fibrosos malignos (Dahlin, p. 371). O infarto também pode ter cisto aneurismático secundário. Na histologia, as lacunas vazias dos osteócitos sugerem necrose, mas não são sinal absoluto, porque a descalcificação excessiva produz o mesmo artefato.

Osteólise pós-traumática e osteoporose transitória

Cobrança confirmada · 1 questão

A clavícula que some

O Dahlin (p. 368 e 369) descreve a osteólise traumática como uma condição da porção lateral da clavícula. O paciente tem dor e pode relatar lesão, às vezes hiperextensão do ombro; a radiografia mostra perda aparente da extremidade distal da clavícula (Fig. 26.141, homem de 28 anos), sem massa de partes moles. A biópsia não traz achado diagnóstico e não é necessária quando a lesão é reconhecida pela clínica e pela radiografia.

O Rockwood and Green (cap. 32) dá o mecanismo: a osteólise da clavícula distal se associa a separações acromioclaviculares de baixo grau ou microtrauma repetido (o exemplo é o trabalhador com ferramenta pneumática); MADSEN reuniu sete casos próprios e oito da literatura; há intensa atividade osteoblástica no osso subcondral, sinal de processo inflamatório recorrente. A dor aparece na adução cruzada e no levantamento acima da cabeça. As alterações costumam ser só no ombro lesado; se forem bilaterais, pensar em artrite reumatoide, hiperparatireoidismo e esclerodermia; no unilateral, o diferencial inclui osteólise maciça de GORHAM, gota e mieloma. O HEBERT lembra que o próprio hiperparatireoidismo reabsorve a extremidade lateral da clavícula.

A cabeça femoral que clareia

A osteoporose transitória (Dahlin, p. 368) afeta adultos de meia-idade com dor articular, sobretudo no quadril, sem trauma prévio. A radiografia mostra osteopenia da cabeça femoral e a cintilografia capta, o que pode sugerir malignidade; a TC é negativa. A biópsia não tem achado diagnóstico; a doença é autolimitada, tratada com analgesia e prevenção de fratura. Mais uma vez, o objetivo é evitar a biópsia.

Osteomielite: a infecção que se veste de tumor

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que confunde

O Dahlin (p. 354) aponta dois motivos. O antibiótico atenua a infecção e distorce a evolução radiográfica; e certos tumores, sobretudo o EWING, produzem febre e leucocitose. O sinal radiográfico mais precoce é a rarefação irregular perto do fim da diáfise, com elevação periosteal e camadas de osso subperiosteal; o sequestro aparece depois, mais radiopaco porque o osso vivo em volta fica osteoporótico. Na fase aguda, a radiografia lembra neoplasia permeativa como o EWING. Na crônica, destruição geográfica imita osteossarcoma ou TCG; tuberculose e micoses dão lesão delimitada como tumor benigno lento; um foco indolente com muita esclerose imita osteoma osteoide: é o abscesso de BRODIE (p. 355).

O Campbell (cap. 27, p. 945) diz que todas as fases, mas sobretudo a subaguda, simulam tumor, com erros documentados contra EWING, osteossarcoma, osteoma osteoide e granuloma eosinofílico; e plasmócitos abundantes fazem pensar em mieloma. Daí a regra de mandar cultura e histologia em toda biópsia.

A classificação de ROBERTS

O Tachdjian (cap. 23, p. 968 e 969) explica que a osteomielite subaguda tem início insidioso e exames pouco alterados, e que em uma série 50% pareciam neoplasia na radiografia. A classificação de GLEDHILL, ampliada por ROBERTS para seis tipos, se baseia na localização, na morfologia e na semelhança com tumores. O Lovell and Winter (cap. 12, p. 410 e 411) traz a mesma figura e os mesmos diferenciais.

Classificação de ROBERTS da osteomielite subaguda (Tachdjian, cap. 23, p. 968 e 969; Lovell and Winter, cap. 12, p. 410 e 411)
TipoAspectoTumor que imita
IAlucência metafisária em saca-bocado, sem esclerosegranuloma eosinofílico
IBlucência metafisária com margem escleróticaabscesso de BRODIE clássico
IIlucência metafisária com erosão da corticalosteossarcoma (e neuroblastoma metastático, no Lovell and Winter)
IIIlesão cortical diafisária localizada com reação periostealosteoma osteoide
IVlesão diafisária com reação periosteal em casca de cebolasarcoma de EWING
Vlucência epifisáriacondroblastoma
VIlesão do corpo vertebral (discite)granuloma eosinofílico, tuberculose

Formas especiais e malignização

O Dahlin (p. 356 e 357) cita a osteomielite multifocal recorrente crônica (crianças, culturas sempre negativas), a osteomielite esclerosante de GARRÉ (espessamento sem supuração, em osso longo, clavícula ou maxilares; a osteíte condensante da clavícula é provavelmente a mesma coisa) e a malignização da osteomielite crônica: carcinoma espinocelular do trajeto fistuloso, anunciado por piora da dor e secreção mais fétida, tratado em geral por amputação (49 casos na Mayo).

Condromatose sinovial: metaplasia ou neoplasia

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell (cap. 30, p. 1011) define a condromatose sinovial como doença proliferativa sinovial benigna e monoarticular, com metaplasia cartilaginosa ou osteocartilaginosa na sinóvia de articulações, bursas ou bainhas. Três fases: precoce (metaplasia sem corpos livres), transicional (sinóvia ativa com corpos livres) e tardia (corpos livres sem doença sinovial). É mais comum no joelho (70%) e no quadril, em homens, entre a 3ª e a 5ª décadas; a radiografia mostra corpos livres, e o tratamento é sinovectomia e retirada dos corpos livres, com recidiva comum e raro condrossarcoma.

O Tachdjian (cap. 25, p. 1043 e 1044) diverge na natureza: descreve focos metaplásicos de cartilagem na íntima sinovial, mas chama a doença de "neoplasia benigna", porque a citogenética sugere proliferação clonal (o trauma seria estímulo à metaplasia); dá idade acima de 40 anos, 2 homens para 1 mulher, joelho, tornozelo e quadril, e condrossarcoma em 2,5% (4 de 155). O Dahlin (cap. 27, p. 381) lembra que ela aparece até na articulação temporomandibular.

Os vizinhos com resumo próprio

Fundamento

O cisto ósseo aneurismático está no capítulo 26 do Dahlin (p. 333 e 334): metade da frequência do TCG, mais de 75% nas duas primeiras décadas, joelho e coluna (elementos posteriores), excêntrico na metáfise, níveis líquido-líquido na TC e na RM; fusões USP6 sugerem neoplasia, e áreas iguais aparecem em TCG, condroblastoma, fibroma condromixoide, displasia fibrosa e até no infarto (secundário). Estude no resumo dahlin-cisto-osseo-simples, junto com o cisto ósseo simples. A displasia fibrosa (medular, vidro fosco) está em tachdjian6-displasia-fibrosa; a histiocitose, em lw-histiocitose; o PAGET (lâmina de grama, cerca de 1% de sarcoma no Campbell, p. 945), em campbell15-paget; as metástases, em campbell14-metastases-osseas.

Fechamento

Fundamento

O fio do tema é um só: o osso reage, e a reação imita tumor. Para não biopsiar nem operar o que não precisa, procure a direção da maturação (periferia madura na miosite, calcificação periférica no infarto, calo que amadurece), o contexto (trauma, atividade repetitiva, hormônio, infecção) e o exame certo (TC para cortical e casca; RM para extensão, lembrando do edema; laboratório no tumor marrom). E inverta o raciocínio quando a fratura é a primeira manifestação de um osso doente.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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