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Pseudartrose e retardo de consolidação

Conceitos básicosResumo do capítulo36 min de leitura

Retardo (3 a 6 meses) e pseudartrose (não consolida sem nova intervenção; FDA 9 meses + 3 sem progressão); hipertrófica (falta estabilidade), oligotrófica (falta contato), atrófica (falta biologia) e sinovial (fenda fria entre duas áreas quentes); TC com sensibilidade de 100% e especificidade de 62%; nicotina e AINE (COX-2 e não seletivos) atrapalham; NURD com retalho valendo 5 pontos; haste fresada fechada na tíbia, placa no úmero; autoenxerto com as três propriedades, cerâmicas e vidro bioativo osteocondutores, homoenxerto vem de outro indivíduo, PRP de 2 a 6 vezes; MASQUELET (PMMA, membrana, enxerto em 4 a 8 semanas); ILIZAROV com compressão no foco e corticotomia metafisária com alongamento gradual.

Atualizado em 03/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 30 · Principles of Nonunion and Bone Defect Treatment, em Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026). Autores do capítulo: William M. Ricci e Benjamin J. Ollivere.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de conceitos básicos do Rockwood adulto, capítulo 30, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 30 (Principles of Nonunion and Bone Defect Treatment) do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª edição (2025), de William M. RICCI e Benjamin J. OLLIVERE, conferido com o capítulo 64 (Delayed Union and Nonunion of Fractures) do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026), de John C. WEINLEIN. Quando um fato vem de outro capítulo (enxertos no capítulo 3 do Rockwood e no 2 do Campbell, defeito agudo no 16, consolidação viciosa no 31), isso está dito no texto.

O tema cabe numa frase do Campbell: tratar pseudartrose exige estabilidade biomecânica e vitalidade biológica (cap. 64, p. 2908). A classificação serve para descobrir qual das duas falta. A hipertrófica tem biologia e não tem estabilidade; a atrófica tem pouca biologia; a oligotrófica está viva, mas sem contato entre as pontas; a sinovial virou uma falsa articulação.

As provas cobram em quatro frentes: conceito (tipos, cintilografia, TC, nicotina, AINE, NURD), enxerto (quem é osteogênico, osteoindutor ou só condutor; homoenxerto; PRP), técnica com nome (MASQUELET, ILIZAROV, JUDET, PAPINEAU) e tratamento por osso (haste na tíbia, placa no úmero).

Definições: retardo, pseudartrose e o tamanho do problema

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30), admite que as definições são variáveis e um tanto arbitrárias (p. 874 aprox.): numa revisão de 148 estudos, só metade definia pseudartrose, e 85% dos que definiam usavam tempo (de 3 a 12 meses). As definições temporais usuais são 6 a 8 meses para a pseudartrose e 3 meses para o retardo.

A definição que importa é a fisiológica. Pseudartrose é a falha em consolidar no tempo esperado com a previsão de que não vai consolidar sem nova intervenção. Retardo é a fratura que não consolidou no tempo esperado, mas ainda pode consolidar sem intervenção. A diferença é o prognóstico, não o calendário.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2902 e 2903), coloca o retardo em geral entre 3 e 6 meses e o chama de precursor da pseudartrose. Para a pseudartrose, cita a FDA (no mínimo 9 meses da lesão e 3 meses sem progressão da consolidação) e prefere a de BRINKER: fratura que, na opinião do médico, não tem possibilidade de consolidar sem nova intervenção. O exemplo mostra por que o tempo engana: o colo femoral com falha do implante aos 3 meses já é pseudartrose; a tíbia exposta IIIB bem tratada, no mesmo prazo, não.

Retardo e pseudartrose nos dois livros (Rockwood 10, cap. 30, p. 874 aprox.; Campbell 15, cap. 64, p. 2902 e 2903)
ConceitoRockwood and GreenCampbell
Retardonão consolidou no tempo esperado, mas ainda pode consolidar; prazo usual 3 meses3 a 6 meses; precursor da pseudartrose
Pseudartrose fisiológicaprevisão de que não consolida sem intervençãoBRINKER: sem possibilidade sem nova intervenção
Pseudartrose temporal6 a 8 meses (arbitrário)FDA: 9 meses + 3 meses sem progressão

O peso do problema também cai. A taxa global de pseudartrose é de 4,9%, e retardo mais pseudartrose somam 6,9% (Rockwood, p. 873 e 874 aprox.). A pseudartrose do fêmur afeta a saúde física como a artrose terminal do quadril; o escore de utilidade médio dos pacientes com pseudartrose de osso longo é 0,68, pior que diabetes tipo I (0,88), AVC (0,81) e AIDS (0,79), e os pacientes com pseudartrose do antebraço tiveram os menores escores. O Campbell (p. 2902) acrescenta que a pseudartrose da tíbia custa mais que o dobro da fratura que consolida, que cerca de 30% dos tratados têm resultado funcional ruim e que mais de 90% da literatura é nível IV.

Como o osso consolida e por que deixa de consolidar

Cobrança confirmada · 1 questão

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2904), lembra que sem entender a consolidação normal não se trata pseudartrose. Fraturas tratadas sem cirurgia e as fixadas com haste intramedular, placa em ponte e muitos fixadores dependem da consolidação secundária: estabilidade relativa, movimento interfragmentar de 0,2 a 1 mm e formação de calo (inflamação, calo mole, calo duro, remodelação). A placa rígida depende da consolidação primária: estabilidade absoluta, movimento menor que 0,15 mm e deformação menor que 2%, sem calo; um espaço maior que 0,1 mm impede a primária.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30, p. 876 aprox.), tira as consequências. A placa rígida que deixa espaço no foco não sustenta a consolidação primária, porque os cones de corte precisam atravessar a fratura. O movimento excessivo (gesso mal feito, haste folgada) pode dar calo abundante ou quase nenhum. Por isso o mesmo tratamento conservador do úmero pode terminar em pseudartrose hipertrófica, oligotrófica ou atrófica.

O capítulo 3 do Rockwood (p. 65 aprox.) lista o que a consolidação exige: células e matriz viáveis, vascularização adequada, fatores de crescimento e algum grau de estabilidade. Nenhum dos dois livros usa o nome "diamond concept", mas é esse conjunto que o tratamento repõe: o enxerto traz células e arcabouço, a BMP traz sinal, partes moles e corticotomia trazem vasos, o implante traz estabilidade. Repor só o que não falta (enxerto numa hipertrófica, por exemplo) não muda nada.

Fatores de risco

Cobrança confirmada · 3 questões

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30, p. 874 aprox.), divide os fatores em hospedeiro, lesão e tratamento. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2904), separa as causas biológicas (locais e sistêmicas) das mecânicas e lembra que a maioria das pseudartroses tem mais de uma.

Causas de pseudartrose (Campbell 15, cap. 64, Tabelas 64.1 e 64.2, p. 2904)
GrupoFatores
Biológicas locaisdesnudamento de partes moles (lesão ou cirurgião), perda óssea, lesão vascular, radiação, infecção
Biológicas sistêmicasidade, doenças crônicas, diabetes, anemia crônica, distúrbios metabólicos ou endócrinos, desnutrição, medicações, tabagismo
Mecânicasmá redução (incluindo distração), fixação insuficiente ou rígida demais, implante ou posição inadequados, erro técnico

A energia é o fator local mais forte: desnuda o periósteo, interrompe a irrigação endosteal e lesa as partes moles; na exposta com lesão extensa, a pseudartrose se aproxima de 20%. O local pesa: colo do tálus, base do 5º metatarsal, colo femoral e cintura do escafoide têm irrigação precária; metáfises, pelve e escápula consolidam bem; a diáfise da tíbia consolida pior que o fêmur porque não é envolvida por músculo em toda a volta; a subtrocantérica sofre tensão.

Tabagismo e nicotina

Numa enquete, o tabagismo foi apontado por 81% dos cirurgiões de trauma, o diabetes por 59% e a vasculopatia por 53% (Rockwood, p. 874 aprox.). O mecanismo é o que a prova pergunta: em animais, a nicotina, por vasoconstrição, inibe a diferenciação dos tecidos e a resposta angiogênica do início da consolidação, e interfere diretamente na função dos osteoblastos; em humanos, o fumo reduz a expressão periosteal de BMP (p. 875 aprox.). Na tíbia exposta com haste, o fumante teve 37% menos chance de consolidar e 3,7 vezes mais osteomielite; o efeito é dose-dependente. Como a nicotina é o problema, o adesivo de nicotina deve ser evitado. O Campbell (p. 2904) diz que o tabaco chega a dobrar o risco e reduz o oxigênio cutâneo e a vascularização do foco.

Anti-inflamatórios

A resposta inicial à fratura é inflamatória, conduzida por prostaglandinas produzidas pela ciclo-oxigenase. O Rockwood (cap. 30, p. 875 aprox.) é direto: tanto os AINE tradicionais quanto os inibidores seletivos da COX-2 interferem na suprarregulação da COX-2 e na síntese de prostaglandina no osso. O capítulo 3 (p. 74 aprox.) dá a biologia: a COX-2 é necessária à ossificação endocondral; bloqueá-la diminui o calo; a COX-1 não parece afetar; a consolidação intramembranosa não é afetada. Na clínica, uma metanálise com mais de 10.000 pacientes achou OR 3 para pseudartrose (OR 4,4 nos estudos de qualidade moderada em ossos longos), enquanto outra revisão não achou evidência forte, e o cetorolaco por pouco tempo não aumentou o risco.

O Campbell (p. 2904) traz uma nuance: os inibidores da COX-2 podem ter risco maior que os não seletivos; por isso prefere os não seletivos na dor aguda, considera o uso curto de pouca consequência e pede que o paciente em tratamento de pseudartrose minimize os AINE.

Diabetes, vitamina D e outras condições

O diabetes reduz a proliferação inicial e a resistência do calo; neuropatia e HbA1c acima de 7% se associaram a complicações no pé e tornozelo (Rockwood, p. 874 e 875 aprox.). A vitamina D aparece nos dois livros com o estudo de BRINKER: de 883 pseudartroses sem causa mecânica, 37 foram ao endocrinologista; 84% delas tinham alteração metabólica ou endócrina e 68%, hipovitaminose D (Campbell, p. 2904). O Rockwood trata com 50.000 UI por semana por 4 a 6 semanas e adia a cirurgia até normalizar (p. 890 aprox.). Outros pontos: osteoporose é risco para fraturar, mas não parece ser risco para a pseudartrose depois da fratura; corticoide, fenitoína, quimioterápicos, fluoroquinolonas e opioides atrapalham; oxigênio hiperbárico não tem evidência.

Prever a pseudartrose: NURD

O NURD (Nonunion Risk Determination) é aplicado na fixação definitiva (Rockwood, p. 886 aprox.). O retalho é o marcador do pior envelope de partes moles e vale mais que a própria fratura exposta.

Escore NURD (Rockwood 10, cap. 30, p. 886 aprox.)
AtributoPontos
Retalho5
Síndrome compartimental4
Condições crônicas3
Fratura exposta2
Sexo masculino1
Grau ASA e % de contato cortical1 por grau
Espiral ou baixa energiamenos 1 cada
Risco: 0 a 5 = 2%; 6 a 8 = 22%; 9 a 11 = 42%; mais de 12 = 61%

Por osso, o Campbell dá a frequência: a tíbia é o osso que mais evolui para pseudartrose (2% a 15%; infecção profunda é o grande preditor, OR 12,75) (p. 2919); o fêmur com haste consolida perto de 99% (p. 2925); o colo femoral tem 10% a 30% (p. 2927); o úmero diafisário, cerca de 10%, mais na diáfise média e proximal com traço espiral ou oblíquo (p. 2932); na clavícula, a lateral é a mais propensa, mas a média é o local mais comum pela frequência (p. 2931).

Classificação biológica: o que falta em cada tipo

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30, p. 878 aprox.), classifica por atividade biológica e infecção: atrófica, oligotrófica e hipertrófica representam potencial biológico crescente; asséptica e séptica dizem se há infecção. O próprio capítulo adverte que se tenta ver um fenômeno celular pela radiografia. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2907), usa quatro eixos: localização (epifisária, metafisária, diafisária), séptica ou asséptica, hipertrófica, oligotrófica ou atrófica, e pseudartrose sinovial.

WEBER e CECH nos livros

A classificação de WEBER e CECH não é reproduzida com seus subtipos em nenhum dos dois livros. O que existe é a equivalência dos nomes: a atrófica também é chamada de avascular, não viável ou avital, e a hipertrófica, de hipervascular, viável ou vital (Rockwood, p. 879 aprox.). O Campbell usa esses termos na pelve: a sacroilíaca tende ao tipo avascular, os ramos ao tipo hipervascular (p. 2930). Os nomes WEBER e CECH aparecem no Campbell em outro contexto: com JUDET e PATEL, descreveram o método ativo da pseudartrose infectada (p. 2916).

Os quatro tipos

Hipertrófica. Boa resposta biológica e vascularização, mas falta estabilidade: a fibrocartilagem viável não mineraliza num ambiente instável. Radiografia com calo abundante e uma faixa escura no meio. Com fixação rígida, os condrócitos mineralizam a fibrocartilagem em geral em 8 semanas; ressecar o foco não é necessário nem desejado e o enxerto não é obrigatório (Rockwood, p. 879 a 880 aprox.).

Atrófica. Pouca ou nenhuma célula formadora e irrigação pobre; nenhuma reação óssea. Causas: lesão grave, desnudamento cirúrgico ou hospedeiro (diabetes, fumo). Trata-se com estímulo biológico (autoenxerto ou BMP) e desbridamento das pontas avitais até osso que sangra.

Oligotrófica. Viável, mas com pouco calo, em geral por má aproximação das superfícies; o Campbell (p. 2907) a associa à má redução, com distração. Como se parece com a atrófica, a cintilografia pode ser necessária: a oligotrófica capta, a atrófica é relativamente fria (Rockwood, p. 880 aprox.). Trata-se o contato: compressão, enxerto do defeito ou os dois.

Pseudartrose sinovial. Tem propriedades de hipertrófica, mas o movimento excessivo e crônico forma uma pseudocápsula sinovial com líquido. Os canais medulares ficam selados, e a cintilografia mostra fenda fria entre duas áreas quentes (Rockwood, p. 881 e 886 aprox.; Campbell, p. 2907, "cold cleft"). Trata-se com desbridamento da pseudocápsula, abertura do canal e estabilidade com compressão; embora vital, o estímulo biológico ajuda.

Os tipos de pseudartrose (Rockwood 10, cap. 30, p. 879 a 881 e 887 a 888 aprox.; Campbell 15, cap. 64, p. 2907)
TipoBiologiaImagemO que faltaTratamento-base
Hipertróficaviável, hipervascularcalo abundanteestabilidadefixação rígida; sem ressecção; enxerto dispensável
Oligotróficaviávelpouco calo; captacontatocompressão e/ou enxerto
Atróficaavital, avascularsem reação; friabiologiadesbridar + enxerto osteoindutor ou osteogênico
Sinovialvital, pseudocápsulacanais selados; fenda fria entre duas quentesestabilidaderessecar pseudocápsula, abrir canal, comprimir

Para o fixador circular, o Rockwood (p. 897 a 898 aprox.) usa outra divisão: a pseudartrose rígida tem calo hipertrófico, dói e resiste ao estresse, raramente precisa de enxerto e responde à compressão ou à distração fechada; a móvel é atrófica ou sinovial, mexe com facilidade, muitas vezes sem dor, e se beneficia de enxerto. Defeito ósseo não tem classificação aceita; defeito crítico é o que exige intervenção (enxerto ou transporte) além da estabilização (p. 881 aprox.).

Diagnóstico: clínica, imagem e laboratório

Cobrança confirmada · 1 questão

Os sinais clínicos são dor, sensibilidade e mobilidade no foco; no úmero, mobilidade grosseira às 6 semanas previu a pseudartrose com 82% de sensibilidade e 99% de especificidade (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 30, p. 883 aprox.). Implantes muito estáveis mascaram os sintomas até quebrarem. Para cirurgiões de trauma, a incapacidade de apoiar é o dado clínico mais importante no membro inferior.

Na radiografia, a união é a ponte de calo, sem consenso sobre quantas corticais; a incidência fora do plano esconde o traço; a placa de compressão não forma calo. Sinais indiretos: implante solto ou quebrado; a quebra de um parafuso de bloqueio pode até ajudar (autodinamização).

A TC reformata em qualquer plano e, na tíbia, teve sensibilidade de 100% e especificidade de 62%: não deixa passar a pseudartrose, mas pode levar a operar fratura consolidada (Rockwood, p. 884 a 885 aprox.). Ponte em menos de 25% da circunferência significou 37,5% de falha. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2905 e 2924), concorda: altamente sensível, pouco específica, útil mesmo com implantes.

A cintilografia com tecnécio é inespecífica, porque quase toda pseudartrose capta como a fratura que consolida; não prova infecção, e a combinação com gálio é inconsistente. Serve para a fenda fria da sinovial e para separar oligotrófica (capta) de atrófica (fria). A SPECT tem alta especificidade e baixa sensibilidade para não viabilidade (p. 885 a 886 aprox.).

Exames na pseudartrose (Rockwood 10, cap. 30, p. 883 a 886 aprox.; Campbell 15, cap. 64, Tabela 64.3, p. 2905)
ExamePara que serveLimite
Radiografiaponte de calo; implante solto ou quebradofora do plano esconde o traço
TCsensibilidade 100%; % de ponte; rotaçãoespecificidade 62%
Cintilografiafenda fria na sinovial; oligotrófica capta, atrófica friainespecífica; não prova infecção
Laboratórioinfecção (leucócitos, VHS, PCR); vitamina D, albuminanão prevê a pseudartrose

No laboratório, o papel principal é investigar infecção. O Campbell (p. 2905) traz o estudo de STUCKEN com leucócitos, VHS e PCR: os três positivos dão 100% de probabilidade de infecção (dois, 56%; um, 18,8%); os três negativos dão 81,6% de probabilidade de não haver infecção, ou seja, ainda deixam cerca de 1 em 5 infectados. Albumina baixa se associa à pseudartrose séptica.

Princípios gerais do tratamento

Fundamento

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30, p. 887 a 888 aprox.), começa pelo diagnóstico completo: tipo, séptica ou asséptica, deformidade. O tipo decide se é preciso abrir e desbridar e se é preciso enxertar.

  • Hipertrófica: maximizar a estabilidade (placa ou haste justa na diáfise, em vez de placa em ponte ou haste folgada na metáfise); desbridar e enxertar não são exigências.
  • Atrófica e sinovial: precisam de desbridamento. A atrófica precisa de enxerto osteoindutor ou osteogênico, salvo diáfises com bordas sadias que se encaixam e comprimem sem defeito (como no úmero). A sinovial desbridada é vascularizada, mas costuma receber enxerto para o espaço que a ressecção deixa.
  • Oligotrófica: tratar biologia e mecânica, porque não se sabe qual falhou.

Os outros princípios: tratar a infecção antes (em série, não em paralelo), corrigir o desalinhamento e pesar dor, incapacidade, trabalho e comorbidades. Partes moles ruins pedem retalho antes do reparo, sobretudo se o plano é placa; sem retalho, fixador externo ou encurtamento com alongamento depois (p. 889 aprox.). O tratamento conservador cabe quando o membro está alinhado e o paciente funciona com pouca dor, como na haste com carga total; mau alinhamento e infecção são contraindicações relativas, e a maioria das pseudartroses vai melhor com cirurgia (p. 890 aprox.).

Estímulo biofísico e tratamento não operatório

Cobrança confirmada · 2 questões

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30, Tabela 30-1, p. 890 aprox.), separa as intervenções indiretas (parar de fumar, nutrição, correção endócrina, suspender medicações) das diretas (carga, imobilização, estímulo eletromagnético, ultrassom, paratormônio). A órtese funcional com carga, prática na tíbia não operada, consolidou 91,3% dos 73 retardos e pseudartroses de SARMIENTO (48 com osteotomia da fíbula), com 5 mm de encurtamento médio; serve à hipertrófica e tem pouco papel na atrófica, na sinovial, na desalinhada e na infectada (p. 891 aprox.).

Estímulo elétrico

Quatro formas: corrente contínua (a única invasiva, implantada), acoplamento capacitivo (24 horas por dia), campo eletromagnético pulsado (PEMF, 8 a 12 horas por dia) e campos combinados (30 minutos por dia). O mecanismo é a alteração dos potenciais elétricos do foco; em animais, os campos reduziram a reabsorção osteoclástica, aumentaram a formação de osteoide e estimularam a angiogênese (Rockwood, p. 891 aprox.). O capítulo 3 (p. 75 aprox.) aponta a via cálcio-calmodulina e a metanálise de ALEEM (15 ensaios, 1.247 pacientes): redução absoluta de 15% na pseudartrose, número necessário para tratar de 7. Do outro lado, o ensaio de ADIE em 218 tíbias agudas não mostrou benefício do PEMF. Requisitos: alinhamento aceitável, bordas próximas e ausência de pseudartrose sinovial; contam contra pseudartrose antiga, enxerto ou estímulo prévio falho, exposta, osteomielite ativa, cominuição extensa e atrófica.

Ultrassom e ondas de choque

O LIPUS usa 1,5 MHz por cerca de 20 minutos por dia, com energia baixa, comparável à do ultrassom diagnóstico; as ondas fariam o papel das forças da lei de WOLFF e, segundo o capítulo 3, aumentam as células osteoprogenitoras do foco. Revisão de 1.441 pseudartroses: 82% de consolidação, com a hipertrófica respondendo duas vezes mais que a atrófica; ossos profundos respondem pior (Rockwood, p. 891 a 892 aprox.). A Cochrane, porém, não achou diferença na pseudartrose em 12 meses.

A ESWT tem energia bem maior, costuma exigir anestesia e estimula a diferenciação osteogênica das células-tronco mesenquimais, as propriedades mecânicas do osso e a angiogênese (Rockwood, cap. 30, p. 893 aprox.); o capítulo 3 resume que ela estimula a osteogênese nas células estromais da medula. Consolidação de 76% a 80%, melhor na hipertrófica; é segura (edema, hematoma, petéquias), mas a eficácia se apoia em estudos nível IV. A teriparatida (PTH 1-34) consolidou 95,3% em relatos sem controle.

Estímulos biofísicos (Rockwood 10, cap. 30, p. 891 a 893 aprox., e cap. 3, p. 75 e 76 aprox.)
MétodoUsoMecanismoMelhor em
Acoplamento capacitivo24 h/diapotenciais elétricosalinhada, bordas próximas
PEMF8 a 12 h/diacálcio-calmodulina; menos reabsorção, mais osteoideidem
LIPUS20 min/dia, 1,5 MHzmais células osteoprogenitorashipertrófica, osso subcutâneo
ESWTanestesia, 1 a 3 sessõesdiferenciação osteogênica, angiogênesehipertrófica

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2902), põe essas opções no tratamento do retardo, ao lado da correção metabólica, do gesso e da cirurgia. Os autores do Rockwood usam o ultrassom isolado no paciente que já tem carga total e poucos sintomas ou que não é candidato a cirurgia.

Haste intramedular: troca, dinamização e a tíbia

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 30, p. 895 aprox.), descreve três usos da haste: primária (após tratamento conservador da tíbia ou do úmero), troca e dinamização, sempre melhor na diáfise.

A troca de haste põe uma haste maior e fresada. Corrige haste fina e perda do controle rotacional, e mesmo sem falha mecânica a fresagem deposita enxerto e provoca inflamação útil. Limites: o enxerto da fresagem não preenche defeito relevante, e a nova haste segue o trajeto da antiga, de modo que o desvio angular persiste se não for corrigido antes de fresar (placa auxiliar, parafusos de bloqueio). A evidência nova diz que 1 mm de sobrefresagem pode bastar; o protocolo de SWANSON, com 100% no fêmur, usa haste ao menos 2 mm maior, de outro fabricante, bloqueio estático e correção endócrina. No fêmur, ístmicas consolidam 87% e não ístmicas 50%; na tíbia, a infecção é o maior preditor de falha; no úmero, a troca é menos consistente.

A dinamização retira os parafusos de uma extremidade para a fratura encurtar com a carga; serve a pequenos gaps, funciona em cerca de 50% no fêmur estabelecido e melhor no retardo (Rockwood, p. 897 aprox.). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2926), traz uma revisão: troca superior à dinamização na pseudartrose estabelecida do fêmur (84,8% contra 66,4%) e dinamização com 81,8% no retardo.

A tíbia: haste fresada fechada

O Campbell (p. 2924) afirma: a haste intramedular fresada fechada é o procedimento de escolha para a pseudartrose da tíbia. Fechada, preserva e aumenta a irrigação periosteal; a fresagem acrescenta enxerto endosteal. Cuidados: fixador externo por mais de 2 semanas aumenta a infecção; fratura previamente infectada pede outra estratégia ou haste com antibiótico; desvio em baioneta exige abrir. SWANSON teve 98% com troca de haste em tíbias assépticas com ao menos 50% de aposição cortical. A técnica 64.10 resume: fibulectomia de 2 a 2,5 cm se a fíbula está arqueada e sob carga; haste ao menos 2 mm maior; fresar 1 mm além; travar distal primeiro e comprimir; carga total liberada.

A fíbula consolida antes da tíbia e passa a dividir a carga; íntegra, pode impedir a aposição. Ressecar menos de 2 cm pode deixá-la consolidar antes da tíbia (Campbell, p. 2922). A osteotomia comprime por pouco tempo; a ressecção de um segmento comprime por mais tempo (Rockwood, p. 902 a 903 aprox.).

Troca de haste e dinamização (Rockwood 10, cap. 30, p. 895 a 897 aprox.; Campbell 15, cap. 64, p. 2924 a 2926)
Troca de hasteDinamização
O que éhaste maior e fresadaretirar parafusos de uma extremidade
Mecanismoestabilidade + enxerto da fresagemcompressão pelo apoio
Fêmur estabelecido84,8%66,4%
Retardo81,8%
Limitenão corrige desvio nem preenche defeitoencurtamento e rotação sem controle

Placa e o tratamento por osso

Cobrança confirmada · 1 questão

A placa serve para quase qualquer osso e tipo, diafisária ou de extremidade (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 30, p. 894 aprox.). Corrige deformidade angular, rotacional e translacional e comprime; mas é invasiva num envelope muitas vezes marginal, limita a carga precoce, falha em defeitos longos (fica excêntrica) e não corrige encurtamento. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2911), diz que placa sem enxerto costuma bastar na hipertrófica; na tíbia, a placa no lado de tensão (convexo) comprime, com risco maior de infecção e falha (p. 2924).

O úmero

O Campbell é explícito: a haste, sobretudo a troca, não é a melhor opção no úmero (p. 2911 e 2932). A maioria das pseudartroses do úmero é tratada com redução aberta e placa de compressão, com consolidação bem acima de 90%; o aloenxerto de fíbula intramedular aumenta a estabilidade, e o autoenxerto pode não ser rotineiro. O úmero tolera encurtamento de até 3 cm (Campbell) ou cerca de 5 cm (Rockwood, cap. 16). No Rockwood, a figura 30-2 mostra três pseudartroses do úmero após tratamento conservador, hipertrófica, oligotrófica e atrófica: placa isolada nas duas primeiras e placa com enxerto na atrófica; a figura 30-14 mostra uma atrófica do úmero com superfícies oblíquas sadias tratada com placa sem enxerto.

Pseudartrose por osso (Campbell 15, cap. 64, p. 2919 a 2934)
OssoConduta-chave
Tíbia diafisáriahaste fresada fechada; troca com 2 mm a mais; fibulectomia de 2 a 2,5 cm; enxerto posterolateral (80% a 97%)
Fêmur diafisáriotroca de haste, dinamização, enxerto in situ; placa sobre haste nas não ístmicas
Colo femoral, menos de 60 anos, cabeça viávelosteotomia intertrocantérica valgizante (cisalhamento vira compressão)
Colo femoral, mais de 60 anoshemiartroplastia ou artroplastia total
Clavícula médiaplaca, considerar enxerto; até 2 cm de encurtamento
Úmero diafisárioplaca de compressão
Úmero distalplaca e enxerto, neurólise do ulnar; prótese de cotovelo no idoso
Antebraçoplaca e enxerto esponjoso; recriar o arco radial

Enxertos e substitutos ósseos

Cobrança confirmada · 5 questões

As três propriedades

As definições são quase iguais nos dois livros (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 3, p. 65 aprox.; Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 2, p. 150.e2):

  • Osteogênese: o enxerto forma osso por conta própria, porque traz células vivas que sobreviveram ao transplante.
  • Osteoindução: o enxerto recruta células mesenquimais do hospedeiro e as diferencia em condroblastos e osteoblastos; a BMP foi o primeiro fator identificado.
  • Osteocondução: o enxerto é um arcabouço passivo para a entrada de vasos e osso. Todo enxerto com estrutura conduz algo.

Autoenxerto

É o padrão-ouro e o único com as três propriedades, sem rejeição nem transmissão de doença (Rockwood, cap. 3, p. 66 aprox.). O esponjoso incorpora rápido mas não dá estrutura; o cortical dá estrutura e incorpora devagar. O preço é a área doadora: complicações de 20,6% menores e 8,6% maiores; a crista anterior dá 19 a 26 cc. No capítulo 30 (p. 904 a 905 aprox.): só cerca de 15% dos osteócitos e osteoblastos sobrevivem; o defeito cilíndrico consome 11,3 cm³ por cm no fêmur e 7,1 na tíbia; o limite que a crista preenche é 5 a 7 cm. O RIA colhe o canal femoral (60 a 80 cm³; complicações de 1,7%, sobretudo perfuração; risco de transfusão). No membro inferior do adulto, diz o Campbell (cap. 64, p. 2910), a fíbula não vascularizada não hipertrofia o suficiente e a vascularizada não hipertrofia rápido o bastante; por isso distração osteogênica e MASQUELET são melhores nos defeitos grandes.

Aloenxerto: o homoenxerto

O Campbell (cap. 2, p. 150.e1) define: aloenxerto é o obtido de um indivíduo que não o paciente; autógeno vem do próprio paciente. Uma mãe que doa osso ao filho fornece homoenxerto: mesma espécie, outro indivíduo. Indicações: crianças pequenas, idosos, maus candidatos, autoenxerto insuficiente, revisões e tumores. Exige triagem de bactérias, vírus e fungos; o congelado a fresco é mais forte que o liofilizado.

Sobre o que o aloenxerto faz, os livros divergem. O Rockwood (cap. 3, p. 67 aprox.) diz que o processamento o deixa essencialmente osteocondutor, e que o DBM retém osteoindução variável entre lotes; no capítulo 30 (p. 909 aprox.), aloenxerto e cerâmicas não têm osteoindução nem osteogênese e servem de extensores. O texto do Campbell (cap. 2) chama o aloenxerto esponjoso de osteocondutor e "não osteoindutor", mas a Tabela 2.8 do mesmo capítulo, tirada de KHAN, marca o esponjoso alógeno com osteocondução forte e osteoindução fraca, como o esponjoso autógeno nesse quesito.

Propriedades dos enxertos (Campbell 15, cap. 2, Tabela 2.8, p. 150, segundo KHAN; + fraco, ++ forte, +++ muito forte, "não" = ausente)
EnxertoOsteogêneseOsteoconduçãoOsteoinduçãoResistência mecânica
Medula óssea+++não
Esponjoso autógeno++++++
Cortical autógeno++++
Vascularizado autógeno+++++++
Esponjoso alógenonão++++
Cortical alógenonão++
DBMnão+++++não

A tabela responde à pergunta clássica: o que o esponjoso autólogo e o homólogo têm em comum é osteocondução e osteoindução; a osteogênese é só do autólogo, porque só ele traz células vivas.

Cerâmicas e vidro bioativo

Os substitutos sintéticos não têm área doadora nem risco de doença, mas funcionam só como arcabouço, sem osteogênese nem osteoindução (Rockwood, cap. 3, p. 69 aprox.). Reabsorção: hidroxiapatita mais de 10 anos, fosfato tricálcico 6 a 18 meses, sulfato de cálcio 6 a 12 semanas; o cimento de fosfato de cálcio tem a maior resistência à compressão.

Substitutos e propriedade (Campbell 15, cap. 2, eTabela 2.1, p. 150.e2)
PropriedadeO que fazExemplos
Osteoconduçãoarcabouço poroso passivosulfato de cálcio, cerâmicas, cimento de fosfato de cálcio, colágeno, vidro bioativo, polímeros
Osteoinduçãodiferencia células-tronco em osteogênicasDBM, BMP, fatores de crescimento, terapia gênica
Osteogênesetraz células osteogênicasaspirado de medula
Combinadamais de umacompósitos

PRP e aspirado de medula

O PRP é autólogo, com plaquetas em concentração suprafisiológica (o normal é 150.000 a 450.000 por μL). O capítulo 3 do Rockwood (p. 71 aprox.) dá o número: a concentração eficaz para regenerar osso é de 2 a 6 vezes, idealmente 5 vezes; menos não tem efeito, mais prejudica. Os fatores dos grânulos alfa são TGF-beta, IGF, FGF, VEGF e PDGF, e a evidência clínica é fraca. O capítulo 30 (p. 904 aprox.) fala em plaquetas a 300% a 600% e relata 92,8% de consolidação com PRP percutâneo contra 80% com troca de haste em oligotróficas.

O aspirado de medula é osteogênico, mas pobre em células (média de 612 por cm³), por isso se concentra. HERNIGOU injetou cerca de 20 mL de medula concentrada em 60 tíbias e 53 consolidaram, com eficácia ligada ao número de células (Rockwood, p. 903 aprox.). O Campbell (cap. 64, p. 2923) relata 80%, mais eficaz no retardo, e lembra que a injeção não substitui a estabilidade.

BMP e o preparo do leito

Fundamento

URIST descreveu em 1965 a atividade da matriz que induz osso e a chamou de proteína morfogenética óssea; as BMP pertencem à superfamília do TGF-beta, e a BMP-2 é necessária ao início da consolidação (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 3, p. 73 aprox.). BMP-2 e BMP-7 foram aprovadas, mas só a BMP-2 é comercializada. No capítulo 30 (p. 909 aprox.), a BMP-7 contra autoenxerto em 124 tíbias deu 81% contra 85%, poupando a dor da área doadora; a BMP-2 foi aprovada para fratura exposta aguda da tíbia, fusão e face, e na pseudartrose é uso fora da bula. Os autores do Rockwood abandonaram a BMP na pseudartrose; o Campbell (cap. 2, p. 150.e2) cita aumento de câncer e ejaculação retrógrada com a rhBMP-2.

O enxerto não pega num leito ruim: é preciso expor osso sadio, aumentar a superfície e estimular o fluxo (Rockwood, p. 910 aprox.). O enxerto na periferia é mais forte, porque a resistência à torção cresce com o cubo do raio e à flexão com a quarta potência. A técnica de JUDET e PATEL levanta fragmentos osteoperiosteais de 2 a 3 mm, presos às partes moles, por 3 a 4 cm de cada lado e cerca de dois terços da circunferência; o "fish scaling" é a versão simplificada. O Campbell (técnica 64.1, p. 2909) descreve a mesma decorticação, evitando a área sob a placa.

Na técnica dos autores do Rockwood (p. 910 e 920 aprox.), o enxerto é implantado em até 15 minutos após a colheita; o grau A (autoenxerto puro) vai à periferia, o grau B (autoenxerto e aloenxerto de 1:1 a 1:2) ao centro e o grau C (aloenxerto puro) só ao núcleo de grandes defeitos; enxerto sem estabilidade é ineficaz, e atrófica nunca se enxerta só com aloenxerto.

ILIZAROV, transporte ósseo e corticotomia

Cobrança confirmada · 2 questões

O fixador circular é trabalhoso, mas muito eficaz, especialmente com infecção, defeito e deformidade (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 64, p. 2913). Não mexe nas partes moles do foco, corrige devagar e permite carga precoce; o TAYLOR Spatial Frame corrige seis eixos com um programa de computador (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 30, p. 897 aprox.).

Modos de tratamento com fixador circular (Campbell 15, cap. 64, Box 64.1, p. 2917; Rockwood 10, cap. 30, p. 912 a 913 aprox.)
ModoVariaçõesQuando
Monofocalcompressão; distração; sequências das duassem defeito, sobretudo hipertrófica rígida
Bifocalcompressão-distração (alongamento em outro nível); distração-compressão (transporte)encurtamento ou defeito
Trifocalcombinações; alongamento em dois níveisdefeitos grandes

Na hipertrófica rígida, o fixador fechado comprime, distrai ou combina: a distração gradual de uma hipertrófica forma osso como um regenerado, até cerca de 1,5 cm pelo próprio foco, e uma compressão de 7 a 14 dias antes "prepara" o local. Na móvel, abre-se o foco e se enxerta, ou, para os adeptos estritos de ILIZAROV, faz-se corticotomia em área sadia e transporte, que depende de duas consolidações mas é poderoso quando é preciso alongar mais de 2 cm (Rockwood, p. 897 a 898 aprox.).

A atrófica com encurtamento

O Campbell (p. 2917) dá a frase que a prova copiou. Deformidades de 10 a 15 graus se corrigem na montagem; maiores, gradualmente. A hipertrófica recebe correção gradual seguida de compressão. A atrófica com encurtamento é tratada com compressão no foco, somada a uma corticotomia na região metafisária do mesmo osso e alongamento gradual por essa corticotomia. ILIZAROV mostrou hipervascularização do membro após a corticotomia e a distração gradual, e a corticotomia provavelmente traz parte do benefício biológico de um enxerto. Com perda segmentar, faz-se corticotomia e transporte de um fragmento; a ponta que chega pode precisar de enxerto no encaixe.

A corticotomia de PALEY usa osteótomo de 5 mm nas corticais medial e lateral, gira 90 graus para quebrar a posterior e completa a osteoclasia girando os anéis; preserva a circulação periosteal e endosteal (Campbell, p. 2918). A velocidade máxima de alongamento é cerca de 1 mm a cada 24 horas. Para o Rockwood (p. 912 a 913 aprox.), os fixadores circulares são possivelmente o padrão-ouro dos grandes defeitos.

A classificação de PALEY

A classificação de PALEY das pseudartroses (tipos A e B com subtipos) é cobrada em prova, mas não aparece em nenhum dos dois livros; PALEY surge no Campbell só pela corticotomia. Para raciocinar, os livros oferecem a divisão do Rockwood entre pseudartrose rígida e móvel e a pergunta sobre defeito e deformidade.

Defeitos ósseos e a técnica de MASQUELET

Cobrança confirmada · 3 questões

O capítulo 16 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (fratura exposta, perda óssea aguda), dá a escala do membro inferior. Perda menor que 2 cm é bem tolerada e se encurta primariamente. Perda circunferencial menor que 3 cm pode ser resolvida com autoenxerto em segundo tempo. Quando a perda passa de 4 cm, as opções ficam mais difíceis, porque o membro precisa suportar carga: a fíbula vascularizada falha mais na perna (fraturas de estresse), e entram a distração osteogênica (encurtar e realongar, ou fixar no comprimento e transportar) e a membrana induzida. No membro superior, o úmero tolera até cerca de 5 cm de encurtamento.

Defeito segmentar no membro inferior (Rockwood 10, cap. 16, e cap. 30, p. 905 e 911 a 913 aprox.)
DefeitoOpção
menos de 2 cmencurtamento primário
menos de 3 cmautoenxerto em segundo tempo
5 a 7 cmlimite do que a crista ilíaca preenche
mais de 4 cmtransporte ósseo, encurtar e realongar, MASQUELET, fíbula vascularizada

A membrana induzida

Para a perda segmentar, o Rockwood (cap. 30, p. 911 aprox.) prefere MASQUELET ou encurtamento seguido de alongamento. A técnica tem dois tempos. No primeiro, desbrida-se e preenche-se o defeito com espaçador de polimetilmetacrilato (PMMA), muitas vezes com antibiótico. No segundo, em 4 a 6 semanas, quando já se formou ao redor do cimento uma membrana osteogênica, reabre-se a membrana, retira-se o cimento e enxerta-se com esponjoso. A estabilização usa haste bloqueada na diáfise e placa bloqueada na metáfise; a recorticalização leva 3 a 6 meses.

O espaçador mantém o espaço contra a invasão fibrosa e induz a membrana, que é parecida com sinovial, contém o enxerto e produz fatores de crescimento, inclusive BMP-2, com pico por volta de 4 semanas. Na série original, MASQUELET tratou 35 casos com defeitos de 4 a 25 cm. A técnica exige bom envelope de partes moles; em 195 defeitos infectados (FRESE), cerca de 62 mm pareceu o limite do sucesso.

Os prazos variam: 4 a 6 semanas no Rockwood (cap. 30); 4 a 8 semanas no Campbell (cap. 2, p. 150.e1, citando TAYLOR); 6 semanas no capítulo de osteomielite do Campbell (cap. 23, p. 815), com fixador externo, haste ou placa. O Campbell (cap. 64, p. 2916) chama o resultado da reação ao PMMA de membrana bioativa, a membrana de MASQUELET.

O capítulo de osteomielite do Campbell (cap. 23, p. 814) põe o MASQUELET ao lado do enxerto aberto de PAPINEAU: tecido de granulação saudável num leito de enxerto, que se vasculariza rápido e resiste à infecção, feito em três tempos (desbridamento e estabilização, autoenxerto, enxerto de pele).

Técnicas com nome (Rockwood 10, cap. 30; Campbell 15, caps. 23 e 64)
NomeO que é
MASQUELETPMMA no defeito, membrana induzida, enxerto no segundo tempo
PAPINEAUenxerto aberto sobre tecido de granulação
JUDET e PATELdecorticação osteoperiosteal; método ativo da infectada
WEBER e CECHmétodo ativo da pseudartrose infectada
ILIZAROVfixador circular: compressão, distração, transporte
PALEYcorticotomia com osteótomo de 5 mm
PAUWELSosteotomia valgizante no colo femoral
RIAfresa-irrigador-aspirador para colher enxerto

Pseudartrose infectada

Cobrança confirmada · 1 questão

O padrão-ouro do diagnóstico é a cultura de tecido profundo ou osso (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 30, p. 914 aprox.). Fratura exposta prévia, infecção documentada, ferida que drenou e dor constante aumentam a suspeita. Com suspeita baixa, opera-se como asséptica; culturas surpresa aparecem (20% numa série) e, mesmo assim, 80% consolidaram com a fixação mantida e antibiótico. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2915), pede culturas em toda pseudartrose já operada: a infecção oculta está em 7% dos casos sem suspeita.

A estabilidade faz parte do tratamento

O Rockwood (p. 915 aprox.) põe como objetivos primários o desbridamento, o antibiótico específico e a estabilização óssea. Um implante que ainda estabiliza pode beneficiar o tratamento da infecção, além do conforto e da função; retê-lo funciona melhor quando a consolidação é esperada sem enxerto. Quando não estabiliza, sai, e o foco é fixado com fixador externo fora da zona infectada ou com haste de cimento com antibiótico, moldada num dreno de tórax. O metal favorece biofilme, e o enxerto recém-implantado é avascular.

O Campbell (p. 2916) descreve dois métodos clássicos. O convencional transforma a pseudartrose que drena numa que não drena há meses e só então enxerta, em geral 6 meses após sumirem os sinais de infecção. O método ativo, de JUDET e PATEL e de WEBER e CECH, quer consolidar cedo: restaurar a continuidade óssea tem prioridade absoluta sobre o tratamento da infecção; decortica-se, remove-se o tecido infectado, alinha-se e estabiliza-se (em geral com fixador externo), comprimindo e enxertando; placa só quando a drenagem cessou; se a fratura já está firmemente fixada com placa ou haste, a fixação não é mexida. O sucesso vai de 83% a 98%. Para ILIZAROV, eliminar a infecção depende de aumentar a vascularização (p. 2917).

Pseudartrose séptica em três fases (Rockwood 10, cap. 30, p. 919 a 920 aprox.)
FaseO que se faz
1. Controleamostra pré-operatória; retirada do material; desbridamento amplo e culturas; cobertura; estabilização (fixador ponteando a zona ou haste com antibiótico na tíbia); antibiótico local e sistêmico; espaçador de PMMA
2. Antibióticoantibiótico específico, em geral por 6 semanas, até sumirem os sinais
3. Reconstruçãocomo atrófica asséptica; bactéria resistente ou hospedeiro ruim: transporte; bom hospedeiro: enxerto

Deformidade associada e consolidação viciosa

Cobrança confirmada · 1 questão

Na pseudartrose desalinhada, corrigir a deformidade é essencial: restaura a anatomia e a mecânica do foco (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 30, p. 888 aprox.). Estímulo externo e dinamização não corrigem; a troca de haste só corrige se o eixo for acertado antes de fresar; na pseudartrose desalinhada, a placa é preferida qualquer que seja o local (p. 920 aprox.).

O capítulo 31 do Rockwood (Principles of Malunion Treatment) caracteriza a deformidade por comprimento, angulação, rotação e translação, com radiografias AP e de perfil e o CORA (centro de rotação da angulação). Angulação só no AP é frontal; só no perfil, sagital. Se o AP e o perfil mostram angulação com o CORA no mesmo nível nas duas incidências, a deformidade está num plano oblíquo (p. 939 aprox.). O mesmo capítulo lembra que dor ao estressar uma consolidação viciosa deve levantar a suspeita de que a fratura não consolidou.

Outras saídas: articular, artroplastia e amputação

Possível cobrança

A pseudartrose articular costuma ser oligotrófica, por compressão insuficiente do traço banhado em líquido sinovial, e responde à compressão (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 30, p. 910 aprox.). A artroplastia vai bem no idoso com artrose, no fêmur distal e no úmero distal, e mal na tíbia proximal (tendão patelar; infecção em 50% numa série); infecção ativa contraindica (p. 899 a 901 aprox.). A artrodese é última opção nas periarticulares. Para o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 64, p. 2914), a amputação não é fracasso: é reconstrutiva e, em geral, a cirurgia de pseudartrose mais confiável, indicada após falhas repetidas, quando a reconstrução daria função pior que uma prótese ou quando é impossível.

Fechamento

Fundamento

A pseudartrose é a fratura que perdeu estabilidade ou biologia, e a classificação existe para descobrir qual. A hipertrófica tem calo e vasos e pede estabilidade, sem ressecção e sem enxerto obrigatório. A oligotrófica está viva, capta na cintilografia e pede compressão ou enxerto. A atrófica é avital e fria, e pede desbridamento e enxerto osteoindutor ou osteogênico. A sinovial tem pseudocápsula, canais selados e fenda fria entre duas áreas quentes. A TC é o exame mais sensível, pouco específico. A nicotina inibe a diferenciação e o osteoblasto, os AINE seletivos e não seletivos bloqueiam a COX-2, e no NURD o retalho vale 5.

No tratamento, a tíbia vai para a haste fresada fechada e o úmero para a placa de compressão. Só o autólogo é osteogênico; esponjoso autólogo e homólogo compartilham condução e indução; cerâmicas e vidro bioativo só conduzem; homoenxerto vem de outro indivíduo; o PRP age com 2 a 6 vezes a concentração. Nos defeitos, MASQUELET usa PMMA e membrana antes do enxerto, e o ILIZAROV comprime o foco atrófico e alonga por uma corticotomia metafisária. Na infectada, a estabilidade faz parte do tratamento da infecção.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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