Como ler este capítulo
Fundamento
Este resumo é inspirado no capítulo 9 (Osteoid Osteoma) do Dahlin's Bone Tumors, 6ª edição (2010), de UNNI e INWARDS, o livro da Mayo Clinic, com o capítulo 10 do mesmo livro (Osteoblastoma) como diferencial obrigatório. Ao lado dele estão o capítulo 27 (Benign Bone Tumors and Nonneoplastic Conditions Simulating Bone Tumors, de HECK e TOY) e o capítulo 28 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., o capítulo 25 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., o capítulo 13 do Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed., e o capítulo 29 do HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. As páginas citadas são as impressas.
O osteoma osteoide é o tumor ósseo que se diagnostica pela história. Um adolescente do sexo masculino acorda à noite com dor na coxa, toma uma aspirina e a dor some; a radiografia mostra uma cortical espessa com um pontinho escuro no meio. Quem guarda essa cena resolve a maior parte das questões. O que a banca cobra além dela são os detalhes que separam o aluno atento do apressado: o tamanho máximo do nicho e a fronteira com o osteoblastoma, o local mais comum (fêmur proximal, e não a coluna ou a pelve), a escoliose dolorosa do adolescente, o exame de escolha (TC, e não RM nem ultrassom), a história natural que termina sozinha em alguns anos e o tratamento que hoje é percutâneo, guiado por TC, sem necessidade de retirar toda a esclerose.
Os cinco livros concordam no essencial e divergem em números (sexo, limite do nicho, tempo de cura, recidiva) e na filosofia cirúrgica; as divergências estão em cada seção e reunidas no fim.
O que é: o nicho, a esclerose e um tumor que não cresce
Fundamento
O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 102), abre o capítulo com uma tomada de posição: o osteoma osteoide é aceito como neoplasia, e não como resultado de infecção obscura ou de outro agente conhecido. É uma lesão osteoblástica benigna formada por uma massa pequena, redonda ou oval, que se chama nicho. Em volta dela costuma existir uma zona de osso esclerótico, sobretudo quando a lesão nasce na cortical.
A frase mais importante do capítulo vem logo em seguida: o nicho é a parte essencial do tumor; a esclerose ao redor é uma alteração reversível, que desaparece depois que o nicho é removido. Tudo o que se discute sobre tratamento sai daqui. Se a esclerose é reação e não tumor, não há motivo para ressecá-la; basta destruir ou retirar o nicho. O componente principal do nicho é uma rede de trabéculas de osteoide com graus variados de mineralização, em fundo de tecido conjuntivo fibroso geralmente vascular.
O segundo traço que define a lesão é o crescimento estranhamente limitado. O Dahlin chama isso de característica incomum para uma neoplasia verdadeira: tumores com mais de 1,5 cm na maior dimensão são incomuns, e mesmo com sintomas há vários anos o nicho raramente passa de 1 cm (p. 102 e 105). É esse limite de tamanho que separa, na prática, o osteoma osteoide do osteoblastoma, uma lesão de histologia quase igual mas sem freio de crescimento.
A fronteira de tamanho com o osteoblastoma
Como a histologia dos dois é parecida, a distinção é pelo tamanho, e cada livro traça a linha num lugar um pouco diferente. O Dahlin (p. 102 e 112) relata a regra de MCLEOD: menor que 1 cm, osteoma osteoide; maior que 2 cm, osteoblastoma; nas lesões intermediárias indistinguíveis por outros critérios, linha arbitrária de 1,5 cm. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 926, e cap. 28, p. 963), usa menor que 1,5 cm; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 25, p. 1033 e 1034), descreve nicho de 1,5 a 2 cm, chama de osteoma osteoide a lesão com menos de 2 cm e diz que o nicho raramente passa de 1 cm; o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 13, p. 437), dá menor que 15 mm e osteoblastoma acima de 2 cm; o HEBERT (cap. 29) põe a fronteira em 1,5 cm.
| Livro | Osteoma osteoide | Osteoblastoma |
|---|---|---|
| Dahlin | mais de 1,5 cm é incomum; raramente passa de 1 cm | MCLEOD: menor que 1 cm OO, maior que 2 cm OB, linha de 1,5 cm nos duvidosos |
| Campbell | menor que 1,5 cm | maior; distinção pelo tamanho |
| Tachdjian | nicho de 1,5 a 2 cm; menos de 2 cm é OO; costuma ter até 1 cm | geralmente acima de 2 cm (2 a 10 cm) |
| Lovell and Winter | menor que 15 mm; nicho de 5 a 10 mm | idêntico, maior que 2 cm |
| HEBERT | em geral menor que 1,5 cm | em geral maior que 1,5 cm |
Para a prova, a leitura segura é: o nicho do osteoma osteoide tem até 1,5 cm, quase sempre 1 cm ou menos; acima de 2 cm é osteoblastoma; entre 1,5 e 2 cm fica a zona cinzenta, resolvida por convenção. Quando uma alternativa disser que o osteoma osteoide "cresce progressivamente" ou "costuma atingir vários centímetros", ela descreve o osteoblastoma.
Neoplasia ou reação?
A discussão sobre a natureza da lesão é antiga. O Tachdjian (p. 1033) lembra que, antes de JAFFE descrever a entidade em 1935, os casos eram chamados de osteomielite esclerosante não supurativa, osteomielite de GARRÉ ou abscesso cortical localizado. O Lovell and Winter (p. 437) credita a descrição inicial a MCLEOD, que a distinguiu do abscesso de BRODIE e da osteomielite de GARRÉ; o Tachdjian e a bibliografia do próprio Dahlin apontam JAFFE, 1935, como o autor da descrição. O Dahlin, na introdução do livro, conta que os 396 casos da Mayo foram arbitrariamente classificados como tumores, apesar da controvérsia sobre se a lesão é neoplasia verdadeira ou reação peculiar do osso; no capítulo 9, assume que é neoplasia. O Tachdjian registra que a etiologia é desconhecida e que a lesão já foi descrita em irmãos.
Quem tem: idade, sexo e frequência
Fundamento
O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 102) reúne 396 casos, 12,9% dos tumores benignos da Mayo, número que o livro acha subestimado. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1033) dá 10% a 11% dos benignos e 2% a 3% das neoplasias primárias biopsiadas, e lembra que, entre as lesões benignas, o osteoma osteoide só perde para o osteocondroma e o fibroma não ossificante.
Sexo. Predomínio masculino de quase 3:1 no Dahlin, 3:1 no Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Tabela 27.1, p. 929) e no Lovell and Winter; o Tachdjian é o único com 2:1.
Idade. No Dahlin, cerca de 76% tinham entre 5 e 24 anos (de 21 meses a 72 anos); o Lovell and Winter dá 80% na mesma faixa. O Campbell (p. 926) fala em segunda ou terceira década, "mais visto em homens jovens"; o Tachdjian, em crianças e adolescentes; o HEBERT, em adolescentes e adultos jovens.
| Dado | Dahlin | Campbell | Tachdjian | Lovell and Winter | HEBERT |
|---|---|---|---|---|---|
| frequência | 12,9% dos benignos (396 casos) | não dá número | 10% a 11% dos benignos; 2% a 3% das primárias | 11% dos benignos | não dá número |
| sexo M:F | quase 3:1 | 3:1 | cerca de 2:1 | 3:1 | não dá número |
| idade | 76% entre 5 e 24 anos; 21 meses a 72 anos | 2ª e 3ª décadas | crianças e adolescentes | 80% entre 5 e 24 anos | adolescentes e adultos jovens |
| malignização | nenhuma na série | nunca documentada | não cita | não cita | não descrita para o osteoma |
A "primeira década" é a armadilha clássica. A faixa de 5 a 24 anos e a expressão "segunda ou terceira década" põem o pico na adolescência e no adulto jovem; uma lesão "mais frequente na primeira década" não corresponde a nenhum dos livros.
Onde aparece: fêmur proximal, tíbia e as localizações que enganam
Fundamento
O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 102) é preciso: mais da metade dos osteomas osteoides está no fêmur e na tíbia, e o fêmur proximal, incluindo o colo femoral, é de longe o local isolado mais comum. Nos ossos longos, a lesão fica perto do fim da diáfise ou no meio dela; nas vértebras, no arco. Na série da Mayo houve só dois casos no crânio, nenhum na clavícula ou no esterno; as falanges da mão foram o quinto local mais comum, sem nenhum caso nas falanges do pé, embora o tarso fosse relativamente comum. Lesões em mais de um osso são raríssimas (um único paciente). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926 e Tabela 27.1) fala em predileção pelo membro inferior, metade no fêmur ou na tíbia, e lista também os elementos posteriores da coluna; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) lembra a posição periarticular ou intra-articular; o HEBERT dá 65% nos ossos longos e destaca acetábulo, cabeça e colo do fêmur.
| Local | O que os livros dizem |
|---|---|
| fêmur e tíbia | mais da metade (Dahlin); metade (Campbell); cerca de 50% (Lovell and Winter); ossos longos 65% (HEBERT) |
| fêmur proximal com o colo | local isolado mais comum, de longe (Dahlin) |
| posição no osso longo | perto do fim da diáfise ou no meio (Dahlin); diáfise ou metáfise (Campbell, Tachdjian) |
| coluna | arco ou elementos posteriores (Dahlin, Campbell, Tachdjian, Lovell and Winter, HEBERT) |
| mão | falanges: quinto local mais comum (Dahlin) |
| pé | tarso relativamente comum; nenhum caso nas falanges (Dahlin); tálus, calcâneo, metatarsos (Tachdjian) |
| crânio, clavícula, esterno | 2 no crânio, nenhum na clavícula ou no esterno (Dahlin) |
| intra-articular | colo femoral, acetábulo, cabeça (HEBERT); periarticular ou intra-articular ocasional (Tachdjian) |
"Pelve e coluna lombar" como locais mais frequentes descreve o osteoblastoma, não o osteoma osteoide; a pelve está entre os locais menos frequentes do Tachdjian.
A dor: noturna, aliviada pelo AINE, e por que as prostaglandinas explicam tudo
Fundamento
No Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 103), a queixa principal é a dor progressiva, de semanas a anos, pior à noite, atrapalhando o sono, e aliviada dramaticamente pelos salicilatos. Muitas vezes é referida à articulação vizinha ou a um local tão distante que a imagem é feita no lugar errado. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 926) resume: dor pior à noite e aliviada por aspirina ou AINE; no capítulo 26 (p. 867), diz que o osteoma osteoide dá dor noturna desde o início, ao contrário dos benignos em geral. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 430 e 437) chama essa dor de padrão diagnóstico: constante, intensa, noturna, sem relação com a atividade e quase sempre aliviada por aspirina; se a aspirina não alivia, duvide do diagnóstico; a dor do abscesso de BRODIE é parecida, mas raramente cede à aspirina. O HEBERT fala em melhora em cerca de 30 minutos e lembra que outros processos também melhoram com salicilatos.
O mecanismo: nervos no nicho e prostaglandinas
Por que um nicho de menos de 1 cm dói tanto, e por que a aspirina resolve? O Dahlin (p. 103) diz que a causa ainda não está clara e apresenta duas hipóteses: nervos dentro do nicho, vistos com colorações de axônio, e níveis altos de prostaglandinas, que podem explicar por que a aspirina alivia. O Campbell (p. 926) é assertivo: ciclo-oxigenases e prostaglandinas aumentadas foram demonstradas nas lesões, o que explica a dor intensa e o alívio dramático com AINE. O raciocínio é direto: o AINE inibe a ciclo-oxigenase, que produz a prostaglandina; bloqueada a enzima, a dor cai na fonte. O Lovell and Winter (p. 437) também culpa as prostaglandinas; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) prefere os axônios não mielinizados; o HEBERT, as fibras nervosas, com um "talvez".
| Livro | Explicação da dor | Resposta ao AINE |
|---|---|---|
| Dahlin | causa não clara; nervos no nicho e prostaglandinas altas | salicilatos aliviam dramaticamente; prostaglandina explicaria |
| Campbell | ciclo-oxigenases e prostaglandinas aumentadas demonstradas | alívio dramático; AINE pode ser tratamento definitivo |
| Tachdjian | numerosos axônios não mielinizados no nicho | alívio significativo com salicilatos ou AINE |
| Lovell and Winter | prostaglandinas produzidas pelo tumor | sem alívio com aspirina, duvidar do diagnóstico |
| HEBERT | talvez fibras nervosas | melhora em cerca de 30 minutos; não é exclusivo |
Para a prova, as duas explicações não se excluem: prostaglandinas e ciclo-oxigenases altas no nicho justificam a resposta ao AINE, e as fibras nervosas dentro dele justificam a intensidade. Se a questão perguntar o mecanismo do alívio pelo AINE, a resposta é a prostaglandina.
Os sinais que acompanham a dor
O Dahlin (p. 103) lista o que acompanha a dor: claudicação, atrofia muscular e reflexos diminuídos, que podem sugerir doença neurológica; sete pacientes da Mayo foram tratados como hérnia de disco lombar (três laminectomizados), e SIM viu que o osteoma osteoide foi o tumor ósseo que mais simulou hérnia de disco. Há ainda edema doloroso quando o osso é superficial, distúrbio de crescimento com aumento do comprimento ósseo, escoliose, contratura em flexão e quadro que simula artrite. O Tachdjian (p. 1034) acha incomuns a sensibilidade direta, o eritema e o edema. Só seis lesões da Mayo eram indolores, e o Dahlin pede ceticismo com esses relatos, porque a displasia fibrosa pode imitar o nicho.
Coluna e escoliose dolorosa
Cobrança confirmada · 2 questões
Na coluna, o osteoma osteoide mora no arco posterior. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 102) diz que o arco é a parte mais envolvida; a Fig. 9.5 (p. 107) mostra um nicho de menos de 1 cm no pedículo esquerdo de T10, com calcificação central e esclerose medular importante. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) põe a lesão vertebral mais comumente nos elementos posteriores e explica o que acontece: aparece uma escoliose dolorosa secundária, com a concavidade da curva geralmente do lado da lesão, atribuída ao espasmo da musculatura paravertebral. O ponto mais importante para o tratamento vem na mesma frase: a excisão do nicho na coluna muitas vezes resolve completamente a escoliose. A curva não é estrutural de saída; é uma postura antálgica mantida pelo espasmo.
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926) registra apenas que, na vértebra, pode ocorrer escoliose. O HEBERT diz que o osteoma osteoide vertebral pode causar escoliose dolorosa, com espasmo muscular importante acompanhando cervicobraquialgia ou ciática. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 437) dá o conselho clínico mais útil: diante de uma criança com escoliose dolorosa, com ou sem padrão atípico de curva, o osteoma osteoide deve ser considerado. E explica por que ele passa despercebido: na coluna, a lesão não provoca reação óssea importante, fica nos elementos posteriores e é muito difícil de ver na radiografia simples; o livro chama a coluna de local comum do osteoma osteoide "oculto". A Fig. 13-8 (p. 438) mostra um menino de 13 anos com dor cervical noturna e torcicolo, radiografia sem diagnóstico e o nicho no pedículo de C5 visto só na TC axial.
A escoliose dolorosa tem diferencial: o osteoblastoma também mora nos elementos posteriores e também causa escoliose, mais vezes com déficit neurológico (ver a seção do osteoblastoma). O Campbell (cap. 26, p. 869 e Box 26.1, p. 870) e a Tabela 13-2 do Lovell and Winter (p. 432) põem osteoma osteoide, osteoblastoma e cisto ósseo aneurismático como as três lesões dos elementos posteriores no paciente jovem, enquanto o corpo vertebral do jovem lembra histiocitose e hemangioma.
| Aspecto | O que os livros dizem |
|---|---|
| onde | arco e elementos posteriores; pedículo de T10 (Dahlin, Fig. 9.5) e de C5 (Lovell and Winter, Fig. 13-8) |
| deformidade | escoliose dolorosa; concavidade do lado da lesão (Tachdjian); torcicolo na cervical (Lovell and Winter) |
| mecanismo da curva | espasmo paravertebral (Tachdjian); espasmo com ciática ou cervicobraquialgia (HEBERT) |
| evolução após tratar | retirar o nicho muitas vezes resolve a escoliose (Tachdjian) |
| radiografia | pouca reação, nicho difícil de ver, osteoma "oculto" (Lovell and Winter) |
| melhor exame | cintilografia para localizar; TC para ver o nicho, sobretudo na coluna (Dahlin, Lovell and Winter) |
| diferencial no jovem | osteoblastoma e cisto ósseo aneurismático nos elementos posteriores |
| ablação | cuidado com medula e raízes; série de 24 com 79% de sucesso e deformidade persistente em 3 de 7 (Tachdjian) |
Intra-articular e justarticular: a lesão que se faz passar por artrite
Relevância clínica
O osteoma osteoide junto da cartilagem articular atrasa o diagnóstico: perde a esclerose e ganha uma sinovite. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 103) relata que tumores perto de uma articulação podem simular artrite e cita KATTAPURAM, que destacou o atraso diagnóstico de pacientes tratados como se tivessem artrite.
Por que a imagem engana? O Dahlin (p. 105) explica que a ausência de esclerose significativa é a regra no osteoma osteoide perto da extremidade do osso, sobretudo quando encosta na cartilagem articular, e nos tumores em posição subperiosteal superficial. Perto da articulação pode haver só osteoporose; os do cotovelo são especialmente difíceis de localizar, e a TC ajuda. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) confirma: nas posições atípicas (intramedular, subperiosteal, periarticular, intra-articular), a lesão geralmente não provoca osso reativo ao redor do nicho. O Dahlin (p. 102) acrescenta um diferencial próprio dessa posição: um osteoma osteoide logo abaixo da cartilagem articular pode ser confundido com osteocondrite dissecante na radiografia.
E a sinovite tem base histológica. No Dahlin (p. 110), o osso vizinho ao nicho pode conter linfócitos e plasmócitos, e a sinóvia próxima às vezes fica espessada, com infiltrado de elementos inflamatórios crônicos que pode lembrar a sinovite reumatoide. O HEBERT (cap. 29) descreve em destaque que o osteoma junto à articulação pode vir com reação articular e produção de líquido sinovial, simulando uma artrite, e lista o acetábulo, a cabeça e o colo do fêmur entre as localizações intra-articulares.
Na prática: adolescente com "artrite" do quadril, dor noturna que cede ao AINE e radiografia quase normal deve ter o osteoma osteoide intra-articular no diferencial.
A imagem: radiografia, TC, cintilografia e o engano da RM
Cobrança confirmada · 1 questão
Radiografia
No Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 103), o nicho típico é uma zona pequena e relativamente radiotransparente, que pode esclerosar e aparecer como área redonda de esclerose com halo lucente; a esclerose em volta, às vezes extensa, pode mascará-lo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926 e Tabela 27.1) descreve o nicho radiotransparente menor que 1,5 cm com espessamento cortical acentuado e diz que a radiografia muitas vezes basta. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) lembra que a maioria é intracortical, com esclerose que se estende vários centímetros e, às vezes, calcificação central; o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 437), que os nichos endosteais dão menos reação que os corticais. Na série de SWEE (Dahlin, p. 103), a radiografia foi diagnóstica em 75 de 100, duvidosa em 17 e normal em 8. Dois enganos: as lamelas periosteais podem imitar o tumor de EWING (um paciente foi irradiado por erro), e a reação espessa pode passar por osteoma; e os sintomas podem preceder a imagem (Dahlin, p. 105).
TC: o exame de escolha
Os livros concordam que a TC é o melhor exame para achar e confirmar o nicho. O Dahlin (p. 105) chama a TC de método preferido para localizar o nicho, especialmente na coluna. O Campbell (p. 926) diz que a TC é a melhor técnica para identificar o nicho e confirmar o diagnóstico. No capítulo 3, o mesmo Campbell abre uma exceção para a regra geral de que a RM substituiu a TC na avaliação dos tumores ósseos: a exceção são as lesões densamente escleróticas, como o osteoma osteoide (p. 176 e 177); e na página 182 diz que o nicho é muitas vezes mais bem visto na TC que na RM, com a Fig. 3.59 mostrando a RM com espessamento cortical e edema sem lesão discreta e a TC revelando o nicho radiotransparente na cortical espessada.
O Tachdjian (p. 1034) descreve a sequência: depois que a cintilografia localiza a região, a TC mostra melhor a área bem circunscrita do nicho; podem ser necessários cortes finos de 1 a 2 mm. Faz uma ressalva: a confiabilidade da TC cai quando o nicho está em osso esponjoso, porque falta a alteração de densidade ao redor. O Lovell and Winter (p. 437) também chama a TC de melhor modalidade para ver o nicho, pede cortes de 1 a 2 mm para não pular a lesão e lembra de ajustar a janela para que a esclerose densa não esconda o nicho pequeno e pouco denso.
Cintilografia: o foco intenso dentro da área quente
Na cintilografia com tecnécio, o osteoma osteoide sempre tende a ser positivo. O Dahlin (p. 105) descreve o padrão que ajuda a localizar: toda a área de esclerose capta, mas o nicho mostra um foco de atividade ainda maior. A legenda da Fig. 9.2 (p. 104) descreve a aparência típica: um foco pequeno de hiperatividade cercado por uma região maior de atividade menos intensa, que corresponde à reação em torno do tumor. É a imagem que as provas costumam chamar de duplo halo ou dupla densidade; os livros lidos descrevem o achado sem dar esse nome.
O Campbell (p. 926) registra captação marcadamente aumentada no tecnécio. O Tachdjian (p. 1034) diz que a cintilografia quase sempre mostra aumento focal intenso no nicho, que é útil quando a lesão não aparece na radiografia e que tem grande valor na coluna, pelve e ossos longos. O Lovell and Winter (p. 437) a chama de particularmente útil para localizar a lesão que a radiografia não mostrou. O HEBERT faz o contraponto: o aumento localizado de concentração não é patognomônico do osteoma osteoide e pode não ajudar no diferencial; e lembra que a cintilografia continua positiva mesmo depois da maturação e calcificação do nicho.
RM: o edema que assusta
A RM vê a reação em volta do nicho, e é isso que engana. A Fig. 9.4 do Dahlin (p. 106) mostra o edema extenso de medula e partes moles que tipicamente acompanha o osteoma osteoide, e o Campbell (p. 926) também o descreve. O Lovell and Winter (p. 437) avisa que a RM pode enganar, sugerindo infecção ou lesão agressiva. O Tachdjian (p. 1034) vê utilidade em lesões de osso esponjoso, peri ou intra-articulares, com gadolínio, mas diz que o diagnóstico pode ser perdido se ela for o único exame; o HEBERT diz que a RM não se mostrou válida.
| Exame | O que mostra | Divergências |
|---|---|---|
| radiografia | nicho lucente, às vezes com calcificação central; esclerose cortical e reação periosteal espessa | diagnóstica em 75 de 100 (SWEE); falha na coluna e no esponjoso |
| TC | melhor exame para ver e confirmar o nicho; cortes de 1 a 2 mm | menos confiável em osso esponjoso (Tachdjian) |
| cintilografia | sempre positiva; foco intenso no nicho dentro de área maior de captação | não patognomônica e positiva após a maturação (HEBERT) |
| RM | edema extenso de medula e partes moles | útil no esponjoso (Tachdjian); engana (Lovell and Winter); não válida (HEBERT) |
| laboratório | normal (Lovell and Winter) | separa do processo infeccioso (Tachdjian) |
Os diagnósticos que imitam o osteoma osteoide
Fundamento
O primeiro diferencial é infeccioso. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 102) explica que o abscesso de BRODIE pode imitar o osteoma osteoide quando tem um foco central rarefeito pequeno, e a histologia separa os dois; na série de SIM, dois operados sem nicho tinham BRODIE. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) põe a osteomielite subaguda e o osteoblastoma como diferenciais principais, com a aspiração confirmando a infecção; o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 430) separa pela resposta à aspirina. O HEBERT acrescenta fratura de estresse e ilhota óssea. A ilhota óssea (Campbell, cap. 27, p. 927 e Tabela 27.1) é o oposto do osteoma osteoide: assintomática, borda em escova, captação leve, escura em T1 e T2 sem edema, só observação. O Dahlin ainda lista o EWING, o osteoma, a osteocondrite dissecante e a displasia fibrosa; o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 26, p. 869) põe o osteoma osteoide entre os diferenciais das lesões diafisárias.
| Diferencial | O que confunde | O que separa |
|---|---|---|
| abscesso de BRODIE | foco rarefeito pequeno com esclerose | dor raramente cede à aspirina; laboratório; aspiração e histologia |
| osteoblastoma | histologia quase igual | maior que 2 cm, menos esclerose, medular, mais agressivo, menos resposta ao AINE |
| ilhota óssea | densidade pequena no osso | assintomática, borda em escova, sem edema, captação leve |
| fratura de estresse | dor e reação cortical | citada pelo HEBERT entre os diferenciais |
| tumor de EWING | lamelas periosteais | reação espessa e benigna; nicho na TC |
| osteoma | reação cortical espessa | nicho escondido sob o osso reativo |
| osteocondrite dissecante | lesão subcondral | nicho abaixo da cartilagem articular |
| hérnia de disco | dor irradiada, atrofia, reflexos diminuídos | osteoma osteoide foi o tumor que mais simulou hérnia (SIM) |
Macroscopia e histologia
Fundamento
O que o cirurgião vê
No Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 105), quer o nicho esteja em osso esponjoso pouco esclerótico ou enterrado numa grande região de esclerose cortical, ele aparece, quando exposto, como uma massa discreta, redonda ou oval. O nicho é vermelho, e o osso em volta é branco; ele pode ser levantado do seu leito, e a Fig. 9.6 (p. 107) mostra um nicho do calcâneo que, como uma bolinha de gude, caiu do osso ao redor. A consistência vai de granular e mole a densamente esclerótica, mas o grau de esclerose não tem relação com a duração dos sintomas; quando há esclerose, ela é mais marcada no centro do nicho. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1033) descreve a cortical sobre a lesão levemente rosada pela vascularização aumentada e o nicho como tumor pequeno vermelho-cereja ou marrom-avermelhado, de 1 cm ou menos, denso e arenoso se muito calcificado ou mole e granular se predominantemente vascular. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 437) fala em nicho vermelho-cereja cercado de osso branco denso, de 5 a 10 mm.
O Dahlin (p. 105) dá um recado prático ao cirurgião: se o bloco esclerótico for retirado com o formão de modo indiscriminado, o patologista pode não achar o nicho, e sem nicho não há diagnóstico. Por isso o cirurgião deve remover o nicho intacto. Se chegarem grandes fragmentos de cortical, eles devem ser examinados à procura do nicho vermelho e granular, e uma radiografia da peça ajuda; se ainda assim o nicho não aparecer, fazem-se cortes finos do osso esclerótico, e o cirurgião deve ser avisado para radiografar de novo o osso e confirmar que a área foi retirada.
O que o patologista vê
Ao microscópio, o Dahlin (p. 108 e 109) mostra demarcação nítida entre nicho e osso vizinho. O nicho é uma rede entrelaçada de osteoide e trabéculas de mineralização variável, em geral finas, num emaranhado de anastomoses, com o centro mais mineralizado. Entre elas há tecido conjuntivo fibroso vascular com células gigantes benignas. Os osteoblastos são bem diferenciados demais para sugerir osteossarcoma, e o tamanho pequeno do nicho confirma a benignidade nos casos raros de dúvida. Pode haver linhas cimentantes com aspecto pagetoide e, às vezes, osteoide rendilhado; cartilagem é incomum. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926) descreve trabéculas imaturas orladas por osteoblastos proeminentes, sem atipia e sem traços agressivos; o Tachdjian (p. 1034), osteoblastos e osteoclastos proeminentes e ausência de cartilagem; o Lovell and Winter (p. 437 e 438), estroma rico em vasos, osteoide rendilhado fino e poucas mitoses normais.
O que muda no osteoblastoma
Para o Dahlin (p. 109 e 110), a diferença é de grau: trabéculas mais largas e longas, lesão mais vascular e tecido menos compacto. Como não há distinção nítida, o tamanho decide.
| Aspecto | Osteoma osteoide | Osteoblastoma |
|---|---|---|
| trabéculas | finas, emaranhado de anastomoses, centro mais mineralizado | mais largas e longas; na periferia se fundem ao osso hospedeiro |
| estroma | fibrovascular, com células gigantes benignas | fibrovascular frouxo, capilares, células fusiformes sem atipia; mais vascular |
| osteoblastos | bem diferenciados; sem atipia | camada única ao redor das trabéculas; mitoses sem formas atípicas |
| limite | demarcação nítida com o osso reativo | muito bem circunscrito, sem permeação |
| cartilagem | incomum (Dahlin); ausente (Tachdjian) | cerca de 6% (Dahlin); ausente (Tachdjian) |
| achados extras | osteoide rendilhado ocasional; aspecto pagetoide | cisto aneurismático secundário em até 10%; osteoide rendilhado focal em 20% (LUCAS); núcleos bizarros degenerativos |
História natural: o tumor que se cura sozinho
Cobrança confirmada · 1 questão
O osteoma osteoide é autolimitado. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034 e 1035) descreve a sequência: em vários anos, o nicho calcifica, ossifica e se funde ao osso esclerótico, e a dor diminui. O HEBERT dá o prazo de dois a cinco anos, com a lesão passando de B-2 (ativa) a B-1 (latente) e a cintilografia ainda positiva depois da maturação. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926 e 927) fala em cura espontânea em 3 a 4 anos com AINE, e o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 438), em média de 33 meses na série de KNEISL e SIMON.
O que não faz parte dessa história também cai: não há malignização (nenhuma em 396 casos no Dahlin; nunca documentada no Campbell), não há crescimento progressivo, a matriz não fica sem calcificar (o nicho calcifica ao amadurecer) e a fratura patológica só aparece nos livros como risco do tratamento, quando a ressecção em bloco tira osso demais (Campbell, p. 927; Tachdjian, p. 1036).
| Livro | Prazo de remissão | O que acontece com o nicho | Malignização |
|---|---|---|---|
| Campbell | cura espontânea em 3 a 4 anos com AINE | não detalha | nunca documentada |
| Tachdjian | vários anos | calcifica, ossifica e se funde à esclerose | não cita |
| Lovell and Winter | vários anos; média de 33 meses com AINE (KNEISL e SIMON) | cura espontânea possível | não cita |
| HEBERT | dois a cinco anos | calcificação e ossificação; B-2 vira B-1 | não descrita para o osteoma |
| Dahlin | não dá prazo | crescimento limitado; raramente passa de 1 cm | nenhuma em 396 casos |
Tratamento: do anti-inflamatório à ablação guiada por TC
Cobrança confirmada · 1 questão
O tratamento do osteoma osteoide mudou de lugar em poucas décadas: saiu do centro cirúrgico e foi para a sala de tomografia. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 110) é explícito: a conduta mudou dramaticamente na última década; a excisão do nicho, antes padrão, hoje raramente é feita. A legenda da Fig. 9.2 (p. 104) diz que a ablação por radiofrequência guiada por TC tornou-se o tratamento de escolha da maioria dos osteomas osteoides do esqueleto apendicular. A lógica é a mesma em todas as opções: destruir ou retirar o nicho inteiro; a esclerose cuida de si mesma.
Tratamento clínico
Para o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 926 e 927), com sintomas controlados e paciente disposto ao uso prolongado, o AINE pode ser o tratamento definitivo, com cura espontânea em 3 a 4 anos; as outras opções são radiofrequência, micro-ondas, crioablação e cirurgia aberta. O Dahlin (p. 110) cita KNEISL e SIMON como alternativa quando a cirurgia é difícil pela localização. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1035) aceita observação com salicilato ou AINE, viu resolução em 8 de 12 com AINE regular e alívio com bisfosfonato venoso em 19 de 23, mas evita os inibidores da COX-2 pelos riscos cardíacos. Os dois livros pediátricos são realistas: poucos toleram a dor e o tempo até a cura, e na série de KNEISL e SIMON (Lovell and Winter, p. 438), dos 9 tratados com AINE, 3 acabaram operados e 6 ficaram sem dor em média em 33 meses.
Ablação por radiofrequência guiada por TC
No Dahlin (p. 110), a maioria dos pacientes faz termoablação guiada por TC: a agulha entra no nicho, a lesão é aspirada e esfregaços e cortes histológicos são feitos antes da ablação; nos últimos 30 casos da Mayo, o nicho apareceu na histologia em cerca de 50%, e quase todos melhoraram.
O Campbell (p. 926 e 927) trata assim a maioria das lesões da pelve e dos ossos longos: biópsia com agulha guiada por TC, eletrodo pela cânula, 90 °C por 6 minutos, regime ambulatorial, retorno imediato à atividade e recidiva menor que 10%. Os limites são a vértebra (medula e raízes) e os ossos pequenos da mão e do pé (queimadura da pele). O Tachdjian (p. 1035) usa broca de 2 mm ou agulha de JAMSHIDI 11 G com sonda de 1 mm, 90 °C por 4 a 5 minutos, atingindo uma área de 1 cm; chama os resultados de equivalentes aos da excisão, com menos fratura e convalescença rápida, e diz que a técnica está se tornando o tratamento inicial preferido. A recidiva variou de 5% a 40%; as falhas vêm de agulha mal posicionada ou de nicho maior que 10 mm. Na coluna, o calor ameaça os nervos, e GREENBERG mostrou que o aquecimento é maior no osso esponjoso e não passa de 12 mm da borda de um tumor cortical. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 438 e 439) chama as técnicas guiadas por TC de preferidas, feitas sob anestesia geral, com sucesso de até 90%.
| Parâmetro | Dahlin | Campbell | Tachdjian | Lovell and Winter |
|---|---|---|---|---|
| guia | TC | TC | TC | TC |
| posição | tratamento de escolha da maioria no esqueleto apendicular | maioria das lesões da pelve e ossos longos | tornando-se o tratamento inicial preferido | técnicas guiadas por TC são as preferidas |
| técnica | agulha no nicho, aspiração, histologia antes | biópsia com agulha e eletrodo pela cânula | broca de 2 mm ou agulha 11 G e sonda de 1 mm | biópsia e eletrodo com termistor, anestesia geral |
| temperatura e tempo | não cita | 90 °C por 6 minutos | 90 °C por 4 a 5 minutos; área de 1 cm | não cita |
| resultado | alívio na maioria; nicho na histologia em cerca de 50% | recidiva menor que 10% | recidiva 5% a 40%; falha com nicho maior que 10 mm | sucesso de até 90% |
| limites | nervo próximo leva à cirurgia | coluna; mão e pé (pele) | coluna (calor); nervo a menos de 1,5 cm | recidiva e coluna vão para a cirurgia |
Para a prova: a radiofrequência é guiada por TC, não por ultrassom, não por radioscopia simples e não por RM. O Campbell (p. 927) menciona, como método ainda em investigação, a ablação por ultrassom focado guiado por RM (MRgFUS), sem radiação; mas isso é outra tecnologia, e não o tratamento de escolha.
Cirurgia: retirar o nicho, não a esclerose
A cirurgia fica para quando a ablação não é viável, como na proximidade de um nervo (Dahlin, p. 110), para a histologia duvidosa, estruturas neurovasculares a menos de 1,5 cm e falhas repetidas (Tachdjian, p. 1035), e para recidivas e lesões da coluna, com instrumentação quando necessário (Lovell and Winter, p. 439).
Em qualquer técnica, o alvo é o nicho. O Dahlin (p. 110) diz que, removido o nicho, a dor some quase imediatamente e que não é necessário remover todo o osso espessado: ele regride sozinho quando todo o nicho sai. O Lovell and Winter (p. 438 e 439) repete que só o nicho precisa ser excisado e que a remoção parcial dá alívio temporário. O Tachdjian (p. 1035 e 1036) diz que a esclerose remodela e que o alívio é imediato, dramático e permanente, salvo remoção incompleta.
O Campbell (p. 927) compara as técnicas abertas. A ressecção em bloco tem recidiva baixa, mas raramente é indicada nos ossos longos, porque aumenta o risco de fratura patológica pós-operatória. Mais vezes se usa o burr-down: nicho localizado por fluoroscopia, broca sobre ele, curetagem, nova passagem de broca na cavidade; sai o mínimo de osso reativo e a recidiva fica abaixo de 10%. O Tachdjian (p. 1036) concorda: a em bloco pode exigir enxerto ou fixação, e o burr-down, já feito até por artroscopia no tálus, reduz enxerto e fratura.
O HEBERT (cap. 29) é mais oncológico: ressecção completa do nicho com uma pequena área de esclerose, sem ressecar toda a esclerose; curetagem e outras abordagens intracapsulares podem recidivar; os métodos percutâneos são intracompartimentais e pedem cautela, e a eletrocoagulação não permite anatomopatológico. Os autores preferem a trefina com pequena margem. Para o HEBERT e o Campbell, a biópsia prévia raramente é necessária.
Como achar o nicho na sala de cirurgia
No Dahlin (p. 110), o nicho é especialmente difícil de achar no colo femoral e na coluna. Os truques descritos são o tecnécio 99m MDP com sonda intraoperatória (VIGORITA e GHELMAN), a tetraciclina pré-operatória com a peça examinada sob luz ultravioleta (AYALA) e a agulha guiada por TC colocada antes da cirurgia (MARCOVE). O Tachdjian (p. 1036) detalha a tetraciclina: oral 1 a 2 dias antes, fluorescência sob a lâmpada de WOOD, só acima de 8 anos pelo risco de manchar a dentina. O HEBERT descreve o tecnécio com sonda: retirado o nicho, a contagem no campo deve cair pelo menos 90%. O Tachdjian cita ainda a ressecção percutânea guiada por TC com cura de 92,6% na primeira tentativa.
Quando o nicho não aparece, a série de SIM (Dahlin, p. 110) ensina humildade: de 54 pacientes operados sem nicho encontrado, 36 acabaram sem dor; dois tinham abscesso de BRODIE, um tinha osteossarcoma parosteal, e alguns provavelmente não tinham doença nenhuma.
| Opção | Indicação | Vantagem | Limite |
|---|---|---|---|
| AINE ou salicilato | dor controlada, paciente que aceita uso prolongado; local difícil | cura em 3 a 4 anos sem procedimento | poucos toleram; COX-2 evitado (coração) |
| radiofrequência guiada por TC | maioria das lesões apendiculares e da pelve | ambulatorial, volta rápida, menos fratura | coluna, nervo próximo, mão e pé, nicho maior que 10 mm |
| burr-down | quando a ablação não é viável | retira o mínimo de osso; recidiva menor que 10% | exige localizar o nicho no intraoperatório |
| ressecção em bloco | rara; recidiva baixa | margem segura | fratura pós-operatória em osso longo; pode exigir enxerto ou fixação |
| trefina com pequena margem (HEBERT) | preferência dos autores | anatomopatológico garantido | curetagem intracapsular pode recidivar |
| cirurgia aberta (Tachdjian) | histologia duvidosa, nervo a menos de 1,5 cm, falhas repetidas | diagnóstico e remoção | localizar o nicho (tetraciclina, isótopo, TC) |
Recidiva e prognóstico
Relevância clínica
O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 110) resume: a remoção completa cura, e a incompleta pode trazer a dor de volta e exigir reoperação. Na Mayo houve 10 recidivas em 396 (cerca de 2,5%), resolvidas em geral com nova excisão, e nenhuma transformação maligna. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 927) dá recidiva menor que 10% na radiofrequência e no burr-down; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1035), 5% a 40% na radiofrequência, com um caso que voltou cinco vezes em 11 anos; o HEBERT atribui as recorrências às cirurgias intracapsulares ou marginais. Dor que volta é, até prova em contrário, nicho residual.
Osteoblastoma: o irmão maior e mais agressivo
Fundamento
O que é e quanto aparece
O Dahlin's Bone Tumors (cap. 10, p. 112) chama o osteoblastoma de osteoma osteoide gigante: histologia parecida, mas sem o crescimento limitado, muitas vezes sem a dor típica e sem o halo esclerótico, e já confundido com tumor de células gigantes e osteossarcoma. É cerca de 3,5% dos benignos e 1% das neoplasias ósseas da Mayo, com 72% de homens e mais de 80% nas três primeiras décadas. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 28, p. 963) dá menos de 1%, 3:1 e 10 a 30 anos; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1036), um quinto do osteoma osteoide, 2:1 e pico por volta de 20 anos; o HEBERT, cerca de 20% do osteoma osteoide.
Onde aparece: a coluna
Ao contrário do osteoma osteoide, o osteoblastoma prefere a coluna: mais de 40% com o sacro no Dahlin (p. 113), 40% a 50% no Campbell, 30% a 40% no Tachdjian, pelo menos um terço no Lovell and Winter e cerca de 50% no HEBERT. Fica nos elementos posteriores: na série de LUCAS, 55% só no arco, 42% arco mais corpo e raramente só no corpo. Nos ossos longos, o Tachdjian e o HEBERT o descrevem centrado na medular, enquanto o osteoma osteoide fica na cortical ou subperiosteal; mas o Dahlin cita LUCAS com 65% corticais em 116 apendiculares, uma divergência real.
Clínica
No Dahlin (p. 113), a dor, muitas vezes progressiva, aparece em 87%, com duração média de 2 anos, e dez pacientes tinham déficit neurológico, até paraplegia. O Campbell (p. 963) diz que a dor pode imitar a do osteoma osteoide, inclusive com alívio por AINE, mas o Tachdjian (p. 1037) e o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 439) dizem que ela é menos localizada, menos intensa e muito menos aliviada pelos salicilatos. Na coluna, o Campbell separa radiculopatia na lombar e compressão medular na torácica; há escoliose dolorosa (quase metade dos espinais no Lovell and Winter) e torcicolo na cervical (Tachdjian); o risco neurológico é maior que no osteoma osteoide.
Imagem
Para o Dahlin (p. 113 e 114), a radiografia às vezes é específica, mas em geral não, e pode sugerir malignidade. Na série de LUCAS, os apendiculares mediam 1 a 11 cm (média 3,18 cm), só 8 de 116 tinham o nicho calcificado com halo lucente, e 10% pareciam malignos; os vertebrais tinham média de 3,55 cm. O Campbell (p. 963) descreve o quadro mais comum como tumor formador de osso nos elementos posteriores de um jovem, com diferencial de cisto ósseo aneurismático e osteoma osteoide, e extensão a partes moles comum só na coluna. O Tachdjian (p. 1037) mostra expansão fusiforme com halo fino de esclerose, 3 a 6 cm, reação menos intensa que no osteoma osteoide, mais radiodenso que o cisto aneurismático, e chama a TC de exame de escolha para o osteoblastoma da coluna. O Lovell and Winter (p. 439) dá as pistas na coluna (cortical irregular, pedículo apagado, processo espinhoso aumentado) e diz que a cintilografia localiza e a TC define diagnóstico e extensão.
Histologia e a fronteira com o osteossarcoma
O Dahlin (p. 114 a 117) descreve trabéculas anastomosadas em estroma fibrovascular frouxo, lesão muito bem circunscrita, trabéculas que na periferia se fundem ao osso hospedeiro, camada única de osteoblastos e mitoses sem formas atípicas. Há cisto ósseo aneurismático secundário em até 10%, osteoide rendilhado focal em 20% (LUCAS) e cartilagem em cerca de 6%; para o Tachdjian (p. 1036), a cartilagem é ausente. A distinção com o osteossarcoma pode ser quase impossível com pouco material (Dahlin, p. 117 e 120): o critério mais importante a favor do sarcoma é a permeação com aprisionamento do osso hospedeiro. Daí os conceitos de osteoblastoma maligno (SCHAJOWICZ e LEMOS) e agressivo (DORFMAN e WEISS, osteoblastos epitelioides), sem correlação clínica comprovada para DELLA ROCCA e HUVOS. O Tachdjian diz que o osteoblastoma não metastatiza e que até 10% dos osteossarcomas de baixo grau parecem osteoblastoma na radiografia; o Lovell and Winter admite metástase rara (menos de 1%), provavelmente osteossarcoma de baixo grau.
| Favorece osteoblastoma | Favorece osteossarcoma |
|---|---|
| circunscrição nítida, sem permeação | permeação com aprisionamento do osso hospedeiro (o critério mais importante) |
| arranjo frouxo, trabéculas em tecido conjuntivo frouxo | lençóis de osteoblastos sem produção de osso |
| camada única de osteoblastos | células estromais grandes e atípicas, células gigantes sarcomatosas, cartilagem tumoral (Tachdjian) |
| mitoses sem formas atípicas | figuras atípicas |
Tratamento e prognóstico
O Dahlin (p. 120 e 121) defende cirurgia conservadora: curetagem de toda a lesão ou do máximo possível, com enxerto se indicado; a radioterapia tem utilidade duvidosa; alguns pacientes com remoção incompleta curaram, e houve 5 recidivas na Mayo. O maior problema é a coluna, onde se protegem medula e raízes. A transformação maligna é raríssima (um caso na Mayo, tíbia proximal, osteossarcoma 40 meses depois), e um fibrossarcoma fatal surgiu 10 anos após radioterapia de um osteoblastoma de C5. O Campbell (p. 963) faz curetagem estendida ou ressecção, com artrodese instrumentada se houver instabilidade, evita a radioterapia salvo em lesão inoperável, registra degeneração sarcomatosa (talvez mais comum após radiação) e mortes, e segue com radiografias do local e do tórax. O Tachdjian (p. 1038) faz curetagem ou excisão local, com recidiva de 10% a 20%, descomprime a medula quando preciso (a extensão epidural pode aderir à dura) e não usa radiofrequência pelo tamanho. O Lovell and Winter (p. 439) prefere, em teoria, a ressecção ampla e relata recidiva de cerca de 5% com quatro passos (curetagem estendida, broca, eletrocauterização e fenol a 5%), maior abaixo de 6 anos. O HEBERT pede margens amplas, porque a curetagem gera recidivas mais agressivas, e proíbe adjuvantes.
| Dado | Dahlin | Campbell | Tachdjian | Lovell and Winter | HEBERT |
|---|---|---|---|---|---|
| frequência | 3,5% dos benignos; 1% das neoplasias | menos de 1% | 1/5 do OO; 0,5% | menos de 1% | cerca de 20% do OO |
| sexo | 72% homens | 3:1 | 2:1 | meninos | não cita |
| coluna | mais de 40% (com sacro) | 40% a 50% | 30% a 40% | pelo menos 1/3 | cerca de 50% |
| tamanho | média 3,18 cm (apendicular) e 3,55 cm (coluna) | maior que o OO | 2 a 10 cm; geralmente 3 a 6 | maior que 2 cm | maior que 1,5 cm |
| dor e AINE | dor em 87%; muitas vezes sem a dor típica | pode ser como a do OO | muito menos aliviada | menos intensa; sem efeito dramático | menos intensa |
| tratamento | curetagem conservadora | curetagem estendida ou ressecção | curetagem ou excisão local | ressecção ampla ou quatro passos com fenol | ressecção com margens amplas |
| recidiva | 5 casos | não dá número | 10% a 20% | cerca de 5% (quatro passos) | curetagem recidiva mais agressiva |
| radioterapia | duvidosa; fibrossarcoma pós-radiação | maioria não usa | relatada em inacessíveis | não cita | nunca |
| Aspecto | Osteoma osteoide | Osteoblastoma |
|---|---|---|
| tamanho | até 1,5 cm, quase sempre 1 cm ou menos | acima de 2 cm (zona cinzenta de 1,5 a 2) |
| crescimento | limitado, autolimitado | progressivo, sem freio |
| local | fêmur e tíbia; fêmur proximal o mais comum | coluna (elementos posteriores) em 30% a 50% |
| posição no osso | cortical ou subperiosteal | medular (Tachdjian, HEBERT); cortical em 65% na série de LUCAS (Dahlin) |
| esclerose | densa e extensa | menos intensa ou ausente; halo fino |
| dor | noturna, aliviada dramaticamente por AINE | menos localizada, menos responsiva ao AINE |
| neurologia | rara | déficit, mielopatia ou radiculopatia mais frequentes |
| tratamento | AINE, radiofrequência por TC, burr-down | curetagem estendida ou ressecção; radiofrequência não se aplica |
| malignização | nenhuma | rara; risco após radioterapia |
Comparando os livros lado a lado
Fundamento
A banca às vezes tira o número de um livro e a alternativa de outro, por isso vale ler os tumores com os livros abertos lado a lado. A tabela reúne as divergências que importam; a regra de MCLEOD, contada pelo Dahlin, concilia os limites de tamanho (menor que 1 cm, osteoma osteoide; maior que 2 cm, osteoblastoma; entre os dois, convenção), e todos os livros concordam que não é preciso ressecar toda a esclerose. No osteoblastoma, as divergências de frequência, localização, resposta ao AINE e tratamento estão na tabela da seção anterior.
| Tema | Dahlin | Campbell | Tachdjian | Lovell and Winter | HEBERT |
|---|---|---|---|---|---|
| sexo M:F | quase 3:1 | 3:1 | 2:1 | 3:1 | não dá |
| limite do nicho | 1,5 cm (MCLEOD 1 e 2) | 1,5 cm | 1,5 a 2 cm | 15 mm | 1,5 cm |
| dor | prostaglandinas e nervos | COX e prostaglandinas | axônios não mielinizados | prostaglandinas | fibras nervosas |
| RM | edema típico | nicho melhor na TC | útil no esponjoso, não sozinha | engana | não válida |
| cura natural | não dá prazo | 3 a 4 anos | vários anos | média 33 meses | 2 a 5 anos |
| primeira escolha | termoablação por TC | radiofrequência por TC | radiofrequência por TC | técnicas por TC | trefina com pequena margem |
| esclerose | não precisa sair | burr-down remove o mínimo | remodela | não precisa sair | só pequena margem |
| primeira descrição | bibliografia: JAFFE 1935 | não cita | JAFFE 1935 | credita MCLEOD | não cita |
Fechamento
Fundamento
O osteoma osteoide cabe em três ideias. O nicho é o tumor e a esclerose é reação: por isso importa o tamanho do nicho (até 1,5 cm, quase sempre 1 cm ou menos) e basta destruí-lo. O nicho fabrica prostaglandina: por isso a dor é noturna, cede ao AINE e o AINE sozinho pode levar à cura espontânea em alguns anos. O nicho se esconde (na cortical espessa, no arco vertebral, junto à cartilagem articular): por isso a TC é o exame de escolha e guia a ablação. O osteoblastoma é o mesmo tecido sem freio: maior, na coluna, menos responsivo ao AINE e às vezes agressivo.