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Osteoma osteoide (e o osteoblastoma)

Tumores ósseos e de partes molesResumo do capítulo33 min de leitura

Lesão osteoblástica benigna de nicho pequeno (menor que 1,5 cm, raramente acima de 1 cm; osteoblastoma acima de 2 cm) cercado por esclerose reversível; masculino cerca de 3:1, 76% entre 5 e 24 anos; mais da metade em fêmur e tíbia, fêmur proximal com colo o local isolado mais comum; coluna nos elementos posteriores com escoliose dolorosa de concavidade para o lado da lesão; intra-articular sem esclerose, com sinovite que imita artrite; dor noturna aliviada por salicilatos e AINE pelas prostaglandinas e ciclo-oxigenases do nicho; TC é o exame de escolha para achar o nicho, cintilografia sempre positiva com foco intenso dentro de área maior, RM com edema que engana; trabéculas finas de osteoide orladas por osteoblastos em estroma fibrovascular; remissão espontânea em 3 a 4 anos; ablação por radiofrequência guiada por TC na maioria, burr-down ou curetagem do nicho sem ressecar toda a esclerose; recidiva baixa, nenhuma malignização; osteoblastoma maior, medular, coluna em 30% a 50%, menos dor e menos resposta ao AINE, comportamento às vezes agressivo.

Atualizado em 04/11/2026 · 33 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 9 · Osteoid Osteoma, em Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, 6ª edição (2010). Autores do capítulo: K. Krishnan UNNI e Carrie Y. INWARDS.

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de tumores ósseos e de partes moles do Dahlin's Bone Tumors: General Aspects and Data on 10,165 Cases, capítulo 9, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 9 (Osteoid Osteoma) do Dahlin's Bone Tumors, 6ª edição (2010), de UNNI e INWARDS, o livro da Mayo Clinic, com o capítulo 10 do mesmo livro (Osteoblastoma) como diferencial obrigatório. Ao lado dele estão o capítulo 27 (Benign Bone Tumors and Nonneoplastic Conditions Simulating Bone Tumors, de HECK e TOY) e o capítulo 28 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., o capítulo 25 do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., o capítulo 13 do Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed., e o capítulo 29 do HEBERT, Ortopedia e Traumatologia, 5ª ed. As páginas citadas são as impressas.

O osteoma osteoide é o tumor ósseo que se diagnostica pela história. Um adolescente do sexo masculino acorda à noite com dor na coxa, toma uma aspirina e a dor some; a radiografia mostra uma cortical espessa com um pontinho escuro no meio. Quem guarda essa cena resolve a maior parte das questões. O que a banca cobra além dela são os detalhes que separam o aluno atento do apressado: o tamanho máximo do nicho e a fronteira com o osteoblastoma, o local mais comum (fêmur proximal, e não a coluna ou a pelve), a escoliose dolorosa do adolescente, o exame de escolha (TC, e não RM nem ultrassom), a história natural que termina sozinha em alguns anos e o tratamento que hoje é percutâneo, guiado por TC, sem necessidade de retirar toda a esclerose.

Os cinco livros concordam no essencial e divergem em números (sexo, limite do nicho, tempo de cura, recidiva) e na filosofia cirúrgica; as divergências estão em cada seção e reunidas no fim.

O que é: o nicho, a esclerose e um tumor que não cresce

Fundamento

O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 102), abre o capítulo com uma tomada de posição: o osteoma osteoide é aceito como neoplasia, e não como resultado de infecção obscura ou de outro agente conhecido. É uma lesão osteoblástica benigna formada por uma massa pequena, redonda ou oval, que se chama nicho. Em volta dela costuma existir uma zona de osso esclerótico, sobretudo quando a lesão nasce na cortical.

A frase mais importante do capítulo vem logo em seguida: o nicho é a parte essencial do tumor; a esclerose ao redor é uma alteração reversível, que desaparece depois que o nicho é removido. Tudo o que se discute sobre tratamento sai daqui. Se a esclerose é reação e não tumor, não há motivo para ressecá-la; basta destruir ou retirar o nicho. O componente principal do nicho é uma rede de trabéculas de osteoide com graus variados de mineralização, em fundo de tecido conjuntivo fibroso geralmente vascular.

O segundo traço que define a lesão é o crescimento estranhamente limitado. O Dahlin chama isso de característica incomum para uma neoplasia verdadeira: tumores com mais de 1,5 cm na maior dimensão são incomuns, e mesmo com sintomas há vários anos o nicho raramente passa de 1 cm (p. 102 e 105). É esse limite de tamanho que separa, na prática, o osteoma osteoide do osteoblastoma, uma lesão de histologia quase igual mas sem freio de crescimento.

A fronteira de tamanho com o osteoblastoma

Como a histologia dos dois é parecida, a distinção é pelo tamanho, e cada livro traça a linha num lugar um pouco diferente. O Dahlin (p. 102 e 112) relata a regra de MCLEOD: menor que 1 cm, osteoma osteoide; maior que 2 cm, osteoblastoma; nas lesões intermediárias indistinguíveis por outros critérios, linha arbitrária de 1,5 cm. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 926, e cap. 28, p. 963), usa menor que 1,5 cm; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 25, p. 1033 e 1034), descreve nicho de 1,5 a 2 cm, chama de osteoma osteoide a lesão com menos de 2 cm e diz que o nicho raramente passa de 1 cm; o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 13, p. 437), dá menor que 15 mm e osteoblastoma acima de 2 cm; o HEBERT (cap. 29) põe a fronteira em 1,5 cm.

Tamanho do nicho e fronteira com o osteoblastoma (Dahlin, cap. 9 e 10, p. 102, 105 e 112; Campbell 15, cap. 27, p. 926, e cap. 28, p. 963; Tachdjian, cap. 25, p. 1033 e 1034; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437; HEBERT, cap. 29)
LivroOsteoma osteoideOsteoblastoma
Dahlinmais de 1,5 cm é incomum; raramente passa de 1 cmMCLEOD: menor que 1 cm OO, maior que 2 cm OB, linha de 1,5 cm nos duvidosos
Campbellmenor que 1,5 cmmaior; distinção pelo tamanho
Tachdjiannicho de 1,5 a 2 cm; menos de 2 cm é OO; costuma ter até 1 cmgeralmente acima de 2 cm (2 a 10 cm)
Lovell and Wintermenor que 15 mm; nicho de 5 a 10 mmidêntico, maior que 2 cm
HEBERTem geral menor que 1,5 cmem geral maior que 1,5 cm

Para a prova, a leitura segura é: o nicho do osteoma osteoide tem até 1,5 cm, quase sempre 1 cm ou menos; acima de 2 cm é osteoblastoma; entre 1,5 e 2 cm fica a zona cinzenta, resolvida por convenção. Quando uma alternativa disser que o osteoma osteoide "cresce progressivamente" ou "costuma atingir vários centímetros", ela descreve o osteoblastoma.

Neoplasia ou reação?

A discussão sobre a natureza da lesão é antiga. O Tachdjian (p. 1033) lembra que, antes de JAFFE descrever a entidade em 1935, os casos eram chamados de osteomielite esclerosante não supurativa, osteomielite de GARRÉ ou abscesso cortical localizado. O Lovell and Winter (p. 437) credita a descrição inicial a MCLEOD, que a distinguiu do abscesso de BRODIE e da osteomielite de GARRÉ; o Tachdjian e a bibliografia do próprio Dahlin apontam JAFFE, 1935, como o autor da descrição. O Dahlin, na introdução do livro, conta que os 396 casos da Mayo foram arbitrariamente classificados como tumores, apesar da controvérsia sobre se a lesão é neoplasia verdadeira ou reação peculiar do osso; no capítulo 9, assume que é neoplasia. O Tachdjian registra que a etiologia é desconhecida e que a lesão já foi descrita em irmãos.

Quem tem: idade, sexo e frequência

Fundamento

O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 102) reúne 396 casos, 12,9% dos tumores benignos da Mayo, número que o livro acha subestimado. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1033) dá 10% a 11% dos benignos e 2% a 3% das neoplasias primárias biopsiadas, e lembra que, entre as lesões benignas, o osteoma osteoide só perde para o osteocondroma e o fibroma não ossificante.

Sexo. Predomínio masculino de quase 3:1 no Dahlin, 3:1 no Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Tabela 27.1, p. 929) e no Lovell and Winter; o Tachdjian é o único com 2:1.

Idade. No Dahlin, cerca de 76% tinham entre 5 e 24 anos (de 21 meses a 72 anos); o Lovell and Winter dá 80% na mesma faixa. O Campbell (p. 926) fala em segunda ou terceira década, "mais visto em homens jovens"; o Tachdjian, em crianças e adolescentes; o HEBERT, em adolescentes e adultos jovens.

Epidemiologia do osteoma osteoide nos cinco livros (Dahlin, cap. 9, p. 102; Campbell 15, cap. 27, p. 926 e Tabela 27.1, p. 929; Tachdjian, cap. 25, p. 1033; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437; HEBERT, cap. 29)
DadoDahlinCampbellTachdjianLovell and WinterHEBERT
frequência12,9% dos benignos (396 casos)não dá número10% a 11% dos benignos; 2% a 3% das primárias11% dos benignosnão dá número
sexo M:Fquase 3:13:1cerca de 2:13:1não dá número
idade76% entre 5 e 24 anos; 21 meses a 72 anos2ª e 3ª décadascrianças e adolescentes80% entre 5 e 24 anosadolescentes e adultos jovens
malignizaçãonenhuma na sérienunca documentadanão citanão citanão descrita para o osteoma

A "primeira década" é a armadilha clássica. A faixa de 5 a 24 anos e a expressão "segunda ou terceira década" põem o pico na adolescência e no adulto jovem; uma lesão "mais frequente na primeira década" não corresponde a nenhum dos livros.

Onde aparece: fêmur proximal, tíbia e as localizações que enganam

Fundamento

O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 102) é preciso: mais da metade dos osteomas osteoides está no fêmur e na tíbia, e o fêmur proximal, incluindo o colo femoral, é de longe o local isolado mais comum. Nos ossos longos, a lesão fica perto do fim da diáfise ou no meio dela; nas vértebras, no arco. Na série da Mayo houve só dois casos no crânio, nenhum na clavícula ou no esterno; as falanges da mão foram o quinto local mais comum, sem nenhum caso nas falanges do pé, embora o tarso fosse relativamente comum. Lesões em mais de um osso são raríssimas (um único paciente). O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926 e Tabela 27.1) fala em predileção pelo membro inferior, metade no fêmur ou na tíbia, e lista também os elementos posteriores da coluna; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) lembra a posição periarticular ou intra-articular; o HEBERT dá 65% nos ossos longos e destaca acetábulo, cabeça e colo do fêmur.

Localização do osteoma osteoide (Dahlin, cap. 9, p. 102; Campbell 15, cap. 27, p. 926 e 929; Tachdjian, cap. 25, p. 1034; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437; HEBERT, cap. 29)
LocalO que os livros dizem
fêmur e tíbiamais da metade (Dahlin); metade (Campbell); cerca de 50% (Lovell and Winter); ossos longos 65% (HEBERT)
fêmur proximal com o cololocal isolado mais comum, de longe (Dahlin)
posição no osso longoperto do fim da diáfise ou no meio (Dahlin); diáfise ou metáfise (Campbell, Tachdjian)
colunaarco ou elementos posteriores (Dahlin, Campbell, Tachdjian, Lovell and Winter, HEBERT)
mãofalanges: quinto local mais comum (Dahlin)
pétarso relativamente comum; nenhum caso nas falanges (Dahlin); tálus, calcâneo, metatarsos (Tachdjian)
crânio, clavícula, esterno2 no crânio, nenhum na clavícula ou no esterno (Dahlin)
intra-articularcolo femoral, acetábulo, cabeça (HEBERT); periarticular ou intra-articular ocasional (Tachdjian)

"Pelve e coluna lombar" como locais mais frequentes descreve o osteoblastoma, não o osteoma osteoide; a pelve está entre os locais menos frequentes do Tachdjian.

A dor: noturna, aliviada pelo AINE, e por que as prostaglandinas explicam tudo

Fundamento

No Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 9, p. 103), a queixa principal é a dor progressiva, de semanas a anos, pior à noite, atrapalhando o sono, e aliviada dramaticamente pelos salicilatos. Muitas vezes é referida à articulação vizinha ou a um local tão distante que a imagem é feita no lugar errado. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 926) resume: dor pior à noite e aliviada por aspirina ou AINE; no capítulo 26 (p. 867), diz que o osteoma osteoide dá dor noturna desde o início, ao contrário dos benignos em geral. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 430 e 437) chama essa dor de padrão diagnóstico: constante, intensa, noturna, sem relação com a atividade e quase sempre aliviada por aspirina; se a aspirina não alivia, duvide do diagnóstico; a dor do abscesso de BRODIE é parecida, mas raramente cede à aspirina. O HEBERT fala em melhora em cerca de 30 minutos e lembra que outros processos também melhoram com salicilatos.

O mecanismo: nervos no nicho e prostaglandinas

Por que um nicho de menos de 1 cm dói tanto, e por que a aspirina resolve? O Dahlin (p. 103) diz que a causa ainda não está clara e apresenta duas hipóteses: nervos dentro do nicho, vistos com colorações de axônio, e níveis altos de prostaglandinas, que podem explicar por que a aspirina alivia. O Campbell (p. 926) é assertivo: ciclo-oxigenases e prostaglandinas aumentadas foram demonstradas nas lesões, o que explica a dor intensa e o alívio dramático com AINE. O raciocínio é direto: o AINE inibe a ciclo-oxigenase, que produz a prostaglandina; bloqueada a enzima, a dor cai na fonte. O Lovell and Winter (p. 437) também culpa as prostaglandinas; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) prefere os axônios não mielinizados; o HEBERT, as fibras nervosas, com um "talvez".

Por que o osteoma osteoide dói e por que o AINE alivia (Dahlin, cap. 9, p. 103; Campbell 15, cap. 27, p. 926 e 929; Tachdjian, cap. 25, p. 1034; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437; HEBERT, cap. 29)
LivroExplicação da dorResposta ao AINE
Dahlincausa não clara; nervos no nicho e prostaglandinas altassalicilatos aliviam dramaticamente; prostaglandina explicaria
Campbellciclo-oxigenases e prostaglandinas aumentadas demonstradasalívio dramático; AINE pode ser tratamento definitivo
Tachdjiannumerosos axônios não mielinizados no nichoalívio significativo com salicilatos ou AINE
Lovell and Winterprostaglandinas produzidas pelo tumorsem alívio com aspirina, duvidar do diagnóstico
HEBERTtalvez fibras nervosasmelhora em cerca de 30 minutos; não é exclusivo

Para a prova, as duas explicações não se excluem: prostaglandinas e ciclo-oxigenases altas no nicho justificam a resposta ao AINE, e as fibras nervosas dentro dele justificam a intensidade. Se a questão perguntar o mecanismo do alívio pelo AINE, a resposta é a prostaglandina.

Os sinais que acompanham a dor

O Dahlin (p. 103) lista o que acompanha a dor: claudicação, atrofia muscular e reflexos diminuídos, que podem sugerir doença neurológica; sete pacientes da Mayo foram tratados como hérnia de disco lombar (três laminectomizados), e SIM viu que o osteoma osteoide foi o tumor ósseo que mais simulou hérnia de disco. Há ainda edema doloroso quando o osso é superficial, distúrbio de crescimento com aumento do comprimento ósseo, escoliose, contratura em flexão e quadro que simula artrite. O Tachdjian (p. 1034) acha incomuns a sensibilidade direta, o eritema e o edema. Só seis lesões da Mayo eram indolores, e o Dahlin pede ceticismo com esses relatos, porque a displasia fibrosa pode imitar o nicho.

Coluna e escoliose dolorosa

Cobrança confirmada · 2 questões

Na coluna, o osteoma osteoide mora no arco posterior. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 102) diz que o arco é a parte mais envolvida; a Fig. 9.5 (p. 107) mostra um nicho de menos de 1 cm no pedículo esquerdo de T10, com calcificação central e esclerose medular importante. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) põe a lesão vertebral mais comumente nos elementos posteriores e explica o que acontece: aparece uma escoliose dolorosa secundária, com a concavidade da curva geralmente do lado da lesão, atribuída ao espasmo da musculatura paravertebral. O ponto mais importante para o tratamento vem na mesma frase: a excisão do nicho na coluna muitas vezes resolve completamente a escoliose. A curva não é estrutural de saída; é uma postura antálgica mantida pelo espasmo.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926) registra apenas que, na vértebra, pode ocorrer escoliose. O HEBERT diz que o osteoma osteoide vertebral pode causar escoliose dolorosa, com espasmo muscular importante acompanhando cervicobraquialgia ou ciática. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 437) dá o conselho clínico mais útil: diante de uma criança com escoliose dolorosa, com ou sem padrão atípico de curva, o osteoma osteoide deve ser considerado. E explica por que ele passa despercebido: na coluna, a lesão não provoca reação óssea importante, fica nos elementos posteriores e é muito difícil de ver na radiografia simples; o livro chama a coluna de local comum do osteoma osteoide "oculto". A Fig. 13-8 (p. 438) mostra um menino de 13 anos com dor cervical noturna e torcicolo, radiografia sem diagnóstico e o nicho no pedículo de C5 visto só na TC axial.

A escoliose dolorosa tem diferencial: o osteoblastoma também mora nos elementos posteriores e também causa escoliose, mais vezes com déficit neurológico (ver a seção do osteoblastoma). O Campbell (cap. 26, p. 869 e Box 26.1, p. 870) e a Tabela 13-2 do Lovell and Winter (p. 432) põem osteoma osteoide, osteoblastoma e cisto ósseo aneurismático como as três lesões dos elementos posteriores no paciente jovem, enquanto o corpo vertebral do jovem lembra histiocitose e hemangioma.

Osteoma osteoide da coluna (Dahlin, cap. 9, p. 102 e 107; Campbell 15, cap. 26, p. 869 e 870, e cap. 27, p. 926; Tachdjian, cap. 25, p. 1034 e 1035; Lovell and Winter, cap. 13, p. 432, 437 a 439; HEBERT, cap. 29)
AspectoO que os livros dizem
ondearco e elementos posteriores; pedículo de T10 (Dahlin, Fig. 9.5) e de C5 (Lovell and Winter, Fig. 13-8)
deformidadeescoliose dolorosa; concavidade do lado da lesão (Tachdjian); torcicolo na cervical (Lovell and Winter)
mecanismo da curvaespasmo paravertebral (Tachdjian); espasmo com ciática ou cervicobraquialgia (HEBERT)
evolução após tratarretirar o nicho muitas vezes resolve a escoliose (Tachdjian)
radiografiapouca reação, nicho difícil de ver, osteoma "oculto" (Lovell and Winter)
melhor examecintilografia para localizar; TC para ver o nicho, sobretudo na coluna (Dahlin, Lovell and Winter)
diferencial no jovemosteoblastoma e cisto ósseo aneurismático nos elementos posteriores
ablaçãocuidado com medula e raízes; série de 24 com 79% de sucesso e deformidade persistente em 3 de 7 (Tachdjian)

Intra-articular e justarticular: a lesão que se faz passar por artrite

Relevância clínica

O osteoma osteoide junto da cartilagem articular atrasa o diagnóstico: perde a esclerose e ganha uma sinovite. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 103) relata que tumores perto de uma articulação podem simular artrite e cita KATTAPURAM, que destacou o atraso diagnóstico de pacientes tratados como se tivessem artrite.

Por que a imagem engana? O Dahlin (p. 105) explica que a ausência de esclerose significativa é a regra no osteoma osteoide perto da extremidade do osso, sobretudo quando encosta na cartilagem articular, e nos tumores em posição subperiosteal superficial. Perto da articulação pode haver só osteoporose; os do cotovelo são especialmente difíceis de localizar, e a TC ajuda. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) confirma: nas posições atípicas (intramedular, subperiosteal, periarticular, intra-articular), a lesão geralmente não provoca osso reativo ao redor do nicho. O Dahlin (p. 102) acrescenta um diferencial próprio dessa posição: um osteoma osteoide logo abaixo da cartilagem articular pode ser confundido com osteocondrite dissecante na radiografia.

E a sinovite tem base histológica. No Dahlin (p. 110), o osso vizinho ao nicho pode conter linfócitos e plasmócitos, e a sinóvia próxima às vezes fica espessada, com infiltrado de elementos inflamatórios crônicos que pode lembrar a sinovite reumatoide. O HEBERT (cap. 29) descreve em destaque que o osteoma junto à articulação pode vir com reação articular e produção de líquido sinovial, simulando uma artrite, e lista o acetábulo, a cabeça e o colo do fêmur entre as localizações intra-articulares.

Na prática: adolescente com "artrite" do quadril, dor noturna que cede ao AINE e radiografia quase normal deve ter o osteoma osteoide intra-articular no diferencial.

A imagem: radiografia, TC, cintilografia e o engano da RM

Cobrança confirmada · 1 questão

Radiografia

No Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 103), o nicho típico é uma zona pequena e relativamente radiotransparente, que pode esclerosar e aparecer como área redonda de esclerose com halo lucente; a esclerose em volta, às vezes extensa, pode mascará-lo. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926 e Tabela 27.1) descreve o nicho radiotransparente menor que 1,5 cm com espessamento cortical acentuado e diz que a radiografia muitas vezes basta. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) lembra que a maioria é intracortical, com esclerose que se estende vários centímetros e, às vezes, calcificação central; o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 437), que os nichos endosteais dão menos reação que os corticais. Na série de SWEE (Dahlin, p. 103), a radiografia foi diagnóstica em 75 de 100, duvidosa em 17 e normal em 8. Dois enganos: as lamelas periosteais podem imitar o tumor de EWING (um paciente foi irradiado por erro), e a reação espessa pode passar por osteoma; e os sintomas podem preceder a imagem (Dahlin, p. 105).

TC: o exame de escolha

Os livros concordam que a TC é o melhor exame para achar e confirmar o nicho. O Dahlin (p. 105) chama a TC de método preferido para localizar o nicho, especialmente na coluna. O Campbell (p. 926) diz que a TC é a melhor técnica para identificar o nicho e confirmar o diagnóstico. No capítulo 3, o mesmo Campbell abre uma exceção para a regra geral de que a RM substituiu a TC na avaliação dos tumores ósseos: a exceção são as lesões densamente escleróticas, como o osteoma osteoide (p. 176 e 177); e na página 182 diz que o nicho é muitas vezes mais bem visto na TC que na RM, com a Fig. 3.59 mostrando a RM com espessamento cortical e edema sem lesão discreta e a TC revelando o nicho radiotransparente na cortical espessada.

O Tachdjian (p. 1034) descreve a sequência: depois que a cintilografia localiza a região, a TC mostra melhor a área bem circunscrita do nicho; podem ser necessários cortes finos de 1 a 2 mm. Faz uma ressalva: a confiabilidade da TC cai quando o nicho está em osso esponjoso, porque falta a alteração de densidade ao redor. O Lovell and Winter (p. 437) também chama a TC de melhor modalidade para ver o nicho, pede cortes de 1 a 2 mm para não pular a lesão e lembra de ajustar a janela para que a esclerose densa não esconda o nicho pequeno e pouco denso.

Cintilografia: o foco intenso dentro da área quente

Na cintilografia com tecnécio, o osteoma osteoide sempre tende a ser positivo. O Dahlin (p. 105) descreve o padrão que ajuda a localizar: toda a área de esclerose capta, mas o nicho mostra um foco de atividade ainda maior. A legenda da Fig. 9.2 (p. 104) descreve a aparência típica: um foco pequeno de hiperatividade cercado por uma região maior de atividade menos intensa, que corresponde à reação em torno do tumor. É a imagem que as provas costumam chamar de duplo halo ou dupla densidade; os livros lidos descrevem o achado sem dar esse nome.

O Campbell (p. 926) registra captação marcadamente aumentada no tecnécio. O Tachdjian (p. 1034) diz que a cintilografia quase sempre mostra aumento focal intenso no nicho, que é útil quando a lesão não aparece na radiografia e que tem grande valor na coluna, pelve e ossos longos. O Lovell and Winter (p. 437) a chama de particularmente útil para localizar a lesão que a radiografia não mostrou. O HEBERT faz o contraponto: o aumento localizado de concentração não é patognomônico do osteoma osteoide e pode não ajudar no diferencial; e lembra que a cintilografia continua positiva mesmo depois da maturação e calcificação do nicho.

RM: o edema que assusta

A RM vê a reação em volta do nicho, e é isso que engana. A Fig. 9.4 do Dahlin (p. 106) mostra o edema extenso de medula e partes moles que tipicamente acompanha o osteoma osteoide, e o Campbell (p. 926) também o descreve. O Lovell and Winter (p. 437) avisa que a RM pode enganar, sugerindo infecção ou lesão agressiva. O Tachdjian (p. 1034) vê utilidade em lesões de osso esponjoso, peri ou intra-articulares, com gadolínio, mas diz que o diagnóstico pode ser perdido se ela for o único exame; o HEBERT diz que a RM não se mostrou válida.

Imagem do osteoma osteoide nos cinco livros (Dahlin, cap. 9, p. 103 a 107; Campbell 15, cap. 3, p. 176, 177 e 182, e cap. 27, p. 926; Tachdjian, cap. 25, p. 1034; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437; HEBERT, cap. 29)
ExameO que mostraDivergências
radiografianicho lucente, às vezes com calcificação central; esclerose cortical e reação periosteal espessadiagnóstica em 75 de 100 (SWEE); falha na coluna e no esponjoso
TCmelhor exame para ver e confirmar o nicho; cortes de 1 a 2 mmmenos confiável em osso esponjoso (Tachdjian)
cintilografiasempre positiva; foco intenso no nicho dentro de área maior de captaçãonão patognomônica e positiva após a maturação (HEBERT)
RMedema extenso de medula e partes molesútil no esponjoso (Tachdjian); engana (Lovell and Winter); não válida (HEBERT)
laboratórionormal (Lovell and Winter)separa do processo infeccioso (Tachdjian)

Os diagnósticos que imitam o osteoma osteoide

Fundamento

O primeiro diferencial é infeccioso. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 102) explica que o abscesso de BRODIE pode imitar o osteoma osteoide quando tem um foco central rarefeito pequeno, e a histologia separa os dois; na série de SIM, dois operados sem nicho tinham BRODIE. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034) põe a osteomielite subaguda e o osteoblastoma como diferenciais principais, com a aspiração confirmando a infecção; o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 430) separa pela resposta à aspirina. O HEBERT acrescenta fratura de estresse e ilhota óssea. A ilhota óssea (Campbell, cap. 27, p. 927 e Tabela 27.1) é o oposto do osteoma osteoide: assintomática, borda em escova, captação leve, escura em T1 e T2 sem edema, só observação. O Dahlin ainda lista o EWING, o osteoma, a osteocondrite dissecante e a displasia fibrosa; o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 26, p. 869) põe o osteoma osteoide entre os diferenciais das lesões diafisárias.

Diagnóstico diferencial e o que separa (Dahlin, cap. 9, p. 102 a 105 e 110; Campbell 15, cap. 26, p. 869, e cap. 27, p. 927 e 929; Tachdjian, cap. 25, p. 1034; Lovell and Winter, cap. 13, p. 430; HEBERT, cap. 29)
DiferencialO que confundeO que separa
abscesso de BRODIEfoco rarefeito pequeno com esclerosedor raramente cede à aspirina; laboratório; aspiração e histologia
osteoblastomahistologia quase igualmaior que 2 cm, menos esclerose, medular, mais agressivo, menos resposta ao AINE
ilhota ósseadensidade pequena no ossoassintomática, borda em escova, sem edema, captação leve
fratura de estressedor e reação corticalcitada pelo HEBERT entre os diferenciais
tumor de EWINGlamelas periosteaisreação espessa e benigna; nicho na TC
osteomareação cortical espessanicho escondido sob o osso reativo
osteocondrite dissecantelesão subcondralnicho abaixo da cartilagem articular
hérnia de discodor irradiada, atrofia, reflexos diminuídososteoma osteoide foi o tumor que mais simulou hérnia (SIM)

Macroscopia e histologia

Fundamento

O que o cirurgião vê

No Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 105), quer o nicho esteja em osso esponjoso pouco esclerótico ou enterrado numa grande região de esclerose cortical, ele aparece, quando exposto, como uma massa discreta, redonda ou oval. O nicho é vermelho, e o osso em volta é branco; ele pode ser levantado do seu leito, e a Fig. 9.6 (p. 107) mostra um nicho do calcâneo que, como uma bolinha de gude, caiu do osso ao redor. A consistência vai de granular e mole a densamente esclerótica, mas o grau de esclerose não tem relação com a duração dos sintomas; quando há esclerose, ela é mais marcada no centro do nicho. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1033) descreve a cortical sobre a lesão levemente rosada pela vascularização aumentada e o nicho como tumor pequeno vermelho-cereja ou marrom-avermelhado, de 1 cm ou menos, denso e arenoso se muito calcificado ou mole e granular se predominantemente vascular. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 437) fala em nicho vermelho-cereja cercado de osso branco denso, de 5 a 10 mm.

O Dahlin (p. 105) dá um recado prático ao cirurgião: se o bloco esclerótico for retirado com o formão de modo indiscriminado, o patologista pode não achar o nicho, e sem nicho não há diagnóstico. Por isso o cirurgião deve remover o nicho intacto. Se chegarem grandes fragmentos de cortical, eles devem ser examinados à procura do nicho vermelho e granular, e uma radiografia da peça ajuda; se ainda assim o nicho não aparecer, fazem-se cortes finos do osso esclerótico, e o cirurgião deve ser avisado para radiografar de novo o osso e confirmar que a área foi retirada.

O que o patologista vê

Ao microscópio, o Dahlin (p. 108 e 109) mostra demarcação nítida entre nicho e osso vizinho. O nicho é uma rede entrelaçada de osteoide e trabéculas de mineralização variável, em geral finas, num emaranhado de anastomoses, com o centro mais mineralizado. Entre elas há tecido conjuntivo fibroso vascular com células gigantes benignas. Os osteoblastos são bem diferenciados demais para sugerir osteossarcoma, e o tamanho pequeno do nicho confirma a benignidade nos casos raros de dúvida. Pode haver linhas cimentantes com aspecto pagetoide e, às vezes, osteoide rendilhado; cartilagem é incomum. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926) descreve trabéculas imaturas orladas por osteoblastos proeminentes, sem atipia e sem traços agressivos; o Tachdjian (p. 1034), osteoblastos e osteoclastos proeminentes e ausência de cartilagem; o Lovell and Winter (p. 437 e 438), estroma rico em vasos, osteoide rendilhado fino e poucas mitoses normais.

O que muda no osteoblastoma

Para o Dahlin (p. 109 e 110), a diferença é de grau: trabéculas mais largas e longas, lesão mais vascular e tecido menos compacto. Como não há distinção nítida, o tamanho decide.

Histologia do osteoma osteoide e do osteoblastoma (Dahlin, cap. 9, p. 108 a 110, e cap. 10, p. 114 a 117; Campbell 15, cap. 27, p. 926, e cap. 28, p. 963; Tachdjian, cap. 25, p. 1034 e 1036; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437 a 439)
AspectoOsteoma osteoideOsteoblastoma
trabéculasfinas, emaranhado de anastomoses, centro mais mineralizadomais largas e longas; na periferia se fundem ao osso hospedeiro
estromafibrovascular, com células gigantes benignasfibrovascular frouxo, capilares, células fusiformes sem atipia; mais vascular
osteoblastosbem diferenciados; sem atipiacamada única ao redor das trabéculas; mitoses sem formas atípicas
limitedemarcação nítida com o osso reativomuito bem circunscrito, sem permeação
cartilagemincomum (Dahlin); ausente (Tachdjian)cerca de 6% (Dahlin); ausente (Tachdjian)
achados extrasosteoide rendilhado ocasional; aspecto pagetoidecisto aneurismático secundário em até 10%; osteoide rendilhado focal em 20% (LUCAS); núcleos bizarros degenerativos

História natural: o tumor que se cura sozinho

Cobrança confirmada · 1 questão

O osteoma osteoide é autolimitado. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1034 e 1035) descreve a sequência: em vários anos, o nicho calcifica, ossifica e se funde ao osso esclerótico, e a dor diminui. O HEBERT dá o prazo de dois a cinco anos, com a lesão passando de B-2 (ativa) a B-1 (latente) e a cintilografia ainda positiva depois da maturação. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 926 e 927) fala em cura espontânea em 3 a 4 anos com AINE, e o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 438), em média de 33 meses na série de KNEISL e SIMON.

O que não faz parte dessa história também cai: não há malignização (nenhuma em 396 casos no Dahlin; nunca documentada no Campbell), não há crescimento progressivo, a matriz não fica sem calcificar (o nicho calcifica ao amadurecer) e a fratura patológica só aparece nos livros como risco do tratamento, quando a ressecção em bloco tira osso demais (Campbell, p. 927; Tachdjian, p. 1036).

História natural nos livros (Campbell 15, cap. 27, p. 926 e 927; Tachdjian, cap. 25, p. 1034 e 1035; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437 e 438; HEBERT, cap. 29; Dahlin, cap. 9, p. 102, 105 e 110)
LivroPrazo de remissãoO que acontece com o nichoMalignização
Campbellcura espontânea em 3 a 4 anos com AINEnão detalhanunca documentada
Tachdjianvários anoscalcifica, ossifica e se funde à esclerosenão cita
Lovell and Wintervários anos; média de 33 meses com AINE (KNEISL e SIMON)cura espontânea possívelnão cita
HEBERTdois a cinco anoscalcificação e ossificação; B-2 vira B-1não descrita para o osteoma
Dahlinnão dá prazocrescimento limitado; raramente passa de 1 cmnenhuma em 396 casos

Tratamento: do anti-inflamatório à ablação guiada por TC

Cobrança confirmada · 1 questão

O tratamento do osteoma osteoide mudou de lugar em poucas décadas: saiu do centro cirúrgico e foi para a sala de tomografia. O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 110) é explícito: a conduta mudou dramaticamente na última década; a excisão do nicho, antes padrão, hoje raramente é feita. A legenda da Fig. 9.2 (p. 104) diz que a ablação por radiofrequência guiada por TC tornou-se o tratamento de escolha da maioria dos osteomas osteoides do esqueleto apendicular. A lógica é a mesma em todas as opções: destruir ou retirar o nicho inteiro; a esclerose cuida de si mesma.

Tratamento clínico

Para o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 926 e 927), com sintomas controlados e paciente disposto ao uso prolongado, o AINE pode ser o tratamento definitivo, com cura espontânea em 3 a 4 anos; as outras opções são radiofrequência, micro-ondas, crioablação e cirurgia aberta. O Dahlin (p. 110) cita KNEISL e SIMON como alternativa quando a cirurgia é difícil pela localização. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1035) aceita observação com salicilato ou AINE, viu resolução em 8 de 12 com AINE regular e alívio com bisfosfonato venoso em 19 de 23, mas evita os inibidores da COX-2 pelos riscos cardíacos. Os dois livros pediátricos são realistas: poucos toleram a dor e o tempo até a cura, e na série de KNEISL e SIMON (Lovell and Winter, p. 438), dos 9 tratados com AINE, 3 acabaram operados e 6 ficaram sem dor em média em 33 meses.

Ablação por radiofrequência guiada por TC

No Dahlin (p. 110), a maioria dos pacientes faz termoablação guiada por TC: a agulha entra no nicho, a lesão é aspirada e esfregaços e cortes histológicos são feitos antes da ablação; nos últimos 30 casos da Mayo, o nicho apareceu na histologia em cerca de 50%, e quase todos melhoraram.

O Campbell (p. 926 e 927) trata assim a maioria das lesões da pelve e dos ossos longos: biópsia com agulha guiada por TC, eletrodo pela cânula, 90 °C por 6 minutos, regime ambulatorial, retorno imediato à atividade e recidiva menor que 10%. Os limites são a vértebra (medula e raízes) e os ossos pequenos da mão e do pé (queimadura da pele). O Tachdjian (p. 1035) usa broca de 2 mm ou agulha de JAMSHIDI 11 G com sonda de 1 mm, 90 °C por 4 a 5 minutos, atingindo uma área de 1 cm; chama os resultados de equivalentes aos da excisão, com menos fratura e convalescença rápida, e diz que a técnica está se tornando o tratamento inicial preferido. A recidiva variou de 5% a 40%; as falhas vêm de agulha mal posicionada ou de nicho maior que 10 mm. Na coluna, o calor ameaça os nervos, e GREENBERG mostrou que o aquecimento é maior no osso esponjoso e não passa de 12 mm da borda de um tumor cortical. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 438 e 439) chama as técnicas guiadas por TC de preferidas, feitas sob anestesia geral, com sucesso de até 90%.

Ablação por radiofrequência nos livros (Dahlin, cap. 9, p. 104 e 110; Campbell 15, cap. 27, p. 926 e 927; Tachdjian, cap. 25, p. 1035; Lovell and Winter, cap. 13, p. 438 e 439)
ParâmetroDahlinCampbellTachdjianLovell and Winter
guiaTCTCTCTC
posiçãotratamento de escolha da maioria no esqueleto apendicularmaioria das lesões da pelve e ossos longostornando-se o tratamento inicial preferidotécnicas guiadas por TC são as preferidas
técnicaagulha no nicho, aspiração, histologia antesbiópsia com agulha e eletrodo pela cânulabroca de 2 mm ou agulha 11 G e sonda de 1 mmbiópsia e eletrodo com termistor, anestesia geral
temperatura e temponão cita90 °C por 6 minutos90 °C por 4 a 5 minutos; área de 1 cmnão cita
resultadoalívio na maioria; nicho na histologia em cerca de 50%recidiva menor que 10%recidiva 5% a 40%; falha com nicho maior que 10 mmsucesso de até 90%
limitesnervo próximo leva à cirurgiacoluna; mão e pé (pele)coluna (calor); nervo a menos de 1,5 cmrecidiva e coluna vão para a cirurgia

Para a prova: a radiofrequência é guiada por TC, não por ultrassom, não por radioscopia simples e não por RM. O Campbell (p. 927) menciona, como método ainda em investigação, a ablação por ultrassom focado guiado por RM (MRgFUS), sem radiação; mas isso é outra tecnologia, e não o tratamento de escolha.

Cirurgia: retirar o nicho, não a esclerose

A cirurgia fica para quando a ablação não é viável, como na proximidade de um nervo (Dahlin, p. 110), para a histologia duvidosa, estruturas neurovasculares a menos de 1,5 cm e falhas repetidas (Tachdjian, p. 1035), e para recidivas e lesões da coluna, com instrumentação quando necessário (Lovell and Winter, p. 439).

Em qualquer técnica, o alvo é o nicho. O Dahlin (p. 110) diz que, removido o nicho, a dor some quase imediatamente e que não é necessário remover todo o osso espessado: ele regride sozinho quando todo o nicho sai. O Lovell and Winter (p. 438 e 439) repete que só o nicho precisa ser excisado e que a remoção parcial dá alívio temporário. O Tachdjian (p. 1035 e 1036) diz que a esclerose remodela e que o alívio é imediato, dramático e permanente, salvo remoção incompleta.

O Campbell (p. 927) compara as técnicas abertas. A ressecção em bloco tem recidiva baixa, mas raramente é indicada nos ossos longos, porque aumenta o risco de fratura patológica pós-operatória. Mais vezes se usa o burr-down: nicho localizado por fluoroscopia, broca sobre ele, curetagem, nova passagem de broca na cavidade; sai o mínimo de osso reativo e a recidiva fica abaixo de 10%. O Tachdjian (p. 1036) concorda: a em bloco pode exigir enxerto ou fixação, e o burr-down, já feito até por artroscopia no tálus, reduz enxerto e fratura.

O HEBERT (cap. 29) é mais oncológico: ressecção completa do nicho com uma pequena área de esclerose, sem ressecar toda a esclerose; curetagem e outras abordagens intracapsulares podem recidivar; os métodos percutâneos são intracompartimentais e pedem cautela, e a eletrocoagulação não permite anatomopatológico. Os autores preferem a trefina com pequena margem. Para o HEBERT e o Campbell, a biópsia prévia raramente é necessária.

Como achar o nicho na sala de cirurgia

No Dahlin (p. 110), o nicho é especialmente difícil de achar no colo femoral e na coluna. Os truques descritos são o tecnécio 99m MDP com sonda intraoperatória (VIGORITA e GHELMAN), a tetraciclina pré-operatória com a peça examinada sob luz ultravioleta (AYALA) e a agulha guiada por TC colocada antes da cirurgia (MARCOVE). O Tachdjian (p. 1036) detalha a tetraciclina: oral 1 a 2 dias antes, fluorescência sob a lâmpada de WOOD, só acima de 8 anos pelo risco de manchar a dentina. O HEBERT descreve o tecnécio com sonda: retirado o nicho, a contagem no campo deve cair pelo menos 90%. O Tachdjian cita ainda a ressecção percutânea guiada por TC com cura de 92,6% na primeira tentativa.

Quando o nicho não aparece, a série de SIM (Dahlin, p. 110) ensina humildade: de 54 pacientes operados sem nicho encontrado, 36 acabaram sem dor; dois tinham abscesso de BRODIE, um tinha osteossarcoma parosteal, e alguns provavelmente não tinham doença nenhuma.

Opções de tratamento e quando usar (Dahlin, cap. 9, p. 110; Campbell 15, cap. 27, p. 926 e 927 e Tabela 27.1; Tachdjian, cap. 25, p. 1035 e 1036; Lovell and Winter, cap. 13, p. 438 e 439; HEBERT, cap. 29)
OpçãoIndicaçãoVantagemLimite
AINE ou salicilatodor controlada, paciente que aceita uso prolongado; local difícilcura em 3 a 4 anos sem procedimentopoucos toleram; COX-2 evitado (coração)
radiofrequência guiada por TCmaioria das lesões apendiculares e da pelveambulatorial, volta rápida, menos fraturacoluna, nervo próximo, mão e pé, nicho maior que 10 mm
burr-downquando a ablação não é viávelretira o mínimo de osso; recidiva menor que 10%exige localizar o nicho no intraoperatório
ressecção em blocorara; recidiva baixamargem segurafratura pós-operatória em osso longo; pode exigir enxerto ou fixação
trefina com pequena margem (HEBERT)preferência dos autoresanatomopatológico garantidocuretagem intracapsular pode recidivar
cirurgia aberta (Tachdjian)histologia duvidosa, nervo a menos de 1,5 cm, falhas repetidasdiagnóstico e remoçãolocalizar o nicho (tetraciclina, isótopo, TC)

Recidiva e prognóstico

Relevância clínica

O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (p. 110) resume: a remoção completa cura, e a incompleta pode trazer a dor de volta e exigir reoperação. Na Mayo houve 10 recidivas em 396 (cerca de 2,5%), resolvidas em geral com nova excisão, e nenhuma transformação maligna. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (p. 927) dá recidiva menor que 10% na radiofrequência e no burr-down; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1035), 5% a 40% na radiofrequência, com um caso que voltou cinco vezes em 11 anos; o HEBERT atribui as recorrências às cirurgias intracapsulares ou marginais. Dor que volta é, até prova em contrário, nicho residual.

Osteoblastoma: o irmão maior e mais agressivo

Fundamento

O que é e quanto aparece

O Dahlin's Bone Tumors (cap. 10, p. 112) chama o osteoblastoma de osteoma osteoide gigante: histologia parecida, mas sem o crescimento limitado, muitas vezes sem a dor típica e sem o halo esclerótico, e já confundido com tumor de células gigantes e osteossarcoma. É cerca de 3,5% dos benignos e 1% das neoplasias ósseas da Mayo, com 72% de homens e mais de 80% nas três primeiras décadas. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 28, p. 963) dá menos de 1%, 3:1 e 10 a 30 anos; o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (p. 1036), um quinto do osteoma osteoide, 2:1 e pico por volta de 20 anos; o HEBERT, cerca de 20% do osteoma osteoide.

Onde aparece: a coluna

Ao contrário do osteoma osteoide, o osteoblastoma prefere a coluna: mais de 40% com o sacro no Dahlin (p. 113), 40% a 50% no Campbell, 30% a 40% no Tachdjian, pelo menos um terço no Lovell and Winter e cerca de 50% no HEBERT. Fica nos elementos posteriores: na série de LUCAS, 55% só no arco, 42% arco mais corpo e raramente só no corpo. Nos ossos longos, o Tachdjian e o HEBERT o descrevem centrado na medular, enquanto o osteoma osteoide fica na cortical ou subperiosteal; mas o Dahlin cita LUCAS com 65% corticais em 116 apendiculares, uma divergência real.

Clínica

No Dahlin (p. 113), a dor, muitas vezes progressiva, aparece em 87%, com duração média de 2 anos, e dez pacientes tinham déficit neurológico, até paraplegia. O Campbell (p. 963) diz que a dor pode imitar a do osteoma osteoide, inclusive com alívio por AINE, mas o Tachdjian (p. 1037) e o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (p. 439) dizem que ela é menos localizada, menos intensa e muito menos aliviada pelos salicilatos. Na coluna, o Campbell separa radiculopatia na lombar e compressão medular na torácica; há escoliose dolorosa (quase metade dos espinais no Lovell and Winter) e torcicolo na cervical (Tachdjian); o risco neurológico é maior que no osteoma osteoide.

Imagem

Para o Dahlin (p. 113 e 114), a radiografia às vezes é específica, mas em geral não, e pode sugerir malignidade. Na série de LUCAS, os apendiculares mediam 1 a 11 cm (média 3,18 cm), só 8 de 116 tinham o nicho calcificado com halo lucente, e 10% pareciam malignos; os vertebrais tinham média de 3,55 cm. O Campbell (p. 963) descreve o quadro mais comum como tumor formador de osso nos elementos posteriores de um jovem, com diferencial de cisto ósseo aneurismático e osteoma osteoide, e extensão a partes moles comum só na coluna. O Tachdjian (p. 1037) mostra expansão fusiforme com halo fino de esclerose, 3 a 6 cm, reação menos intensa que no osteoma osteoide, mais radiodenso que o cisto aneurismático, e chama a TC de exame de escolha para o osteoblastoma da coluna. O Lovell and Winter (p. 439) dá as pistas na coluna (cortical irregular, pedículo apagado, processo espinhoso aumentado) e diz que a cintilografia localiza e a TC define diagnóstico e extensão.

Histologia e a fronteira com o osteossarcoma

O Dahlin (p. 114 a 117) descreve trabéculas anastomosadas em estroma fibrovascular frouxo, lesão muito bem circunscrita, trabéculas que na periferia se fundem ao osso hospedeiro, camada única de osteoblastos e mitoses sem formas atípicas. Há cisto ósseo aneurismático secundário em até 10%, osteoide rendilhado focal em 20% (LUCAS) e cartilagem em cerca de 6%; para o Tachdjian (p. 1036), a cartilagem é ausente. A distinção com o osteossarcoma pode ser quase impossível com pouco material (Dahlin, p. 117 e 120): o critério mais importante a favor do sarcoma é a permeação com aprisionamento do osso hospedeiro. Daí os conceitos de osteoblastoma maligno (SCHAJOWICZ e LEMOS) e agressivo (DORFMAN e WEISS, osteoblastos epitelioides), sem correlação clínica comprovada para DELLA ROCCA e HUVOS. O Tachdjian diz que o osteoblastoma não metastatiza e que até 10% dos osteossarcomas de baixo grau parecem osteoblastoma na radiografia; o Lovell and Winter admite metástase rara (menos de 1%), provavelmente osteossarcoma de baixo grau.

Osteoblastoma ou osteossarcoma (Dahlin, cap. 10, p. 117 e 120; Campbell 15, cap. 28, p. 963; Tachdjian, cap. 25, p. 1036 e 1038)
Favorece osteoblastomaFavorece osteossarcoma
circunscrição nítida, sem permeaçãopermeação com aprisionamento do osso hospedeiro (o critério mais importante)
arranjo frouxo, trabéculas em tecido conjuntivo frouxolençóis de osteoblastos sem produção de osso
camada única de osteoblastoscélulas estromais grandes e atípicas, células gigantes sarcomatosas, cartilagem tumoral (Tachdjian)
mitoses sem formas atípicasfiguras atípicas

Tratamento e prognóstico

O Dahlin (p. 120 e 121) defende cirurgia conservadora: curetagem de toda a lesão ou do máximo possível, com enxerto se indicado; a radioterapia tem utilidade duvidosa; alguns pacientes com remoção incompleta curaram, e houve 5 recidivas na Mayo. O maior problema é a coluna, onde se protegem medula e raízes. A transformação maligna é raríssima (um caso na Mayo, tíbia proximal, osteossarcoma 40 meses depois), e um fibrossarcoma fatal surgiu 10 anos após radioterapia de um osteoblastoma de C5. O Campbell (p. 963) faz curetagem estendida ou ressecção, com artrodese instrumentada se houver instabilidade, evita a radioterapia salvo em lesão inoperável, registra degeneração sarcomatosa (talvez mais comum após radiação) e mortes, e segue com radiografias do local e do tórax. O Tachdjian (p. 1038) faz curetagem ou excisão local, com recidiva de 10% a 20%, descomprime a medula quando preciso (a extensão epidural pode aderir à dura) e não usa radiofrequência pelo tamanho. O Lovell and Winter (p. 439) prefere, em teoria, a ressecção ampla e relata recidiva de cerca de 5% com quatro passos (curetagem estendida, broca, eletrocauterização e fenol a 5%), maior abaixo de 6 anos. O HEBERT pede margens amplas, porque a curetagem gera recidivas mais agressivas, e proíbe adjuvantes.

Osteoblastoma nos cinco livros (Dahlin, cap. 10, p. 112 a 121; Campbell 15, cap. 28, p. 963; Tachdjian, cap. 25, p. 1036 a 1038; Lovell and Winter, cap. 13, p. 439; HEBERT, cap. 29)
DadoDahlinCampbellTachdjianLovell and WinterHEBERT
frequência3,5% dos benignos; 1% das neoplasiasmenos de 1%1/5 do OO; 0,5%menos de 1%cerca de 20% do OO
sexo72% homens3:12:1meninosnão cita
colunamais de 40% (com sacro)40% a 50%30% a 40%pelo menos 1/3cerca de 50%
tamanhomédia 3,18 cm (apendicular) e 3,55 cm (coluna)maior que o OO2 a 10 cm; geralmente 3 a 6maior que 2 cmmaior que 1,5 cm
dor e AINEdor em 87%; muitas vezes sem a dor típicapode ser como a do OOmuito menos aliviadamenos intensa; sem efeito dramáticomenos intensa
tratamentocuretagem conservadoracuretagem estendida ou ressecçãocuretagem ou excisão localressecção ampla ou quatro passos com fenolressecção com margens amplas
recidiva5 casosnão dá número10% a 20%cerca de 5% (quatro passos)curetagem recidiva mais agressiva
radioterapiaduvidosa; fibrossarcoma pós-radiaçãomaioria não usarelatada em inacessíveisnão citanunca
Osteoma osteoide ou osteoblastoma (Dahlin, cap. 9 e 10; Campbell 15, cap. 27 e 28; Tachdjian, cap. 25, p. 1034 e 1037; Lovell and Winter, cap. 13, p. 437 e 439; HEBERT, cap. 29)
AspectoOsteoma osteoideOsteoblastoma
tamanhoaté 1,5 cm, quase sempre 1 cm ou menosacima de 2 cm (zona cinzenta de 1,5 a 2)
crescimentolimitado, autolimitadoprogressivo, sem freio
localfêmur e tíbia; fêmur proximal o mais comumcoluna (elementos posteriores) em 30% a 50%
posição no ossocortical ou subperiostealmedular (Tachdjian, HEBERT); cortical em 65% na série de LUCAS (Dahlin)
esclerosedensa e extensamenos intensa ou ausente; halo fino
dornoturna, aliviada dramaticamente por AINEmenos localizada, menos responsiva ao AINE
neurologiararadéficit, mielopatia ou radiculopatia mais frequentes
tratamentoAINE, radiofrequência por TC, burr-downcuretagem estendida ou ressecção; radiofrequência não se aplica
malignizaçãonenhumarara; risco após radioterapia

Comparando os livros lado a lado

Fundamento

A banca às vezes tira o número de um livro e a alternativa de outro, por isso vale ler os tumores com os livros abertos lado a lado. A tabela reúne as divergências que importam; a regra de MCLEOD, contada pelo Dahlin, concilia os limites de tamanho (menor que 1 cm, osteoma osteoide; maior que 2 cm, osteoblastoma; entre os dois, convenção), e todos os livros concordam que não é preciso ressecar toda a esclerose. No osteoblastoma, as divergências de frequência, localização, resposta ao AINE e tratamento estão na tabela da seção anterior.

Divergências que mais caem (Dahlin, cap. 9 e 10; Campbell 15, cap. 3, 27 e 28; Tachdjian, cap. 25; Lovell and Winter, cap. 13; HEBERT, cap. 29)
TemaDahlinCampbellTachdjianLovell and WinterHEBERT
sexo M:Fquase 3:13:12:13:1não dá
limite do nicho1,5 cm (MCLEOD 1 e 2)1,5 cm1,5 a 2 cm15 mm1,5 cm
dorprostaglandinas e nervosCOX e prostaglandinasaxônios não mielinizadosprostaglandinasfibras nervosas
RMedema típiconicho melhor na TCútil no esponjoso, não sozinhaengananão válida
cura naturalnão dá prazo3 a 4 anosvários anosmédia 33 meses2 a 5 anos
primeira escolhatermoablação por TCradiofrequência por TCradiofrequência por TCtécnicas por TCtrefina com pequena margem
esclerosenão precisa sairburr-down remove o mínimoremodelanão precisa sairsó pequena margem
primeira descriçãobibliografia: JAFFE 1935não citaJAFFE 1935credita MCLEODnão cita

Fechamento

Fundamento

O osteoma osteoide cabe em três ideias. O nicho é o tumor e a esclerose é reação: por isso importa o tamanho do nicho (até 1,5 cm, quase sempre 1 cm ou menos) e basta destruí-lo. O nicho fabrica prostaglandina: por isso a dor é noturna, cede ao AINE e o AINE sozinho pode levar à cura espontânea em alguns anos. O nicho se esconde (na cortical espessa, no arco vertebral, junto à cartilagem articular): por isso a TC é o exame de escolha e guia a ablação. O osteoblastoma é o mesmo tecido sem freio: maior, na coluna, menos responsivo ao AINE e às vezes agressivo.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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