Orto Questões

Amputações e próteses

Conceitos básicosResumo do capítulo34 min de leitura

Doença vascular periférica é a causa mais comum de amputação do membro inferior e a infecção é mais frequente nesse grupo; o nível ideal é o mais distal que cicatriza (TcPO2, albumina acima de 3,5 g/dL, linfócitos acima de 1500); o gasto energético sobe com o nível (transtibial 40% a 50%, transfemoral 90% a 100%); miodese é músculo no osso e mioplastia é músculo no músculo ou na fáscia; o nervo é tracionado e cortado para retrair; dor fantasma incômoda em menos de 10% e mais nas amputações proximais; hiperplasia verrucosa vem do encaixe que estrangula o coto; SYME corta 0,5 a 1 cm acima da articulação, SARMIENTO 1 a 1,5 cm com excisão dos maléolos, BOYD faz talectomia e artrodese calcaneotibial; transtibial ideal 12,5 a 17,5 cm (2,5 cm por 30 cm de altura); transumeral com osteotomia de angulação a 70 graus e placa posterior; deltoide abaixo da glenoide na desarticulação do ombro; na criança, sobrecrescimento terminal no úmero e na fíbula, tratado com ressecção e capa osteocondral, nunca com epifisiodese.

Atualizado em 03/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 16 · General Principles of Amputations, com o Capítulo 17 · Amputations of the Foot, o Capítulo 18 · Amputations of the Lower Extremity e o Capítulo 20 · Major Amputations of the Upper Extremity, em Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026). Autores do capítulo: Patrick C. Toy (cap. 16); David R. Richardson (cap. 17); Christopher T. Holland e Marcus C. Ford (cap. 18); Austin B. Murphy (cap. 20).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de conceitos básicos do Campbell, capítulo 16, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado na parte de amputações do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª edição (2026): os princípios gerais do capítulo 16, as amputações do pé do capítulo 17, as do membro inferior do capítulo 18 e as grandes amputações do membro superior do capítulo 20. A criança vem do Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., e do HEBERT; o trauma, do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. As páginas citadas são as impressas.

O Campbell abre o capítulo 16 com uma frase que organiza todo o tema: a amputação não é falha de tratamento, e sim o primeiro passo de uma reconstrução que devolve a pessoa a uma vida confortável e produtiva (p. 668). Isso muda o jeito de pensar cada decisão. O coto é um órgão novo: precisa cicatrizar, tolerar carga dentro de um encaixe, ter músculos equilibrados para não contrair e nervos escondidos para não doer. E o lembrete do livro vale para a prova inteira: prótese boa não compensa cirurgia mal feita.

Três tensões atravessam o capítulo: nível distal dá função, nível proximal dá cicatrização (Fig. 16.5, p. 674); comprimento economiza energia, e daí a regra de 2,5 cm de tíbia por 30 cm de altura; e a criança cresce, de modo que cada fise vale ouro e o osso cortado pode crescer em lápis até furar a pele.

As provas brasileiras (TARO, TEOT, ENARE, CET-PR) cobram três blocos: os fatos gerais (causa mais comum, complicação mais comum, dor fantasma, hiperplasia verrucosa), os epônimos do tornozelo e do pé (SYME, SARMIENTO, BOYD, PIROGOFF, CHOPART, LISFRANC) e os números de técnica (comprimento da tíbia, ângulo da osteotomia do úmero, onde suturar o deltoide). Por fim, o sobrecrescimento ósseo da criança caiu três vezes em três anos.

Quem amputa e por quê

Cobrança confirmada · 1 questão

Os números do Campbell

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 16, p. 668), estima mais de 2 milhões de amputados vivendo nos Estados Unidos e cerca de 185.000 amputações por ano, número que cresce com o envelhecimento da população (3,6 milhões de pessoas com perda de membro previstas para 2050). Mais da metade das amputações no mundo ocidental é consequência da doença vascular periférica. Nos jovens, a ordem muda: o trauma é a principal causa (45%), seguido pela malignidade (2%).

O capítulo 18 repete a mensagem pelo lado do membro inferior (p. 706): as amputações de membro inferior são as mais comuns de todas, e a indicação mais comum continua sendo o membro disvascular por diabetes e doença vascular periférica, apesar dos avanços da revascularização. O risco de amputação maior na isquemia crônica que ameaça o membro chega a 20% em 1 ano do diagnóstico.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21), confirma pelo avesso: só 5% a 15% das amputações são feitas após trauma; a maioria vem da doença vascular. E lembra que o amputado traumático é outro paciente: mais jovem, com menos comorbidades e outro potencial de cicatrização.

A doença vascular não para no membro

O Campbell (p. 668) insiste que, se a doença vascular chegou ao ponto de exigir amputação, ela não está limitada ao membro: cérebro, coronárias e rins quase sempre estão doentes. Por isso a consulta com a cirurgia vascular é quase sempre indicada antes da amputação. Cerca de metade das amputações vasculares é feita em diabéticos.

O Box 16.1 (p. 669) lista os fatores de risco no diabético, entre eles a insensibilidade ao monofilamento SEMMES-WEINSTEIN 5,07 e o índice tornozelo-braço baixo.

O prognóstico é sombrio (p. 669 e 706.e1): mortalidade da amputação maior vascular acima de 15% em 90 dias, 48% em 1 ano e 60% em 5 anos; 30% a 50% amputam o outro membro em 5 anos; 15% das transtibiais viram transfemorais em 5 anos.

A única indicação absoluta de amputação, diz o Campbell (p. 668), é a isquemia irreversível num membro doente ou traumatizado. Todas as outras (infecção incontrolável, tumor, membro funcionalmente pior que uma prótese, anomalias congênitas) são decisões de equilíbrio.

Indicações de amputação (Campbell 15, cap. 16, p. 668 a 673; cap. 18, p. 706)
IndicaçãoO que o livro destaca
Doença vascular periférica, com ou sem diabetesIndicação mais comum; mais da metade das amputações; metade em diabéticos
TraumaPrincipal causa no jovem (45%); mais em homens; única indicação absoluta de amputação primária = lesão vascular irreparável em membro isquêmico
Queimadura térmica ou elétricaAmputação tardia aumenta infecção, insuficiência renal por mioglobina e morte
CongelamentoAmputação adiada de 2 a 6 meses, até a demarcação
InfecçãoInfecção aguda ou crônica refratária; gangrena gasosa clostridial pode exigir amputação aberta de emergência
TumorSalvamento possível na maioria; nenhuma vantagem de sobrevida com margens amplas
Anomalia congênitaAlgumas do membro inferior ficam melhores com amputação e prótese

O membro mutilado: salvar ou amputar

Relevância clínica

Quando amputar logo

No trauma, o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 16, p. 669) dá uma indicação absoluta de amputação primária: lesão vascular irreparável em membro isquêmico. O Box 16.2 lista como absolutas a fratura exposta da tíbia tipo III-C com ruptura completa do nervo tibial e o esmagamento com isquemia quente acima de 6 horas. As relativas são lesões associadas graves, lesão grave do pé ipsilateral e curso previsivelmente longo até a cobertura de partes moles.

Os escores tentam tirar a subjetividade. Entre o índice preditivo de salvamento, o escore de lesão do membro, o índice de salvamento e outros, o Campbell prefere o Mangled Extremity Severity Score (MESS) de HELFET (Tabela 16.1, p. 670): fácil de aplicar, gradua a energia, a isquemia, o choque e a idade. Pontuação de 6 ou menos é compatível com membro salvável; 7 ou mais terminou em amputação. O autor calcula e registra o MESS sempre que considera amputação primária, sem segui-lo cegamente.

Mangled Extremity Severity Score (Campbell 15, cap. 16, Tabela 16.1, p. 670)
ComponenteSituaçãoPontos
Esquelético e partes molesBaixa energia (facada, fratura fechada simples, projétil de baixo calibre)1
Esquelético e partes molesMédia energia (fratura exposta ou em vários níveis, luxação, esmagamento moderado)2
Esquelético e partes molesAlta energia (espingarda à queima-roupa, projétil de alta velocidade)3
Esquelético e partes molesEsmagamento maciço (madeireira, ferrovia, plataforma de petróleo)4
ChoquePressão estável no local e no centro cirúrgico0
ChoqueHipotensão transitória que responde a volume1
ChoquePAS abaixo de 90 mmHg no local, respondendo só no centro cirúrgico2
IsquemiaMembro pulsátil sem isquemia0
IsquemiaPulsos diminuídos sem isquemia1
IsquemiaSem pulso no Doppler, enchimento lento, parestesia, motricidade diminuída2
IsquemiaSem pulso, frio, paralisado, insensível, sem enchimento capilar3
IdadeAbaixo de 30 anos0
IdadeDe 30 a 50 anos1
IdadeAcima de 50 anos2
RegraPontos de isquemia dobrados se a isquemia passar de 6 horas; 7 ou mais sugere amputação

Nenhum escore substitui o juízo clínico. O salvamento heroico pode causar sobrecarga metabólica e falência orgânica, sobretudo no politraumatizado e no idoso; um ISS acima de 50 foi sugerido como contraindicação a tentativas heroicas (p. 670). O capítulo 17 acrescenta dois estudos (p. 686, aprox.): o LEAP concluiu que os escores não ajudam a decidir quem vai se beneficiar da amputação, mas achou o MESS muito específico para quem não precisa amputar; o OUTLET mostrou pouco benefício do salvamento sobre a amputação inicial nas lesões complexas do terço distal da tíbia, tornozelo e retropé. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 21, p. 912), usa o mesmo corte na criança: MESS abaixo de 7 prediz salvamento; 7 ou mais, amputação.

O que o paciente precisa ouvir

O Campbell (p. 670) quer o paciente informado do custo do salvamento: várias cirurgias, fixador por anos, infecção, pseudartrose, dor crônica. A amputação precoce com prótese se associa a menos morbidade, internação mais curta e volta mais cedo ao trabalho; o pior cenário é amputar depois de anos de salvamento malsucedido.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21), diverge na ênfase. Os escores predizem mal a viabilidade; o déficit sensitivo não deve basear a decisão (pode ser neuropraxia); e a amputação tardia não tem resultado pior que a primária, de modo que reconstruir por padrão e deixar o membro "se declarar" é aceitável. O Campbell valoriza a amputação precoce para evitar o salvamento interminável; o Rockwood aceita a reconstrução como ponto de partida.

A cirurgia no trauma agudo

No trauma agudo (Campbell, p. 670 e 671): desbridamento, ferida aberta e reavaliação do tecido duvidoso em 24 a 48 horas; comprimento preservado com retalhos atípicos ou livres, inclusive do segmento amputado; neurectomia por tração dos nervos nomeados; revisão posterior com expansores ou ILIZAROV. No controle de danos, o Rockwood só retira osso macroscopicamente contaminado, adia a ressecção definitiva para o fechamento e usa pressão negativa sem fechar o coto.

Queimadura, congelamento, infecção e tumor

Relevância clínica

Queimadura e congelamento: tempos opostos

As duas lesões térmicas têm condutas opostas, e a prova pode explorar exatamente isso (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 16, p. 671).

Na queimadura térmica ou elétrica (a elétrica esconde a extensão real), desbrida-se cedo e de forma repetida; a amputação tardia de um membro insalvável aumenta infecção, insuficiência renal por mioglobina e morte.

No congelamento (cristais de gelo e lesão endotelial), reaquece-se rápido em água a 40 a 44 °C, deixam-se as bolhas intactas e usa-se anti-inflamatório; a amputação é adiada de 2 a 6 meses, porque a demarcação demora e os tecidos profundos ainda se recuperam; a infecção é rara mesmo com tecido mumificado. A exceção é a escara circunferencial constritiva.

Infecção e gangrena gasosa

Na infecção refratária, a amputação aberta é em guilhotina com revisão proximal posterior, ou no nível definitivo com retalhos invertidos e fechamento em 10 a 14 dias (p. 671). As infecções por germes formadores de gás são as mais temidas.

Infecções com formação de gás (Campbell 15, cap. 16, Tabela 16.2 e texto, p. 672)
InfecçãoInícioQuadroConduta
Mionecrose clostridialMenos de 3 dias, geralmente em 24 h do fechamentoDor e edema intensos, toxemia grave, sensação de morte iminente, pele bronzeada, exsudato serossanguinolento, odor de rato; Gram-positivos em bastãoDesbridamento radical imediato, penicilina em dose alta (clindamicina se alergia), oxigênio hiperbárico; amputação aberta de emergência uma articulação acima, se preciso
Mionecrose estreptocócica3 a 4 diasMenos toxêmico, edema grande, dor menor, secreção seropurulenta abundante com pouco gásDesbridamento dos compartimentos, ferida aberta, penicilina; geralmente preserva o membro
Celulite anaeróbia ou fasciite necrosanteVários diasEnfisema subcutâneo que se espalha, gás abundante e fétido, pouca dor e toxemia, músculo poupadoDesbridamento e antibiótico de largo espectro; amputação rara

Raramente uma fístula crônica dá origem a carcinoma espinocelular, que exige amputação (p. 672).

Tumor

No osteossarcoma, a recidiva local após ressecção ampla no fêmur distal (5% a 10%) é igual à da transfemoral, e nenhum estudo mostrou vantagem de sobrevida de uma técnica sobre a outra com margens amplas (Campbell, p. 672). A localização decide a função: no membro superior, no fêmur proximal e na pelve, o salvamento costuma vencer a prótese; no tornozelo e no pé, a amputação. O salvamento tem mais morbidade perioperatória e um terço dos membros salvos acaba amputado. Na criança, os tumores malignos são a segunda causa de amputação adquirida (Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed., cap. 21, p. 913).

O nível certo e o preço de andar

Fundamento

Função contra cicatrização

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 16, p. 674) resume a escolha do nível numa figura: quanto mais distal, mais função; quanto mais proximal, menos complicação. O estado geral, a nutrição, a imunidade e a reabilitação entram na conta. Mesmo quando a revascularização não salva o membro inteiro, pode permitir que cicatrize uma amputação parcial do pé ou do tornozelo em vez de uma transtibial; por outro lado, o autor observa que a ponte periférica parece prejudicar a cicatrização de uma transtibial futura (p. 669 e 674).

O custo energético é o argumento central. A energia para andar é inversamente proporcional ao comprimento do membro remanescente (p. 669). A velocidade de marcha escolhida pelo próprio paciente cai com o nível, porque andar devagar é a forma de economizar energia por unidade de tempo.

Velocidade de marcha e gasto energético por nível (Campbell 15, cap. 16, p. 674; cap. 18, p. 707 e 716)
NívelVelocidade da marcha (porcentagem do controle)Gasto energético a mais para andar
SYME, vascular66%
Transtibial, vascular59%40% a 50% (transtibial em geral)
Transtibial, traumático87%
Transfemoral, vascular44%90% a 100% (transfemoral em geral); passa de 50% da capacidade aeróbia máxima
Transfemoral, traumático63%
Transfemoral bilateralConsumo de oxigênio 4 a 7 vezes maior com próteses; preferem a cadeira de rodas

Os amputados andam numa porcentagem da capacidade aeróbia máxima parecida com a dos controles da mesma idade, exceto o transfemoral vascular, que passa de 50% mesmo para andar pouco, entra em metabolismo anaeróbio e perde resistência; por isso poucos voltam a deambular (p. 674 e 675). A conclusão é dupla: se a marcha é o objetivo, amputar no nível mais distal possível; se o paciente não tem potencial de marcha, o objetivo passa a ser cicatrizar com pouca morbidade.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21) registra uma exceção à regra do comprimento: há evidência de que o amputado parcial do pé gasta mais energia que o transtibial. E acrescenta um alerta sobre o longo prazo: a vantagem funcional do amputado pode se inverter na velhice, porque andar com prótese exige muito mais energia que andar com um membro próprio, ainda que ruim.

O paciente que não vai andar

Para o não deambulador, o Campbell (p. 669 e 675) desaconselha a transtibial (ferida e contratura em flexão do joelho) e prefere a desarticulação do joelho: alavanca longa e equilibrada para transferências e melhor apoio para sentar.

Como prever a cicatrização

O exame clínico (cor, pelos, temperatura) é o começo (p. 675). A arteriografia ajuda pouco a prever cicatrização, e as pressões sistólicas segmentares costumam estar falsamente elevadas pela rigidez das artérias calcificadas. O autor prefere o oxigênio transcutâneo, medido em vários pontos do membro com a sonda aquecida a 45 °C por 10 minutos para vasodilatação máxima.

Exames e números que predizem cicatrização (Campbell 15, cap. 16, p. 669, 675 e 679; cap. 17, p. 687 e 697; cap. 18, p. 707)
ParâmetroValorLeitura
TcPO220 a 40 mmHgZona de corte para "boa" cicatrização, sem valor absoluto (há 50% de cicatrização abaixo de 10 mmHg)
TcPO2Abaixo de 20 mmHgAlto valor preditivo de falha (cap. 18); cicatrização improvável naquele nível (cap. 17)
TcPO2Acima de 37 mmHgCorrelaciona-se com cicatrização no pé; requisito do médio-pé
TcPO2 com O2 a 100%Aumento de 10 mmHgBom sinal
TcPO2 com elevação de 3 minQueda acima de 15 mmHgMau prognóstico
Pressão do dedoAcima de 45 mmHgCorrelaciona-se com cicatrização
Albumina séricaAbaixo de 3,5 g/dLRisco de complicação da ferida muito aumentado
Linfócitos totaisAbaixo de 1500 por mLIdem
Médio-péPulso tibial posterior palpável, Hb acima de 10 g/dL, albumina acima de 30 g/LRequisitos de LISFRANC e CHOPART

O TcPO2 fica falsamente baixo quando a difusão de oxigênio cai, como na celulite e no edema. O Campbell's Concepts do capítulo 18 (p. 707) dá o corte nutricional de outra forma (albumina de até 3 g/dL), e o texto do capítulo 16 usa 3,5 g/dL: na prova, os dois números aparecem como "albumina baixa".

A técnica que serve para todo coto

Fundamento

Pele e retalhos

Com os encaixes modernos de contato total, a posição da cicatriz quase nunca importa, desde que não esteja aderida ao osso, porque a cicatriz aderida se rompe com o uso da prótese (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 16, p. 675). Partes moles redundantes e grandes "orelhas" atrapalham a adaptação do encaixe. Os Campbell's Concepts resumem: retalhos espessos, dissecção mínima para não desvascularizar, envoltório firme na ponta e, se preciso, retalhos atípicos sempre preferíveis a amputar num nível mais proximal.

Músculo: miodese contra mioplastia

Os músculos são divididos pelo menos 5 cm distais ao corte ósseo e estabilizados de duas formas (p. 675):

Miodese e mioplastia (Campbell 15, cap. 16, p. 675; cap. 18, p. 706; Rockwood and Green 10, cap. 21)
MiodeseMioplastia
DefiniçãoMúsculo ou tendão suturado ao osso (furos ou âncoras)Músculo suturado ao periósteo, à fáscia ou ao grupo antagonista
VantagensInserção mais forte, maximiza força, minimiza atrofia (sem fixação, atrofia de 40% a 60% em 2 anos), mantém o equilíbrio com os antagonistas e evita contraturasMenos agressiva; é a mais usada na transtibial não isquêmica
LimitePode ser contraindicada na isquemia grave (risco de deiscência); miodese sob tensão contraindicada na transtibial isquêmicaInserção menos firme
Exemplo clássicoAdutor magno no fêmur lateral na transfemoralGastrocnêmio-sóleo suturado à fáscia e ao periósteo anterior na transtibial

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21), explica o porquê: o músculo solto perde a função, atrofia, contrai e deixa de bombear o retorno venoso. A perda do adutor magno é o exemplo mais forte: os abdutores ficam sem oposição e o coto anda em abdução.

Hemostasia

O torniquete é muito desejável, exceto no membro gravemente isquêmico; não se exsanguina com ESMARCH em infecção ou tumor (eleva-se o membro por 5 minutos); artérias e veias são ligadas separadamente; dreno por 48 a 72 horas (p. 675 e 676). O capítulo 18 (p. 709 e 710) cita ensaios em que o torniquete no disvascular reduziu sangramento sem aumentar complicações.

Osso

As proeminências mal acolchoadas são ressecadas e o osso é limado em contorno liso, sobretudo na face anterior da tíbia, na face lateral do fêmur e no estiloide radial (p. 676). O descolamento periosteal excessivo é contraindicado: pode formar sequestro em anel ou crescimento ósseo.

Nervo e neuroma

O neuroma é inevitável após cortar um nervo, porque os axônios não acham o coto distal (p. 676). Ele só dói se ficar onde sofre trauma repetido (pressão, estiramento, pulsação). A técnica de consenso é isolar o nervo, tracioná-lo suavemente para a ferida e cortá-lo com bisturi afiado, para que a ponta retraia bem acima do corte ósseo. Tração forte deixa o coto doloroso mesmo depois de cicatrizado; esmagar também é proibido. Nervos grandes como o isquiático têm artérias calibrosas e devem ser ligados.

A reinervação muscular dirigida (TMR) transfere as pontas nervosas para novos músculos (p. 676): dá ao nervo um órgão-alvo, reduz o neuroma e amplifica os sinais para a prótese mioelétrica. A RPNI envolve a ponta do nervo num enxerto muscular livre (cap. 20, p. 729).

A amputação aberta

Não fecha a pele na ponta e é sempre a primeira de pelo menos duas cirurgias, indicada em infecção e trauma muito contaminado; o autor usa vácuo com desbridamentos a cada 48 horas (p. 676).

Do curativo rígido à prótese

Fundamento

O curativo rígido

Sem carga imediata, aplica-se gesso acolchoado e bem suspenso; com carga imediata, um gesso protético com pilão e pé (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 16, p. 677). O curativo rígido serve a praticamente todos os níveis e idades e substituiu o mole (Box 16.4): evita edema, protege, acelera a cicatrização, reduz a dor, evita a contratura em flexão do joelho na transtibial e encurta a internação. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21) acrescenta vácuo sobre a sutura e imobilizador da transtibial em 10 graus de flexão.

Posição, exercício e carga

Drenos saem em 48 horas; o coto fica elevado, nunca pendente; na transfemoral, nada de travesseiro entre as coxas ou sob o coto (contratura em flexão e abdução) (p. 678). O jovem amputado acima da zona de lesão pode ter 25 libras de carga parcial já no pós-operatório; o isquêmico ou amputado dentro da zona de lesão espera a cicatrização; depois, sobem-se 25 libras por semana, com vigilância maior no neuropata e na criança.

Do gesso à primeira prótese

A ferida é inspecionada em 7 a 10 dias e o gesso trocado semanalmente; quando o volume para de mudar de uma semana para outra, faz-se a primeira prótese, de preferência modular, porque o encaixe costuma ser trocado nos primeiros 18 meses (p. 678). A osseointegração (implante intramedular que sai por um estoma) troca os problemas do encaixe por risco de infecção, fratura e afrouxamento (Tabela 16.4, p. 679); no úmero, a infecção superficial chega a 50% (cap. 20, p. 735).

Complicações da ferida

Cobrança confirmada · 1 questão

O tamanho do problema

Numa revisão de 5732 pacientes com amputações transmetatarsais, abaixo e acima do joelho, a taxa global de complicação foi de 43%, a maioria relacionada à ferida (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 16, p. 678). Os preditores de reinternação foram morar em casa de repouso, cirurgia não eletiva, revascularização ou amputação prévia, insuficiência cardíaca e diálise.

Hematoma

Hemostasia meticulosa antes de fechar, dreno e curativo rígido devem minimizá-lo (p. 678). O hematoma atrasa a cicatrização e serve de meio de cultura. Trata-se com curativo compressivo; se atrasar a cicatrização, com ou sem infecção, drena-se no centro cirúrgico. No pé, o capítulo 17 (p. 687) alerta que muitos pacientes usam anticoagulante e o hematoma compromete a ferida.

Infecção

A frase que a banca transformou em questão está no Campbell (p. 678): a infecção é mais comum nas amputações por doença vascular periférica, sobretudo nos diabéticos, do que nas amputações por trauma ou tumor. A infecção profunda pede desbridamento e irrigação imediatos no centro cirúrgico, ferida aberta e antibiótico guiado pelas culturas intraoperatórias. O fechamento tardio fica difícil por edema e retração dos retalhos; SMITH e BURGESS propuseram fechar só o terço central e deixar o resto aberto, mantendo retalhos para cobrir o osso (p. 679). O capítulo 17 (p. 686, aprox.) reforça: infecções pós-operatórias graves são bem mais frequentes no diabético complicado (retinopatia, neuropatia, úlcera prévia, CHARCOT, doença vascular).

Necrose da ferida

Diante de necrose significativa, primeiro se reavalia o nível (TcPO2, albumina, linfócitos), suplementa-se a nutrição e o fumante para (p. 679). Necrose de borda menor que 1 cm é conservadora. Se o osso ficar mal coberto, faz-se ressecção em cunha: o coto é um hemisfério, e a cunha que atravessa todo o diâmetro refaz o hemisfério com tensão distribuída, ao contrário da ressecção local (p. 680).

Contraturas

Prevenção com posição correta, alongamento passivo suave e fortalecimento (p. 680). No joelho, andar mais reduz a contratura. Às vezes a prótese é adaptada; raramente as contraturas fixas graves precisam de gesso em cunha ou liberação cirúrgica.

Dor depois da amputação: fantasma, neuroma e coto

Cobrança confirmada · 1 questão

O primeiro passo é diagnosticar a causa (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 16, p. 680): a dor fantasma precisa ser separada da dor no coto, e as duas de uma dor de origem distante, como uma hérnia de disco lombar. A dor aguda é tratada com analgesia multimodal (KEHLET e DAHL: bloqueios, opioide por pouco tempo, paracetamol, anti-inflamatório, gabapentinoides, cetamina, clonidina, dexametasona), que também pode reduzir o risco de dor crônica.

Sensação fantasma e dor fantasma

A sensação fantasma é comum e normal; a maioria não se incomoda, e o essencial é avisar o paciente para que não se assuste (p. 680). No primeiro ano, muitos sentem a "telescopagem": o membro fantasma encurta até a ponta do coto. A dor fantasma é bem menos comum. Há relatos de 80%, mas a maioria dos autores concorda que a dor fantasma realmente incômoda está presente em menos de 10% (p. 681). Ela é mais frequente nas amputações proximais (interescapulotorácica e hemipelvectomia) e em quem tinha dor no membro antes da amputação; a peridural iniciada na véspera para preveni-la tem resultados contraditórios. Instalada, é difícil de tratar, e nenhum método funciona para todos.

No membro superior, o capítulo 20 (p. 730) dá o número que a banca usou: a dor fantasma foi relatada em mais de 50% dos pacientes, mas raramente impede o uso da prótese ou o emprego; nas amputações do ombro ela é comum e é mais bem tratada por bloqueios nervosos proximais (p. 736).

Neuroma doloroso e dor no coto

O neuroma sempre se forma; dói quando a ponta sofre pressão ou irritação repetida (p. 680). Costuma ser palpável, com TINEL positivo. O tratamento começa pela modificação do encaixe; se falhar, excisão do neuroma ou neurectomia mais proximal, eventualmente com anastomose centrocentral ou selamento do epineuro. A dor no coto costuma vir de prótese mal adaptada, que põe pressão em tecido que não foi feito para suportá-la; o edema distal por ponta mal assentada, o "choking", pode ulcerar. Lombalgia mecânica e artrose do quadril (tratada como em qualquer paciente) também entram no diagnóstico diferencial. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21) resume os tipos de dor: fantasma, neuropática em choque perto dos nervos cortados, mecânica do encaixe e artrose de articulações distantes pela marcha alterada.

A pele dentro do encaixe

Cobrança confirmada · 1 questão

O coto vive fechado num encaixe quente e úmido. O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 16, p. 681) manda lavar o coto ao menos uma vez por dia com sabão antimicrobiano suave, enxaguar e secar bem antes de vestir a prótese, que também deve estar limpa e seca.

Problemas de pele do coto (Campbell 15, cap. 16, p. 681)
ProblemaCausaTratamento
Dermatite de contatoMais comum: detergente mal enxaguado das meias; também níquel, cromo do couro, cremes, borracha, antibiótico e anestésico tópicosRetirar o irritante, compressas, corticoide tópico, compressão; confunde-se com infecção
Foliculite bacterianaPele pilosa e oleosa, piorada por depilação e má higieneHigiene e alívio das áreas de pressão; antibiótico na celulite, drenagem no abscesso
Cisto epidermoideBorda do encaixe, tardioModificar o encaixe; excisão se preciso
Hiperplasia verrucosaConstrição proximal impede o coto de assentar no encaixe ("choking"): edema distal, espessamento, fissuras, úlcera e infecçãoTratar a infecção, compressas e ácido salicílico; modificação do encaixe obrigatória, com pressão na pele distal

A hiperplasia verrucosa é o item mais cobrado. É um crescimento da pele parecido com verruga na ponta do coto, mas não é vírus. O mecanismo é mecânico: o encaixe aperta em cima e deixa a ponta solta; sem contato distal, o líquido se acumula, a pele engrossa, racha, ulcera e infecciona. Por isso a cura passa pelo encaixe: é preciso devolver a pressão na pele distal para tratar e evitar a recidiva.

Amputações do pé: dedos, raios e transmetatarsal

Possível cobrança

O capítulo 17 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. abre com os diabéticos: até 30% das amputações do pé progridem para um nível mais proximal, e quase metade dos pacientes com úlcera de retropé chegará à transtibial ou acima (p. 686, aprox.). Para otimizar: retalhos espessos, sem esmagar bordas, hemostasia, evitar hematoma e testar a dorsiflexão do tornozelo com limiar baixo para alongar o Aquiles.

Amputações do pé por nível (Campbell 15, cap. 17, p. 687 e 693 a 697)
NívelFunção e particularidades
HáluxNão altera a marcha lenta; claudica ao correr por perda da impulsão
Segundo dedoHálux valgo progressivo em cerca de 70%; considerar LAPIDUS
Quinto dedoO dedo mais amputado (sobreposição ao quarto)
Todos os dedosPouco prejuízo na marcha lenta; atrapalha correr, agachar e ficar na ponta dos pés; sem prótese
Mais de dois raiosMais incapacitante que a transmetatarsal
TransmetatarsalAnda com enchimento no calçado e sola em mata-borrão, sem prótese; quase sempre alongar o Aquiles ou recessão do gastrocnêmio
LISFRANC (tarsometatarsal)Tende ao equinovaro; preservar tibial anterior, fibular longo e curto; poupar a base do segundo metatarso
CHOPART (transversa do tarso)Equino grave; transferir dorsiflexores ao tálus e fazer tenectomia do Aquiles

Na transmetatarsal (p. 693 a 696), retalho plantar longo, metatarsos cortados em bisel dorsal-distal para plantar-proximal e em cascata (cada um 2 a 3 mm mais curto que o medial, o quinto 4 a 5 mm), com serra elétrica; o braço de alavanca curto leva ao equino, por isso o Aquiles é alongado, e primeiro.

Médio-pé: LISFRANC e CHOPART

LISFRANC (nas tarsometatarsais) e CHOPART (na transversa do tarso) geram grande prejuízo de marcha por perda de apoio e impulsão, e ambos tendem ao equino pela perda das inserções dos dorsiflexores (p. 696). Os Campbell's Concepts ensinam a evitar o equinovaro: no LISFRANC, preservar ou reinserir o tibial anterior e o fibular longo no cuneiforme medial e o fibular curto na base do quinto, e poupar a base do segundo metatarso para manter o arco transverso; no CHOPART, transferir um ou mais dorsiflexores (tibial anterior e extensores ao colo do tálus) e fazer tenectomia do Aquiles de 2 a 3 cm, melhor que o alongamento simples; gesso em leve dorsiflexão por 6 semanas; artrodese do tornozelo ou tibiotalocalcaneana como alternativa. Depois do CHOPART, o paciente usa órtese tornozelo-pé com sola em mata-borrão (p. 697). O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21) lembra que LISFRANC e SYME costumam ser evitados no trauma de jovem ativo, pela dificuldade de protetização e pelo ótimo resultado da transtibial.

Tornozelo e retropé: SYME, SARMIENTO, BOYD e PIROGOFF

Cobrança confirmada · 3 questões

O que o coto do tornozelo precisa ter

A amputação em torno do tornozelo precisa de duas coisas (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 17, p. 697): apoio terminal e espaço entre a ponta do coto e o chão para montar o tornozelo do pé protético. O coxim do calcanhar é a peça-chave, porque é pele e gordura septada feitas para carga.

As quatro técnicas

  • SYME (1843): corte da tíbia e da fíbula 0,5 a 1,0 cm proximal à articulação, passando centralmente pela cúpula do tornozelo, com o coxim do calcanhar como retalho posterior único (p. 697 a 702). Dá apoio terminal com pele normal de carga. A objeção é cosmética: o coto é bulboso pela metáfise distal larga, e a prótese clássica tem janela medial removível e pé SACH. Técnica: ligar a tibial posterior junto à borda do retalho, preservar a gordura septada, nunca retirar as "orelhas" (levam boa parte da irrigação do retalho) e, pela técnica de WAGNER, suturar a fáscia profunda do coxim em furos na borda anterior da tíbia e da fíbula para evitar a migração.
  • SARMIENTO: para um coto menos bulboso e encaixe expansível sem janela, transecção da tíbia e da fíbula cerca de 1 a 1,5 cm proximal à articulação e excisão dos maléolos medial e lateral (p. 697).
  • BOYD: talectomia, avanço do calcâneo e artrodese calcaneotibial (p. 697, 703 e 704). Desarticulação mediotársica, retirada do tálus, osteotomia transversa do calcâneo logo distal ao tubérculo fibular, calcâneo deslocado para a frente, com a face inferior paralela ao chão, e fixado à tíbia com parafuso. Dá excelente apoio terminal e elimina a migração posterior do coxim, mas é tecnicamente mais difícil e o coto é mais bulboso; sem carga até 8 semanas.
  • PIROGOFF: artrodese da tíbia com parte do calcâneo: o calcâneo é seccionado verticalmente, a parte anterior é removida e a posterior, com o coxim, é rodada 90 graus para a frente e para cima até encontrar a tíbia (p. 697 e 696). Pouca vantagem sobre o BOYD e mais difícil.
As amputações do tornozelo lado a lado (Campbell 15, cap. 17, p. 697 a 704; HEBERT, cap. 25)
TécnicaOssoCalcâneoPonto fortePonto fraco
SYMETíbia e fíbula 0,5 a 1 cm acima, pela cúpulaRetirado; fica só o coximApoio terminal com pele de cargaCoto bulboso; migração posterior do coxim
SARMIENTOTíbia e fíbula 1 a 1,5 cm acima, com excisão dos maléolosRetiradoCoto mais estreito, encaixe expansívelMenos flare para suspensão
SYME em dois tempos (WAGNER)1º desarticulação com cartilagem e maléolos; 2º retira maléolos e flares após 6 semanasRetiradoDiabético com infecção do antepéDuas cirurgias
BOYDTalectomia; artrodese calcaneotibialParte posterior avançada horizontalmenteSem migração do coxim; menor encurtamentoMais difícil e mais bulboso
PIROGOFFArtrodese tibiocalcâneaSeccionado verticalmente e rodado 90 grausApoio terminalPouca vantagem sobre BOYD; mais difícil

Os Campbell's Concepts (p. 702) chamam o SYME de amputação "implacável": bem feita, é muito satisfatória; mal feita, não vale nada e o membro vai para nível mais alto. As causas de mau resultado são a migração posterior do coxim, a necrose de pele por fechamento sob tensão ou corte excessivo das orelhas e o comprometimento da artéria tibial posterior. O SYME em dois tempos (WYSS, MALONE, WAGNER, p. 702 e 703) serve ao diabético com infecção do antepé; os tempos podem ser unidos quando a infecção não está perto do coxim.

O HEBERT (cap. 25) acrescenta o olhar pediátrico: na criança, sobretudo abaixo de 5 anos, o SYME é feito sem ressecar os maléolos nem a cartilagem da tíbia, que remodelam com o crescimento; a complicação mais comum é a migração posterior do coxim pela tração do Aquiles, minimizada pela tenotomia. O BOYD retira o tálus e funde o calcâneo à epífise distal da tíbia preservando a fise, sem migração e com menos encurtamento. Na hemimelia fibular, SYME ou BOYD são a cirurgia de escolha.

Transtibial: o comprimento que a banca pede

Cobrança confirmada · 2 questões

A transtibial é a amputação de membro inferior mais comum, e preservar o joelho é essencial para a reabilitação (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 18, p. 706). Há três níveis (muito curto, curto e padrão) e dois mundos: o membro não isquêmico e o isquêmico.

Quanto osso deixar

No membro não isquêmico, o coto deve dar uma alavanca de controle sem faltar partes moles (p. 707). Coto longo dá marcha mais natural, mas o terço distal da perna é subótimo: pouca partes moles, mais avascular, cicatriza mal e acomoda pior as próteses avançadas. No adulto, o comprimento ideal do osso é de 12,5 a 17,5 cm, conforme a altura, e a regra prática é 2,5 cm de osso para cada 30 cm de altura. Para 1,80 m: 180 dividido por 30 dá 6, vezes 2,5 dá 15 cm.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21) mede da interlinha medial e chega ao mesmo número por dois caminhos: 2,5 cm por 30 cm (cerca de 15 a 17 cm) ou uma polegada por pé de altura (6 pés, 15 cm); 12,5 cm é provavelmente o corte mais curto viável. Ele alerta que o coto também pode ser longo demais, sobrando pouco músculo sobre a tíbia distal e pouco espaço para o tornozelo protético.

Transtibial no membro não isquêmico e no isquêmico (Campbell 15, cap. 18, Tabela 18.1, p. 707 a 710)
Não isquêmicoIsquêmico
Miodese sob tensão ou mioplastia (mais mioplastia)Preservar as conexões vasculares entre pele e músculo, com retalhos miocutâneos
Sinostose tibiofibular (ERTL) dá construção estável de apoio terminal e reduz instabilidade tibiofibular proximalMiodese sob tensão e osteomioplastia contraindicadas (restringem o fluxo)
15 cm da superfície articular medial satisfaz a maioria; abaixo de 12,5 cm, menos eficienteNível mais alto: 10 a 12,5 cm da interlinha (BURGESS: 8,8 a 12,5 cm)
Coto sem quadríceps não é útilRetalhos que favorecem as faces posterior e medial, mais bem irrigadas
Se 8,8 cm ou menos, retirar toda a fíbula com algum músculoBURGESS (posterior longo) mais usado; PERSSON (medial e lateral iguais), oblíquos
Manter a cabeça da fíbula ajuda o encaixe de contato totalTorniquete: ensaios sem aumento de complicação
Cortar os isquiotibiais deixa o coto curto entrar mais no encaixe, à custa da flexãoReabilitação cautelosa; foco na cicatrização

As técnicas

Na técnica clássica (p. 708 e 709), retalhos iguais de metade do diâmetro, bisel da crista tibial e fíbula 1,2 cm mais curta, com o gastrocnêmio-sóleo suturado ao periósteo anterior. No BURGESS (p. 710), retalho posterior longo e fíbula 0,9 a 1,3 cm mais alta, sem miodese sob tensão. O Rockwood corta a fíbula 1 a 2 cm acima da tíbia.

Joelho e coxa: desarticulação e transfemoral

Fundamento

Desarticulação do joelho

A desarticulação dá um coto de apoio terminal (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 18, p. 711 e 712). As vantagens são a grande superfície de carga do fêmur distal coberta por pele feita para carga, a alavanca longa com músculos fortes e a estabilidade da prótese; no não deambulador, o comprimento extra melhora o sentar, e somem a contratura em flexão e as úlceras distais da transtibial. O benefício sobre a transfemoral continua incerto no Campbell. Na técnica de BATCH, SPITTLER e MCFADDIN, não se retira a patela, o tendão patelar é suturado aos cruzados e a prótese sai em 6 a 8 semanas, porque o coto quase não encolhe (p. 714); MAZET e HENNESSY ressecam as saliências dos côndilos (p. 714.e1).

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 21), diverge: o LEAP achou a desarticulação pior que a transfemoral com só 18 pacientes, mas uma metanálise deu SF-36 físico de 45 contra 38 a favor dela, e os autores a preferem. Ambos concordam que a transtibial é superior à desarticulação.

Onde vai a carga em cada nível (Rockwood and Green 10, cap. 21; Campbell 15, cap. 18, p. 711 e 714)
NívelTransmissão de carga
TranstibialHidrostática pelo encaixe; joelho em 5 a 10 graus de flexão, carga no tendão patelar (como ajoelhar)
Transtibial de ERTLApoio terminal parcial pela ponte tibiofibular
Desarticulação do joelhoApoio terminal direto nos côndilos femorais
TransfemoralHidrostática; no coto curto, apoio do túber isquiático numa prateleira do encaixe
Corte menos de 5 cm abaixo do trocanter menorFunciona e é protetizado como desarticulação do quadril

Transfemoral

É a segunda amputação mais frequente (p. 714). Sem o joelho, o coto precisa ser o mais longo possível, mas cabendo o joelho protético: o joelho convencional de fricção constante ocupa 9 a 10 cm abaixo do encaixe, e o osso é cortado esse tanto acima do joelho; joelhos computadorizados de fricção variável permitem segmentos mais longos. Sem miodese do adutor magno, perde-se pelo menos 70% da força de adução. Na técnica de GOTTSCHALK (p. 715 e 716), o fêmur é cortado 12 cm acima do joelho, o adutor magno é suturado à face lateral do fêmur com a coxa em adução máxima e o quadríceps passa por cima com o quadril em extensão. A perda do joelho aumenta exponencialmente o gasto energético; muitos transfemorais vasculares nunca usam prótese de forma consistente, e a contratura em flexão do quadril é combatida com exercícios de extensão.

Membro superior

Cobrança confirmada · 2 questões

Princípios

As amputações proximais (ombro e interescapulotorácica) são mais feitas por tumor (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 20, p. 729). Preserva-se todo o comprimento possível; a prótese temporária em até 30 dias reduz a rejeição, e cerca de 50% abandonam a prótese em 5 anos (p. 730).

Níveis do membro superior (Campbell 15, cap. 20, p. 730 a 739)
NívelO que preservar ou fazer
Transcarpal e desarticulação do punhoPreferíveis ao antebraço: mantêm a pronossupinação (50% transmitidos à prótese); não lesar a radioulnar distal nem a fibrocartilagem triangular
Transradial40% das amputações maiores; manter ao menos 5 cm de ulna; se mais curto, tenodese do bíceps na ulna
Desarticulação do cotoveloCôndilos dão suspensão e transmitem a rotação do úmero; geralmente preferível a nível mais alto
TransumeralDo supracondiliano à prega axilar; corte ao menos 3,8 cm acima do cotovelo; trava do cotovelo e plataforma giratória
Osteotomia de angulação do úmeroMínimo de 6 cm de osso, 70 graus, placa posterior; dispensa arnês e melhora o controle rotacional
Úmero proximalPreservar 5 a 7 cm mantém o contorno do ombro
Desarticulação do ombroMúsculos suturados na glenoide; deltoide suturado abaixo da glenoide

Transumeral e ombro

A prótese transumeral precisa de trava interna do cotovelo e de plataforma giratória (turntable), que substitui a rotação do úmero; a trava ocupa 3,8 cm abaixo do encaixe, e por isso o osso é cortado ao menos 3,8 cm acima da articulação. A osteotomia de angulação pode dispensar o arnês de ombro da prótese mioelétrica e melhora muito o controle rotacional: exige pelo menos 6 cm de osso residual, corte em 70 graus e placa posterior.

Na desarticulação do ombro (p. 738 e 739), o braço é girado internamente para cortar os rotadores externos e a cápsula posterior, e externamente para o subescapular e a cápsula anterior. As pontas musculares são suturadas dentro da cavidade glenoide para preencher o vazio da cabeça, e o retalho do deltoide é levado para baixo e suturado inferior à glenoide; o acrômio proeminente pode ser ressecado em parte. Na interescapulotorácica, o autor prefere a via posterior de LITTLEWOOD à anterior de BERGER.

A criança amputada e o osso que cresce

Cobrança confirmada · 3 questões

Princípios

Cerca de 60% das amputações infantis são congênitas e 40% adquiridas, estas sobretudo por trauma (cortador de grama nas pequenas; veículos, armas e ferramentas nas maiores), depois neoplasia e infecção (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 16, p. 681). Os princípios de KRAJBICH: preservar comprimento (a fise distal faz 75% do crescimento do fêmur, e a transfemoral da criança pequena vira coto curto no adulto); preservar as fises (uma transtibial curta com a fise proximal fica funcional); desarticular em vez de cortar o osso (mantém comprimento e fises, evita o sobrecrescimento e melhora a suspensão pelos flares metafisários); preservar o joelho. A criança tolera tração forte da pele, enxertos e fechamento sob tensão; não desenvolve dor fantasma dolorosa, os neuromas raramente precisam de cirurgia e os problemas psicológicos aparecem só na adolescência (p. 684). O HEBERT (cap. 25) dá números: dor fantasma inexistente abaixo de 6 anos e rara entre 6 e 12; neuroma doloroso em 3%.

A fração do crescimento femoral distal muda entre os livros: 75% no Campbell, 80% no Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 21, p. 912) e cerca de 70% no HEBERT. A mensagem é a mesma: a transfemoral da criança pequena é má opção, e a desarticulação do joelho é preferível. O Tachdjian (p. 915) faz epifisiodese femoral distal na desarticulação do joelho, anos antes da maturidade, para sobrar 5 a 6 cm de espaço para o joelho protético. O HEBERT e o Tachdjian lembram, porém, que a transtibial supera a desarticulação do joelho em função e esporte, e que cotos tibiais curtos crescem pela fise proximal.

O sobrecrescimento terminal

É o grande problema do coto transósseo da criança e não ocorre na desarticulação (Campbell, p. 681). Vem de formação óssea aposicional, sem relação com a fise; o osso fica alongado, em ponta de lápis, e causa edema, dor, bursa e, nos casos graves, perfura a pele. É mais comum após amputação traumática e em crianças menores.

Sobrecrescimento terminal nos três livros (Campbell 15, cap. 16, p. 681 e 684; cap. 20, p. 735; Tachdjian 6, cap. 21, p. 912 a 916; HEBERT, cap. 25)
PontoCampbellTachdjianHEBERT
Ossos mais acometidosÚmero e fíbula; depois tíbia, fêmur, rádio e ulnaÚmero, fíbula, tíbia e fêmurÚmero, fíbula, tíbia e fêmur
MecanismoAposição óssea, não a fiseFenômeno biológico local: o periósteo é puxado para o canal e encontra o endósteoCanal medular aberto, pressão intramedular baixa, espículas
Frequência27% precisaram de revisãoRevisões a cada 2 a 3 anos20% a 80%; menor após 12 anos; ressecção simples recidiva em até 50%
EpifisiodeseSem sucesso e contraindicadaNão citada como tratamentoNão indicada (causa local)
Melhor prevençãoCapa com enxerto epifisário do segmento amputado ou crista ilíaca tricorticalCapa biológica (crista ilíaca de DAVIDS, cabeça de metatarso, fíbula proximal)Enxerto osteocartilaginoso de MARQUARDT ocluindo o canal

O tratamento clássico é a ressecção do excesso ósseo (Campbell, p. 684). A epifisiodese não funciona e está contraindicada, porque o processo nada tem a ver com a fise. A capa sintética teve sucesso limitado, com infecção e fratura. Os melhores resultados vieram de capear o osso com enxerto epifisário colhido do membro amputado na cirurgia inicial (na Fig. 16.15, a fíbula distal encaixada na tíbia de uma criança de 2 anos) ou com crista ilíaca tricortical na revisão. O capítulo 20 (p. 735) faz o mesmo no úmero: abaixo dos 12 anos, desarticular o cotovelo; se não der, capa com o úmero distal amputado.

Há uma nuance entre os livros que vale conhecer. O Tachdjian (p. 916) diz que as tentativas antigas com mangas de silicone e capas de cartilagem ou osso geralmente falharam, mas que a capa biológica com crista ilíaca foi, na comparação de DAVIDS, mais eficaz que a ressecção e a capa de polietileno, e que a fíbula proximal transferida à tíbia não teve sobrecrescimento em 7,2 anos. O HEBERT acha MARQUARDT e a ponte óssea mais efetivos após os 12 anos, porque na criança pequena o enxerto remodela e forma saliências.

Próteses e encaixes

Fundamento

A prótese só funciona se o coto foi construído para ela. Cada nível tem um mecanismo que ocupa espaço e um jeito de transmitir carga, e é daí que saem os números das técnicas.

Próteses por nível (Campbell 15, cap. 16, p. 678; cap. 17, p. 693 e 697; cap. 18, p. 714 e 716; cap. 20, p. 730 a 734; Rockwood and Green 10, cap. 21)
NívelPrótese ou órteseNúmero que decorre dela
Dedos e transmetatarsalSem prótese; enchimento de calçado, alma de aço e sola em mata-borrão
CHOPARTÓrtese tornozelo-pé com sola em mata-borrão
SYMEEncaixe plástico com janela medial e pé SACH; SARMIENTO permite encaixe expansívelEspaço até o chão para o tornozelo protético; HEBERT: membro 8 a 10 cm mais curto na criança
TranstibialEncaixe de contato total com carga no tendão patelar, joelho em 5 a 10 grausCoto de 12,5 a 17,5 cm
Desarticulação do joelhoEncaixe com apoio terminal; suspensão pelos côndilosJoelho protético abaixo do coto
TransfemoralEncaixe com apoio isquiático; joelho de fricção constante ou computadorizadoCorte 9 a 10 cm acima do joelho
TransumeralTrava interna do cotovelo e plataforma giratória; mioelétrica com TMRCorte ao menos 3,8 cm acima do cotovelo; angulação de 70 graus
Ombro e interescapulotorácicaPoucos usam; capa cosmética de ombroPreservar 5 a 7 cm de úmero proximal

No membro superior, as mioelétricas com TMR ficaram mais intuitivas, mas ainda controlam só dois graus de liberdade por vez; no trabalhador braçal, a prótese tradicional ou híbrida pode ser melhor (Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed., cap. 20, p. 730).

Fechamento

Fundamento

A amputação é uma cirurgia reconstrutiva com três escolhas: o nível (o mais distal que cicatriza, medido por TcPO2, albumina e linfócitos), o coto (pele não aderida, músculo fixado por miodese ou mioplastia, nervo tracionado e cortado alto, osso liso e acolchoado) e o caminho até a prótese (curativo rígido, carga progressiva, encaixe que não estrangula). Os epônimos do tornozelo e os números de técnica são o que diferencia quem leu o capítulo.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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