Como ler este capítulo
Fundamento
Este é o resumo de princípios gerais da imagem. Ele explica como cada método produz a imagem, por que um tecido fica claro ou escuro, quanto de radiação cada exame entrega e qual exame pedir em cada situação clínica. O capítulo base é o 7 do Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (Imaging Considerations in Orthopaedic Trauma), lido com o capítulo 3 do Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (Advanced Imaging in Orthopaedics), os capítulos 23, 24 e 25 do The Adult Hip (radiografia, medicina nuclear e ressonância do quadril), o HEBERT e o Tachdjian. A edição do Rockwood usada é digital e não traz página impressa; por isso ele é citado pela seção e pela tabela.
A imagem de cada articulação tem resumo próprio na Biblioteca (joelho, coluna, ombro e cotovelo, pé e tornozelo, quadril). Aqui fica o alicerce que todos eles pressupõem: por que a água é escura em T1, o que mostra a fase tardia da cintilografia, qual exame pedir.
A prova cobra este tema de três jeitos. Primeiro, física aplicada: o que é T1, o que é T2, o que encurta ou alonga o TR e o TE, qual tecido brilha em cada ponderação. Segundo, medicina nuclear: as três fases da cintilografia com tecnécio, o que o gálio acrescenta e como se lê o estudo combinado. Terceiro, raciocínio clínico: radiografia negativa com suspeita de fratura do colo, osteomielite precoce, prótese dolorosa, tumor ósseo. As seis questões ligadas a este resumo são todas das duas primeiras famílias, e é nelas que o texto se demora.
Escolher o exame: resolução, custo e critérios de adequação
Fundamento
Duas resoluções, dois problemas
O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 7, seção Image Resolution) separa duas ideias que a prova costuma misturar. Resolução espacial é a capacidade de distinguir dois objetos pequenos de alto contraste entre si, como a interface osso e músculo; mede-se em pares de linhas por milímetro (lp/mm), e quanto maior o número, melhor. O olho humano chega a cerca de 30 lp/mm. Resolução de contraste é a capacidade de separar dois tecidos de contraste parecido, como músculo e músculo.
A radiografia é campeã de resolução espacial, mas sobrepõe estruturas e tem péssima resolução de contraste: separa a gordura subcutânea do músculo, mas não enxerga os planos fasciais entre músculos. A TC tem resolução espacial melhor que a RM, por isso é o exame para avulsões pequenas e para a calcificação da matriz tumoral. A RM tem a melhor resolução de contraste de todas e por isso diagnostica hematoma intramuscular e a lesão de MOREL-LAVALLÉE com mais sensibilidade. A medicina nuclear tem a pior resolução espacial: ela mostra função, não anatomia.
| Método | lp/mm | mm | Comentário do livro |
|---|---|---|---|
| radiografia em filme | 6 | 0,08 | limitada pelo ponto focal e pelo detector |
| radiografia digital | 3 | 0,17 | limitada pelo tamanho dos elementos detectores |
| fluoroscopia | 4 | 0,125 | limitada pelo detector e pelo ponto focal |
| TC | 1 | 0,4 | pixels de cerca de meio milímetro |
| medicina nuclear planar | < 0,1 | 7 | piora muito com a distância ao detector |
| SPECT | < 0,1 | 7 | pior no centro do corte |
| PET | 0,1 | 5 | a melhor da medicina nuclear |
| RM | 0,5 | 1,0 | melhora com campo magnético maior |
| ultrassonografia | 1,7 | 0,3 (5 MHz) | limitada pelo comprimento de onda |
Repare em dois detalhes que viram pegadinha. O filme convencional tem resolução espacial maior que a radiografia digital; a vantagem do digital é manipular o contraste, reduzir dose, armazenar e transmitir. E o PET, embora seja medicina nuclear, tem resolução melhor que a cintilografia planar e o SPECT.
Critérios de adequação e o exemplo do quadril
Os critérios do American College of Radiology, criados em 1993 e revistos todo ano, cobrem mais de 220 temas e mais de 1.060 variantes. O exemplo que o Rockwood escolhe é o que mais cai: dor aguda no quadril com suspeita de fratura. A primeira imagem é a radiografia da pelve e do quadril, que identifica cerca de 90% das fraturas. Se ela vier negativa e a suspeita persistir, os critérios ordenam RM sem contraste e TC sem contraste acima da cintilografia, da RM com contraste e da TC com contraste. A sensibilidade da RM para fratura oculta do fêmur proximal se aproxima de 100%; a da TC fica entre 69% e 87%.
O custo também entra no raciocínio. As regras de OTTAWA no tornozelo, onde menos de 15% das torções têm fratura, economizam radiografias, e muitos diagnósticos feitos por RM poderiam ser feitos por ultrassonografia. Por outro lado, a RM precoce no punho com radiografia normal e suspeita de fratura do escafoide é custo-efetiva e muda a conduta em até 89% dos casos, e o mesmo vale para a fratura oculta do quadril.
Radiação: unidades, doses e proteção
Fundamento
Gray, sievert e os dois tipos de efeito
O The Adult Hip, 3ª ed. (cap. 23, p. 343) define as duas grandezas. A dose absorvida, em rad ou gray, é a energia depositada no tecido. A dose normalizada (dose efetiva), em rem ou sievert, pondera essa energia pela sensibilidade do órgão: a mesma dose absorvida pesa mais na tireoide do que no músculo. Como a dose é cumulativa ao longo da vida, o risco de câncer induzido é maior em quem foi exposto antes dos 30 anos e cai bastante nos mais velhos.
O Rockwood (cap. 7, seção Surgeon Risk) separa os efeitos. Determinísticos têm limiar: abaixo de certa dose não acontecem, acima acontecem sempre, e a gravidade cresce com a dose; exemplos são a queimadura de pele e a catarata. Estocásticos não têm limiar: podem ocorrer com qualquer dose, e o que cresce com a dose acumulada é a probabilidade, não a gravidade; o exemplo é o câncer. O princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable) nasceu na pediatria e hoje vale para todos.
Quanto cada exame entrega
| Exposição | Dose |
|---|---|
| radiografias de um quadril (duas incidências) | 0,7 mSv (Rockwood: 0,7 a 0,8 mSv, cerca de 40 radiografias de tórax) |
| AP da pelve | 0,6 mSv |
| radiografia de tórax (duas incidências) | 0,1 mSv |
| TC da pelve | 6 mSv |
| TC de tórax | 7 mSv |
| mamografia de rastreio | 0,4 mSv |
| voo transcontinental | 0,02 a 0,04 mSv |
| radiação de fundo | 3,1 mSv/ano (Adult Hip); cerca de 4 mSv/ano (Rockwood) |
| paciente de trauma ortopédico | média 31,6 mSv; 48,6 mSv se ISS > 16 |
A TC entrega muito mais radiação que a radiografia; ultrassonografia e RM não usam radiação ionizante. Estima-se que 1,5% a 2% dos cânceres nos Estados Unidos sejam atribuíveis à TC. Na coluna cervical, o maior risco da TC é o câncer de tireoide.
O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 3, p. 180) lembra as alavancas práticas: reduzir a técnica em crianças, limitar o volume estudado (só o nível da lise do istmo corta a dose em pelo menos dois terços) e trocar por RM ou ultrassonografia quando a informação for equivalente.
Gestante e cirurgião
Na gestante traumatizada, a radiografia é em geral segura para mãe e feto, com proteção do útero quando possível. A TC da pelve entrega cerca de 26 mGy (2,6 rad) ao feto, metade do máximo recomendado de 50 mGy (5 rad). Por isso múltiplas TC devem ser evitadas e RM e ultrassonografia consideradas; mas o Rockwood é claro: quando clinicamente indicado, o exame com radiação não deve ser negado.
Para a equipe, o avental circunferencial reduz a exposição em 90% ou mais; o não circunferencial, só 22%. Na cirurgiã grávida, a dose pré-natal máxima recomendada é 1 mSv, e uma segunda camada de chumbo atenua 66% do que atravessou a primeira. O cristalino forma catarata com exposição acumulada acima de 0,5 Sv, por isso o Rockwood recomenda óculos plumbíferos de rotina, além de afastar a equipe do espalhamento e reduzir o tempo de fluoroscopia.
Os livros divergem no limite ocupacional. O The Adult Hip (Tabela 23.1) registra 5 mSv/ano como dose máxima permissível do trabalhador; o Rockwood cita o limite da Nuclear Regulatory Commission americana de 5.000 mrem/ano, que equivale a 50 mSv, e a recomendação da International Commission on Radiological Protection de 20 mSv/ano. Se a prova perguntar, o número depende da referência; os valores que o Rockwood atribui a cada órgão são os mais detalhados.
Radiografia e incidências
Fundamento
Como a imagem se forma
O raio X é radiação eletromagnética de comprimento de onda menor que o ultravioleta e maior que o raio gama. No tubo, elétrons emitidos por um filamento de tungstênio aquecido são acelerados por uma diferença de potencial e batem num alvo de tungstênio, gerando um espectro de raios X e muito calor (Rockwood, cap. 7, seção Radiography). O técnico regula a quilovoltagem de pico (kVp), a corrente do tubo (mA) e o tempo; a produção é expressa em mAs, o produto da corrente pelo tempo.
Ao atravessar o paciente, o feixe é atenuado por dois processos: o efeito fotoelétrico e o espalhamento Compton. O espalhamento degrada a imagem e cresce com a espessura e o tamanho do campo, por isso a pelve usa uma grade de chumbo, em geral dispensável nas extremidades. A prata reduzida pelo fóton aparece preta: o osso, que barra o feixe, fica branco.
A radiografia digital (computadorizada, com fósforo lido a laser, ou direta, com painel plano) permite manipular contraste, reduz dose e repetições e facilita a transmissão; o filme ainda tem melhor resolução espacial.
As regras de ouro
O padrão para a extremidade lesada é duas incidências ortogonais do osso inteiro, com a articulação acima e a articulação abaixo. É assim que se pega a fratura de MAISONNEUVE, a lesão de ESSEX-LOPRESTI e a associação de fratura do platô com fratura da diáfise tibial. A cortical que se vê é apenas a que está tangente ao feixe; mudar a posição do feixe muda a cortical projetada. O efeito paralaxe (divergência do feixe a partir do ponto focal) distorce o tamanho e a posição do que está na periferia, por isso a radiografia é mais fiel no centro da imagem.
Sinais indiretos valem tanto quanto o traço: o coxim gorduroso posterior no cotovelo da criança indica lesão oculta, e o nível líquido-gordura no joelho sugere fratura osteocondral. Radiografias de estresse mostram instabilidade dinâmica, e a incidência em tração desfaz a sobreposição no úmero distal e na transtrocantérica. A radiografia falha no traço perpendicular ao feixe, na impacção e na extensão articular sem desvio: as biplanares do fêmur distal detectaram só 69% das fraturas coronais (de HOFFA) que a TC mostrou.
As incidências do quadril e da pelve
O The Adult Hip (cap. 23, p. 341 a 345) detalha as incidências que valem para qualquer prova.
| Incidência | Como se faz | Para que serve |
|---|---|---|
| AP do quadril | rotação interna de cerca de 15° | compensa a anteversão e alonga o colo; mostra os dois trocânteres |
| AP da pelve | feixe entre o umbigo e o púbis | compara os dois lados; versão acetabular e displasia |
| perfil em rã | flexão, abdução e rotação externa; feixe vertical ou 20° cranial | perfil quando o quadril pode ser mobilizado |
| perfil cross-table | quadril oposto fletido; feixe lateral com cerca de 15° | dor intensa ou suspeita de fratura |
| DUNN | rotação neutra, abdução de 20°, flexão de 45° ou 90° | junção cabeça e colo; asfericidade no impacto femoroacetabular |
| inlet | feixe inclinado 40° caudal | anel pélvico; ramos e desvios rotacionais |
| outlet | feixe inclinado 40° cranial | desvios verticais; forames obturados |
| JUDET | paciente rodado 45° | oblíqua anterior: coluna anterior e parede posterior; oblíqua posterior: coluna posterior e parede anterior |
O erro de posicionamento mais comum no AP do quadril é a rotação externa: o trocânter maior se sobrepõe ao colo, o menor fica muito proeminente, e um anel de osteófitos da cabeça pode simular um traço de fratura esclerótico. As radiografias com carga mostram melhor o espaço articular, e a panorâmica dos membros inferiores mede discrepâncias e desvios de eixo.
Fluoroscopia e tomografia computadorizada
Fundamento
Fluoroscopia
A fluoroscopia é raio X de baixa dose em tempo real (Rockwood, cap. 7, seção Fluoroscopy): o feixe chega a um intensificador de imagem que converte raio X em luz, depois em elétrons acelerados e de novo em luz, exibida num monitor. A resolução teórica de 4 a 5 lp/mm cai para 1 a 2 lp/mm no vídeo. O ponto fraco é o mesmo da radiografia, a paralaxe: usar o fêmur contralateral como molde da rotação, com o arco em outra posição, gerou erros de até 12,6 graus em cadáver.
Como a TC funciona
A TC foi inventada por HOUNSFIELD e CORMACK, que dividiram o Nobel de Medicina de 1979. Os aparelhos helicoidais surgiram no fim dos anos 1980, quando a tecnologia de anéis deslizantes deixou o tubo e os detectores girarem continuamente enquanto a mesa avança, de modo que o feixe descreve uma hélice no paciente. Os multidetectores (MDCT) têm várias fileiras de detectores e adquirem vários cortes ao mesmo tempo. Hoje cortes de 0,5 mm são rotina, o que permite voxels isotrópicos (mesma dimensão nos três eixos): a reconstrução coronal, sagital ou tridimensional tem a mesma resolução do corte axial. Reconstruir cortes sobrepostos em 50% aumenta a sensibilidade para lesões pequenas sem aumentar dose nem tempo.
O Campbell (cap. 3, p. 179 e 180) acrescenta que os dados brutos armazenados dão à TC mais flexibilidade de pós-processamento que a RM, e resume a comparação: a TC tem resolução espacial significativamente melhor que a RM e é excelente para estruturas de alto contraste como o osso; a RM é superior nas partes moles.
O artefato do metal
O metal produz estrias porque atenua demais o feixe. Os dois mecanismos principais são a fome de fótons (o metal, de número atômico alto, absorve tanto que chegam poucos fótons ao detector) e o endurecimento do feixe (o feixe é policromático; os fótons de baixa energia são absorvidos e sobram os de alta). A probabilidade do efeito fotoelétrico é proporcional ao número atômico dividido pelo cubo da energia, o que explica por que metais pesados pioram tudo. Aumentar mAs ou kVp ajuda pouco e eleva a dose. As soluções modernas, sem dose extra, são os algoritmos de redução de artefato metálico baseados na projeção e a TC de dupla energia, que calcula imagens monocromáticas virtuais (níveis de 95 a 150 keV reduzem o endurecimento) e ainda consegue mostrar edema medular de fratura oculta.
Onde a TC decide
A TC é o exame de escolha para o planejamento das fraturas articulares complexas: coluna, escápula, úmero proximal, rádio distal, pelve e acetábulo, platô tibial, pilão, calcâneo e mediopé. No pilão, mudou o plano em 64% dos casos; no platô, a conduta em 26%; a classificação de SANDERS do calcâneo é tomográfica. Na coluna traumatizada, a TC é o exame inicial de escolha (sensibilidade e especificidade de 96%); o Campbell lembra que a radiografia chegou a perder até 70% das fraturas cervicais.
Para artrotomia traumática do joelho, ar intra-articular na TC teve sensibilidade e especificidade de 100%, contra 92% do teste de carga com soro; mas gás no membro não prova fratura exposta (vácuo em 17% das fraturas fechadas). Na pseudartrose, a TC teve sensibilidade de 100% e especificidade de só 62%. Para a consolidação, o Campbell chama a TC de exame de escolha: a ponte óssea aparece antes de ficar visível na radiografia.
Duas armadilhas fecham o tópico. Primeira: quase sempre a RM é mais sensível que a TC para fratura oculta, mas a TC mostra melhor fragmentos pequenos, como avulsões da glenoide e das bases dos metatarsais (Campbell, p. 180). Segunda, no tumor: o nicho do osteoide osteoma é visto melhor na TC do que na RM, que pode mostrar só edema medular e confundir; a TC também confirma lesões benignas da radiografia (encondroma, osteocondroma, ilhota óssea) e mostra melhor a borda calcificada da miosite ossificante (Rockwood, seção Infection and Bone Tumor Workup; Campbell, p. 182 e 183). Para lesão vascular no politraumatizado, o exame inicial de escolha é a angiotomografia.
Ressonância magnética: como o sinal nasce
Cobrança confirmada · 1 questão
Prótons, campo e radiofrequência
A RM não usa radiação ionizante. Ela coloca o paciente num campo magnético muito forte, dezenas de milhares de vezes o da Terra, e usa ondas de radiofrequência para interagir com os núcleos de hidrogênio (Campbell, cap. 3, p. 153 e 154). Só núcleos com número ímpar de prótons ou nêutrons respondem; o hidrogênio, um único próton, é abundante na água e na gordura, e é ele que forma praticamente toda imagem clínica.
O The Adult Hip (cap. 25, p. 377) descreve o processo passo a passo. No campo externo, os prótons alinham seus spins ao eixo longitudinal e criam um vetor de magnetização longitudinal. Eles também precessam, como um pião que bambeia, mas fora de fase, sem vetor transversal. Um pulso de radiofrequência a 90 graus joga a magnetização para o plano transversal e sincroniza a precessão: os prótons ficam "em fase" e induzem corrente na bobina receptora. Desligado o pulso, dois processos simultâneos e independentes apagam o sinal:
- Relaxação T1 (spin-rede): recuperação da magnetização longitudinal. O Rockwood define T1 como o tempo que os prótons levam para se realinhar ao campo magnético.
- Relaxação T2 (spin-spin): defasagem no plano transversal. O Rockwood define T2 como o tempo que os prótons sincronizados levam para perder a coerência.
Cada tecido tem seus próprios T1 e T2, que dependem do ambiente bioquímico do hidrogênio. É essa diferença que vira contraste.
TR e TE: como se escolhe a ponderação
Dois parâmetros controlam qual diferença aparece. O TR (tempo de repetição) é o intervalo entre pulsos de radiofrequência; o TE (tempo de eco) é o intervalo entre o pulso e a leitura do sinal. Ao combiná-los, o operador "pondera" a imagem para destacar o T1 ou o T2 dos tecidos (Campbell, p. 154; The Adult Hip, p. 377).
A lógica é esta. Com TR curto, não dá tempo de todos os tecidos recuperarem a magnetização longitudinal: os de T1 curto (gordura) recuperam e brilham, os de T1 longo (água) não recuperam e ficam escuros. Com TE curto, lê-se o sinal antes de a defasagem T2 apagar as diferenças. TR curto com TE curto, portanto, pesa o T1. Com TR longo, todos recuperam e a diferença de T1 some; com TE longo, espera-se a defasagem: os tecidos de T2 longo (água livre) ainda têm sinal e brilham, os de T2 curto já se apagaram. TR longo com TE longo pesa o T2.
| Ponderação | TR | TE | Para que serve |
|---|---|---|---|
| T1 | curto | curto | anatomia; sensível e pouco específica; medula gordurosa clara |
| T2 | longo | longo | sensível a líquido; mostra a patologia |
| densidade de prótons (DP) | não pesa o T1 | não pesa o T2 | alta relação sinal e ruído; ótima para fibrocartilagem |
| gradiente-eco | variável | curto | hemossiderina, gás e metal florescem; reconstrução isovolumétrica |
| T2 ou DP com supressão de gordura e STIR | variável | variável | "sensíveis a líquido": edema medular e de partes moles |
A DP não é nem T1 nem T2: o contraste vem da diferença de densidade de prótons entre os tecidos. É muito usada em ortopedia porque tem imagem limpa e mostra bem anatomia e patologia, sobretudo a fibrocartilagem; costuma ser adquirida junto com o T2 na mesma sequência, como primeiro eco (DP) e segundo eco (T2). As sequências de spin-eco rápido (FSE ou TSE, conforme o fabricante) encurtam o T2 em dois terços ou mais, com uma consequência que importa: nelas a gordura continua clara em DP e T2, e por isso é preciso suprimi-la para ver edema na medula.
Campo, bobinas e ruído
Campo magnético se mede em tesla (1 T = 10.000 gauss; a Terra tem cerca de 0,5 gauss). Baixo campo é 0,2 a 0,3 T para o Rockwood e 0,3 a 0,7 T para o Campbell; a imagem ortopédica ideal fica entre 1,5 e 3 T. Campo mais forte dá mais sinal e exame mais curto, e as bobinas de superfície aumentam a relação sinal e ruído.
O que é claro e o que é escuro em cada ponderação
Cobrança confirmada · 2 questões
A regra de bolso e o seu porquê
O Campbell (cap. 3, p. 154) resume o que a prova quer em três frases. A gordura tem sinal alto (é clara) nas imagens ponderadas em T1. O líquido tem sinal alto nas imagens ponderadas em T2. As estruturas com pouca água ou gordura, como o osso cortical, os tendões e os ligamentos, são hipointensas (escuras) em todas as sequências.
Por que a água é escura em T1? Porque a água livre tem T1 longo: com o TR curto da ponderação T1, ela não tem tempo de recuperar a magnetização longitudinal antes do próximo pulso, e devolve pouco sinal. A gordura tem T1 curto, recupera depressa e brilha. Por que a água é clara em T2? Porque a água livre tem T2 longo: os prótons dela mantêm a coerência por mais tempo, e quando se lê o sinal com TE longo, ela ainda está "falando", enquanto os tecidos de T2 curto já silenciaram. Daí a frase do Rockwood: o T2 é a sequência sensível a líquido e a que mostra a patologia, porque quase toda doença (edema, inflamação, tumor, rotura) aumenta a água do tecido.
O Rockwood lista o que brilha em T1: gordura, proteínas, hemorragia (ferro), melanina e gadolínio. É por isso que o T1 é bom para anatomia e para a medula óssea gordurosa do adulto, e por isso o contraste é lido em T1.
Os tecidos densos e ordenados (cortical, tendão, ligamento, menisco, labro) têm T2 curtíssimo: o sinal se apaga antes mesmo de qualquer TE convencional conseguir lê-lo. O The Adult Hip (cap. 25, p. 379) explica que só as sequências de TE ultracurto (50 a 250 microssegundos) conseguem tirar sinal deles; nas sequências comuns, eles são pretos. A consequência clínica é bonita: quando um tendão, ligamento ou labro adoece, ganha água e desorganização, e passa a mostrar sinal. Sinal dentro de uma estrutura que deveria ser preta é doença.
| Tecido | T1 | T2 | Observação |
|---|---|---|---|
| água, líquido articular, edema | baixo | alto | T2 superestima a extensão da infecção |
| gordura, medula amarela | alto | alto no FSE (precisa suprimir) | escura no STIR e na saturação química |
| osso cortical | baixo | baixo | pobre em água e gordura |
| tendão, ligamento | baixo | baixo | sinal interno indica lesão |
| fibrocartilagem (labro, menisco) | baixo | baixo | DP é ótima para estudá-la |
| hemorragia (ferro), melanina, proteínas | alto | não descrito | hemossiderina floresce no gradiente-eco |
| gadolínio | alto | escuro no STIR | ler o contraste em T1, de preferência com saturação |
| hemangioma | alto | alto | gordura e sangue lento |
| sinovite vilonodular pigmentada | intermediário a baixo | muito baixo | hemossiderina |
| tumor de partes moles inespecífico | igual ao músculo | mais claro que músculo e gordura | regra para a maioria das massas |
Músculo e cartilagem
A questão que pede o sinal de músculo, cartilagem e tendão em T1 espera intermediário, intermediário e hipossinal. O tendão escuro está explícito no Campbell. O músculo intermediário em T1 aparece de modo indireto: a massa de partes moles típica é isointensa ao músculo em T1 e mais clara que músculo e gordura em T2 (Campbell, p. 177), o que coloca o músculo no meio da escala, entre a gordura clara e a cortical preta. A cartilagem hialina articular também ocupa a faixa intermediária; o The Adult Hip estuda-a com sequências FSE de ponderação intermediária e descreve a degeneração como hipersinal com perda da estratificação normal em camadas, e o Campbell lembra que a cartilagem articular e a fisária brilham na maioria das técnicas de gradiente-eco. O labro, por ser fibrocartilagem com pouca água móvel, é escuro nas sequências convencionais: triangular, homogeneamente hipointenso e colado à borda acetabular; uma rotura aparece como hipersinal focal na base ou na substância.
Edema, contusão e fratura oculta
A contusão óssea (edema medular) corresponde, na histologia, a microfraturas trabeculares, edema e hemorragia na medula gordurosa. Em T1, o edema é escuro (água num fundo de gordura clara); em T2 com supressão e no STIR, é claro. ROEMER e BOHNDORF encontraram alterações medulares em quase três quartos das lesões agudas do joelho, 69% no compartimento lateral; dois anos depois, só 14% persistiam, sem artrose nem necrose. Moral do Rockwood: edema não é fratura, e tratar edema trocantérico como fratura leva a fixação desnecessária.
O traço de fratura aparece como linha de baixo sinal em DP ou T2, contornada pela medula gordurosa clara, e é bem visto também no STIR, que ainda mostra o edema ao redor. No T1, o traço pode se perder no meio do edema, porque os dois são escuros. Mesmo assim, no quadril, IWATA encontrou o T1 coronal com sensibilidade de 100%, contra 84% do T2 sozinho, e um protocolo abreviado com STIR coronal e T1 coronal tem alta sensibilidade e especificidade para fratura, necrose avascular e lesão muscular no paciente com dor no quadril e radiografia normal.
Supressão de gordura: STIR, saturação química e DIXON
Fundamento
Por que suprimir
Como a gordura continua clara no FSE em DP e T2, o edema medular se mistura à medula amarela; para ver água dentro de tecido gorduroso, apaga-se a gordura. O Campbell (p. 154) cita saturação química, STIR e DIXON, e chama qualquer série com supressão de "sensível a líquido".
As duas técnicas que a prova compara
A saturação química (fat-sat) usa um pulso seletivo na frequência da gordura para anular seu sinal. É usada sobretudo com o T1 depois do gadolínio, para separar realce de gordura, e com DP e T2 para medula e cartilagem. Tem dois calcanhares de aquiles: falha (supressão heterogênea) quando o campo é inomogêneo, como perto de metal, e não funciona em aparelhos abaixo de 1 T, que não conseguem separar a frequência da gordura da frequência da água.
O STIR é uma sequência de inversão-recuperação: escolhe-se um tempo de inversão curto, de cerca de 150 ms, em que o sinal da gordura cruza o zero. Como depende do tempo de relaxação e não da frequência, é pouco afetado pela inomogeneidade do campo e dá supressão uniforme; por isso é a escolha em baixo campo e na presença de metal. O preço é menor relação sinal e ruído e resolução mais baixa. E há uma pegadinha clássica: o gadolínio e a gordura têm tempos de relaxação parecidos, então o gadolínio também fica escuro no STIR. Logo, o STIR não serve para avaliar realce por contraste nem para artrografia por RM.
| Característica | Saturação química (fat-sat) | STIR |
|---|---|---|
| princípio | pulso na frequência da gordura | inversão com TI curto (cerca de 150 ms) |
| uso típico | T1 após gadolínio; DP e T2 da medula e da cartilagem | edema medular e de partes moles |
| campo inomogêneo e metal | supressão falha | resistente; preferido com implante |
| aparelho abaixo de 1 T | não funciona | funciona; ideal em baixo campo |
| relação sinal e ruído | maior | menor, resolução mais baixa |
| gadolínio | realce visível | gadolínio fica escuro: não serve para contraste |
No tumor, a supressão mostra a margem que a gordura clara escondia no T2 (Campbell, Fig. 3.1); no lipoma, o sinal é de gordura em todas as sequências e some na inversão-recuperação.
Contraste, segurança e contraindicações da RM
Relevância clínica
Gadolínio
O contraste da RM é feito de íons de gadolínio presos a macromoléculas complexas, dado por via venosa ou intra-articular com alto grau de segurança (Campbell, p. 155). É filtrado e excretado rapidamente pelos rins e, ao contrário do iodo da TC, não é nefrotóxico. O risco existe na insuficiência renal grave (estágios 4 e 5): a excreção lenta se associa a uma doença rara do tecido conjuntivo, a fibrose sistêmica nefrogênica, cuja incidência varia com o tipo de molécula. O iodo, por sua vez, dá reações leves a moderadas em 5% a 12% com os agentes antigos de alta osmolalidade e reações graves em 1 a 2 por 1.000, número que cai para 1 a 2 por 10.000 com os não iônicos de baixa osmolalidade; e o contraste venoso na TC e na angiografia aumenta o risco de hemodiálise no traumatizado (Rockwood, seção Patient Risk).
A artrografia por RM direta injeta gadolínio diluído na articulação e distende a cápsula (manguito parcial ou total, labro, ligamentos, menisco operado, lesão osteocondral); a indireta dá gadolínio na veia e espera com exercício leve, sem distender a cápsula.
O que pode e o que não pode entrar no magneto
| Categoria | Itens |
|---|---|
| contraindicação absoluta (Campbell) | clipes de aneurisma intracraniano; corpo estranho metálico intracraniano, intraorbitário ou intraespinal; marca-passo de geração antiga; eletrodos cardíacos abandonados; bomba de insulina; dispositivo antirrefluxo magnético; clipes cirúrgicos metálicos |
| contraindicação relativa, consultar o fabricante | marca-passo novo com monitorização; bomba intratecal; neuroestimulador; estimulador de crescimento ósseo funcionando; fixador externo; prótese peniana |
| seguros (Campbell) | valvas cardíacas; implantes ortopédicos internos; gravidez |
| Rockwood: implantes de fratura | aço 316L, titânio e liga de titânio, sem ferrita delta, não magnéticos; quase todos "MR conditional" |
| Rockwood: tração | pinos de STEINMANN condicionais; arco de fio de KIRSCHNER ferromagnético: retirar arcos e pesos |
O campo pode causar efeito projétil, torção, aquecimento, artefato e mau funcionamento de aparelhos; todo paciente deve ser triado. A norma americana classifica os implantes em MR safe, MR conditional (antigo "compatível") e MR unsafe. Os implantes ortopédicos internos podem ser escaneados e quase nunca é preciso parar o exame pelo calor.
Há uma divergência que merece atenção. O Campbell coloca o fixador externo entre as contraindicações relativas e diz que ele só deve entrar se o fabricante o declarar compatível. O Rockwood vai além com dados: fixadores modernos são condicionais e, em séries com fixador transarticular do joelho, só 2 de 57 exames foram interrompidos por dor ou calor, sem eventos adversos em 38 pacientes de outra série; ele conclui que, no paciente alerta e orientado, o fixador condicional parece seguro. As duas posições convergem na prática: confirmar com o fabricante.
Metal e artefato
O artefato depende do volume, da orientação e do material: o titânio produz muito menos artefato que o aço inoxidável (Campbell, p. 155; Rockwood, Fig. 7-9). Com metal, o Rockwood recomenda 1,5 T em vez de 3 T (a inomogeneidade dobra a 3 T), spin-eco rápido em vez de gradiente-eco, STIR em vez de saturação química e aumento da largura de banda do receptor (cerca de 60% menos artefato).
Ultrassonografia
Fundamento
Princípio
A ultrassonografia usa ondas sonoras acima de 20 kHz, na prática entre 2 e 12 MHz (Rockwood, seção Ultrasonography). O transdutor tem material piezoelétrico, que converte energia elétrica em mecânica (som) e de volta. O som é refletido nas interfaces conforme a impedância acústica, que é o produto da densidade do tecido pela velocidade do som nele. Quanto maior a diferença de impedância, mais eco volta.
| Termo | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| anecoico | não devolve eco: preto | líquido simples |
| hipoecoico | menos brilhante que a referência | descrito sempre em relação a um tecido de referência |
| isoecoico | igual ao fundo | dois tecidos de mesma ecogenicidade |
| hiperecoico | mais brilhante que a referência | superfície óssea, tendão |
| padrão misto | hipo e hiperecoico | nervo |
| sombra acústica posterior | bloqueio total do som | cortical óssea, ar |
O Doppler mede o desvio de frequência dos ecos para calcular velocidade e direção do fluxo. O duplex combina o modo B (mapa anatômico) com o Doppler pulsado; o colorido sobrepõe cor ao vaso, com velocidade e direção; o power Doppler usa a amplitude total do sinal e é mais sensível ao fluxo lento, mas não informa a direção.
Pontos fortes e usos
É barata, dinâmica, sem radiação e funciona na presença de metal; o ponto fraco é ser dependente do operador. Os usos clássicos são a displasia do quadril do lactente e o manguito rotador do adulto. No trauma, mostra a epífise não ossificada da criança (côndilo lateral do úmero), o tendão calcâneo, a lesão de MOREL-LAVALLÉE e corpos estranhos não radiopacos. Na consolidação, o calo vai escondendo a haste intramedular, e o diagnóstico de consolidação da tíbia saiu em média 2 semanas antes da radiografia.
Na trombose venosa profunda, o ultrassom venoso é o exame mais usado, com sensibilidade de 97% e especificidade de 94% para TVP proximal sintomática; é menos preciso na pelve.
Cintilografia óssea: o traçador e as três fases
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Como a medicina nuclear forma a imagem
Na cintilografia, injeta-se na veia um radiofármaco: o fármaco leva a molécula ao tecido-alvo, e o radionuclídeo emite os fótons que mostram onde ele foi parar (Rockwood, cap. 7, seção Nuclear Medicine Imaging). Fótons nascidos no núcleo são raios gama; na eletrosfera, raios X. O detector é a câmara gama, com cristal de iodeto de sódio ativado com tálio e fotomultiplicadoras. A imagem mostra função metabólica, não anatomia, e a resolução espacial é pobre.
O tecnécio-99m é o radionuclídeo mais usado por quatro motivos que viram pergunta: energia gama de 140 keV, meia-vida de 6 horas, disponibilidade num gerador de molibdênio-99 e facilidade de marcar fármacos. O SPECT gira a câmara e reconstrói cortes; ganha contraste, não resolução espacial. Implantes criam defeitos fotopênicos, mas fora isso a cintilografia é resistente ao artefato metálico, útil ao redor de próteses.
O traçador ósseo e o que ele mede
O fármaco da cintilografia óssea é um difosfonato marcado com 99mTc, em geral o metilenodifosfonato (MDP). Ele se fixa ao osso por quimioadsorção do grupo fosfato à fase mineral, sobretudo onde há atividade osteoblástica (Rockwood); o The Adult Hip (cap. 24, p. 367) diz o mesmo com outras palavras: o traçador adere à superfície das trabéculas, especialmente ao osso novo e amorfo, nos grupos fosfato da hidroxiapatita. O segundo determinante é o fluxo sanguíneo regional: mais fluxo leva mais traçador ao osso vizinho. Captação, portanto, é fluxo mais osteoblasto.
Disso decorre o comportamento do exame. A cintilografia é muito sensível e pouco específica: qualquer processo que aumente o metabolismo ósseo acende. Uma cintilografia normal praticamente exclui doença óssea; uma positiva exige investigação. Lesões com atividade osteoblástica e hiperemia ficam quentes; processos permeativos com pouca reação óssea (tumores de células redondas) podem ficar frios e escapar. No esqueleto normal, o axial capta um pouco mais que o apendicular, e na criança as fises captam intensamente, em faixas simétricas junto às articulações.
As três fases
O termo "cintilografia óssea", sem adjetivo, refere-se às imagens tardias, feitas 2 a 4 horas depois da injeção, tempo necessário para o difosfonato se fixar ao osso (Rockwood). A cintilografia trifásica acrescenta duas fases precoces:
- Primeira fase (fluxo, perfusão ou angiograma radionuclídeo): imagens dinâmicas durante o trânsito do radiofármaco pelo sistema arterial, logo após a injeção. É ela que "parece uma angiografia".
- Segunda fase (pool sanguíneo, equilíbrio ou fase tecidual): imagens estáticas imediatas, por mais alguns minutos, que mostram o traçador ainda no sangue e nas partes moles.
- Terceira fase (tardia, estática ou esquelética): horas depois, quando o traçador já se fixou ao osso e saiu das partes moles; mostra a atividade osteoblástica.
As duas primeiras avaliam hiperemia regional, vista como aumento de fluxo e de captação nas partes moles ao redor. A terceira avalia o osso.
| Fase | Nome | Momento (Rockwood) | Momento (Tachdjian) | O que mostra |
|---|---|---|---|---|
| 1ª | fluxo, perfusão, angiograma radionuclídeo | durante o trânsito arterial | imediatamente após a injeção | fluxo sanguíneo regional |
| 2ª | pool sanguíneo, fase tecidual | imagens estáticas nos 5 minutos seguintes | cerca de 15 minutos | hiperemia de partes moles |
| 3ª | tardia, estática, esquelética | 2 a 4 horas | 2 a 3 horas, repetível até 24 horas | atividade osteoblástica |
Os livros diferem um pouco nos tempos (o Rockwood põe a segunda fase nos 5 minutos que seguem o angiograma, o Tachdjian em cerca de 15 minutos; o Rockwood põe a tardia em 2 a 4 horas, o Tachdjian em 2 a 3 horas, repetível até 24 horas), mas concordam na sequência e no significado.
Lendo o padrão das fases
O Tachdjian (cap. 23, p. 948) dá a chave de leitura na infecção. Osteomielite: captação focal aumentada nas três fases. Celulite, abscesso de partes moles ou piomiosite: captação difusa nas duas primeiras e pouca ou nenhuma na tardia. Artrite séptica: difícil, com falso-positivos de 32% e falso-negativos de 30%. A osteomielite pode ser fria em cerca de 8% dos casos, quando a pressão intraóssea comprime a microcirculação; esses pacientes estão mais graves, e o valor preditivo positivo da cintilografia fria chegou a 100%. A sensibilidade relatada para osteomielite varia de 54% a 100%, a especificidade de 70% a 90%, e magnificação, colimador pinhole e SPECT elevam a acurácia acima de 90%.
Na fratura, a cintilografia é positiva em 80% em 24 horas e 95% em 72 horas (MATIN); 90% normalizam em 2 anos. Quando há vários focos, as fases precoces separam o agudo do crônico: a hiperemia resolve em 4 a 8 semanas. A fratura por insuficiência do sacro dá o desenho em H, o sinal de HONDA.
Na necrose avascular da cabeça femoral (The Adult Hip, cap. 24, p. 368 a 370), a área fotopênica aparece 7 a 10 dias após a isquemia e depois vira hipercaptação pela revascularização; o sinal da rosquinha (centro frio com halo quente) é a fase intermediária. A RM tem sensibilidade perto de 100%, contra 81% a 90% da cintilografia.
Gálio, leucócitos marcados, medula e PET
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Por que o gálio enxerga inflamação
O citrato de gálio-67 é usado junto com a cintilografia com tecnécio para aumentar a especificidade, sobretudo em infecção e inflamação (Rockwood, seção Gallium Imaging). Na veia, o gálio se liga a proteínas séricas, principalmente à transferrina, e é captado por células com predileção pelos leucócitos. Áreas inflamadas, com mais fluxo e mais permeabilidade vascular, acumulam mais gálio. Além disso, os neutrófilos liberam lactoferrina, e o gálio tem mais afinidade pela lactoferrina do que pela transferrina, o que o fixa no foco inflamatório. Diferente do MDP, ele não depende do osteoblasto: depende da inflamação.
O gálio, porém, é um mau agente de imagem: seus fótons não são ótimos para as câmaras atuais, a depuração do corpo é lenta, o fundo é alto, e a imagem se faz em 48 horas, o que atrasa o diagnóstico.
O estudo combinado gálio e MDP
A lógica é comparar os dois mapas. O MDP acende onde há osso reagindo, por qualquer causa (fratura, cirurgia, artrose, soltura). O gálio acende onde há inflamação. Se o gálio for mais intenso que o osso no mesmo lugar, ou estiver onde o osso não explica, a inflamação é desproporcional à remodelação, e isso é infecção.
| Achado | Interpretação |
|---|---|
| distribuição congruente, gálio mais intenso que o MDP | positivo para osteomielite |
| distribuição incongruente, gálio excedendo o osso | positivo para osteomielite |
| gálio negativo | negativo |
| distribuição congruente, gálio menos intenso que o MDP | negativo |
O Rockwood resume numa frase: atividade do gálio maior que a da cintilografia óssea, ou em distribuição diferente dela, é diagnóstica de osteomielite. Ele acrescenta que o gálio teve acurácia de 86% na osteomielite vertebral, contra 66% dos leucócitos marcados com índio, que o SPECT com gálio é o radionuclídeo de escolha na coluna quando não há RM, e que o gálio é melhor na osteomielite crônica.
O HEBERT, 5ª ed. (cap. 21.7, pé diabético), é mais cético e diverge. Para ele, a cintilografia com tecnécio de três ou quatro fases tem sensibilidade de 91% mas especificidade de 54%, menor até que a da radiografia (74%); por isso uma cintilografia negativa praticamente exclui osteomielite, e ela mostra o diagnóstico cerca de 2 semanas antes da radiografia. Mas o acréscimo do gálio "não melhora muito" a especificidade: o uso sequencial de tecnécio e gálio tem acurácia de apenas 70% para infecção. Os leucócitos marcados com índio-111 melhoram a especificidade, de 78% a 96%, com resultados conflitantes, e a RM tem sensibilidade de cerca de 100% e especificidade de 81%. O Rockwood e o The Adult Hip ensinam o mecanismo e o critério; o HEBERT lembra que, no pé diabético, o ganho é modesto.
Leucócitos marcados e medula
Há dois preparos principais (Rockwood, seção White Blood Cell Imaging). Com índio-111 oxina, separam-se os leucócitos de cerca de 50 mL de sangue, marca-se, reinjeta-se e faz-se a imagem em 24 horas. Com 99mTc-HMPAO, que marca preferencialmente granulócitos, marca-se no plasma sem separar as células e a imagem sai em 4 horas.
O problema dos leucócitos sozinhos é o falso-positivo: eles vão normalmente para a medula óssea, o fígado e o baço. A solução é o estudo da medula com 99mTc-enxofre coloidal, partículas de 0,1 a 2 micra captadas pelo sistema reticuloendotelial (fígado 85%, baço 10%, medula 5%), com imagem em 20 minutos. Medula normal aparece igual nos dois exames (congruência). Na osteomielite, a infecção substitui a medula: o coloide mostra defeito fotopênico, e o leucócito mostra captação aumentada no mesmo ponto (incongruência). As desvantagens são custo, preparo trabalhoso e manipulação de sangue.
O HMPAO é melhor na infecção aguda (sensibilidade 97,7%, especificidade 96,8%) e é preferido em crianças (menos dose no baço, menos sangue); o índio-111 é preferido na crônica e em áreas de medula ativa. Na pseudartrose, porém, o par leucócito e coloide teve sensibilidade de só 19% para infecção oculta (STUCKEN) e nada acrescentou a VHS, PCR e histologia.
O The Adult Hip (cap. 24, p. 370 e 371) explica o limite biológico: o preparo é quase todo de neutrófilos e acerta a infecção aguda, mas a infecção de prótese costuma ser subaguda ou crônica, com monócitos e linfócitos. Ainda assim, o par leucócito com índio-111 e coloide de enxofre foi considerado o exame de escolha para infecção de implante, à custa de pelo menos 2 dias.
PET
O FDG (flúor-18 fluorodesoxiglicose) é um análogo da glicose que se acumula em linfócitos, neutrófilos e macrófagos ativados (Rockwood). Para osteomielite e inflamação de partes moles, a sensibilidade relatada é de 94% a 100% e a especificidade de 87% a 100%; com implantes metálicos no trauma, 100% de sensibilidade e 93,3% de especificidade. O The Adult Hip acrescenta as vantagens sobre o leucócito: o FDG atinge uma população maior de células, não depende da migração leucocitária (logo sofre menos com o antibiótico) e o exame é mais simples e curto. O limite é a meia-vida de cerca de 2 horas, que exige produção próxima.
O PET com flúor-18 fluoreto é o "irmão ósseo": diferente dos fosfonatos, o fluoreto é incorporado diretamente à matriz, convertendo hidroxiapatita em fluorapatita; não se liga a proteínas, então a imagem sai em 1 hora e o exame inteiro em cerca de 90 minutos, contra cerca de 4 horas da cintilografia (The Adult Hip, p. 367).
| Traçador | Mecanismo | Imagem | Melhor uso |
|---|---|---|---|
| 99mTc-MDP | quimioadsorção à hidroxiapatita; fluxo e osteoblasto | 2 a 4 h (trifásica) | fratura oculta e de estresse, metástase, triagem de osteomielite |
| gálio-67 citrato | transferrina, leucócitos, lactoferrina | 48 h | com MDP: osteomielite, coluna, crônica |
| leucócitos com índio-111 | migração ao foco (neutrófilos) | 24 h | com coloide: osteomielite crônica e medula ativa; prótese |
| leucócitos com 99mTc-HMPAO | granulócitos | 4 h | infecção aguda; criança |
| 99mTc-enxofre coloidal | sistema reticuloendotelial | 20 min | mapa da medula para o leucócito |
| FDG (PET) | glicose em células inflamatórias | meia-vida de cerca de 2 h | infecção com implante; prótese |
| flúor-18 fluoreto (PET) | incorporação à matriz | 1 h | osso com resolução maior |
Densitometria
Fundamento
A investigação central da osteoporose é a medida da densidade mineral óssea por absorciometria de raios X de dupla energia (DEXA) na coluna e no quadril (Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed., cap. 4). O laudo compara o paciente com o adulto jovem saudável em desvios-padrão, o T-score.
| T-score | Categoria |
|---|---|
| acima de +2,5 | densidade alta |
| de -1,0 a +2,5 | normal |
| de -1,0 a -2,5 | baixa massa óssea (osteopenia) |
| -2,5 ou menos | osteoporose |
| -2,5 ou menos com fratura por fragilidade | osteoporose grave (HEBERT) |
O Rockwood cita a indicação de tratamento após fratura do quadril ou de vértebra, com T-score de -2,5 ou menos no colo, no quadril total ou na coluna, ou com baixa massa e probabilidade em 10 anos (FRAX) de 3% para quadril ou 10% para fratura maior. A DEXA é recomendada em mulheres a partir de 65 anos, homens a partir de 70, adultos acima de 50 com fratura e entre 50 e 69 com fatores de risco. A osteoporose e sua investigação completa têm resumo próprio.
Qual exame em cada situação
Relevância clínica
As fontes convergem num algoritmo simples: radiografia primeiro, sempre; o segundo exame depende da pergunta.
| Situação | Exame | Por quê |
|---|---|---|
| suspeita de fratura do colo com radiografia normal | RM (T1 e STIR coronais) | sensibilidade perto de 100%; TC 69% a 87% |
| fratura do escafoide oculta | RM precoce | custo-efetiva; muda conduta em até 89% |
| trocânter maior fraturado na radiografia | RM | 90% se estendem à região intertrocantérica |
| fratura articular complexa | TC com reconstruções | fragmentos, depressão, planejamento |
| trauma da coluna | TC; RM para disco, medula e ligamentos | sensibilidade de 96% da TC |
| fratura de estresse com radiografia normal | RM ou cintilografia | as duas mostram a lesão; SPECT acrescenta detalhe |
| osteomielite | RM | a mais sensível e a mais precoce; radiografia atrasa cerca de 2 semanas |
| osteomielite com metal ou RM impossível | medicina nuclear | leucócito com coloide, gálio com MDP ou FDG-PET |
| prótese dolorosa: infecção x soltura | leucócito com índio e coloide; FDG-PET | trifásica com leucócito: pool e tardia = infecção; só tardia = soltura |
| tumor ósseo | radiografia para o diagnóstico; RM do osso inteiro para a extensão | T1 mostra a medula, T2 as partes moles |
| osteoide osteoma | TC | o nicho aparece melhor que na RM |
| massa de partes moles | RM | lipoma, hemangioma e sinovite vilonodular têm sinal próprio |
| necrose da cabeça femoral | RM | sensibilidade perto de 100% |
| osteoporose transitória do quadril | RM | edema difuso e pequeno derrame |
| lesão vascular no trauma | angiotomografia | rápida e permite intervir |
| trombose venosa profunda | ultrassom venoso | 97% e 94% na TVP proximal |
Osteomielite
Na osteomielite hematogênica aguda, o HEBERT, 5ª ed. (cap. 26) lembra que nos primeiros 5 a 7 dias a radiografia não mostra alteração óssea, só edema de partes moles; depois vêm a rarefação metafisária e, com o descolamento do periósteo, a periostite. A ecografia mostra as partes moles e ajuda a separar da artrite séptica; a cintilografia evidencia a hiperemia, sem ser específica. O Rockwood e o Campbell colocam a RM como o exame mais sensível. O Campbell (p. 158) ensina a ganhar especificidade: as sequências de líquido chegam perto de 100% de sensibilidade, mas o edema reativo vem antes da infecção; buscar a substituição da medula em T1, e não só o edema em T2, melhora a especificidade. No pé neuropático, sinal medular sem ferida vizinha favorece neuroartropatia.
Prótese dolorosa
O The Adult Hip (cap. 24, p. 370) lista o gálio sequencial à cintilografia como a primeira geração de técnicas e o par leucócito com índio-111 e coloide de enxofre como o exame de escolha clássico, trabalhoso e de 2 dias; o FDG-PET é a alternativa mais simples. O HEBERT (cap. 17, revisão da artroplastia do joelho) dá a leitura prática da trifásica com tecnécio e leucócitos marcados: hipercaptação no pool e na fase tardia sugere infecção; captação só na tardia indica soltura asséptica; cintilografia negativa afasta soltura com valor preditivo negativo de 95%. E ela só serve a partir do segundo ano após a artroplastia do joelho, porque antes a remodelação óssea acende o exame.
Tumor
O Campbell (cap. 3, p. 175 a 177) insiste: o diagnóstico diferencial do tumor ósseo vem da radiografia; o papel da RM é definir a extensão. O exame tem dois planos, um deles axial (músculos, feixe neurovascular, compartimentos). O T1 mostra a substituição da medula; o T2, a extensão em partes moles. O gadolínio separa sólido de cístico e ativo de necrótico, mas não separa tumor de edema reativo; no leito operado, nódulos que realçam sugerem recidiva. A massa maligna de partes moles tende a ser subfascial, maior que 5 cm e heterogênea. O Rockwood pede RM do osso inteiro na suspeita de tumor primário.
Fechamento
Fundamento
O fio que une o capítulo é a pergunta "o que esse exame mede?". A radiografia e a TC medem atenuação do feixe, com resolução espacial alta e a TC sem sobreposição. A RM mede o comportamento do hidrogênio: a água tem T1 e T2 longos (escura em T1, clara em T2), a gordura tem T1 curto (clara em T1), e o que tem pouca água e gordura é preto em tudo. A ultrassonografia mede impedância acústica. A medicina nuclear mede função: o MDP mede fluxo e osteoblasto, o gálio e os leucócitos medem inflamação, o FDG mede glicólise. Sabendo o que cada um mede, a escolha do exame sai do raciocínio, sem decorar listas.