Orto Questões

Pubalgia e osteíte púbica

QuadrilResumo do capítulo36 min de leitura

A sínfise púbica é o fulcro da pelve anterior, puxada pelo reto abdominal de cima e pelos adutores de baixo; a pubalgia começa com mais frequência no adutor longo, por arrancada e mudança de direção; a radiografia da osteíte púbica mostra alargamento da sínfise, margens borradas e cisto junto ao disco; na RM, edema medular, sinal da fenda (ruptura da cápsula ligamentar que envolve o disco fibrocartilaginoso) e tendinose do reto abdominal e do adutor longo; hérnia do esporte é deficiência da parede posterior do canal inguinal; tratamento conservador com fortalecimento ativo de abdome e adutores, cirurgia só no caso recalcitrante.

Atualizado em 04/11/2026 · 36 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 76 · Reabilitação das lesões do esporte, em Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio K. HEBERT e colaboradores), 5ª edição (2017), com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 7), o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 24), The Adult Hip (CALLAGHAN, 2017, caps. 2, 22 e 25) e o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40). Autores do capítulo: Maria Stella PECCIN, André Kenzo SAITO e Aline Mizusaki IMOTO (HEBERT, cap. 76); P. David F. GUSMÃO, Marcus Vinicius CRESTANI e João Lopo MADUREIRA JÚNIOR (HEBERT, cap. 13); James L. GUYTON (Campbell, cap. 7); Brandon R. HULL, John M. YINGLING e David C. TEAGUE (Rockwood and Green, cap. 24); Hal David MARTIN, Ian James PALMER e Munif HATEM (CALLAGHAN, cap. 22).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de quadril do Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio K. HEBERT e colaboradores), capítulo 76, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo é inspirado no capítulo 76 (Reabilitação das lesões do esporte) do HEBERT, Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática, 5ª edição (2017), de Maria Stella PECCIN, André Kenzo SAITO e Aline Mizusaki IMOTO, e foi construído lado a lado com o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 7, de James L. GUYTON), que tem a descrição de imagem mais completa da osteíte púbica e da hérnia do esporte. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 24), entra para a fratura por estresse do ramo púbico; The Adult Hip, de CALLAGHAN (caps. 2, 22 e 25), para a anatomia dos adutores e o exame da virilha; e o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40), para a lista de diferenciais do atleta jovem. A edição digital do HEBERT não tem paginação, por isso ele é citado pelo capítulo e pela seção.

O tema é pequeno nos livros e grande nas provas. Os sete enunciados reunidos aqui cobram quatro coisas, sempre as mesmas:

1. Onde começa: o adutor longo é o músculo que mais inicia a pubalgia. 2. O que a radiografia mostra: alargamento da sínfise, borramento cortical e cisto junto ao disco, nunca estreitamento. 3. O que a RM mostra: edema medular, sinal da fenda (ruptura da cápsula ligamentar que envolve o disco fibrocartilaginoso) e tendinose do reto abdominal e do adutor longo. 4. Quando operar: só depois de falhar um tratamento clínico prolongado; a banca fixou o prazo mínimo em 6 meses, número que os livros conferidos não trazem.

Para não repetir o que já está em outras estantes: o impacto femoroacetabular, o exame intra-articular e a lesão labral estão no resumo Impacto femoroacetabular, artroscopia do quadril e lesão labral (callaghan-impacto-femoroacetabular); o ressalto interno, as tendinopatias de partes moles e as avulsões apofisárias estão no resumo Dor peritrocantérica e tendinopatias do quadril (callaghan-dor-peritrocanterica, CALLAGHAN cap. 43); a anatomia detalhada da coxa está em Anatomia do quadril e da coxa (netter-anatomia-quadril-coxa). Aqui eles aparecem só como diagnóstico diferencial.

A sínfise como fulcro: a anatomia que explica a dor

Cobrança confirmada · 1 questão

O desenho da região

O HEBERT (Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática, 5ª ed., cap. 76, seção Osteíte púbica) resume a mecânica numa frase que vale o capítulo: a sínfise púbica age como um fulcro para a pelve anterior, e as estruturas implicadas no desenvolvimento da pubalgia têm relação próxima com esse fulcro. Um fulcro é o ponto de apoio de uma alavanca. Na sínfise, dois braços puxam em sentidos opostos: de cima, o reto abdominal, que se insere no púbis; de baixo e de lado, os adutores, que nascem nos ramos púbicos. Quando um deles é mais forte que o outro, ou quando os dois se contraem com violência numa arrancada, a carga se concentra justamente sobre a articulação que deveria ser quase imóvel.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 7, p. 397), confirma a vizinhança pelo lado da imagem: os achados de RM que acompanham a osteíte púbica incluem a tendinose das inserções do reto abdominal e do adutor longo no púbis. Os dois tendões chegam ao mesmo osso, junto da mesma articulação. É por isso que o exame não separa bem uma estrutura da outra, e é por isso que o Campbell avisa que os estiramentos crônicos desses tendões são frequentemente confundidos com a osteíte púbica verdadeira.

Os livros conferidos não usam o termo "aponeurose comum" para a continuidade entre o reto abdominal e o adutor longo. O que eles sustentam é a ideia funcional: dois tendões que se inserem lado a lado no púbis, em torno de uma articulação que serve de fulcro, adoecem juntos e doem no mesmo lugar.

A articulação

A sínfise púbica tem um disco fibrocartilaginoso no centro, envolvido por uma cápsula ligamentar (Campbell, cap. 7, p. 397). Essa anatomia, aparentemente escolar, é a chave de duas questões: o cisto da osteíte púbica aparece no corpo do púbis adjacente ao disco, e o sinal da fenda da RM nasce da ruptura da cápsula ligamentar que envolve o disco. Quem guarda a imagem "disco no meio, cápsula em volta, tendões por fora" resolve as perguntas de imagem sem decorar.

Pelo CALLAGHAN (The Adult Hip, 2017, cap. 2, p. 31 aprox.), a pelve se forma a partir de três centros primários (ílio, ísquio e púbis), com centros secundários que incluem a própria sínfise púbica; esses secundários se fundem entre os 20 e os 22 anos. A informação ajuda a entender por que, no adolescente, a dor ao redor do púbis pode ser apofisária, e no adulto jovem, articular ou tendínea.

Os adutores

O CALLAGHAN (cap. 2, p. 45) lista os adutores do quadril: adutor curto, adutor longo, adutor magno, pectíneo e grácil. O adutor longo, o curto e o magno nascem da face externa do ramo púbico inferior e do ramo isquiático e se abrem em leque para se inserir na linha áspera, na face posterior do fêmur. O grácil nasce no ramo púbico inferior e na borda da sínfise e se insere na face medial da tíbia proximal, como parte da pata de ganso. A força isométrica combinada da adução é maior que a da abdução, o que já sugere por que o grupo adutor é tão exposto a lesão quando o atleta muda de direção em velocidade.

Há ainda duas funções secundárias que pesam no exame. O pectíneo, os adutores e o grácil ajudam a fletir o quadril, e o grácil flete o quadril com o joelho estendido, não com ele fletido (CALLAGHAN, cap. 2, p. 44). A porção isquiocondilar do adutor magno ajuda a estender o quadril. Por isso a dor do adutor pode aparecer na flexão resistida e não só na adução resistida.

O trígono femoral e a vizinhança vascular

O mesmo capítulo do CALLAGHAN (p. 46 aprox.) define o trígono femoral: limite proximal no ligamento inguinal, medial no adutor longo, lateral no sartório; o assoalho é formado por ilíaco, psoas, pectíneo e adutor curto. A artéria femoral profunda passa entre o pectíneo e o adutor longo e, depois, entre o adutor longo e o curto. O ligamento pubofemoral, espessamento inferomedial da cápsula do quadril que nasce da porção púbica do rebordo e do ramo superior, fica tenso em extensão e abdução (p. 44 aprox.). O adutor longo, portanto, é a borda medial do trígono, o tendão que o examinador encontra ao palpar a virilha, e o que os livros mais associam à pubalgia.

Os músculos que puxam o púbis (CALLAGHAN, cap. 2; Campbell 15, cap. 7)
MúsculoOrigemInserçãoPor que importa na pubalgia
reto abdominalparede abdominalpúbistendinose da inserção na RM; dor ao sentar a partir do deitado
adutor longoface externa do ramo púbico inferiorlinha ásperao que mais inicia a pubalgia; borda medial do trígono femoral
adutor curtoramo púbico inferiorlinha ásperaassoalho do trígono femoral
adutor magnoramo púbico inferior e ramo isquiáticolinha ásperaporção isquiocondilar ajuda a estender
grácilramo púbico inferior e borda da sínfiseface medial da tíbia (pata de ganso)flete o quadril com joelho estendido
pectíneonão detalhada nos livros conferidosnão detalhadaflexor secundário; assoalho do trígono

A questão de imagem

A banca mostrou a hemipelve em vista anterior, com uma seta no corpo do púbis, ao lado da sínfise, e outra na borda do ramo isquiopúbico, nas origens dos adutores, e pediu os dois músculos. O gabarito oficial é adutor longo e adutor magno. Pelo CALLAGHAN, os dois nascem do ramo púbico inferior, o magno estendendo a origem ao ramo isquiático, enquanto o grácil ocupa a borda da sínfise. A alternativa com o grácil é a armadilha clássica: ele também nasce no ramo inferior, mas mais medial, colado à sínfise. Como a figura não está disponível neste resumo, o gabarito foi preservado como está; o raciocínio que o livro permite é o de posição: mais medial e perto da sínfise, grácil; mais lateral e posterior, estendendo-se ao ísquio, magno.

Três nomes para a mesma virilha

Fundamento

Por que os livros não concordam no nome

Antes de qualquer detalhe, convém resolver o vocabulário, porque os livros usam os mesmos nomes para coisas diferentes, e as bancas copiam a mistura.

O HEBERT (cap. 76) é o mais amplo: a osteíte púbica também é denominada dor inguinal e pubalgia do atleta. Para ele, os três termos são sinônimos de uma mesma síndrome dolorosa ao redor da sínfise, causada pela contração forçada dos adutores ou do reto abdominal.

O Campbell (cap. 7, p. 396 e 397) separa duas entidades em seções diferentes. A osteíte púbica é um distúrbio da sínfise e das estruturas musculotendíneas adjacentes, com alterações ósseas na radiografia. A hérnia do esporte, que ele chama entre parênteses de pubalgia atlética, é uma deficiência da parede abdominal na região do canal inguinal, sem hérnia palpável clássica. As duas podem coexistir, e nas duas a tendinose do adutor longo ou do reto abdominal pode ser a fonte primária da dor.

O CALLAGHAN (cap. 22, p. 330), no capítulo de exame, define a hérnia do esporte ou pubalgia atlética como uma hérnia oculta tipicamente localizada no tendão do reto, diferente da localização mais lateral das hérnias inguinais direta e indireta.

A consequência prática é simples: quando o enunciado escreve "pubalgia atlética (osteíte púbica)", como numa das questões de fellowship reunidas aqui, a banca está usando o vocabulário amplo do HEBERT. Quando separa as duas, está usando o do Campbell. O raciocínio do achado (fenda, cisto, tendinose) é o mesmo nos dois casos.

Como cada livro nomeia a dor na virilha do atleta
LivroOsteíte púbicaPubalgia atlética ou hérnia do esporteRelação entre os dois
HEBERT, cap. 76dor inguinal ao redor da sínfise por contração forçada de adutores ou reto abdominalmesmo quadrosinônimos
Campbell 15, cap. 7, p. 396 e 397distúrbio da sínfise e dos tendões vizinhos, reação de estressedeficiência da parede posterior do canal inguinalentidades distintas, tendinose comum às duas
CALLAGHAN, cap. 22, p. 330não detalhahérnia oculta no tendão do reto, medial às hérnias inguinaisdiferencia da tendinite isolada dos adutores pela flexão resistida do tronco
Tachdjian 6, cap. 40, Box 40.3não detalhapubalgia atlética na lista de diferenciais do atleta jovemum item entre muitos

Por que a separação importa

A separação do Campbell não é só semântica. A osteíte púbica é uma doença da articulação e do osso: muda a radiografia, muda a cintilografia e muda a medula óssea na RM. A hérnia do esporte é uma doença da parede: a radiografia é normal, e o diagnóstico depende do exame da região inguinal, da ultrassonografia dinâmica e de um cirurgião geral experiente. O tratamento cirúrgico também é diferente: curetagem, ressecção ou artrodese da sínfise numa, reparo da parede abdominal (com ou sem liberação do adutor longo) na outra. O que une as duas é o tendão: adutor longo e reto abdominal aparecem doentes nos dois quadros.

Quem tem e como começa

Cobrança confirmada · 1 questão

O atleta da arrancada

O Campbell (cap. 7, p. 397) descreve a osteíte púbica em atletas de esportes de corrida e mudança de direção, como futebol e hóquei, e também depois de trauma, gravidez e parto vaginal. Essas três circunstâncias têm um ponto em comum: carga anormal sobre a sínfise. No atleta, a carga é repetitiva; no trauma, aguda; na gestação e no parto, a sínfise ganha mobilidade e recebe forças que não costuma receber.

O HEBERT (cap. 76) dá o mecanismo em termos de músculo: a osteíte púbica é geralmente causada por contração forçada dos músculos adutor ou reto abdominal, e o mecanismo de lesão inclui mudanças súbitas de direção ou arrancadas. Na arrancada, o atleta flete o tronco e aduz a coxa ao mesmo tempo; na mudança de direção, o membro de apoio está fixo e o adutor freia a pelve que gira por cima dele. Nos dois casos, os dois braços da alavanca puxam juntos o fulcro púbico.

O adutor longo começa

A pergunta mais antiga do tema (TARO 2013) é qual músculo inicia a pubalgia com mais frequência. A resposta é o adutor longo, e três livros sustentam a escolha por caminhos diferentes.

O Campbell (cap. 7, p. 397), ao descrever a hérnia do esporte, diz que frequentemente há tendinose da origem do adutor longo ou da inserção do reto abdominal, que pode ser a fonte primária da dor. Ao descrever a osteíte púbica, lista a tendinose do adutor longo entre os achados de RM. E, na palpação (p. 358.e1), associa a dor sobre o adutor longo a estiramentos ou avulsões.

O HEBERT, no capítulo 13 (Artroscopia do quadril, de GUSMÃO, CRESTANI e MADUREIRA JÚNIOR), é ainda mais direto: o desequilíbrio mecânico provocado pela anatomia óssea da pelve pode desencadear dores periarticulares secundárias, afetando tipicamente o adutor longo (tendinite dos adutores e pubalgia). O mesmo trecho lista, na sequência, a origem dos isquiotibiais, os abdutores, o iliopsoas e os demais flexores, e conclui que, diante dessas queixas, deve-se sempre pesquisar a correlação com patologia intra-articular.

A anatomia do CALLAGHAN completa o porquê: o adutor longo é a borda medial do trígono femoral, logo abaixo do ligamento inguinal, e participa tanto da adução quanto da flexão do quadril. As alternativas que costumam acompanhar a pergunta (sartório, reto femoral, adutor magno) são músculos de outras lesões: sartório e reto femoral arrancam as espinhas ilíacas no adolescente, e o magno, com origem que se estende ao ramo isquiático, não é o tendão descrito na pubalgia.

A frequência das lesões musculares no futebol

O HEBERT (cap. 76, seção Lesão muscular) dá números que ajudam a dimensionar o problema. A incidência de lesão muscular é de 2,8 lesões por mil horas de jogo. Um time profissional de futebol com 25 jogadores tem, em média, 18 lesões musculares por temporada: sete nos isquiotibiais, três no quadríceps, cinco ou seis nos adutores e duas ou três no gastrocnêmio. Os adutores são, portanto, o segundo grupo mais lesado no futebol, atrás apenas dos isquiotibiais. Os atletas de esportes de alta velocidade e mudança de direção, como o futebol, são os mais propensos às lesões osteomusculares.

O quadro clínico e o exame

Relevância clínica

Onde dói

O HEBERT (cap. 76) descreve uma dor que pode se distribuir por muitas regiões: púbica, virilha, abdome inferior, perineal, testicular, suprapúbica e inguinal. Essa dispersão é a razão de a pubalgia ser confundida com problemas urológicos e ginecológicos, e o Campbell (cap. 7, p. 396 e 397) lembra que origens geniturinárias e ginecológicas de dor devem ser consideradas antes de rotular a dor como osteíte púbica.

O que provoca a dor segue o fulcro. Pelo HEBERT, sentar-se a partir da posição deitada pode desencadear sintomas na porção distal do reto abdominal; a dor na região dos adutores está presente em 36% dos atletas com pubalgia; a manobra de VALSALVA e a tosse podem reproduzir os sintomas; a adução e a flexão resistidas também geram desconforto. A tosse e a VALSALVA aumentam a pressão abdominal e tensionam a parede e o reto; a adução resistida tensiona o adutor longo; a flexão do tronco tensiona o reto. Cada manobra põe carga num dos braços da alavanca.

Os testes do HEBERT

O Squeeze test consiste em o paciente fazer uma adução bilateral resistida contra o punho do examinador, posicionado na altura dos joelhos, com o quadril em posição neutra, a 45 ou a 90 graus de flexão. É positivo quando o paciente relata dor nos adutores ou nas estruturas ósseas do púbis. A sensibilidade foi de 40% em pacientes com dor inguinal relacionada ao exercício.

O teste da elevação da perna estendida é positivo se, ao elevar ativamente a perna estendida a 20 cm da maca, o paciente refere dor ou dificuldade. A sensibilidade foi parecida, 39%.

A lição desses números é que nenhum teste isolado basta. Uma sensibilidade em torno de 40% significa que mais da metade dos atletas com dor inguinal de esforço teria o teste negativo. O diagnóstico é de conjunto: história de arrancada e mudança de direção, dor no púbis à palpação, dor reproduzida pela adução e pela flexão do tronco, e imagem compatível.

Testes clínicos na pubalgia (HEBERT, cap. 76)
TesteComo se fazPositivo quandoSensibilidade
Squeeze testadução bilateral resistida contra o punho do examinador entre os joelhos, quadril neutro, 45 ou 90 grausdor nos adutores ou no púbis40%
elevação da perna estendidaelevar ativamente a perna estendida a 20 cm da macador ou dificuldade39%
sentar a partir do deitadoabdominaldor na porção distal do reto abdominalnão informada
VALSALVA e tosseaumento da pressão abdominalreproduz a dornão informada
palpação dos adutoresdor na origempresente em 36% dos atletas com pubalgianão se aplica

O exame pela palpação

O Campbell (cap. 7, p. 358 e 358.e1) organiza o exame da dor no quadril pela localização da dor à palpação. Os pontos de interesse aqui são três:

  • Dor sobre a sínfise púbica indica osteíte púbica.
  • Dor sobre o canal inguinal indica hérnia inguinal clássica ou deficiência da parede abdominal (hérnia do esporte).
  • Dor sobre o reto femoral e o adutor longo indica estiramentos ou avulsões.

O CALLAGHAN (cap. 22, p. 330), no exame em supino, manda palpar o abdome, a sínfise púbica e o tubérculo adutor, e acrescenta um teste que separa duas entidades: a flexão resistida do tronco ajuda a diferenciar a tendinite isolada dos adutores da hérnia do esporte. Na tendinite isolada dos adutores, a flexão do tronco não deveria doer, porque não tensiona o adutor; na hérnia do esporte, centrada no tendão do reto, a flexão do tronco dói.

O CALLAGHAN lista ainda o que acompanha a hérnia do esporte: dor no canal inguinal, dor à adução resistida, dor na crista e no tubérculo púbico, dor na origem dos adutores, dor ao abdominal resistido ou à flexão do quadril e um anel inguinal superficial dilatado e doloroso.

Onde dói e o que sugere (Campbell 15, cap. 7, p. 358.e1; CALLAGHAN, cap. 22, p. 330)
Ponto doloroso ou manobraSugere
sínfise púbicaosteíte púbica
canal inguinalhérnia inguinal clássica ou hérnia do esporte
origem do adutor longoestiramento ou avulsão; tendinose
reto femoral (espinha anteroinferior)estiramento ou avulsão
flexão resistida do tronco dolorosahérnia do esporte (não a tendinite isolada dos adutores)
anel superficial dilatado e dolorosohérnia do esporte
dor profunda na virilha com sinal do Cpatologia intra-articular

A radiografia e a cintilografia da osteíte púbica

Cobrança confirmada · 1 questão

O que a radiografia mostra

O Campbell (cap. 7, p. 397) descreve a aparência radiográfica típica da osteíte púbica em três elementos:

1. Alargamento da sínfise. 2. Borramento das margens corticais. 3. Às vezes, um cisto no corpo do púbis, adjacente ao disco fibrocartilaginoso da sínfise.

E dá a interpretação: isso provavelmente representa uma reação de estresse ao uso excessivo ou à mobilidade excessiva. O raciocínio é o mesmo de qualquer articulação sobrecarregada: o osso subcondral que recebe carga anormal reabsorve, perde a nitidez da cortical e forma cistos; a articulação que se move demais se alarga.

Daí a lógica das alternativas que a banca oferece. A pubalgia não estreita a sínfise: a doença alarga, não reduz o espaço articular. Os cistos subcondrais na região da sínfise são o achado certo. Tendinopatia dos abdutores e dos rotadores externos é doença da face lateral e posterior do quadril, longe do púbis.

Cintilografia

Na cintilografia óssea, a sínfise mostra captação aumentada (Campbell, cap. 7, p. 397). É um exame sensível, mas inespecífico: a mesma captação aparece numa fratura por estresse do ramo púbico, que está a poucos centímetros dali. Por isso a cintilografia ajuda a localizar o problema no púbis, e a RM é que separa os diagnósticos.

Imagem da osteíte púbica (Campbell 15, cap. 7, p. 397)
ExameAchadoInterpretação
radiografiaalargamento da sínfisemobilidade excessiva
radiografiaborramento das margens corticaisreação de estresse do osso subcondral
radiografiacisto no corpo do púbis junto ao discoreação de estresse ao uso excessivo
cintilografiacaptação aumentada na sínfisesensível, pouco específica
RMedema da medula ósseatambém em atletas assintomáticos
RMsinal da fendaruptura da cápsula ligamentar que envolve o disco
RMtendinose do reto abdominal e do adutor longoestiramento crônico, confundido com osteíte

A RM: edema, fenda e tendinose

Cobrança confirmada · 2 questões

Edema medular, e o cuidado com o assintomático

A RM mostra edema da medula óssea no púbis (Campbell, cap. 7, p. 397). O livro faz uma ressalva que toda banca deveria cobrar: alguns atletas assintomáticos também têm edema medular no púbis. O achado, sozinho, não fecha o diagnóstico; ele precisa casar com a clínica. É o mesmo princípio que vale para o edema de estresse em outros ossos: a sobrecarga do atleta deixa marca na medula antes de doer.

O CALLAGHAN (cap. 25, p. 381 e 382 aprox.) reforça o papel da RM na dor inespecífica da virilha: além da patologia intra-articular, ela avalia ao mesmo tempo as estruturas extracapsulares (ossos, músculos e tendões, bursas e estruturas neurovasculares), e entre as entidades comumente encontradas cita lesões dos abdutores, bursite trocantérica, pubalgia atlética e fraturas por estresse da pelve. A capacidade de diferenciar, sem invasão, dor intra-articular de extra-articular é o que orienta a estratégia de tratamento.

O sinal da fenda

O sinal da fenda (em inglês, cleft sign) é descrito pelo Campbell (cap. 7, p. 397) com precisão anatômica: ele pode ser visto na RM quando há ruptura da cápsula ligamentar que envolve o disco fibrocartilaginoso da sínfise. Volte ao desenho: disco no centro, cápsula em volta. A fenda aparece quando essa cápsula se rompe; é, portanto, uma lesão capsuloligamentar da sínfise, e não uma tendinose nem uma doença de órgão vizinho.

Na nomenclatura de radiologia que algumas bancas usam, fala-se em fenda primária e fenda secundária; os livros conferidos descrevem apenas o sinal da fenda e o ligam à ruptura da cápsula ligamentar do disco, sem detalhar a distinção. Para a prova, o que basta é a origem da fenda.

As alternativas falsas da questão do TARO 2021 são instrutivas. A tendinose insercional do reto abdominal e a do adutor são achados reais da RM, mas são outros achados, descritos em separado pelo Campbell; não são a causa da fenda. Aderência por mioma uterino é diagnóstico ginecológico, lembrado apenas porque o Campbell manda considerar origens ginecológicas de dor.

A tendinose do reto abdominal e do adutor longo

O Campbell (cap. 7, p. 397) lista, entre os outros achados de RM relacionados, a tendinose das inserções do reto abdominal e do adutor longo no púbis, e acrescenta que os estiramentos crônicos desses tendões frequentemente são confundidos com a osteíte púbica verdadeira. Na seção da hérnia do esporte, repete: a tendinose da origem do adutor longo ou da inserção do reto abdominal está frequentemente presente e pode ser a fonte primária da dor.

A questão do TARO 2016 escolheu, entre grácil, pectíneo, adutor magno e reto abdominal, o reto abdominal. O livro cita os dois tendões doentes, reto abdominal e adutor longo; como o adutor longo não estava entre as alternativas, sobra o reto abdominal. Grácil e adutor magno também nascem no ramo púbico inferior, e o pectíneo é outro adutor, mas nenhum deles é tendão descrito na RM da osteíte púbica.

A questão de fellowship sobre a pubalgia atlética reúne quase todos os achados de RM numa só alternativa: edema parassinfisário, erosões e cistos, sinal aumentado no disco fibrocartilaginoso, hipertrofia do ligamento púbico superior, alteração na origem do tendão adutor, lesão do reto abdominal e hérnia inguinal associada. O Campbell sustenta a maior parte: edema medular, cisto junto ao disco, alteração do disco e de sua cápsula (o sinal da fenda), tendinose do adutor longo e do reto abdominal, e, na hérnia do esporte, a deficiência da parede posterior do canal inguinal. A hipertrofia do ligamento púbico superior não aparece nos livros conferidos. As outras alternativas se eliminam pelo raciocínio do fulcro: a doença é articular e tendínea ao mesmo tempo, por isso não pode haver "ausência completa de alterações no disco", "afilamento do ligamento sem alteração do adutor" nem "alterações restritas à sínfise", já que o Campbell manda procurar também a patologia do quadril.

A hérnia do esporte (pubalgia atlética)

Relevância clínica

O que é

O Campbell (cap. 7, p. 397) descreve a hérnia do esporte como causa de dor crônica na virilha em atletas que correm e torcem o tronco, um diagnóstico feito com frequência crescente, que representa uma deficiência da parede abdominal na região do canal inguinal. Muitas variações anatômicas já foram descritas, mas a mais comum é a incompetência da parede posterior do canal inguinal, com ou sem envolvimento do anel inguinal interno.

O CALLAGHAN (cap. 22, p. 330) a chama de hérnia oculta, tipicamente localizada no tendão do reto, o que a diferencia da localização mais lateral das hérnias inguinais direta e indireta. As duas descrições se completam: a deficiência fica na parede, junto ao tendão do reto, e não forma o abaulamento das hérnias inguinais clássicas.

Por que é difícil de achar

O Campbell explica que a hérnia do esporte é muito difícil de perceber no exame físico, porque os sinais clássicos da hérnia inguinal geralmente não estão presentes. Não há abaulamento, não há saco redutível. Por isso o livro recomenda encaminhar a um cirurgião geral familiarizado com anormalidades inguinais sutis quando há suspeita clínica, e cita a ultrassonografia dinâmica como exame com utilidade diagnóstica relatada. A ultrassonografia é dinâmica porque a deficiência da parede aparece com o esforço (tosse, VALSALVA), não em repouso.

Tratamento

O reparo cirúrgico da parede abdominal deficiente tem sucesso relatado quando o diagnóstico correto é feito (Campbell, cap. 7, p. 397). MESSAOUDI e colaboradores mostraram que, em jogadores de futebol, acrescentar a liberação do adutor longo ao reparo da parede abdominal levou a alívio mais confiável da dor e a retorno ao esporte. O dado fecha o raciocínio de todo o tema: mesmo quando a parede é a lesão principal, o adutor longo participa da dor, e tratá-lo junto melhora o resultado.

Osteíte púbica e hérnia do esporte lado a lado (Campbell 15, cap. 7, p. 397; CALLAGHAN, cap. 22, p. 330)
AspectoOsteíte púbicaHérnia do esporte (pubalgia atlética)
estrutura doentesínfise e tendões vizinhosparede posterior do canal inguinal
quemcorrida e mudança de direção, trauma, gestação e partoatletas que correm e torcem
ponto dolorososínfise púbicacanal inguinal, tubérculo púbico, anel superficial dilatado
radiografiaalargamento, borramento cortical, cistosem alteração específica descrita
imagem que ajudacintilografia, RM (edema, fenda, tendinose)ultrassonografia dinâmica; RM avalia o diferencial
tendinose associadareto abdominal e adutor longoadutor longo ou reto abdominal, às vezes fonte primária
tratamentoconservador, autolimitadoreparo da parede; somar liberação do adutor longo (MESSAOUDI)
cirurgiacuretagem, ressecção ou artrodese da sínfise no recalcitrantereparo cirúrgico com diagnóstico correto

Lesões dos adutores

Relevância clínica

Estiramento, tendinose e avulsão

O adutor longo adoece de três maneiras que os livros tratam em lugares diferentes. A tendinose crônica da origem aparece na RM da osteíte púbica e da hérnia do esporte (Campbell, cap. 7, p. 397). O estiramento e a avulsão são sugeridos pela dor à palpação do adutor longo (Campbell, cap. 7, p. 358.e1). E a tendinite dos adutores secundária ao impacto femoroacetabular é descrita pelo HEBERT (cap. 13). A pubalgia é o ponto em que as três se encontram.

A classificação de PEETRONS

O HEBERT (cap. 76, seção Lesão muscular) usa a classificação de PEETRONS, que combina o quadro clínico com a imagem (RM ou ultrassonografia diagnóstica):

Classificação de PEETRONS das lesões musculares (HEBERT, cap. 76)
GrauImagemSignificado
0sem alteraçãosintomas sem lesão visível
1lesão mínima, menos de 5% do músculoestiramento leve
2ruptura parcial, 5% a 50% do volume ou da área de secçãolesão moderada
3ruptura total com retração completalesão grave

Quanto maior o grau, maior o tempo de reabilitação, que varia de uma semana a seis meses. A cicatrização passa por três fases: inflamatória (1 a 3 dias), reparo (3 a 4 semanas) e remodelamento (3 a 6 meses), com sobreposição das duas últimas. Como o grau definitivo é difícil de estabelecer na fase aguda, toda lesão muscular deve ser tratada como séria nos primeiros dois a três dias: repouso, compressão para limitar o sangramento, imobilização, resfriamento, elevação por um a três dias e menos carga sobre o membro.

O exame da lesão muscular

O HEBERT orienta procurar equimose e deformidade no ventre muscular, palpar falha de continuidade, dor, temperatura e espasmo, e testar a força em várias posições, porque o comprimento do músculo muda com a posição articular. A dor provocada pelo teste pode ser a causa da fraqueza, e não uma ruptura. Nos músculos biarticulares, as duas articulações devem ser avaliadas; o grácil, que cruza quadril e joelho, é o exemplo entre os adutores. Nas manobras provocativas, observa-se se a dor é maior ao contrair ou ao alongar o músculo.

O protocolo de reabilitação por grau

Tratamento conservador das lesões musculares por grau (HEBERT, cap. 76, Quadro 76.1, de KOLT e SNYDER-MACKLER)
PeríodoGrau médioGrau moderadoGrau acentuado
1º ao 3º diacompressão, gelo, elevação, ADM ativa, isométricocompressão, gelo, elevação, ADM ativa indolor, muletacompressão, gelo, elevação, muleta
a partir do 4º diaaquática, alongamento sem dor, isotônico, bicicleta, funcionaisisométrico sem dorestimulação elétrica muscular
a partir do 7º diaisocinético, pliométrico, específico do esporteaquática, alongamento sem dor, isotônico, bicicleta, funcionaisADM ativa livre sem dor, isométrico sem dor
semanas seguintesretornoisocinético, pliométrico e específico a partir da 2ª semanaprogressão até o específico a partir da 3ª semana

O princípio do quadro é respeitar as fases da cicatrização: nada de alongamento ou carga excêntrica enquanto a fase inflamatória ainda está ativa, e progressão pela dor, não pelo calendário. O objetivo, diz o HEBERT, é devolver o atleta ao esporte no nível de desempenho anterior à lesão com risco mínimo de recidiva, corrigindo também os desequilíbrios mecânicos.

O diagnóstico diferencial da dor na virilha do atleta

Relevância clínica

A lista inteira

A virilha do atleta é um cruzamento: ali doem a articulação do quadril, a sínfise, a parede abdominal, os tendões, o osso por estresse e os órgãos pélvicos. O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 40, Box 40.3), traz a lista mais completa de diferenciais da dor no quadril do atleta jovem: estiramentos, apofisite, ressalto interno e externo, impacto, lesão labral, displasia e instabilidade, avulsão apofisária, fratura por estresse, pubalgia atlética, problemas da coluna (inclusive espondilólise), artrite e sinovite, problemas intra-abdominais (apendicite, cisto ovariano), osteonecrose (Perthes), epifisiólise, displasia epifisária, infecção, fratura e luxação, e neoplasia.

O Campbell (cap. 7, p. 357, Tabela 7.1) organiza o adulto pelo padrão da dor: dor na virilha ou profunda e mal definida, com sinal do C, aponta para patologia intra-articular (impacto, artrose, osteonecrose, fratura por estresse, displasia, artrite inflamatória, lesão labral); lesão por torção no esporte faz pensar em morfologia óssea associada; uso excessivo em corredores, sobretudo mulheres amenorreicas, com baixa densidade óssea, baixo índice de massa corporal e má nutrição, faz pensar em fratura por estresse; e o estalido grave e audível faz pensar no psoas.

Diagnóstico diferencial da dor na virilha do atleta (Campbell 15, cap. 7; HEBERT, caps. 13 e 76; Rockwood and Green 10, cap. 24; Tachdjian 6, cap. 40)
DiagnósticoPista clínicaExame que separaOnde estudar
osteíte púbicador na sínfise, arrancada e mudança de direçãoradiografia (alargamento, cisto), RM (edema, fenda)este resumo
hérnia do esportedor no canal inguinal, flexão do tronco dolorosa, anel dilatadoultrassonografia dinâmica, cirurgião geraleste resumo
tendinose ou estiramento do adutor longodor na origem do adutor, Squeeze testRM ou ultrassonografia (PEETRONS)este resumo
impacto femoroacetabular e lesão labralsinal do C, dor em torção, FADIR positivoradiografia e artro-RM; infiltração intra-articularcallaghan-impacto-femoroacetabular
fratura por estresse do ramo púbicocorredora, dor aliviada pelo repouso, não fica em apoio unipodalcintilografia ou RM; radiografia inicial negativaeste resumo
fratura por estresse do colo femoralcorredor com dor vaga na virilha, limitação de flexão e rotação internaRM (mais sensível e específica)este resumo
ressalto interno (psoas)estalido grave audível, dor na virilhaultrassonografia dinâmica, bursografiacallaghan-dor-peritrocanterica
avulsão apofisária (adolescente)dor súbita no chute ou na arrancada, 12 a 14 anosradiografia com fragmento desviadocallaghan-dor-peritrocanterica
origem geniturinária ou ginecológicador testicular, perineal, suprapúbicaavaliação clínica dirigidaCampbell, cap. 7

Impacto femoroacetabular: a causa que se esconde atrás da pubalgia

O HEBERT (cap. 13, Artroscopia do quadril) mostra por que a pubalgia não pode ser tratada sem olhar para o quadril. A dor intra-articular é irradiada anteriormente na região inguinal, e o paciente a descreve com o sinal do C de BYRD: o indicador e o polegar envolvem o quadril, mostrando que a dor está "entre os dedos". Os sintomas pioram com a atividade e com a torção sobre o membro fixo, sentar é desconfortável (pior em cadeira baixa), levantar dói, entrar e sair do carro incomoda, calçar meias e sapatos fica difícil, e podem existir bloqueio, cliques e estalidos. No mesmo quadro de sintomas (Quadro 13.1) aparecem as tendinites crônicas de adutores e do reto anterior da coxa e as distensões do quadril que não melhoram.

A explicação vem logo depois: o desequilíbrio mecânico provocado pela anatomia óssea da pelve pode desencadear dores periarticulares secundárias, afetando tipicamente o adutor longo (tendinite dos adutores e pubalgia), a origem dos isquiotibiais, os abdutores, o iliopsoas e os demais flexores. Um quadril com impacto perde rotação interna, e a carga que a articulação não absorve passa para as estruturas vizinhas, entre elas o fulcro púbico e o adutor. O CALLAGHAN (cap. 22, p. 328 e 329) dá o número que torna isso concreto: a perda da rotação interna é um dos primeiros sinais de distúrbio intra-articular, e o quadril precisa de pelo menos 10 graus de rotação interna no apoio médio da marcha; com menos, a coluna lombar e a cadeia cinética pagam a conta.

O exame do Campbell (cap. 7, p. 358.e1) separa as fontes: FADIR (flexão a 90 graus, adução e rotação interna máxima) doloroso indica impacto anterior; FABER indica impacto lateral ou posterior, ou dor sacroilíaca e lombossacral; o teste de STINCHFIELD (dor à flexão resistida além de 30 a 45 graus) detecta patologia intra-articular sutil; estalidos reprodutíveis sugerem lesão labral. Quando o exame e a imagem são duvidosos, a infiltração intra-articular com anestésico local decide: a melhora definida prediz patologia intra-articular com 90% de acurácia (BYRD; Campbell, cap. 7, p. 358). A regra prática do HEBERT vale como conclusão: diante de pubalgia ou tendinite do adutor que não melhora, pesquise sempre a correlação com patologia intra-articular. O detalhe do impacto está no resumo callaghan-impacto-femoroacetabular.

Testes que apontam para dentro da articulação (Campbell 15, cap. 7, p. 358 e 358.e1; CALLAGHAN, cap. 22)
Teste ou sinalComoO que sugere
sinal do C (BYRD)mão em C envolvendo o quadrildor intra-articular
FADIRflexão a 90 graus, adução, rotação interna máximaimpacto anterior
FABERflexão, abdução, rotação externaimpacto lateral ou posterior; sacroilíaca
STINCHFIELDflexão resistida além de 30 a 45 grauspatologia intra-articular sutil
perda de rotação internamedida sentado, comparar os ladosum dos primeiros sinais intra-articulares
infiltração com anestésicomelhora definida após a injeçãopatologia intra-articular (90% de acurácia)

Fratura por estresse do ramo púbico

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 24, de HULL, YINGLING e TEAGUE, p. 755), descreve a fratura por estresse da pelve e do sacro como incomum, envolvendo tipicamente os ramos púbicos. Acontece mais em mulheres, recrutas militares e corredores de longa distância depois de aumento da duração, da frequência ou da intensidade do exercício de impacto.

O quadro tem detalhes que imitam a pubalgia: a fratura do ramo púbico causa dor insidiosa inguinal, perineal ou na região dos adutores, aliviada pelo repouso. No exame, o paciente pode ter marcha antálgica, arco de movimento completo, dor à palpação dos ramos ou incapacidade de ficar em apoio unipodal sem suporte do lado afetado. A amplitude preservada é a pista contra a doença intra-articular; a incapacidade de apoio unipodal é a pista contra a tendinopatia isolada.

As radiografias são inicialmente negativas na maioria dos casos; o calo aparece mais tarde. A cintilografia ou a RM costumam ser necessárias para o diagnóstico precoce. Na RM em T2, a fratura por estresse aparece como uma banda de baixo sinal (o traço) cercada de hipersinal difuso (o edema) (p. 749). A figura do capítulo mostra uma corredora de 21 anos com fratura por estresse do ramo púbico inferior minimamente desviada, grau IV, e a RM com reação de estresse e calo inicial (p. 756).

O tratamento exige parar a corrida e os saltos, carga protegida e repouso relativo de 6 semanas a 8 meses; um breve período sem carga pode ser necessário conforme a dor. A cirurgia geralmente não é necessária se o diagnóstico for feito a tempo (p. 755). O livro ainda lembra que, no sacro, a dor é vaga, glútea ou na virilha, e que em homens jovens deve-se pensar em espondiloartropatia soronegativa, como a espondilite anquilosante.

O ramo púbico não está entre os locais de alto risco da Tabela 24-1 (p. 749), que reúne colo femoral (lado de tensão), patela (lado de tensão), cortical anterior da tíbia, maléolo medial, cortical dorsal do navicular, metáfise proximal do quinto metatarsal e sesamoides do hálux. Os locais de baixo risco ficam do lado de compressão do osso e respondem bem à modificação de atividade.

Classificação de KAEDING-MILLER das fraturas por estresse (Rockwood and Green 10, cap. 24, Tabela 24-2, p. 750)
GrauDorImagem (TC, RM, cintilografia ou radiografia)
Inãoevidência de estresse, sem traço de fratura
IIsimevidência de estresse, sem traço de fratura
IIIsimtraço de fratura sem desvio
IVsimfratura desviada (mais de 2 mm)
Vsimpseudartrose

O HEBERT (cap. 76, seção Fratura por estresse) acrescenta a epidemiologia e a reabilitação. Num estudo de atletas do ensino médio (2015), a taxa foi de 1,54 por 100 mil exposições, maior nas meninas, e a região lombar, a coluna e a pelve responderam por 15,2% das fraturas. A maioria cura em até 8 semanas de tratamento conservador. Na primeira fase da reabilitação: repouso local, condicionamento aeróbio sem impacto, analgésicos exceto os AINEs, que podem atrasar o reparo ósseo, e carga conforme tolerância, sem corrida; a segunda começa duas semanas depois de o atleta estar livre de dor. Para voltar ao esporte, o atleta precisa estar sem dor na descarga de peso; a tríade da mulher atleta é fator de risco a investigar.

Fratura por estresse do colo femoral

O diferencial que não pode passar é a fratura por estresse do colo femoral (Rockwood and Green, cap. 24, p. 756). Aparece em corredores, dançarinos e recrutas, com dor vaga no quadril ou na virilha, e o diagnóstico costuma atrasar até 3 meses. O exame pode mostrar marcha antálgica, dor à palpação da virilha e dor nos extremos do movimento, com limitação sutil da flexão e da rotação interna. A RM é o exame mais sensível e específico; a cintilografia tem falso negativo relatado até 12 dias depois do início dos sintomas. As fraturas do lado de tensão têm o maior risco de progressão e indicam fixação; as do lado de compressão (cortical inferior) pedem carga restrita por 6 semanas ou mais. Um atleta com "pubalgia" que não melhora e perde rotação interna precisa de RM do quadril, não de mais fisioterapia.

Fratura por estresse do ramo púbico e do colo femoral (Rockwood and Green 10, cap. 24, p. 749 a 756)
AspectoRamo púbicoColo femoral
quemmulheres, recrutas, corredores de longa distânciacorredores, dançarinos, recrutas
doringuinal, perineal ou adutora, aliviada pelo repousovaga no quadril ou na virilha
examearco completo, dor no ramo, sem apoio unipodaldor nos extremos, limitação de flexão e rotação interna
radiografianegativa no inícioalto falso negativo
exame que confirmacintilografia ou RMRM (mais sensível e específica)
risconão listado entre os de alto riscoalto risco no lado de tensão
tratamentoparar corrida e saltos, carga protegida, 6 semanas a 8 mesestensão: fixação; compressão: carga restrita 6 semanas ou mais

O ressalto interno e as avulsões

Dois diferenciais da virilha estão em detalhe no resumo callaghan-dor-peritrocanterica. O ressalto interno (Campbell, cap. 7, p. 395 e 396) é o tendão do psoas passando sobre a eminência iliopectínea ou a cápsula anterior, de lateral para medial na extensão do quadril; o estalido existe em até 10% da população normal, e, quando sintomático, vem com dor na virilha e um "thunk" grave e audível. As avulsões apofisárias do adolescente (Tachdjian, cap. 40) atingem meninos três vezes mais que meninas, entre 12 e 14 anos, em 65% dos casos no futebol ou na ginástica; o tratamento é com muletas por 2 a 3 semanas e retorno em cerca de 12 semanas, e os autores só indicam cirurgia aguda na avulsão da tuberosidade isquiática com desvio maior que 2 cm (alguns indicam cirurgia com mais de 15 mm em atletas de alto nível). No adolescente com dor no púbis depois de um chute, a apófise vem antes da osteíte.

O tratamento conservador

Fundamento

Por que conservador primeiro

Os dois livros principais concordam no ponto central. O HEBERT (cap. 76) diz que a primeira opção terapêutica é o tratamento conservador, com AINEs, repouso, redução das atividades que sobrecarregam a região inguinal e fisioterapia, esta com alongamento e fortalecimento da musculatura do quadril, treinamento sensório-motor e eletroterapia. O Campbell (cap. 7, p. 397) dá a razão biológica: o tratamento é primariamente conservador porque a condição tende a ser autolimitada quando o estresse do uso excessivo é retirado; a reabilitação deve fortalecer o abdome e os adutores de forma graduada.

O raciocínio é coerente com o mecanismo. Se a osteíte púbica é reação de estresse de um fulcro puxado por dois braços, o tratamento é tirar a carga excessiva e depois equilibrar os braços, fortalecendo abdome e adutores para que a sínfise volte a ser estável.

Exercício ativo vence fisioterapia passiva

O HEBERT detalha o estudo de HOLMICH e colaboradores: 68 atletas homens de 18 a 50 anos, comparando um programa de exercício ativo (fortalecimento com ênfase em adutores e abdominais e treinamento sensório-motor) com fisioterapia passiva (massagem de fricção transversa, alongamento de adutores, isquiotibiais e flexores do quadril, laser e TENS). Os dois tratamentos duraram oito semanas. A proporção de atletas que voltou ao esporte no mesmo nível anterior e sem dor inguinal depois de 16 semanas foi significativamente maior no grupo do exercício.

As revisões sistemáticas confirmam o sentido: a terapia por exercício (fortalecimento de quadril e abdome) teve melhores resultados em curto prazo, no sucesso do tratamento medido sobretudo pela dor e no retorno ao esporte, do que a fisioterapia convencional com modalidades passivas. A revisão Cochrane de ALMEIDA e colaboradores, com estudos de 1929 a dezembro de 2011, encontrou só dois ensaios randomizados (122 voluntários, alto risco de viés): um favorável ao exercício de fortalecimento com treino proprioceptivo contra eletroterapia e massagem; outro, comparando uma abordagem multimodal (calor, terapia manual e alongamento) com exercícios, sem diferença de dor ou de retorno, mas com retorno mais precoce no grupo multimodal.

Evidência do tratamento conservador da pubalgia (HEBERT, cap. 76)
EstudoComparaçãoResultado
HOLMICH et al. (68 atletas, 18 a 50 anos, 8 semanas)exercício ativo de adutores e abdominais + sensório-motor x fisioterapia passiva (fricção, alongamento, laser, TENS)mais retorno ao mesmo nível, sem dor, em 16 semanas com exercício
revisões sistemáticasexercício de quadril e abdome x modalidades passivasexercício melhor em curto prazo (dor e retorno)
Cochrane, ALMEIDA et al. (2 ECR, 122 voluntários)exercício + propriocepção x eletroterapia e massagemfavorável ao exercício
Cochrane, segundo ensaiomultimodal (calor, terapia manual, alongamento) x exercíciossem diferença de dor e retorno; multimodal retorna antes

Quando e como operar

Cobrança confirmada · 1 questão

As técnicas

O Campbell (cap. 7, p. 397) descreve a intervenção cirúrgica para os casos recalcitrantes de osteíte púbica: curetagem aberta ou endoscópica da sínfise, ressecção da sínfise e artrodese da sínfise. E faz uma confissão rara num tratado de técnica operatória: a experiência dos autores com essas técnicas é limitada, e eles preferem o tratamento não operatório. O HEBERT (cap. 76) não descreve cirurgia, coerente com um capítulo de reabilitação.

Na hérnia do esporte, a cirurgia é outra: reparo da parede abdominal deficiente, que tem sucesso quando o diagnóstico é correto, e, nos jogadores de futebol, somar a liberação do adutor longo dá alívio mais confiável e retorno ao esporte (MESSAOUDI; Campbell, cap. 7, p. 397).

O prazo

A banca do TARO 2018 perguntou depois de quanto tempo mínimo de falha do tratamento clínico se indica cirurgia na osteíte púbica, e o gabarito é 6 meses. Nenhum dos livros conferidos fixa esse número. O Campbell fala apenas em casos recalcitrantes; o HEBERT, no estudo de HOLMICH, avalia o retorno ao esporte em 16 semanas, ou seja, cerca de quatro meses, o que mostra que um prazo de 3 meses ainda está dentro do tempo de resposta esperado ao exercício. Um prazo de pelo menos seis meses de tratamento conservador bem feito é coerente com a ideia de doença autolimitada que o Campbell defende, mas o número é da banca, não dos livros.

Cirurgia na pubalgia (Campbell 15, cap. 7, p. 397)
EntidadeIndicaçãoTécnicaObservação
osteíte púbicarecalcitrante ao conservador (6 meses segundo a banca)curetagem aberta ou endoscópica da sínfiseexperiência limitada dos autores
osteíte púbicarecalcitranteressecção da sínfiseidem
osteíte púbicarecalcitranteartrodese da sínfiseidem
hérnia do esportediagnóstico correto, dor crônicareparo da parede abdominal deficientesucesso relatado com diagnóstico correto
hérnia do esporte em futebolistaidemreparo + liberação do adutor longoalívio mais confiável e retorno ao esporte (MESSAOUDI)

Onde os livros divergem

Fundamento

Vale reunir as divergências, porque são elas que geram as alternativas ambíguas.

No nome. O HEBERT (cap. 76) trata osteíte púbica, dor inguinal e pubalgia do atleta como sinônimos. O Campbell (cap. 7, p. 396 e 397) separa a osteíte púbica (sínfise) da hérnia do esporte ou pubalgia atlética (parede posterior do canal inguinal). O CALLAGHAN (cap. 22, p. 330) descreve a pubalgia atlética como hérnia oculta no tendão do reto, medial às hérnias inguinais clássicas. Diante de um enunciado, identifique qual vocabulário a banca usou.

No mecanismo. O HEBERT põe a causa na contração forçada dos adutores ou do reto abdominal, com arrancadas e mudanças de direção; no capítulo 13, liga a tendinite dos adutores e a pubalgia ao impacto femoroacetabular. O Campbell põe a causa no uso excessivo ou na mobilidade excessiva da sínfise, e acrescenta trauma, gestação e parto.

Na imagem. O Campbell é o único que descreve a imagem com detalhe (alargamento, borramento, cisto, captação, edema, fenda, tendinose) e o único que faz a ressalva do edema em atletas assintomáticos. O HEBERT descreve só a clínica e os testes.

No tratamento. O HEBERT indica AINEs, repouso e fisioterapia, com evidência de que o exercício ativo supera a fisioterapia passiva. O Campbell destaca a autolimitação, o fortalecimento graduado e a preferência pelo não operatório, listando as técnicas cirúrgicas sem entusiasmo. Nenhum dos dois dá o prazo de 6 meses que a banca cobra.

No AINE. O HEBERT o recomenda na osteíte púbica e o desaconselha na fratura por estresse; o Rockwood and Green não discute medicação na fratura do ramo, só a carga protegida e o repouso relativo.

Fechamento

Fundamento

A pubalgia se resolve com uma imagem: a sínfise púbica é um fulcro, com o reto abdominal puxando de cima e os adutores puxando de baixo. A arrancada e a mudança de direção do futebol e do hóquei sobrecarregam o fulcro; o primeiro tendão a ceder costuma ser o adutor longo, o mais superficial, borda medial do trígono femoral, e com ele o reto abdominal. A articulação responde com reação de estresse: alargamento, borramento cortical e cisto junto ao disco na radiografia; captação na cintilografia; edema medular (que também existe no atleta assintomático), sinal da fenda (ruptura da cápsula ligamentar que envolve o disco fibrocartilaginoso) e tendinose do reto abdominal e do adutor longo na RM.

A hérnia do esporte é a mesma dor vista pela parede: incompetência da parede posterior do canal inguinal, sem os sinais clássicos de hérnia, diagnosticada pelo exame dirigido e pela ultrassonografia dinâmica, e tratada com reparo da parede, com mais sucesso quando se soma a liberação do adutor longo.

O diferencial não pode esquecer o quadril (impacto femoroacetabular, sinal do C, FADIR, perda da rotação interna), a fratura por estresse do ramo púbico (corredora, dor aliviada pelo repouso, arco completo, radiografia inicial negativa, cintilografia ou RM) e a do colo femoral (alto risco no lado de tensão), além das avulsões do adolescente e das causas geniturinárias e ginecológicas.

O tratamento é conservador, com retirada da sobrecarga e fortalecimento ativo de abdome e adutores, que supera a fisioterapia passiva; a cirurgia (curetagem, ressecção ou artrodese da sínfise) fica para o caso recalcitrante, depois de pelo menos 6 meses segundo a banca.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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