A avaliação por tomografia computadorizada é extremamente útil na avaliação das fraturas do calcâneo. Entretanto, várias cidades do Brasil não possuem tomógrafos e, nessas circunstâncias, uma boa avaliação radiográfica é fundamental. Em relação à avaliação radiográfica, assinale a afirmativa correta.
- Na incidência obliqua externa, a radiografia do pé é utilizada para avaliar o ângulo de Boehler e a rotação da faceta posterior.
- O ângulo de Boehler normalmente varia de 20 a 40 graus, e um ângulo maior do que 40 graus é um forte indicador de uma fratura do calcâneo com colapso da faceta posterior.
- A radiografia do pé nas incidências anteroposterior e oblíquas do pé são realizadas para avaliar o processo anterior e o envolvimento da articulação talocalcânea.
- O ângulo de Gissane normalmente varia entre 105 e 145 graus. Um ângulo menor que 105 graus é indicativo de uma fratura do calcâneo com envolvimento da superfície articular posterior do tálus.
- Na incidência de Broden, a radiografia obtida por rotação interna da perna em 40 graus com o tornozelo em neutro, e com o feixe do raio em uma angulação cefálica de 10 a 15 graus é útil para avaliar a congruência da faceta posterior.
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Conceito-chave
Na fratura do calcâneo, a tomografia é o melhor exame para avaliar a superfície articular. Quando ela não está disponível, um bom conjunto de radiografias dá muita informação. Cada incidência mostra uma parte do osso.
Perfil do calcâneo: mede a altura do osso e dois ângulos importantes.
Ângulo de Böhler: formado por duas linhas que tangenciam a parte de cima do calcâneo. O normal fica entre 20° e 40°. Quando a faceta posterior da articulação subtalar afunda, o ângulo diminui. Valores abaixo de 20° indicam colapso, e quanto menor, mais grave.
Ângulo de Gissane: formado pelas bordas de osso sob a faceta posterior e o processo anterior. O normal fica em torno de 120° a 145°, e ele aumenta quando a faceta posterior afunda.
Axial (incidência de Harris): mostra a largura do calcâneo, o desvio da tuberosidade para dentro ou para fora e o sustentáculo do tálus.
AP e oblíqua do pé: mostram o processo anterior e a articulação entre o calcâneo e o cuboide.
Incidência de Brodén: é a feita especificamente para a faceta posterior da subtalar, a principal superfície de apoio do tálus sobre o calcâneo. A perna fica rodada para dentro cerca de 40°, o tornozelo em posição neutra, e o raio é inclinado em direção à cabeça (angulação cefálica). Com angulação menor, de 10° a 15°, aparece a parte de trás da faceta; com ângulos maiores, a parte da frente. É muito usada durante a cirurgia para conferir se a faceta ficou bem reduzida.
Na prova: sem tomografia, a congruência da faceta posterior se avalia pela incidência de Brodén.
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