Orto Questões

Hiperparatireoidismo e osteodistrofia renal

OsteometabólicasResumo do capítulo34 min de leitura

PTH faz o rim reter cálcio e perder fosfato, ativa o osteoclasto pelo RANKL do osteoblasto e estimula o 1,25; calcitonina quase não conta no homem; primário (80% adenoma, mulher 3:1, acima de 50 anos) = cálcio alto, fosfato baixo, PTH alto, hipercalciúria (cálcio e creatinina urinários afastam a hipercalcemia hipocalciúrica familiar); radiografia com reabsorção subperiosteal das falanges, clavícula distal afilada, crânio em sal e pimenta, perda da lâmina dura e tumor marrom (não curetar: tratar a paratireoide); secundário = resposta à hipocalcemia; terciário = glândula autônoma após o transplante; osteodistrofia renal = fosfato alto e PTH muito alto, a única forma de raquitismo com fosfato alto, coluna em camisa de rúgbi, fises largas sem taça, epifisiólise bilateral em criança pequena; teriparatida intermitente é anabólica; osteodistrofia renal, hiperparatireoidismo e osteomalácia são causas corrigíveis de fratura patológica.

Atualizado em 04/11/2026 · 34 minutos de leitura · Orto Questões

Fonte: Capítulo 27 · Doenças osteometabólicas, em Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio HEBERT), 5ª edição (2017), com o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (2021), caps. 38 e 15, o Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (2014), cap. 6, o Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (2025), caps. 2, 4 e 25, o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (2026), caps. 7, 26, 27, 34 e 38, e o Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (2010), cap. 26. Autores do capítulo: Akira ISHIDA, José Antonio PINTO, Francesco Camara BLUMETTI, Henrique SODRÉ e Eiffel Tsuyoshi DOBASHI (HEBERT, cap. 27); Harry K.W. KIM e Mouin G. SEIKALY (Tachdjian, cap. 38); Andrew W. HOWARD e Benjamin A. ALMAN (Lovell, cap. 6); Derek G. HANSEN e Stuart H. RALSTON (Rockwood, cap. 4).

Este é um resumo autoral do Orto Questões, escrito em português a partir do capítulo, na ordem em que as provas costumam cobrar o tema. Não é o livro original, nem tradução ou reprodução dele; as figuras do original não são reproduzidas. Os números e condutas citados são os do capítulo: para a íntegra, consulte o livro.

Para quem é. Para quem estuda para a residência em ortopedia, para o TEOT, o TARO e o R4: um resumo de osteometabólicas do Ortopedia e Traumatologia: Princípios e Prática (Sizínio HEBERT), capítulo 27, com o que as bancas mais cobram e as questões comentadas de cada assunto.

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Como ler este capítulo

Fundamento

Este resumo nasce do capítulo 27 (Doenças osteometabólicas) do Ortopedia e Traumatologia de Sizínio HEBERT, 5ª edição, o texto que as bancas parafraseiam, completado pelo Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 38, a criança renal), pelo Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 6, a fisiologia), pelo Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 4, o primário do adulto) e pelo Campbell e pelo Dahlin no tumor marrom. A tabela de laboratório de cada raquitismo está no resumo de Raquitismo e osteomalácia; a farmacologia da osteoporose, no de Osteoporose: diagnóstico e tratamento. Aqui o foco é o eixo do paratormônio.

Uma frase organiza tudo: o PTH defende o cálcio do sangue à custa do osso e do fosfato. Ele faz o rim segurar cálcio e jogar fosfato fora, tira cálcio do esqueleto e manda o rim ativar a vitamina D para buscar cálcio no intestino. Quando a glândula produz PTH sem motivo (primário), o cálcio sobe e o fosfato cai. Quando produz PTH porque o cálcio está baixo (secundário), o cálcio fica baixo ou normal. E quando o rim não consegue mais jogar fosfato fora (osteodistrofia renal), o fosfato sobe mesmo com o PTH nas alturas.

A prova cobra, nesta ordem: o par cálcio e fosfato de cada situação (primário, osteodistrofia renal, deficiência de vitamina D), as ações do PTH em osso, rim e intestino, o PTH como anabólico na osteoporose, os achados radiográficos e as causas corrigíveis de fratura patológica. Os OrtoQuestões Simulados acrescentam a radiografia da falange, o diferencial com a hipercalcemia hipocalciúrica familiar e a leitura de um perfil bioquímico.

Os três hormônios do cálcio

Cobrança confirmada · 1 questão

Por que o cálcio manda

O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 6, p. 142), lembra que no pH do corpo o cálcio e o fosfato do soro já excedem o produto de solubilidade e só não precipitam porque proteínas plasmáticas os mantêm em equilíbrio metaestável. Essa química é a chave da osteodistrofia renal: quando o fosfato sobe, ele arrasta o cálcio para fora da solução, o cálcio iônico cai e aparece calcificação ectópica. A regulação depende de PTH, vitamina D e da própria concentração de fosfato; a calcitonina é coadjuvante.

O paratormônio

O PTH é produzido pelas paratireoides, e sua expressão é regulada pelo cálcio ionizado: cálcio baixo, PTH alto (Lovell, p. 142). São quatro glândulas, e qualquer uma basta para manter a homeostase, razão pela qual o cirurgião de tireoide tenta preservar pelo menos uma. O hormônio age em receptores de membrana (PTHR), ativa a adenilciclase e eleva o AMP cíclico.

O HEBERT (cap. 27, Fisiopatologia do hiperparatireoidismo primário) descreve as ações nos três órgãos com as palavras que as provas usam:

  • Osso: o PTH é hipercalcemiante e aumenta a reabsorção de cálcio do tecido ósseo.
  • Rim: aumenta a excreção de fósforo e promove a reabsorção de cálcio.
  • Intestino: aumenta a absorção de cálcio de forma direta, nas células intestinais, e de forma indireta, ao estimular a produção renal de 1,25(OH)2 vitamina D.

O Lovell (p. 142 e 143) acrescenta dois detalhes que viram pegadinha. Primeiro, o osteoclasto não tem receptor de PTH: o PTH estimula diretamente o osteoblasto, que passa a expressar RANKL, e o RANKL ativa o osteoclasto. O efeito final é reabsorção, mas a via é indireta. Segundo, a reabsorção tubular de fosfato varia de quase 100% a menos de 50%, e o principal fator que a diminui é o PTH. Por isso todo estado de PTH alto com rim funcionante tende a fosfato baixo.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 4, p. aprox. 87), põe o PTH entre os estimuladores da reabsorção, agindo também pelo RANKL e pela osteoprotegerina da linhagem osteoblástica, e diz (p. aprox. 104) que a hipercalcemia do primário vem sobretudo do aumento da reabsorção tubular renal de cálcio.

A vitamina D

O HEBERT (cap. 27, Raquitismo) resume o caminho: a pele produz vitamina D3 sob radiação UVB (a partir do 7-desidrocolesterol) e D2 (a partir do ergosterol), ou elas vêm da dieta; o fígado faz a primeira hidroxilação (25-hidroxivitamina D) e o rim a segunda, que dá o calcitriol, 1,25-di-hidroxivitamina D, a forma ativa. As ações do calcitriol: intestino, aumenta a absorção de cálcio e fosfato; paratireoides, diminui a produção de PTH; osso, só aumenta a reabsorção em altas doses; rim, feedback negativo da sua própria produção.

O Lovell (p. 143, Fig. 6-2) mostra que o rim escolhe: com cálcio e fósforo normais e PTH baixo, faz a 24,25-di-hidroxivitamina D (manutenção); com cálcio e fósforo baixos e PTH alto, faz o 1,25. Sem massa renal, o PTH sobe sem conseguir o calcitriol que pediu: é a osteodistrofia renal.

A calcitonina

A calcitonina é produzida pelas células parafoliculares (células C) da tireoide quando o cálcio sobe. O Lovell (p. 144, Fig. 6-3, e p. 145) descreve o que ela faz em animais e culturas: inibe a reabsorção óssea (estabiliza o osteoclasto) e diminui a reabsorção renal de cálcio e fosfato. E faz a ressalva que vale para a prova: parece ter pouco papel no homem; o mecanismo "não é muito eficaz em humanos". No HEBERT (cap. 28), ela aparece apenas como um dos agentes antirreabsortivos da osteoporose, ao lado do estrógeno e dos bifosfonados.

Ações dos três hormônios em osso, rim e intestino (HEBERT, cap. 27; Lovell, cap. 6, p. 142 a 145; Rockwood, cap. 4)
HormônioEstímuloOssoRimIntestino
PTHCálcio ionizado baixoReabsorção (osteoclasto ativado via RANKL do osteoblasto)Reabsorve cálcio; elimina fosfato; ativa a 1α-hidroxilação (1,25)Absorção de cálcio direta e via 1,25
1,25(OH)2D (calcitriol)PTH alto, cálcio e fósforo baixos; freia o PTHReabsorção só em dose altaFeedback negativo da própria produçãoAbsorve cálcio e fosfato
CalcitoninaCálcio altoInibe a reabsorçãoReduz a reabsorção de cálcio e fosfato (animais)Sem papel descrito

O paradoxo do PTH: contínuo destrói, intermitente constrói

Cobrança confirmada · 1 questão

Duas maneiras de dar o mesmo hormônio

Se o PTH estimula a reabsorção, como pode ser remédio para osteoporose? O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 2, seção Parathyroid Hormone), responde com três observações. A exposição contínua ao PTH causa perda óssea por atividade osteoclástica, como se vê no hiperparatireoidismo. Os pacientes com hipoparatireoidismo têm massa óssea aumentada. E, paradoxalmente, o PTH intermitente leva à deposição óssea por aumento da atividade osteoblástica; é essa propriedade que se explora com o PTH inteiro ou com o seu fragmento ativo, o PTH 1-34 (teriparatida).

O HEBERT (cap. 28) diz o mesmo com as palavras que as bancas copiam: administrado de forma intermitente e em baixas doses, o paratormônio é um potente estimulador da formação osteoblástica, com efeito anabólico, atuando no acoplamento da remodelação; está indicado na osteoporose grave com fraturas, com grande efeito na induzida por corticoide.

Antirreabsortivos contra o anabólico

O HEBERT separa os agentes em dois grupos. Os antirreabsortivos inibem a atividade osteoclástica e são úteis nas fases de remodelação rápida: estrógenos, calcitonina e bifosfonados (o alendronato é o exemplo). Os estimuladores da formação eram representados pelo fluoreto de sódio, com resultados conflitantes, e pelo paratormônio. Numa lista com estrógeno, calcitonina, alendronato e paratormônio, só um estimula a formação.

O Rockwood (cap. 4, p. aprox. 93) dá os números: 20 µg por dia por via subcutânea, ganho maior em osso trabecular (coluna), duração de 2 anos seguida de antirreabsortivo; o efeito adverso que interessa aqui é a hipercalcemia leve, em geral assintomática. O resto da farmacologia está no resumo de Osteoporose: diagnóstico e tratamento.

PTH contínuo contra PTH intermitente (Rockwood, caps. 2 e 4; HEBERT, caps. 27 e 28)
SituaçãoExposiçãoCélula que predominaResultado no osso
Hiperparatireoidismo primário ou secundárioContínua, elevadaOsteoclasto (via RANKL)Perda cortical, osteoporose, osteíte fibrosa cística
HipoparatireoidismoBaixaPouca reabsorçãoMassa óssea aumentada
Teriparatida (PTH 1-34)Intermitente, dose baixa diáriaOsteoblastoFormação, ganho de DMO trabecular (coluna)

Hiperparatireoidismo primário: quem tem e por quê

Fundamento

O tamanho do problema

O HEBERT (cap. 27) lembra que ALBRIGHT, em 1937, já via o hiperparatireoidismo mais ligado à nefropatia que ao osso; hoje só 20 a 25% têm alteração óssea na radiografia (menos de 5% nos Estados Unidos, pela dosagem rotineira do cálcio). É a causa mais comum de hipercalcemia, com incidência de 1 em 500 a 1 em 1.000 (2 a 3% das mulheres pós-menopáusicas), mais frequente acima da quinta década, com mulheres 3 para 1. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 4, p. aprox. 104), concorda: 0,25% das mulheres e 0,08% dos homens, a maioria acima dos 50 anos.

A causa

O HEBERT dá as proporções: cerca de 80% adenoma benigno solitário, hiperplasia das quatro glândulas até 20%, carcinoma em menos de 0,5%; as formas hereditárias se associam às neoplasias endócrinas múltiplas (NEM), e o primário na infância indica, em geral, etiologia genética. O Rockwood explica o defeito comum: o tecido paratireoidiano perde o controle por retroalimentação do cálcio e produz PTH autônomo, mesmo com hipercalcemia.

O que o excesso faz

Sem o freio do cálcio, o PTH alto tira cálcio do osso, segura cálcio no rim, joga fosfato fora e ativa a vitamina D. O cálcio do sangue sobe, o fosfato cai e, como o rim recebe mais cálcio filtrado do que consegue reabsorver, sobe também o cálcio da urina, origem dos cálculos. No osso, o Rockwood descreve o comum, a perda difusa com osteoporose, e o raro, a osteíte fibrosa cística (osteólise focal com reabsorção e formação aumentadas e fibrose da medula).

O quadro clínico

O Rockwood (cap. 4) diz que hoje a apresentação mais comum é o achado incidental de cálcio alto em exame de rotina; outra apresentação frequente é a osteoporose. Menos comuns: sintomas de hipercalcemia (sede, poliúria, constipação), dor óssea, cálculo renal e pancreatite aguda.

O HEBERT (cap. 27) organiza as manifestações pelos órgãos que a hipercalcemia atinge. Como o cálcio fica em média só 1 mg/dL acima do normal, o quadro costuma ser frustro; num estudo brasileiro, 47% eram assintomáticos. A suspeita costuma vir da nefrolitíase (25% dos casos brasileiros), com hipercalciúria e nefrocalcinose. Os sintomas gerais são sede, poliúria, anorexia, tremores, dores musculares e fraqueza; no osso, fraturas patológicas pela osteoporose secundária e dedos em baqueta de tambor pela reabsorção das falanges distais; depressão e déficit cognitivo; úlcera péptica e pancreatite; arritmia e hipertensão; raramente, a crise da paratireoide. A Tabela 25-4 do Rockwood (cap. 25) acrescenta confusão, constipação, fadiga, marcha instável, noctúria e polidipsia. Poliúria e cálculo renal numa mulher acima dos 50 anos já são o enunciado do primário.

A bioquímica do primário e o diferencial

Cobrança confirmada · 1 questão

O padrão

O HEBERT (cap. 27, Diagnóstico laboratorial) define o padrão em uma linha: hipercalcemia, hipofosfatemia e PTH sérico elevado. Depois vêm as nuances que fazem a diferença na alternativa:

  • A calcemia pode estar normal, em parte dos casos.
  • A fosfatase alcalina está elevada quando há alterações ósseas; sem doença óssea, pode ser normal.
  • A 1,25(OH)2D costuma estar aumentada (o PTH estimula a hidroxilação renal), enquanto a 25-OH pode estar diminuída.
  • Os marcadores de formação (fosfatase alcalina óssea, osteocalcina) e de reabsorção (C-telopeptídeo) podem subir mesmo sem doença óssea aparente; interleucina 6 e fator de necrose tumoral também.
  • Na urina: hipercalciúria e aumento da deoxipiridinolina e do N-telopeptídeo.

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 4, p. aprox. 104), lista a investigação básica: cálcio, albumina, fosfatase alcalina, fosfato, PTH e creatinina no sangue, mais cálcio e creatinina na urina. O padrão típico é o cálcio corrigido pela albumina elevado com PTH elevado ou inapropriadamente normal. A expressão "inapropriadamente normal" é a pegadinha fina: diante de cálcio alto, a glândula normal deveria estar suprimida, de modo que um PTH dentro da faixa já é anormal. O fosfato é baixo ou normal baixo; a fosfatase alcalina em geral é normal e, quando elevada, sugere osteíte fibrosa cística.

Os dois livros convergem, com diferença de ênfase. O HEBERT escreve o trio clássico (cálcio alto, fosfato baixo, PTH alto); o Rockwood relativiza os dois últimos (fosfato "baixo ou normal baixo", PTH "elevado ou inapropriadamente normal"). Para a alternativa de prova, vale o trio do HEBERT.

A hipercalcemia hipocalciúrica familiar

Por que dosar cálcio e creatinina na urina se o diagnóstico já está no sangue? O Rockwood responde: para excluir a hipercalcemia hipocalciúrica familiar. Nela também há hipercalcemia com PTH normal ou elevado, ou seja, o sangue imita o hiperparatireoidismo primário; a diferença está na urina, onde a excreção de cálcio é muito reduzida. No primário, ao contrário, há hipercalciúria (HEBERT). Operar a paratireoide de quem tem a forma familiar não resolve nada; por isso a urina vem antes da cirurgia.

As outras causas de hipercalcemia

O HEBERT completa o diferencial: com hipercalciúria e PTH elevado, lembrar dos diuréticos tiazídicos e do lítio; as neoplasias são a segunda causa de hipercalcemia, com PTH baixo (o Rockwood, cap. 25, estima 40% das hipercalcemias e lembra que o câncer de pulmão produz proteínas semelhantes ao PTH); e as formas hereditárias (NEM I e II, primário familiar, adenomatose cística familiar).

O diferencial da hipercalcemia pelo PTH e pela urina (HEBERT, cap. 27; Rockwood, caps. 4 e 25)
SituaçãoCálcio séricoPTHCálcio urinárioPista
Hiperparatireoidismo primárioAlto (pode ser normal)Alto ou inapropriadamente normalAltoFosfato baixo; 80% adenoma
Hipercalcemia hipocalciúrica familiarAltoNormal ou altoMuito baixoExclui-se com cálcio e creatinina urinários
Tiazídico ou lítioNão detalhadoAltoAltoDiferencial citado pelo HEBERT
Neoplasia (metástase, mieloma, pulmão)AltoBaixoVariávelSegunda causa de hipercalcemia

A hipercalcemia da imobilização, que o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 34, p. 1220.e1), teme no pós-operatório de quem toma vitamina D em dose alta (por isso a suspende 3 semanas antes), nasce do osso parado, não da paratireoide.

A radiografia do hiperparatireoidismo

Relevância clínica

Osteíte fibrosa cística

O HEBERT (cap. 27, Alterações radiográficas) chama de osteíte fibrosa cística o que o excesso de PTH produz nos ossos longos. O PTH reabsorve preferencialmente o cortical (terço distal do antebraço) e preserva o esponjoso (coluna lombar); a microarquitetura e a aposição periosteal compensatória explicam por que a fragilidade é menor que a esperada. A densitometria detecta a doença cedo e ajuda a indicar cirurgia.

Os sinais que o HEBERT descreve, e que se repetem nos outros livros:

  • Erosões do osso subperiosteal nas falanges distais.
  • Afilamento do terço distal da clavícula.
  • Tumores marrons, pseudotumores de células gigantes.
  • Calota craniana em "sal e pimenta", pelas áreas pontilhadas de reabsorção da tábua óssea.
  • Calcificação da cartilagem hialina nos casos de longa evolução.

A mão, onde a reabsorção aparece primeiro

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 4, p. aprox. 104), diz que a radiografia costuma ser normal no primário, mas que a doença avançada mostra erosões subperiosteais e reabsorção terminal das falanges. A Figura 4-8 do capítulo, usada no OrtoQuestões Simulado, compara o dedo doente com o normal do mesmo paciente: a margem cortical da falange média fica rendilhada pelas erosões subperiosteais (setas laterais) e o tufo da falange distal está corroído (seta na ponta), enquanto o dedo normal tem contorno liso e tufo íntegro.

O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 6, p. 149), dá o endereço clássico das erosões no adulto: a margem radial das falanges médias do segundo e do terceiro dedos. Na criança, elas também aparecem nas faces laterais do rádio e da ulna distais e na face medial da tíbia proximal (Fig. 6-6). O Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 26, p. 366 e 367), insiste que, diante de uma lesão óssea suspeita, a radiografia em geral mostra reabsorção subperiosteal, sobretudo na mão (Fig. 26.137, segundo e terceiro dedos).

O HEBERT (cap. 29) acrescenta o desaparecimento da lâmina dura dos dentes, que o Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 38, Fig. 38.35), mostra numa criança renal.

Achados radiográficos do excesso de PTH por livro (HEBERT, caps. 27 e 29; Rockwood, cap. 4; Lovell, cap. 6; Tachdjian, cap. 38)
AchadoOndeQuem descreve
Reabsorção subperiostealFalanges (margem radial das médias do 2º e 3º dedos no adulto); rádio, ulna distais e tíbia proximal medial na criança; metacarposLovell, Rockwood, Tachdjian, Dahlin
Acro-osteóliseTufos das falanges distais ("baqueta de tambor")HEBERT, Rockwood, Tachdjian, Lovell
Afilamento da clavícula distalExtremidade lateral da clavículaHEBERT, Tachdjian
Reabsorção da sínfise púbicaPúbisTachdjian
Crânio em sal e pimentaCalotaHEBERT, Tachdjian
Perda da lâmina duraDentesHEBERT, Tachdjian
Tumor marromDiáfises de ossos longos, mandíbula, maxila, pelveHEBERT, Lovell, Tachdjian, Campbell, Dahlin
Perda cortical com esponjoso preservadoTerço distal do antebraço contra coluna lombarHEBERT
CondrocalcinoseCartilagem hialina, longa evoluçãoHEBERT
Coluna em camisa de rúgbi, osteoscleroseVértebras, base do crânio (forma renal)Tachdjian

Os livros divergem no endereço: o HEBERT escreve erosões subperiosteais "nas falanges distais"; o Lovell, margem radial das falanges médias; o Rockwood mostra as duas. Se a alternativa pedir o local clássico, é a margem radial da falange média do segundo e terceiro dedos.

O tumor marrom

Relevância clínica

O que é

O tumor marrom não é tumor. O HEBERT (cap. 29, Tumores ósseos benignos e lesões pseudotumorais) o define como lesão não neoplásica, circunscrita, com grande número de osteoclastos agrupados, separados por tecido fibroso muito vascularizado, com áreas de neoformação óssea e de osteoide; o osso ao redor mostra reabsorção osteoclástica aumentada, e há hemorragias recentes e antigas, que dão a cor. Aparece como lesões císticas nos ossos tubulares, na mandíbula e no maxilar. O mecanismo é o mesmo da osteíte fibrosa: o excesso de PTH aumenta a reabsorção de forma difusa, com hipercalcemia e hipofosfatemia, e a perda é em parte compensada por neoformação de osteoide e osso, o que eleva a fosfatase alcalina.

O Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 27, p. 945), e o Dahlin's Bone Tumors, 6ª ed. (cap. 26, p. 364 a 366), lembram que ele ocorre no primário e no secundário da doença renal; o comum é a desmineralização difusa, e só a reabsorção focal pronunciada forma a lesão cistiforme que simula neoplasia, às vezes abaulando o contorno do osso.

Imagem

O HEBERT descreve uma lesão radiotransparente de margens pouco definidas, que expande a cortical, às vezes multiloculada, predominando nas diáfises dos ossos longos. Fecham o diagnóstico os sinais associados: múltiplas áreas císticas, osteopenia generalizada, reabsorção periosteal nas falanges distais e na clavícula lateral, perda da lâmina dura e crânio granular. Na criança renal, o Tachdjian (cap. 38, p. 1971) descreve lesões de margens mal definidas que imitam malignidade, podem fraturar e são bem vistas na ressonância; o Lovell (Fig. 6-5) as mostra nas diáfises femorais e nos ramos isquiáticos.

O diferencial com o tumor de células gigantes

Esta é a armadilha do patologista e do ortopedista. Os quatro livros concordam que o tumor marrom pode ser confundido com o tumor de células gigantes e divergem no detalhe:

  • O HEBERT (cap. 29) separa pelo contexto: o tumor marrom vem com osteopenia, reabsorção subperiosteal das falanges distais e perda da lâmina dura; na metáfise proximal do úmero ou do fêmur, pode imitar o cisto ósseo simples.
  • O Campbell (cap. 27, p. 945) diz que é difícil distinguir pela histologia e manda diagnosticar pelo cálcio, fósforo, fosfatase alcalina e PTH séricos, não pela histologia. Pistas microscópicas: células gigantes menores, em nódulos ao redor de hemorragias, estroma fusiforme e delicado, metaplasia óssea proeminente.
  • O Dahlin (cap. 26, p. 366 e 367) diz que a lesão raramente é biopsiada; suspeita-se quando parece TCG mas a histologia ou o local não combinam; a qualidade fibrogênica afasta o TCG e lembra o granuloma reparador de células gigantes. Uma lesão de mandíbula chamada de displasia fibrosa na biópsia regrediu após a retirada do tumor da paratireoide.
Tumor marrom contra tumor de células gigantes (HEBERT, cap. 29; Campbell, cap. 27; Dahlin, cap. 26)
CaracterísticaTumor marromTumor de células gigantes
NaturezaNão neoplásica, reacional ao PTHNeoplasia
Local típicoDiáfise de ossos longos, mandíbula, maxila; múltiploLocal "certo" para TCG; a suspeita nasce quando o local não combina (Dahlin)
Osso ao redorOsteopenia, reabsorção subperiosteal, sem lâmina duraSem doença sistêmica
Células gigantesMenores, em nódulos ao redor de hemorragiaMaiores, sem o arranjo nodular (por contraste, Campbell)
EstromaFibrogênico, fusiforme, com metaplasia ósseaNão fibrogênico
Como confirmarCálcio, fósforo, fosfatase alcalina, PTH (e calciúria)Histologia
TratamentoTratar a paratireoide; não curetarO do tumor (resumo próprio)

O tratamento: a lesão some com a glândula

O HEBERT é categórico: o tratamento começa pela remoção das paratireoides, com controle metabólico antes de abordar as lesões; o ortopedista protege os ossos, às vezes com haste intramedular quando vários ossos estão comprometidos; e não se deve curetar nem ressecar as lesões. Controlada a paratireoide, o osso se regenera em alguns meses. O Campbell concorda: tratamento pelo endocrinologista; o ortopedista cuida da fratura real ou iminente (Fig. 27.26, tíbia proximal).

Tratamento do primário

Relevância clínica

Quem opera

O tratamento de escolha é a retirada do adenoma ou das glândulas hiperplásicas (HEBERT, cap. 27; Rockwood, cap. 4). A dúvida é o assintomático. O HEBERT usa os critérios do National Institutes of Health (1990), revisados por BILEZIKIAN (2002), em que qualquer um, isolado, indica cirurgia: cálcio 1 mg/dL acima do normal, calciúria acima de 400 mg em 24 horas, alteração de 30% do clearance de creatinina (o livro escreve "acima do esperado", provavelmente querendo dizer redução), T-score abaixo de −2,5 e idade abaixo de 50 anos. O Rockwood indica com menos de 50 anos, cálcio persistentemente acima de 2,85 mmol/L, sintomas ou complicações (cálculo, osteoporose, osteíte fibrosa cística), e cita um estudo em que a cirurgia reduziu as fraturas em relação ao bisfosfonato.

Indicações de paratireoidectomia no primário (HEBERT, cap. 27; Rockwood, cap. 4)
CritérioHEBERT (NIH 1990, BILEZIKIAN 2002)Rockwood
IdadeAbaixo de 50 anosAbaixo de 50 anos
Cálcio sérico1 mg/dL acima do normalPersistentemente acima de 2,85 mmol/L
RimCalciúria acima de 400 mg/24 h; alteração de 30% do clearance de creatininaCálculo renal
OssoT-score abaixo de −2,5Osteoporose ou osteíte fibrosa cística
SintomáticoCirurgia salvo contraindicaçãoSintomas de hipercalcemia indicam

Antes e depois da cirurgia

A localização usa ultrassonografia, ressonância ou cintilografia com Tc-99m-sestamibi, com PTH intraoperatório (HEBERT); a imagem negativa não exclui o diagnóstico, que é bioquímico (Rockwood). A complicação que interessa ao ortopedista é a síndrome da fome do osso: retirado o adenoma, o esqueleto desmineralizado capta cálcio depressa e o paciente fica hipocalcêmico; trata-se com vitamina D e cálcio em altas doses e previne-se com bifosfonato potente no pré-operatório. Outras complicações: hipoparatireoidismo e lesão do nervo laríngeo recorrente. A densidade óssea melhora 10 a 12% em 10 anos.

Quem não opera

No assintomático sem cirurgia, 25% passam a ter critério cirúrgico; o HEBERT pede cálcio semestral e densitometria e creatinina anuais. Para quem tem contraindicação: hidratação, dieta pobre em cálcio, bifosfonatos, raloxifeno e o cinacalcete, calcimimético que aumenta a sensibilidade do receptor sensor de cálcio da paratireoide e reduz PTH e cálcio (Rockwood).

Hiperparatireoidismo secundário e terciário

Fundamento

O secundário é uma resposta

O HEBERT (cap. 27) define: as paratireoides sofrem hiperplasia secundária à hipocalcemia, não importa a origem (raquitismo, osteomalácia, doenças renais, disfunções hepatobiliares). No primário a glândula é a doente e o cálcio sobe; no secundário ela é saudável e trabalha a mais porque o cálcio está baixo, de modo que o cálcio fica baixo ou, no máximo, normal, e o quadro pode regredir se a causa for tratada.

O fosfato depende do rim. Com o rim funcionando, o PTH alto faz perder fosfato e o fosfato cai: o Rockwood (cap. 4, p. aprox. 101) descreve a osteomalácia com fosfatase alcalina alta, cálcio normal ou baixo, fosfato baixo e, na deficiência de vitamina D, PTH muito elevado. Com o rim falhando, o fosfato sobe: é a osteodistrofia renal.

Um secundário iatrogênico: no ligado ao X, a principal complicação do fosfato oral é o hiperparatireoidismo secundário (HEBERT, cap. 27); o Tachdjian (cap. 38, p. 1936) confirma que fósforo em dose alta isolado causa hiperparatireoidismo. O fosfato liga o cálcio, o cálcio iônico cai e a paratireoide responde.

O terciário: a glândula que esqueceu de parar

O HEBERT chama de terciário o secundário que se torna refratário e mantém o cálcio alto. O Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 7ª ed. (cap. 6, p. 149 e 150), é mais claro: a estimulação prolongada deixa as glândulas autônomas, e o hiperparatireoidismo persiste mesmo depois do transplante renal. Na insuficiência terminal a glândula cresce até 25 vezes; o transplante normaliza o PTH em 1 a 3 anos, e só 5% precisam de paratireoidectomia (HEBERT).

Primário, secundário e terciário (HEBERT, cap. 27; Lovell, cap. 6; Rockwood, cap. 4)
TipoOnde está a doençaCálcioFosfatoPTHExemplo
PrimárioGlândula (adenoma 80%)AltoBaixoAltoMulher acima de 50 com cálculo renal
Secundário com rim normalFalta de cálcio ou vitamina DBaixo ou normalBaixoAltoRaquitismo nutricional, osteomalácia
Secundário renalRim não elimina fosfato nem faz 1,25Baixo ou normalAltoMuito altoOsteodistrofia renal
TerciárioGlândula hiperplásica autônomaAltoVariávelAltoPersistência após transplante renal

O tratamento do secundário renal no HEBERT é o controle do cálcio e do fósforo e o calcitriol; o cinacalcete entrou com sucesso, e o paricalcitol, análogo do calcitriol, causa menos hipercalcemia. Os detalhes pediátricos estão logo abaixo.

Osteodistrofia renal: o mecanismo

Cobrança confirmada · 2 questões

A cadeia

O HEBERT (cap. 27) define a osteodistrofia renal como a doença óssea causada pela doença renal crônica, e resume a patogenia em duas frases: diminuição do cálcio sérico e elevação do fósforo, causando atividade aumentada da paratireoide (hiperparatireoidismo secundário); e, como a integridade do rim é necessária para formar o calcitriol, os níveis baixos de cálcio impedem a mineralização do osteoide, enquanto o PTH alto aumenta a desmineralização. O livro classifica a osteodistrofia renal entre as "outras formas de raquitismo".

O Lovell (cap. 6, p. 149) dá o limiar: o fosfato deixa de ser eliminado quando a função renal cai abaixo de 25 a 30% do normal. A hiperfosfatemia desloca o equilíbrio de solubilidade e produz hipocalcemia, a hipocalcemia estimula a paratireoide, e aparece o hiperparatireoidismo secundário com suas erosões subperiosteais e tumores marrons. O outro lado é o raquitismo: sem massa renal suficiente para produzir 1,25, o raquitismo clínico e radiográfico acompanha a doença.

O Tachdjian's Pediatric Orthopaedics, 6ª ed. (cap. 38, p. 1970), acrescenta elos: o glomérulo não excreta fósforo; a perda de néfrons e o FGF23 elevado derrubam o 1,25; cai a absorção intestinal de cálcio; o cálcio também se liga ao fosfato; a hipocalcemia libera PTH, que reabsorve osso; e o mineral liberado piora a hiperfosfatemia, fechando um ciclo que termina em osteíte fibrosa cística. O fosfato alto é universal na insuficiência renal, e o cálcio precipita em córneas, conjuntivas, pele, vasos e partes moles periarticulares.

As quatro doenças dentro de uma

O Tachdjian dá o espectro: com filtração glomerular abaixo de 45 mL/min/1,73 m² surgem anemia, acidose e osteodistrofia renal (raquitismo, osteoporose, osteíte fibrosa cística e doença adinâmica), presente em 66 a 79% das crianças com doença renal crônica. Quem adoece cedo (anomalias congênitas do rim no primeiro ano) tem mais raquitismo; o adolescente, como o adulto, mais osteíte fibrosa cística. O controle agressivo do PTH pode levar à doença adinâmica, de baixo turnover.

Osteodistrofia renal por componente (Tachdjian, cap. 38, p. 1970 e 1971; Lovell, cap. 6, p. 149 a 151)
ComponenteCausaAchado
Raquitismo ou osteomaláciaFalta de 1,25 (massa renal)Fise larga, zona de calcificação irregular, osteoide abundante, LOOSER; mais na criança pequena
Osteíte fibrosa císticaPTH alto (secundário)Reabsorção osteoclástica, fibrose medular, erosões, tumor marrom; mais no adolescente
OsteoscleroseFormação óssea irregular20% dos casos; base do crânio e vértebras (camisa de rúgbi)
Doença adinâmicaSupressão excessiva do PTHBaixo turnover
OsteoporoseListada no espectro, sem mecanismo próprioOsso fino; corticoide do transplante soma osteonecrose

O laboratório

O HEBERT (cap. 27, laboratório do raquitismo) dá a regra das exceções: a fosfatase alcalina está aumentada em todas as formas de raquitismo; o fósforo tende a estar reduzido em todos os tipos, exceto na osteodistrofia renal, em que está aumentado; o PTH está aumentado em todos, exceto nas formas hipofosfatêmicas. O Tachdjian (cap. 38, p. 1971) detalha: ureia e creatinina altas; fosfato, fosfatase alcalina e PTH elevados; cálcio quase sempre baixo; albumina baixa; acidose; vitamina D diminuída. Na Tabela 38.4 do mesmo livro, reproduzida no resumo de Raquitismo e osteomalácia, a osteodistrofia renal tem cálcio normal ou baixo, fosfato alto, fosfatase alcalina alta, PTH muito alto, 25(OH)D normal e 1,25 muito baixa. A biópsia óssea pode ser necessária para o diagnóstico preciso e para guiar o tratamento.

Osteodistrofia renal: imagem e o perfil que decide

Relevância clínica

O que a radiografia mostra

O Tachdjian (cap. 38, p. 1971) descreve a osteodistrofia renal como osteopenia generalizada sobre um fundo de doença renal avançada, com corticais finas e trabéculas indistintas: o osso parece borrado, como vidro fosco. O crânio fica em sal e pimenta, pelo padrão granular grosseiro. As fises ficam espessadas e a zona de calcificação provisória, não calcificada e indistinta; e aqui está o detalhe que separa do nutricional: não há a taça metafisária (cupping) do raquitismo carencial. Com o tempo aparecem os sinais do hiperparatireoidismo: reabsorção dos tufos das falanges distais, da extremidade lateral da clavícula e da sínfise púbica, reabsorção subperiosteal nos metacarpos e na ulna. Quando há osteosclerose, ela é mais comum na base do crânio e nas vértebras, e o aspecto listrado horizontal da coluna se chama coluna em camisa de rúgbi (rugger jersey). Na insuficiência grave e prolongada surgem os tumores marrons. E, como muitos renais e todos os transplantados recebem corticoide, aparecem também as alterações do corticoide, sobretudo a osteonecrose da cabeça femoral.

O Tachdjian usa o mesmo nome, camisa de rúgbi, para a osteopetrose (cap. 38, p. 1969), mas ali o osso é denso em todo o esqueleto, com osso dentro do osso. O Lovell (p. 149 e 150) acrescenta as zonas de LOOSER, o varo ou valgo com fises alargadas e, na mão (Fig. 6-6), acro-osteólise e calcificação de partes moles periarticulares.

Raquitismo nutricional contra osteodistrofia renal na radiografia da criança (Tachdjian, cap. 38; Lovell, cap. 6; HEBERT, cap. 27)
AchadoRaquitismo nutricionalOsteodistrofia renal
FiseAlargadaAlargada, espessada
Metáfise em taçaPresenteAusente (Tachdjian)
Zona de calcificação provisóriaAusenteNão calcificada e indistinta
Reabsorção subperiosteal e tufosNão é a regraPresente com o tempo
Osteosclerose e camisa de rúgbiNãoEm 20% (base do crânio, vértebras)
CrânioBossa frontal, achatamento parietalSal e pimenta, vidro fosco
Tumor marromNãoNa doença grave e prolongada
EpifisióliseIncomumFrequente, bilateral
Calcificação de partes molesNãoSim (fosfato alto)

Lendo um perfil bioquímico

A habilidade que a prova testa é olhar três números e dizer a doença. O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 25, p. aprox. 768), manda, diante de uma fratura patológica, avaliar a osteopenia generalizada com a ajuda de uma tabela de distúrbios que produzem osteopenia (Tabela 25-5); no PDF local, porém, só o título da tabela aparece, com o corpo em branco, e o raciocínio precisa ser reconstruído pelos outros capítulos:

  • Cálcio baixo, fósforo alto, fosfatase alcalina alta: só uma doença deixa o fósforo alto, a osteodistrofia renal (HEBERT, cap. 27; Tachdjian, p. 1971).
  • Cálcio normal ou baixo, fósforo baixo, fosfatase alcalina alta: osteomalácia (Rockwood, cap. 4, p. aprox. 101).
  • Cálcio alto, fósforo baixo, fosfatase alcalina normal ou alta: hiperparatireoidismo primário (HEBERT; Rockwood, p. aprox. 104).
  • Fosfatase alcalina alta isolada, elevada em 95% dos não tratados: PAGET (Rockwood, cap. 4, p. aprox. 96), cujo diagnóstico é sobretudo radiográfico; o livro não descreve alteração do cálcio e do fósforo como marca da doença.
  • Fosfatase alcalina baixa, com fósforo, vitamina D e PTH normais: hipofosfatasia (Tachdjian, p. 1968).
Perfis bioquímicos dos distúrbios que produzem osteopenia (HEBERT, caps. 27 e 28; Rockwood, cap. 4; Tachdjian, cap. 38)
DistúrbioCálcioFósforoFosfatase alcalinaPTH
Hiperparatireoidismo primárioAltoBaixoNormal ou alta (alta com doença óssea)Alto
Osteodistrofia renalBaixo ou normalAltoAltaMuito alto
Osteomalácia por deficiência de vitamina DNormal ou baixoBaixoAltaMuito alto
Doença de PAGETNão alterado como marcaNão alterado como marcaAlta (95% dos não tratados)Não descrito
Osteoporose pós-menopausaNormalNão descritoNormal (sobe com fratura)Diminuído
Osteoporose senilNormalNão descritoNormal (sobe com fratura)Aumentado
HipofosfatasiaNormal ou altoNormalBaixaNormal

A criança renal: deformidades e deslizamento epifisário

Relevância clínica

Como a criança se apresenta

O Tachdjian (cap. 38, p. 1971) diz que a criança renal parece raquítica: baixa, com ossos frágeis, membros inferiores mais acometidos, dor óssea, fraturas, geno valgo, alargamento periarticular, epifisiólise (com marcha de TRENDELENBURG) e rosário. O ortopedista a recebe por três problemas (p. 1973): deformidade angular, epifisiólise e osteonecrose, com o risco cirúrgico da anemia, hipertensão, sangramento, eletrólitos e infecção no transplantado.

As deformidades angulares

O osso mole verga com a carga. O geno valgo é o mais comum; se a doença começa antes dos 4 anos, quando o alinhamento normal é varo, o varo se acentua (Tachdjian, p. 1974). Órteses não funcionam bem. Com sintomas apesar do tratamento clínico ótimo, hemiepifisiodese: numa série de sete com placa em oito, todos alinharam, mas três recidivaram, e a correção foi mais rápida no fêmur (1,7° por mês) que na tíbia (0,5°). Com deformidade grave ou fise perto de fechar, osteotomia, em geral no fêmur distal.

A regra comum aos livros: a recidiva é a norma com doença metabólica ativa. O Tachdjian dá o marcador: fosfatase alcalina acima de 500 U/L indica doença em atividade, e a biópsia pode ser necessária antes de operar. O Campbell (cap. 34, p. 1220.e1) exige equipe de nefrologia, correção da anemia, da uremia e dos eletrólitos, e melhora das lesões com o tratamento clínico; contraindica a cirurgia na hipertensão resistente e na autonomia paratireoidiana não controlada. A técnica das osteotomias está no resumo de Raquitismo e osteomalácia.

O deslizamento epifisário renal

É aqui que o ortopedista pode fazer o diagnóstico. O Lovell (p. 151) afirma que a epifisiólise é frequente na osteodistrofia renal e incomum nas outras formas de raquitismo; o deslizamento ocorre pelo lado metafisário da fise, em crianças mais novas e pequenas pela doença crônica. O Tachdjian (cap. 15, p. 584 e 585) atribui o deslizamento renal ao hiperparatireoidismo secundário não controlado e cita LODER e HENSINGER: 95% dos deslizamentos da insuficiência renal são bilaterais, quase todos simultâneos; cerca de metade foi tratada só com o tratamento clínico da doença renal, inclusive o transplante, e metade precisou operar; como a progressão após a cirurgia foi frequente (12 de 21 quadris), os quadris devem ser acompanhados até a maturidade. O mesmo capítulo dá o risco de epifisiólise com hormônio de crescimento: maior na deficiência de GH, na síndrome de TURNER e na insuficiência renal crônica (91 por 100.000), e chama de atípicos os deslizamentos antes dos 10 ou depois dos 16 anos e abaixo do percentil 50 de peso.

O Tachdjian (cap. 38, p. 1974) descreve o paciente: mais jovem, sem obesidade, bilateral, fise mais alargada, osteopenia e metáfise borrada. Às vezes ele chega com dor no quadril sem saber que tem doença renal, e cabe ao ortopedista o diagnóstico. O HEBERT (cap. 9.6) lista hiperparatireoidismo e osteodistrofia renal entre as causas de epifisiólise e cita um rapaz de 18 anos com adenoma de paratireoide e epifisiólise; o Campbell's Operative Orthopaedics, 15ª ed. (cap. 38, p. 1428), chama o deslizamento renal de atípico.

Como tratar o deslizamento renal

Os livros concordam no princípio e divergem no método, porque o objetivo do tratamento idiopático (fechar a fise) não é desejável na criança muito pequena, e a consolidação da fise é difícil com osteíte fibrosa e metabolismo descontrolado (Tachdjian, p. 1974):

  • Tratamento clínico primeiro. Em muitos pacientes a dor some e a fise estreita só com o controle da osteodistrofia, e nem todo deslizamento renal precisa de cirurgia (Tachdjian). O Lovell, na criança jovem com deslizamento grave e doença ainda não tratada, cita bons resultados com tração mais tratamento clínico; o Tachdjian (cap. 15, p. 593 aprox.) admite o gesso pelvipodálico em renais cujo hiperparatireoidismo pode melhorar depressa e em quem a cirurgia é desaconselhada.
  • Fixar os dois lados. Pela alta bilateralidade, o Lovell sugere estabilizar as duas epífises.
  • Fixar sem fechar a fise na criança pequena. O Lovell propõe fios lisos atravessando a fise; o Tachdjian, parafusos especiais parcialmente rosqueados que cruzam sem fechar; o Campbell (cap. 38, p. 1429), um parafuso pela cortical anterolateral sem roscas cruzando a fise, para permitir o crescimento em jovens com osteodistrofia renal.
  • No adolescente, fixação in situ com fechamento da fise, desde que a doença metabólica esteja tratada (Tachdjian, p. 1975).

O Lovell alerta que a soltura do material se associa ao hiperparatireoidismo mal controlado. Outras fises podem descolar (fêmur distal, úmero proximal, rádio e ulna distais), com tratamento metabólico e gesso (Tachdjian, p. 1975).

Deslizamento epifisário renal contra idiopático (Tachdjian, caps. 15 e 38; Lovell, cap. 6; Campbell, cap. 38)
CaracterísticaRenalIdiopático
IdadeMais jovemAdolescente no estirão
PesoPequeno, sem obesidadeObeso, em geral
Bilateralidade95%, quase sempre simultâneaMenos frequente
RadiografiaFise muito alargada, osteopenia, metáfise borradaDeslizamento sem doença sistêmica
CausaHiperparatireoidismo secundário não controladoMecânica e hormonal
TratamentoControle metabólico; fixar os dois lados sem fechar a fise na criança pequenaFixação in situ com fechamento
Risco próprioSoltura do material com PTH mal controladoNecrose no instável

O tratamento clínico, que vem antes de tudo

Os livros divergem no quelante: o Lovell (p. 150 e 151) prefere os que contêm cálcio; o Tachdjian (p. 1972), mais atual, os sem cálcio (lantânio, sevelâmer), monitorando o cálcio para evitar calcificação ectópica. Ambos dão calcitriol, porque o rim doente não hidroxila. O Tachdjian acrescenta bicarbonato para a acidose, calcimiméticos e reposição de colecalciferol, e avisa que o hormônio de crescimento recupera a altura mas enfraquece a fise.

Tratamento clínico da osteodistrofia renal (Lovell, cap. 6; Tachdjian, cap. 38; HEBERT, cap. 27)
MedidaLovellTachdjianHEBERT
FosfatoRestrição na dietaDieta e quelantesControle do cálcio e fósforo
QuelanteSobretudo os que contêm cálcioSem cálcio: lantânio, sevelâmerNão detalha
Vitamina DCalcitriol1,25 ativa em pulsos, mais colecalciferolCalcitriol; paricalcitol
PTHPelo calcitriolCalcimiméticosCinacalcete
AcidoseNão citaBicarbonato de sódioNão cita
TransplanteMelhora o esqueletoProlonga a vidaNormaliza o PTH em 1 a 3 anos

A osteoporose senil e o PTH

Cobrança confirmada · 1 questão

O hiperparatireoidismo também aparece, discretamente, na fisiologia da velhice. O HEBERT (cap. 28, Tabela 28.1) compara os dois tipos de osteoporose primária, e uma das diferenças é justamente o PTH. Na pós-menopausa (tipo I), a queda do estrogênio acelera o osteoclasto: o cálcio que sai do osso aparece na urina (calciúria aumentada) e suprime a paratireoide (PTH diminuído). Na senil (tipo II), o osteoclasto está menos ativo, a formação é que falha, a síntese de vitamina D e a absorção intestinal de cálcio estão diminuídas, e a paratireoide compensa: PTH aumentado, com calciúria normal. É um pequeno hiperparatireoidismo secundário da idade. O mesmo capítulo lista o hiperparatireoidismo entre as causas de osteoporose secundária e entre as indicações de densitometria; o Rockwood (cap. 4) também o inclui entre as doenças que causam osteoporose. A comparação completa dos dois tipos está no resumo de Osteoporose: diagnóstico e tratamento.

A fratura patológica nas doenças metabólicas corrigíveis

Cobrança confirmada · 1 questão

O Rockwood and Green's Fractures in Adults, 10ª ed. (cap. 25, p. 765), abre o capítulo de fraturas patológicas com uma regra de conduta: diante de uma fratura não neoplásica em osso anormal, firmar o diagnóstico de base e separar as condições em corrigíveis e não corrigíveis. As corrigíveis são as sistêmicas e metabólicas: osteodistrofia renal, hiperparatireoidismo, osteomalácia e osteoporose por desuso. As não corrigíveis são as genéticas ou hereditárias: osteogênese imperfeita, displasia fibrosa poliostótica, osteoporose pós-menopausa, doença de PAGET e osteopetrose. Todas dão osso fino, frágil ou quebradiço, com mais fraturas, retardo de consolidação e pseudartrose; se a causa é corrigível, faz-se o tratamento clínico, muitas vezes multidisciplinar, junto com o da fratura.

As três doenças metabólicas corrigíveis têm um culpado tratável: retira-se o adenoma (densidade 10 a 12% maior em 10 anos, HEBERT), controla-se o fosfato e o PTH no renal, dá-se vitamina D na osteomalácia. O Campbell (cap. 26, p. 870 e 871) inclui cálcio, fósforo, fosfatase alcalina e PTH na investigação da lesão óssea e põe o hiperparatireoidismo no diferencial das lesões múltiplas; no cap. 7 (p. 392, Box 7.6), entre as causas metabólicas de protrusão acetabular.

Doenças com fratura patológica não neoplásica (Rockwood, cap. 25, p. 765)
Corrigíveis (sistêmicas e metabólicas)Não corrigíveis (genéticas ou hereditárias)
Osteodistrofia renalOsteogênese imperfeita
HiperparatireoidismoDisplasia fibrosa poliostótica
OsteomaláciaOsteoporose pós-menopausa
Osteoporose por desusoDoença de PAGET
Osteopetrose

Fechamento

Fundamento

O hiperparatireoidismo se entende por uma pergunta: quem está mandando a paratireoide trabalhar? Se ninguém manda (adenoma, 80%), é o primário: o PTH autônomo tira cálcio do osso, segura cálcio no rim e joga fosfato fora; o resultado é cálcio alto, fosfato baixo, PTH alto e calciúria alta, numa mulher acima dos 50 com cálculo renal, poliúria ou osteoporose. A urina separa a hipercalcemia hipocalciúrica familiar; o PTH baixo aponta para neoplasia. A radiografia, quando mostra algo, mostra reabsorção subperiosteal (margem radial das falanges médias, tufo distal, clavícula distal), crânio em sal e pimenta, perda da lâmina dura e o tumor marrom, que imita o tumor de células gigantes e some quando a paratireoide é tratada, sem curetagem.

Se é a hipocalcemia que manda, é o secundário: com rim bom, fosfato baixo (deficiência de vitamina D, osteomalácia, senilidade); com rim doente, fosfato alto e PTH muito alto, a osteodistrofia renal, única forma de raquitismo com fosfato alto, com fises largas sem taça, coluna em camisa de rúgbi, tumores marrons e epifisiólise bilateral em criança pequena e magra, que pede controle metabólico e fixação que preserve a fise. Se a glândula continua mandando depois que a causa foi tratada (transplante), é o terciário. E o mesmo hormônio, dado de forma intermitente, vira o único anabólico clássico da osteoporose, a teriparatida. Hiperparatireoidismo, osteomalácia e osteodistrofia renal são as causas corrigíveis de fratura patológica: trata-se a doença junto com a fratura.

Estude este capítulo com as questões. As questões citadas acima são de provas reais do acervo; resolvê-las, ver o gabarito da banca e o comentário de cada alternativa é na plataforma. No leitor do Orto Questões o mesmo resumo tem marcações, notas e as questões no meio do texto.

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