Menino de 8 anos teve o pé atropelado por um carro; o pé está muito tenso, com dor intensa, sem fratura evidente. Segundo o Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, sobre a síndrome compartimental do pé na criança, é correto:
- sem fratura não há síndrome compartimental do pé
- a dor à extensão passiva dos dedos está sempre presente e basta para o diagnóstico
- pode ocorrer sem fratura; o compartimento do calcâneo parece o mais sensível para a medida, pressão acima de 30 mmHg indica fasciotomia, e liberam-se os nove compartimentos por três incisões (duas dorsais e uma medial)
- o tratamento padrão na criança é observar e liberar tendões depois, como em alguns adultos
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Conceito-chave
A síndrome compartimental do pé é traiçoeira porque os sinais clássicos se misturam com a dor do próprio trauma. O Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (cap. 31) dá os pontos-chave:
Quando pensar. Esmagamentos graves do antepé com várias fraturas e luxações, mas também sem fratura, como no pé atropelado por um carro (esmagamento e cisalhamento das partes moles). A dor à extensão passiva dos dedos nem sempre está presente; palidez, parestesia e pulso pedioso difícil de palpar aparecem em muitas lesões do pé. Na dúvida, medir as pressões ou levar à sala para descomprimir.
A medida. Difícil na criança acordada; muitas vezes é feita sob anestesia, e a família deve saber que a descompressão pode vir em seguida. São nove compartimentos; o do calcâneo parece o mais sensível. Pressão acima de 30 mmHg em qualquer compartimento indica fasciotomia (no adulto, há quem use a diferença para a pressão diastólica).
A fasciotomia. Liberam-se todos os compartimentos, qualquer que seja a medida, pela técnica de três incisões: duas dorsais, sobre o segundo e o quarto metatarsos (interósseos, profundos e lateral), e uma medial, ao longo do arco até o maléolo medial (medial, profundos e túnel do tarso), cuidando do nervo e dos vasos plantares laterais sobre o quadrado plantar. As incisões servem também para reduzir e fixar as fraturas; ficam abertas e fecham em 5 a 7 dias, às vezes com enxerto.
Sequelas da síndrome perdida: dedos em garra, parestesia, cavo, rigidez e dor. A conduta de observar e liberar tendões depois, às vezes usada no adulto, não tem experiência relatada na criança.
Por que esta questão foi criada. As provas cobraram as fraturas do pé, mas não o esmagamento; a síndrome compartimental do pé tem números próprios (nove compartimentos, 30 mmHg, três incisões).
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