Menino de 11 anos tem MONTEGGIA tipo I não diagnosticado há 4 anos, com dor e perda da rotação do antebraço. Segundo o Rockwood and Wilkins' Fractures in Children, contraindica a reconstrução (osteotomia da ulna com redução aberta da cabeça do rádio)
- a ausência de dor nos primeiros meses depois do trauma
- a idade acima de 8 anos
- a cabeça do rádio aumentada e convexa, com o capítulo achatado
- a ossificação do ligamento anular deslocado na radiografia
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Conceito-chave
O MONTEGGIA crônico é quase sempre um MONTEGGIA agudo que passou despercebido, em geral porque a lesão da ulna era sutil, uma deformidade plástica. O Rockwood and Wilkins' Fractures in Children (cap. 12) lembra que a história natural não é benigna: com o tempo vêm valgo progressivo do cotovelo, dor, perda da rotação do antebraço e da flexão, artrose e até neuropatia tardia do ulnar, do mediano ou do interósseo posterior.
A reconstrução só funciona se as duas superfícies ainda se encaixam. Por isso o capítulo separa:
- indicações: paciente com sintomas (indicação) e paciente sem sintomas, sobretudo se o diagnóstico é precoce (indicação relativa);
- contraindicações: cabeça do rádio aumentada e de forma convexa, capítulo achatado e artrose da articulação.
A cabeça normal é côncava e assenta no capítulo convexo. Quando a cabeça fica anos fora do lugar, sem o molde do capítulo, ela cresce deformada e convexa, e o capítulo, sem carga, achata. Reduzir essa cabeça seria encaixar duas peças que já não combinam. Nesses casos, se a dor não melhora com o tratamento conservador, sobram a ressecção da cabeça do rádio ou o alongamento da ulna, com o risco de dor no punho e, na ressecção, de valgo progressivo.
O tempo e a idade pesam, mas não são regra rígida: FOWLES teve os melhores resultados com até 3 a 6 meses de luxação; FREEDMAN operou até 6 anos depois; a idade mais citada para reduzir é abaixo de 10 a 12 anos; e SEEL e PETERSON acharam idade e duração pouco importantes, exigindo apenas cabeça côncava e deformidade corrigível por osteotomia. O que decide é a forma das superfícies.
Por que esta questão foi criada. As provas cobraram o MONTEGGIA crônico pela técnica de BELL TAWSE (TARO 2007); a escolha de quem pode ser reconstruído, que vem antes da técnica, ficou como projeção.
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