Menino de 6 anos com coxa vara do desenvolvimento, ângulo de HILGENREINER-epifisário de 68 graus e claudicação. Sobre o tratamento, segundo o Tachdjian, é correto:
- a epifisiodese isolada do trocanter maior é o tratamento definitivo de escolha
- a osteotomia valgizante do fêmur proximal, intertrocantérica ou subtrocantérica, é o único tratamento cirúrgico definitivo adequado, e reduzir o ângulo de HILGENREINER-epifisário para menos de cerca de 38 a 40 graus diminui a recidiva
- a fixação do defeito do colo com pinos e enxerto, sem corrigir o varo, previne a progressão
- a órtese em abdução e a tração resolvem a maioria dos casos
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Conceito-chave
Um quadril com o colo deitado, quase vertical, e uma fise que sofre cisalhamento a cada passo. Para entender por que a solução é cirúrgica, e por que uma só, vale ouvir o que PAUWELS ensinou sobre as forças no quadril.
A biomecânica. No quadril normal, a fise é perpendicular à força compressiva resultante, e o colo trabalha sob compressão. Na coxa vara, à medida que o ângulo cervicodiafisário cai, a fise passa de horizontal a vertical e fica cada vez mais inclinada em relação à força: o cisalhamento através da fise aumenta, a epífise tende a inclinar e a deslizar medialmente, e o colo cresce menos medialmente. O trocanter sobe e os abdutores perdem a tensão útil (Tachdjian, cap. 16, Biomechanics, p. 619).
O que não funciona. O capítulo de Daniel J. SUCATO é direto: órtese em abdução, tração e exercícios provavelmente não funcionam; quando a correção é indicada, é cirúrgica. A epifisiodese do trocanter maior isolada, tentada por LANGENSKIÖLD e SALENIUS, mostrou resultados pouco confiáveis, e eles mesmos a desaconselharam como tratamento único. Pinos ou enxerto no defeito do colo falharam, porque não corrigiam o varo, provavelmente não impediam a progressão e podiam parar a fise da cabeça.
O que funciona. A osteotomia valgizante do fêmur proximal, no nível intertrocantérico ou subtrocantérico, é a forma mais eficaz de corrigir o varo, de rodar a fise de vertical para horizontal, aliviando o cisalhamento, e de estimular a ossificação do defeito. O Tachdjian a chama de único tratamento cirúrgico definitivo adequado. A técnica de BORDEN, por exemplo, é uma osteotomia intertrocantérica com lâmina-placa de 140 graus; os autores preferem placas bloqueadas ou parafuso deslizante, com o fragmento proximal encaixado no canal do distal.
A recidiva. Acontece em 30% a 70% dos casos e depende da quantidade de correção. CARROLL e colaboradores viram que, com o ângulo de HILGENREINER-epifisário reduzido para menos de 38 graus, 95% não recidivaram; CORDES e colaboradores, com menos de 40 graus, mantiveram a correção por 11 anos em média; DESAI e JOHNSON associaram bons resultados em 20 anos a um ângulo de 35 graus ou menos e cervicodiafisário de 130 graus ou mais. Nas coxas varas das condrodisplasias com ossificação muito comprometida, a recidiva é alta.
Quando operar. Ângulo de 60 graus ou mais, ou claudicação sintomática, TRENDELENBURG ou progressão. Assim que a ossificação permitir uma fixação segura, porque a displasia acetabular piora e a capacidade de remodelação do acetábulo diminui com a idade. O resumo Alinhamento, torções e coxa vara na criança resume a sequência.
Por que esta questão foi criada. O TEOT e o TARO já pediram o tratamento definitivo e o nível da osteotomia de BORDEN. A biomecânica explica as duas respostas.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
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