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Questão de Tíbia vara (Blount) (OrtoQuestões Simulados)

Ortopedia pediátricaTíbia vara (Blount)OrtoQuestões Simulados

OrtoQuestões Simulados: elaborada a partir da bibliografia de referência e inspirada no padrão da prova. Não é questão oficial da prova nem foi elaborada, revisada ou endossada pela instituição organizadora.

Menino de 2 anos e 8 meses, obeso (acima do percentil 95 de peso), com varo progressivo à direita e impulso lateral do joelho na marcha. A radiografia mostra alterações da metáfise medial da tíbia proximal, classificadas como estágio II de LANGENSKIÖLD. Qual é a conduta mais adequada, segundo o Tachdjian?

  1. observação semestral, porque o varo fisiológico pode persistir até os 3 anos
  2. órtese por no máximo um ano e, se não corrigir, osteotomia antes dos 4 anos com hipercorreção do eixo mecânico para pelo menos 5 graus de valgo
  3. esperar até os 8 anos, idade até a qual uma osteotomia simples cura a doença
  4. ressecção de barra fisária medial com interposição de gordura
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Gabarito: B · órtese por no máximo um ano e, se não corrigir, osteotomia antes dos 4 anos com hipercorreção do eixo mecânico para pelo menos 5 graus de valgo

Conceito-chave

Duas crianças de 2 anos com as pernas arqueadas podem estar em caminhos opostos. Uma tem o varo fisiológico, que some sozinho. A outra tem a doença de BLOUNT, e cada mês de espera pode custar a fise medial da tíbia. O Tachdjian é categórico: diante de uma tíbia vara infantil confirmada, observar é uma estratégia inadequada.

O que é a tíbia vara. É um retardo do crescimento da parte medial da fise proximal da tíbia, que leva a um arqueamento persistente ou progressivo e, depois, a alterações da epífise. A forma infantil aparece antes dos 3 anos; a adolescente, aos 8 anos ou mais; entre as duas, há a forma juvenil (cap. 18, Tibia Vara).

Quem é a criança típica. Parece uma criança com varo fisiológico, mas costuma ser obesa, muitas vezes acima do percentil 95 de peso, e tem um impulso lateral (lateral thrust) na marcha. A explicação é mecânica: pelo princípio de HUETER-VOLKMANN, a compressão no planalto medial de uma criança pesada com 20 graus de varo basta para frear o crescimento da fise medial. Além do varo, há torção tibial interna e procurvato, o desvio no plano sagital que, se não for reconhecido, compromete o resultado.

A classificação de LANGENSKIÖLD. Seis estágios radiográficos, que avançam com a idade. O próprio LANGENSKIÖLD descreveu que os estágios I e II costumam voltar ao normal com tratamento, que os III e IV podem voltar, e que os V e VI têm recidiva e alterações irreversíveis. Os estudos em populações não brancas mostraram que a regra antiga dos 8 anos falha: o bom resultado previsível com uma osteotomia única só vem se ela for feita até os 4 anos.

O tratamento por etapas. Órtese só em menores de 3 anos com estágio I ou II, com sucesso em até metade dos casos, melhor na doença unilateral, por no máximo 1 ano. Se não corrigir, faz-se a osteotomia antes dos 4 anos, com chance de bom resultado em quase 90%. O detalhe técnico que a banca gosta: hipercorrigir o eixo mecânico para pelo menos 5 graus de valgo, lateralizar o fragmento distal, rodar externamente o fragmento distal para corrigir a torção interna, fazer a osteotomia da fíbula e considerar a fasciotomia profilática. O resumo Alinhamento, torções e coxa vara na criança organiza as condutas por estágio.

Por que esta questão foi criada. Para separar quem ainda usa os 8 anos de LANGENSKIÖLD de quem sabe que o limite que importa hoje é 4 anos.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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