Sobre a revascularização da fratura, o capítulo conclui, a partir de RHINELANDER, que
- só o modelo centrípeto de KOLODNY, pelo periósteo, está correto
- só o modelo centrífugo de TRUETA, pela circulação medular, está correto
- a morfologia da fratura decide: na fratura sem desvio a circulação medular se refaz rápido (TRUETA); na desviada, a resposta periosteal vem primeiro (KOLODNY) e depois a medular
- a revascularização vem depois da união óssea
Ver gabarito e conceito-chave
Conceito-chave
Durante décadas, dois grupos de pesquisadores disputaram de onde vem o sangue que cura a fratura: de fora, pelo periósteo, ou de dentro, pela circulação do canal medular. O capítulo conta como a disputa terminou e por que a resposta importa para quem trata a fratura. A questão pergunta qual foi a conclusão de RHINELANDER.
Os dois modelos. Em 1923, KOLODNY propôs o modelo centrípeto: a revascularização depois da fratura viria principalmente do periósteo, de fora para dentro. Em meados do século XX, TRUETA propôs o modelo centrífugo: dominaria a circulação intramedular, de dentro para fora (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 2).
A conciliação. Nos anos 1960 e 1970, RHINELANDER mostrou que os dois estavam certos, cada um no seu tipo de fratura, porque é a morfologia da fratura que decide. Na fratura sem desvio, os vasos intramedulares se refazem rapidamente, como dizia TRUETA. Na fratura desviada, a resposta vascular do periósteo vem primeiro, como dizia KOLODNY, e só depois se restabelece a circulação medular.
Por que isso faz sentido. A fratura sem desvio deixa o canal medular quase alinhado, e os vasos de dentro conseguem se reconectar logo. Na desviada, o canal fica interrompido e desalinhado, e o periósteo, que envolve os fragmentos e funciona como uma derivação vascular, é quem leva o sangue primeiro ao foco. Nas bordas do foco, onde o periósteo mantém a irrigação e há pouca deformação, forma-se osso intramembranoso; no centro, sem oxigênio, forma-se o calo de cartilagem.
Como o sangue chega ao osso. O osso tem uma rede vascular complexa: artérias metafisárias e epifisárias, diafisárias, endosteais e periosteais formando uma rede sinusoidal. As artérias nutrícias entram no osso de fora para dentro e se ramificam, ligando o centro à periferia, e os vasos transcorticais atravessam o endósteo e a cortical, ligando a medula ao periósteo (Fig. 2-6).
Por que isso muda a conduta. Sem união vascular, não há consolidação, e ela sempre vem antes da união óssea. O capítulo diz que a frase "respeitar as partes moles", tão repetida no trauma, fica aquém da necessidade absoluta da vascularização. Fora do centro cirúrgico, os melhores resultados vêm de corrigir os fatores sistêmicos que prejudicam a irrigação e a consolidação, como o tabagismo e o diabetes.
Por que esta questão foi criada. É uma questão de projeção. KOLODNY, TRUETA e RHINELANDER são nomes que a banca gosta, com uma resposta que concilia os dois lados.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
Ver o comentário completo