Criança com paralisia cerebral, em uso de anticonvulsivante, será imobilizada depois de uma cirurgia eletiva. Para diminuir o risco de fratura patológica junto ao gesso, o capítulo recomenda
- imobilização mais longa e mais rígida, para proteger o osso frágil
- gesso de paris grosso, que distribui melhor a carga sobre o osso
- proibir o apoio até a retirada do gesso
- imobilização curta (menos de 4 semanas), gesso que permita o apoio e imobilização menos rígida, como o Soft Cast, talas e órteses
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Conceito-chave
Uma criança com paralisia cerebral, que usa anticonvulsivante, faz uma cirurgia eletiva no pé e vai para o gesso. Semanas depois, ao tirar o gesso, a família nota inchaço na perna: é uma fratura nova, perto da borda do gesso. A questão pergunta como evitar esse cenário, e a resposta parece contraintuitiva: o osso mais frágil é o que deve ser imobilizado menos.
Por que o osso enfraquece no gesso. Toda imobilização prolongada tem efeitos indesejados: rigidez, atrofia muscular, degradação da cartilagem, enfraquecimento dos ligamentos e osteoporose. Na criança comum, esses efeitos são menores que no adulto. Mas as crianças com doenças paralíticas, com paralisia cerebral e as que usam anticonvulsivantes já partem de um osso com menos estímulo, e a imobilização acrescenta a osteopenia de desuso. O capítulo diz que elas têm risco significativamente maior de fratura patológica dentro do gesso ou logo depois de tirá-lo (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 4).
Como prevenir. As estratégias do capítulo vão todas na mesma direção: imobilização curta, de menos de 4 semanas; gesso que permita apoio, para manter o estímulo da carga; e imobilização menos rígida, como o Soft Cast, talas e órteses. O Soft Cast é um material sintético menos rígido, que acomoda melhor o aumento de pressão, é citado como opção para a osteopenia grave e sai sem serra.
A mielomeningocele. Muitas fraturas dessas crianças vêm justamente do gesso usado depois de cirurgia eletiva. O risco diminui com o gesso pelo menor tempo possível e com fibra de vidro macia ou curativo volumoso macio, que criam menos concentração de tensão no osso: a borda de um gesso rígido funciona como um ponto onde a força se concentra num osso fraco. E, por serem insensíveis, essas crianças fazem úlcera de pressão sem reclamar, então é preciso evitar moldagem excessiva.
A paralisia cerebral. Além do osso, há risco de úlcera pela desnutrição e pela dificuldade de comunicar a dor, e as contraturas que ajudaram a causar a fratura dificultam o gesso. Nas crianças com desnutrição e doença óssea, a consolidação também pode demorar mais e pedir proteção mais longa contra a refratura. O equilíbrio é proteger o tempo suficiente sem prender o osso a ponto de enfraquecê-lo mais. O resumo Gesso e tala na criança reúne essas comorbidades.
Por que esta questão foi criada. É uma questão de projeção. A ideia contraintuitiva de imobilizar menos e com menos rigidez o osso mais frágil tem cara de prova.
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