Durante a confecção de um gesso de gesso de paris numa criança sob anestesia geral, qual conduta aumenta o risco de queimadura térmica, segundo o capítulo?
- usar água de imersão fria, na temperatura recomendada pelo fabricante
- colocar as talas de reforço no lado convexo do membro, diminuindo a sobreposição na concavidade
- apoiar o gesso ainda em presa sobre um travesseiro e reforçá-lo logo com fibra de vidro
- usar tala de 10 a 15 camadas cortada no comprimento certo, sem dobrar as pontas
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Conceito-chave
Imagine o fim de uma redução no centro cirúrgico. A criança está anestesiada, o gesso de paris acabou de ser feito, ainda morno, e alguém o apoia num travesseiro e passa uma camada de fibra de vidro por cima para deixá-lo mais resistente. Ninguém vai ouvir reclamação nenhuma, e é exatamente por isso que essa cena é perigosa. A questão pede para reconhecer o que, nessa sequência, transforma o gesso numa fonte de queimadura.
Por que o gesso esquenta. O gesso de paris endurece porque reage com a água e vira gipsita, e essa reação é exotérmica: o calor é o subproduto inevitável da presa. A fibra de vidro também endurece por reação química, mas a temperatura de presa do gesso de paris é muito mais alta, e por isso o risco de queimadura é praticamente dele. O capítulo acrescenta que, dentro de uma mesma linha de produtos, o gesso de presa mais rápida esquenta mais, e que mais material, reação mais rápida e água ou ambiente mais quentes aumentam o calor liberado (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 4).
Os dois números que decidem. Os fatores mais fortemente associados à queimadura são a temperatura da água de imersão e a espessura do gesso. O risco fica significativo com água acima de 50 °C ou gesso com mais de 24 camadas. Cada fabricante indica a temperatura máxima da água, e esquentar a água para acelerar a presa é justamente o que o capítulo manda evitar.
De onde vêm as 24 camadas sem ninguém perceber. Quase ninguém faz um gesso tão grosso de propósito. A espessura aparece por sobreposição: nas concavidades, como a fossa cubital e o dorso do tornozelo, o material se acumula; e uma tala de 10 a 15 camadas comprida demais, com as pontas dobradas, cria um ponto de 20 a 30 camadas. A saída é colocar as talas de reforço no lado convexo e cortá-las no comprimento certo. O resumo Gesso e tala na criança resume esses pontos numa tabela que compara os dois materiais.
O que impede o calor de sair. Calor gerado precisa se dissipar. O travesseiro isola o gesso e faz a temperatura na pele subir a ponto de queimar. A fibra de vidro passada sobre um gesso de paris que ainda não curou também retém o calor. Por isso o gesso tem de curar antes de ser apoiado ou reforçado, e por isso os autores não recomendam de rotina o gesso de paris coberto de fibra de vidro: além do calor, ele esconde detalhes na radiografia e dificulta sentir a lâmina da serra na retirada. Quem está sob anestesia geral ou regional corre ainda mais risco, porque não sente nem relata a dor da queimadura.
Por que esta questão foi criada. É uma questão de projeção. A queimadura pelo gesso é uma complicação evitável, com dois números redondos (50 °C e 24 camadas) e com armadilhas de técnica que têm cara de prova.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
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