A fratura do tálus com consolidação viciosa do colo em varo resultará num antepé rígido e supinado.
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Conceito-chave
O papel do colo do tálus. O tálus transmite toda a carga da perna para o pé. Seu colo liga o corpo (que articula com a tíbia e o calcâneo) à cabeça (que articula com o navicular). A orientação do colo define para onde a cabeça aponta e, portanto, a posição de todo o médio-pé e antepé, por meio da articulação talonavicular.
A consolidação viciosa em varo. As fraturas do colo do tálus desviadas, sobretudo com cominuição medial, tendem a colapsar do lado medial. Se consolidam assim:
- o colo fica mais curto medialmente, e a cabeça passa a apontar para medial;
- a coluna medial do pé encurta;
- a articulação subtalar fica travada em inversão (retropé em varo);
- o antepé acompanha: adução e supinação.
O resultado é um pé cavo-varo rígido, com apoio na borda lateral, calosidades sob a base do quinto metatarso, dor e artrose subtalar progressiva.
Por que a mobilidade se perde. Com a subtalar travada em inversão, a articulação transversa do tarso (Chopart) fica com os eixos cruzados e também trava. O pé perde a capacidade de se tornar flexível no apoio, e o antepé fica rigidamente supinado.
Prevenção. Redução anatômica das fraturas desviadas do colo do tálus, com atenção à cominuição medial: a fixação deve manter o comprimento medial, muitas vezes com uma placa medial de ponte ou enxerto, em vez de parafusos de compressão que encurtariam o lado cominuído.
Tratamento da sequela. Osteotomia de correção do colo (com enxerto medial) quando a articulação está preservada, ou artrodese subtalar ou tríplice corretiva quando há artrose.
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