Paciente masculino, 67 anos, com déficit neurológico no membro inferior direito por neuropatia diabética e com quadro avançado de osteoartrose do tornozelo ipsilateral. Refere dor moderada ao deambular e queixa de quedas frequentes por instabilidade do tornozelo. Na falha do tratamento conservador, com o uso de bota imobilizadora e de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, a opção cirúrgica mais indicada é
- artrodiastase do tornozelo.
- artrodese tibiotársica com três parafusos.
- artroplastia total do tornozelo e reparo ligamentar.
- artrodese tibiotalocalcaneana com haste retrógrada.
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Conceito-chave
Este caso reúne vários dados que ajudam a escolher a cirurgia:
paciente de 67 anos;
neuropatia diabética, com perda de sensibilidade e do controle da posição do membro;
artrose avançada do tornozelo;
instabilidade, com quedas frequentes;
falha do tratamento conservador (bota imobilizadora e remédios).
O enunciado não diz que a articulação subtalar (logo abaixo do tornozelo) esteja doente.
Por que não colocar uma prótese: a artroplastia do tornozelo depende de ligamentos estáveis e de um paciente que controle bem o membro. A neuropatia tira a sensibilidade e a percepção de posição da articulação, e aumenta o risco de a prótese afundar no osso e até de desencadear uma artropatia de Charcot. A instabilidade importante também é contraindicação.
Por que a artrodese do tornozelo: fundir a articulação entre a tíbia e o tálus (artrodese tibiotársica) resolve a dor e a instabilidade. E, como só o tornozelo é fundido, a subtalar sadia é preservada, mantendo a capacidade de o pé se adaptar a terrenos irregulares. A fixação clássica usa três parafusos cruzados.
Vale uma ressalva. No pé neuropático, muitos cirurgiões preferem uma fixação mais robusta, como a artrodese tibiotalocalcânea com haste retrógrada, que funde também a subtalar. Essa opção é a escolha quando a subtalar está doente, quando o osso é fraco demais para segurar parafusos ou quando há Charcot. No caso descrito, porém, ela sacrificaria uma subtalar sadia, e o gabarito ficou com a artrodese só do tornozelo.
A artrodiastase (afastar a articulação com um fixador externo, para tentar preservar a cartilagem) é uma opção para pacientes jovens com artrose em fase inicial, não para este caso.
Na prova: neuropatia e instabilidade contraindicam a prótese; com a subtalar sadia, a opção é a artrodese tibiotársica.
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