Sobre os ligamentos colaterais das articulações dos dedos e a posição de imobilização, segundo o Netter, é correto:
- os colaterais da metacarpofalângica ficam tensos em extensão, por isso a mão deve ser imobilizada com a metacarpofalângica estendida
- na metacarpofalângica, a assimetria da cabeça do metacarpal e da origem do colateral dá o efeito came: o colateral fica tenso em flexão e frouxo em extensão; na interfalângica proximal, o colateral tem tensão constante e a parte acessória fica tensa em extensão, por isso não se imobiliza a interfalângica proximal em flexão
- a interfalângica proximal tem efeito came como a metacarpofalângica
- a interfalângica proximal raramente enrijece depois de uma lesão ou de imobilização
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Conceito-chave
Uma mão imobilizada por semanas do jeito errado pode sair do gesso rígida, com os dedos que não fecham ou não abrem. O motivo está numa diferença sutil entre a metacarpofalângica e a interfalângica proximal: o comportamento dos ligamentos colaterais em cada posição.
O efeito came na metacarpofalângica. A cabeça do metacarpal é assimétrica e a origem do colateral fica dorsal ao centro de rotação. Quando a articulação flete, o colateral passa sobre a parte mais larga da cabeça e fica tenso; em extensão, fica frouxo. É o efeito came, ou de virabrequim. Os colaterais são o estabilizador primário, e, na metacarpofalângica do polegar, o colateral é testado em 30 graus de flexão, e a lâmina palmar e o colateral acessório, em extensão (Jon C. Thompson, Netter Atlas de Anatomia Ortopédica, cap. 6, Articulações).
A interfalângica proximal é diferente. É uma articulação em dobradiça, sem efeito came. O colateral próprio tem tensão constante em toda a amplitude; a parte acessória, de origem palmar ao eixo, fica tensa em extensão e frouxa em flexão. A lâmina palmar impede a hiperextensão, tem fixação distal forte e proximal frouxa, e os ligamentos de contenção costumam encurtar depois da lesão, levando à contratura. O Netter resume: a interfalângica proximal tem propensão ao enrijecimento e à contratura depois de lesão ou imobilização, e não deve ser imobilizada em flexão.
Como juntar as duas regras. Na metacarpofalângica, a posição segura é a flexão, que mantém o colateral esticado e impede que ele encurte; na interfalângica proximal, a extensão. O exame físico do Netter mostra a consequência: a metacarpofalângica engessada em extensão perde flexão, porque os colaterais encurtam.
As outras articulações. As interfalângicas distais e a do polegar também são dobradiças, com colateral de tensão constante e sem efeito came, e são menos propensas à contratura que a proximal. Na carpometacarpal dos dedos, a segunda e a terceira quase não se movem, por isso aceitam pouca angulação nas fraturas dos metacarpais; a quarta e a quinta, mais móveis, aceitam mais.
Por que esta questão foi criada. É uma questão de projeção. O efeito came e a posição de imobilização são a anatomia que sustenta muitas questões de fraturas e lesões ligamentares da mão.
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