Na consolidação natural das fraturas, a deformação máxima tolerada pelo calo duro é de cerca de
- 2%.
- 10%.
- 50%.
- 100%.
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Conceito-chave
Cada tecido do calo tem um limite de deformação. O Rockwood (capítulo 1, Natural Bone Healing, Tabela 1-6) descreve a consolidação natural como a deposição sucessiva de tecidos com propriedades mecânicas cada vez melhores. Cada um deles tem duas características: a capacidade de estabilizar a fratura e uma deformação máxima além da qual ele falha. A consolidação só avança quando o tecido atual estabiliza o foco o suficiente para que a deformação caia abaixo do limite do próximo tecido.
Deformação, a grandeza que importa aqui. Deformação (strain) é a variação de comprimento dividida pelo comprimento original. No foco de fratura, corresponde ao movimento entre os fragmentos dividido pelo tamanho da fenda. Um movimento de 0,1 mm numa fenda de 1 mm é deformação de 10%; o mesmo movimento numa fenda de 5 mm é deformação de 2%.
A sequência dos tecidos.
| Tecido | Deformação máxima tolerada | Resistência à tração |
|---|---|---|
| Hematoma | 100% | 0,1 N/mm² |
| Calo mole | 10% a 12,8% | 4 a 19 N/mm² |
| Calo duro | 2% | 130 N/mm² |
- Hematoma. Logo após o trauma, o foco se enche de hematoma e forma um coágulo de fibrina. Ele quase não estabiliza, mas tolera deformações de até 100%. Nessa fase, quem estabiliza são as partes moles.
- Granulação e calo mole. Junto ao foco, onde a deformação ainda é alta demais para cartilagem ou osso, deposita-se tecido de granulação, que tolera mais deformação. Ele melhora a estabilidade e permite a ossificação endocondral, com cartilagem ao longo das corticais perto do foco: o calo mole, que estabiliza mais, mas continua flexível.
- Calo duro. A calcificação do calo mole forma o calo duro, muito mais resistente e muito pouco tolerante à deformação: cerca de 2%. A formação do calo duro marca o fim da fase de consolidação e o início da remodelação.
Ao mesmo tempo, a geometria trabalha a favor. O calo depositado longe do eixo neutro do osso aumenta muito o segundo momento de inércia. Por isso o calo periosteal contribui muito mais para a resistência do que o endosteal: um envelope periosteal de 5 mm oferece mais de 12 vezes a estabilidade de um calo endosteal de mesma espessura (Figura 1-13C).
Comparação com o osso e com a consolidação primária. A deformação de falha do osso é de 2% a 3%, próxima da do calo duro. Por isso a consolidação primária, que forma osso diretamente, exige deformação abaixo de 2% a 5% e movimento abaixo de 0,15 mm: o osso não tolera mais do que isso enquanto se forma.
Na teoria clássica e na revisão recente. O ensino tradicional de Perren estabeleceu a faixa de 2% a 10% de deformação para a formação do calo. Trabalhos mais recentes mostraram que 7% a 24% foram ótimos, que ainda houve ponte de calo com 36% e que acima de 48% não houve ponte. Esses números falam da deformação no foco que estimula o calo como um todo; o limite de 2% da tabela é o do tecido calo duro em si.
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