Uma atleta de futebol nos finais de semana, de 40 anos de idade, compareceu a consulta relatando que sentiu dor súbita na face posterior da panturrilha direita durante uma partida, com sensação de “pedrada”. Refere dor de forte intensidade com dificuldade para marcha, gap em porção distal e posterior da perna e manobra de Thompson positiva para lesão tendinosa. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue os itens a seguir. Julgue o item: Mesmo com esse quadro clínico característico, o diagnóstico, em cerca de 25% das lesões, não é realizado no primeiro atendimento médico.
- Certo
- Errado
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Conceito-chave
Uma ruptura pode passar despercebida. A afirmação de que aproximadamente um quarto das rupturas do tendão calcâneo é perdido na primeira avaliação é uma estimativa histórica muito citada, não uma taxa fixa aplicável a todo serviço. Ela aponta um risco real: a pessoa pode entrar andando no consultório e ainda conseguir alguma flexão plantar voluntária por ação dos flexores profundos e fibulares. Edema ou hematoma também podem esconder o defeito palpável.
Exame dirigido muda o diagnóstico. A história de estalo ou sensação de golpe durante esporte deve levar à palpação de todo o tendão e à comparação com o lado oposto. No teste de Thompson, a compressão do tríceps sural normalmente causa flexão plantar; sua ausência sugere ruptura. No teste de Matles, em decúbito ventral com joelhos fletidos a 90 graus, o pé lesionado tende a ficar mais dorsifletido, pela perda da tensão de repouso do tendão. A combinação de história e testes é mais informativa que verificar apenas se o paciente consegue apontar o pé.
Quando pedir imagem. A ultrassonografia ajuda se o exame for equivocado, se houver suspeita de ruptura parcial ou se for necessário avaliar aproximação dos cotos; a ressonância fica para situações selecionadas. O atraso favorece retração e cicatrização alongada, com perda de força de impulsão, podendo tornar a reconstrução mais complexa. Por isso a estatística não é a lição principal: o essencial é não dispensar o exame específico diante da história típica.
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