Pela regra canadense para a coluna cervical, em paciente alerta (escala de coma de Glasgow 15) e estável após trauma contuso, indica imagem por si só
- a dor cervical de início tardio.
- estar sentado no pronto-socorro.
- a colisão traseira simples.
- a idade de 65 anos ou mais.
Ver gabarito e conceito-chave
Conceito-chave
O problema que as regras resolvem. Quase todo paciente de trauma chega de colar, mas só 1% a 3% dos traumas contusos têm lesão da coluna cervical. Fazer imagem em todos expõe à radiação, custa caro e prolonga a imobilização. Duas regras clínicas, validadas em estudos prospectivos grandes, identificam quem pode ter o colar retirado sem exame: os critérios NEXUS e a regra canadense (Canadian C-spine Rule). Ambas valem apenas para o paciente alerta e estável.
NEXUS: cinco ausências. Dispensa imagem quando o paciente não tem:
- dor à palpação da linha média posterior da coluna cervical;
- déficit neurológico focal;
- alteração do nível de alerta;
- sinais de intoxicação;
- lesão distrativa dolorosa (outra lesão que desvie a atenção da dor cervical).
Regra canadense: três perguntas em sequência.
- Há fator de alto risco que obriga a imagem? Idade de 65 anos ou mais; mecanismo perigoso (queda de cerca de 1 metro (3 pés) ou 5 degraus, carga axial na cabeça como no mergulho, colisão acima de 100 km/h, capotamento ou ejeção, veículo recreativo motorizado, colisão de bicicleta); parestesias nas extremidades. Se sim, faz-se imagem, sem seguir adiante.
- Há fator de baixo risco que permita examinar o movimento? Colisão traseira simples; estar sentado no pronto-socorro; ter deambulado em algum momento; dor cervical de início tardio; ausência de dor na linha média. Se não houver nenhum, faz-se imagem.
- Consegue rodar o pescoço ativamente 45 graus para cada lado? Se sim, dispensa imagem.
Por que a idade pesa tanto. O idoso tem coluna rígida, osso osteoporótico e frequentemente espondilose ou hiperostose; fraturas acontecem com quedas da própria altura e a dor pode ser pouco expressiva. O risco de lesão justifica a imagem mesmo sem outros achados.
Comparação. No estudo comparativo citado no capítulo 47 do Rockwood (10ª ed.), a regra canadense teve maior sensibilidade e especificidade que o NEXUS, mas foi mais mal aplicada pelos médicos, por ser mais complexa. Quando a imagem é indicada, o exame de escolha é a tomografia multidetectores (sensibilidade de cerca de 98%), e não a radiografia, que perde cerca de 30% das lesões cervicais.
Base: Rockwood and Green, 10ª ed., capítulo 47 (Principles of Spine Trauma Care), seções de imagem e liberação da coluna cervical, figura 47-3.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
Ver o comentário completo