Um paciente de 8 anos inicia ataxia de marcha e incoordenação de instalação insidiosa. Foi realizada tomografia de crânio que mostrou lesão hemisférica cerebelar isodensa que capta de maneira homogênea o contraste e apresenta calcificações e um pequeno cisto. A ressonância nuclear magnética mostra lesão hipointensa em T1 e hiperintensa em T2 com o mesmo padrão de captação do contraste. O paciente foi submetido a tratamento cirúrgico e o laudo histopatológico da lesão revelou áreas compactas de astrócitos bipolares associados a fibras de Rosenthal e áreas de astrócitos frouxamente agregados associados a corpos granulares e microcistos. A descrição deste caso é compatível com o diagnóstico de:
- meningioma.
- tumor dermoide.
- meduloblastoma.
- astrocitoma pilocítico.
- astrocitoma low grade (grau II da OMS).
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Conceito-chave
Tumores da fossa posterior na criança. Ao contrário dos adultos, em que a maioria dos tumores cerebrais fica acima do tentório, nas crianças boa parte está na fossa posterior. Os três principais são:
| Tumor | Localização | Imagem | Histologia |
|---|---|---|---|
| Astrocitoma pilocítico | Hemisfério cerebelar | Cisto com nódulo mural que capta contraste; pode ser sólido com microcistos | Padrão bifásico, fibras de Rosenthal, corpos granulares eosinofílicos |
| Meduloblastoma | Vermis, teto do IV ventrículo | Sólido, hiperdenso na tomografia, restrição à difusão | Células pequenas, redondas e azuis; rosetas de Homer Wright |
| Ependimoma | Assoalho do IV ventrículo, saindo pelos forames | Heterogêneo, calcificações, “plástico” | Pseudorrosetas perivasculares |
O astrocitoma pilocítico. É o tumor cerebral mais comum na infância. Benigno (grau 1 da OMS), cresce devagar e causa sintomas insidiosos: ataxia, incoordenação, cefaleia e vômitos por hidrocefalia. Na histologia, tem um padrão bifásico: áreas compactas de astrócitos bipolares, com prolongamentos finos como cabelos (pilocíticos), e fibras de Rosenthal (inclusões eosinofílicas em forma de saca-rolhas), alternando com áreas frouxas, microcísticas, com corpos granulares eosinofílicos. Alterações do gene BRAF são frequentes.
Tratamento e prognóstico. A ressecção completa é curativa na maioria dos casos de localização cerebelar, com sobrevida em longo prazo muito alta. Se houver resíduo, pode-se observar, reoperar ou usar quimioterapia ou terapia-alvo, reservando a radioterapia para situações selecionadas pelos efeitos tardios em crianças.
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