Considere um paciente com hérnia discal em dois níveis, (C4‑C5 e C5‑C6) centro-lateral, com componente extruso, há 3 meses, provocando uma síndrome radículo-medular, caracterizada por cervicobraquialgia, refratária à medicação, disestesia do tipo dormência, paresia do membro superior com atrofia muscular, sinal de Lhermitte e Hoffman. Assinale a alternativa que indica o tratamento adequado para esse paciente.
- fisioterapia, apenas.
- repouso + colar cervical.
- tração cervical + anti-inflamatórios.
- discectomia, em dois níveis, apenas.
- discectomia em dois níveis + artrodese com cage, osso esponjoso (ou similar sintético), placa e parafusos em titânio.
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Conceito-chave
Duas síndromes ao mesmo tempo. Uma hérnia cervical pode comprimir a raiz nervosa (radiculopatia: dor irradiada para o braço, dormência e fraqueza num território), a medula (mielopatia: perda de destreza, alteração da marcha, hiperreflexia, sinais de Hoffmann e Babinski, sinal de Lhermitte) ou ambas, a síndrome radículo-medular. O caso tem as duas: cervicobraquialgia com paresia e atrofia, e sinais de compressão medular (Lhermitte e Hoffmann).
Por que operar. A mielopatia é uma indicação cirúrgica, porque a compressão da medula tende a progredir e o dano neurológico pode ser irreversível. Radiculopatia com déficit motor progressivo e atrofia, refratária ao tratamento clínico após semanas, também indica cirurgia. Fisioterapia, colar, repouso e tração não descomprimem a medula e são inadequados com mielopatia.
A cirurgia de escolha: discectomia cervical anterior com artrodese (ACDF).
- Acesso anterior ao pescoço, entre a bainha carotídea e a traqueia e esôfago.
- Retirada completa do disco e do fragmento extruso, descomprimindo a medula e as raízes.
- Colocação de um espaçador (cage) no espaço discal, preenchido com osso esponjoso ou substituto, para manter a altura, abrir os forames e permitir a fusão.
- Fixação com placa e parafusos, que aumenta a estabilidade e a taxa de fusão em cirurgias de dois níveis ou mais.
Por que não fazer apenas a discectomia. Retirar o disco sem reconstruir o espaço leva a colapso discal, cifose segmentar, estreitamento dos forames e dor axial. A fusão ou, em casos selecionados, a artroplastia discal mantém a altura e o alinhamento. A artroplastia é uma alternativa em jovens, sem instabilidade e sem degeneração facetária importante, mas a artrodese continua sendo o padrão.
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