Na fratura do colo do tálus, o diagnóstico radiográfico de necrose asséptica (sinal de HAWKINS) é feito entre a 6ª e a 8ª semanas após o trauma.
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Conceito-chave
A irrigação frágil do tálus. O tálus é coberto por cartilagem em cerca de 60% da superfície e não tem inserções musculares. Sua irrigação entra por poucos pontos: a artéria do canal do tarso (ramo da tibial posterior), a do seio do tarso (da fibular e da dorsal do pé) e ramos deltoides. Nas fraturas desviadas do colo, esses vasos se rompem e o corpo do tálus pode necrosar.
A classificação de Hawkins (com a modificação de Canale e Kelly) prevê o risco de necrose:
| Tipo | Lesão | Risco de necrose |
|---|---|---|
| I | Colo sem desvio | Até cerca de 10% |
| II | Colo desviado com subluxação da subtalar | Cerca de 20 a 50% |
| III | Desvio com luxação da subtalar e do tornozelo | Cerca de 50 a 100% |
| IV | Como o III, com luxação da talonavicular | Próximo de 100% |
O sinal de Hawkins. É uma faixa radiotransparente subcondral na cúpula do tálus, visível na radiografia em AP do tornozelo entre 6 e 8 semanas após a fratura. A rarefação óssea acontece porque o osso está vivo e irrigado, sendo reabsorvido pelo desuso (o mesmo mecanismo da osteopenia por imobilização).
O significado é o oposto do enunciado.
- Presença do sinal: o corpo do tálus está vascularizado; a necrose é improvável. É um sinal de bom prognóstico.
- Ausência do sinal: o corpo permanece denso enquanto o osso ao redor fica osteopênico, o que sugere necrose (mas não é conclusivo; a ressonância esclarece).
Conduta. A necrose não impede a consolidação; muitos pacientes evoluem bem. A carga pode ser liberada após a consolidação, e o colapso da cúpula é tratado conforme os sintomas (artrodese em casos graves).
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