Na marcha normal, o músculo tibial anterior contrai-se excentricamente no início da fase de apoio.
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Conceito-chave
Contração excêntrica: músculo ativo que se alonga. Na marcha, boa parte do trabalho muscular não é gerar movimento, mas frear movimentos produzidos pela gravidade e pela inércia. O músculo se contrai enquanto suas fibras se alongam, absorvendo energia como um amortecedor.
O primeiro rolamento (heel rocker). Na marcha normal, o contato inicial é feito com o calcâneo. O vetor de reação do solo passa atrás do eixo do tornozelo e tende a plantarflexionar o pé, baixando o antepé de forma brusca. Os dorsiflexores (tibial anterior, extensor longo do hálux e extensor longo dos dedos) se ativam e se alongam ao mesmo tempo, controlando a descida do antepé até o apoio plantar completo. Esse é o trabalho excêntrico na resposta à carga, início da fase de apoio.
O mesmo músculo ao longo do ciclo.
| Fase | Ação do tibial anterior | Tipo de contração |
|---|---|---|
| Contato inicial e resposta à carga | Freia a plantiflexão, baixa o antepé suavemente | Excêntrica |
| Apoio médio e terminal | Praticamente silencioso | Nenhuma |
| Balanço | Dorsiflexiona para o pé não arrastar no chão | Concêntrica, depois isométrica |
Correlação clínica: a marcha escarvante. Na paralisia do nervo fibular, o tibial anterior não funciona.
- No contato inicial, o antepé bate no chão logo após o calcanhar (pé batido, *foot slap*), porque falta o freio excêntrico.
- No balanço, o pé cai, e o paciente compensa elevando muito o joelho e o quadril para não tropeçar (marcha escarvante).
Contraste com o tríceps sural. No apoio médio, quando a tíbia avança sobre o pé fixo (segundo rolamento), é o sóleo que trabalha de forma excêntrica para controlar esse avanço. Cada grupo freia um rolamento diferente.
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